Comicguia #71: 60 anos com Tex

Por José Carlos Francisco

Comicguia #71 - 60 anos com TexComicguia, o fanzine (48 páginas, formato 15,5 x 21,5 cm) espanhol sobre crítica e investigação da banda desenhada, fundado em 1976 pelo historiador e crítico de banda desenhada Francisco Tadeo Juan e que tem como lema “A revista mais pobre do mundo, porém a mais rica em amigos“, traz no seu número 71 una capa de Roberto Diso criada especialmente para este número dedicado aos 60 anos da mítica personagem do oeste americano TEX WILLER, criado pela dupla Aurelio Galleppini “Galep” (nos desenhos) e Gian Luigi Bonelli (no guião).

Neste mais recente número, publicado no Inverno de 2008, o destaque é todo para os 60 anos de Tex, a personagem emblemática da BD italiana que superou todo o tipo de crises e que apesar do tempo transcorrido, mantêm-se no mercado com notável êxito e dando a impressão de que ainda tem muitos anos de vida pela frente. A edição que contém no seu interior um rico dossier ilustrado sobre Tex com imagens belas e raras e por isso deve fazer parte da colecção de qualquer Texiano que se preze, pode ser encomendada mediante subscrição anual no valor de 20 € (3 ou 4 números por ano dependendo de alguns factores) através de Francisco Tadeo Juan, C/ Editor Manuel Aguilar, 17 – 7ª – 46001 Valencia (Espanha) ou através do telefone 00 34 96 391 80 95.

Comicguia #71 - Páginas interioresComicguia #71 - Páginas interiores

.
Para uma maior informação sobre este número especial dedicado ao Ranger, damos a conhecer o Índice:

Página 1 – Capa de Roberto Diso com Tex e Lilyth.
Página 2 – Créditos e índice.
Página 3 – Editorial, por F. Tadeo Juan.
Páginas 4 a 19 – Diferentes amostras de Tex desenhado pelos diversos autores, com reprodução de capas de exemplares italianos, de ilustrações e vinhetas de Galep e de números antigos de Comicguía, retratos de Claudio Nizzi, G.L. Bonelli, A. Galleppini e Tea Bonelli.
Páginas 22 a 26 –  Artigo, de Francisco Tadel Juan: “Nuevas aventuras de Texas Bill”. Texto sobre uma colecção de revistas editada em Espanha, com comentários sobre a série de Tex publicada pelos nuestros hermanos.
Páginas 30 a 37 – Reprodução de páginas de algumas histórias de Tex da autoria das duplas Nizzi e Jesús Blasco, Mauro Boselli e José Ortiz, Nizzi e De la Fuente, de M. Boselli e Alfonso Font, Nizzi e Jordi Bernet, Antonio Segura e Miguel Angel Repetto e Nizzi e Manfred Sommer.
Página 38 – Artigo escrito por Sergio Bonelli: “Dubbi, curiosità e domande varie al Direttore“, em que fala  de Comícguía e Tex. Em italiano, sem tradução.
Páginas 39 a 41 – Reprodução de capas, vinhetas e ilustrações de Galep, de edições argentinas de Tex (Rayo Rojo), um estudo inédito e uma amostra de censura e ainda um retrato da família Bonelli de Tacconi.
Páginas 42 e 43 – Recomendações editoriais.
Páginas 44 a 46 – Artigo escrito por Francisco Tadeo Juan: “¿Folchi, el primer “castoonist” español?”. Texto sobre o ilustrador e humorista valenciano Manuel González Martín.
Página 47 – Secção “Curiosidades Culturais“, por Alexandre Dumás (pseudónimo).
Página 48 – Ilustração de Nené Estivill, com a personagem Rosalino Felpudo (da série Agamenón).

Comicguia #71 - Páginas interiores com Tex em grande destaque

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Tex Série Normal: Mesa dos Esqueletos

Tex nº 124l - Mesa dos EsqueletosArgumento de Gianluigi Bonelli, desenhos de Alberto Giolitti e Giovanni Ticci e  capa de Aurelio Galleppini.
Com o título original Sabbie insanguinate, a história foi publicada em Itália nos nº 188 a 189 e no Brasil pela Editora Vecchi no nº 124.

Em plena reserva Navajo, Tex surpreende dois contrabandistas de armas e whisky a negociarem com índios.
Depois de um breve confronto, Tex abate os dois que se encontravam naquelas paragens a mando do mexicano Rico Torres.

Logo que sabe do sucedido, Rico jura vingar-se do Ranger e avisa Miller e Graham, dois homens de negócios com algum poder e que pretendem utilizar alguma da sua influência para afastar Tex como agente índio. No entanto, Tex suspeita que, se Miller e Graham estão tão interessados em traficar com os navajos é porque alguma coisa de mais substancial poderá estar por detrás de tudo.

Sabbie insanguinate

Tex em acçãoE em breve, Tex, Carson e Jack Tigre estão a caminho da cidade morta, um velho pueblo habitado apenas pelos esqueletos de antigos conquistadores espanhóis que ficaram por ali, únicas testemunhas de uma dura batalha com os índios, e que parecem guardar um antigo tesouro azteca.

Uma cidade morta, um pueblo perdido após uma dramática batalha entre índios e os conquistadores espanhóis, eis o cenário de mais uma bela aventura sobre a cupidez humana, uma questão que Bonelli tão bem soube explorar ao longo da série. Um tema recorrente, mas que G. L. Bonelli consegue atrair mercê do fascinante artifício histórico que busca na mitologia e na cultura índia muito do seu interesse.

O Tex de Ticci em acção

Tex esquivando-se das balasO mexicano Rico Torres funciona como o homem de mão de um grupo de aventureiros sem escrúpulos que tentam tudo para chegar ao tesouro azteca, mesmo corrompendo os próprios Navajos. Personagens duras e frias, mas que se encontram diante de um Tex perfeitamente bonelliano.

Um argumento que convida o grande Giovanni Ticci a desenhar páginas de grande intensidade, dinamismo e beleza, substituindo o seu mestre Alberto Giolitti que assina as primeiras 33 páginas da aventura. Ticci tem o oeste no seu traço, um traço pleno de dinamismo, convidativo à pura contemplação e cujas páginas que decorrem no pueblo são de verdadeira antologia na história texiana.

Texto de Mário João Marques

Capa de Tex italiano # 520: Agguato a mezzanotte

Por José Carlos Francisco

Caludio Villa e José Carlos FranciscoClaudio Villa (junto de José Carlos Francisco, na foto ao lado), que em 1994, foi chamado para substituir Aurelio Galleppini na árdua missão de realizar as capas de Tex, árdua porque no fundo Tex na Itália é um monumento nacional, e também porque os leitores se afeiçoaram ao traço que o fez popular em quarenta anos de história, colocou-se ao serviço do Mito e ainda hoje continua a surpreender-nos a cada nova capa, tarefa hercúlea já que tenta não repetir situações parecidas e por conseguinte a cada nova capa tem que sofrer um pouco mais, até porque mesmo depois de cento e oitenta capas, os leitores ainda não se esqueceram do velho Mestre e as comparações são inevitáveis…

Mas se estar sempre nas bancas, ainda que com apenas um desenho, é muito importante, infelizmente para os seus fãs, fazer tantas capas como na actualidade, leva muito tempo e isso não ajuda em nada a história que está a desenhar, mas voltando às capas, Claudio Villa inspira-se sobretudo no trabalho do desenhador da história em questão, embora esteja sempre à procura do “retrato” ideal de Tex, porque ainda não conseguiu encontrar um modelo físico “certo”, já que na sua óptica, Tex deve inspirar força e calma, determinação e carácter, sabedoria e segurança, ironia e experiência e o desenho deve contar ao leitor todas as suas qualidades.

E hoje aqui no blogue do Tex damos a conhecer uma vez mais, várias fases e estudos de uma capa do Ranger: desta vez “Agguato a mezzanotte” (Tex nº 520).

Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (esboço 1)Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (esboço 1A)
.

Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (esboço 2)
.

Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (esboço 3A)
.

Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (desenho finalizado)Capa de Tex italiano # 520 - Agguato a mezzanotte (desenho colorido)
.

Tex italiano # 520 – Agguato a mezzanotte

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Entrevista com o fã e coleccionador: Jaílson M. de Lima

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Jailson LimaPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu?
O que faz profissionalmente?

Jailson Lima: Nasci na cidade de Sobradinho – RS (Brasil), em 1970. Actualmente resido na cidade de Pelotas-RS e trabalho como Técnico em electrotécnica há 20 anos.  Sou graduado em Tecnologia Ambiental  com ênfase em Saneamento Ambiental e fiz pós-graduação em fontes alternativas de energia e também em Educação Ambiental.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Jailson Lima: No ano de 1981, quando um amigo emprestou-me uma revista em preto e branco com a história “Dakotas“, número 123, da editora Vecchi. Juntamente com Tex, li também a história número 33 de Zagor, intitulada “Feras“. A partir desse período, passei a coleccionar essas duas personagens italianas.

A estanTEX de Jailson LimaPorquê o Tex e não outra personagem?
Jailson Lima: Pela continuidade da colecção no Brasil, pelo enredo das histórias e principalmente pelo senso de justiça, pela bravura e honra da mítica personagem.

O que Tex representa para si?
Jailson Lima: O Tex  proporciona-me muitos momentos de lazer e descontracção.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jailson Lima: Tenho a colecção completa do Tex normal, dos Grandes Clássicos de Tex e ainda as mini-séries, os  Tex coloridos da Globo, alguns Tex Gigante, Anual e Histórico. Além de Tex, tenho tudo o que saiu de Zagor no Brasil e tenho as colecções completas de Mister No e Nick Raider publicados pela Record e Mythos.

O calendário de Tex e demais personagens BonelliColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Jailson Lima: Colecciono actualmente os Tex normais, Grandes Clássicos e Anual (excelente indicação do pard português, José Carlos) e todas as publicações de Zagor no Brasil.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jailson Lima: São várias, posso citar “Oklahoma” (Tex #300), “O Grande Golpe” (Tex #107 a #110) e também “El Muerto” (Tex #112), não esquecendo o Tex Anual 10, que li recentemente.
Os textos que mais aprecio são do Nizzi e G. L. Bonelli e os desenhos do Galleppini e Lettèri.

Zagor, a outra paixão de Jailson LimaO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jailson Lima: O que mais me agrada em Tex é a  bravura e justiça que ele procura demonstrar em cada acto e também a sua percepção das armações que os malfeitores estão sempre orquestrando. Acho que as histórias de Tex poderiam ter mais mulheres envolvidas nas tramas, pois isso daria um “plus” à personagem.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Jailson Lima: A sua longevidade como herói de faroeste, pois mesmo tendo vários argumentistas e desenhadores a personagem nunca perdeu suas características agradando tanto os leitores antigos como os mais novos. A personagem, juntamente com os demais pards, actua sempre com justiça, persistência e coragem  mostrando sempre um bom carácter, defendendo os oprimidos e mais fracos.

Jailson Lima e o herdeiro de tão grandiosa colecçãoA biblioTEX

De pequeno é que se começa a incentivar...Para concluir, como vê o futuro do Ranger?

Jailson Lima: Vida longa ao Tex, pard José Carlos, pois vemos jovens leitores de 11, 13 e 15 anos escrevendo cartas para a editora. Isso demonstra que a BD ainda tem muita aceitação e acredito que Tex irá muito longe, pois os argumentos e os desenhos estão sempre em um bom nível, com histórias envolventes que prendem o leitor  do início ao fim.

Prezado pard Jailson M. de Lima, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)