Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 70, 71 e 72 – Harry Carey, Clint Eastwood, Bill Elliott, Errol Flyn, Rock Hudson e Burt Lancaster

HARRY CAREY, O BANDIDO “HERÓI”

Harry CareyTal como personagens da Literatura, também o cinema viria a escolher artistas, que sempre interpretaram papeis de vilões, para o papel de “heróis”. Hoje isso então, é vulgar. Grandes artistas de filmes de acção, interpretam, indistintamente, papeis de maus e de bons. Mas nos primórdios do Cinema, já tal situação era mais rara. Vamos falar de Harry Carey, um dos poucos artistas a quem isso aconteceu e que sempre trabalhou em filmes de “western”.

Nasceu em Bronx, Nova Iorque, em 16 de Janeiro de 1878, com o nome de Henry DeWitt Carey II, filho de um juiz. Estudou para Direito, mas cedo verificou a sua inclinação para escritor de peças teatrais. Em 1899 sofreu uma pneumonia. Com a saúde abalada, parte para Montana, onde começa a escrever. Nem sempre o seu trabalho foi bem aceite, mas depois de várias insistências, acabou por ter sucesso. Ele seria ainda maior, com a sua própria interpretação nas peças que escrevia. É então convidado para fazer um filme em 1910, “Bill Sharkey’s Last Game”. Entusiasmado, acabaria contratado por David Griffth (1875-1948), para outro filme: “An Unseen Enemy” (1912), na mesma película onde se viriam a estrear as duas irmãs Lilian e Dorothy Gish.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 70Depois entra em mais de 60 filmes, trabalhando para a Biograph, interpretando sempre vários papeis de vilão perverso e antipático, de tal modo, que era já conhecido como “o vilão da Biograph”. Quando os filmes passaram a ser rodados na Califórnia, Harry compra ali o seu rancho, onde viveria até à sua morte.
Em 1951 vamos encontrá-lo a trabalhar para a Universal. No ano seguinte conhece Olive Fuller Golden, com quem casará, em segundas núpcias, em 1920 (ela tinha 23 anos e ele 42). Carey já tinha sido casado pela primeira vez, com Alma Fern.
Em 16 de Maio de 1921 têm um filho, chamado Harry Carey Jr., que será também artista. Ainda tiveram mais uma filha, Ellen.

Harry ainda chegou a ser dirigido por John Ford de 1919 a 1922, altura em que deixaria a Universal. Nessa época criou então a figura do “herói” chamado “Cheyenne Harry”, que alcançaria relativo êxito. Depois irá trabalhar para várias produtoras menores, onde os seus papeis já não alcançarão tanto sucesso.

Harry CareyEm 1928, uma enchente mata-lhe as ovelhas, gado e cavalos, de tal modo, que fica arruinado. Vê-se então obrigado a trabalhar com a mulher, em pequenos Teatros. O filme “Trader Horn” (já sonoro), da MGM, irá salvá-lo financeiramente. Volta a reconstruir o rancho que, infelizmente, acabará pasto das chamas mais tarde.

Depois deste azar, dedica-se aos seriados a partir de 1931: “The Vanishing Legion”, “The Last of The Mohicans” e “The Devil Horse”, bem como “Powdersmoke Range” (1935), são alguns dos seus filmes dessa época. Depois trabalhará em quaisquer papeis que lhe oferecem, num variado grupo de filmes, já como figura de segundo plano.

A doença apanha-o em 1947 e a 21 de Setembro desse ano, problemas cardíacos e respiratórios, levam-no à sepultura.
Alguns dos seus filmes: “West is West” (1919), “Desert Driven” (1923), “Night Hawk” (1924), “Satan Toiwn” (1926), “Law And Order” (1932), etc..

CLINT EASTWOOD

Clint EastwoodClint Eastwood nasceu em São Francisco, na Califórnia, no dia 31 de Maio de 1930. Bem cedo acabaria no Oregon, como empregado numa estância de madeiras, como bombeiro florestal e outras profissões, onde o seu físico servia.

Como professor de natação no Exército (1951-1953), conheceria muitos actores que o convenceram a entrar para o Cinema. Depois de pequenos papeis, foi convidado por Sergio Leone para fazer o seu primeiro filme de “cow-boys”, “Por Um Punhado de Dólares”, que seria rodado em 1964, em Espanha. Seu salário seria de 200.000 dólares e iniciava-se o tão famoso ciclo dos “wester-spaghetti”. Os dois filmes seguintes, seriam a chave do seu êxito. Em 1967 volta para os Estados Unidos da América e entra em outro filme do oeste, “Hang ‘Em High”, onde ganha dinheiro para fundar a sua produtora.

Surge então a sua tão polémica figura de “Dirty Harry”, que filmará com a sua segunda mulher Sondra Locke, com quem viverá alguns anos (1978/1988) e, inclusive, será a realizadora de um dos seus filmes e produtora de muitos outros. Recentemente Sondra moveu-lhe uma acção em tribunal, acusando-o de que ele tinha conseguido que outras produtoras não lhe tivessem dado trabalho, evitando assim que ela ganhasse dinheiro.

Depois será um contínuo trabalho. Clint tem dois filhos do primeiro casamento, com Maggie Johnson. O seu Óscar foi conquistado com o filme “Imperdoável”, outra obra ligada ao oeste.
Alguns dos seus filmes: “Per Quelche Dollari Pie” (1965), “Il Buono, Il Brutto, Il Cativo” (1966), “The Outlaw” (1976).

BILL ELLIOTT OU WILLIAM ELLIOTT OU “WILD BILL” ELLIOTT

Gordon ElliottGordon Elliott nasceu em 1903 em Pattonsburg, Missouri, vindo a morrer em 1965.
Antigo competidor de rodeios, apareceu pela primeira vez no Cinema em 1925, em papeis secundários e em filmes que não se encontravam ligasdos ao “western”. Em 1938, depois de trabalhar num filme da Columbia, intitulado “The Great Adventures of Wild Bill Hickok” resolveria adoptar o nome da personagem principal do filme, como seu nome artístico. Acabaria por se tornar actor principal de numerosos “westerns”, na década de 40 e no princípio dos anos 50. Indicam-se alguns dos seus filmes mais importantes, como é óbvio:
“Overland With Kit Carson” (1939), “Pioneers of The Frontier” (1940), “The Return of Wild Bill” (1940), “Calling Wild Bill Elliott” (1943), “Cheyenne Wildcat” (1944), “Rangers” (1945), “The Showdown” (1950), “Kansas Territory” e “Fargo” (ambos de 1952).

ERROL FLYN E A SUA LIGAÇÃO AOS FILMES DE “COW-BOYS”

Errol Flyn nasceu por acaso, na Tasmânia, na cidade de Hobart, durante uma viagem dos seus pais, ambos australianos. Embora alguém tivesse dito que ele era irlandês, não é verdade. Seu pai era biologista e oceanógrafo, pelo que receberia dele uma esmerada educação.

Aos 15 anos, resolveria lançar-se à aventura. Foi grumete, guia e artista de Teatro. Falava francês e um pouco de espanhol. Praticou natação, ténis e boxe. Desde muito novo, vivia para o amor, numa eterna procura do prazer. Em 1936 estreia-se no Ciname, no papel do “Capitão Blood”, filme que o tornaria num ídolo das multidões. Belo, simpático, de sorriso cativante, inicia a sua carreira de galã.

Depois dos papeis nos filmes de aventuras e de capa e espada (ele era um exímio esgrimista), vira-se também para o “western”. É então que surgem grandes filmes do tema: “Dodge City” (1939), “Santa Fe Trail” (1940) e “They Died With Their Boots” (1941). Seguem-se ainda: “Virgínia City” (1949), “Santo Antonio” (1945), “Silver River” (1948), “Montana” (1950) e “Rocky Mountain” (1950).

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 71Em 1942 Flyn foi acusado de violação. Mas levado a tribunal, foi libertado. No entanto, embora a imprensa tenha feito uma larga cobertura do escândalo, a popularidade do actor nada sofreu com isso, antes pelo contrário.
Casa então com Pratice Weymore, depois de dois casamentos fracassados com Lili Damita e Nora Eddington. Na altura o seu salário era um dos melhores na indústria do Cinema.

Chegaria a participar na Guerra Civil de Espanha, contra o Franco e em Cuba, lutou ao lado dos rebeldes de Fidel Castro.
Viveria uma vida desgastante e sempre metido em festas. A maior parte das vezes andava embriagado. O fim chegaria em 1959, em Vancouver (Canadá), só com 50 anos e de ataque cardíaco. Tinha nascido em 1909.

ROCK HUDSON

Rock HudsonRoy Scherer nasceu em 17 de Novembro de 1925 em Winnetka (os norte-americanos têm cada nome de terra), em Illinois, vindo a falecer a 2 de Outubro de 1985, em Los Angeles, Califórnia.

Foi um dos mais famosos galãs do Cinema, tendo-se estreado no filme “Fighter Squadron” (1948). A partir de 1959 formou dupla cómica-romântica com a actriz-cantora Doris Day, com a qual participaria em três filmes, que seriam um enorme sucesso. Seria igualmente o actor principal da série de televisão “MacMillan”. Em 1982 viria a sofrer um enfarte, depois de ter participado também em alguns filmes de “western”.

Indicamos alguns: “Winchester ’73” (1950), “Tomahawk” (1951), “Seminole” (1952), “Something To Value” (1957) e “The Undefeated” (1959).

BURT LANCASTER

Burt LancasterBurton Stephen Lancaster nasceu a 2 de Novembro de 1913, na cidade de Nova Iorque. Faleceu em 1997.
Filho de um empregado dos Correios, cresceu no violento lado Leste do Harlem nova-iorquino. Foi um excelente jogador de Basquetebol e grande desportista. Com o amigo de infância, Nick Cravat, formou a dupla de acrobatas Lang e Cravat. Durante muitos anos actuou em circos e espectáculos de “Vaudevilles”, além de clubes nocturnos. Foi caixeiro-viajante, empregado de uma loja em Chicago e costumava consertar geladeiras.

Lutou durante a Segunda Guerra Mundial, no Norte de África em Itália. Em 1946 entra no seu primeiro filme. Casou-se três vezes. Primeiro com a sua companheira de circo, June Ernest, depois com Norma Anderson (1946-1969), tendo 4 filhos. Aos 73 anos, casaria com a sua secretária, Susan Scherer, de 33 anos de idade (o costume).

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 72Possui uma vasta filmografia, onde se salientam também alguns filmes de “western”: “Vengeance Valley” (1951), “Apache” (1954), “The Kentuckian” (1955), “Gunfight At The OK Corral” (1957), “The Unforgiven” (1960), “The Hallelujah Trail” (1965), “The Professionals” (1966) e “The Scalphunters” (1968).

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Arte de Afrânio Braga

Afrânio Braga.

Hoje apresentamos vários desenhos relacionados com o mundo de Tex Willer, da autoria de um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex a nível mundial: Afrânio José da Silva Braga.

Afrânio, conforme se pode constatar lendo a sua entrevista ao blogue do Tex é natural de Manaus, Amazonas, Brasil, nasceu a 8 de Novembro de 1964, sendo no presente técnico industrial em edificações, economista e administrador. A sua paixão pelo ranger, nasceu em 1971, com Tex Nº 4, “Forte Apache” da Editora Vecchi, paixão essa que o levou inclusive a desenhar Tex Willer e seus pards, conforme se pode ver nas ilustrações que apresentamos de seguida e que foram realizadas há cerca de 20 anos:

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G. L. Bonelli por Afrânio BragaKit Willer por Afrânio Braga
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Jack Tigre por Afrânio BragaKit Willer por Afrânio Braga
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Kit Willer, Tex e Kit Carson por Afrânio BragaOs 4 pards por Afrânio Braga
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Arte de Afrânio Braga

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Póster Tex Nuova Ristampa 105

Póster Tex Nuova Ristampa 105

Ilustração de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer em pleno voo após saltar do seu cavalo, para capturar o jovem fugitivo Andy Wilson, também conhecido por “cara de anjo”, que fugia através da estrada dos Esqueletos, no deserto de Las Piedras, para despistar eventuais perseguidores, depois de ter alvejado o xerife Tom Kenyon…

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #92 e inspirado na história “Caccia all’uomo” de Guido Nolitta e Fernando Fusco (Tex italiano #183 a #185).
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Texto de José Carlos Francisco

Vídeo: Os amigos de Tex

OS AMIGOS DE TEX WILLER, é o título de mais uma excelente vídeo-montagem que damos hoje a conhecer no blogue do Tex. Trata-se do desfilar de alguns dos mais importantes amigos de Tex no decurso destes mais de 60 anos de vida editorial, numa sucessão de maravilhosas ilustrações coloridas das personagens, diante de Tex Willer!

A abrilhantar este vídeo, temos uma banda sonora a condizer, em mais um excelente trabalho do texiano Anthony Steffen, numa iniciativa que visa uma vez mais divulgar sobretudo o excelente fórum (italiano) de Tex Willer…

Bonelli: Os desafios de uma gigante dos quadradinhos

Alvaro BarretoPor Alvaro Barreto

Neuvieme art“Neuvieme art” é uma revista francesa de análise sobre as BD, publicada anualmente pela “Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l’Image” . Em seu número 15, de Janeiro de 2009, há um dossier sobre as “novas formas de BD popular”, na qual, além das mangás japonesas e dos comic-books norte-americanos, a Bonelli Editore mereceu atenção. Matteo Stefanelli assina o artigo “L’école Bonelli, histoire et théorie d’un anti-modèle canonique”, no qual, em dez páginas, traz alguns dados importantes, lança um olhar crítico sobre informações já conhecidas e revela novas nuances sobre a famosa editora italiana.

O primeiro esforço do autor foi dimensionar a grandeza da Bonelli para um público que não a conhece. Os dados são impressionantes: 250 títulos por ano, 1 milhão de exemplares/mês vendidos na Itália e 1,6 milhões impressos, dos quais Tex lidera com 230 mil exemplares, seguido por Dylan Dog (170 mil). Um dos trunfos é a alta fidelização (apenas de 10% a 15% dos seus leitores são ocasionais). Stefanelli evidencia que a Bonelli criou um estilo editorial e narrativo característico da Itália, dissociado dos padrões internacionais e que, talvez por isso, não tenha encontrado muito sucesso fora do seu país, com excepções de Brasil e países periféricos da Europa (Turquia, Croácia, Suécia).

Sergio Bonelli EditoreDo ponto de vista narrativo, o estilo foi criado pelo patriarca Gian Luigi, calcado nos folhetins e no cinema, no qual prevalecem a aventura, o exotismo e a imaginação, com ênfase ao faroeste. No oeste bonelliano convivem, ao mesmo tempo, a aventura pura e a rígida divisão moral, sendo que, nesse caso, os homens são bons ou maus, independentemente da cor, o que rompeu com os modelos colonialistas de então e ajudou a refundar o faroeste clássico.

Do ponto de vista editorial, o modelo está calcado em revistas com muitas páginas (cerca de 110), ausência de publicidade e baixo preço (2,70 euros, em média), no formato de um caderno (16×21cm). Mas o mais característico é, inegavelmente, o preto e branco, que se sustentou no mundo da BD de grandes tiragens basicamente graças ao empenho do grupo Bonelli, visto que predomina internacionalmente o colorido como meio preferencial de difusão.

Fumetti Bonelli na revista Neuvieme artOutro pilar do modelo é a utilização do quiosque como espaço privilegiado para a venda. Segundo o autor, este não é um aspecto desprezível, pois há cerca de 40 mil pontos de venda na Itália, o que faz deste um espaço amplamente difundido no país e um símbolo de acesso aos bens culturais para amplas parcelas da população. Enfim, o locus das edições Bonelli são as bancas de revistas e o tipo de público que as frequentam.

Todas essas características fizeram da editora um sucesso estrondoso e impactante e a constituem como uma das maiores do mundo. No entanto, elas também são responsáveis pelos impasses e pelos desafios que enfrenta actualmente.

Mescla de personagens BonelliDe um lado, a fórmula editoral é um problema: a quantidade de páginas de cada revista torna o processo de produção muito mais lento, exige que muitos profissionais actuem ao mesmo tempo e implica custos mais elevados. De outro, o modelo narrativo bonelli envelheceu: a alta fidelização, que é tão importante, também revela o envelhecimento dos leitores da editora, que possuem faixa etária média de 40-60 anos. O público não se renova e os jovens não se sentem contemplados nas revistas clássicas da Bonelli, ainda que, nos anos 80-90, ao faroeste de Tex e à mistura de estilos de Zagor tenham sido incorporados variações (ficção-científica, terror, policial, vampirismo, ainda associados à aventura), com o lançamento de: Martin Mystere, Dylan Dog, Nick Raider, Nathan Never, Legs Weaver, Mágico Vento, Brendon e Dampyr. O modelo da série regular e infinita também não é mais o que atrai aos novos leitores, que preferem séries limitadas (minisséries) ou programadas, ao estilo das temporadas dos seriados de TV. Como resultado, as vendas caem, desde 1993, à razão de 5% a 8% ao ano.

A escola Bonelli na revista Neuvieme artNa mesma medida, a Bonelli enfrenta a perda da centralidade do quiosque como local de venda de BD e o processo de “livrarização”, o que implica edições mais requintadas e caras, tanto do ponto de vista narrativo quanto editorial, voltadas a um público mais elitizado cultural e economicamente, cujo grande exemplo mundial é a França.

Como a editora tem reagido a esses cenários? A estratégia tem sido dupla: não renunciar ao estilo que a consagrou e procurar manter o património construído ao longo do tempo; e promover mudanças gradativas, que a aproximam de novos mercados ou novas tendências. A Bonelli tem mantido as séries que ainda se sustentam em bancas (apesar do cancelamento de Mister No e Nick Raider), mas os novos lançamento têm sido séries limitadas (18 episódios), como Brad Barron (2005), Demian (2006) e Volto Nascosto (2008).

Personagens BonelliEla não abandonou o quiosque como espaço privilegiado de vendas e não aderiu às livrarias, contudo criou produtos diferenciados para serem vendidos nas bancas, algo parecido com aqueles encontrados nas livrarias. O grande exemplo é “Tex Collezione Storica”, lançada em 2007. Nesse caso, além de um produto diferente do “modelo Bonelli”, uma espécie de graphic novel ou de álbum francês robustecido (300 páginas), em cores e tão distante do modelo P&B, a editora não enfrenta o desafio de modo isolado, pois tem como aliado a indústria jornalística, também ela em crise e a procura de novos caminhos. A colecção, um sucesso de vendas, busca um leitor e frequentador e consumidor de livrarias, mas lhe oferece o clássico dos clássicos.

A escola Bonelli na revista Neuvieme artVer pela primeira vez uma série regular de Tex em cores tem méritos: serve-se de uma personagem consagrada, cuja novidade do colorido não desagrada os leitores antigos e consegue atrair a atenção de novos leitores. Outro detalhe é que a série chega às bancas com um custo de produção muito amortizado, pois a editora baseia-se no seu património criativo, um amplo material produzido ao longo de 60 anos, capaz de sustentar uma colecção muito longa. O resultado é que, paradoxalmente, embora tenha menos vendas do que antes, os índices económicos da editora melhoraram: lucro 37% superior, em 2007, tendo chegado de 4,3 a 6 milhões de euros. Tudo isso sem adaptações para cinema/TV, pouco merchandising (como bonecos) e praticamente sem venda de direitos internacionais, tão comuns a outras majors.

Sergio BonelliEssas alternativas têm viabilizado a continuidade e o crescimento da Bonelli Editora. A questão é: durante quanto tempo elas podem funcionar em um mercado cada vez menos receptivo ao canónico e peculiar modelo editorial e narrativo da Editora? Sergio Bonelli, de um modo algo apocalíptico, mas não desprezível, dado o conhecimento que ele possui dos quadradinhos como empreendimento, não vislumbra uma longa duração. Isso não significa o fim da Bonelli como empresa publicadora de quadradinhos, como as experimentações actuais indicam, mas muito provavelmente a retracção ou o esgotamento do chamado “estilo Bonelli”, tão peculiar e característico de uma narrativa popular à italiana.

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