As Leituras do Pedro: Tex Edição Gigante #6 – A Última Fronteira

As Leituras do Pedro*


Tex Edição Gigante #6 – A Última FronteiraTex Edição Gigante #6 – A Última Fronteira

Claudio Nizzi (argumento)
Goran Parlov (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Dezembro de 2000)
182 x 277 mm, 242 páginas, preto e branco, capa brochada

Resumo
Jim Brandon, o coronel da Polícia Montada canadiana, uma vez mais recorre à ajuda de Tex  Willer e Kit Carson, desta vez para o ajudarem a prender Jesus Zane, um fora-da-lei que aterroriza a região, deixando um rasto de sangue e morte por onde passa. Oportunidade para os dois heróis reencontrarem também Gros-Jean.

Desenvolvimento
Se as edições gigantes de Tex costumam brilhar primeiro pelo traço do desenhador convidado, este é uma (agradável) excepção. Nele, Nizzi constrói um excelente argumento, sólido, bem delineado e em que apresenta um dos mais interessantes e bem caracterizados inimigos que Tex já teve que enfrentar: Jesus Zane, de seu nome, um mestiço filho de mãe índia (violada) e pai branco, que desde pequeno carrega esse fardo. Incitado pela mãe a odiar os brancos, muitas vezes encontrando na vida razões para o fazer, cresce dividido entre esse ódio, a amizade por Nat, o seu melhor amigo da adolescência, com quem compete pelo amor (no seu caso não correspondido) da bela Sheewa. A sua história é contada em pormenor, entendemos as suas razões (mesmo não as aprovando), vemos nele um ser (bem) humano, não um dos habituais estereótipos das histórias de Tex.

Tex e Jim Brandon por Goran ParlovPor outro lado, esta é, possivelmente, das muitas aventuras do ranger que eu já li, aquela em que ele tem menos protagonismo.
Ausente em dezenas de páginas, funciona quase só como elemento de ligação entre as diversas fases da narrativa, ganhando protagonismo apenas no final, quando assume o papel de justiceiro. O que contribui para dar consistência à história e reforçar o seu interesse e permite a Nizzi espraiar-se mais na definição dos perfis psicológicos de Jesus e Nat ou mesmo de Sheewa.

Uma referência ainda para a violência inaudita (apesar de tudo invulgar neste western) com que culminam os confrontos entre Nat e Zane (pp. 200-207) e entre este e Tex (pp. 234-240).

Arte de Goran Parlov

Pena é que para um argumento desta qualidade, tenha sido escolhido não um desenhador consagrado, como é norma, mas alguém (então) quase sem experiência, o croata Goran Parlov, que denota isso mesmo. É verdade que já se adivinham algumas das qualidades, que fariam dele um dos desenhadores de Mágico Vento (com o qual J. Zane se parece bastante), nomeadamente o domínio da planificação e a capacidade de dotar de movimento a acção, mas a verdade é que “pesam” mais o “seu” Canadá, impreciso e indefinido, que poderia ser qualquer outra região, ou a forma “inacabada” de muitos rostos ou mesmo vinhetas.

Jesus ZaneA reter
– O bem urdido e explanado argumento de Nizzi.
– Jesus Zane, um dos poucos vilões credíveis de Tex.
– O dossier sobre os autores, a obra e o seu contexto, que como é habitual ocupa as primeiras páginas deste Tex Gigante.

Menos conseguido
– O desenho de Parlov; a história merecia melhor.
– A ausência das habituais legendas das imagens no dossier inicial.

Curiosidades
A bela índia desenhada por Goran Parlov– Dificilmente uma mulher violada daria ao filho o nome do pai. No caso da mãe (índia) de Jesus, isto ainda é mais estranho quando depois o ensina e incita a odiar os (brancos) da raça do seu pai…
– A capa do álbum lembra a de “Jesuit Joe”, de Hugo Pratt, a quem Sergio Bonelli dedica esta obra.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Entrevista com o fã e coleccionador: Rafael Turchiello

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Rafael Turchiello: Bom, sou natural de Jaguari, Rio Grande do Sul, Brasil, onde nasci em 22 de Novembro de 1985. Sou do interior do município e desde os 10 anos de idade que dividia o meu tempo entre a escola, o trabalho na lavoura, e é claro a paixão por Tex.
Aos 18 anos fui para a vizinha cidade de Santiago, onde servi a pátria por 1 ano, no 9BLog. Logo após a baixa, precisamente no dia 23 de Maio de 2005 ingressei na brigada militar (Polícia Militar gaúcha), onde trabalhei nas cidades de Santiago, Torres, Santa Maria e no último ano, Jari.
Quanto ao facto de ter escolhido a profissão de policial, afirmo que a formação que tive lendo Tex levou-me a essa escolha, pois Tex com o seu idealismo e senso de justiça, levaram-me a escolher uma profissão que pudesse empregar um mínimo das virtudes do Ranger.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? E quando descobriu Tex?
Rafael Turchiello: Aos 10 anos mudamos-nos dentro do próprio município, para perto da minha avó paterna e juntamente com ela morava o meu tio Valdocir e a este devo o facto de ter lido as minhas primeiras revistas de histórias aos quadradinhos. Este possuía cerca de 200 revistas entre Tex e Zagor. Esta última personagem, devido ao facto das revistas publicadas pela Editora Record terem mais presença, fizeram com que Zagor fosse a primeira BD a ter lido. Li as revistas do meu tio, cerca de 10 vezes cada, até começar a minha colecção em 1999, com o número 354 de Tex e não parei mais, até que num dos dias mais felizes da minha vida, o meu tio presenteou-me com toda sua colecção, um pouco desgastadas pelo uso mas com certeza o melhor presente que já ganhei. Hoje posso me orgulhar de ser um dos mais jovens, coleccionadores brasileiros a possuir a colecção completa do Ranger.

Porquê esta paixão por Tex?
Rafael Turchiello: Tive uma infância pobre, longe de grandes opções de lazer, Tex foi um grande amigo que me acompanhou pela infância, adolescência e agora a vida adulta.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?

Rafael Turchiello: Tex é um ser humano, porém reúne várias características físicas, psicológicas, e de carácter, e é isso que faz vencer os seus obstáculos, e não o facto de usar um uniforme de super-herói ou ter super-poderes.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção?
Rafael Turchiello: Tenho cerca de 650 revistas de Tex e mais umas 300 do Zagor. Todas são especiais, mas cito o numero 354 de Tex por ser a primeira da minha colecção e algumas edições de Tex Junior que possuo.

Colecciona apenas revistas ou tudo o que diga respeita à personagem?
Rafael Turchiello: Aqui no Brasil não há muita coisa além das revistas.Tenho um boton do Tex, o romance de Tex, “O Massacre de Goldena” (italiano), um livro que ganhei no encontro de coleccionadores em Santa Maria, escrito por G.G.Carsan e intitulado “O Império do Mal“, que ainda não foi publicado, mas a história é óptima, possuo o VHS do filme “Tex e o Senhor do Abismo“, bem como uma cópia deste, em DVD, além de panfletos, autocolantes, e uma camisa do mesmo encontro.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Rafael Turchiello: Bahh!!! Neste caso gosto da colecção num todo!

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Rafael Turchiello: Cito algumas: Tex 112, “El Muerto“, Tex 300, “Oklahoma“, Tex 43, “Juramento de Vingança“, Tex Especial 60 Anos (tenho a edição italiana), Tex 205,  “Território Inimigo“, Tex 107, “O Grande Golpe“, porém complemento todas estão entre bom, óptimo, e excelente pois não existem histórias fracas em Tex. O desenhador preferido é Fabio Civitelli e o argumentista o Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?

Rafael Turchiello: Agrada-me o senso de justiça, acima de tudo, a coragem a  lealdade, o empenho em nunca desistir, as suas habilidades em geral, a amizade que destina aos seus pads e amigos. Na personagem italiana nada me desagrada, porém a actual editora Mythos, apesar de estar a fazer um bom trabalho, está exagerando nas republicações.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Rafael Turchiello: Como já citei anteriormente, Tex não precisa de super-poderes para vencer os seus inimigos, mas sim de coragem, força e inteligência. Além do mais Tex é uma mistura bem dosada de acção, suspense, terror, humor, e criatividade e ainda por cima mantém o padrão há 60 anos. E é mais que uma colecção para os seus admiradores, é uma filosofia de vida.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Rafael Turchiello: Participei do 3º Encontro de Coleccionadores de Tex, realizado em Santa Maria. Pude conhecer vários coleccionadores tão apaixonados quanto eu, e de vez em quando, encontro lá e cá algum texmaníaco, além da Internet.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Rafael Turchiello: A Sergio Bonelli Editore está investindo em novos talentos, portanto os negócios vão bem, e aqui no Brasil vemos uma fileira de fanáticos pelo Ranger que ainda o manterão vivo por mais de 60 anos.

Prezado pard Rafael Turchiello, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.




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Capa de Tex italiano #582: La preda umana

Por José Carlos Francisco
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Em Abril deste ano, foi publicada na Itália a capa (ainda inédita no Brasil) da edição nº 582 de Tex Willer, intitulada “La preda umana“.
Capa como sempre após o número 400, ilustrada por Claudio Villa e que retrata uma cena da aventura desenhada pelos irmãos Gianluca & Raul Cestaro, na segunda parte da história escrita por Tito Faraci denominada “Lo sceriffo indiano“, mas até chegar a este resultado final que vemos aqui ao lado, Claudio Villa fez vários esboços e estudos alternativos e são algumas das fases de produção desta dinâmica capa que damos hoje a conhecer aqui no blogue do Tex, graças a diversas fotos tiradas pelo nosso foto-repórter Marco Andrea Corbetta, que recentemente visitou o estúdio de Claudio Villa e que mostram o quão difícil (e demorado) é por vezes desenhar uma “simples” capa de Tex:
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