Convívio Texiano na Bairrada – Portugal: 5 de Dezembro de 2009

Almoço Texiano da Bairrada - Portugal - 5 de Dezembro de 2009Realizou-se neste sábado, dia 5 de Dezembro de 2009, o convívio texiano anual dos pards portugueses, ocorrido uma vez mais na região Bairradina e onde estiveram presentes para além de vários coleccionadores portugueses de Tex Willer, a coleccionadora e fã brasileira do Ranger, Fernanda Martins, vinda expressamente da Holanda para participar uma vez mais num convívio texiano realizado em Portugal que desta forma, voltou a ser internacional.

Para além da Fernanda, participaram do convívio reaEm cima - Orlando Santos Silva, Pedro Bouça, José Carlos Francisco e Pedro Martins. Em baixo - Mário João Marques e Carlos Moreiralizado na Bairrada e vindos de diversos pontos de Portugal, os entusiasmados fãs do Ranger mais popular no mundo, José Carlos Francisco, acompanhado da esposa e filha mais nova, Hernâni Portovedo, esposa e filho, Álvaro Machado, Pedro Martins, Mário João Marques, Carlos Moreira, Pedro Bouça, Orlando Santos Silva, Carlos Santos e filho, Humberto e namorada, José Eduardo Monteiro e esposa e Carlos Gonçalves, esposa e neta..

Em cima - Álvaro Machado, Humberto, Pedro Martins, Mário João Marques, Orlando Santos Silva, Fernanda Martins e Pedro Bouça. Em baixo - Carlos Moreira e José Carlos FranciscoA tertúlia começou em casa de José Carlos Francisco, na Malaposta, uma aldeia que se situa no centro de Portugal, localizada a meia dezena de quilómetros da Anadia e que pertence ao distrito de Aveiro, lar de um dos maiores coleccionadores de Tex e proprietário de uma grandiosa colecção de Águia da Noite que proporciona  momentos de agradável contacto e inesquecível prazer a todos que o visitam, já que permite ver in locco um mundo maravilhoso, o mundo texiano do José Carlos. Um mundo que retrata a história do célebre Ranger, porque naquele espaço encontra-se de tudo um pouco que respeite a Tex Willer, desde que a personagem foi criada pelos saudosos G.L. Bonelli e Aurelio Galleppini. Mas também um mundo que não olha a fronteiras, porque ali podemos encontrar publicações e objectos texianos de todo o mundo.

Carlos Santos e os bifes de dois dedos de altura sepultados por enormes montanhas de batatas fritasChegada a hora do almoço, o convívio prosseguiu no Restaurante Churrasqueira “O Gavião“, no Peneireiro, primeira localidade a norte da Mealhada, em plena Estrada Nacional nº 1, também chamada de IC2.

Como é apanágio das aptidões culinárias de Tex, Kit Carson e restantes pards, a ementa texiana portuguesa não podia deixar de ser composta por uns suculentos bifes de dois dedos de altura sepultados por enormes montanhas de batatas fritas… quanto à sobremesa foi a inevitável e  famosa tarte de maçã que  Kit Carson tanto aprecia, degustada por sua vez já em Anadia, na residência de Hernâni Portovedo, outro grande Texiano, com uma das maiores colecções de Tex em Portugal e local onde prosseguiu a tertúlia por mais algumas horas, tendo a imponente BiblioTEX do Hernâni como pano de fundo.

Em cima - Carlos Gonçalves, José Eduardo, Humberto, Carlos Santos, Pedro Bouça, José Carlos, Álvaro e Orlando. Em baixo - Carlos Moreira, Fernanda Martins, Mário Marques e Hernâni.Cada um dos participantes recebeu um belo e personalizado calendário texiano, idealizado e realizado por Orlando Santos Silva, que evoca a participação no evento e que com certeza no futuro terá grande valor sentimental, servindo para relembrar a todos os maravilhosos momentos que compartilharam em mais este convívio, tudo graças à paixão incontida que Tex desperta em todos que o conhecem e aprendem a amá-lo.

Autocolantes TexQuem também surpreendeu os presentes foi Carlos Moreira, que agraciou todos os participantes com um conjunto de 4 belos autocolantes relativos a Tex e feitos propositadamente para serem colados nos vidros dos carros de cada um, de forma a que todos passem a saber que em cada carro dos pards há um Texmaníaco a bordo, ou ao volante!

E assim se prova uma vez mais que só uma personagem como Tex poderia proporcionar momentos maravilhosos e inesquecíveis nos quais pessoas e famílias que não se conhecem, são capazes de vencer centenas de quilómetros somente pelo prazer de estarem juntas e conviverem umas com as outras espontaneamente, vivendo a alegria da confraternização proporcionada por um herói de papel, criado no distante Setembro de 1948, fruto da mente criativa de G.L.Bonelli e da pena de Aurelio Galleppini…

E se não fosse Tex, e seus criadores nunca conheceríamos estas pessoas encantadoras… São factos fabulosos, e que devem ser lembrados e falados com muito carinho, principalmente quando nos encontramos face a face com estes Amigos, que esperamos rever em próximas oportunidades!

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Em recordação de um mestre…

Por Lucio Cascavilla [1]

G. L. Bonelli no ArizonaEra 1908, e a Internet ainda não existia. O mundo era diferente. Mas naqueles dias nasceu um dos maiores escritores de todos os tempos. Alguém poderá rir sarcasticamente desta minha afirmação, mas não estou a exagerar. Eu penso nele como um gigante da literatura. Quem duvidar e quiser saber mais sobre ele pode pesquisar na Internet: Recordações mais ou menos pessoais, entrevistas e muito mais. Na rede encontra-se tudo. Gostaria de recordá-lo em privado e na minha faceta de leitor, já que o conheci somente através das páginas que ele escreveu.

Como os mais abalizados já terão intuído (espero que pelo menos a minha irmã) eu estou a referir-me ao escritor e argumentista de Tex, que em Dezembro de 2008 teria comemorado cem anos de vida, e que ao invés, há alguns anos atrás, num dia de Janeiro, em silêncio nos deixou.

Eu quero lembrar, porque ainda hoje, a anos de distância, eu releio as suas páginas, que não parecem muito afectadas pela passagem do tempo, da inexorável passagem das estações do ano, das modas passageiras e de tudo o mais que acompanha a nossa vida.  As palavras daquele Tex, estão esculpidas no tempo, e parecem, como dizia Virgílio, “um monumento mais indestrutível do que o bronze“.

Tex e o seu criador superaram incólumes, tudo aquilo que se opunha contra eles: o comité de garantia moral e todos aqueles que quiseram puxar o casaco (perdão, a camisa amarela) nos anos 70, fossem da direita ou da esquerda, estando-se nas tintas para a censura  e indo em frente no seu caminho, criando a sua própria linguagem que se foi endurecendo com o passar do tempo para se tornar clássica.

Tex por GalepPaciência se nos primeiros Tex, em vez de dizer “cazzo“, se dissesse “caso” e, em vez de “merda“, se pôde simplesmente dizer “peste“, mas foram e são este tipo de coisas que também me fizeram enamorar por aquele incorrigível Tex Willer. Por ele e pelo seu “infernal bando de mastins”.

Foi o primeiro a tornar a banda desenhada italiana adulta. O herói não era um miúdo. Não era um bom samaritano como muitos outros. A violência estava presente. Opositores perversos e um herói sempre decidido e sempre no centro da acção. Um herói intrépido, que tinha do seu lado a razão para se opor ao mal.  Um herói que não aplicava a lei, mas a justiça, no seu significado mais intrínseco. Um que alinhava ao lado dos índios, enquanto John Wayne no cinema, em “Sentieri Selvaggi” (no original The Searchers; em Portugal, A Desaparecida; no Brasil, Rastros de Ódio), matava os bisontes, para que os Cheyennes não tivessem que comer.

E foram também aqueles Tex’s que me fizeram compreender algumas coisas antes de atingir a idade adulta. E também graças à moral desembaraçada e maniqueísta em que Tex sempre se inspirou:  Que não são as raças a fazer a diferença entre os homens, mas aquilo que existe nos seus corações.

G. L. BonelliApraz portanto que após tantos anos, esquecido pela história oficial (em Itália não existe sequer um prémio que tenha o seu nome, mas apenas uma estrada em Roma), alguns autores dos fumetti continuem a referir-se a ele.  Para citar os seus ensinamentos e tentar modernizá-lo e trazê-lo para os leitores de hoje.

Além naturalmente de Mauro Boselli que continua a tradição, gostaria de mencionar um outro par de argumentistas que embora de maneiras diversas, o tomaram por exemplo. O primeiro é Tito Faraci (argumentista do Rato Mickey, Diabolik, Dylan Dog e Brad Barron, que recentemente entrou no mundo texiano), que no seu blogue fez uma recolha de frases famosas do ranger. Cada uma mais bela que a outra. Toda dignas de representar a arte de escrever e de contar histórias que GL Bonelli conhecia bem.

O segundo que por sua vez homenageia Bonelli e Tex, é Roberto Recchioni (argumentista de John Doe, Dylan Dog e Garrett) e fá-lo no blogue da revista em que está escrevendo. Roberto fala do herói, das técnicas de roteiro e muito mais. Leiam os seus textos, e compreenderão que não só eu o considero um génio. Leiam os seus textos, e compreenderão que ainda há tanto sobre ele para aprender.
Obrigado a eles, aos discípulos, que se recordam ainda do seu mestre. Obrigado Tito, obrigado Roberto.

*O desenho que ilustra este post é obviamente de Aurelio Galleppini em arte Galep (co-criador do mito).

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[1] (Texto publicado originalmente no Impresentabile blog, em 14 de Julho de 2008)

Entrevista exclusiva: ALESSANDRO BOCCI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e João Miguel Lameiras na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Alessandro Bocci por Bira DantasCaro Alessandro, bem-vindo ao blogue português de Tex. Para começar, fale um pouco de si, de suas leituras de BD na infância e adolescência, das leituras ou sugestões que o levaram a se envolver com desenho, e se já cultivava essa paixão desde pequeno.
Alessandro Bocci: Eu não me lembro bem quando começou, mas desde muito pequeno sempre tive uma BD nas mãos. Eu praticamente cresci com os quadradinhos. Ainda hoje eu me lembro que Mickey Mouse foi muito importante e fascinante, e depois o meu grande amor foi Astérix. Eu gostava muito das histórias que viam esses poucos gauleses se opor à grande potência de Roma de modo humorístico, mas a coisa fundamental eram os desenhos, belíssimos ainda hoje. Justamente em razão dessa paixão eu, desde pequeno, comecei a desenhar quadradinhos. Ainda me lembro que, por não conhecer os mecanismos da impressão, eu colava as páginas uma nas costas da outra, de modo a paginar as minhas BD pessoais. As histórias eram criadas por mim, mas geralmente traziam personagens já famosas nos quadradinhos e que eu me divertia em redesenhar. E assim se passou a minha infância quadrinhistica. Um pouco mais velho, descobri outros quadradinhos, e o meu preferido era Mister No, da Bonelli (que acaso, não?). Fiquei fascinado pela ambientação da série, tanto que acompanhei as aventuras do piloto na Amazónia por muitos e muitos anos.

Omulu - PortfolioVocê teve uma formação artística? De que tipo?
Alessandro Bocci: Como formação artística eu não tive nenhuma escola. Eu queria estudar no instituto de arte em Siena, a minha cidade, mas quando chegou a hora de decidir, acabei por dar uma virada e virei agrimensor – o que ainda hoje é motivo de arrependimento. Mas com o passar dos anos permaneci a desenhar quadradinhos. Eu considerava como meu passatempo.

Em 1994 você chegou à Star Comics para colaborar com Lazarus Ledd, de Ade Capone. Como foi o seu contacto com a editora?
Alessandro Bocci: Um belo dia eu li numa edição do Homem-Aranha (à época publicado pela Star Comics) que a editora buscava jovens desenhadores para um novo projecto de super-herói. Aí peguei a minha pasta com desenhos de super-heróis e fui a Perugia (sede da Star). Sergio Cavallerin, o editor responsável pelo projecto, sugeriu que eu voltasse depois com material em estilo italiano, porque os meus desenhos em estilo americano o convenceram pouco. Ele também me informou que em Lucca, dali a alguns meses, haveria a apresentação oficial de uma nova personagem italiana da Star. Eu voltei para casa e comecei a desenhar páginas em estilo bonelliano (eram páginas com Nathan Never, que eu guardo até hoje!).
Lazarus Ledd - Tav.27Quando chegou o dia da apresentação eu fui a Lucca com os meus novos desenhos, e ali aconteceu uma coisa incrível. Depois de passar o dia todo no meio de uma quantidade enorme de pessoas, cansadíssimo, eu sentei-me num sofá; eu estava muito desiludido porque não havia conseguido encontrar o editor da Star (Cavallerin) para lhe mostrar os meus novos desenhos. Ao meu lado sentaram-se casualmente dois jovens que eu não conhecia e que começaram a falar, com termos muito técnicos, de quadradinhos e roteiros. Fiquei um pouco a ouvir, até que perguntei a eles se podiam ver os meus desenhos. Eles olharam e apreciaram muito. Esses dois jovens eram Ade Capone (criador de Lazarus) e Stefano Vietti (futuro roteirista de Nathan Never). Foi ali que começou a minha aventura neste mundo mágico. Uma aventura que no início foi muito dura porque Ade, apesar de apreciar o meu desenho, pediu para que eu fizesse os testes de páginas por seis vezes antes de me passar o primeiro roteiro para desenhar (o n° 16, A Honra e a Espada).

L.L.n°51-GloryO seu Lazarus Ledd conquistou os leitores e os responsáveis pela Star Comics, tanto que, a partir do n° 18, você passou a fazer as capas. Como desenvolveu o seu trabalho de capista?
Alessandro Bocci: Depois do primeiro trabalho aconteceu muita coisa, e todas muito rápido. Olivares, o capista da série, passou para outro título e deixou vago o posto de capista, assumido por Stefano Raffaele que, por sua vez, largou tudo e foi trabalhar nos Estados Unidos. Foi aí que Ade – que considera o meu Lazarus Ledd como o definitivo (em nível gráfico, coisa que ainda hoje considero uma valorização pessoal e profissional) e também porque o meu modo de desenhar havia sido apreciado pelo público – convidou-me para ser o capista da série. E comecei o trabalho que me levou a fazer cerca de 100 capas, entre série regular e especiais. Foi muito fascinante envolver-me todos os meses com a capa de Lazarus, um trabalho que exige muita atenção porque à capa se associa, em nível gráfico e narrativo, o que se verá na história. Escolher a melhor cena para contar uma história inteira é um belo desafio, uma busca que entusiasma. E também agradeço a Ade pelas orientações que me deu no início.

L.L.n°53-Morte ad alta tensioneEm 2001, em coincidência com a sua estreia em Dampyr (SBE), você venceu o prémio INCA como melhor capista do ano, por Lazarus Ledd Extra n° 14, O Cavaleiro de São Jorge. Você não se sentiu meio nas nuvens, naquela ocasião?
Alessandro Bocci: Eu gostei demais daquela capa porque tratava-se de uma temática que aprecio – a Idade Média – e fiquei muito contente. E mais – a cereja do bolo – no mesmo período recebi um telefonema de Mauro Boselli para trabalhar com Dampyr, uma coisa extremamente gratificante. Eu havia decidido mudar, a Star não me dava mais certas garantias; e mudar, na Itália, significava ir só para a Bonelli. Naquela ocasião eu posso ter me sentido nas nuvens, mas só pelo facto de que eu poderia continuar a fazer esse trabalho que é o mais bonito do mundo. Eu já havia tentado entrar na Bonelli, na equipa de Nathan Never, porque sou aficionado por ficção científica e porque Antonio Serra havia gostado dos meus desenhos. Infelizmente a quantidade elevada dos desenhadores de Nathan impediu meu ingresso na Bonelli, mas depois houve o telefonema de Mauro e… parti com os Vampiros! Foi belíssimo!

Lazarus Ledd - Tav.33Na fase leddiana, que técnicas você usava para as páginas em preto e branco?
Alessandro Bocci: Eu não tenho uma técnica particular, eu limito-me a fazer um primeiro desenho da página a lápis (que, no meu caso, é muito definida; eu uso um H e um 2H) e depois repasso a tinta (Pelikan) com pincéis de pelo de marta, do 0 até o 3. Às vezes eu uso hidrocores, ponta fina (0.05) para os detalhes menores e ponta grossa para os pretos de fundo. Com o passar do tempo e com a continuidade do trabalho, eu afinei a técnica no uso dos materiais, mas no passado (fase leddiana) eu usava bem mais as hidrocores. Foi Fabio Civitelli quem me aconselhou, justamente, a aumentar o uso do pincel porque é um “meio” que deixa o desenho mais realista, agradável e fascinante (palavras dele, juro!).

Dampyr por BocciEm seguida, com a chegada definitiva a Dampyr, você acentuou o realismo quase fotográfico de suas páginas. Quais são os seus pontos de referência?
Alessandro Bocci: É verdade! Com o passar do tempo eu apeguei-me cada vez mais ao estilo realístico, e creio que é o melhor estilo para trabalhar numa série como Dampyr. Os cenários são reais (Praga, por exemplo) e torná-las graficamente o mais “verdadeiro possível” aumenta, na minha opinião, o fascínio das histórias. É óbvio que, para desenhar assim, é necessário buscar muitas fotos, entrar num mecanismo de trabalho que conduz a uma documentação bastante apurada. Para isso, como documentação eu uso muitos filmes, livros fotográficos ligados ao tema e sobretudo – ainda bem – Internet com todos os motores de busca fotográfica disponíveis. Para cada história eu arquivo uma quantidade enorme de imagens, tão grande que depois uso apenas 20%. Acrescento que ultimamente eu me dei conta de que consigo fazer páginas “fotográficas” mesmo sem seguir muito as fotos, e isso confirma o facto de que desenho é mesmo uma questão mental (habituar-se visivelmente a um certo tipo de imagem) além de, claro, ser um dom da natureza.

Dampyr tav. 77Os roteiros de Boselli sempre são detalhados e precisos na escolha dos enquadramentos. Que diferenças você observou, nos métodos de trabalho, entre os roteiros de Capone e os de Boselli?
Alessandro Bocci: Trabalhar com roteiristas… ainda bem que eles existem! Até agora eu só trabalhei com três roteiristas (além de Capone e Boselli, trabalhei com Cajelli na minha última história de Dampyr) mas devo dizer que todos têm um modo muito diferente de abordar o roteiro. Tentemos analisar.
Boselli. Mauro fornece um roteiro muito detalhado, tanto em nível de texto quanto de documentação (mas eu ainda caço imagens sem fim) mas sobretudo ele acompanha todo o processo de trabalho, atento a que não se afaste muito das suas indicações. É um profissional de grande talento (como se comprova pelo facto dele seguir um sem-número de histórias ao mesmo tempo) com quem aprendi muito sobre a construção da página, equilíbrio e enquadramentos. Obviamente eu lhe devo muito a partir da oportunidade profissional que me deu. Reputo o trabalho com ele uma verdadeira honra, também porque penso que, hoje, seja o melhor roteirista italiano!
Dampyr tav. 78Capone
. Com Ade eu tive uma abordagem profissional um pouco diferente. Se é verdade que durante a minha história de estreia ele manteve um comportamento muito semelhante ao de Boselli, depois ele deixou-me cada vez mais espaço, em nível de gestão gráfica da história, até chegar aos últimos trabalhos juntos, onde praticamente eu decidia toda a composição gráfica. Não é que ele abandonasse completamente a coisa nas minhas mãos, é óbvio, mas ao confiar em mim ele considerava o meu modo de trabalhar bom para o tipo de história que queria contar. Essa sua postura foi muito importante porque me permitiu um notável crescimento, tanto no aspecto gráfico/narrativo quanto na personalidade e segurança nos próprios meios. Creio que esse tipo de relacionamento profissional pode ser obtido também e sobretudo se entre as duas partes existe uma certa sintonia, coisa que eu sempre tive com Ade. Com toda a sinceridade, espero um dia ter a chance de voltar a trabalhar com ele!
Dampyr tav. 93Cajelli. Como eu disse, só tive uma experiência profissional com Diego, mas o roteiro dele impressionou-me! É óbvio que, por ser parte do projecto Dampyr, se vêem situações semelhantes às do estilo Boselli, mas eu apreciei muitas coisas em seu trabalho, do ponto de vista narrativo e das ideias. É muito interessante. Espero continuar a trabalhar com ele porque, ao conhecê-lo pessoalmente, fiquei impressionado com seu entusiasmo e com seu modo de contar as histórias (qualquer que seja o género).

Como é trabalhar para Sergio Bonelli?
Alessandro Bocci: É como jogar na Juventus ou pilotar um Ferrari! Normalmente, quando desenho, não fico a pensar a quem é destinado meu trabalho, penso em desenhar e ponto. Mas quando penso em todas as pessoas que terão em mãos a revista que desenhei… bem, é uma bela sensação! É evidente que o facto dos leitores serem em grande número é devido à Editora Bonelli ter uma estrutura muito organizada, feita por profissionais cujo objectivo é produzir quadradinhos com um bom padrão qualitativo; objectivo atingido com perfeição. Com produzir quadradinhos eu quero dizer realizar por completo todo o processo de trabalho que está por trás de uma revista em quadradinhos. Do argumento até a impressão e a distribuição das revistas, em cada parte que compõe essa cadeia produtiva, a Bonelli é certamente a melhor editora da Itália e uma das melhores da Europa. Eu, de minha parte, procuro contribuir com esse padrão de qualidade ao dar o máximo a cada novo trabalho.

Lo sposo della vampiraEste é um blogue português, então pedimos que nos fale da aventura ambientada no nosso País.
Alessandro Bocci: A história de Dampyr ambientada em Portugal trata das obsessões pessoais de um director de cinema que, por trás de seu trabalho de direcção, esconde a existência secreta de uma vampira, uma sua antiga antepassada. Durante a realização do filme no castelo de Trás-os-Montes o director consegue arrastar toda a trupe a um clima de terror até revelar sua verdadeira intenção: devolver à vida a estirpe vampiresca da sua família e tornar-se ele mesmo um vampiro graças à intervenção da antepassada (que, nesse meio tempo, recuperou suas forças graças ao sangue dos membros da equipa). Plano genial! Pena que Harlan e Kurjak fazem parte da equipa, acabam com a vampira e arruínam os planos do director e a sua futura carreira!

A parte da história que se desenvolve em Portugal (Dampyr nº 75, O Esposo da Vampira) revela grande rigor, dos cenários até o cão de Vitorino Rocha, um cão dos montes, como se vê bem. Você já esteve em Portugal, mais precisamente na região de Trás-os-Montes?
Alessandro Bocci: Foi uma história muito interessante para desenhar, tanto pelos cenários portugueses quanto pelas cenas em trajes de filme. Eu vi muitas imagens da região (sim, inclusive os cães dos montes), mas infelizmente nunca estive em Portugal. Se alguém me convidar…

Castelo de Monforte da EstrelaQue modelos de povoados e castelos você usou para Riba Preta e para o castelo de Monforte da Estrela? Você baseou-se em desenhos ou fotografias genéricas, extraídas de livros ou da Internet, ou usou localidades portuguesas específicas (um determinado povoado ou o próprio Castelo de Monforte da Estrela)?
Alessandro Bocci: Para a documentação eu usei fotografias tiradas da Internet de lugares que existem (como para a localidade de Riba Preta). No caso do castelo, uni várias imagens e dei uma versão pessoal das coisas e paisagens.

No início da história, na cena do filme dos vampiros, o mordomo da mansão Kirby recorda estranhamente a personagem que, na Itália, é chamada de Zio Tibia, que apresentava as histórias da revista Creepy, da editora Warren. Foi uma simples coincidência ou tratou-se de uma homenagem (ou de uma olhadela) feita de propósito?
Alessandro Bocci: Sim, o mordomo do início da história foi tirado da figura do “zio Tibia”… foi uma homenagem!

Draka PortfolioSob muitos aspectos Portugal é um País mágico. Há um outro lugar adequado para ambientar uma história de Dampyr, a igreja de Batalha, com sua aparência gótica. Boselli certamente conhece o local: que tal sugerir isso a ele?
Alessandro Bocci: Creio que Mauro lerá esta entrevista e saberá dessa igreja espectral. Isso se já não a conhece, visto o seu conhecimento sem fim de assuntos góticos. Se ele fizer uma história sobre ela, então EU a desenharei (ah, ah)!

Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como seria o seu dia típico entre trabalho, leituras, manter-se informado, ócio, vida familiar?
Alessandro Bocci: Para a realização completa de uma página (lápis e arte-final) eu levo de 10 a 12 horas. Começo a trabalhar todos os dias às 8 horas e, como também sou um ser humano, faço várias interrupções durante o dia para os factos que a vida normal impõe (sobretudo com minha filha de 6 anos). Por isso acontece de o trabalho da página ir até o dia seguinte. Mas grande parte do dia eu transcorro a desenhar (é o meu trabalho) e isso tira espaço dos outros passatempos, especialmente a leitura (se bem que recupero com a leitura à noite).

Tex por Alessandro BocciPassemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: hoje, quando você já é um desenhador bonelliano afirmado, gostaria de desenhar Tex? Nunca recebeu uma proposta?
Alessandro Bocci: Desenhar Tex… eu gostaria muito, mas jamais me foi proposto, infelizmente! Eu entendo que desenhar Tex não é simples como parece, é preciso entrar em certos mecanismos gráficos que exigem muita aplicação e atenção, além de boa familiaridade com o género faroeste. Mas jamais se pode dizer jamais! Aliás, aproveito para lançar um pedido à Bonelli: deixem-me fazer um teste para uma história de Tex!

O que significaria para você desenhar histórias de uma lenda dos quadradinhos como Tex?
Alessandro Bocci: Desenhar uma história de Tex creio que é o sonho de muitos – se não de todos – desenhadores italianos de quadradinhos. Para mim significaria contribuir, mesmo que em pequena parte, à lenda… e desculpem se é pouco!

Tex Willer por Alessandro BocciQuem ou o que é Tex, na sua visão? O que mais você gosta e menos gosta no Ranger?
Alessandro Bocci: Boa pergunta! Bem, podemos dizer que é uma das mais longevas personagens da BD e isso, por si só, é sinónimo de qualidade, na minha visão. Mas a longevidade não explica o seu sucesso: o seu sucesso é explicado por histórias como o último gigante Patagónia. Uma mistura perfeita de factos reais e história inventada, uma história de altíssima qualidade gráfica e narrativa. Numa BD o meu medidor de juízo qualitativo sempre foi a parte gráfica (senão eu não seria desenhador) e Tex sempre teve um alto nível gráfico. Eu não li a totalidade das histórias de Tex mas as que tive a sorte de ler tinham tal nível. Sempre gostei e gosto do Tex desenhado por Civitelli, porque foi em suas páginas que estudei para me tornar desenhador de quadradinhos. Fiquei bastante impressionado com o trabalho gráfico de Aldo Capitanio e de Giovanni Ticci, e agora aprecio muito o trabalho escrito por Boselli. Em resumo, para mim a qualidade de uma personagem está muito ligada à habitualidade dos intérpretes que trabalham com ela e, em Tex, essa habilidade é muito elevada e frequente.

Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Se sim, sob quais aspectos?
Alessandro Bocci: Tex não mudou com o passar dos anos. Mudaram os autores que trabalharam com ele e, se alguém aplicou modificações ou inseriu novas temáticas, fez isso com o mais rigoroso respeito pela personagem. Esse é outro segredo do sucesso, na minha opinião.

Tav 7Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Alessandro Bocci: Com Boselli e aquele time de desenhadores que tem, o tição do inferno ainda viverá muito tempo… isso é garantido!

A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você gostaria de fazer a chamada “BD de autor”, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Alessandro Bocci: Eu nunca pensei na BD de autor também porque não me interessa e não sei escrever histórias (eu me canso a escrever, falta-me tempo para fazer isso e eu prefiro o imediatismo de uma imagem). Quadradinhos eu prefiro desenhar. Era o meu sonho e quero que continue a ser!

Conan de BocciQuais são as principais diferenças entre trabalhar para o mercado italiano e para o americano, para o qual você desenhou Conan?
Alessandro Bocci: Não existem diferenças particulares no processo de trabalho, mas sim – e são notáveis – na tipologia do produto. Com referência a Conan, grande personagem do imaginário colectivo que tive a sorte de poder desenhar, destaco as diferenças entre esse trabalho e o de Dampyr: para Conan eu tive um roteiro livre (eu decidia os enquadramentos e a estrutura da página, eu recebia apenas os diálogos e o argumento da página); para Dampyr, como eu disse, recebo roteiros definidos em todos os níveis; para Conan a minha página não teve supervisão gráfica porque, ao me passarem o trabalho, já conheciam a minha capacidade de desenhar; para Dampyr essa parte é supervisionada. Mas não me entendam mal, não digo que o pessoal da Bonelli é escravista! Não, são simplesmente duas formas diferentes de trabalhar, cada uma com suas qualidades e defeitos! E, para mim, o importante é apenas poder desenhar.

Harlan, Kurjack e Tesla - PortfolioQuais os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Alessandro Bocci: No meu futuro profissional italiano está Dampyr (por muito tempo ainda, espero), uma personagem muito, mas muito divertida de desenhar. Se bem que não escondo que eu gostaria de me envolver com outras personagens da Bonelli que me agradam. Para o exterior já tive trabalhos publicados na França, para a Soleil, e tenho uma história para a editora Dupuis, mais a chance, muito concreta e ainda na França, de uma série completamente idealizada por mim (escrita por um roteirista italiano).

Que quadradinhos você lê actualmente? Com quais mais se identifica?
Alessandro Bocci: Infelizmente o meu tempo para ler quadradinhos diminuiu nesses anos. Entre trabalho e família sobra-me realmente pouco tempo para aquela que, apesar de tudo, ainda é uma forte paixão para mim. As leituras que faço não têm um endereço preciso, leio de tudo, mas o importante é como são desenhadas. Só leio se o desenho me agrada.

Alessandro BocciAlém de BD, que tipo de livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Alessandro Bocci: Meu género preferido de livros é ficção científica. Um autor sobre todos é Dan Simmons (li os quatro livros da saga de Hiperion pelo menos 15 vezes!). Quanto aos filmes, os géneros que prefiro são ficção científica, acção (super-heróis) e thriller. Vou pouco ao cinema, mas alugo muitos DVDs. Para a música, um só nome: U2!

Caro Alessandro Bocci, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Alessandro Bocci: Obrigado a vocês pela oportunidade. E, a propósito daquele convite para ir a Portugal, poderíamos… Bem, um abraço e obrigado de novo!

CURRÍCULO

Alessandro BOCCI, nascido em Siena, Itália, em 30/08/1965, mora e trabalha em Monteroni d’Arbia, cidadezinha a 16 Km de Siena.
Diplomado agrimensor em 1984, de 1987 a 1994 desenvolveu a profissão na empresa TECNA s.r.l. como decorador em lojas de decoração.
Em 1986 e 1988 venceu os concursos nacionais de humorismo de Siena com charges sobre o Palio, a tradicional corrida anual da cidade.
Em 1994 entrou para a editora STAR COMICS como desenhador da personagem LAZARUS LEDD, e fez estas histórias, com roteiro de Ade Capone:
N° 16 _ A Honra e a Espada
N° 22 _ Face a Face
N° 28 _ Energia Alfa
N° 38 _ A Floresta dos Mistérios
N° 39 _ Confronto Final
N° 50 _ Missão Impossível
Colaborou na realização dos números 89 e 151 (o último da série).
Colaborou na realização de Lazarus Ledd Extra n° 10 e n° 12, com roteiros de Ade Capone.
Tornou-se capista de Lazarus Ledd a partir do n° 18, e realizou no total 90 capas entre série regular e especiais.
Em 1997 a revista “Fumo di China” concedeu-lhe o prémio de “melhor desenhador jovem italiano”.
No mesmo ano realizou para Marvel Itália um episódio da serie “Conan, o Conquistador”.
Para a editora Liberty, de Ade Capone, desenhou várias capas das séries por ele publicadas (Erinni – O Poder e a Glória – Kore One ).
Em Junho de 2001, contactado por Mauro Boselli, entrou para a equipa de DAMPYR, da editora milanesa Sergio Bonelli Editore.
Histórias desenhadas para DAMPYR:
N°31 _ O Mar da Morte, roteiro: M. Boselli
N°46 _ O Castelo de Barba Azul, roteiro: M. Boselli
N°62 _ Os Danados de Praga, roteiro: M. Boselli
N°75 _ O Esposo da Vampira, roteiro: M. Boselli
N°97 _ Noite e Neblina, roteiro: M. Boselli
N°98 _ A Armada da Morte, roteiro: M. Boselli
N°102 _ Os Espectros do Takla Makan, roteiro: M. Boselli
N° ___ _ Terra de Ninguém, roteiro: M. Boselli (em elaboração)
N° 115 _ Desafio à Temsek, roteiro: D. Cajelli
Em 2001 venceu o prémio INCA como melhor capista (capa de Lazarus Ledd Extra n° 14, “O Cavaleiro de São Jorge”)
Em Março de 2003 (com a primeira história para DAMPYR) venceu o prémio Cartoomix-If como promessa dos quadradinhos italianos.
Em 2004 fez para a Contrada dell’Istrice (n.t.: bairro de Siena, Itália) a história em quadradinhos da última vitória do Palio de Siena, com o título “Sem Tempo”.
Em 2004 fez a capa do último CD musical de Max Pezzali (883)
Em 2005, com a história de DAMPYR “Os Danados de Praga”, venceu o prémio Fumo di China como melhor história realística do ano.
Em 2007 (Lucca Comics ) saiu seu portfólio “Os Mestres da Noite” (1 de 3)
Em 2007 foi contactado pela editora francesa SOLEIL para quem fez, na série HANTE’, uma história em volume cartonado com o título “Fontainebleau – A Casa de Sangue” com roteiro de Christophe Bec (publicado em Agosto de 2008)
Em 2008 a DUPUIS (editora franco-belga) passou-lhe o primeiro número da série “BUNKER FONDATION” com roteiro de Christophe Bec (5 números, primeira publicação prevista para 2009)
Em 2008 ( Lucca Comics ) saiu o portfólio “Os Mestres da Noite” 2 (2 de 3 )

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Intervista esclusiva: ALESSANDRO BOCCI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e João Miguel Lameiras per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Alessandro Bocci por Bira DantasCiao Alessandro, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Per cominciare parlaci un po’ di te. Quali sono state le tue letture fumettistiche nell’infanzia e adolescenza? Quali letture o suggestioni ti hanno poi spinto a cimentarti con il disegno? O questa tua passione l’hai coltivata già da bambino?
Alessandro Bocci: Non mi ricordo bene ma fin da piccolissimo ho sempre avuto un fumetto in mano. Praticamente ci sono cresciuto, con i fumetti. Ricordo ancora oggi che Topolino fu molto importante e affascinante, poi il successivo mio grande amore è stato Asterix. Mi piacevano molto le storie che vedevano questi pochi galli opporsi alla grande potenza di Roma in maniera umoristica, ma la cosa fondamentale erano i disegni, bellissimi ancora oggi. Proprio in virtù di questa passione fin da piccolo ho iniziato anche a disegnarmeli i fumetti! Mi ricordo ancora che, non conoscendo i meccanismi della stampa, incollavo le pagine tra loro, sui retri, in modo da impaginare i miei fumetti personali. Le storie erano da me inventate ma spesso erano personaggi gia famosi nei fumetti che mi divertivo a ridisegnare. Così è trascorsa la mia infanzia fumettistica. Quando sono stato un po’ più grande ho scoperto altri fumetti ma il mio preferito è stato Mister No della Bonelli (guarda il caso). Rimasi affascinato dall’ambientazione della serie tanto che ho seguito le avventure di Mister no in Amazzonia per molti e molti anni.

Omulu - PortfolioHai avuto una formazione artistica? Di che tipo?
Alessandro Bocci: Come formazione artistica non ho avuto nessuna scuola. Avrei voluto fare l’istituto d’arte a Siena, la mia città, ma quando fu il momento di decidere, con un colpo di coda scelsi di fare il geometra e, credetemi, è ancora oggi motivo di rimpianto. Comunque, negli anni, ho sempre continuato a disegnare fumetti. Lo consideravo il mio hobby.

Nel 1994 sei arrivato alla Star Comics collaborando con il Lazarus Ledd di Ade Capone. Come sei entrato in contatto con la Casa Editrice?
Alessandro Bocci: Un bel giorno ho letto sulle pagine dell’Uomo Ragno (allora edito dalla Star Comics) che la Casa Editrice stava cercando giovani disegnatori per realizzare un nuovo progetto super eroistico. Così prendo la mia cartellina dei disegni e vado a Perugia (sede della Star). Incontro Sergio Cavallerin, l’editor responsabile del progetto, che mi consiglia di ri-presentarmi con materiale in stile italiano (io avevo solo disegni di super eroi) perché i miei disegni in stile americano lo convincevano poco. Mi informa anche che a Lucca (alla Casina Rossa) ci sarebbe stata, dopo pochi mesi, la presentazione ufficiale di un nuovo personaggi italiano della Star. Così torno a casa e mi metto a disegnare tavole in stile Bonelliano (mi ricordo che erano tavole con protagonista Nathan Never, ancora oggi le conservo!).
Lazarus Ledd - Tav.27Quando arriva il giorno della presentazione vado a Lucca con i miei nuovi disegni. E lì successe una cosa che ha dell’incredibile! Dopo che avevo girovagato tutto il giorno nel mezzo ad una miriade di persone, stanchissimo, mi sono seduto su un divano. Ero molto deluso perché non ero riuscito ad incontrare l’editor della Star (Cavallerin) per fargli vedere i nuovi disegni. Poi accanto a me si sono seduti, casualmente, due ragazzi che non conoscevo e che hanno iniziato a parlare con termini molto tecnici di fumetti e sceneggiature. Per un po li ho ascoltati poi ho chiesto loro se potevano vedere i miei disegni. Li hanno visti e anche apprezzati molto. Questi due ragazzi erano Ade Capone (creatore di Lazarus) e Stefano Vietti (futuro sceneggiatore di Nathan Never). Da lì è iniziata l’avventura in questo magico mondo. Un’avventura che all’inizio è stata molto dura perché Ade, nonostante apprezzasse il mio disegno mi ha fatto fare le prove delle tavole per sei volte prima di affidarmi la prima sceneggiatura da disegnare (n°16, L’onore e la spada).

L.L.n°51-GloryIl tuo disegno ha conquistato i lettori e i responsabili della Star Comics, al punto che, dal n. 18, ti sono state affidate le copertine. Come hai svolto il tuo lavoro di copertinista?
Alessandro Bocci: Dopo il primo lavoro sono successe tante cose e tutte molto in fretta. Olivares, copertinista della serie, passa ad un’altra testata liberando il posto di copertinista, che viene preso da Stefano Raffaele che a sua volta lascia per lavorare negli U.S.A. A questo punto Ade, che considera il mio Lazarus Ledd come quello definitivo (a livello grafico – cosa che a tutto oggi e’ un mio vanto personale oltre che professionale) mi propone di diventare il copertinista della serie (anche perché il mio modo di disegnare ha incontrato i favori del pubblico). Così inizio questo lavoro che mi porterà a realizzare circa 100 copertine tra serie regolare e speciali. E’ stato molto affascinante cimentarsi tutti i mesi con la copertina di Lazarus anche se è un lavoro che richiede molta accortezza perché, secondo me, alla copertina è associato anche il livello, sia grafico che narrativo, che si ritroverà poi nell’albo. Scegliere la scena migliore per raccontare un’intera storia è una bella sfida, è una ricerca entusiasmante e devo ringraziare anche Ade per le dritte che mi ha dato all’inizio.

L.L.n°53-Morte ad alta tensioneNel 2001, in coincidenza con l’esordio su Dampyr (S.B.E.), vinci il premio INCA come miglior copertinista: Lazarus Ledd Extra n. 14, Il cavaliere di San Giorgio. Non ti è girata un po’ la testa, in quell’occasione?
Alessandro Bocci: Ho amato molto quella copertina perché trattava di una tematica a me molto cara – il Medioevo – e sono stato molto contento della cosa. In più, ciliegina sulla torta, nello stesso periodo mi è arrivata la telefonata di Mauro Borselli per Dampyr e questa, credetemi, è stata una cosa molto molto gradita. Avevo deciso di cambiare, la Star non mi dava più certe garanzie e cambiare, in Italia, significava andare solo alla Bonelli. Forse in quella occasione la testa mi è un po’ girata ma solo per il fatto che avrei potuto continuare a fare questo lavoro che è il più bello del mondo. Avevo già tentato di entrare alla Bonelli, nello staff di Nathan Never perché sono un’appassionato di fantascienza e a Serra i miei disegni erano piaciuti. Purtroppo il numero troppo elevato dei disegnatori di Nathan aveva fatto sì che il mio ingresso alla Bonelli non fosse possibile, ma poi per fortuna c’è stata la telefonata di Mauro e… via con i Vampiri! BELLISSIMO!

Lazarus Ledd - Tav.33Nella fase leddiana, quali tecniche hai utilizzato per le tavole in bianco e nero?
Alessandro Bocci: Come tecniche lavorative non è che faccia chissà cosa, mi limito a realizzare un primo disegno della tavola a matita (che nel mio caso è molto definita; uso un H e un 2H) e poi eseguo un ripasso a china (pelikan) utilizzando pennelli di martora dallo 0 fino al 3. A volte uso dei pennarelli (0.05) per i particolari più piccoli e a punta grossa per i neri di sfondo. Nel tempo e con la continuità di lavoro ho solo affinato la tecnica nell’uso dei materiali mentre in passato (fase leddiana) ho usato molto di più i pennarelli. E’ stato Fabio Civitelli che mi consigliò, giustamente a suo tempo, di aumentare l’uso del pennello perché è un “mezzo” che rende il disegno più realistico, gradevole ed affascinante (parole sue, giuro!).

Dampyr por BocciIn seguito, con l’approdo definitivo su Dampyr hai accentuato il realismo quasi fotografico delle tue tavole. Quali sono i tuoi punti di riferimento?
Alessandro Bocci: Vero! Con il passare del tempo mi sono appassionato sempre più allo stile realistico e penso sia lo stile migliore per lavorare su una testata come Dampyr. Perché le ambientazioni sono reali (vedi Praga) e renderle graficamente il più “vere possibile” aumenta, secondo me, il fascino delle storie. Ovviamente per disegnare così occorre seguire molto le foto, entrare in un meccanismo di lavoro che ti costringe ad una documentazione accuratissima. A tale scopo, come documentazione io uso molto film, libri fotografici a tema e soprattutto – e meno male – internet, con tutti i motori di ricerca fotografica disponibili. Per una storia archivio una quantità di immagini enorme tanto che poi ne uso solo il 20%. Devo anche aggiungere che ultimamente mi sono accorto che riesco a realizzare tavole “fotografiche” anche senza seguire molto le foto e questo conferma il fatto che il disegno è veramente una questione mentale (abituarsi visivamente ad un certo tipo di immagine) oltre, ovviamente, ad essere un dono della natura.

Dampyr tav. 77Le sceneggiature di Boselli sono sempre dettagliate e precise nella scelta delle inquadrature. Quali differenze hai trovato, nei metodi di lavoro, tra le sceneggiature di Capone e quelle di Boselli?
Alessandro Bocci: Lavorare con gli sceneggiatori! Beh, meno male che esistono! Io, per adesso, ho lavorato solo con tre sceneggiatori (oltre a Capone e Boselli ho lavorato per la mia ultima storia di Dampyr con Cajelli) ma devo dire che tutti hanno un modo molto diverso tra loro nell’affrontare la sceneggiatura. Cerchiamo di analizzarli:
Boselli. Mauro ti fornisce una sceneggiatura molto dettagliata sia a livello di testo che di documentazione (anche se poi io cerco immagini aggiuntive a non finire) ma soprattutto Mauro segue tutto l’iter lavorativo stando attento che tu non divaghi troppo dalle sue indicazioni. E’ un vero professionista dotato di grande talento (lo dimostra il fatto che segue una miriade di storie contemporaneamente) dal quale ho imparato veramente tanto riguardo alla costruzione della tavola, al suo equilibrio, alle sue inquadrature. Ovviamente gli devo molto a partire dall’opportunità professionale che mi ha dato. Reputo il lavorare con lui un vero onore anche perché penso sia, ad oggi, il miglior sceneggiatore italiano!
Dampyr tav. 78Capone
. Con Ade invece ho avuto un approccio professionale un po’ diverso. Se è vero che durante la mia prima storia (l’esordio) ha tenuto un comportamento molto simile a quello di Boselli, in seguito mi ha lascito sempre più spazio a livello di gestione grafica della storia fino ad arrivare a gli ultimi lavori insieme, dove praticamente decidevo completamente il lavoro grafico. Ovviamente non è che abbandonasse completamente la cosa nelle mie mani ma, fidandosi di me, reputava il mio modo di lavorare buono per il tipo di storia che voleva raccontare. Questo suo atteggiamento è stato molto importante perché mi ha permesso una notevole crescita sia a livello grafico/narrativo sia come personalità e sicurezza nei propri mezzi. Penso che questo tipo di rapporto professionale si ottenga anche e soprattutto se tra le due parti esiste una certa sintonia ed io, questa sintonia con Ade, l’ho sempre avuta. Spero vivamente, un giorno, di avere la possibilità di lavorare ancora con lui!
Dampyr tav. 93Cajelli. Come ho detto, ho avuto una sola esperienza professionale con Diego ma la sua sceneggiatura mi ha molto colpito! Ovviamente essendo parte del progetto Dampyr ha delle situazioni ritrovabili nello stile Boselli ma ho apprezzato molto delle cose nel suo lavoro, a livello sia narrativo che di idee. Molto interessante! Spero, in futuro, di continuare a lavorare con lui perché, avendolo conosciuto di persona, mi ha appassionato il suo “entusiasmo” e il suo modo di raccontare le storie (qualunque sia il genere).

Com’è lavorare per Sergio Bonelli?
Alessandro Bocci: Lavorare x Bonelli… E’ come giocare nella Juventus o pilotare una Ferrari! Normalmente, quando disegno, non mi rendo conto del fine ultimo che farà il mio lavoro, penso a disegnare e basta. Ma quando penso a tutte quelle persone che terranno in mano l’albo che ho disegnato… beh, è una bella sensazione! Naturalmente il fatto che i lettori siano così tanti è dovuto al fatto che la casa editrice Bonelli è una struttura molto organizzata, fatta di professionisti il cui scopo è PRODURRE fumetti con un buon standar qualitativo… e mi pare ci riesca bene! Con “produrre fumetti” intendo realizzare il completo iter lavorativo che stà dietro un’albo a fumetti. Dall’ideazione del soggetto fino alla stampa e la distribuzione del fumetto stesso, per ogni parte che compone questa catena lavorativa, la Bonelli è sicuramente la miglior casa editrice in Italia e una delle migliori in Europa. Io dal mio punto di vista cerco di contribuire a questo standard qualitativo cercando di dare il massimo ad ogni nuovo lavoro.

Lo sposo della vampiraVisto che questo è un blog portoghese, parlaci dell’avventura ambientata nel nostro Paese.
Alessandro Bocci: La storia di Dampyr ambientata in Portogallo tratta delle ossessioni personali di un regista cinematografico che dietro il suo lavoro di regia nasconde la segreta esistenza di una vampira, sua antichissima ava. Durante la realizzazione del film nel castello di Trás-os-Montes il regista fa in modo di trascinare tutta la troupe in un clima di terrore fino a rivelare il suo vero intento: riportare in vita la stirpe vampiresca della sua famiglia e diventare lui stesso un vampiro grazie all’intervento della sua ava (che nel frattempo si sarebbe rimessa in forze grazie al sangue dei componenti del cast). Piano geniale! Peccato che Harlan e Kurjak facciamo parte della troupe e inesorabilmente fanno fuori la vampira, rovinando tutti i piani del regista e la sua futura carriera!

La parte della storia che si svolge in Portogallo (Dampyr nº 75, Lo Sposo della Vampira) rivela grande rigore, dagli scenari fino al cane di Vitorino Rocha, che si vede bene essere un cane dei monti. Sei già stato in Portogallo, e più precisamente nella zona Trás-os-Montes?
Alessandro Bocci: E’stata una storia molto avvincente da disegnare sia per le ambientazioni portoghesi sia per la parte delle scene in costume del “film”. Ho avuto modo di vedere tante immagini relative alla zona (si, anche i cani dei monti!) ma purtroppo non sono mai stato in Portogallo. Se qualcuno vuole invitarmi…

Castelo de Monforte da EstrelaQuali modelli di villaggi e castelli hai usato per Riba Preta o il castello di Monforte da Estrela? Cioè, ti sei basato su disegni o fotografie generiche, prese da libri o da internet, oppure hai utilizzato località specifiche portoghesi (un villaggio specifico o il proprio Castello di Monforte da Estrela)?
Alessandro Bocci: Per la documentazione ho usato foto prese da internet di luoghi esistenti (come per il paese di Riba Preta). Nel caso del castello di Monforte, ho assemblato più immagini dando una mia versione delle cose e dei paesaggi.

All’inizio della storia, nella scena del film di vampiri, il maggiordomo di Kirby Manor ricorda stranamente lo zio Tibia, che presentava le storie della rivista Creepy, dell’editrice Warren. E’ una semplice coincidenza, o si tratta di un omaggio (o di una strizzatina di occhi) fatta appositamente?
Alessandro Bocci: Si il maggiordomo dell’inizio storia è ricavato dalla figura dello “zio Tibia”… un doveroso omaggio!

Draka PortfolioIl Portogallo è in molti aspetti un Paese magico. C’e un altro luogo adatto per ambientare un racconto di Dampyr: la chiesa di Batalha, con il suo aspetto gotico. Sicuramente Boselli conosce quel luogo; ti piacerebbe suggerirglielo?
Alessandro Bocci: Credo che Mauro leggerà questa intervista e verrà a conoscenza di questa fantomatica chiesa… se già non la conosce, vista la sua sconfinata conoscenza in argomenti gotici! Se poi ne farà una storia allora IO la disegnerò! (ah! ah!)

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Alessandro Bocci: Per la realizzazione completa di una tavola (matite e chine) impiego circa 10/12 ore lavorative. Inizio, immancabilmente tutti i giorni, la mattina alle 8 poi, essendo anch’io un essere umano, interrompo durante il giorno per tutte la evenienze che la vita normale ti impone (soprattutto mia figlia che ha 6 anni). Per tale motivo succede che la fine della tavola slitti al giorno successivo. Comunque gran parte della giornata la passo a disegnare (essendo il mio lavoro) e questo toglie spazio a gli altri miei hobby, specialmente la lettura (anche se recupero leggendo spesso di notte).

Tex por Alessandro BocciPassiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei uno disegnatore bonelliano affermato, ti piacerebbe disegnare per Tex, ti è mai stato proposto?
Alessandro Bocci: Disegnare per TEX… mi piacerebbe tantissimo ma mai proposto, purtroppo! Capisco che disegnare Tex non è così semplice come sembra, bisogna entrare in certi meccanismi grafici che richiedono molta applicazione e attenzione oltre ad una buona dimestichezza con il genere west, ma mai dire mai! Anzi, approfitto per lanciare una richiesta alla Bonelli: FATEMI FARE DELLE PROVE PER UNA STORIA DI TEX!

Cosa significherebbe per te disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex?
Alessandro Bocci: Disegnare una storia di Tex penso sia il sogno di tanti se non tutti i disegnatori di fumetti italiani. Per me significherebbe, appunto, aver contribuito, se pur in minima parte, alla leggenda… e scusate se è poco!

Tex Willer por Alessandro BocciChi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Alessandro Bocci: Chi o cosa è Tex? Bella domanda! Intanto possiamo dire che è uno dei più longevi personaggi a fumetti e questo, gia di per se, è sinonimo, secondo me, di qualità. Però la longevità non spiega il suo successo! Il suo successo lo spiegano storie come l’ultimo gigante “PATAGONIA”. Un perfetto incrocio tra fatti reali e storia inventata, una storia di altissima qualità sia grafica che narrativa. In un fumetto il mio metro di giudizio qualitativo è sempre stato la parte grafica (se no non farei il disegnatore) e Tex ha sempre avuto un alto livello grafico. Io non ho seguito la totalità delle storie di Tex ma le storie che ho avuto la fortuna di leggere sono state sempre questo. Ho e amo molto il Tex disegnato da Civitelli, perché è su quelle pagine che ho “studiato” per diventare disegnatore di fumetti. Sono rimasto molto colpito dal lavoro grafico di Aldo Capitanio e di Giovanni Ticci e adesso apprezzo molto il lavoro scritto di Boselli. Insomma avrete capito che per me la qualità di un personaggio è molto legata all’abilità degli interpreti che si cimentano con lui e con Tex questa abilità è molto elevata e frequente.

Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti?
Alessandro Bocci: Tex negli anni non è cambiato, sono cambiati gli autori che ci hanno lavorato e se qualcuno ha apportato modifiche o inserito nuove tematiche, lo ha fatto nel rispetto più rigoroso del personaggio. Ecco un altro segreto del successo, secondo me.

Tav 7Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Alessandro Bocci: Con Boselli e quel manipolo di disegnatori che ha, quel tizzone d’inferno vivrà ancora per molto… garantito!

Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto “fumetto d’autore” come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Alessandro Bocci: Non ho mai pensato al fumetto d’autore anche perché non mi interessa e non so scrivere storie (mi stanco a scrivere, mi manca il tempo materiale per farlo, e poi preferisco l’immediatezza di un’immagine). Io, i fumetti, voglio solo disegnarli. Era il mio sogno e voglio che continui ad esserlo!

Conan de BocciQuali sono le differenze principali fra il lavorare per il mercato italiano e quello americano, per il quale hai disegnato Conan?
Alessandro Bocci: Non esistono particolari differenze nell’iter lavorativo, semmai ci sono – e sono notevoli – nella tipologia del prodotto. Mi riferisco a Conan, grandissimo personaggio dell’immaginario collettivo che ho avuto la fortuna di poter disegnare. Ecco le differenze tra quel lavoro e il lavoro per Dampyr: per Conan ho avuto una sceneggiatura libera (decidevo io le inquadrature e l’impaginazione della tavola, avevo solo i dialoghi e il soggetto della tavola); per Dampyr, come ho detto, ho sceneggiature già definite a tutti i livelli; per Conan la mia tavola non ha mai subito supervisioni grafiche perché una volta affidatomi il lavoro erano sicuri del mio livello nel disegno; per Dampyr anche questa parte è supervisionata. Adesso non fraintendermi, sembra che alla Bonelli siano degli schiavisti! No, sono semplicemente due modi di lavorare diversi, ognuno con i suoi pregi e i suoi difetti! E poi, per me, la cosa importante e’ solo poter disegnare!

Harlan, Kurjack e Tesla - PortfolioChe progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa?
Alessandro Bocci: Nel mio futuro professionale italiano c’è Dampyr (spero ancora per molto), un personaggio molto, molto divertente da disegnare. Anche se, non lo nascondo, mi piacerebbe cimentarmi anche con altri personaggi della Bonelli che mi piacciono! Per l’estero ho gia pubblicato in Francia per Soleil ed ho in cantiere una storia con la casa editrice Dupuis, più la possibilità, molto concreta e sempre in Francia, di una serie completa di mia ideazione (scritta da una sceneggiatore italiano).

Quali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Alessandro Bocci: Purtroppo il mio tempo per leggere i fumetti in questi anni è andato via via diminuendo. Tra il lavoro e la famiglia mi rimane davvero poco tempo per quella che, nonostante tutto, è ancora una mia forte passione. Le letture che faccio non hanno un indirizzo preciso, leggo di tutto; la cosa importante però è come sono disegnate! Le leggo solo se mi piace il disegno!

Alessandro BocciOltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Alessandro Bocci: Per i libri il mio genere preferito è la fantascienza! Un autore su tutti: Dan Simmons (ho letto i 4 libri della saga di hiperion almeno 15 volte!). I generi di film che preferisco sono di fantascienza, azione (super eroi), thriller. Vado poco al cinema, ma noleggio molti DVD. Per la musica un solo nome… U2!

Caro Alessandro Bocci, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Alessandro Bocci: Grazie a voi per l’opportunità. E… a proposito di quell’invito in Portogallo potremmo… ciao e grazie di nuovo!

CURRICULUM

Alessandro BOCCI, nato a Siena il 30/08/1965, vive e lavora a Monteroni d’Arbia, paese a 16 Km da Siena.
Diplomato Geometra nel 1984, svolge dal 1987 al 1994 la professione, presso la Ditta TECNA s.r.l. come arredatore di negozi di abbigliamento.
Nel 1986 e nel 1988 vince le rassegne nazionali dell’umorismo tenutesi a Siena con vignette sul Palio.
Nel 1994 entra alla casa editrice STAR COMICS come disegnatore per il personaggio di LAZARUS LEDD.
Come storie complete di Lazarus Ledd, tutte su testi di Ade Capone, disegna:
N° 16 _ “L’onore e la spada”
N° 22 _ “Faccia a faccia”
N° 28 _ “Energia alfa”
N° 38 _ “La foresta dei misteri”
N° 39 _ “Scontro finale”
N° 50 _ “Missione impossibile”
Collabora alla realizzazione dei numeri 89 e 151 (l’ultimo della serie)
Collabora alla realizzazione di 2 Lazarus Ledd Extra (n°10 e n°12 ) tutti su sceneggiatura di Ade Capone.
Dal n°18 diventa copertinista della testata di Lazarus Ledd realizzando in totale 90 copertine tra serie regolare e speciali.
Nel 1997 la rivista “Fumo di China” gli assegna il premio come “miglior giovane disegnatore italiano”.
Nello stesso anno realizza per la Marvel Italia un episodio della serie “Conan il Conquistatore”.
Per la Liberty di Ade Capone disegna varie copertine relative alle serie da lui pubblicate. (Erinni – Il potere e la gloria – Kore One)
Nel Giugno 2001, contattato da Mauro Borselli, entra nello staff di DAMPYR per la casa editrice milanese Sergio Bonelli Editore.
Storie disegnate per DAMPYR
N°31 _ “Il mare della morte” sceneggiatura: M. Boselli
N°46 _ “Il castello di barbablù” sceneggiatura: M. Boselli
N°62 _ “I dannati di Praga” sceneggiatura: M. Boselli
N°75 _ “Lo sposo della vampira” sceneggiatura: M. Boselli
N°97 _ “Notte e nebbia” sceneggiatura: M. Boselli
N°98 _ “L’armata della morte” sceneggiatura: M. Boselli
N°102 _ “Gli spettri del Takla Makan” sceneggiatura: M. Boselli
N°——-“Terra di nessuno” sceneggiatura: M. Boselli (in lavorazione)
N°115 _ “Sfida alla Temsek” sceneggiatura: D. Cajelli
Sempre nel 2001 vince il premio INCA come miglior copertinista (copertina Lazarus Ledd Extra n°14 “Il cavaliere di San Giorgio”)
Nel marzo 2003 (con la prima storia per DAMPYR ) vince il premio Cartoomix-If come promessa del fumetto italiano.
Nel 2004 realizza per la Contrada dell’Istrice la storia a fumetti dell’ultima vittoria del Palio di Siena, dal titolo “Senza Tempo”.
Nel 2004 realizza la copertina dell’ultimo CD musicale di Max Pezzali (883)
Nel 2005, con la storia di DAMPYR “ I dannati di Praga”, vince il premio Fumo di China come miglior storia realistica dell’anno.
Nel 2007 (Lucca Comics ) esce il portfolio “I maestri della notte”(1 di 3)
Nel 2007 viene contattato dalla casa editrice francese SOLEIL per la quale realizza (collana HANTE’) una storia in volume cartonato dal titolo “Fontainebleau – la casa di sangue” su sceneggiatura di Christophe Bec (uscita Agosto 2008)
Nel 2008 la DUPUIS (casa editrice franco-belga) gli affida il primo numero della serie “BUNKER FONDATION” su sceneggiatura di Christophe Bec (5 numeri, prima uscita prevista per il 2009)
Nel 2008 (Lucca Comics ) esce il portfolio “I maestri della notte 2” (2 di 3 )

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