As Leituras do Pedro: Zagor #100

As Leituras do Pedro*

Zagor #100Zagor #100
Magia Indígena

Moreno Burattini
(argumento)
Gallieno Ferri (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Julho de 2009)
135 x 179 mm, 132 p., cor, brochada


Para o ser humano, amante de números redondos, uma publicação periódica atingir os 100 exemplares é sempre motivo de destaque. Tratando-se de uma revista de banda desenhada, ainda mais, seja qual for o país em que é editada.
É o caso da revista mensal “Zagor” que, na sua quarta “vida” brasileira, depois de passar pelas editoras Vecchi, RGE/Globo e Record, consegue atingir a centena de números na Mythos Editora. Para celebrar o facto, foi escolhida uma aventura de 2007, publicada originalmente no “Zagor” #500 italiano (outro número “redondo”, ainda mais invejável), intitulada “Magia Indígena”.

Zagor #100 - Edição EspecialPara realçar o carácter especial deste número, que neste momento pode ser encontrado nas bancas portuguesas, o interior, ao contrário do que é habitual, é completamente a cores. Não a cor a que estão habituados os leitores de comics ou de BD franco-belga, mas um colorido mais plano, “aplicado directamente” sobre o preto e branco do desenho, mas que mesmo assim dá uma outra perspectiva de um dos heróis mais carismáticos da Casa de Ideias Bonelli, criado em 1961 por Guido Nolitta (pseudónimo do próprio Sergio Bonelli) e Gallieno Ferri. A edição é complementada com um dossier de 30 páginas, que revisita a história de Zagor, o seu percurso no Brasil, inclui depoimentos de Sergio Bonelli, Gervásio Freitas e dos editores e reproduz 21 capas “falsas” de Zagor, feitas por diversos autores em homenagem a Ferri, autor das quinhentas (!) capas da edição italiana.

Aparição de ZagorA história deste número especial começa evocando o estatuto particular de Zagor junto dos índios, e ganha consistência quando um antigo inimigo do protagonista, supostamente morto, regressa para se vingar. Ela tem a particularidade de funcionar de alguma forma como uma celebração da série e dos seus diversos autores, com o herói a enfrentar – em condições especiais que convido o leitor destas linhas a descobrir – alguns dos vilões mais marcantes que derrotou ao longo dos anos, cada um deles criado por um argumentista diferente, dos vários que já assumiram as rédeas das aventuras do senhor de Darkwood.

Zagor aprisionadoCentrado especialmente em torno de Zagor – com Chico reduzido a um papel passivo de quase observador, o que contribui para reforçar o tom heróico da narrativa – é uma história que decorre em bom ritmo, com as peripécias, as situações perigosas e as surpresas a multiplicarem-se, até ao desfecho final. E não tendo mais pretensões do que ser uma banda desenhada de aventuras ligeira, cumpre a sua missão e pode ser um bom cartão de visita para quem não conhece o herói e pretende pôr de parte alguns preconceitos que estas edições populares (na temática, baixa qualidade gráfica e preço) geralmente provocam.

Pedro Cleto(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

.*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Yannis Ginosatis: do anonimato para o staff de Tex

Por José Carlos Francisco

Yannis GinosatisYannis Ginosatis, natural da Grécia, habita em Atenas e é o mais recente membro do staff de desenhadores de Tex Willer e tem a grande particularidade de saltar do anonimato para o estrelato Texiano, tendo em conta que esta é a sua primeira experiência profissional no campo da banda desenhada, já que antes de ser convidado pela Sergio Bonelli Editore exercia a actividade de pintor e deste modo torna-se o primeiro estreante absoluto no campo da banda desenhada a começar profissionalmente e directamente em Tex nos mais de 60 anos da saga.

O desenhador grego já trabalha com Tex há 2 anos (um segredo muito bem guardado), estando a desenhar uma longa história (330 páginas) da autoria de Mauro Boselli e cujo título provisório é “Il ritorno di Laredo” (“O retorno de Laredo”) e que pensa finalizar no início do Outono deste ano, estando a sua publicação eventualmente prevista para o início de 2011.

Para concluir, deixamos-vos com três páginas da história, seleccionadas pessoalmente por Mauro Boselli, para que todos possam conhecer e admirar o traço deste artista grego que mesmo não tendo visto ainda nenhuma sua obra publicada, já fez História em Tex:

Página 21

Página 52

Página 182

UM ENCONTRO INTERNACIONAL PARA TEX!

Tex em coresO nosso “agente” no Brasil, Júlio Schneider, oferece-nos uma visão geral sobre as edições estrangeiras da “Colecção Histórica em Cores“* de Tex.

A “Collezione Storica a Colori” (como se sabe, apresentada semanalmente em parceria com os jornais italianos “la Repubblica” e “L’Espresso“, a reapresentar as aventuras de Tex, pela primeira vez inteiramente em “technicolor“) ultrapassa as fronteiras da Velha Bota e chega à Finlândia, Noruega, Croácia e até ao outro lado do oceano, ao Brasil. Se as imagens das capas são as mesmas apresentadas na nossa série, os títulos das várias colecções são diferentes, de acordo com o idioma: “Tex Willer Kirjasto” para os finlandeses, “Tex Willer Kronologisk i farger” para os noruegueses, “Kolor biblioteka Tex Willer” para os croatas e “Tex em Cores” para os brasileiros.

Rubrica Julio's TavernAs edições apresentam artigos e comentários assinados por Sergio Bonelli, o mesmo conteúdo dos volumes italianos, traduzidos ao idioma de cada País. A única excepção fica por conta da edição de além-mar, cujo material é assinado por dois brasileiros: um “de adopção” (o editor Sergio Bonelli, na secção “Sergio Bonelli conta…“) e um nativo (que assina também este artigo, o tradutor, redactor e consultor editorial para as nossas publicações no Brasil, Júlio Schneider, na secção “Julio’s Tavern” – ao lado vê-se uma amostra da sua rubrica).

Em comum entre as quatro iniciativas é o programa inicial de publicação: seis volumes para cada colecção. Porém, assim como aconteceu na Itália (onde a série foi além dos cinquenta volumes inicialmente previstos – e, como anunciado recentemente, chegará ao número duzentos!), os editores finlandês, norueguês, croata e brasileiro confiam na acolhida dos leitores para que Tex possa cavalgar por muito tempo sob o brilho das cores. Não nos resta que dirigir-lhes os nossos mais coloridos bons auspícios.

Tex em cores BrasilTex em cores Noruega
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Tex em cores CroáciaTex em cores Finlândia
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* no português do Brasil, a locução correcta é “em cores”, enquanto que no de Portugal é mais usual “a cores”.

Texto de Júlio Schneider, apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore no dia 25 de Janeiro de 2010.
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2010, Sergio Bonelli Editore S.p.A. & Júlio Schneider

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O retorno de Tigre Negro – vinhetas e esboços inéditos

Por Anthony Steffen [1]

Em 1997 retorna nas páginas de Tex, uma das personagens mais bem sucedidas da lavra de Claudio Nizzi, o Tigre Negro.

LohanaDepois de cinco anos após a sua primeira aparição, dessa vez, os desenhos foram confiadas a um Civitelli em estado de graça, que não fez ter saudades do desenhador que criou graficamente o Tigre Negro, o grande Claudio Villa.

O eficaz Civitelli encontrou-se verdadeiramente à vontade em interpretar a atmosfera sombria de Nova Orleães e foi também bravíssimo em caracterizar os rostos dos coadjuvantes na história, como por exemplo Omoro, Juffure e Lohana.

Precisamente sobre esta última vamos deter-nos um pouco mais. O desenhador aretino admitiu que ele se inspirou em Naomi Campbell para a caracterização gráfica da personagem e a esse propósito, aqui do lado esquerdo, mostramos um esboço de teste da personagem, que o confirma.

De seguida mostramos do lado esquerdo, um esboço inédito de Omoro e do lado direito, outro inédito, desta vez, Juffure:

OmoroJuffure
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E por fim, o estudo inerente ao Tigre Negro:

Tigre Negro

Para quem ainda não sabe, inicialmente Claudio Nizzi tinha escrito um final da história ligeiramente diferente daquele que posteriormente foi publicada no álbum “La notte degli Zombi” (no Brasil, Tex nº 358, “A Noite dos Zumbis“). De facto, Lohana, em vez de fugir com o Tigre Negro, inicialmente foi morta por um tiro acidental proveniente da espingarda de Tex. Fabio Civitelli desenhou aquele final alternativo que em seguida foi descartado e por isso mesmo jamais apareceu na referida história.

Eis directamente da minha colecção pessoal, a página desta cena inédita, que publicamos de seguida através das respectivas vinhetas, na exacta sequência:

Final alternativo - Vinheta 1

Final alternativo - Vinheta 2

Final alternativo - Vinheta 3

Final alternativo - Vinheta 4

Final alternativo - Vinheta 5

Se compararmos a situação publicada na edição do Ranger, percebemos que difere um pouco em relação ao apresentado neste artigo. Não tenho conhecimento das verdadeiras razões que levaram a eliminar este final. Talvez pela cena demasiado forte da morte de Lohana, que inclusive perturba muito o próprio Tex.

Para terminar, deixo-vos com uma interrogação. A este propósito, segundo cada um de vós, qual é o final de Lohana que gostariam de ver: um fim trágico, como na cena descartada, ou a fuga com o Tigre Negro, como na versão oficial?

[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 4 de Julho de 2009)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco

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Arte de Ronald Guimarães

Tex WillerDe Ronald Guimarães, 37 anos, natural de Carolina, Estado do Maranhão no Brasil, morador há mais de 20 anos em Goiânia, casado, com 2 filhos, bacharelado em designer gráfico, desenvolvendo no presente embalagens e fazendo ilustrações comerciais para publicidade, recebemos algumas belas ilustrações de Tex Willer que nos apressamos a divulgar (para aproveitar a extensão completa das ilustrações, clique nas mesmas).

O interesse de Ronald Guimarães por Tex aconteceu em 1980, quando ainda garoto, mas já sendo fã de banda desenhada, em especial de Conan desenhado por Buscema, ao procurar alguns números antigos do seu herói natural da fantasiosa Ciméria, encontrou em casa de um seu amigo um exemplar de Tex, mais precisamente o número 111, “Ao Sul de Nogales“, que de imediato o fascinou sobretudo a nível do desenho, tendo inclusive Giovanni Ticci (o desenhador da história em questão) passado a ser a partir daquele momento uma grande inspiração para Ronald Guimarães, que no presente tem inúmeros projectos relacionados com a banda desenhada, fazendo inclusive alguns trabalhos para revistas brasileiras.

Tex WillerRonald Guimarães, inclusivamente sempre diz a quem lhe pergunta sobre o seu trabalho de desenhador, que se não fosse por causa de Giovanni Ticci não estaria fazendo o que faz hoje em dia, pois Ticci com o seu Tex em particular, com cenários incrivelmente bem feitos e com uma naturalidade física sem igual nos seus desenhos é que o levaram para onde está, profissionalmente falando.

Hoje em dia, para além de Ticci, fica também impressionado com Claudio Villa e Corrado Mastantuono e sempre busca também por trabalhos realizados por estes artistas italianos da Casa Bonelli.

Voltando a Tex, a partir do momento em que o descobriu no já longínquo ano de 1980, Ronald Guimarães começou uma longa caminhada por números anteriores e desde então não abandonou mais o nosso Ranger que desse modo já o acompanha há 3 décadas, tendo um carinho muito especial (por motivos óbvios) pela edição que lhe deu a conhecer o mundo de Tex: “Ao Sul de Nogales“, considerando no entanto a melhor história de Tex “El Muerto“!

Tex Willer na neveTex e seus pards
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