Póster Tex Nuova Ristampa 134

Póster Tex Nuova Ristampa 134

Claudio Villa, o conceituado artista italiano, mostra-nos neste desenho nocturno o preciso momento em que a alma do desaparecido Padre Matias aparece a Tex, num sonho onde lhe conta a sua tragédia, quando o Ranger pernoitava nas ruínas da missão de Santa Cruz, no extremo sul do Arizona.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #106 e inspirado na história “Santa Cruz” de G. L. Bonelli e Giovanni Ticci (Tex italiano #215 a #217).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

Tex Série Normal: San Francisco

Tex nº 98Argumento de Gianluigi Bonelli, desenhos e capas de Aurelio Galleppini.
Com o título original La vendetta di Diamond Jim, a história foi publicada em Itália nos números 154 a 156 em 1973 e no Brasil, pela Editora Vecchi, nos números 98 e 99.

Regresso de Tex e dos pards a S. Francisco, após a aventura vivida contra as tríades chinesas. A verdade é que este regresso que servia para reencontrar um velho amigo, Tom Devlin, torna-se numa aventura de vingança, tiroteio e perseguições. Tex encontra um irmão de Johnny Devine, o braço direito de Shangai Kelly, que dominava o crime em S. Francisco e que Tex derrotou. Diamond Jim procura a vingança e por isso ordena o rapto de Kit Willer, embarcando-o num veleiro com o objectivo de o deixar numa qualquer ilha perdida do Pacífico. O Capitão Drake, mais conhecido como Barba Negra, é encarregue do trabalho, sem saber com quem está a lidar.

Tex nº 99Apesar de não ser considerada uma grande aventura, revela mesmo assim um G. L. Bonelli plenamente inspirado e que remete rapidamente o leitor para o imaginário dos grandes folhetins de aventuras marítimas. O autor exagera (no bom sentido) nas cenas de acção, no tiroteio, dando carta branca ao seu Ranger para se revelar na plenitude, para actuar como um verdadeiro justiceiro que não recua perante nada, sempre com o objectivo e o sentimento de salvar o filho. Pelo meio, tem ainda tempo para construir em Barba Negra uma personagem algo fascinante e que foge um pouco dos estereótipos dos vilões bonellianos, porque apesar de inspirar pouca confiança é alguém que é leal e com alguma honra.

Galep era um autodidacta, por isso facilmente descobrem-se falhas no seu traço, mas este seu trabalho é de boa qualidade, sobretudo porque permite-lhe realçar a beleza dos seus barcos e das cenas marítimas, além de um Tex muito autêntico, muito clássico e que emana magia.

Texto de Mário João Marques

Entrevista exclusiva: MICHELE MEDDA

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Michele Medda por Bira DantasOlá, Michele, e bem-vindo ao blogue português de Tex. Para os que ainda não o conhecem, vamos a uma pequena apresentação de si mesmo e do caminho percorrido na sua carreira.
Michele Medda: Eu nasci em Cagliari, Itália, em 1962, fiz os estudos clássicos e formei-me em Letras Modernas. Eu ainda estava na universidade quando, com Antonio Serra e Bepi Vigna, enviamos à Bonelli alguns argumentos para Martin Mystère. Os argumentos foram aprovados e foi assim que iniciamos. Em 1989 apresentamos o projecto de Nathan Never, que saiu em 1991. Em 1995 veio a série dedicada a Legs Weaver. Nesse meio tempo também escrevi histórias de Nick Raider e Tex. A partir de 1996 passei a dividir-me essencialmente entre Nathan Never e Dylan Dog, que constituíram 99% do meu trabalho até 2006, ou seja, até a aprovação da mini-série Caravan.

Que lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo os Bonellis, na sua infância?
Michele Medda: Nos anos Sessenta havia centenas de títulos de BD na Itália. Nós as chamávamos de “revistinhas”. As revistinhas eram uma distracção barata e entravam em todas as casas. Mas eram consideradas “coisa de criança”, leituras das quais as pessoas se envergonhavam um pouco e que, ao se tornar adultas, eram abandonadas. Eu nunca as abandonei.

Na vinheta de Legs Weaver 73 - José, Tony e Miguel, em italiano Giuseppe (Bepi) Vigna, Antonio Serra e Michele MeddaComo você tornou-se escritor de BD? Foi por vocação ou por acaso? E quais foram as suas influências?
Michele Medda: Como eu lia muitos quadradinhos, a certa altura foi bastante natural ter o desejo de fazê-los. Comecei a pensar seriamente na adolescência. Eu escrevia e desenhava. Eu gostaria muito de fazer tiras de humor. Eu adorava Mafalda, BC, O Mago Wiz e tantos outros. Mas em determinado momento eu entendi que como escritor eu me saía melhor do que como desenhador, e aí abandonei definitivamente o desenho. Como roteirista, as BDs que me deram o impulso são exclusivamente europeias, como as do Corriere dei Piccoli (Correio das Crianças) e as bonellianas. Os quadradinhos americanos eu lia e gostava, mas nunca desejei escrever histórias de super-heróis. Quanto aos mangás, esses nunca me interessaram, nem mesmo como leitor.

A sua peculiaridade é a de ser narrador de tramas policiais psicológicas, geralmente melancólicas e desesperadas. Quais são os narradores – romancistas, roteiristas, directores – que você mais admira e a quem deve muito pelo seu crescimento profissional?
Michele Medda: Quem me conhece sabe que eu considero um mestre Evan Hunter, aliás Ed McBain, o romancista autor da saga do 87° Distrito. Quanto aos directores, creio que para mim foram “formadores” certos directores dos anos Setenta como Aldrich, Pollack, Lumet. Seus filmes impressionaram-me quando garoto, e ainda hoje eu os assisto. O cinema fantástico agrada-me, mas creio que na base da minha formação de narrador estão histórias essencialmente realísticas.

José Carlos Francisco e Antonio SerraComo e quando você conheceu seus colegas Serra e Vigna? Quando e como começou a ter seus primeiros trabalhos publicados?
Michele Medda: A história é meio comprida. Serra, Vigna e eu morávamos todos na Sardenha (e Vigna ainda mora) e, por estarmos numa ilha, não havia como contactar as editoras – que eram todas na península – a não ser por meio de balsa ou avião. Eram viagens caras para nós, estudantes. Em 1982 uma associação cultural chamada “O Círculo” levou à Sardenha a mostra “Dedicated to Corto Maltese”. Nós nos conhecemos naquela ocasião e, dentro do Círculo, constituímos um grupo de aspirantes a autores. O objectivo era criar uma espécie de colectivo, ou até mesmo um estúdio, para apresentar alguns projectos de âmbito regional e, mais tarde, levá-los às editoras, na península. Na verdade, pouco tempo depois o Círculo fechou as portas e nós ficamos sem sede. Mas continuamos a nos ver e, nesse meio tempo, fizemos alguns contactos, entre os quais com Alfredo Castelli. O resto é mais ou menos história conhecida. Por meio de Alfredo apresentamos alguns argumentos à Sergio Bonelli Editore (que ainda se chamava Daim Press), e esses argumentos foram aprovados. Devo destacar que do grupo do Círculo também saíram outros dois autores de BD, Otto Gabos (Mario Rivelli) e Vanna Vinci. Nós éramos em doze. Os outros, como acontece na vida, tomaram caminhos diferentes.

Nathan Never nº 164 - OlivaresNa segunda metade dos anos 80, junto aos amigos Serra e Vigna, você ingressou na Sergio Bonelli Editore, inicialmente a propor argumentos para Martin Mystère, Dylan Dog e Zona X, e depois a dar vida ao projecto Nathan Never. Que balanço você faz desse período juvenil? Como era estruturado o trabalho de vocês, os três participavam juntos da elaboração de roteiros ou, depois de criar um argumento detalhado, cada um de vocês roteirizava uma parte da história em separado?
Michele Medda: Nos anos Oitenta Serra e eu tínhamos pouco mais de vinte anos, e Vigna era um pouco mais velho. Éramos jovens e entusiastas. Quando Castelli aceitou o nosso primeiro argumento, nós nos sentimos a tocar o céu com as mãos. Quanto aos nossos primeiros trabalhos, sinceramente não sei explicar como é que conseguíamos escrever daquela maneira. Pelo que me recordo, os primeiros dois roteiros foram verdadeiramente “colectivos”. Por turnos, cada um de nós se sentava à máquina de escrever e buscava deixar de forma compreensível o que os outros dois diziam. Para os roteiros seguintes nós fizemos um esquema muito preciso do argumento e dividimos em três secções. Na prática, desse modo cada um de nós escrevia um terço da história.

José Carlos Francisco e Alfredo CastelliAlfredo Castelli, entre tantos méritos, também tem o de ter acreditado em vocês três. Como foi o primeiro encontro com o roteirista milanês? Vocês é que propuseram o primeiro argumento para Martin Mystère ou foi Castelli quem propôs a vocês colaborar com a personagem dele?
Michele Medda: No início dos anos Oitenta a Rai (a TV estatal italiana) fazia uma transmissão para jovens nos estúdios de Cagliari, a cidade onde nós três morávamos. Castelli e Silver (o autor de Lobo Alberto) foram a Cagliari para participar daquele programa como convidados e nós do Círculo os conhecemos naquela ocasião. Alfredo nos disse que estava à procura de novas ideias para Martin Mystère, e algum tempo depois nós lhe enviamos um argumento baseado numa lenda sarda (n.t.: da Sardenha). Começou assim.

Pode nos contar algum caso sobre o nascimento de Nathan Never? Você teria preferido uma colocação temporal diferente?
Michele Medda: Eu não me recordo de nada em especial, apenas que discutimos a ideia pela primeira vez durante uma longa viagem de carro. A primeira versão do projecto não era de ficção científica tão carregada, era mais uma ficção científica no estilo de Robocop ou Mad Max (falo do primeiro do ciclo, quando ainda não era um pós-atómico). Era coisa de poucos anos no futuro. Foi Sergio Bonelli quem nos sugeriu acentuar os elementos de ficção científica.

Legs WeaverVocê gosta da personagem de Legs Weaver e divertiu-se ao escrever suas histórias? Por puro jogo intelectual, o que você teria mudado na série? Acha que o potencial narrativo de Legs foi totalmente explorado?
Michele Medda: Se eu voltasse atrás, não mudaria nada. Para mim, escrever foi divertido, mas creio que para Sergio Bonelli não tenha sido tão divertido ler. Com efeito, a série era muito diferente das séries bonellianas, e os leitores ficaram desorientados. As séries populares criam um público apegado, mas apegado só a um determinado tipo de histórias. É como o cliente do restaurante que, todos meses, teima em querer sempre o mesmo prato. Então, se você pretende acrescentar um novo ingrediente, tem que pesar bem, e esse é um cálculo que um autor nem sempre pode fazer. Aliás, não é sequer justo pretender que o faça. Porque nós trabalhamos com narrativa, não com alimentação.

Nick Raider de Michele MeddaDada a sua paixão pelo género policial – e você fez até uma tese de formatura sobre o género policial italiano – foi consequência natural a sua colaboração com Nick Raider, a personagem idealizada pelo roteirista Claudio Nizzi. Como foi a sua chegada à série policial?
Michele Medda: Muito simples. Eu levei uns argumentos a Nizzi, ele achou que eram bons e convidou-me a colaborar com a série. Eram as primeiras coisas que eu escrevia sozinho, sem Serra & Vigna. A minha colaboração com Nick Raider foi breve, mas eu aprendi muito naqueles anos.

Depois de ter escrito alguns óptimos “faroestes metropolitanos” ambientados em nossos dias para a série Nick Raider (por exemplo, os episódios Um Ranger em New York, Fronteira da Morte, O Enigma das Bonecas), você teve a chance de roteirizar alguns episódios de Tex. Como aconteceu a entrada na equipa texiana e o que você se recorda da curta passagem pela série principal da SBE? As suas duas histórias, ambas muito particulares como temáticas e personagens envolvidas, deixaram a sua marca e, depois de 15 anos, ainda são lembradas por muitos leitores.
Michele Medda: Eu fui chamado a escrever Tex como “reforço”, num momento em que Claudio Nizzi havia diminuído o seu ritmo de produção, justamente porque eu havia usado temáticas de faroeste em Nick Raider. Eu fiquei bastante lisonjeado.

Tex de Michele Medda e Decio CanzioQuais foram as primeiras preocupações que a personagem de Tex suscitaram? E como você se preparou para escrever as histórias do Ranger? Já o conhecia profundamente?
Michele Medda: Eu conhecia Tex muito bem, li por mais de vinte anos, e creio que aquelas duas histórias tenham sido o trabalho mais tranquilo e sereno de toda a minha carreira.

Então você foi um leitor de Tex na juventude. Lia outras BDs, italianas ou não (super-heróis, mangá, franceses, etc.)? De um modo geral, você é aficionado pelo género faroeste?
Michele Medda: Não sou exactamente um aficionado pelo faroeste, mas gosto. Quando eu era menino, nos anos Sessenta, o faroeste era a Aventura com A maiúsculo, tanto nos quadradinhos quanto no cinema. Além das BDs de faroeste bonellianas (História do Oeste e Ken Parker eu releio periodicamente), eu gostava demais do Comanche de Greg & Hermann.

Elenco de Claudio Nizzi das histórias em produçãoHá algum tempo você escreveu no seu blogue que, na época de sua aproximação a Tex, ficou bastante surpreso ao tomar conhecimento do método de trabalho de Claudio Nizzi, “forçado” a escrever 14 histórias ao mesmo tempo. Foi essa visão de “cadeia de montagem” da BD popular que o fez desistir de apresentar outros argumentos para Tex?
Michele Medda: Uma vez eu li num sítio Internet que eu havia sido literalmente chutado de Tex porque as minhas histórias haviam sido julgadas pouco texianas, e que uma terceira história minha havia sido interrompida pela editora e que estava num arquivo, inacabada. Puro delírio. O único motivo porque não escrevi mais Tex é que eu estava por demais ocupado com Nathan Never. E para mim, que sou lento, era um problema escrever mais 32 páginas por mês para desenhadores rápidos como Lettèri! Nathan Never absorvia todas as minhas energias. Só isso, não há mistério algum.

Como você se definiria como autor de Tex? Você acha que tem pontos em comum com algum outro autor do Ranger?
Michele Medda: Eu jamais pensei nisso, afinal só escrevi duas histórias!

Tex de Michele MeddaNos últimos anos os leitores de Tex têm visto a estreia de novos roteiristas. Ao lado dos clássicos Nizzi e Boselli, vieram autores como Faraci, Manfredi, Segura, Ruju. A ser compatível com seus compromissos, você gostaria de escrever um novo episódio ou considera a personagem criada por G. L. Bonelli como mais uma fase passada de sua carreira? Existe a sensação de que você teria mais coisas a dizer, um “outro” faroeste a apresentar.
Michele Medda: Eu não me aproximei de Tex com propósitos particulares. Eu estava feliz por escrever, para mim era uma honra, só isso. Na verdade, todos os anos eu me digo “bem, eu poderia apresentar um argumento para Tex“, mas aí sempre aparecem trabalhos mais urgentes… mas quem sabe se 2010 não será o ano certo?

DyD 199 FreghieriA sua colaboração com Dylan Dog – a personagem criada por Tiziano Sclavi – continua ainda até hoje. A complexidade narrativa do Investigador do Pesadelo é fruto da genialidade de Tiziano Sclavi, mas as suas histórias têm uma caligrafia reconhecível, muito apreciada pelos leitores. O seu Dylan não trai aquele sclaviano mas não se refugia num excesso de complacência e sentimentalismo. Você se reconhece nesta consideração?
Michele Medda: Eu não me preocupo em definir-me, mas sim, tudo somado eu me reconheço nessa consideração. Quanto à apreciação dos leitores, até onde eu sei, as minhas histórias dividem o público dos aficionados em dois: ou são muito apreciadas ou são totalmente detestadas. De todo modo, a coisa não perturba meu sono.

CaravanHá alguns meses saiu a mini-série Caravan, publicada pela Bonelli, da qual você é o criador e roteirista. A nossa impressão (no momento em que escrevemos ela ainda não chegou à conclusão) é que o mistério da “nuvem negra” seja só um pretexto – para nós, acertado – para poder expor o carácter das várias personagens. Em certos comentários na Internet se afirma que as personagens são por demais italianas e pouco americanas. O que você tem a dizer sobre essas observações?
Michele Medda: Eu concedi umas cinco ou seis longas entrevistas nas quais apresentei Caravan, sem falar das mensagens que postei no blogue, e as dedicadas especificamente à série são umas quarenta. Assim, quem lê Caravan tem todos os esclarecimentos possíveis, quem não leu sequer uma linha também tem a chance de obter uma impressão precisa. Fora isso, eu não respondo a observações feitas nos fóruns, isto é, a perguntas que não são apresentadas directamente a mim. Seria como responder a um escrito feito num muro com spray.

F. Valdambrini - Caravan nº 3Como nasceu e depois se desenvolveu o projecto de Caravan? Com a publicação você surpreendeu duas vezes o público, primeiro ao apresentar uma série bastante anti-convencional dentro do panorama bonelliano (personagens “comuns”, histórias por vezes minimalistas, nenhum uso de armas, etc.) e depois, no momento em que se difundiram as primeiras notícias na rede, ao desautorizar os que sustentavam a presença de referências declaradas à série de TV Jericho. Você tinha consciência desde o início de que a sua mini-série poderia representar uma mudança de rumo para a Editora? À excepção da ideia inicial, Caravan foi modificada à medida em que você avançava na elaboração dos episódios?
Michele Medda: Eu falei várias vezes sobre a génese de Caravan, era uma ideia que eu tinha guardado e não pensava em usar, mas que voltou-me à mente depois de muito tempo, só isso. Caravan representa uma novidade no panorama da Editora, mas não uma mudança de rumo: nenhuma das próximas mini-séries terá características semelhantes. Quanto à evolução do projecto, é uma série tão complexa que, no momento de escrever a ideia de base, era impossível prever como se desenvolveria. Claro que o “esqueleto” da trama permaneceu como pensado: a premissa, os acontecimentos que envolvem as personagens principais e o final não foram alterados desde a primeira escrita.

R. De Angelis - Caravan nº 1Foi uma escolha precisa, decidida de comum acordo com a redacção, aquela de passar vários episódios de Caravan a autores estreantes na SBE? A vontade de uniformizar e homogeneizar ao máximo o traço dos vários desenhadores não pode ter penalizado um pouco a parte gráfica da série?
Michele Medda: Não houve vontade alguma de “uniformizar” ou “homogeneizar” o traço dos desenhadores. A nenhum foi pedido para mudar o próprio estilo de modo a adaptar-se à série. Simplesmente foram seleccionados desenhadores com um estilo “realista” porque a série é substancialmente realística. Evidentemente a selecção dependia da situação do momento, isto é, de quais desenhadores estavam disponíveis quando comecei a escrever a série.

Há pouco tempo, não sem alguma tristeza, você confessou ter colocado a palavra “fim” em Caravan. Como de cara você negou a possibilidade de uma continuação, o que há no futuro próximo de Michele Medda, além de Nathan Never? Escreverá novamente Dylan Dog e começará a pensar em outra daquelas mini-séries que actualmente parecem ser a única âncora de salvação para os quadradinhos populares da Itália?
Michele Medda: No momento a única coisa certa é uma história de Nathan Never, que logo deve sair, talvez no final de 2010. Quanto ao resto, é de se ver.

Stefano Raffaele - Caravan nº 2Quanto tempo você demora para escrever uma história? Tem horários? Como é o seu dia entre trabalho, leituras, informação, busca de novos argumentos, vida familiar?
Michele Medda: Se eu me dedico completamente a um só roteiro, levo pouco mais de um mês para escrever. O tempo dedicado a pesquisas não é quantificável. No caso de Caravan foi notável. Mas tenho horários bastante regulares. Dificilmente escrevo à noite.

Fale-nos de suas incursões fora do âmbito da Sergio Bonelli Editore.
Michele Medda: Não fiz muito fora da Sergio Bonelli Editore, e nenhuma daquelas experiências deu-me grandes satisfações, excepto a colaboração com autores como Stefano Casini e Francesco Artibani. Considero aquelas experiências como um capítulo encerrado, e prefiro não pensar mais nisso.

Stefano Raffaele - Caravan nº 2Depois de 20 anos a escrever quadradinhos, permanece alguma coisa do entusiasmo juvenil ou agora o seu é “somente” um trabalho?
Michele Medda: Ao escrever Caravan eu reencontrei um pouco de entusiasmo. Mas creio que a idade do ouro dos quadradinhos na Itália acabou. A BD tornou-se uma mídia de nichos, que interessa a um número cada vez menor de pessoas. E também a qualidade das manifestações sobre o nosso trabalho é muito mais baixa que no passado. Se é muito difícil ler boas BDs, é quase impossível ler bons artigos de crítica e de história dos quadradinhos. À parte algum académico iluminado como Giulio Giorello, algum jornalista competente como Luca Raffaelli, a atenção da mídia pela BD é esporádica e superficial. O mundo dos quadradinhos vive fechado em si mesmo, como dentro de uma bola, é um universo auto-referencial. Mas talvez seja o espelho da situação geral, em que se vê pouco interesse pela criatividade, sob qualquer forma. Aqui na Itália criar – criar qualquer coisa: música, literatura, quadradinhos, filmes – tornou-se muito difícil, para não dizer quase impossível.

Michele MeddaVocê gostaria de escrever contos ou um romance em prosa? Soubemos que você teve alguns contactos com o mundo da televisão: disso saiu algo de concreto?
Michele Medda: Eu escrevi alguns contos que podem ser lidos no meu sítio internet. Quanto a um romance… quem sabe? Sobre televisão e cinema, depois de umas duas ocasiões que não deram em nada e várias viagens a Roma, eu decidi sentar-me na margem do rio e esperar. Se a ocasião aparecer, óptimo. Se não, paciência.

Caro Michele Medda, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Intervista esclusiva: MICHELE MEDDA

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Michele Medda por Bira DantasCiao Michele, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Vorremmo che facessi una piccola autopresentazione di te stesso e del cammino percorso nella tua carriera, per quelli che ancora non ti conoscono bene.
Michele Medda: Nato a Cagliari nel 1962, studi classici, laurea in Lettere Moderne. Ero ancora all’università quando con Antonio Serra e Bepi Vigna mandammo dei soggetti per Martin Mystère alla Bonelli. Quei soggetti furono approvati, e così abbiamo cominciato. Nel 1989 abbiamo presentato il progetto di Nathan Never, che è uscito nel 1991. Nel 1995 è arrivata la serie dedicata a Legs Weaver. Nel frattempo ho scritto anche per Nick Raider e Tex. Dal 1996 ho cominciato a dividermi essenzialmente tra Nathan Never e Dylan Dog, che hanno costituito il 99% del mio lavoro fino al 2006, cioè fino all’approvazione della miniserie Caravan.

Che posto hanno avuto i fumetti, soprattutto i Bonelli, nella tua infanzia?
Michele Medda: Negli anni sessanta si stampavano centinaia di testate a fumetti in Italia. Noi li chiamavamo “giornalini”. I “giornalini” erano uno svago poco costoso, ed entravano nelle case di tutti. Ma erano reputati “roba da bambini”, letture di cui vergognarsi un po’, e crescendo, diventando adulti, li si abbandonava. Io non li ho abbandonati.

Na vinheta de Legs Weaver 73 - José, Tony e Miguel, em italiano Giuseppe (Bepi) Vigna, Antonio Serra e Michele MeddaCome sei arrivato a diventare scrittore di fumetti? E’ stata vocazione o il caso? E quali sono le tue influenze?
Michele Medda: Dato che di fumetti ne leggevo tanti, a un certo punto è stato abbastanza naturale desiderare di farli. Ho cominciato a pensarci seriamente da adolescente. Scrivevo e disegnavo. Mi sarebbe piaciuto molto fare strips umoristiche. Adoravo Mafalda, BC, Il Mago Wiz… A un certo punto, però, ho capito che come scrittore me la cavavo meglio che come disegnatore, così ho lasciato perdere definitivamente il disegno. Come sceneggiatore, i fumetti che mi hanno dato l’imprinting sono esclusivamente fumetti europei, direi quelli del Corriere dei Piccoli e i bonelliani. I fumetti americani li leggevo e mi piacevano, ma non ho mai desiderato scrivere storie di supereroi. I manga, poi, in generale non mi hanno mai interessato, nemmeno da lettore.

La tua peculiarità è quella di narratore di gialli psicologici, spesso malinconici e disperati. Quali sono i narratori – romanzieri, sceneggiatori, registi – che più ammiri e a cui devi molto per la tua crescita professionale?
Michele Medda: Chi mi conosce sa che considero un maestro Evan Hunter alias Ed McBain, il romanziere autore della saga dell’87° distretto. Quanto ai registi, penso che per me siano stati “formativi” certi registi degli anni settanta come Aldrich, Pollack, Lumet. I loro film mi hanno colpito molto da ragazzo, e ancora oggi li rivedo spesso. Il cinema fantastico mi piace, ma credo che alla base della mia formazione di narratore ci siano storie essenzialmente realistiche.

José Carlos Francisco e Antonio SerraCome e quando hai conosciuto i tuoi colleghi Serra e Vigna? Quando e come hai cominciato a pubblicare i tuoi primi lavori?
Michele Medda: E’ una storia un po’ lunga… Devo premettere che Serra, Vigna ed io vivevamo tutti in Sardegna (e Vigna ci vive ancora). Trovandoci su un’isola, per noi non c’era modo di avere contatti con case editrici – che erano tutte nella penisola – se non prendendo il traghetto o l’aereo. Erano viaggi costosi per noi, che eravamo studenti. Nel 1982 un’associazione culturale chiamata “Il Circolo” portò in Sardegna la mostra “Dedicated to Corto Maltese”. Ci conoscemmo in quell’occasione e costituimmo, all’interno del “Circolo”, un gruppo di aspiranti autori. L’obiettivo era creare una specie di collettivo, se non proprio uno studio, per proporre qualche progetto in ambito regionale e successivamente presentarci alle case editrici nella penisola. In realtà poco tempo dopo “Il Circolo” chiuse, e noi rimanemmo senza una sede. Però continuammo a vederci, e nel frattempo avevamo allacciato alcuni contatti, tra cui quello con Alfredo Castelli. Il resto, più o meno, è storia nota. Tramite Alfredo proponemmo dei soggetti alla Sergio Bonelli Editore (che allora si chiamava Daim Press), e questi soggetti furono approvati. Tengo a precisare che dal gruppo del “Circolo” sono usciti anche altri due autori di fumetti, Otto Gabos (Mario Rivelli) e Vanna Vinci. Eravamo una dozzina. Gli altri, come succede nella vita, hanno preso strade diverse.

Nathan Never nº 164 - OlivaresNella seconda metà degli anni ’80, assieme agli amici Serra e Vigna, fai il tuo ingresso alla Sergio Bonelli Editore, proponendo dapprima soggetti per Martin Mystère, Dylan Dog e Zona X, e poi dando vita al progetto Nathan Never. Che bilancio fai di quel periodo giovanile? Com’era strutturato il vostro lavoro, partecipavate tutti e tre contemporaneamente alle sedute di sceneggiatura oppure, dopo aver steso un soggetto dettagliato, ognuno di voi sceneggiava separatamente una parte della storia?
Michele Medda: Negli anni Ottanta Serra e io eravamo poco più che ventenni, e Vigna era di poco più grande. Eravamo giovani ed entusiasti. Quando Castelli accettò il nostro primo soggetto ci sembrò di toccare il cielo con un dito. Quanto ai nostri primi lavori, sinceramente non so spiegarmi come diavolo potevamo scrivere in quel modo. Da quello che ricordo, le prime due sceneggiature sono state veramente “collettive”. Uno di noi, a turno, sedeva alla macchina da scrivere e cercava di rendere in forma comprensibile quello che dicevano gli altri due. Per le sceneggiature successive abbiamo fatto una scaletta molto precisa del soggetto e l’abbiamo divisa in tre sezioni. In pratica, ognuno di noi in questo modo sceneggiava un terzo della storia.

José Carlos Francisco e Alfredo CastelliAlfredo Castelli, tra i tanti meriti, ha anche quello di aver creduto in voi tre. Com’è stato il primo incontro con lo sceneggiatore milanese? Avete proposto voi tre il primo soggetto per Martin Mystère, oppure è stato Castelli a proporvi di collaborare al suo personaggio?
Michele Medda: Nei primi anni Ottanta la Rai (la tivù di stato italiana) faceva una trasmissione per ragazzi negli studi di Cagliari, la città dove vivevamo tutti e tre. Castelli e Silver (l’autore di Lupo Alberto) vennero a Cagliari per partecipare a quel programma come ospiti e noi del “Circolo” li conoscemmo in quella occasione. Alfredo ci disse che era a caccia di nuovi spunti per Martin Mystère, e qualche tempo dopo noi gli mandammo un soggetto basato su una leggenda sarda. E’ cominciata così.

Puoi raccontarci qualche aneddoto sulla nascita di Nathan Never? Avresti preferito magari una collocazione temporale diversa?
Michele Medda: Non ricordo niente di particolare, se non che discutemmo per la prima volta l’idea durante un lungo viaggio in auto. La prima versione del progetto non era così fantascientifica, era più una fantascienza “alla Robocop” o “alla Mad Max” (parlo del primo del ciclo, quando non era ancora un post-atomico). Pochi anni avanti nel futuro, insomma. Fu Sergio Bonelli a esortarci ad accentuare gli elementi fantascientifici.

Legs WeaverTi piace il personaggio di Legs Weaver e ti sei divertito a scriverne le storie? Per puro gioco intellettuale, cosa avresti cambiato nella serie? Pensi che siano state sfruttate a pieno le potenzialità narrative di Legs?
Michele Medda: Se tornassi indietro non cambierei niente. Scrivere Legs per me è stato spassoso, ma credo che per Sergio Bonelli non sia stato spassoso leggerlo. Effettivamente la serie era troppo diversa dalle serie bonelliane, e i lettori rimasero disorientati. Le serie popolari creano un pubblico affezionato, ma affezionato solo a un determinato tipo di racconto. E’ come il cliente del ristorante che pretende ogni mese, testardamente, lo stesso piatto. Allora, se vuoi aggiungere un nuovo ingrediente, dovresti pesarlo col bilancino, e questo è un calcolo che un autore non può sempre fare. Anzi, non è nemmeno giusto pretendere che lo faccia. Perché noi facciamo narrativa, non ristorazione.

Nick Raider de Michele MeddaConsiderata la tua passione per il giallo – facciamo presente ai nostri utenti della tua tesi di laurea sul giallo italiano – è stato forse consequenziale la tua collaborazione a Nick Raider, il personaggio ideato dallo sceneggiatore Claudio Nizzi. Com’è stato il tuo approccio alla serie poliziesca?
Michele Medda: Molto semplice. Portai dei soggetti a Nizzi, lui li trovò buoni e mi invitò a collaborare alla serie. Erano le prime cose che scrivevo da solo, senza Serra & Vigna. La mia collaborazione a Nick Raider è stata breve, ma ho imparato molto in quegli anni.

Dopo aver scritto alcuni pregevoli “western metropolitani” ambientati ai giorni nostri per la testata Nick Raider (ad esempio gli episodi “Un ranger a New York”, “Linea di confine”, “Legami di sangue”), ti viene offerta la possibilità di sceneggiare alcuni episodi di Tex. Come avvenne l’ingresso nello staff texiano e cosa ricordi del tuo fugace apporto alla serie regina della SBE? Le tue due storie, entrambe molto particolari come tematiche e personaggi coinvolti, hanno lasciato il segno e sono ancora ricordate a distanza di 15 anni da molti lettori.
Michele Medda: Fui chiamato a scrivere Tex come “rinforzo” in un momento in cui Claudio Nizzi aveva rallentato la produzione, proprio perché avevo utilizzato tematiche western su Nick Raider. Ne fui molto lusingato.

Tex de Michele Medda e Decio CanzioQuali sono state le prime preoccupazioni che il personaggio di Tex ti ha suscitato? E come ti sei preparato per scrivere le storie del Ranger? Lo conoscevi già profondamente?
Michele Medda: Tex lo conoscevo benissimo, l’ho letto per più di vent’anni, e credo che quelle due storie di Tex siano state il lavoro più tranquillo e sereno di tutta la mia carriera.

Dunque sei stato un lettore di Tex in gioventù. Leggevi altri fumetti, italiani o meno (supereroi, manga, francesi, ecc.)? Più in generale, sei un appassionato del genere western?
Michele Medda: Non sono proprio un fanatico del western, ma mi piace. Quando ero bambino, negli anni sessanta, il western era l’Avventura con la A maiuscola, sia nei fumetti che al cinema. A parte i fumetti western bonelliani (Storia del West e Ken Parker, che rileggo periodicamente), mi piaceva da matti Comanche di Greg & Hermann.

Elenco de Claudio Nizzi das histórias em produçãoQualche tempo fa sul tuo blog hai scritto che, all’epoca del tuo apporto a Tex, rimanesti molto sorpreso dall’apprendere il metodo di lavoro di Claudio Nizzi, “costretto” a sceneggiare anche 14 storie contemporaneamente. E’ stata questa visione del fumetto popolare come “catena di montaggio” a farti desistere dal presentare altri soggetti per Tex?
Michele Medda: Una volta ho letto in un sito che ero stato letteralmente cacciato da Tex perché le mie storie erano state giudicate poco “texiane”, e che addirittura c’era una mia storia che mi avevano fatto interrompere e che giaceva incompiuta in archivio. Puro delirio. L’unico motivo per cui non ho scritto più Tex è che ero troppo impegnato con Nathan Never. E per me che ero lento era un problema scrivere altre 32 tavole al mese per disegnatori veloci come Lettèri! Nathan Never assorbiva tutte le mie energie. Tutto qui, non c’è nessun mistero.

Come ti definiresti in qualità di autore di Tex? Secondo te hai delle attinenze con qualche altro suo autore?
Michele Medda: Non mi sono mai posto il problema, avendo scritto solo due storie!

Tex de Michele MeddaNel corso degli ultimi anni i lettori di Tex hanno visto l’esordio di alcuni nuovi sceneggiatori: accanto ai classici Nizzi e Boselli, sono arrivati autori come Faraci, Manfredi, Segura, Ruju. Compatibilmente con i tuoi impegni, ti piacerebbe scriverne qualche altro episodio o consideri il personaggio creato da G. L. Bonelli solo come una fase passata della tua carriera? C’è la sensazione che tu avessi altre cose da dire, un “altro” west da proporre.
Michele Medda: Non mi sono accostato a Tex con propositi particolari. Ero contento di scriverlo, per me era un onore, tutto qui. A dire il vero, ogni anno mi dico: «Beh, potrei proporre un soggetto per Tex», ma poi ci sono sempre lavori più urgenti… ma chissà che il 2010 non sia l’anno giusto.

DyD 199 FreghieriLa tua collaborazione con Dylan Dog – il personaggio creato da Tiziano Sclavi – continua tuttora. La complessità narrativa dell’Indagatore dell’Incubo è frutto della genialità di Tiziano Sclavi, tuttavia le tue storie hanno una calligrafia riconoscibile, molto apprezzata dai lettori. Il tuo Dylan non tradisce quello sclaviano ma non si rifugia in uno scontato buonismo. Ti riconosci in questa considerazione?
Michele Medda: Premesso che io non mi preoccupo di definirmi (“appena definito mi sento finito”, diceva Silver per bocca di Lupo Alberto), sì, tutto sommato mi riconosco in questa considerazione. Quanto all’apprezzamento dei lettori, a me risulta che le mie storie spaccano in due il pubblico degli appassionati: o sono molto apprezzate o sono proprio detestate. La cosa non turba i miei sonni, comunque.

CaravanDa qualche mese è uscita la miniserie Caravan, pubblicata dalla Bonelli, di cui sei l’ideatore e lo sceneggiatore. La nostra impressione (nel momento in cui scriviamo non è ancora arrivata alla conclusione) è che il mistero della “nuvole nere” sia solo un pretesto – secondo noi, per fortuna – per poter sviscerare i caratteri dei vari personaggi. Alcuni commentatori su internet affermano che i personaggi siano troppo italiani e poco americani. Come rispondi a queste osservazioni?
Michele Medda: Ho rilasciato almeno cinque o sei lunghe interviste in cui presento Caravan, per non parlare degli interventi sul blog: quelli dedicati specificamente alla serie sono una quarantina. Perciò chi legge Caravan ha tutte le delucidazioni possibili, chi non ne ha letto neanche una riga ha comunque la possibilità di farsi un’idea precisa. Ma, a parte questo, non rispondo mai a osservazioni che arrivano dai forum, cioè a domande che non mi vengono rivolte direttamente. Sarebbe come replicare a una scritta fatta su un muro con lo spray.

F. Valdambrini - Caravan nº 3Com’è nato e come si è poi sviluppato il progetto di Caravan? Con Caravan hai spiazzato due volte il pubblico, dapprima presentando una serie assai anticonvenzionale all’interno del panorama bonelliano (personaggi “comuni”, storie a volte minimaliste, nessun utilizzo di armi, ecc.) e in seguito, nel momento in cui si sono diffuse le prime notizie in rete, sconfessando coloro che sostenevano la presenza di palesi riferimenti alla serie TV Jericho. Ti sei reso conto fin da subito che la tua miniserie poteva rappresentare una svolta per la Casa Editrice? Fatta salva l’idea iniziale, Caravan si è modificato via via che procedevi nella stesura degli episodi?
Michele Medda: La genesi di Caravan l’ho raccontata più volte, è un’idea che avevo messo in un cassetto e non pensavo di tirarla fuori. Mi è tornata in mente dopo tanto tempo, tutto qui. Caravan rappresenta una novità nel panorama della casa editrice, ma non una svolta: nessuna delle prossime miniserie avrà caratteristiche simili. Quanto all’evoluzione del progetto, è una serie così complessa che al momento di scrivere il concept era impossibile prevedere come si sarebbe sviluppata. Certo, lo “scheletro” della vicenda è rimasto quello originario: la premessa, gli avvenimenti che riguardano i personaggi principali e il finale non sono mai cambiati dalla prima stesura.

R. De Angelis - Caravan nº 1E’ stata una tua precisa scelta, presa di comune accordo con la redazione, quella di assegnare molti episodi di Caravan ad autori all’esordio per la SBE? La volontà di uniformare e rendere omogeneo al massimo il tratto dei diversi disegnatori non ha forse penalizzato un poco la parte grafica della serie?
Michele Medda: Non c’è stata nessuna volontà di “uniformare” o “rendere omogeneo” il tratto dei disegnatori. A nessuno è stato chiesto di cambiare il proprio segno per adattarlo alla serie. Semplicemente, sono stati selezionati disegnatori con uno stile “realistico” perché la serie è sostanzialmente realistica. E ovviamente la selezione dipendeva dalla situazione del momento, cioè da quali disegnatori erano disponibili quando io ho iniziato a scrivere la serie.

Poco tempo fa, non senza qualche rimpianto, hai confessato di aver messo la parola “fine” a Caravan. Poiché hai da subito negato la possibilità di un seguito, cosa c’è oltre al tuo Nathan Never nel futuro prossimo di Michele Medda? Scriverai ancora per Dylan Dog e comincerai a pensare ad un’altra di quelle miniserie che al giorno d’oggi paiono l’unica ancora di salvezza per il fumetto popolare nel tuo Paese?
Michele Medda: Al momento l’unica cosa certa è una storia per Nathan Never, che dovrebbe uscire abbastanza presto, forse già a fine anno. Per tutto il resto si vedrà.

Stefano Raffaele - Caravan nº 2Quanto tempo impieghi per scrivere una storia? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ricerca di nuovi argomenti, vita familiare?
Michele Medda: Se mi dedico completamente a una sola sceneggiatura, per scriverla impiego poco più di un mese. Il tempo dedicato alle ricerche non è quantificabile. Nel caso di Caravan è stato notevole. Ho orari abbastanza regolari, comunque. Difficilmente scrivo di notte.

Parlaci delle tue incursioni fuori dall’ambito della Sergio Bonelli Editore.
Michele Medda: Non ho fatto molto al di fuori della Sergio Bonelli Editore, e nessuna di quelle esperienze mi ha dato grandi soddisfazioni, a parte collaborare con autori come Stefano Casini e Francesco Artibani. Considero quelle esperienze come un capitolo chiuso, e preferisco non pensarci più.

Stefano Raffaele - Caravan nº 2Dopo aver trascorso 20 anni a scrivere fumetti, è rimasto qualcosa dell’entusiasmo giovanile o ora il tuo è “solo” un lavoro?
Michele Medda: Scrivendo Caravan ho ritrovato un po’ di entusiasmo. Ma credo che l’età d’oro del fumetto in Italia sia finita. Il fumetto è diventato un medium di nicchia, che interessa un numero di persone sempre minore. E anche la qualità del riscontro al nostro lavoro è molto più bassa che in passato. Se è molto difficile leggere buoni fumetti, è quasi impossibile leggere buoni articoli di critica e di storia del fumetto. A parte qualche accademico illuminato come Giulio Giorello, qualche giornalista competente come Luca Raffaelli, l’attenzione dei media per il fumetto è sporadica e superficiale. Il mondo del fumetto vive chiuso in se stesso come dentro una bolla, è un universo autoreferenziale. Ma forse è lo specchio della situazione generale, che vede scarso interesse per la creatività, in qualsiasi forma. Qui in Italia creare – creare qualsiasi cosa: musica, letteratura, fumetti, film – è diventato molto difficile, per non dire quasi impossibile.

Michele MeddaTi piacerebbe scrivere un racconto o un romanzo in prosa? Abbiamo saputo che hai avuto alcuni approcci con il mondo della televisione: ne è nato qualcosa di concreto?
Michele Medda: Ho scritto alcuni racconti, che sono leggibili sul mio sito. Quanto a un romanzo, chissà… In merito a televisione e cinema, dopo un paio di occasioni sfumate e numerosi viaggi a Roma ho deciso di sedermi sulla riva del fiume e aspettare. Se arriverà l’occasione, bene. Se no, pazienza.

Caro Michele Medda, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.

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