Entrevista com o fã e coleccionador: Francisco Batista Bordin

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Francisco Batista BordinPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Francisco Batista Bordin: Nasci no dia 4 de Novembro de 1978, em Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil e trabalho numa empresa que vende ferramentas e máquinas, tendo trabalhado anteriormente 14 anos numa gráfica, entendendo por isso um pouco de como as revistas do Tex são impressas, pois nessa gráfica tínhamos máquinas vindas da Itália.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Francisco Batista Bordin: Desde novo que via o meu pai e tios lendo essas revistas e eu não sabia ler ainda, mas já gostava dos desenhos Hoje gosto de tudo nas revistas do Tex.

Parte da colecção de Francisco Batista BordinQuando descobriu Tex?
Francisco Batista Bordin: O meu pai e os meus tios tinham várias revistas quando morávamos na periferia, depois mudamo-nos para o centro da cidade e o meu pai parou de ler. Passados os anos, cresci e certo dia um vizinho mostrou-me duas revistas do Tex (as quais comprei dele e tenho até hoje) e através destas duas revistas lembrei-me do passado e então não parei mais de comprar Tex. Por coincidência uma das revistas tinha desenhos do grande Claudio Villa, desenhos esses que pareciam fotos. Desde então não parei mais de ler Tex.

Francisco Batista Bordin e os seus Tex'sPorquê esta paixão por Tex?
Francisco Batista Bordin: Acho que o principal motivo são os desenhos tão perfeitos que os desenhadores sabem fazer, mas o desenrolar da história também é muito bom, aliado ao facto de Tex lutar sempre pelo triunfo do bem.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Francisco Batista Bordin: As histórias de Tex parecem ser reais e a gente parece entrar na história e sentir o que as personagens sentem em cada cena. Quando eu li a história de Tex em que Jack Tigre perde a sua parceira, parecia que eu estava a acompanhá-lo na busca da sua amada e senti  também a dor que ele sentiu quando soube que ela se suicidou. Foi muito triste…

Parte da colecção de Francisco Batista BordinQual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Francisco Batista Bordin: Nunca contei, mas tenho muitas repetidas e edições especiais também. As mais importantes são duas revistas com histórias muito boas: Os Fanáticos do Tigre Negro e Vingança de Índia. Perdi a conta de quantas vezes eu li essas histórias…

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Francisco Batista Bordin: Só revistas.

Francisco Batista Bordin no leito com TexQual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Francisco Batista Bordin: O revólver dele 😉

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Francisco Batista Bordin: As melhores história de todas são Os fanáticos do Tigre Negro e Vingança de Índia. Melhores desenhadores, com certeza Claudio Villa e depois Giovanni Ticci.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Francisco Batista Bordin: Tudo em Tex agrada-me, o que não me agrada nas revistas de Tex são os desenhos do Fernando Fusco que (não levem a mal) parecem uns rabiscos…

Parte da colecção de Francisco Batista BordinEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Francisco Batista Bordin: As histórias que têm um desenvolvimento muito bom, mas penso que principalmente os desenhos também agradam muito os leitores, como no meu caso.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Francisco Batista Bordin: Não.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Francisco Batista Bordin: Tenho medo de no futuro os editores de Tex não terem mais histórias do Ranger para publicar e Tex correr o risco de acabar, mas tomara que isso nunca aconteça!

Prezado pard Francisco Batista Bordin, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Na cidade de Stradella (Itália) – Guido Nolitta: um autor para três heróis. Tex Willer, Zagor e Mister No em confronto nos roteiros de Sergio Bonelli

Zagor, Tex e Mister No em Stradella

Decorre no Município de Stradella, província de Pavia (Itália), de 8 a 16 de Maio, a segunda edição da manifestação Oltrecomics – Fumetti in Oltrepò (cujo desenho realizado por Roberto Diso para o cartaz mostra Tex, Zagor e Mister No e se pode ver acima), que compreende uma grande mostra intitulada Guido Nolitta: um autor para três heróis. Tex Willer, Zagor e Mister No em confronto nos roteiros de Sergio Bonelli.

Mostra com exposição de fotos e desenhos, páginas originais e páginas de roteiros, que decorre na Sala da Cultura do Palácio Municipal e que foi inaugurada pelo próprio editor Sergio Bonelli (nas suas vestes de roteirista com o pseudónimo de Guido Nolitta) e que contou com a presença de dois outros ilustres convidados: os desenhadores Gallieno Ferri (criador gráfico de Zagor) e Roberto Diso (desenhador de Tex e Mister No).

Ver na mesma ocasião Sergio Bonelli, nome histórico e autor cult da banda desenhada italiana, com os seus dois principais colaboradores na realização das mais importantes personagens criadas por ele, é  uma ocasião rara, mas o blogue do Tex esteve presente no evento através do nosso correspondente na Itália, Marco Corbetta, que através das suas fotografias nos mostra a todos, os momentos vividos em Stradella, na mostra dedicada a Sergio Bonelli:

Publicidade ao eventoCartaz do evento
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Sergio Bonelli discursando, com Diso, Ferri e Burattini escutando-oSergio Bonelli cortando a fita
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Tex por Galleppini, Tex e Carson por Civitelli e Zagor, Tex e Mister No por Roberto DisoRoberto Diso, Sergio Bonelli, Moreno Burattini e o presidente do município de Stradella
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Sergio Bonelli visitando a mostra dedicada a eleSergio Bonelli na mostra dedicada a ele
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A exposiçãoA exposição
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Sergio Bonelli admirando a exposiçãoSergio Bonelli admirando a exposição
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Roberto DisoGallieno Ferri
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Páginas originaisMister No na Amazónia
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Sergio BonelliZagor
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Mister NoSergio Bonelli e Gallieno Ferri sendo entrevistados pela TV
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Panorâmica do exteriorSergio Bonelli à cata de preciosidades na feira externa
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Gallieno FerriRoberto Diso
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Ferri, Diso e Bonelli autografandoFerri, Buratinni e Diso
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Sergio Bonelli e Moreno BurattiniSergio Bonelli
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A plateiaA plateia
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Galliano Ferri e o galardão ganhoRoberto Diso e o galardão ganho
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Moreno Burattini e o galardão ganhoSergio Bonelli e as flores recebidas
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O traço sintético em Tex

Por Sandro Palmas [1]

Os irmãos CESTARO

O Tex dos irmãos CestaroNos últimos anos temos assistido a uma proliferação de desenhadores da linha “suja” ou de traço extremamente sintético à “Giraud”. Dos cerca de 27 artistas que compõem actualmente a equipa de Tex,  são pelo menos seis os que assinalamos nesta arte que divide muitos defensores do traço clássico e “limpo” que pontualmente criticam, por vezes ferozmente, esta abordagem na concepção da sua personagem favorita. Um dos casos mais marcantes é aquele dos talentosos irmãos Cestaro, que em nome de uma originalidade finalmente conseguida, encontraram no fim de contas o seu Tex dando-lhe um traço rico e essencial ao mesmo tempo, quase mordaz, que muito difere das linhas harmónicas e limpas, que tinham caracterizado as suas primeiras provas texianas.

Alfonso FONT

O Tex de Alfonso FontFont é talvez o autor que melhor exemplifica a extremização representada pelo sintético. O seu é um traço deliberadamente impreciso e ao mesmo tempo vibrante e espaçoso, quase espontâneo. Os defensores olham com razão para o virtuosismo das suas páginas, a originalidade dos seus temas, a capacidade inata de controlar o espaço em branco do papel , à notável  veia criativa na representação dos ambientes e das pessoas. Os críticos não escondem a sua aversão pelo seu modo de desenhar Tex e os seus pards: nenhum cuidado especial aos detalhes, escassa aderência ao modelo clássico, traços somáticos quase apresenta quase simiescos ou de todo improváveis na iconografia texiana!

Corrado MASTANTUONO

O Tex de Corrado Mastantuono“Filho” artisticamente de Font, Mastantuono Tex fez a sua estreia em Tex com uma edição especial que arrancou muitos aplausos e confirmou o seu talento com a recente história sobre os guerrilheiros do Missouri, escrita para ele por Mauro Boselli. Traço muito sintético, como pode ser visto também na vinheta aqui ao lado, mas no todo muito mais ordenado do que a linha hispânica representada por Font e Bernet, e por isto muito mais agradável. Uma ideia de moderno que não quer ser em suma uma clara ruptura com o passado: é o mesmo discurso que a meu parecer pode ser feito para os irmãos Cestaro. Na definição das formas Mastantuono nunca é lapidar, distingue-se por um equilíbrio figurativo que o faz defender-se bem dos detractores desta arte.

Giovanni TICCI

O Tex de Giovanni TicciParece quase desrespeitoso incluir Ticci no nome dos autores desta linha. O seu traço quente e acolhedor, amado por gerações, foi durante longos anos o “cânone”. Infelizmente, nos últimos anos, no que muitos consideram ser uma evolução natural do seu traço, levou-o para longe daquele desenho realista, que tinha caracterizado as suas primeiras histórias. O mestre não está vinculado a qualquer um, é um autor completo, livre…  e afinal de contas, há trinta anos atrás “inovava”! As suas páginas actuais mostram para os profissionais, um sincretismo sem igual, uma linha expressionista-sintética, no melhor sentido da palavra. As páginas em antestreia do número 600, intitulado “I demoni del Nord” (“Os demónios do Norte“), que chega às bancas italiano em Outubro próximo, mostram um ulterior passo em frente, infelizmente com uma exasperação do claro-escuro que poderá resultar em última instância, e eu espero estar enganado, somente confuso. Uma “simplificação” que faz ter saudades da solidez das figuras do passado.

José ORTIZ

O Tex de José OrtizO traço de Ortiz não é mais aquele de há vinte anos atrás. Vamos ser claros, o que está errado com este autor que soube fazer-se bem querer há muitos anos atrás com o seu belíssimo Tex Gigante, são as quarenta páginas que desenha a cada mês e isso, obviamente, em detrimento de uma qualidade nas páginas de Tex que nunca deve faltar . Sei bem que esta minha crítica não será bem aceite por muitos leitores do blogue do Tex. Também conta muito, como com Ticci, a idade. Mas não pode e não deve ser uma desculpa. O desenho sintético parece assim uma natural consequência, mais do que um estilo “hispânico” querido e exportado para todo o mundo. Na sua arte ilustrativa e modeladora de outrora reconhecida a nível mundial, constatamos hoje o choque do trabalho que não é debitado à sua longa experiência e habilidade. Que não engane a imagem inserida ao lado, uma das melhores do último Maxi Tex, cuidadosamente escolhida a partir de uma ampla gama de vinhetas literalmente absurdas. Esperamo-lo no próximo mês com a história “Oltre il fiume” que trará o regresso de Cão Amarelo esperando que não nos obrigue a esconder o nosso embaraço ao compará-la com a obra-prima Bonelliana/Ticciana “Gli eroi di Devil Pass“. Cúmplices também os textos do último Claudio Nizzi…

[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 1 de Maio de 2010)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco

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Tex Willer por André Caliman

André Caliman, natural de São Paulo, Brasil, onde nasceu em 1986 é o autor da bela homenagem feita a Tex Willer por ocasião do seu sexagésimo aniversário, que o blogue do Tex dá hoje a conhecer:

O Tex de André Caliman

Mas antes fiquemos a conhecer um pouco mais do André, ele que foi seduzido por Príncipe Valente e depois por Tex, já que o preto e branco destas duas séries fascinava-o, para se tornar naquilo que já é hoje:  Apesar de jovem, André Caliman é já um conceituado banda desenhista que teve  a sua primeira publicação na revista independente Quadrinhópole (http://www.quadrinhopole.com/), editando e desenhando a personagem Jason de Ely – Undeadman, escrita por Leonardo Melo, tendo também colaborado com outras histórias. Em seguida, lançou a revista Avenida, junto com os autores e amigos Rui Silveira e Wellington Marçal. Actualmente trabalha com banda desenhada para o mercado brasileiro e americano. Em Julho deste ano, na San Diego Comic Con será lançada a série ELF, escrita por Jason Avery e desenhada pelo André:

ELF - A capaELF - Página interior
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ELF - Página interiorAndré Caliman
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