Entrevista exclusiva: GIANCARLO MALAGUTTI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Giancarlo Malagutti por Bira DantasComecemos com alguns dados biográficos de apresentação aos visitantes do nosso blogue.
Giancarlo Malagutti: Em resumo, eu nasci em Virgilio, Mantova (Itália), num dia de Abril de 1955. Eu fazia BD e, depois de um período como publicitário, voltei a fazer (mas agora só as minhas). Para comer e pagar as contas eu ilustro livros e manuais técnicos, escrevo livros de culinária e outras coisinhas.

Quais foram as suas leituras de BD na infância e adolescência?
Giancarlo Malagutti: Nossa, parece secção de psicanálise, mas se a alguém interessa, na infância eu li poucos quadradinhos, era mais direccionado (acho que não por minha vontade) a livros infantis. A minha escola tinha uma biblioteca rica, com todos os títulos clássicos para jovens. Mas por volta dos 7/8 anos os meus pais fizeram assinatura do Messaggero dei Ragazzi (Mensageiro dos Jovens), uma revista quinzenal que publicava bom material franco-belga. Eu me lembro de personagens como Moky e Poupy, Tony Laflamme, Jim e Heppy, que hoje, em idade respeitável, estou a comprar de novo, nas reedições das Editions du Triomphe. Aparentemente são histórias um pouco ingénuas mas muito bem feitas, se bem que a minha opinião sobre elas é viciada em razão de tê-las guardado na minha memória no período “nostalgia”. Depois, aos 9 anos, durante umas férias em Abruzzo (terra da qual tenho recordações fantásticas, tanto do lugar quanto das pessoas), descobri Blek Macigno, Capitão Miki e sobretudo Zagor. E um dia, no porão daquela casa de férias, achei uma caixa com Diabolik, Kriminal e Satanik. Para um garotinho essas aventuras adultas (hoje coisa de estudantes do ensino básico) exerciam uma força de atracção fortíssima. Adolescente, já a conhecer (e tentar fazer) BD, eu lia de tudo porque pensava ser uma postura de profissional. Em todo caso, eu construí uma memória histórica sobre a BD que me permite conhecer – e às vezes escrever – sobre o assunto, além de me ter permitido conhecer pessoalmente muitos autores hoje infelizmente falecidos. Em 1969 chegou Alan Ford e foi um caso de amor.

Giancarlo Malagutti por GalepVocê teve a sorte de conhecer os criadores de Tex, tanto que Galep lhe fez um retrato para ilustrar uma biografia sua. Pode nos dizer em que circunstâncias você conheceu Galep e Gian Luigi Bonelli e como eram os “pais” de Tex?
Giancarlo Malagutti: Sorte é o termo exacto porque esses dois senhores eram verdadeiros gigantes da BD (e não só isso), faziam algo importante e eram de uma simplicidade extraordinária. Conheci Galep em Milão, numa famosa loja de belas artes na região de Brera (Academia de Belas Artes) onde os banda desenhistas iam comprar os pincéis Windor & Newton, papel Schoeller e outras coisas. Eu vi aquele senhor a desenhar um Tex para um dos balconistas – sempre que ia à redacção em Milão, Galep ia se abastecer de material naquela loja e fazia dedicatórias e desenhos. Daquela vez eu não tive coragem de me apresentar, eu era um jovem que ia àquela loja porque começava a ser profissional. Em seguida eu o revi na Bonelli (então Araldo) e Raffaele Cormio nos apresentou. Galep, cavalheiro como era, deu-me conselhos, palavras de encorajamento e uma tira original de uma sequência de Tex que ele havia refeito. Um dia eu lhe pedi, timidamente, se poderia fazer um pequeno retrato meu para ilustrar a minha biografia numa (infame) BD que estava para ser publicada. O seu desenho enobreceria a publicação. Poucos dias depois eu recebi um envelope e, com emoção, vi que o desenho estava ali.
Até o seu falecimento, de vez em quando nós conversávamos ou nos víamos ocasionalmente em alguma manifestação. Podemos dizer que a figura humana rivaliza com a artística. O mesmo vale para G. L. Bonelli, que também me foi apresentado por Cormio. Fiquei fortemente impressionado com aquele homem e, algum tempo depois, eu lhe solicitei um encontro para uma entrevista, por intermédio de Cormio. Confesso que eu não participava de nenhuma revista ou fanzine, mas sabia que publicaria a entrevista em algum lugar (mais tarde parte da entrevista foi publicada numa edição especial da ANAF sobre os 30 anos de Tex). Bonelli recebeu-me no seu estúdio, cheio de livros e revistas sobre o Oeste que atiçavam a minha gula. Ele era um monstro sagrado dos quadradinhos e, apesar de ter diante de si um garoto, ele agiu como se tivesse à sua frente Enzo Biagi (decano dos jornalistas italianos, 1920-2007). Vista a minha forte paixão e bom conhecimento dos quadradinhos em geral e dos dele em particular (as leituras de várias BD havia sido útil), ele se soltou num rio de fascinantes recordações e relatos sobre Tex, o Oeste e a sua própria vida, não menos aventurosa que a de Tex.
Hoje, na era da Internet, é difícil de acreditar, mas na época pouco se sabia dos bastidores, e foi ele a revelar-me que Guido Nolitta era o seu filho Sergio, por quem nutria um enorme afecto e que considerava muito melhor que ele ao escrever histórias mais introspectivas e humorísticas. Ele (G. L.) não saberia administrar aquela “coisa” (Chico), tanto que, quando segurou o timão de Zagor por um breve período, ele fazia Chico ser sequestrado ou se afastar com várias desculpas. Naquele momento ele estava a trabalhar em dois roteiros de Tex e, com o auxílio de uma régua e de um mapa da América do Norte, estava a calcular o tempo que Tex levaria para percorrer uma certa trilha. Em outro havia uma mulher e ele disse que não estava satisfeito, porque usava poucas personagens femininas e, quando o fazia, elas prejudicavam a fluidez da história. Se havia um vilão misterioso, era fácil deduzir que seria a moça. Ele citou um exemplo de A Volta do Dragão (no Brasil, Tex 85/87), em cuja história – também segundo ele – o suspense policial era fraco porque o leitor, pelas razões acima, deduzia rápido demais. Na minha opinião essa foi uma história belíssima e, a citar Milton Caniff, podemos dizer que o leitor quase sempre deduz como vai acabar, o jogo está em impressioná-lo, conduzi-lo por percursos incomuns com criatividade, inventividade e habilidade. E habilidade G. L. tinha de sobra. Ele também tinha uma visão muito lúcida de seu valor e de seu trabalho, ele sabia que escrevia para um grupo enorme de leitores e jamais se deixou levar por diálogos do próprio umbigo ou que expressassem de forma explícita as suas próprias convicções sociais ou políticas. A certa altura ele mostrou-me o seu roteiro para o filme de Tex, do qual já se falava há algum tempo, e ele mostrava-se bastante incomodado porque o projecto andava a passos lentos e porque, além do argumento ter sido alterado, os actores sugeridos não tinham absolutamente nada a ver. Ele mencionou alguns nomes e estava totalmente certo. Antes de encerrar o encontro, ele deu-me de presente uma BD de sua autoria com uma dedicatória decididamente bonelliana e algumas páginas de um antigo roteiro de Tex com os seus esboços. Páginas que há anos eu procuro no meu estúdio mas que sabe-se lá onde os Gremlins dos livros as esconderam.

Um jovem MalaguttiVocê exerceu a actividade profissional como desenhador. Quais foram os autores que mais o influenciaram?
Giancarlo Malagutti: Quando se é jovem, se é influenciado por todos (céus, ainda hoje ao ver um belo desenho eu quero estudá-lo). No início, como todos os da minha geração, o farol foi Magnus, depois Galep, Ferri, Ticci, Lettèri e todos aqueles das BD que eu lia. Em seguida, quando comecei a trabalhar no estúdio de Giorgio Montorio e ele me fez conhecer os grandes mestres, comecei a estudar Alex Raymond, Hal Foster, Dan Barry e, como Giorgio tinha uma verdadeira idolatria por ele, o Leonard Starr de Mary Perkins. Por fazer muitas coisas diferentes, de histórias livres a edições em formato pequeno, geralmente eu me afeiçoava a um autor recém-descoberto que servia de inspiração. Creio que oscilei de Ferri a Tibet, de Joe Kubert a Alessandrini, que (porque eu sabia que tínhamos quase a mesma idade) eu “odiava” porque ele era óptimo e eu um “bronco”. Em seguida, por saber que não tinha um estilo de desenho “michelangiolesco” (ou “raymondiano”), eu passei para uma linha clara, apesar de continuar a admirar autores do traço mais “sujo”, Joe Kubert acima de todos. A parafrasear Beppe Viola (jornalista e escritor italiano, 1939-1982), “eu aceitaria ter febre de 37,2º por toda a vida em troca da mão de Mastantuono“.

Zagor ao estilo Ferriano por MalaguttiVocê teve uma formação artística? De que tipo?
Giancarlo Malagutti: Se por formação artística entendemos a escolar, não, eu não tive porque frequentei o instituto técnico (electrónica), disciplina muito distante de um desenhador (inclusive de BD) mas útil na vida porque ainda hoje sei mexer numa instalação eléctrica ou consertar um electrodoméstico. Porém, desde criança, por demonstrar tendências artísticas, eu fui ajudado tanto em família quanto na escola com sugestões, materiais e brinquedos didácticos voltados ao desenho. Além disso, por uma bela coincidência, eu era cercado por pessoas com alto teor artístico, na minha rua moravam meninos e meninas, poucos anos mais velhos, dotados de habilidades artísticas (e depois todos frequentaram a escola de artes) e eu, menino de poucos anos, recebia conselhos e ajuda sobre como desenhar.

Zagor em estilo Ferriano por MalaguttiO que é para si a Banda Desenhada, como linguagem e como experiência profissional?
Giancarlo Malagutti: Sobre a BD como mídia se expressaram pessoas bem mais capacitadas do que eu que, como modesto operador do sector, posso apenas dizer que creio ser uma mídia que tem a dignidade das demais e também creio que, no futuro, entre naturais altos e baixos, continuará a existir também em outros meios, não necessariamente apenas em papel ou em forma digital. Pessoalmente, os quadradinhos são uma linguagem que senti como minha e com a qual me era (e ainda é) mais fácil me comunicar. Um meio expressivo que não exige muitos meios e nem o auxílio de terceiros para a sua realização. Para poder comunicar alguma coisa (bem ou mal), bastam algumas folhas de papel, um pincel ou uma hidrocor. Como experiência profissional ela permitiu-me poder fazer as coisas de que eu gostava e, com uma frase batida, ser pago para fazer o que eu gosto. Por ser criado numa pequena cidade de província, onde outros meios de expressão eram menos acessíveis, a BD permitiu-me poder realizar uma necessidade comunicativa.
Ilustração para um livro de fábulasTivesse eu nascido em Roma, talvez pudesse me voltar para o cinema. Infelizmente a BD italiana não investiu (e não investe) em jovens e em ideias, não existem editores (nem grandes, nem pequenos) que tenham essa coragem. É muito mais fácil comprar no exterior e traduzir. Uma visão míope, visto que nenhum deles, além do (pouco) dinheiro imediato, jamais terá um pacote de histórias para no futuro reutilizar em reimpressões, propostas para outras mídias, etc. Os franceses estão certos em vir às compras entre os nossos autores, eles publicam muitas coisas novas, experimentam, analisam o mercado. No nosso País apenas Bonelli continua a tentar novos produtos e pode se permitir escolher o melhor. Ele tem o enorme mérito de ser uma pessoa correcta e leal com os seus colaboradores, enquanto outros chamados “capitães de indústria”, num regime de quase total monopólio, aproveitariam para explorar os autores e impor pagamentos baixos. Bonelli continua a respeitar os compromissos. E não é pouca coisa.

Stampede, série westernEm 1973 você fez o lápis de alguns episódios publicados na revista Horror. Com quais autores você trabalhou?
Giancarlo Malagutti: Eu trabalhei para a Horror mas não tive trabalhos publicados na Horror. Quando comecei a frequentar o estúdio de Giorgio Montorio, ele colaborava com a Editora Astorina, de Gino Sansoni, e levava adiante a série Teddy Bob e histórias curtas para a revista Horror. Eu comecei a fazer alguma coisa nas páginas dele e, por bondade dele, também a fazer algumas páginas a lápis que depois ele ajeitava e fazia a arte-final. Mas em razão dos prazos técnicos, quando concluí essas minhas primeiras páginas, a revista deixou de ser publicada, e o meu trabalho foi deslocado para a Super Vip (herdeira de Horror) e para a Horror Pocket. Eu não me lembro do nome de roteiristas que forneciam os argumentos, excepto Alfredo Castelli, que era um mito para mim, que era fã do Scheletrino (Esqueletinho). É provável que hoje alguns desses roteiristas sejam famosos. Eu teria que ver nas edições (que não tenho) porque há alguns anos, tomado por uma violenta crise de rejeição, joguei fora todas as minhas colecções, o que inclui os meus trabalhos. Depois, no último período antes que Sansoni pulasse fora, nós fornecíamos histórias completas, texto e desenhos.

Malagutti e Truscia no Verão de 1982 a desenharem no tremEm seguida você desenhou histórias para adultos para Renzo Barbieri e Giorgio Cavedon. O que lhe ficou daquela experiência?
Giancarlo Malagutti: Pouco ou nada. Não porque eu queira renegar o passado, não sou tão hipócrita assim, mas é que, apesar de ter feito uma quantidade notável de páginas para essas edições em formato pequeno, eu sinto que nunca trabalhei a sério de forma a sentir como trabalhos meus. Explico melhor: a colaboração com a Edifumetto de Renzo Barbieri começou quando Pier Carpi, que queria ressuscitar Teddy Bob, criou o Solitário Boy, convidou Montorio como desenhador natural e eu participei como sempre dos quadradinhos de Giorgio. Por alguma razão a série não foi em frente, saiu apenas um número, mas Barbieri queria que a colaboração continuasse e deu-nos outros roteiros para as edições sexy-horror, que naqueles anos vendiam muito bem, as histórias eram boas e os desenhos bem feitos. Eu me lembro bem apenas da primeira, uma história de escravos e zumbis ambientada no Século XIX americano (bem leve, alguns nus, linguagem correcta, hoje seria coisa para todas os públicos) que, para ser feita, eu e Giorgio levamos mais de dois meses em busca de material de documentação. Essa foi a última na qual trabalhamos com o espírito dos “velhos tempos”, o mundo estava a mudar. Podemos até ter feito outras, mas eu não me recordo. De todo modo, logo em seguida eu parti para o serviço militar e, ao voltar, Giorgio desenhava Diabolik.
Capa western dos anos 80As outras páginas eu fiz anos depois em dupla com Manlio Truscia, mas era ele quem fazia os contactos e contratos com os editores. Truscia, sempre atrasado, pedia ajuda e nós começávamos a desenhar páginas e mais páginas, muitas vezes eu nem sabia de qual série, visto que as histórias eram todas parecidas. Em todo caso, o período foi muito formativo, com Montorio eu aprendi a seriedade e o respeito pelo editor e pelas datas de entrega, com Truscia a velocidade, o não ficar ansioso e saber trabalhar em qualquer lugar e em qualquer situação (até no trem). No último período, com Truscia, nós fazíamos uma edição em 24 horas (texto, desenho e legendagem). Alguém poderia contestar e afirmar que era coisa mal feita. Negativo! Apesar de feitas com a velocidade da luz, tinham qualidade suficiente, muitas vezes mais que boa. Nós tínhamos as condições técnicas e mentais, e a coisa saía fácil. Mas o momento mágico das histórias sexy (com ideias) havia passado e, para enfrentar a concorrência das revistas fotográficas e do nascente mercado das fitas de vídeo XXX, a BD agonizava e se nivelava por baixo. Na época, a BD erótica era considerada, no melhor dos casos, lixo (ou até pior) e quem trabalhava nela era um pobretão (se jovem) ou um falido (se mais velho), mas era um óptimo treinamento que forjou e maturou belos profissionais. Quem dera existissem hoje essas publicações e essa alta produção de revistas. O engraçado (ou trágico) é que, quando a BD entrou na crise do início dos anos 80, os mais ferozes denegridores (limitado aos banda desenhistas) fizeram fila para entrar nesse sector.

Legs, anos 90Também encontramos a sua assinatura nas séries da Editora Universo. Depois de tantos anos, como você julga aqueles trabalhos?
Giancarlo Malagutti: Também esses (assim como as edições de formato pequeno) eram, para usar um termo gasto, “trabalhos alimentares”. No início dos anos 70 eu e Montorio éramos bem detalhistas, passávamos horas numa biblioteca a consultar livros para achar a documentação ideal, mas depois o entusiasmo se apagou. Por vários motivos. Trabalhos mais interessantes haviam surgido, o relacionamento com a editora era difícil, quase sempre o pagamento era atrasado e depois, como eu disse, os tempos haviam mudado, nós tínhamos uma inflação com dois zeros, o preço do petróleo estava nas estrelas, o custo de vida aumentava exponencialmente mas os pagamentos não. Aí começamos a produzir com mais velocidade, de modo mais industrial e, desse modo, as recordações e as emoções se fixam menos na memória.
Giancarlo Malagutti no seu estúdioPara dar um exemplo, na primeira metade dos anos 70 nós (Montorio e eu) produzíamos uma história para Barbieri num mês e meio ou dois, e 12 páginas para o Intrépido em um mês. Na segunda metade da década (Truscia e eu), a mesma quantidade de páginas (mas Giorgio também teve que acelerar) em dois ou três dias e às vezes em um dia (noite incluída). Mas nós éramos jovens, nos divertíamos, e ainda tínhamos um monte de sonhos e esperanças. O julgamento sobre os (nossos) trabalhos é razoável, para alguns até óptimo quando o roteiro permitia. Mas foi um período (para nós e também para os quadradinhos) muito importante, havia muito trabalho e se acumulava experiência. As séries eram em quantidade – e, com Truscia, de forma alternada, fizemos várias histórias para Adamo, publicação da Editora Corno no estilo de revistas Monello, Lanciostory e outras do tipo. Para Adamo nós fizemos 4 ou 5 (não me lembro mais) séries diferentes com estilos diferentes.

Malagutti no seu estúdioQuando você começou a colaboração com Sergio Zaniboni – a fazer a arte-final no lápis feito por ele – imaginava a sua transformação de desenhador a roteirista?
Giancarlo Malagutti: A colaboração começou com Diabolik, Zaniboni era um dos desenhadores da série. Enquanto eu fazia o serviço militar Montorio havia sido procurado pelas irmãs Giussani, havia começado a colaboração com Diabolik, e tornou-se arte-finalista (o que ainda hoje faz muito bem). Ao retornar procurei trabalho, mas era um período difícil, várias editoras (sobretudo as menores) preferiam passar as actividades redaccionais àquelas que se chamavam “as agências”, estúdios de intermediação administradas por pessoas mais ou menos capazes e mais ou menos honestas que se encarregavam de fornecer uma certa quantidade de páginas mensais e aliviavam a redacção dos contactos com os autores. Ao se buscar trabalho, acabava-se quase inevitavelmente por ser direccionado a uma dessas agências. Os pagamentos eram extremamente baixos, o agente (eu teria outros termos, mas posso ser processado) retinha de 50 a 80 por cento. Nessas condições eu preferi voltar ao estúdio com Montorio, o que ele me dava era dado com honestidade. Comecei a fazer arte-final (principalmente em cenas de fundo) para Facciolo, Bozzoli, Zaniboni.
Giancarlo MalaguttiOs traços a lápis de Facciolo e Bozzoli eram muito bonitos, limpos e fáceis de arte-finalizar mas (não me queiram mal) quando chegavam os de Zaniboni era um espectáculo. Entre muitas cenas eu me recordo de um acidente automobilístico que Zaniboni fez em sequência após fotografar automóveis em miniatura e uma Eva Kant vestida de freira de uma beleza de tirar o fôlego. Nós fazíamos fotocópias das páginas a lápis porque o nanquim alteraria os desenhos, as indicações das irmãs Giussani eram para sintetizar os traços, usar um branco e preto mais seco. Elas enchiam as bordas das páginas com várias indicações para “corrigir” os traços a lápis segundo o gosto delas. Afinar as canelas de Eva e reduzir os seios eram indicações padrão. Geralmente Eva usava trajes ou colantes pretos e ao repassar a nanquim (ou preencher espaços com preto) eu divertia-me em aumentar (só um pouco) os seios e ninguém percebia. O meu sonho era (e acho que até consegui) desenhar na mesinha de cabeceira do quarto de Eva e Diabolik uma embalagem de pílulas anticoncepcionais. De volta à pergunta, foi ali que comecei a roteirizar de forma profissional, no sentido de que eu era pago para fazer isso. Isso também aconteceu por acaso, numa das tantas vezes que fui à redacção entregar as páginas às irmãs, e elas, provavelmente em atraso com os prazos, perguntaram se eu sabia fazer roteiros (imediatamente eu disse que sim) e quanto tempo eu levava.
Giancarlo Malagutti no seu estúdioEu só havia feito coisas para mim e não tinha uma tabela profissional, mas recordei-me de ter lido que Luciano Secchi afirmou fazer um roteiro de Alan Ford em 12/14 horas e Sergio (Nolitta) Bonelli 50/70 páginas num domingo à tarde a ouvir os jogos de futebol no rádio. E disparei: “2 dias”. Imaginei que as irmãs Giussani tivessem pensado que tinham à frente um fanfarrão que devia ser colocado à prova e ridicularizado e saí com um argumento embaixo do braço. Os argumentos de Diabolik são sempre bem completos e muito detalhados, eu arregacei as mangas (o trabalho mais pesado eram os diálogos) e dois dias depois entrei na redacção com as 120 páginas. As duas senhoras desejaram ler enquanto eu esperava e, excepto por coisas que elas mudariam de qualquer jeito, o aprovaram. Ali eu entendi que, se você escreve sobre personagens de outros, se demora um ano ou um dia, se fica com úlcera pelo stress, o criador da série sempre achará sequências que ele (ou ela) faria de outro modo e que, por isso, estão “erradas”. Muitas vezes ouvi desabafos de roteiristas que, depois de suar por meses numa história, ao entregá-la recebem reprimendas. Eu sabia que o que eu entregava às irmãs não era o máximo, e elas também sabiam, mas eu fazia em dois dias e depois elas tinham o mês inteiro para aparar, limpar, rescrever.

Exercício Texiano dos anos 70Porque você abandonou o desenho em favor dos roteiros?
Giancarlo Malagutti: Por um motivo simples: com roteiros ganhava-se bem e, diferente dos desenhos, você pode escrever em qualquer lugar, no bar ou na praia, e nos desenhos deve-se ficar grudado à prancheta. Fazer BD é contar e, com os textos, você conta de forma mais fácil e mais rápida. E depois, honestamente, não é que eu fosse um grande artista, cada coisa que eu desenhava custava um esforço muito grande, fazer um certo número de páginas por mês exige uma constância e muitas horas de aplicação diária.
O Kit Carson de Giancarlo MalaguttiÉ duro repetir que eram outros tempos, mas na época se rivalizava com desenhadores que produziam uma ou duas páginas por dia e outros até mais, enquanto que eu tinha tempos de trabalho mais próximos aos de hoje, em que um desenhador faz 5 páginas por mês. Aqui mesmo no blogue muitas vezes se faz comparações entre os “velhos” e os “novos”. O Galep (como outros) dos bons tempos era rápido, detalhista, era um talento, uma força da natureza. O espaço de reacção cérebro-mão era próximo do zero. Eu, como muitos desenhadores de hoje, trabalhava (e trabalho) a construir a figura e a cena, a clarear, a limpar, a deixá-la repousar. Um trabalho longo que hoje posso me permitir porque trabalho com produtos meus, sem pressões para entrega.

AdamDe quais séries suas (criação e roteiro) você se recorda com mais prazer?
Giancarlo Malagutti: Eu fiz poucas séries minhas. Lembro-me com prazer de “Os Repórteres”, publicada na revista Orient Express, tanto pelos desenhos esplêndidos de Zaniboni quanto pelo gosto de roteirizar no estilo de séries de TV, apesar do trabalho não ter sido muito apreciado, mas a série, no meu ponto de vista, mereceria um pouco mais. Mas é o editor quem paga e, por isso, decide. Depois houve uma série de derivação japonesa, a Princesa Safira que, como tantas outras que fiz nos anos 80, foi encomendada sem qualquer indicação de como deveria se desenvolver a aventura ou a psicologia das personagens. Para essa série disseram-nos que havia essa princesa que se vestia de homem para não perder o trono e que dois servos do rei tentavam desmascará-la para tirá-la do trono. Assim os protagonistas tornaram-se os vilões (tipo Oliver Hardy e Stan Laurel) com a criatividade de Willy Coiote, que arquitectava os truques mais elaborados para desmascarar a princesinha (que, quando estava em dificuldades, recorria – de forma cómoda – à magia de um anjo da guarda). No fim os vilões perdiam mas ganhavam a simpatia porque eram eles a agir. Anos depois eu soube que os leitores escreviam enfurecidos à revista porque essa (e outras séries) não se parecia com os desenhos animados da TV. Por fim, sou muito ligado a uma personagem inédita, Adam, feita com Manlio Truscia. Uma BD que teve uma gestação e um desenvolvimento mais aventurosos e criativos que a própria história, como se pode ler na apresentação (de 30 páginas) inserida na publicação.

Manlio Truscia e Giancarlo Malagutti com Júlio Schneider e os desenhos de Tex e AdamComo você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore?
Giancarlo Malagutti: Eu era uma criança. Um dia um amigo do meu pai pegou alguns desenhos meus e andou pelas editoras milanesas. Imagino que tenha sido desencorajado em todas as que entrou e mostrou as folhas, mas por sorte ele também bateu na porta da Araldo que, na época, ficava na rua Francesco Ferruccio. Ele ligou-me para dizer que um senhor gentil (Raffaele Cormio) havia dado juízos positivos e que estava disponível para um encontro. Voei para lá. Cormio recebeu-me com muita gentileza, tinha sobre a sua mesa muitas das BD que estavam a ser produzidas. Eu recordo-me das magníficas capas de Ferri para Zagor. Ele deu-me muitos conselhos, julgou com muita honestidade aqueles meus trabalhos imaturos mas – vista a minha grande paixão – convidou-me a continuar e a levar-lhe os desenhos que eu faria. No fundo eu ainda era uma criança, lembro-me que faltavam poucos dias para completar catorze anos. Ele (assim como Bonelli e Galep mais tarde) não me deixou sair sem presentear-me algumas edições e material profissional para desenho.
O Tex de Giancarlo MalaguttiEm seguida, eu ia mostrar as minhas coisas com uma certa frequência. Possivelmente ele viu melhoramentos, porque um dia aconselhou-me a procurar um desenhador profissional (se possível, na minha região) para ser seu “aprendiz”. Eu lembro-me que na escola havia ouvido falar de um desenhador de quadradinhos que morava em Mantova. Com uma verdadeira odisseia (amigos de amigos do cunhado da porteira que ia à escola com o sobrinho da padeira vizinha da casa do primo de…) eu cheguei à casa do “inominado” (essa só Montorio pode entender), que disse-me que não fazia BD profissionalmente mas deu-me o endereço de quem fazia: Giorgio Montorio. Incrivelmente Giorgio morava e trabalhava numa cidade próxima, a dois quilómetros da minha casa. Isso tudo para dar a ideia de como fazer quadradinhos era um trabalho anónimo.

La palude de Giancarlo MalaguttiComo foi a sua abordagem ao Martin Mystère de Alfredo Castelli?
Giancarlo Malagutti: Como fã de Castelli, eu divertia-me com o seu Esqueletinho, com as histórias na revista Horror, no Corriere dei Ragazzi e no Il Giornalino, mas não o conhecia, não sabia nem mesmo que rosto tinha; além disso, na metade dos anos 70 ela havia meio que sumido. Um dia comprei o novo exemplar de WOW (o belo fanzine de Luigi F. Bona) que continha uma entrevista de Castelli, na qual ele finalmente dizia coisas que eu (e não só) pensava sobre os quadradinhos mas que não tinha coragem de dizer. Eu liguei a ele naquela mesma tarde e, depois das apresentações e elogios, acabamos por falar de trabalho, “o que você faz, onde foi publicado, etc.”. Ele disse que estava de volta a escrever, dessa vez para Bonelli, e que estava a produzir roteiros para a personagem Mister No, que se eu lhe mandasse alguma coisa para ver e, se agradasse a Bonelli, daria para fazer alguma coisa. Eu reuni algumas fotocópias dos últimos trabalhos feitos com Montorio para a Universo e mandei. Recebi uma resposta positiva e um roteiro. Nesse meio tempo eu havia me mudado para Milão e Giorgio acabou a desenhar sozinho.
Malagutti sentado no estúdioEm Milão eu encontrava-me com frequência com Castelli, ele estava a preparar Martin Mystère, que era a versão bonellianamente seriada de Allan Quatermain, desenhada por Busticchi e publicada alguns anos antes na revista Supergulp da Mondadori, para a qual eu havia desenhado uma versão infantil do Homem-Aranha. Castelli falava-me dessa personagem em gestação, não sei se já tinha o nome de Martin Mystère ou se ainda era Doc Robinson, ele tinha óptimas ideias sobre como desenvolver o roteiro (ideias que Sclavi desenvolveria muito bem anos depois em Dylan Dog), eu gostava de ouvir, mas ele dizia que Bonelli preferiria com uma abordagem mais clássica. O que não impediu a MM de ser o separador de águas, o passo à frente entre o “velho” e o “novo”, e graças a ele mais tarde foi possível chegar às séries de hoje. De todo modo, como o projecto avançava e Castelli buscava possíveis colaborações, pediu-me para colocar no papel umas ideias e aceitou aquela de Mister Mind e dos Scanners. História que saiu três anos depois – mas havia sido escrita ao mesmo tempo em que saíram os dois primeiros números – com uma simples colaboração minha no texto; mas ao dar uma examinada no roteiro, vi que ela foi alterada nas partes de sempre e na maturação da personagem. Isso não é uma crítica, Castelli sempre se mostrou muito disponível e generoso.

Júlio Schneider e Giancarlo Malagutti em versão mafiosoPor que motivo você deixou – por um certo período – o trabalho com BD?
Giancarlo Malagutti: Oh, céus! 1982 foi o ano em que trabalhei por demais, mas não é que os editores se disputassem à chapada para ter a minha mão de obra. Eu estava cansado, não parecia mas eu fazia BD, respirava BD, comia BD há muitos anos, desde a minha adolescência e primeira maturidade. Eu estava numa overdose. E desmoralizado: aquilo em que eu acreditava não havia prosseguido, o que eu gostaria de fazer (por exemplo, roteirizar Zagor), e que até fazia bem (Francesco Coniglio interveio muito por mim), não conseguia obter, aí larguei tudo. Parti para os Estados Unidos para uma das minhas longas férias que me servem de “descompressão” quando estou estourado. De volta, encontrei o mundo da editoria de BD num estado pior do que quando eu havia partido. Naquela época em Milão proliferavam as agências publicitárias, graças ao enorme incremento de trabalho devido ao advento da TV comercial (n.t.: na Itália até a metade dos anos 70 só havia a TV estatal, e a TV comercial começou a crescer nos anos 80). Depois de fazer alguma coisa voltei a Mantova, território virgem, e abri um estúdio publicitário. Consegui grandes clientes, de quem cuidei da publicidade por vários anos. Mas não abandonei por completo a BD (primeiro amor) e, naqueles anos, eu e Truscia levamos a cabo o projecto Adam, fiz muita publicidade por meio da mídia BD, fiz um suplemento em quadradinhos com assinaturas prestigiosas, entre as quais inclusive Silver, de Lobo Alberto, para a Gazeta de Mantova.
Consegui até um pré-contrato para a versão em quadradinhos de Toby Peters, o detective criado por Stuart Kaminsky, mas como não havia as revistas contenitore (revistas com matérias e personagens variadas), a coisa não foi em frente. Nos anos 80 não faltavam financiadores, assim eu projectei duas revistas em quadradinhos – ainda tenho o esboço em algum canto – e as despesas seriam suportadas com publicidade nas próprias revistas. Mas também aquelas ideias não foram adiante, os banda desenhistas ainda estavam acostumados a um preço por página, era difícil fazer com que entendessem um pagamento em percentual. Eu entendo o trabalho por encomenda, mas quando se deseja publicar uma ideia própria, deve-se arriscar um pouco; não me recordo quem disse que “se você não está disposto a se arriscar por suas ideias, ou a ideia não vale nada ou você não vale nada“.

Mathias e AnnaNa sua página da enciclopédia on-line Wikipedia fala-se da sua nova personagem, Mathias. Pode nos falar dela?
Giancarlo Malagutti: Com prazer. A série Mathias aborda as aventuras de duas crianças, Mathias e Anna. Mathias encontra Anna na montanha onde ela vai passar as férias com os avós, e aqui começam as aventuras com um toque fantástico. Por enquanto o meu projecto desenvolve-se em 9 edições, aventuras de 44 páginas cada, com histórias auto conclusivas mas que, lidas na ordem (têm um desenvolvimento temporal), dão uma ideia melhor das personagens.
Mathias e Anna por Giancarlo MalaguttiEu quis ambientar na Itália mas trata-se de locações famosas ou lugares que podem ser encontrados em qualquer parte do mundo. São crianças aventurosas mas não fazem coisas mirabolantes; divertidas e inesperadas talvez, mas não absurdas. Para mim as crianças devem viver aventuras de crianças e desenvolver-se de modo real. Por exemplo, elas não ficam fora de casa à noite e não vão à cidade ou a estados vizinhos para resolver casos que nem a CIA resolveria. Eu sempre acreditei que se pode escrever histórias sem mandar a campo a destruição do mundo ou homicídios em série. Para pessoas normais já é um drama não conseguir pagar a prestação da casa. E aqui, por tratar-se de crianças, a violência não existe, ou melhor, há a prepotência, não a violência. Eu não a levarei à Bonelli, não é o estilo da Editora. E também dizem que Sergio não gosta de BD com crianças.

Desenhando MathiasComo é o seu processo de criação? Você faz uma página completa e depois passa a outra? E quais são seus instrumentos de trabalho?
Giancarlo Malagutti: Eu devo dividir as experiências em segmentos temporais tão diferentes um do outro que, às vezes, me parece ter vivido vidas diferentes. No início, com Montorio, a coisa ia devagar, nós discutíamos, parávamos para tomar café e relaxar, depois, com Truscia, horas de trabalho frenético, em casa, no carro, no elevador, antes de tocar a campainha da editora. O procedimento era, devo dizer, genial, porque a tendência era de acelerar no final, quando o prazo apertava (e na editora isso é sabido), e nós superávamos o obstáculo assim: dividíamos a história em três ou quatro blocos e começávamos pelo último, para depois ir para o segundo, e aí para o primeiro e o terceiro. Desse modo as últimas páginas “feitas às pressas” misturavam-se às do meio da história e era mais difícil alguém detectar erros. Hoje, como a única BD que desenho é a do meu Mathias, faço uma abordagem mais projectada.
Desenhando MathiasUma vez pensada a ideia e acumulados livros e revistas sobre o tema a tratar, eu esboço um argumento por pontos que tenha um desenvolvimento em forma de história. Depois faço um roteiro em forma de storyboard com cenas esboçadas, alguns diálogos nos pontos chaves ou algumas anotações, se me vem uma ideia que considero boa. Começo a desenhar a partir da primeira página, de modo que a história se crie e desenvolva diante dos meus olhos. Se algo me cria problemas ou não me satisfaz, eu pulo, mas deixo os quadros já modulados. Enquanto desenho (não creio que é só comigo que acontece) vejo a história se desenvolver melhor, sinto as personagens viver e me vêem situações e diálogos nos quais “a frio”, enquanto eu escrevia o roteiro, eu não havia pensado. Geralmente acontece de passar dias inteiros a procurar uma roupa particular, um certo móvel, um objecto de decoração. Por exemplo, se a cena acontece na casa de um “vilão” que eu vejo como um novo rico com pouco gosto estético, a decoração será sobrecarregada de objectos – os novos ricos adoram o barroco, o excesso, a mistura de estilos.
Desenhando...Isso não faz de mim um fanático pelo realismo a qualquer custo, também não coloco a torre de Pisa em Arezzo, mas não vou procurar o poste de luz correcto para aquela rua ou cidade. Se eu faço uma história ambientada em Veneza, estudo a arquitectura, as janelas em estilo mouro, as chaminés particulares, mas depois, ao desenhar, faço um mix, busco dar o clima. O cinema se permite invenções incríveis para as locações, porque na BD se deve estar vinculado a um realismo sem sentido? E depois, se eu coloco um vilão (um mau carácter) numa certa casa, o dono – ou quem mora ali – ao reconhecê-la pode se aborrecer e até me processar. Não se pode dizer que uma hora isso não aconteça. Tecnicamente eu desenho com simples canetas hidrocores macias Pilot numa cartolina branca comum. Meus originais são cheios de decalques, colagens e cenas refeitas. Elaborada a página, muitas vezes faço cenas à parte e depois passo para a “montagem”. É frequente que me sobrem quadros que não posso usar. Para mim a BD vive na forma impressa, o original é só um estágio intermediário entre a ideia e o quiosque.

E desenhando...Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Segue horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, leituras, informação, ócio, vida familiar?
Giancarlo Malagutti: Como se pode captar do que foi dito até agora, eu não tenho uma estatística, mas se tomar como parâmetro Mathias, digamos que posso fazer uma página a cada 3 ou 4 dias. Em todo caso, para completar uma história de 44 páginas, inclusive legendagem e capa, levo cerca de um ano. Em razão de questões familiares, só consigo trabalhar à tarde e depois do jantar, e, apesar de ser uma espécie de urso eremita, mantenho um mínimo de vida social. Se por ócio se entende ficar sentado ou esticado sem fazer nada, não tenho tempo, mal consigo ler os jornais. Eu relaxo a cozinhar (mesmo porque é necessário) e à noite, mesmo se estou cansado, não deixo de ler um pouco. A TV é tão chata que, à excepção de alguns bons filmes e seriados (House, The Shields), ela dificilmente me atrai.

Estudo para um futuro álbum de MathiasComo você analisa a evolução da sua carreira?
Giancarlo Malagutti: O meu espírito minimalista me levaria a dizer que é uma “involução”. Quando comecei eu tinha muitas ambições e sonhos, evidentemente nem todos realizados, mas no passar dos anos eu pude satisfazer outros. Eu sempre tive um espírito anárquico e pouco interessado em dinheiro ou fama (que, de modo superficial, gozo de forma imerecida, meu nome digitado na Internet dá várias respostas). Eu fiz muitas BDs, algumas boas e outras que devem ser esquecidas, sempre preferi histórias minhas, mesmo as menores, mas das quais pudesse conservar os direitos e sobretudo pudesse desenvolvê-las como eu queria: “porque desperdiçar a vida para realizar os sonhos dos outros?“, diz Orson Welles/Vincent D’Onofrio a Ed Wood/Johnny Depp no filme Ed Wood. Essa pode ser a minha filosofia de vida. Além de fazer o que quero, não ter quem me diga como fazer, também há a vantagem económica, porque também nas pequenas coisas se recebem os direitos de autor. A evolução eu vejo positiva só no facto de que abandonei a ansiedade da folha branca e ainda consigo me divertir bastante em fazer BD. Muitas vezes escrevi (e às vezes desenhei) páginas que saíram com nomes de outros (ajuda a amigos em dificuldade). Eu entendi o que sente um falsário quando está diante de um quadro seu num museu, enquanto os críticos se soltam em elogios exagerados.

Estudo para um futuro álbum de MathiasQuais são os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Giancarlo Malagutti: Relativamente à BD, vista também a condição actual, não tenho projectos imediatos. Por alguns anos eu levarei em frente o projecto Mathias, estou a iniciar agora o quinto episódio. Na “gaveta”, entre as várias ideias mais ou menos em estado avançado, há uma que eu gostaria de levar em frente, uma ideia que comecei a desenvolver há dois ou três anos, quando um amigo me disse que Sergio Bonelli buscava ideias para suas novas mini-séries. Elaborei sinopse, argumento e parte do roteiro (e também com esboços das personagens, velho costume de desenhador), mas quando o mesmo amigo informou-me que na escrivaninha do editor haviam chovido às dezenas, poupei Bonelli do esforço de ler também a minha. No curto prazo, tenho contratos para ilustrar volumes de arqueologia, aos quais me dedicarei contemporaneamente a Mathias.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 1Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Hoje que você é um autor afirmado, gostaria de trabalhar com Tex? Por acaso já lhe foi proposto?
Giancarlo Malagutti: Tex representa um ponto de prestígio para qualquer um que faça o meu trabalho, eu mentiria se dissesse que não ficaria lisonjeado com tal proposta, mas honestamente eu creio que não estou à altura. Desafios são sempre um grande atractivo, mas seria difícil. Quando vejo o Tex mensal com esses desenhadores fantásticos, eu me sinto inadequado. Há alguns anos eu tive uma certa convivência com Magnus, ele havia recém-saído da Editora Corno, buscava uma dimensão própria, ainda não havia pensado em O Desconhecido e nem em suas outras obras pessoais. O sonho dele era fazer uma BD de grande formato, no estilo Flash Gordon (depois ele fez Milady e tirou ideias dessas publicações, a primeira cena da primeira página é uma homenagem clara a Flash Gordon, a imagem foi tirada de forma propositada de um desenho de Alex Raymond), ele admirava extasiado os volumes da Editora Nerbini que eu lhe levava. Inevitavelmente acabávamos a falar do que gostaríamos de fazer, e às vezes a conversa girava para Tex. Ele dizia que jamais poderia desenhá-lo, um pouco porque tinha uma admiração enorme pelo desenho suave e fluído de Galep (ao começar a ser desenhador, Magnus admirava os desenhadores de Vittorioso) e se sentia inadequado (!) com seu desenho “borrachudo”. Para ele Tex eram 4 homens em 4 trajes de faroeste, com 4 (e mais) revólveres sobre 4 cavalos. Um trabalho, sempre na opinião dele, imenso – e, de facto, quando depois fez Tex, isso lhe tomou um tempo enorme. Para nossa sorte, ele não abriu mão do desafio. Então, em conclusão, por não ser Magnus, eu não tenho balas na agulha o suficiente para pôr-me a desenhar. Mas a conversa seria outra para os roteiros.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 2O que significaria para si escrever ou desenhar histórias de uma lenda dos quadradinhos como Tex?
Giancarlo Malagutti: Vale o que respondi à pergunta anterior, mas como a distância entre mim e um hipotético roteiro para Tex é abissal, podemos falar por puro exercício dialéctico. Sim, seria interessante, embora eu me considere meio velho para ter a flexibilidade de me moldar ao modelo de escrita de outros, que exige capacidade notável, e que é feito muito bem pelos actuais roteiristas. Mas como é puro exercício intelectual, posso dizer que, há uns três ou quatro anos, na época do Natal, eu cuidava do meu pai no hospital e tinha longos períodos de inactividade; aí comecei a escrever (sabe-se lá porque) uma história de Tex e Lilith. Uma aventura situada no período que G. L. Bonelli jamais desenvolveu, a do pós-casamento. Porque o fiz eu não sei, talvez porque, assim como na pintura, às vezes vem a vontade de fazer “do jeito de outro”, só para se testar. Eu escrevi o argumento e algumas páginas de roteiro. Lilith tinha um papel importante de companheira não relegada a segundo plano e, embora eu tenha respeitado o estilo narrativo, tinha um quê de “texianamente romântico”. Depois eu a esqueci, e voltou-me à mente quando saiu “Na Trilha das Recordações”. Eu a reli para ver se havia pontos em comum, mas a minha é diferente e, digo para mim mesmo, não é ruim. O argumento, por não ter sido usado, podia interessar a Sergio Bonelli? Num momento de pouca lucidez eu pensei em mandar a ele, até com a velada sugestão de fazer uma história para ser publicada no período do Dia dos Namorados. Ainda bem que pensei melhor, Bonelli foi poupado (sei que Sergio é um não-violento, mas é melhor não arriscar) e a história jaz no meu computador.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 3Na sua opinião, quem ou o quê é Tex?
Giancarlo Malagutti: Para responder, eu devo me desdobrar como leitor e como banda desenhista. Como leitor considero uma perfeita forma de entretenimento, eu gosto de saber que, quando pego uma revista, sei o que lerei e que ele não me trairá. Quando leio críticas (legítimas), não as entendo. Por apenas dois Euros e setenta Tex oferece-me um momento de entretenimento agradável que podemos comparar a um bom filme. Às vezes pode acontecer de alguma história agradar menos, mas devemos nos perguntar se a história é fraca ou somos nós que, naquele momento, estamos indispostos. A aproximação a Tex ocorre por volta dos 12/15 anos, ainda se é ingénuo, o espírito ainda é virgem, cheio de sonhos. Depois cresce-se, a vida coloca-nos diante de tantas situações às vezes boas, às vezes não, a emoção das primeiras vezes pode não ser a mesma. A nossa companheira (ou esposa) pode não nos fazer mais palpitar, gaguejar e suar frio como na primeira vez que a convidamos para jantar, mas nem por isso não a amamos mais. Pessoalmente, quando comecei a ler Tex, a série estava por volta dos números 100-110 e, para mim, esses são os mais bonitos. Eu lembro-me que Montorio me dizia que ele quase não o lia mais porque não era o mesmo Tex da sua juventude (os anos 50). Cada um é ligado a um período. Isso traz-me à mente um belo filme com Gérard Philipe, Les belles de nuit (n.t.: na Itália, As Belas da Noite; em Portugal, O Vagabundo dos Sonhos; no Brasil, Esta Noite é Minha), no qual Gérard, de volta a várias épocas históricas, sempre encontra um velhote que se lamenta, com saudade dos bons e velhos tempos.

DueloO que lhe agrada mais e o que lhe agrada menos no Ranger?
Giancarlo Malagutti: Se entendemos o Ranger como personagem e não como série, eu vejo-o extremamente bem caracterizado, com uma identificação muito forte. Não há o que me desagrada porque, assim como alguém da família, sempre se sabe o que Tex dirá e como reagirá. Pessoalmente não gosto das histórias mágicas ou de terror, se bem que aquelas com Morisco, que costumam ter uma base científica, eu aprecio. Sou mais amante das tramas clássicas, “Tex chega e surra o vilão da vez”. O único senão, se posso dizer, é que não gosto que as mulheres sejam relegadas a papéis marginais e sempre sejam destinadas a acabar mal. Quando vejo mulheres no início de uma história eu não gosto, porque sei que no final ela, boa ou má que seja, acabará assassinada. No lugar delas eu diria “não, obrigada, vou ficar em casa porque sei que vou acabar mal“. E, para ser mais audacioso, eu daria um netinho a Tex. É uma das poucas personagens italianas (senão a única) que tem um filho; um neto não abalaria tanto o esquema narrativo. Ver Carson dar uma de vovô seria divertido. Conheço todas as contestações, da mais banal do tipo “todos os vilões o sequestrariam” (banal no sentido de que, se fosse assim, todo mundo que tivesse um papel importante na vida não deveria procriar) à mais lógica, de que um bebé daria a medida do tempo que passa. A não ser que ele fosse cristalizado com a idade de 3 a 5 anos.

RodeoVocê acha que Tex mudou nos últimos anos? Sob quais aspectos?
Giancarlo Malagutti: Mudanças houve e são evidentes, mas no geral aconteceram no anel externo; o coração, a psicologia, a estrutura de base da personagem permaneceram inalterados. Mesmo quando ele teve que passar a outras mãos e outras personalidades diferentes de G. L. Bonelli. Há quem reclame que ele tenha se rendido um pouco demais ao politicamente correcto, mas essa evolução é natural. E deve-se pensar também em quem dele se aproxima pela primeira vez, nos jovens que poderiam não ter a estrutura mental e cultural para entender. O desenho é o que sofreu as mudanças mais evidentes, tornou-se mais amplo, passou da suavidade clássica de Galep a uma esquematização moderna na dimensão épica que lhe deu Ticci. Os últimos desenhadores souberam conjugar esses dois estilos numa “terceira versão”, moderna e clássica ao mesmo tempo.

Em sua opinião, o que faz de Tex o ícone que é?
Giancarlo Malagutti: Creio que se entenda ícone como estrutura de personagem, não como ícone-imagem. Essa última – estranhamente para uma BD – é menos forte que a primeira. É verdade que, nos últimos anos, insistiu-se na camisa amarela (e o logótipo de Tex sempre é amarelo), mas ele não tem os padrões clássicos de reconhecimento típicos dos quadradinhos como Zagor ou Super-homem, com seus trajes chamativos. Provavelmente isso deve-se ao facto de que Tex é uma personagem mais adulta, baseia-se na personalidade forte e não necessita de reconhecimento imediato. Ele torna-se um ícone gráfico quando tem Carson ao seu lado ou quando todos os quatro pards estão juntos, as duas ou quatro figuras são visualizadas como uma marca. A personagem, talvez, seja mais icónica. A sua personalidade é forte (porque G. L. Bonelli era forte), isso o fez passar incólume e vencedor pelos anos e pelas modas. Tex é um invólucro, um perímetro fechado, quase um universo paralelo onde pode acontecer de tudo, onde é possível desenvolver temas modernos e de grande actualidade (mesmo políticos) filtrados pela mitificação e cristalizados no tempo e no passado.

SaloonPara concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Giancarlo Malagutti: Contradigo em parte o que eu disse sobre o desejo do netinho e digo que se, em minha modesta opinião, ele continuar a mover-se sobre seus sólidos trilhos narrativos, Tex permanecerá para sempre. Ou não se continuam a recitar Shakespeare ou Goldoni? Os clássicos ficam para a eternidade e Tex é um clássico. Não por acaso é lido pelos jovens e pelos menos jovens, por quem o descobriu em 1948 e por quem só o fez ontem no quiosque ou na biblioteca do pai. O único risco é que se queira mudá-lo para seguir a moda (geralmente efémera) do momento, o que abalaria seu carácter e, comercialmente, seria desastroso, porque perderia os velhos leitores e não conquistaria novos. Mas com Sergio Bonelli no timão isso dificilmente acontecerá.

Álbum Mathias, volume 2Que quadradinhos você lê actualmente e com quais mais se identifica?
Giancarlo Malagutti: Eu sempre tive atracção por quadradinhos experimentais, mesmo que às vezes sejam por demais umbilicais e (infelizmente) com desenhos amadoríssimos. Neste momento estou voltado à produção franco-belga, estou a reler todos os clássicos (e não) dos anos 50 e 80, entre os quais Alix, Lefranc, Corentin e a obra-prima que é Gil Jourdan. Entre os novos um esplêndido volume que acabei de receber, um álbum duplo, Elle, de Fanny Montgermont. Uma história muito poética e lindamente desenhada. Graças a Deus não sofro de disposofobia – há anos eu esperava poder usar esse termo (n.t.: medo patológico de jogar alguma coisa fora) – por isso não guardo, eu leio e presenteio ou jogo fora. Desse modo, muitas vezes eu redescubro e releio as mesmas coisas depois de anos. Também sou atraído por BDs menores e busco explorar aquelas de países que geralmente não são considerados pátrias de quadradinhos. Neste momento estou com um monte de comics alemães, holandeses e de todos os países do norte da Europa, há publicações de qualidade, bem feitas, com óptimos desenhadores (é mais difícil julgar os textos, em razão da língua). Quando quero relaxar, dou um mergulho no passado e releio um Zagor dos anos Sessenta, um velho Alan Ford ou um álbum qualquer de Goscinny.

Tex e Adam por Manlio TrusciaComo você explica o facto de que as melhores séries de faroeste (Tex, Blueberry, Comanche ou Lucky Luke, por exemplo, se bem que este último em estilo humorístico) sejam todas de origem europeia?
Giancarlo Malagutti: Do ponto de vista estético, concordo que na Europa se produzem os melhores filmes e quadradinhos de faroeste (ao menos nas últimas três décadas), mas talvez na Europa só tenhamos feito uma bela estética, porque à distância – tanto histórica quanto física – do oeste americano, nós estacionamos numa ideia do oeste que retomava aquele clássico de Ford ou Hawks. Nas BDs (se excluirmos Blueberry e Ken Parker) o discurso é mais ou menos semelhante, nós nunca aprofundamos temas sociais e psicológicos diferentes, o nosso Oeste é uma cristalização de mitos visuais e históricos, sempre situado no tempo entre 1870 e 1880. Para os americanos o Oeste é o próprio passado, é a História, e por isso eles variam muito mais, no tempo e nas temáticas. A BD americana é muito indústria e o tema faroeste, hoje, não está na moda mas – devido ao alto profissionalismo dos seus banda desenhistas – creio que em caso de retorno do faroeste, eles saberiam sacar produtos excelentes. No cinema eles sabem desenfornar alguns produtos óptimos. Ultimamente eu tenho visto alguns belos faroestes com temas muito distantes daquele mais clássico, tipo Monte Walsh (n.t.: no Brasil, O Último Cowboy) e Hidalgo (n.t.: no Brasil, Mar de Fogo).

Homenagem ao Tenente BlueberryA propósito, como nasceu a ideia de homenagear o Tenente Blueberry?
Giancarlo Malagutti: Mais que uma homenagem, era uma brincadeira. Uma gag sobre a proliferação de títulos nascidos “por osmose” sobre o passado, a juventude, o período militar, o menino, o “e se?”, e tudo o mais que se queira. Não tenho nada contra isso, são até divertidos e dão emprego. Tecnicamente nasceu do facto que a Editora Glenat publicava um preview de suas edições, um belo álbum cartonado em cores, com um suplemento que continha homenagens irónicas aos quadradinhos franco-belgas; eu montei a minha ideia mas quando a levei, por ocasião de uma mostra Bologna Bookfair, o preview havia se encerrado no quarto numero. Aí eu mostrei a página aos amigos franceses da Hop! que, muito gentilmente (é uma revista de crítica, não de propostas), a publicaram. Para meu grande prazer.

Hop!Além de BD, quais livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Giancarlo Malagutti: Pode não interessar a ninguém, mas eu tenho uma verdadeira aversão por tudo que é apresentado como o livro do momento, o filme que rendeu mais, etc., e por isso estou sempre atrasado em relação aos modismos. Aos poucos eu interessei-me por ensaios e biografias de personagens históricas. Neste momento estou a ler sobre o brigantaggio (n.t.: banditismo) nas regiões do sul da Itália depois da unificação do Estado italiano. Argumento, situações, grau de violência e locações que nada têm a invejar em relação ao Oeste e que seria interessante para uma mini-série bonelliana. Eu gosto do cinema que conta uma história, mesmo minimalista, tipo The Indian Runner, de Sean Penn (n.t.: na Itália, Lobo Solitário; no Brasil, Unidos Pelo Sangue; em Portugal, União de Sangue), e não se baseia somente em efeitos especiais e meia dúzia de frases de efeito padronizadas. Tenho a impressão de que, na grande parte, são filmes feitos para adolescentes, embora sejam produtos óptimos. O meu sobrinho de seis anos fez-me ver Bedtime Stories, em DVD da Disney (n.t.: na Itália, Histórias Encantadas; em Portugal, Histórias Para Adormecer; no Brasil, Um Faz de Conta Que Acontece). É muito divertido. Na minha opinião, a produção actual da TV está muito à frente em temas e linguagem, enquanto que o cinema limitou-se a se infantilizar. Ao menos a TV estadunidense, porque sobre certas produções italianas eu jogaria um véu piedoso (à exclusão de Montalbano), Steven Bocho passa batido por aqui, a sua obra, técnica e inovações da TV praticamente não são estudadas e aplicadas pelos directores e roteiristas italianos. Sobre música, eu ouço de tudo (nos limites da decência) com uma preferência pelo rock progressivo dos anos 70, mas há quem faça coisas boas hoje, como as bandas Finisterre ou Ainur. E do belo Portugal eu acabei de comprar a discografia de Go Graal Blues Band (blues rock). E, também graças a Portugal, conheci a discografia de Patrizia di Malta.

Bem, chegamos ao fim. Há mais alguma coisa que gostaria de dizer? Algo que não lhe foi perguntado e que gostaria que nossos leitores soubessem?
Giancarlo Malagutti: Creio que já os aborreci o suficiente.

Caro Giancarlo Malagutti, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu.
Giancarlo Malagutti: Obrigado a vocês, foi um prazer.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Intervista esclusiva: GIANCARLO MALLAGUTTI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Giancarlo Malagutti por Bira DantasIniziamo con alcuni cenni biografici per presentarti agli utenti del nostro blog.
Giancarlo Malagutti: Telegrafico: sono nato a Virgilio, Mantova, un giorno d’aprile del 1955. Facevo fumetti, dopo un periodo come pubblicitario ho ripreso a farli (solo i miei ora). Per mangiare e pagare le fatture illustro libri e manuali tecnici, scrivo libri di cucina e altre cosette.

Quali sono state le tue letture fumettistiche nell’infanzia e adolescenza?
Giancarlo Malagutti: Cavolo, roba da seduta psicanalitica, ma se a qualcuno interessa, nell’infanzia ho letto ben pochi fumetti, sono stato più indirizzato (non credo per mia volontà) verso i libri per l’infanzia. La mia scuola aveva una biblioteca ben fornita di tutti i classici titoli per ragazzi. Però attorno ai 7/8 anni i miei mi fecero l’abbonamento al Messaggero dei Ragazzi, un quindicinale che pubblicava buon materiale franco-belga. Ricordo personaggi come Moky e Poupy, Tony Laflamme, Jim e Heppy che oggi, in età veneranda, sto ricomperando nelle ristampe delle Editions du Triomphe. Sono, apparentemente, storie un po’ ingenue però molto ben fatte ma il mio giudizio su loro è sospeso perché viziato dall’averle, nella mia memoria, collocate nel periodo nostalgia. Successivamente, a 9 anni, durante una vacanza in Abruzzo (terra della quale ho splendidi ricordi sia del luogo che della gente), scoprii Blek Macigno, Capitan Miki e soprattutto Zagor. E un giorno nella cantina di quella casa delle vacanze trovai uno scatola con Diabolik, Kriminal e Satanik. Queste avventure adulte (oggi roba da educande) possedevano per me ragazzino una forza d’attrazione fortissima. Da adolescente avendo già iniziato a frequentare (e tentare di fare) fumetti leggevo di tutto perché supponevo fosse un atteggiamento da professionisti. In ogni caso mi sono costruito una memoria storica sul fumetto che mi permette di conoscere, e a volte scrivere, sull’argomento oltre che aver potuto conoscere personalmente molti autori oggi, purtroppo, scomparsi. Nel 1969 arrivò Alan Ford e fu amore.

Giancarlo Malagutti por GalepHai avuto la fortuna di conoscere i creatori di Tex, tant’è vero che Galep ha disegnato un tuo ritratto per illustrare una biografia tua. Puoi dirci in quale circostanza hai conosciuto Galep e Gian Luigi Bonelli e com’erano i “padri” di Tex?
Giancarlo Malagutti: Fortuna è proprio il termine esatto perché questi due Signori erano dei veri giganti del fumetto (e non solo), facevano qualcosa di importante ed erano di una semplicità disarmante. Galep lo conobbi a Milano in un famoso negozio di belle arti dalle parti di Brera (Accademia di Belle Arti) dove i fumettari andavano a comperare i pennelli Windor & Newton, carta Schoeller a quant’altro. Vidi questo signore che stava schizzando un Tex per uno dei commessi – Galep ogni volta che andava a Milano in redazione passava poi a rifornirsi di materiale in questo negozio e si concedeva per dediche e disegni. Quella volta non ebbi il coraggio di presentarmi, ero un ragazzetto che andava in quel negozio perché faceva professionista. Successivamente lo rividi in Bonelli (Araldo) e mi fu presentato da Raffaele Cormio. Galep gentiluomo quale era mi regalò consigli, parole di incoraggiamento e una striscia originale di una sequenza di Tex che aveva rifatto. Un giorno gli chiesi, timidamente, se avesse avuto voglia di farmi un ritrattino per corredare la mia bio su un mio (infame) fumetto che stava per essere pubblicato. Il suo disegno avrebbe nobilitato la pubblicazione. Non passarono molti giorni che ricevetti una busta e, con emozione, vi trovai il disegno.
Fino alla sua scomparsa ogni tanto ci si sentiva o ci si vedeva occasionalmente a qualche manifestazione. Possiamo dire che la statura umana rivaleggiava con quella artistica. Stesso discorso vale per G. L. Bonelli, anche lui presentatomi da Cormio. Restai fortemente impressionato da quell’uomo e qualche tempo dopo chiesi, con i buoni uffici di Cormio, un incontro per una intervista. Devo confessare che non avevo alcun giornale o fanzine alle spalle ma sapevo che da qualche parte l’avrei pubblicata (poi smembrata fu usata per uno speciale ANAF sui 30 anni di Tex). Bonelli mi ricevette nel suo studio privato, pieno di bei libri e riviste sul West che mi ingolosivano. Lui era un mostro sacro del fumetto e benché si trovasse davanti un ragazzotto si comportò come se avesse di fronte Enzo Biagi (decano dei giornalisti italiani, 1920-2007). Vista la mia forte passione e buona conoscenza del fumetto in genere e del suo in particolare (la letture di tanti fumetti era servita) si lasciò andare ad un fiume di affascinanti ricordi e racconti su Tex, il West e la sua vita, non meno avventurosa di quella di Tex.
Oggi, in epoca internet, è difficile crederlo ma allora poco si sapeva del dietro le quinte e fu lui a rivelarmi che Guido Nolitta era suo figlio Sergio per il quale nutriva un forte affetto e che riteneva molto più bravo di lui nello scrivere storie più introspettive e umoristiche. Lui (G. L.) quel “coso” li (il Cico) non lo avrebbe saputo gestire, infatti quando prese in mano Zagor per un breve periodo, Cico lo faceva rapire o allontanare con scuse varie. In quel momento stava lavorando su un paio di sceneggiature di Tex e, con l’aiuto di un righello e una mappa del Nord America, stava calcolando il tempo che avrebbe impiegato Tex per percorrere una certa pista. Nell’altra c’era una donna, mi disse di non essere soddisfatto perché personaggi femminili ne utilizzava pochi e quando c’erano, secondo lui, pregiudicavano la fluidità della storia. Se c’era un cattivo misterioso era facile intuire che fosse la ragazza. Mi citò ad esempio Il ritorno del drago (Tex #109 et segg.) nella quale storia, sempre secondo lui, la chiave gialla era debole in quanto il lettore, per i motivi di cui sopra, intuiva troppo velocemente.
A mio parere quella è una bellissima storia e, citando Milton Caniff, potremmo dire, il lettore intuisce spesso come andrà a finire, l’abilità è stupirlo conducendolo con creatività, inventiva e abilità per percorsi inusuali. E G. L. Bonelli di abilità ne aveva da vendere. Aveva anche una visione molto lucida del suo valore e del suo lavoro, lui sapeva di scrivere per un bacino di lettori enorme e mai si è lasciato andare a dialoghi ombelicali o che esprimessero esplicitamente le sue convinzioni sociali o politiche. A un certo punto mi mostrò la sua sceneggiatura per il film su Tex, del quale si parlava da tempo, ed era piuttosto infastidito perché il progetto segnava il passo e che, oltre a cambiargli il soggetto, gli proponevano interpreti assolutamente improbabili – fece alcuni nomi e aveva assolutamente ragione. Mi congedò non prima di avermi fatto dono di un volume di un suo fumetto con dedica decisamente bonelliana e alcune pagine di una sua vecchia sceneggiatura di Tex con i suoi schizzi. Pagine che da anni ricerco nel mio studio, chissà dove i Gremlins dei libri le hanno nascoste.

Um jovem MalaguttiHai intrapreso l’attività professionale come disegnatore: quali sono gli autori che più ti hanno influenzato?
Giancarlo Malagutti: Da giovani si viene influenzati da tutti (Oddio, a me capita ancora oggi di vedere un bel disegno e volerlo studiare). All’inizio, come tutti quelli della mia generazione, il faro è stato Magnus, poi Galep, Ferri, Ticci, Lettèri e tutti quelli dei fumetti che leggevo. In seguito, quando ho cominciato a lavorare in studio da Giorgio Montorio, lui mi fece conoscere i grandi maestri, cominciai allora a studiare Alex Raymond, Hal Foster, Dan Barry e, poiché Giorgio ne aveva una vera idolatria, il Leonard Starr di Mary Perkins. Facendo molte cose diverse, dalle storie libere ai tascabili, spesso e volentieri mi innamoravo di un autore appena scoperto che serviva da ispirazione. Credo di aver oscillato da Ferri a Tibet, da Joe Kubert ad Alessandrini che (poiché lo sapevo quasi mio coetaneo) “odiavo” perché lui era bravo e io uno “zappatore”. In seguito, sapendo di non avere un disegno michelangiolesco (o raymondiano), mi sono spostato su una linea chiara benché continui ad ammirare autori dal segno più sporco, Joe Kubert su tutti. Parafrasando Beppe Viola (giornalista-scrittore italiano, 1939-1982) “Sarei disposto ad accettare di avere 37 e 2 per tutta la vita in cambio della mano di Mastantuono”.

Zagor ao estilo Ferriano por MalaguttiHai avuto una formazione artistica? Di che tipo?
Giancarlo Malagutti: Se per formazione artistica intendiamo quella scolastica, ahimè, non l’ho avuta perché ho frequentato l’istituto tecnico (elettronica), disciplina piuttosto lontana dal disegnatore (di fumetti e non) ma utile nella vita perché ancor oggi so gestire un impianto elettrico o riparare un elettrodomestico. Però fin da bambino, dimostrando tendenze artistiche, sono stato aiutato sia in famiglia che a scuola con suggerimenti, materiali e giochi didattici per il disegno. Inoltre, combinazione fortunata, sono stato circondato da persone con alto tasso artistico, nella mia via vivevano ragazzi e ragazze, di qualche anno più grandi, dotati di abilità artistiche (frequenteranno tutti la scuola d’arte) e io bambino di pochi anni venivo consigliato e aiutato su come gestire il disegno.

Zagor em estilo Ferriano por MalaguttiCosa è per te il fumetto, sia come linguaggio che come esperienza professionale?
Giancarlo Malagutti: Sul fumetto come media si sono espresse persone ben più titolate di me, io da modesto operatore del settore posso solo dire che credo sia un media che ha la dignità degli altri media e credo che nel futuro, tra naturali alti e bassi, continuerà ad esistere anche su altri supporti, non necessariamente solo su carta o digitale. Personalmente il fumetto è un linguaggio che ho sentito come mio e con il quale mi veniva (e mi viene) più facile comunicare. Un mezzo espressivo che non richiede molti mezzi né l’ausilio di terze persone per la realizzazione. Per poter comunicare qualcosa (bene o male) bastano dei fogli di carta, un pennello o un pennarello. Come esperienza professionale mi ha permesso di poter fare le cose che mi piacevano e, con una battuta sfruttata, venir pagato per fare quello che mi piace. Crescendo in una piccola città di provincia, dove altri mezzi espressivi erano meno accessibili, il fumetto mi ha permesso di poter realizzare un bisogno comunicativo; fossi nato a Roma forse ci si poteva indirizzare verso il cinema.
Ilustração para um livro de fábulasPurtroppo il fumetto italiano non ha investito (e non investe) in giovani e idee, non ci sono editori né grandi né piccoli che abbiano questo coraggio. Molto più facile comperare all’estero e tradurre. Una visione miope in quanto nessuno di loro, al di là del (poco) soldo immediato, avrà mai un pacchetto di storie da riutilizzare in futuro per ristampe, proposte per altri media, ecc. I francesi hanno buon gioco a venire a fare shopping tra i nostri autori, loro pubblicano molte cose nuove, sperimentano, saggiano il mercato. Da noi il solo Bonelli continua a tentare nuovi prodotti e può permettersi di scegliere tra il meglio. Gli va dato enorme merito di essere una persona corretta e leale nei confronti dei suoi collaboratori, altri cosiddetti “capitani d’industria” in un regime di quasi totale monopolio ne approfitterebbero per sopraffare gli autori e imporre bassi compensi. Bonelli continua a rispettare gli impegni. Non è poco.

Stampede, série westernNel 1973 hai realizzato le matite di alcuni episodi pubblicati sulla rivista Horror. Con quali autori hai collaborato?
Giancarlo Malagutti: Ho lavorato per Horror ma non pubblicato su Horror. Quando iniziai a frequentare lo studio di Giorgio Montorio lui collaborava con la Casa Editrice Astorina di Gino Sansoni portando avanti la serie Teddy Bob e storie brevi per Horror. Cominciai a fare qualcosa sulle sue tavole e, bontà sua, anche a fare qualche prima tavola a matita che lui sistemava e inchiostrava. Ma, dati i tempi tecnici, una volta che furono completate queste mie prime tavole, Horror chiuse e furono dirottate su Super Vip (erede di Horror) e sugli Horror Pocket. Non ricordo alcun nome di sceneggiatori che fornivano i copioni tranne Alfredo Castelli che era per me un mito essendo io un fan di Scheletrino. Probabilmente oggi qualcuno di questi sceneggiatori è famosissimo. Dovrei controllare sugli albi (che non ho) perché anni fa, preso da una violenta crisi di rigetto, buttai tutte le mie collezioni compresi i miei lavori. Successivamente, nell’ultimo periodo prima che Sansoni chiudesse, fornivamo storie “chiavi in mano” testo e disegni.

Malagutti e Truscia no Verão de 1982 a desenharem no tremIn seguito hai disegnato storie per adulti per Renzo Barbieri e Giorgio Cavedon. Cosa ti rimane di quell’esperienza?
Giancarlo Malagutti: Poco o niente. Non perché voglia rinnegare quel passato, non sono così ipocrita, ma, benché abbia fatto un notevole volume di tavole per questi tascabili, sento di non averci mai lavorato seriamente e di poterli sentire come miei lavori. Spiego: la collaborazione con la Edifumetto di Renzo Barbieri iniziò quando Pier Carpi, che voleva resuscitare Teddy Bob, si inventò Solitario Boy, cercò Montorio come naturale disegnatore e io vi partecipai come sempre ai fumetti di Giorgio. La testata per qualche motivo non partì e ne uscì un solo numero ma Barbieri voleva che la collaborazione continuasse e ci diede altre sceneggiature per i tascabili sexy-horror che, tra l’altro, in quegli anni andavano fortissimo, le storie erano buone e i disegni parecchio validi. Ricordo bene solo la prima, una storia di schiavismo e zombismo ambientata nel ‘800 americano (molto leggera, qualche nudo, linguaggio abbastanza corretto, oggi roba per tutti) per la realizzazione della quale io e Giorgio impiegammo più di due mesi andando alla ricerca di materiale di documentazione. Questa fu l’ultima sulla quale lavorammo con lo spirito dei “vecchi tempi”, il mondo stava cambiando. Forse ne facemmo qualche altra ma non lo ricordo, comunque subito dopo partii per il servizio militare e al mio ritorno Giorgio disegnava Diabolik.
Capa western dos anos 80Le altre tavole le ho fatte anni dopo in coppia con Manlio Truscia ma era lui ad avere i contatti e contratti con gli editori. Truscia, in perenne ritardo, mi chiedeva aiuto e ci mettevamo a disegnare tavole su tavole, spesso non sapevo nemmeno di quale testata tanto le storie si assomigliavano l’un l’altra. In ogni caso il periodo è stato molto formativo, da Montorio ho appreso la serietà e il rispetto per l’editore e le date di consegna, con Truscia la velocità, il non andare in ansia e saper lavorare in ogni luogo e sotto ogni situazione (perfino in treno). Nell’ultimo periodo, con Truscia, facevamo un albo in 24 ore (testo, disegno e lettering). Qualcuno potrebbe contestare dicendo che erano fatti da cani. Sbagliato! Seppur fatti alla velocità della luce hanno una qualità sufficiente, a volte più che buona. Eravamo attrezzati tecnicamente e mentalmente e ci venivano facili. Però il momento magico delle storie sexy (con idee) era passato, ora per contrastare la concorrenza delle riviste fotografiche e del nascente mercato delle videocassette XXX, il fumetto vivacchiava e si adeguava verso il basso. Il fumetto erotico in quegli anni era considerato, nel migliore dei casi, spazzatura (per non dire di peggio) e chi ci lavorava un poveraccio (se giovane) o un fallito (se più anziano), ma erano invece delle ottime palestre che hanno allevato e cresciuto fior di professionisti. Ce ne fossero oggi di queste pubblicazioni e questa alta produzione di albi. Il buffo (o il tragico) è che i più feroci denigratori (limitatamente ai fumettari) una volta entrato in crisi il fumetto all’inizio degli anni ‘80 hanno poi fatto la fila per entrare in questo settore.

Legs, anos 90La tua firma, inoltre, la ritroviamo sulle testate dell’Editrice Universo. A distanza di tanti anni, come giudichi quei lavori?
Giancarlo Malagutti: Anche questi (come per i tascabili) erano, usando un termine abusato, “lavori alimentari”. All’inizio negli anni ‘70 con Montorio mettevamo molta cura, passavano ore in biblioteca a consultare libri per trovare la documentazione migliore ma poi l’entusiasmo si spense. Per vari motivi. Erano arrivati lavori più interessanti, il rapporto con la casa editrice era difficile, si veniva spesso pagati in ritardo e poi, come detto, i tempi erano cambiati, avevamo una inflazione a due zeri, il petrolio era alle stelle, il costo della vita aumentato esponenzialmente mentre i compensi no. Così iniziammo a produrre più velocemente, in modo più industriale, e in questo modo i ricordi e le emozioni si fissano meno nella memoria.
Giancarlo Malagutti no seu estúdioPer fare un esempio, nella prima metà degli anni ‘70 (Montorio ed io) producevamo una storia per Barbieri in un mese e mezzo o due e 12 tavole per L’intrepido in un mese. Nella seconda metà del decennio (Truscia ed io) la stessa quantità di tavole (ma anche Giorgio fu costretto ad accelerare) in due o tre giorni e a volte in un giorno (notte compresa). Ma eravamo giovani, ci si divertiva e poi avevamo un sacco di sogni e di speranze. Il giudizio sui lavori (nostri) è sufficiente, per alcuni anche ottimo quando la sceneggiatura lo consentiva. Resta comunque un periodo (per noi ma anche per il fumetto) molto importante, c’era molto lavoro e si accumulava esperienza. Le testate erano parecchie, infatti con Truscia, alternandoci, facemmo anche parecchie storie per Adamo, pubblicazione della editoriale Corno sullo stile Monello, Lanciostory et simili. Per Adamo realizzavamo 4 o 5 (non ricordo più) serie diverse con stili differenti.

Malagutti no seu estúdioQuando hai iniziato la tua collaborazione con Sergio Zaniboni – inchiostrando le sue matite – immaginavi la tua trasformazione da disegnatore a sceneggiatore?
Giancarlo Malagutti: La collaborazione iniziò con Diabolik, Zaniboni era uno dei disegnatori della testata. Mentre ero a militare Montorio era stato cercato dalle sorelle Giussani e aveva iniziato la collaborazione per Diabolik diventandone inchiostratore (che ancora oggi fa benissimo). Al mio ritorno cercai lavoro ma era un periodo difficile, diverse case editrici (soprattutto le minori) preferivano delegare i compiti redazionali a quelle che si chiamavano “le agenzie”, studi di intermediazione gestite da gente più o meno capace e più o meno onesta che si incaricava di fornire un tot di tavole mensili sollevando la redazione dai contatti con gli autori. Se cercavi lavoro finivi quasi inevitabilmente per venire rimpallato verso una di queste “agenzie”. I compensi erano estremamente bassi, l’agente (avrei altri termini ma sono da denuncia) si tratteneva dal 50 all’80 percento). A queste condizioni preferii tornare in studio da Montorio, quello che mi dava lui era dato con onestà. Cominciai a inchiostrare matite (per lo più fondi) di Facciolo, Bozzoli, Zaniboni.
Giancarlo MalaguttiLe matite di Facciolo e Bozzoli erano molto belle e pulite e facili da inchiostrare ma (non me ne vogliano gli altri) quando ci arrivavano quelle di Zaniboni erano uno spettacolo. Ricordo tra le molte la sequenza di un incidente automobilistico che Zaniboni realizzò in sequenza fotografando modellini d’auto e una Eva Kant vestita da suora che era di una bellezza da togliere il fiato. Facemmo fotocopie delle matite perché la china l’avrebbe cambiata, le indicazioni delle Giussani erano di sintetizzare il segno, usare un bianco e nero più secco. Le Giussani farcivano i bordi delle tavole con parecchie indicazioni per “correggere” le matite secondo il loro gusto. Assottigliare le caviglie di Eva, ridurle il seno erano indicazioni standard. Spesso Eva indossava tutine e/o maglioncini neri e nel ripasso (o nel riempimento della campitura nera) mi divertivo ad allargarlo (di un po’) il seno e nessuno se ne accorgeva. Il mio sogno era (e forse ci sono riuscito) disegnare sul comodino della stanza da letto di Eva e DK una confezione di pillole anticoncezionali. Tornado alla domanda fu in questa sede che iniziai a sceneggiare, almeno professionalmente, nel senso che venivo pagato per farle. Avvenne anche questo per caso, una delle tante volte che andai a consegnare le tavole in redazione, e le Sorelle, probabilmente in difficoltà coi tempi, mi chiesero se sapevo sceneggiare (dissi immediatamente sì) e mi chiesero quanto tempo impiegavo.
Giancarlo Malagutti no seu estúdioAvevo fatto solo cose per me e non avevo una tabella professionale rodata ma ricordavo di avere letto che Luciano Secchi aveva detto di fare una sceneggiatura di Alan Ford in 12/14 ore e Sergio (Nolitta) Bonelli 50/70 pagine in una domenica pomeriggio ascoltano le partite di calcio alla radio. Così sparai: “2 giorni”. Immagino che le Giussani pensarono di avere di fronte un fanfarone che andava messo alla prova e spernacchiato, e uscii con un soggetto. I soggetti di DK sono sempre già ben risolti e molto dettagliati, mi misi di buona lena (il lavoro più pesante era la battitura dei testi) e due giorni dopo mi presentavo in redazione con le 120 pagine. Le due signore la vollero leggere mentre io attendevo ma, a parte cose che tanto loro avrebbero cambiato in ogni caso, la approvarono. In questa sede capii che se scrivi su personaggi di altri sia che tu impieghi un anno o un giorno e ti faccia venire l’ulcera per lo stress, il creatore della serie troverà sempre sequenze che lui (o lei) avrebbe risolto in altro modo e quindi, per lui “sbagliate”. Mi capita spesso di raccogliere gli sfoghi di sceneggiatori che dopo aver faticato mesi su una storia alla consegna si sentano rimproverare. Sapevo che quello che davo alle Giussani non era il massimo e lo sapevano anche loro; ma risolvevo in due giorni e loro avevano poi il mese intero per limare, pulire, riscrivere.

Exercício Texiano dos anos 70Come mai hai abbandonato il disegno a favore della scrittura creativa?
Giancarlo Malagutti: Per un motivo semplice: con la sceneggiatura si guadagnava bene e, a differenza del disegno, la puoi fare dappertutto, al bar, in spiaggia, e col disegno si è invece inchiodati al tavolo. Fare fumetti è raccontare e con la scrittura racconti più facilmente e velocemente. E poi, onestamente, non è che fossi un grande artista, ogni cosa che disegnavo mi costava molta fatica, fare un certo numero di tavole mensili richiede una costanza e molte ore di applicazione giornaliera.
O Kit Carson de Giancarlo MalaguttiMi spiace dover sempre dire che erano altri tempi ma allora si rivaleggiava con disegnatori che sfornavano una o due tavole al giorno e alcuni anche di più, mentre io avevo tempi di lavoro più vicini ai quelli di oggi, dove un disegnatore fa 5 tavole al mese. Voi stessi del blog di Tex fate spesso paragoni tra i “vecchi” e i “nuovi”. Il Galep (come altri) dei bei tempi era veloce, curato e dettagliato, era un talento, una forza della natura. Lo spazio di reazione cervello-mano era vicino allo zero. Io, come molti disegnatori di oggi, lavoravo (e lavoro) costruendo la figura, la scena, lucidandola, ripulendola, facendola riposare. Un lavoro lungo che oggi posso permettermi perché lavoro su prodotti miei senza assilli di consegna.

AdamQuali delle serie da te ideate e sceneggiate ricordi con più piacere?
Giancarlo Malagutti: Di serie mie ne ho fatte ben poche. Ricordo con piacere “I Reporters” pubblicata su Orient Express, sia per gli splendidi disegni di Zaniboni sia per il gusto di sceneggiare in stile telefilm, che però non fu molto apprezzato e la serie a mio parere avrebbe meritato un po’ di più. Ma è l’editore che paga e quindi decide. Poi una serie di derivazione giapponese, la Principessa Zaffiro, che ci venne commissionata, come tante altre del genere che feci negli anni ‘80, senza alcuna indicazione su come si articolasse l’avventura o la psicologia dei personaggi. Per Zaffiro ci dissero che c’era questa principessa che si vestiva da uomo per non perdere il trono e che due ciambellani del re cercavano di smascherarla per detronizzarla. Così i protagonisti divennero i cattivi (specie di Oliver Hardy e Stan Laurel) con la creatività di Willy Coyote, che architettavano i trucchi più cervellotici per smascherare la principessina (la quale quando era in difficoltà faceva ricorso – troppo comodo – alla magia di un angelo custode). Alla fine i cattivi perdevano ma la simpatia andava a loro che si davano da fare. Anni dopo ho saputo che i lettori scrivevano infuriati al giornale perché questa (e altre serie) non assomigliava ai cartoni televisivi. E poi sono molto legato a un personaggio inedito, Adam, fatto con Manlio Truscia. Un fumetto che ha avuto una gestazione e uno sviluppo più avventuro e creativo della storia stessa come si potrà leggere nella presentazione (di 30 pagg.) nell’albo di prossima pubblicazione.

Manlio Truscia e Giancarlo Malagutti com Júlio Schneider e os desenhos de Tex e AdamCome sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore?
Giancarlo Malagutti: Da ragazzino. Un amico di mio padre un giorno prese alcuni miei disegni e fece il giro delle case editrici milanesi. Suppongo che fu scoraggiato in tutte quelle in cui entrò a mostrarli ma per mia fortuna bussò anche alla porta della Araldo che allora era in via Francesco Ferruccio. Mi telefonò per dirmi che un signore gentile (Raffaele Cormio) aveva espresso giudizi positivi e si rendeva disponibile per incontrarmi. Volai. Cormio mi ricevette con molta gentilezza, aveva sul suo tavolo, di grafico, molti dei fumetti che stavano producendo. Ricordo delle magnifiche copertine di Ferri per Zagor. Fu prodigo di consigli, giudicò con molta onestà quei miei lavori immaturi ma vista la mia forte passione mi invogliò a continuare e a portargli i disegni che nel frattempo avrei realizzato; in fondo ero ancora un bambino, ricordo che mancavano pochi giorni al mio quattordicesimo compleanno. Anche lui (come Bonelli e Galep più avanti) non mi fece uscire senza avermi dato qualche albo e del materiale professionale per disegnare.
O Tex de Giancarlo MalaguttiIn seguito con una certa frequenza andavo a mostrare le mie cose. Forse ci vide dei miglioramenti perché un giorno mi consigliò di trovare un disegnatore professionista (magari nella mia zona) e andare a “bottega”. Mi ricordai che a scuola avevo sentito parlare di un disegnatore di fumetti che viveva a Mantova. Con una vera odissea, amici di amici del cognato della portinaia che andava a scuola col nipote della fornaia vicina alla casa del cugino di… arrivai alla casa dell’Innominato” (questa la può capire solo Montorio) il quale mi disse che non faceva fumetti professionalmente ma mi dette l’indirizzo di chi li faceva: Giorgio Montorio. Incredibilmente Giorgio viveva e lavorava in un paese vicino, a due chilometri da casa mia. Tanto per dare l’idea di quanto il fumettaro fosse un lavoro anonimo.

La palude de Giancarlo MalaguttiCom’è stato il tuo approccio con il Martin Mystère di Alfredo Castelli?
Giancarlo Malagutti: Da fan di Castelli mi ero divertito con il suo Scheletrino, con le storie su Horror, sul Corriere dei Ragazzi e Il Giornalino ma non lo conoscevo, non sapevo nemmeno che faccia avesse, inoltre alla metà degli anni ‘70 era un po’ sparito. Un giorno comprai la copia fresca di stampa di WOW (una bella fanzine di Luigi F. Bona) nella quale compariva una intervista a Castelli, che diceva finalmente cose che io (e altri) pensavamo sul fumetto ma non avevamo il coraggio di dirlo. Quella sera stessa gli telefonai, dopo le presentazioni e i complimenti, finimmo per parlare di lavoro, “che fai? dove pubblichi?” ecc. Disse che stava riprendendo a scrivere, questa volta per Bonelli e che stava producendo sceneggiature per il personaggio Mister No, se gli avessi mandato qualcosa da vedere, sempre che fossero piaciute a Bonelli, si poteva fare qualcosa. Misi insieme velocemente delle fotocopie degli ultimi lavori fatti con Montorio per l’Universo e spedii. Arrivò la risposta positiva e una sceneggiatura. Nel frattempo io mi ero trasferito a Milano e Giorgio lo disegnò da solo.
Malagutti sentado no estúdioA Milano con Castelli ci si vedeva abbastanza spesso, lui stava preparando Martin Mystère che era la versione bonellianamente seriale di Allan Quatermain disegnata da Busticchi e pubblicata qualche anno prima su Supergulp della Mondadori, testata per la quale avevo disegnato una versione per bambini dell’Uomo Ragno. Castelli mi parlava di questo personaggio in gestazione, non so se si chiamasse già Martin Mystère o ancora Doc Robinson, aveva delle ottime idee su come sviluppare la sceneggiatura (idee che Sclavi avrebbe egregiamente sviluppato qualche anno dopo in Dylan Dog) ne parlava, mi piacevano, ma diceva che Bonelli lo avrebbe preferito con un impianto più classico. Il che non ha impedito a MM di essere lo spartiacque, il balzo in avanti tra il “vecchio” e il “nuovo”, e grazie a lui poi son potute arrivare le serie di oggi. Comunque, poiché il progetto avanzava e Castelli saggiava possibili collaborazioni, chiese anche a me di buttare giù delle idee e accettò quella di Mister Mind e degli Scanners. Storia che poi uscì tre anni dopo ma era stata scritta in contemporanea all’uscita del primo o secondo numero e compare con una mia semplice collaborazione al testo ma, controllando la sceneggiatura, mi pare cambiata nelle solite parti e nella maturazione del personaggio. Questa non è una critica, Castelli si è sempre mostrato molto disponibile, generoso.

Júlio Schneider e Giancarlo Malagutti em versão mafiosoPer quale motivo hai lasciato – per un certo periodo – il lavoro fumettistico?
Giancarlo Malagutti: Oddio, benché il 1982 fu anno nel quale avevo lavorato parecchio non è che gli editori facessero a botte per avermi. Ero stanco, non sembra ma facevo fumetti, respiravo fumetti, mangiavo fumetti da un sacco di anni, tutta la mia adolescenza e prima maturità. Ero in overdose. E demoralizzato, quello in cui credevo non era andato, quel che mi sarebbe piaciuto fare (esempio sceneggiare Zagor) e che mi veniva anche bene (Francesco Coniglio si era molto speso per me) non riuscivo ad ottenerlo, mollai. Partii per gli Stati Uniti per una quelle mie lunghissime vacanze che mi servono da periodo di decompressione quando sono “scoppiato”. Rientrato trovai il mondo dell’editoria a fumetti in uno stato peggiore di quando ero partito. In quel periodo a Milano proliferavano le agenzie pubblicitarie grazie all’incremento enorme di lavoro dovuto all’avvento delle TV commerciali. Dopo aver fatto qualcosa tornai a Mantova, territorio vergine, e aprii uno studio pubblicitario. Agganciai alcuni grossi clienti e ne curai la pubblicità per diversi anni. Il fumetto (primo amore) non lo abbandonai completamente, in quegli anni con Truscia portammo a termine il progetto Adam, feci parecchie pubblicità usando il media fumetto, realizzai un supplemento comics (con firme prestigiose) tra le quali anche Silver di Lupo Alberto per La Gazzetta di Mantova.
Riuscii anche ad avere un precontratto per la versione a fumetti di Toby Peters, l’investigatore creato da Stuart Kaminsky, ma mancando le riviste contenitore la cosa abortì. Negli anni ‘80 finanziatori non mancavano, progettai un paio di riviste a fumetti – ho ancora i menabò da qualche parte – le spese le avrebbe sostenute la pubblicità all’interno. Ma anche quelle idee non trovarono seguito, i fumettari erano ancora abituati a un salario a tavola, difficile far capire i compensi a percentuale. Capisco se lavori su commissione ma se vuoi pubblicare una tua idea devi metterci un po’ di rischio. Non ricordo chi lo abbia detto “ma se non sei disposto a rischiare per le tue idee o non vale niente l’idea o non vali niente tu”.

Mathias e AnnaSulla tua scheda, nell’enciclopedia online Wikipedia, leggiamo del tuo nuovo personaggio: Mathias. Puoi parlarcene?
Giancarlo Malagutti: Volentieri. La serie Mathias sviluppa le avventure di due bambini, Mathias e Anna. Mathias incontra Anna in montagna dove va a passare le vacanze dai nonni e da qui prendono il via le avventure con un tanto di fantastico. Il mio progetto per ora si sviluppa in 9 albi, avventure di 44 tavole ciascuno, sono storie autoconclusive ma lette nell’ordine (hanno uno sviluppo temporale) danno l’idea migliore dei personaggi.
Mathias e Anna por Giancarlo MalaguttiHo voluto ambientarli in Italia ma si tratta di location famose o luoghi che possono trovarsi in ogni parte del mondo. Sono bambini avventurosi ma non fanno cose mirabolanti, divertenti e inaspettate forse, ma non assurde; per me i bambini devono vivere avventure da bambini e svilupparsi in modo reale. Ad esempio non stanno fuori la notte e non vanno in città o stati vicini per risolvere casi che nemmeno la CIA. Ho sempre creduto che si possano scrivere storie anche senza mettere in campo la distruzione del mondo o omicidi a catena. Per la gente normale è già un dramma non riuscire a pagare la rata del mutuo. Qui poi trattandosi di bambini, la violenza non esiste, o meglio compare la prepotenza non la violenza. Non chiedermi se la porterei a Bonelli, non è quel target e poi mi dicono che Sergio non ami i fumetti con i bambini.

Desenhando MathiasCome procedi nella creazione? Fai una pagina completa e dopo passi all’altra? E quali strumenti di lavoro utilizzi?
Giancarlo Malagutti: Devo dividere le esperienze in segmenti temporali talmente diversi uno dall’altro che a volte mi sembra di aver vissuto vite diverse. All’inizio con Montorio si andava piano, si discuteva, ci si fermava a prendere il caffè e fare salotto, poi con Truscia ore di lavoro frenetico, in casa, in macchina, in ascensore prima di suonare il campanello della casa editrice. Nel passato il procedimento era (permettimelo) geniale poiché la tendenza (lo è anche oggi ) è di accelerare alla fine perché i tempi stringono (e in casa editrice lo sanno) così aggiravamo l’ostacolo: si divideva la storia in tre – quattro blocchi e si partiva dall’ultimo, per saltare al secondo poi al primo e al terzo. In questo modo le tavole ultime “tirate via” erano rimescolate e era più difficile farci le pulci. Oggi, visto che l’unico fumetto che disegno è il mio Mathias, ho un approccio, se vogliamo, più progettuale.
Desenhando MathiasUna volta pensata l’idea e accumulato libri e riviste sul tema da trattare, butto giù un soggetto per punti che abbia uno sviluppo a racconto. Poi lo sceneggio a storyboard con scene abbozzate, qualche dialogo nei punti chiave o qualche appunto se mi è venuta un’idea che credo buona. Comincio a disegnare dalla prima tavola in avanti in modo che la storia si crei e sviluppi davanti ai miei occhi. Se qualcosa mi crea problemi o non mi soddisfa, la salto, ma lasciando le vignette già modulate. Mentre disegno (non credo capiti solo a me) vedo la storia svilupparsi meglio, sento i personaggi vivere e mi vengono situazioni e battute che a “freddo” mentre scrivevo la sceneggiatura non avevo (e non avrei) pensato. Spesso mi capita di passare intere giornate a cercare un particolare abito, un certo mobile, un oggetto d’arredamento. Ad esempio, se la scena si svolge nella casa di un “cattivo” che vedo di solito come un arricchito con poco gusto estetico, l’arredamento sarà sovraccarico di oggetti, gli arricchiti amano il barocco, il sovrabbondante, la mescolanza di stili.
Desenhando...Questo non fa di me un fanatico del verismo a tutti i costi, certo non metto la torre di Pisa ad Arezzo ma non vado a cercare il lampione giusto per quella via o città. Se faccio una storia ambientata a Venezia studio l’architettura, le finestre moresche, i particolari camini ma poi disegno facendo un mix, cerco di dare l’atmosfera. Se il cinema si permette invenzioni incredibili per le locations, perché nel fumetto si deve essere vincolati a un verismo senza senso? E poi se metto un cattivo (carogna) in una certa casa, il proprietario o chi ci abita, riconoscendola potrebbe anche seccarsi e fare causa. Non è detto che prima o poi non accada. Tecnicamente disegno con dei semplici pennarelli morbidi Pilot su del banale cartoncino bianco. I miei originali sono pieni di pecette, incollamenti, rifacimenti, una volta impostata la tavola spesso faccio scene a parte e poi passo al “montaggio”. Sovente mi restano vignette che non posso utilizzare. Ho sempre creduto che il fumetto viva stampato, l’originale è solo uno stadio intermedio tra l’idea e l’edicola.

E desenhando...Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Giancarlo Malagutti: Come si può desumere da quello finora detto, non ho una statistica ma prendendo come parametro Mathias, suppongo di poter fare una tavola ogni 3/4 giorni. In ogni caso, per completare una storia di 44 tavole, compresi lettering e copertina, impiego circa un anno. Causa problemi familiari riesco a lavorare solo di pomeriggio e nel dopo cena e, benché ormai sia ormai una specie di orso-eremita, mantengo un minimo di vita sociale. Se per ozio intendi lo stare seduto o sdraiato a poltrire, non ne ho il tempo, riesco appena a leggere i giornali. Mi rilasso cucinando (anche perché devo) e alla sera anche se sono “cotto” non rinuncio a leggere un po’. La TV è talmente penosa che tranne qualche buon telefilm (House, The Shields) ben difficilmente mi attira.

Estudo para um futuro álbum de MathiasCome analizzi l’evoluzione della tua carriera?
Giancarlo Malagutti: Il mio spirito minimalista mi porterebbe a dire “involuzione”. Quando ho iniziato avevo molte ambizioni e sogni, ovviamente non tutti li ho realizzati ma nel corso degli anni ne ho potuti soddisfare altri. Sono sempre stato di spirito molto anarchico e poco interessato sia ai soldi che alla fama (della quale seppur superficialmente godo immeritatamente, il mio nome digitato su internet dà parecchie risposte). Ho fatto molti fumetti, alcuni buoni altri da dimenticare, ho sempre preferito storie mie, anche minori, ma delle quali potessi conservare i diritti e soprattutto potessi svilupparli come volevo; “perché sprecare la vita per realizzare i sogni degli altri?” dice Orson Welles/Vincent D’Onofrio a Ed Wood/Johnny Depp in Ed Wood il film. Ecco, questa può essere la mia filosofia di vita. Oltre al piacere di fare quel che mi pare, non avere chi mi dice come fare c’è anche il vantaggio economico perché anche sulle piccole cose si percepiscono i diritti d’autore. L’evoluzione la vedo positiva solo nel fatto che ho abbandonato le ansie del foglio bianco e riesco ancora a divertirmi molto nel fare fumetti. Ho spesso scritto (e a volte disegnato) pagine che sono uscite con nomi di altri (aiuti ad amici in difficoltà). Ho capito cosa prova un falsario quando sta davanti ad un suo quadro in un museo mentre i critici si lanciano in lodi sperticate.

Estudo para um futuro álbum de MathiasChe progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa?
Giancarlo Malagutti: Relativamente al fumetto, vista anche la condizione in cui giace, non ho progetti immediati. Per alcuni anni porterò avanti il progetto Mathias, sto iniziando ora il quinto episodio. Nel “cassetto”, tra le varie idee più o meno in stato avanzato, ce n’è una che mi piacerebbe portare avanti, un idea che cominciai a sviluppare due o tre anni fa quando un amico mi disse che Bonelli cercava idee per le nuove miniserie. Buttai giù sinopsi, soggetto e parte della sceneggiatura (con anche lo schizzo dei personaggi, vecchia abitudine da disegnatore) ma quando lo stesso amico mi fece sapere che sulla scrivania di Bonelli ne erano piovute a decine, sollevai Bonelli dalla fatica di leggere anche la mia. Nell’immediato ho contratti per illustrare volumi di archeologia ai quali mi dedicherò contemporaneamente a Mathias.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 1Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei uno autore affermato, ti piacerebbe lavorare per Tex, ti è mai stato proposto?
Giancarlo Malagutti: Tex rappresenta un traguardo prestigioso per chiunque faccia il mio lavoro, mentirei se dicessi che ne non sarei lusingato da tale proposta ma onestamente non credo di esserne all’altezza. Le sfide sono sempre un forte richiamo ma sarebbe dura, quando vedo il Tex mensile con questi fantastici disegnatori mi sento inadeguato. Anni fa ebbi frequentazioni con Magnus, era appena uscito dalla Corno, cercava una sua dimensione, ancora non aveva pensato a Lo Sconosciuto né alle altre sue opere personali. Il suo sogno era di realizzare un fumetto di grande formato in stile Flash Gordon (fece poi Milady prendendo spunto da questi albi, la prima scena della prima tavola è un chiaro omaggio a Flash Gordon, l’immagine è volutamente presa da un disegno di Alex Raymond), ammirava estasiato i volumi della Nerbini che gli portavo. Inevitabilmente si finiva per parlare di cosa ci sarebbe piaciuto fare, a volte il discorso cadeva su Tex. Lui diceva che mai avrebbe potuto disegnarlo, un po’ perché aveva una ammirazione totale per il disegno morbido e fluido di Galep (Magnus aveva cominciato ammirando i disegnatori del Vittorioso) e si sentiva inadatto (sic!) col suo disegno “gommoso”. Per lui Tex erano 4 uomini in 4 abbigliamenti western, con 4 (e più) pistole su 4 cavalli. Un lavoro, sempre secondo lui, immenso; infatti, quando poi lo ha fatto, gli ha preso un tempo lunghissimo. Per nostra fortuna non rinunciò alla sfida. Quindi, arrivando a una conclusione, non essendo Magnus non ho abbastanza vite da impiegare. Discorso diverso sarebbe per la sceneggiatura.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 2Cosa significherebbe per te scrivere o disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex?
Giancarlo Malagutti: Vale quel che ho risposto alla domanda precedente, ma visto che tra me e una ipotetica sceneggiatura per Tex la distanza è abissale, possiamo parlarne per puro esercizio dialettico. Sì, sarebbe interessante anche se temo di essere troppo vecchio per avere la flessibilità di plasmarmi al modello di scrittura di altri, che richiede capacità non indifferenti e che gli attuali sceneggiatori svolgono benissimo. Ma poiché è puro esercizio intellettuale posso dire che, tre o quattro anni fa, durante il periodo natalizio, accudivo mio padre in ospedale e avevo lunghi periodi di inattività, così mi misi a scrivere (chissà perché) una storia di Tex e Lilith. Una avventura situata nel periodo che G. L. Bonelli non ha mai sviluppato, quella del post-matrimonio. Perché lo feci non lo so, forse perché come nella pittura a volte viene voglia di fare “alla maniera di”, tanto per mettersi alla prova. Scrissi il soggetto e alcune pagine di sceneggiatura, Lilith ricopriva un ruolo importante di compagna non succube e, benché avessi rispettato l’impianto narrativo, aveva un che di texianamente romantico. Poi la scordai, e mi tornò in mente in occasione dell’uscita de “Il sentiero dei ricordi”. L’ho riletta per vedere se c’erano punti in comune, la mia è diversa e, me lo dico da solo, non male. L’argomento non essendo “bruciato” poteva interessare Bonelli? In un momento di scarsa lucidità pensai di mandargliela, oltretutto con il velato suggerimento di farne una storia da far uscire nel periodo di San Valentino. Per fortuna rinsavii, Bonelli è stato risparmiato (sono certo che Sergio sia un non violento ma meglio non rischiare) e la storia giace sepolta nel mio computer.

Tex e John Wayne por Magalutti e M.Truscia - Página 3Chi o cosa è Tex secondo te?
Giancarlo Malagutti: Per rispondere debbo sdoppiarmi come lettore e come fumettaro. Come lettore lo trovo una perfetta forma di intrattenimento, mi piace sapere che quando prendo in mano un suo albo so cosa leggerò e che non mi tradirà. Quando mi capita di leggere delle critiche (legittime) non le capisco. Tex mi offre per soli due Euro e settanta un momento di intrattenimento piacevole che possiamo paragonare a un buon film. A volte ci sono storie che possono piacere meno, ma ci domandiamo se è la storia che non regge o siamo noi che in quel momento non siamo ben disposti. Ci si accosta a Tex attorno ai 12/15 anni, ancora ingenui, con uno spirito ancora vergine, pieni di sogni. Poi si cresce, la vita ci mette davanti tante situazioni a volte buone a volte no, l’emozione delle prime volte non può essere la stessa. Anche la nostra compagna (o moglie) non ci fa più palpitare, balbettare e sudare freddo come la prima volta che l’abbiamo invitata a cena, ma non per questo non la amiamo ancora. Personalmente quando ho cominciato a leggere Tex eravamo attorno ai numeri 100/110, che per me (nostalgicamente) restano i più belli. Ricordo che Montorio mi diceva che lui non lo leggeva quasi più perché non era lo stesso Tex dei suoi anni (i ‘50). Ognuno è legato a un periodo. Questo mi fa venire in mente un bel film con Gèrard Philipe, “Les belles de nuit”, nel quale Gèrard, andando indietro in varie epoche storiche, incontra sempre un vecchietto che si lamenta rimpiangendo i buoni vecchi tempi.

DueloCosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Giancarlo Malagutti: Se intendiamo il Ranger come personaggio e non come testata, lo trovo estremamente caratterizzato con una sua forte identificabilità. Non ci sono cose che non mi piacciono appunto perché Tex, come uno di famiglia, sai sempre cosa dirà e come reagirà. Personalmente non sono un fanatico delle storie magiche o horror, benché quelle con Morisco, che hanno spesso una base scientifica, le trovo gradevoli. Sono più amante dell’impianto classico cittadino, “Tex va e mena il cattivo di turno”. L’unico piccolo appunto, se posso, mi spiace che le donne (o le ragazze) siano relegate in ruoli di contorno e siano sempre destinate a fare una brutta fine. Quando vedo donne all’inizio di una storia non me la godo perché so che alla fine questa, buona o cattiva che sia, finirà morta ammazzata. Fossi al loro posto direi, “no grazie, resto a casa perché tanto farò una brutta fine”. E volendo essere più arditi, darei un nipotino a Tex. E’ uno dei pochi personaggi italiani (se non l’unico) che abbia un figlio, un nipote non stravolgerebbe più di tanto l’impianto narrativo. Vedere Carson fare il “nonno” sarebbe divertente. Conosco tutte le possibili contestazioni, dalla più banale, “poi tutti i cattivi lo rapirebbero” (banale in quanto, se fosse così, nella vita chiunque ha ruoli importanti non dovrebbe procreare) a quella più logica, un bimbo darebbe la misura del tempo che passa. A meno che di non cristallizzarlo all’età di 3/5 anni.

RodeoRitieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti?
Giancarlo Malagutti: Cambiamenti ce ne sono stati e sono evidenti, ma per lo più sono sviluppati nell’anello esterno; il cuore, la psicologia, la struttura base del personaggio mi pare rimasta inalterata. Anche quando ha dovuto passare per altre mani e altre personalità diverse da G. L. Bonelli. Qualcuno contesta che abbia concesso un po’ troppo al politically correct ma questa evoluzione è naturale. Poi bisogna pensare anche a chi ci si accosta per la prima volta, ai ragazzi (e non solo visti i tempi) che potrebbero non avere le strutture mentali e culturali per capire. Il disegno è quello che ha subito i cambiamenti più evidenti, si è fatto più arioso, è passato dalla morbidezza classica di Galep a una schematizzazione moderna nella dimensione epica che gli ha infuso Ticci. Trovo che gli ultimi disegnatori abbiano saputo coniugare questi due stili in una versione “terza”, moderna e classica al contempo.

Secondo te cos’è che rende Tex l’icona che è?
Giancarlo Malagutti: Suppongo che s’intendi icona come struttura di personaggio e non icona-immagine. Quest’ultima, stranamente per un fumetto, è meno forte della prima, è vero che negli ultimi anni si è insistito sulla camicia gialla (anche il logo Tex è sempre giallo) ma non ha i canoni classici della riconoscibilità tipica dei fumetti come Zagor o Superman con i loro costumi. Probabilmente ciò è dovuto al fatto che Tex è personaggio più adulto, si basa sulla forte personalità e non abbisogna di immediata riconoscibilità. Diventa icona grafica quando ha Carson al fianco o ci sono tutti e quattro i pards assieme, le due o quattro figurine si visualizzano come marchio. Il personaggio invece è forse più iconico. La sua personalità è forte (perché era forte G. L. Bonelli), questo lo ha fatto passare indenne negli anni e tra le mode uscendone sempre vincente. Tex è un luogo-contenitore, un perimetro chiuso, quasi un universo parallelo dove può accadere di tutto, dove è possibile sviluppare temi moderni e di stretta attualità (anche politici) filtrati dalla mitizzazione e cristallizzato nel tempo e nel passato.

SaloonPer concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Giancarlo Malagutti: Contraddicendo quanto in parte detto sull’auspicio del nipotino se, a mio modestissimo parere, continuerà a muoversi sui suoi solidi binari narrativi, Tex resterà per sempre. Che forse Shakespeare o Goldoni non si continuano a recitare? I classici restano per l’eternità e Tex un classico ormai lo è. Non a caso viene letto sia dai giovani che dai meno giovani, da chi lo ha scoperto nel 1948 a chi solo ieri all’edicola o nella biblioteca del padre. L’unico rischio è che lo si voglia cambiare inseguendo mode (spesso effimere) del momento, il che stravolgerebbe il carattere e, commercialmente, sarebbe disastroso perché perderebbe i vecchi lettori per non acquistarne di nuovi. Ma con Sergio Bonelli alla barra questo difficilmente accadrà.

Álbum Mathias, volume 2Quali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Giancarlo Malagutti: Sono sempre stato attratto dai fumetti sperimentali anche se spesso sono troppo ombelicali e (purtroppo) supportati da disegni dilettanteschi. In questo momento sono molto orientato verso la produzione franco-belga, sto rileggendo tutti i classici (e non) degli anni ‘50 – ‘60, tra i quali Alix, Lefranc, Corentin e quel capolavoro di Gil Jourdan. Tra i nuovi, uno splendido volume appena ricevuto, un album doppio, Elle, di Fanny Montgermont. Una storia molto poetica e splendidamente disegnata. Grazie al cielo non sono affetto da disposophobia (da anni aspettavo di poter usare questo termine), quindi non accumulo, anzi leggo, regalo o butto. Così spesso ricompro le stesse cose a distanza di anni per rileggerle. Sono attratto anche dalle fumettografie minori e cerco di esplorare quelle di paesi che spesso non vengono considerati patrie di fumetti. In questo momento faccio incetta di comics tedeschi e olandesi e di tutti i paesi del nord Europa, ci sono pubblicazioni di pregio, ben fatte, con ottimi disegnatori (più difficile, causa lingua, giudicare i testi). Quando voglio rilassarmi faccio un tuffo nel passato e mi rileggo uno Zagor degli anni Sessanta, un vecchio Alan Ford o un qualsiasi album di Goscinny.

Tex e Adam por Manlio TrusciaCome spieghi il fatto che le migliori serie western (Tex, Blueberry, Comanche o Lucky Luke, per esempio, anche se quest’ultimo in stile umoristico) siano tutte d’origine europea?
Giancarlo Malagutti: Dal punto di vista estetico sono d’accordo, in Europa si sono prodotti i migliori film e fumetti western (almeno negli ultimi tre decenni); forse però in Europa abbiamo fatto solo della bella estetica, perché la distanza, sia storica che fisica, dall’ovest americano ci ha cristallizzato in una idea del west che riprendeva quello classico dei Ford o degli Hawks. Nei fumetti (se escludiamo Blueberry e Ken Parker) il discorso è più o meno simile, non abbiamo mai approfondito temi sociali e psicologie diverse. Il nostro West è una cristallizzazione di miti, sia visivi che storici, sempre situata temporalmente tra il 1870 e 1880. Per gli americani il West è il loro passato, la loro storia e quindi spaziano molto di più, nel tempo e nei temi. Il fumetto americano è molto industria e il tema western ora non è di moda ma, data l’alta professionalità dei loro fumettari, credo che in caso di ritorno del western saprebbero tirar fuori eccellenti prodotti. Nel cinema qualche ottimo prodotto lo sanno sfornare, ultimamente ho visto alcuni bei western con temi molto distanti da quello classico, Monte Walsh e Hidalgo.

Homenagem ao Tenente BlueberryA proposito, come ti è nata l’idea di rendere omaggio al Tenente Blueberry?
Giancarlo Malagutti: Più che un omaggio era una presa in giro. Una gag sulla proliferazione di testate nate per osmosi, del passato, della gioventù, del periodo militare, del bambino, dei what if?, e di tutto quel che vuoi. Contro le quali non ho nulla, anzi, sono divertenti e creano lavoro. Tecnicamente nasce dal fatto che Glenat pubblicava un Preview dei propri album, un bel volume cartonato a colori con in appendice degli omaggi ironici ai fumetti franco-belgi, e proposi la mia idea, ma quando lo portai, in occasione di una Bologna Bookfair, il Preview aveva chiuso al quarto numero. Ho così fatto vedere la tavola agli amici francesi di Hop! che molto gentilmente (è un magazine di critica non di proposte) l’ha pubblicata. Con mio grande piacere.

Hop!Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Giancarlo Malagutti: Anche se non interesserà a nessuno, ho una vera idiosincrasia per tutto quello che viene presentato come il libro del momento, il film che ha incassato di più, ecc., quindi sono sempre in arretrato sulle mode. Pian piano mi sono più interessato ai saggi e alle biografie di personaggi storici. In questo momento sto leggendo sul brigantaggio nelle regioni del sud Italia dopo l’unificazione dello stato italiano. Argomento, situazioni, tasso di violenza e location che nulla ha da invidiare al West e che sarebbe interessante per una miniserie bonelliana. Mi piace il cinema che racconta una storia, anche minimale (The indian runner di Sean Penn), e non si basi solo su effetti speciali e quattro standardizzate frasi fatte a effetto. Ho l’impressione che per la maggior parte siano film fatti per i ragazzi per quanto ci siano degli ottimi prodotti. Il mio nipotino di sei anni mi ha fatto vedere in DVD Bedtime Stories della Disney. Molto divertente. Mi pare che oggi la produzione televisiva sia molto più avanti nei temi e nel linguaggio, mentre il cinema non ha fatto altro che imbambinirsi. Almeno quella TV statunitense perché stenderei un velo pietoso su certe produzioni italiane (escludiamo Montalbano). Steven Bochco questo sconosciuto. Visto che me lo chiedete, vi tedio anche con la musica, ascolto di tutto (nei limiti della decenza) con una preferenza per il rock progressive degli anni ‘70, anche se c’è chi fa delle buone cose pure oggi come I Finisterre o gli Ainur. E dal bello Portogallo ho appena comperato la discografia dei Go Graal Blues Band (blues rock). E sempre grazie al Portogallo ho conosciuto la discografia di Patrizia di Malta.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Giancarlo Malagutti: Credo di avervi annoiato abbastanza.

Caro Giancarlo Malagutti, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Giancarlo Malagutti: Grazie a voi, è stato un piacere.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Tex Série Normal: Terra Prometida

Tex 95Argumento de Gianluigi Bonelli, desenhos de Giovanni Ticci e capas de Aurelio Galleppini.
Com o título original Terra promessa, a história foi publicada em Itália nos números 146 a 149 em 1972 e 1973 e no Brasil, pela Editora Vecchi, nos números 95 a 97.

Há aventuras que nos ficam na memória por bons ou maus motivos. Mas quando o velho oeste é contado de modo tão épico e envolvente, só nos ficam gratas recordações.

Gian Luigi Bonelli assume-se aqui no auge, senhor de uma maturidade e de uma densidade de realçar, um autor capaz de fazer a diferença, ao lado de um Giovanni Ticci cujos desenhos elevam a aventura a letras bem grandes, num trabalho gráfico capaz de ficar na memória de qualquer texiano e que aqui ainda não assumia de modo vincado e concreto o traço seguro e firme tão característico na fase áurea do autor.

Aqui respira-se e gosta-se de western, aqui vivem-se os anseio de uma caravana em busca da terra prometida, aqui reside um pouco da história e da conquista do Oeste, ouvem-se os gritos dos Cheyennes, sente-se a força do punho texiano.

Aqui há drama, aqui há uma atmosfera em crescendo, aqui há energia, tudo resumido, esta história é uma lenda na série.

Texto de Mário João Marques

O Alfabeto do Velho Oeste – Letra E

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira

Wilson Vieira by Fred-MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:

http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira1Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

E

Eagle Bills – Revestimento para estribos, cujo trabalho em couro, lembrava o bico da águia.

Earp – WyattEarp – Wyatt. No fundo, a sua lenda nutre-se da biografia de Stuart N. Lake, com os dados oferecidos, pelo próprio Earp. Ela diz, então, que Earp chegou a Wichita em Maio de 1874 e tornou-se logo o xerife da cidade. O seu pedido para entrar nas Forças da Polícia, é rejeitada. Somente em 21 de Abril de 1875, foi admitido como policial. Isso foi confirmado nos jornais da época e sobre Earp como segue: Em 9 de Maio de 1875 Earp, com o apoio do xerife Behtens, prendeu o ladrão de cavalos W. W. Compton; em 23 de Maio de 1875 Earp não prendeu o cowboy Higginbothan, que, embriagado, cavalgava para cima e para baixo entre o Occidental Hotel e o Empire Saloon, partindo os vidros das janelas e os lampiões das ruas, porque naquela data não teve o apoio de ninguém. Em 10 de Novembro de 1875 Earp, o xerife Meagher e o seu assistente, o xerife Behrens, prenderam certo William Potts e dois homens negros, que posteriormente foram acusados de roubo de cavalos e bovinos. Em 15 de Dezembro de 1875, Earp encontrou, perto da ponte do Arkansas River, um bêbado caído no chão, tendo perto dele um alforge com 500 dólares. Earp levou-o para a prisão da cidade e entregou o dinheiro ao devido dono. Em 23 de Maio de 1876 Wyatt Earp entrou para as Forças de Polícia de Dodge City como assistente de xerife. Em 17 de Outubro de 1876 foi demitido, a seu pedido e abandonou a cidade. Em 21 de Julho de 1877, retornou. Esbofeteou a senhora Frankie Bell que o tinha ofendido e foi por esse motivo condenado pela Corte da polícia ao pagamento de um dólar, o mínimo da multa. No mesmo dia abandonou novamente a cidade e foi para o Texas. Em Forte Clark, montou um saloon, depois que não conseguiu eleger o ajudante de xerife de Dodge City. Em 22 de Janeiro de 1878 o “Ford County Globe” informou que o senhor Wyatt Earp, durante o seu passado por alguns meses tinha “encarnado” a figura do bom policial, voltou para Forte Clark, onde tinha trabalhado como gestor de saloon. Em 14 de Maio de 1878 Charley Bassett assumiu Earp como assistente de xerife, em lugar de Edward Masterson assassinado em 9 de Abril de 1878. O salário de Earp era de 75 dólares. Nos meses sucessivos Earp nunca mais foi noticiado em jornais da comunidade, nem nos verbais da polícia, tão minuciosos assim. O “Ford County Globe” constatou unicamente que “O senhor Earp possui uma magnífica capacidade de prever tiroteios com grande sangue frio, por isso não é aconselhável aos Texanos mais desordeiros “encenarem” brigas, estando ele por perto”. Em 9 de Setembro de 1879, Earp renuncia ao cargo, depois de ter tentado em vão ser xerife, e vai para Las Vegas. Em 27 de Novembro de 1879, o “Dodge City Times”, anunciou que Earp foi por certo período um carteiro da Sociedade de Transportes Wells Fargo & C. Em 1 de Dezembro de 1879, Earp e sua mulher Mattie, que tinha esposado em Dodge City, chegaram a Tombstone, Arizona. A situação de Wyatt Earp em Tombstone é ainda objecto de várias controvérsias. Alguns Historiadores que explicam a não desprezível riqueza dele e dos irmãos Morgan, Virgil, Warren e James, conseguida em Tombstone, afirmam que ele era o “cérebro” de uma banda de bandidos e de ladrões; outros defendem a sua honestidade, pelo facto da sua participação a acções criminosas, nunca terem sido provadas. O famoso tiroteio em OK Corral, é também um tanto obscuro, igual ao tempo passado em Tombstone. Muito foi escrito a propósito, mas nenhuma da numerosas opiniões e nenhum indício é suficiente a fornecer uma explicação plausível naquele acontecimento, nem a sua culpabilidade na participação daquele encontro fatal. O próprio Wyatt Earp deu, com o passar do tempo, três versões distintas desse tiroteio. Mas o que pode ser demonstrado além das dúvidas é que a profissão e a actividade de Wyatt Earp em Tombstone era aquela de gestor de saloon. O verbal do interrogatório de Earp durante uma sessão do Tribunal após o tiroteio de OK Corral em 26 de Outubro de 1881, presidida pelo juiz Spicer, contém as seguintes afirmações sobre Wyatt Earp: “O meu nome é Wyatt Earp e tenho 32 anos. Moro em Tombstone, desde 1 de Dezembro de 1879. Sou gestor de um saloon”. É também verdadeiro que em 1881, Wyatt Earp, teve contra si um mandato de prisão e fugiu para a Califórnia. Earp morreu em 3 de Janeiro de 1929, dois anos antes que o seu biógrafo. Foi sepultado no cemitério hebraico de “Hills of Eternity Memorial Park”, de Colma, perto de San Francisco. Durante a inspecção do seu cadáver, foram descobertas duas antigas cicatrizes, produzidas por arma de fogo.

Edith – Bolling, Galt, WilsonEdith – Bolling, Galt, Wilson. Considerada “A mais bonita primeira-dama dos EUA”. Foi a segunda esposa de Wilson Woodrow, presidente dos EUA.

Edson – Alva, ThomasEdson – Alva, Thomas. Nasceu em Milan, Ohio, foi educado pela mãe, aos 14 anos vendia rebuçados, cigarros e jornais em trens. Em 1868 obteve o seu primeiro registo para um aparelho para registar os votos dos parlamentares. Depois aperfeiçoa o telégrafo automático, inventa o telégrafo Quadruplex e outros aparelhos. Suas invenções ajudaram o financista Americano Jay Gould a conquistar o domínio da Western Union e da Companhia que gerenciava os telégrafos do Oeste. Após infinitas experiências, em 1879 obteve uma lâmpada que podia fornecer luz por mais de quarenta horas. “Foi a invenção que me custou mais cansaço. Eu nunca descobri nada, somente realizei experiências”. Declarou ele certa vez. Em 1887, inspirando-se em aparelhos já existentes, teve a ideia de criar “Pela primeira vez, aquilo que o fonógrafo faz para a audição”. Inventou em 1889 o cinetoscópio. Em 1900 após ter investido todos os seus bens na aquisição de minas de ferro com gigantescas maquinarias para a separação dos minerais, terminou completamente falido, pela descoberta de outros minerais, causando assim a queda do preço do ferro. Depois com novas invenções nos campos dos tecidos, impermeáveis, sinalizações Ferroviárias, construções em cimento, permitiram a ele, a sua retomada e renovada riqueza.

Eight-up – Grupo de 8 cavalos, mulas ou bois, usados em veículos da época.

El RenoEl Reno – 10.000 pessoas vindas dos pontos mais longínquos dos EUA, pagando 15 dólares por cabeça, somente para participar da Corrida. Às 12h00min de 22 de Abril de 1889, o capitão Hays do Exército Federal, disparou com o seu revólver. Os participantes em cavalos, carroças e carroções, avançaram em meio a gritos, relinchos e muita poeira. Os primeiros a chegar, conseguiriam as terras melhores. Esperavam por cada um deles; 160 acres e vinte e quatro horas depois tudo estava já tomado e demarcado. Os agricultores faziam filas em El Reno, para registarem os seus terrenos. A fantástica aventura que passará para a História dos EUA como a “Corrida a Terra Prometida”, havia acabado. Nos anos sucessivos aconteceriam outras “Corridas”, porém menos lendárias do que a de El Reno. No velho território indígena, atravessado pelos pioneiros afamados por terra, surgiram em poucos dias, quatro cidades, e a primeira foi Oklahoma City, que em 1907 iria tornar-se a Capital do novo Estado de Oklahoma. O superintendente dos levantamentos de dados em 1890 encontrou-se em grandes dificuldades e declarou para as autoridades: “Não se pode mais traçar uma fronteira”. Com a corrida disputada em 1889 a “Última Fronteira”, realmente desapareceu.

Emily Elisabeth DickinsonEmily Elisabeth Dickinson – Poetisa Americana (1830/1886), escreveu seis volumes de poesias.

EnchiladasEnchiladas – Pequeno-almoço dos “Vaqueros” Mexicanos; uma fritada à base de milho, ovos, pedaços de carne e muita pimenta.

Equalizer – Termo usado pelos cowboys, para indicar o seu revólver. Esse significado é derivado da antiga mentalidade dos pioneiros, segundo os quais num revólver, bastava uma pressão com o dedo, para efectuar o disparo; e colocava todos os homens no mesmo plano. A nova mentalidade dos cowboys, segundo a qual o sacar um revólver, determinava e tornava-se fácil o uso da violência no selvagem Oeste, descuidava totalmente o facto que a arma na mão de um homem e consequentemente na mão daquele contra o qual essa violência era usada, estabelecia o equilíbrio natural das coisas. Assim a violência armada, seja lá quem fosse que a usasse, atraía instantaneamente a violência, portanto ela perdia o seu lado sinistro. Eis porque os estudos puderam demonstrar que a criminalidade no Oeste, era relativamente mais contida que nos nossos dias, no qual praticamente somente os criminosos e os representantes públicos da Justiça estão armados; enquanto que o cidadão torna-se e permanece mais ou menos indefeso.

Equipamento – O cowboy usava essa expressão, principalmente aos Rancheiros, para indicar um grupo de homens que trabalhavam juntos e deviam reciprocamente, ganhar um sobre o trabalho do outro. Um Rancho e todos os cowboys que nele trabalhassem, eram, portanto, um “Equipamento”. Dizia-se também para designar como o “Pessoal” ou o “Grupo”, homens que não trabalhavam juntos constantemente.

ErieErie – Tribo Iroquês que residia em acampamentos na margem meridional do Lago Erie; opôs-se à participação das Seis Nações Iroqueses do famoso Paco dos Iroqueses e foi por isso chamada “Neutral” pelos Franceses. Por esse motivo foi exterminada até o último guerreiro pelas Seis Nações Iroqueses.

EscalpeEscalpe – André Maurois, em sua “Histórias dos EUA”, escreveu: “O uso do escalpelamento, ou seja, o extrair do crânio a pele com os cabelos de seu inimigo, vem de épocas remotas de sociedades Pré-Colombianas. Os índios das planícies preferiam decapitar os seus prisioneiros, mas começaram a escalpelar, quando as Administrações Coloniais Europeias instituíram “Prémios para Escalpes”. Os escalpes eram leves, mais fáceis para o transporte que cabeças degoladas”.

Escolha do nomeEscolha do nome – O nome dos recém-nascidos era escolhido com relação aos acontecimentos que caracterizavam aquele exacto momento do nascimento. Um dos maiores caciques dos índios Oglalas Tetoons, o famoso “Nuvem Vermelha”, foi chamado assim porque, no momento em que vinha ao mundo, um meteoro tinha atravessado o céu. “Cavalo Louco” devia o seu nome a um cavalo que atravessou a praça principal do acampamento, quando a sua mãe dava à luz. “Rosto Queimado”, um cacique dos Araphoes, teve o seu nome porque, quando ainda muito pequeno, foi desfigurado o seu rosto pela queima de pólvora. Alguns caciques trocaram os seus nomes durante as suas vidas. Por exemplo; “Sitting Bull’, chamava-se antes de se tornar mundialmente famoso “Jumping Badger”.

EscravosEscravos – A Escravidão foi introduzida nos EUA em Agosto de 1619: um navio de guerra holandês ancorou em Jamestown, Virgínia, pois tinha vendido 20 negros em troca de víveres dos quais necessitava, para continuar navegando. Em 1790 os escravos nos EUA, somavam já 697.000. Em meados de 1845 a questão dos escravos dominava a vida política Americana. Com a cultivação em vasta escala do algodão, superando a do arroz, açúcar e tabaco, foi introduzido o sistema de confiar a guarda dos escravos a “Olheiros”, os quais geralmente para demonstrarem as suas capacidades aos patrões recorriam aos meios mais cruéis, para obterem aos negros, a maior quantidade de esforço. O chicote era o meio mais usado. Existiram também patrões que os tratavam com humanidade, mas geralmente os escravos trabalhavam do amanhecer ao entardecer, comendo algo trivial uma vez só ao dia e habitavam em grandes comunidades feitas como barracas de madeira. Eles eram vetados também de receberem qualquer instrução. Um notável jornal do Sul, o “Southern Literary Messanger”, publicou em 1858 um artigo no qual dizia entre outras coisas: “Afirmamos que em todos os Países e em todos os tempos, deva existir uma classe de lenhadores e de portadores de água, que deve sempre, por necessidade, ser um substrato da sociedade. Afirmamos que é o melhor para todos que essa classe seja formada por uma raça pela qual o próprio Deus, tenha posto uma marca de inferioridade física e mental”. Dessa declaração pública, pode-se muito bem compreender como a Escravidão fosse nos EUA, uma instituição que regulava, mais que as relações entre donos de escravos e os próprios escravos; as relações entre brancos e negros. Em 1850, três quartos do algodão do mundo eram semeados, cultivados e colhidos nos EUA, onde 75% dos rendimentos eram destinadas a algumas centenas de pessoas, cujas imensas fortunas, eram exclusivamente provenientes do desfrute desumano da Escravidão. Num anúncio de 1853, lia-se: “De 200 a 1.500 dólares, cada negro! Procuro um bom número de negros para o mercado de New Orleans. O preço citado é para jovem ou homem e de 830 a 1.000 dólares para cada jovem negra. Estou pagando então para esses escravos o melhor preço e desafio qualquer um comprador de Kentucky. O meu escritório está localizado no Broadway Hotel, Broadway, Lexington, Ky., onde sempre estou ou o meu agente”. A compra e venda tanto de cavalos quanto de escravos tinham a mesma modalidade. Outro anúncio dizia: “De Hewlett e Bright, vendemos óptimos escravos, por motivo de mudança. O proprietário dos escravos à causa de sua partida para a Europa, coloca-os à venda, procurar o escritório localizado na St. Louis Street, sábado 6 de Maio, ao meio-dia”. Era elencado então as descrições dos escravos colocados à venda: “Sarah, mulata de 45 anos, boa cozinheira e habituada aos afazeres da casa, é também uma fiel e excelente enfermeira; portanto será uma aquisição primorosa”. ‘Chole, mulata de 36 anos, é sem excepção, uma das domésticas mais competente do lugar, lavadeira e passadeira de primeira ordem, insuperável para um solteiro que deseje uma governante”. “Dandrige, 26 anos, óptimo camareiro, bom pintor e marceneiro, existem poucos como ele em honestidade e sobriedade. Nancy sua mulher, 24 anos, óptima dona de casa. Mary Ann, sua filha, 7 anos, é elegante e inteligente.” Geralmente nas compras desses escravos, a família toda era separada.

Exército Estados Unidos da AméricaExército EUA x Nativos = Principais conflitos entre brancos e nativos Americanos.

1790/1795 – Nordeste dos EUA – Perdas: 896 mortos.
1817/1818 – Guerra Seminoles. Perdas: 46 mortos.
1831/1832 – Guerra Sac & Fox. Perdas: 26 mortos.
1835/1842 – Guerra Seminoles. Perdas: 383 mortos.
1858/1891 – Oeste dos EUA. Perdas: 932 mortos.
Total de perdas – Exército dos EUA – 2.283 mortos.
Total de perdas – Nativos dos EUA – 400.000 mortos.

1858 – Território de Washington, Revolta dos Yakimas sob comando dos caciques Kamiakin, Owhi e Qualchan. Acções militares comandadas pelo major William Jenner Steptoe contra os Spokanes, Palouses e os índios Coeur d’Alêne. Batalha: Spokane Plains, Four Lakes, To-Hoto-Nim-Me. Perdas: 2 oficiais, 10 soldados.
1860 – Nevada. Guerra Paiute. Voluntários sob o comando do major Wulliam M. Ormsby exterminam os Paiutes perto de Numaga em Pyramide Lake.
1862 – Revolta dos Sioux, em Minnesota, Little Crow. Massacre de Neu Ulm. Batalha em Wood Lake, sob o comando do coronel H. H. Sibley (Fort Ridgely). Perdas: 113 homens.
1863/64 – Novo México. Guerra dos Navajos. Coronel Kit Carson vence os Navajos na Batalha em Canyon de Chelly. Após a Batalha os vencidos foram encarcerados na Reserva do Bosque Redondo.
1864 – Novo México. Acções de Guerra contra os Cheyennes, Comanches e Kiowas, sob o comando do coronel Kit Carson. Batalha perto de Adobe Walls. Perdas: 2 soldados.
1864 – Colorado. Acções de Guerra contra os Cheyennes sob o comando de Black Kettle e White Antelope. O coronel J. M. Chivington destruiu no Massacre de Sand Creek duas tribos e seus habitantes.
1864/69 – Guerra Sioux sob o comando de Nuvem Vermelha. Em 20 de Julho de 1865, Batalha em Crazy Woman Crek, Wyoming, Agosto de 1865, ataque ao Grupo Saeyer, Wyoming, 29 de Agosto de 1865, Batalha em Tongue River, Wyoming, 21 de Dezembro de 1866, Massacre de Fetterman, Wyoming, 2 de Agosto de 1867, Batalha dos Carroções, Wyoming, 1 de Agosto de 1867, Batalha de Hayfield, Montana. Perdas: 154 soldados.
1865 – Wyoming, Batalha de Platte Bridge, os Cheyennes comandados por Roman Nose, destruíram um pelotão, comandado pelo tenente Caspar Collins. Entre 12 de Agosto e 15 de Outubro de 1865 os Cheyennes mataram, por vingança pelo Massacre de Sand Creek, 108 civis.
1867 – Batalha dos Carroções, Wyoming.
1867 – Batalha de Hayfield, Montana. Perdas: 154 soldados.
1868 – Batalha de Beecher Island, perto ao Arickaree River. O major George A. Forsyth, juntamente com 50 homens, foi atacado numa ilha do rio, por Cheyennes do Norte e do Sul, sob o comando dos caciques Pawnee Killer, Tall Bull, White Horse e Roman Nose. Perdas: 23 homens.
1868 – Oklahoma. O Sétimo Esquadrão de Cavalaria ataca em Washita uma grande tribo Cheyenne. Matam 101 Cheyennes incluindo mulheres e crianças. Perdas: 1 oficial e 19 soldados.
1868 – Kansas. Batalha perto de Summit Springs. O general Eugene A. Carr comanda uma expedição punitiva com a Quinta Companhia do Quinto Esquadrão de Cavalaria e 150 scouts Pawnees sob o comando do major Frank North e do capitão Luther North. Atacam a tribo Dog Soldier dos Chwyennes a destroem por completo.
1872 – Texas. O coronel Ronald S. McKenzie combate em McClellan Creek os Comanches Quahades e destrói por completo a sua tribo.
1872/73 – Oregon. Guerra Modoc. As tropas do general E. R. S. Canby exterminaram os Modocs, sob o comando do cacique Capitain Jack, na última Batalha decisiva perto de Lava Beds. Perdas: 23 mortos.
1874 – Segunda Batalha perto de Adobe Walls, Novo México. Caçadores de bisontes de Dodge City, conteram vitoriosamente os ataques dos Comanches, sob o comando do cacique Quannah Parker, dos Kiowas sob o comando dos caciques Lone Wolf, Woman Heart e Kicking Bird, dos Cheyennes sob o comando dos caciques Stone Calf e White Shield.
1874 – Texas. Tropas sob o comando do coronel Ronald S. McKenzie vencem a Batalha de Palo Duro Canyon, as tribos reunidas dos Comanches, Kiowas, Araphoes e Cheyennes, que foram encarceradas em Reservas.
1875/1877 – Montana. Guerra Sioux. Em 16 de Março de 1876 o general Joseph J. Reynolds foi derrotado ao ataque a tribos Sioux em Powder River. Perdas: 4 soldados.
17 de Junho de 1876 – O general George Crook, ao comando de 1.300 soldados, foi impedido por 2.000 índios Sioux, sob o comando do cacique Crazy Horse, de continuar o avanço em território Sioux. Em Rosebud River, começa uma Batalha e o general, teve que bater em retirada. Perdas: 8 mortos.
26 de Junho de 1876 – Batalha de Little Big Horn River. O coronel G. A. Custer e os homens da Sétima Cavalaria foram exterminados em exactos 55 minutos. Perdas para o Exército: 11 oficiais, 214 soldados. Perdas totais: 246 mortos.
17 de Julho de 1876 – O general Wesley Merit rechaça os Cheyennes e mata o cacique White Antelop.
8 de Setembro de 1876 – O capitão Anson Mills encontra o esconderijo do cacique Sioux, American Horse, perto de Slim Buttes. O general Crook cerca a tribo e obriga os Sioux a renderem-se. Perdas: 2 mortos.
18 de Outubro de 1876 – O general Nelson A. Milles caça os Sioux, sob o comando do cacique Sitting Bull em Bad Lands.
24 de Novembro de 1876 – Batalha em Crazy Woman Creek. O coronel Ronald S. McKenzie descobre e extermina os Cheyennes fugitivos da Reserva, sob o comando dos caciques: Little Wolf, Dull Knife e Yellow Nose.
3 de Janeiro de 1877 – McKenzie caça os Sioux, comandados por Crazy Horse e  combate-os em Tongue River.
5 de Janeiro de 1877 – Nova Batalha contra Crazy Horse.
8 de Janeiro de 1877 – O cacique Crazy Horse ataca o acampamento de McKenzie em Wolf Mountain.
22 de Abril de 1877 – Os caciques Two Moons e Little Chief rendem-se juntamente a 300 Cheyennes sobreviventes.
26 de Abril de 1877 – O cacique Crazy Horse rende-se juntamente a 2.000 Sioux.
2 de Maio de 1877 – Após uma pequena briga, rende-se o cacique Lame Deer e seus guerreiros Minneconjou Sioux.
1877/1879 – Oregon. Guerra dos Nez Percé. Após vários combates e Batalhas em Big Hole e Camas Meadows, o general O. O. Howard obrigou o cacique Joseph, a render-se. Perdas: 24 mortos.
1878/1879 – Washington. Guerra Bannack. O general O. O. Howard vence os Bannacks, sob o comando do cacique Buffalo Horn. Perdas: 9 mortos.
30 de Setembro de 1878 – O cacique Little Wolf com o seu bando de Cheyennes, fugitivos da Reserva de Oklahoma, foram surpreendidos em Sappa Creek e todos foram executados. Perdas: 2 mortos.
21 de Janeiro de 1879
– Dull Knife, juntamente com os últimos guerreiros Cheyennes, foram derrotados pela Artilharia, perto de Hat Creek Bluffs.
1879 – Colorado. Guerra Ute. Após algumas Batalhas em Red Canyon e Milk Creek, os revoltosos Utes, sob o comando do cacique Ouray, foram encarcerados em novas Reservas e seus outros caciques: Persune, Douglas, Johnson, Ahu-u-tu-pu-wit, Colorow e Matagoras foram encarcerados na prisão de Estado em Leavenworth.
1871/1886 – Arizona. Guerra dos Apaches. Uma após outra, em incontáveis combates, foram dizimadas as tribos Apaches sob o comando dos caciques: Cochise, Mangas Coloradas, Victorio, Nana Loco e Geronimo, até que, finalmente, Geronimo como último cacique, entregou-se em 3 de Setembro de 1886 e deixou-se levar para a Flórida.
1891 – Massacre de Wounded Knee River. Nos últimos dias do ano, o coronel E. V. Summer e o major S. M. Whitside, com tropas do Sétimo e Oitavo Batalhões de Cavalaria, cercaram os últimos Sioux livres, perto de Big Foot, e executaram todos os desarmados: 84 homens e jovens, 44 mulheres, 16 crianças pequenas. Perdas causadas pelas próprias armas de fogo: 31 mortos.

Expansão territorial dos EUAExpansão territorial dos EUA – (Em relação à História dos pioneiros Americanos). Em 1813 os EUA tinham comprado de Napoleão, por 60.000.000 de Francos (20.000.000 dos quais foram para calcular os danos reclamados pelos EUA à França) – A Louisiana, um território a Oeste do Mississippi, que se estendia desde a fronteira do Canadá até o Golfo do México e que compreendia a pradaria Americana em toda a sua extensão, e também uma parte notável da zona montanhosa. O objectivo dos EUA era de ter uma saída para o Oceano Pacífico, para poder criar e desenvolver um comércio com a Ásia. Mas toda a costa do Pacífico estava em mãos estrangeiras. O Oregon era uma colónia Inglesa, a Califórnia era Mexicana. Ao México pertencia, feita a excepção de uma estreita parte costeira da Louisiana, com o porto de New Orleans, toda a costa da península da Flórida e a costa Texana sobre o Golfo do México. Em 1812 os EUA ocupavam a parte ocidental da Flórida. Em 1819 foi comprada da Espanha a parte oriental da Flórida pela quantia de 5.000.000 de dólares, tendo em conta as reclamações por danos pedidos pela Espanha, por cidadãos Americanos. Em 1823, quando o Czar da Rússia, sinalizou a intenção pela costa noroeste até o paralelo 51, terá constatado que este facto expunha os EUA ao perigo de ter em suas terras novas guerras coloniais entre as Potências Europeias, nas guerras que tinham acontecido por vários anos tanto os Ingleses, como os Franceses e os Espanhóis tinham sempre “atiçado” as tribos indígenas contra os colonizadores Americanos, o presidente Monroe anunciou a Doutrina de Monroe. Ao início as Nações Europeias não acreditaram, mas podia-se vislumbrar que esta Doutrina seria o caminho que os EUA manteria como política contra a Europa e a América Latina. Em 1836 os EUA sustentaram as aspirações secessionistas do Texas, o qual se torna um Estado Independente, separado do México, após a batalha perto de Jacinto. Em 1846 o Texas foi aceito pela União. Nesse mesmo tempo, o presidente Americano James Polk tentava convencer o México a renunciar, contra um conveniente pagamento, a todos os territórios até o Rio Grande e a Califórnia setentrional. Quando o resultado não foi positivo, declarou guerra ao enfraquecido México e recebeu, em 1848, com o tratado de paz de Guadelupe-Hidalgo, o território até o Rio Grande, o novo México e a Califórnia setentrional, por um pagamento de 15.000.000 de dólares, após que em 1847 a Califórnia tinha sido conquistada pela força. Em 1846 a Inglaterra renunciou ao Oregon, que desde 1818 tinha sido administrado conjuntamente com os EUA. Isso porque o Oregon, entre 1835 e 1845, tinha sido sempre mais habitado por colonizadores Americanos. Se bem que aos EUA fosse desde o Oceano Atlântico até ao Oceano Pacífico, os 22.000.000 de Americanos, que se concentravam nos Estados costeiros ao Atlântico, mostraram-se poucos interessados em colonizar os territórios além do Mississippi. Esse Estado de facto não foi modificado nem pelas novas colonizações para o Oregon, nem pela transferência dos Mórmons para o Utah. Naquele tempo existiam entre San Francisco da Califórnia, que contava então com 800 pessoas, a velha cidade missionária, Hispano-Mexicana de Santa Fé, no Novo México, e St. Louis em Mississippi, somente ligações frágeis, representadas por nómadas e “Trappers”. Após o fim das guerras na Europa, o movimento emigratório da Europa, teve um notável desenvolvimento. A massa dos imigrantes era constituída por Ingleses, Alemães e Irlandeses.

Expedição HancockExpedição Hancock – Em 1866, foi um ano relativamente calmo ao sul de Plate River, para os índios. No mês de Março de 1867, o general Winfield Scott Hancock organizou em Forte Leanenworth, Kansas, uma expedição de 1.400 soldados, entre os quais 8 companheiros da Cavalaria sob ordens de George Armstrong Custer. Foram combatidos os Sioux e Cheyennes, durante o leito do rio Arkansas, mas os índios não quiseram revidar, tais ataques. Chegaram até a abandonarem os seus acampamentos e começaram a escapar pela Overland Trail. Porém quando três soldados foram mortos em Lookout Station, perto do Forte Hayes, Hancock ordenou a destruição total dos acampamentos indígenas. Com os seus cavaleiros, Custer patrulhava em direcção norte – oeste. Ao amanhecer de 24 de Junho, os Sioux atacaram os seus acampamentos, mas foram rechaçados. Dois dias após, uma caravana levando suprimentos, sob ordem do tenente S. M. Robbins, manteve distante, durante três horas mais de 800 índios. No mesmo dia, o tenente Lynam Stockwell Kidder, que levava uma mensagem para Custer, foi morto juntamente com 10 soldados e um scout índio, do Sexto Regimento de Cavalaria. Em 30 de Julho uma Comissão de Paz foi enviada pelo Congresso com três objectivos: 1 – Terminar com os combates, 2 – Obrigar aos colonos de largarem as suas armas, 3 – Obter de todos a autorização para construir uma linha Ferroviária através das planícies. Em Outubro, teve-se então o encontro em Medicene Lodge, Kansas, no qual participaram os enviados dos índios Araphoes, Cheyennes, Apaches, Comanches e Kiowas. Todos foram de acordo para colocar um fim aos combates e para um Inverno de paz. O Senado, porém, rejeitou em ajustar o acordo e assim o prometido, como armas e munições, não foram distribuídas. Até o final de Agosto de 1867 e o Agosto sucessivo ou seja durante um período de nove meses, aconteceram em Kansas, Nebraska, Texas, Novo México e Arizona, 42 combates com os índios.

Esrays – Boi que durante o ano, inseria-se numa boiada estranha e que durante o Round Up, era procurado pelos cowboys e colocado à parte para ser entregue ao seu dono verdadeiro.

Extracção do ouroExtracção do ouro – O método, muito antigo e simplista, que a massa de garimpeiros de ouro usava no Oeste Americano era a lavagem do ouro (Pacer Mining); ou seja, a lavagem do “Sabão de Ouro” (Placer Gold), o qual, enquanto material tosco pelas intempéries, continha ouro em forma de pó, de grãos, de pequenas folhas ou de pepitas. Esse método necessitava de pouco equipamento, mas de muita água. Geralmente as jazidas de ouro encontravam-se em rochas duríssimas. Somente o mineral aurífero bruto dos elementos imersos na superfície, era transportado pelo curso dos séculos, pelas águas em degelo, as quais o depositavam, por ser mais pesado que os grãos de areia, nas cavidades rochosas e nas fendas, produzidas pela própria água, nos leitos rochosos dos rios. Os garimpeiros espertos encontravam o pó de ouro na areia dos rios, procuravam as jazidas mais resistentes, subindo a correnteza, nas montanhas ou colinas. Cada curso pequeno de água, cada simples nascente, podia conduzir a uma jazida, disposta na água. Por isso enquanto procuravam, faziam contínuos experimentos com a bacia, procurando a cor; das amarelas “partículas de pó” e até as pepitas. Durante essa acção, juntava-se as pedras mais grossas, para chegar aos sedimentos nas cavidades do leito do rio. Para isso bastava cavar poucos metros. Mas onde o leito rochoso era mais profundo, desviava-se a água, através de um canal e faziam-se buracos nos fundos húmidos. Quando enfim encontrava-se ouro, ocorria uma quantidade enorme de água, para separar o material recuperado dos buracos, de outros resíduos. Ora, se como no Oeste a maioria dos rios e seus leitos são pobres de água durante o ano ou até enxutos em meses do Verão, recolhia-se a água do degelo primaveril em grandes reservatórios, e depois a reconduzia, bem dosada num fluxo constante, porém fácil de interromper, para as lavagens. Mas antes o material aurífero teria que ser esmiuçado. Isso acontecia nos (Arrastres), que eram redondos e baixos locais côncavos feitos com pedras de desmoronamentos, com um caibro ao meio e com uma barra ligada a ele num ângulo recto e emergente do local, ao qual eram seguras por pedras pesadas, as correntes. Alguns cavalos moviam continuamente a barra que os pedaços de rochas, desfragmentando-as assim o material na água. A água, escorrendo, transportava consigo o mineral em resíduos, enquanto que a parte com ouro, mais pesada e aurífera, era encaminhada para as comportas (Long Tom ou Sluices), que eram feitas com madeira, contendo três lados, sendo a de cima aberta, enquanto que no fundo eram fixadas hastes onduladas. Nas hastes superiores ficavam as pepitas maiores, nas inferiores as pepitas menores. Na parte mais baixa era fixado um pedaço de tecido grosso no qual permanecia o ouro mais dissolvido, trazido pela água. De tanto em tanto, um homem com balde extraía o material bruto, jogava-o na comporta, deixando escorrer a água. Em intervalos regulares o material depositado era recolhido e uma vez ao dia, jogava-se o recolhido numa bacia de lavagem (Gold Pan), cheia de água até à metade. E com dosados movimentos circulares, da água na bacia, eliminando assim o material desnecessário, de modo a permanecer somente a areia aurífera, pequenas folhas de ouro ou as pepitas. A humidade era eliminada em chapas de ferro e o recavado, o ouro puro, era dividido, geralmente em pepitas, folhas de ouro, ou pó e eram colocados em saquinhos de pele. Se a água fosse pouca, ou longe da jazida, usavam-se pequenos caixotes (Rocker), accionados por dois homens, na procura do ouro. Outro método de lavagem do ouro, similar ao descrito antes, porém praticado em grande escala, portanto já em prática industrial, era o “Alagamento” (Hydraulicking ou Hydraulic Mining). Ou seja, a depuração do barro através de jactos de água. Esse método era somente aconselhado quando as margens declinantes de um curso de água continham ouro. Nas minas, construíam-se grandes reservatórios, esbarrando o curso da água e destes locais a água ia para as jazidas através de imensas tubulações que aumentavam de diâmetro sempre do maior para o menor, aumentando assim sua pressão. Sendo o suficiente para jorrar nos barrancos preciosos. Os homens empregados em tal operação ficavam com água na cintura e os que seguravam as tubulações eram banhados continuamente. A lavagem do ouro nos grandes rios com leitos profundos. Usavam-se os Dredging Boats. Para colocar em prática esse método, construía-se um lago artificial a 300 metros do rio e ligava-se ao rio, através de um canal. O barco de dragagem era previsto de uma longa corrente de baldes que décima da proa transportava para terra ao sistema de lavagem ao meio da embarcação e jogava o recolhido no lago, através de uma segunda fileira de baldes. Tudo isso custava altos preços, tanto em materiais, quanto em trabalhadores e a extracção subterrânea era possível somente através de grandes empresas, possuidoras de grandes capitais. Em oposição à extracção a base de água, a indústria minerária subterrânea era feita no seco. Devagar, o primeiro poço era sustentado por madeira. Quando se tratava de perseguir uma “Veia de Ouro” (Vein ou Lode), nos flancos de uma montanha, precisava-se construir uma galeria, sempre sustentada por vigas de madeira. Quando a mina descia verticalmente, era primeiramente escavado um poço, do qual pouco por vez, abria-se novas galerias, das quais surgiam novos túneis indo até ao ponto de extracção. O ouro recavado era finalmente fundido em barras.

Eyeballing – Antigo método para impedir aos bois selvagens de retornarem a zonas espinhentas. Cortavam-se as suas pálpebras superiores, de modo a que os ramos batessem em suas pupilas. Os “Eyes Openers” seguiam outro método para obter o mesmo resultado; enfiavam bastões em forma de V, com tamanhos de fósforos, entre as pálpebras superiores e as inferiores dos bois selvagens capturados, isso retirava dos animais a vontade de retornarem a tais zonas perigosas. Existiu também o método “Eye Blinding”, que além de impedir que o boi voltasse ao estado selvagem, impedia também aos bois selvagens de não atacarem outros bovinos da manada; por certo período “costurava-se” as pálpebras de tais animais, de modo tal que vissem somente através de uma pequena abertura.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

Portugal – Edições de Maio

Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela LOGISTA PUBLICAÇÕES, para o mês de MAIO de 2010:

Tex 455TEX  455
Vingança Selvagem
Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: José Ortiz

Os quatro pards reúnem-se em Alamita com a intenção de avisar os habitantes sobre o perigo dos assaltantes comanches, que se aproximam da cidade. Tex quer convencer a população de que a única salvação está em os moradores abandonarem as próprias casas e fugirem.
Os homens de Puma Coxo, de facto, estão na trilha dos assassinos de Coração de Urso e propõem-se a, por bem ou por mal, encontrar os culpados do homicídio, fazendo-os pagar com o próprio sangue.
2,90€
.

Tex Coleção 247TEX  COLEÇÃO 247
A Corrida da Flecha
Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Erio Nicolò

O chefe Pequeno Trovão capturou Tex e Tigre para fazê-los pagar com torturas pelo fracasso do ataque a uma caravana da Companhia de Peles Missouri, mas os pards recebem ajuda da mulher índia de Linton, a qual Tex deixara livre, embora ela tivesse matado o marido. Os dois têm assim uma remota chance de fuga, e, enquanto eles disputam a “corrida da flecha”, Carson e Kit Willer bombardeiam o campo Snake com dinamite! A expedição punitiva dos pards e de Pat Mac Ryan contra a desleal Companhia Rocky Mountains então recomeça, agora direccionada a Shady Bill – um matador às ordens de Jackson – e a um comboio de suprimentos para os trappers.
2,90€

Tex Ouro 37TEX OURO 37
Um Tigre na Escuridão
Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Claudio Villa

A Agência de Detectives Pinkerton pede a ajuda de Tex e Carson para desvendar o caso do Tigre Negro, uma seita de fanáticos dirigida por um empresário inescrupuloso.
Enquanto silenciosos pistoleiros de aluguer semeiam a morte na cidade de Leadville, os nossos heróis penetram na fortaleza dos assassinos e enfrentam mil perigos e armadilhas, num labirinto mortal no qual o inimigo espera-os para o último e dramático encontro, no fim de um percurso infernal.
8,50€

Tex edição em cores 1.
TEX EDIÇÃO EM CORES 1
O Totem Misterioso
Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Aurelio Galleppini

Além do Texas, no Canyon Rainbown, Tex intercepta a perseguição de uma jovem índia pawnee por Coffin e seus comparsas. Levando a pior, o justiceiro solitário é baleado de raspão na cabeça, caindo de um penhasco no rio abaixo e a índia deixada enterrada viva na areia.
Recuperando-se, Tex liberta Tesah e descobre que Coffin matara Urso Cinzento o pai da jovem, e agora a perseguira para obter o “símbolo do totem”, um medalhão que mapeia o tesouro sagrado dos pawnees.
Deixando a índia em lugar seguro o pistoleiro parte para Calver City à caça de Coffin. Logo descobre o bandido em sua casa planejando com Dente de Lobo a busca ao tesouro. Interrompendo-lhes a conversa, Tex recupera o valioso objecto e após ferir o índio que reagira, foge sendo perseguido pelos outros do bando.
12,00€

Zagor 104ZAGOR 104
O Trono dos Deuses

Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Della Monica

O vulcão Herdubreid, com o seu topo coberto de gelo, é a meta final do professor Richter, que já anos atrás buscou desvendar os seus segredos, em vão. Sobre os picos nevados e nas vísceras escuras da montanha acontecerá o encontro final de Richter com o Espírito da Machadinha, num lugar que guarda o anel sinistro do mais escarnecedor dos deuses do Olimpo nórdico, o malvado Loki. Zagor conseguirá impedir que o seu inimigo se apodere das terríveis invenções de Atlântida?
3,50€

Zagor Extra 68ZAGOR EXTRA 68
Sepultados Vivos
Texto: Moreno Burattini – Desenhos: Galieno Ferri

Quem é o misterioso assassino do Vale Rosado?
E onde está escondido o tesouro?
É o que Zagor, Chico e o padre Doyle tentam descobrir, vagando entre passagens secretas, grutas, cavernas e rios subterrâneos, enquanto procuram decifrar indicações obscuras. No final, junto a todas as outras respostas, de forma inesperada surge a identidade do culpado.
3,50€

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Júlia 61AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA 61

Jogando com a Vida
Texto: Giancarlo Berardi
e Maurizio Mantero – Desenhos: Steve Boraley

As consequências letais de um desafio insensato, maturado no ambiente dos gangues juvenis e das corridas de carros clandestinas, são o centro da nova investigação de Júlia. Cyrus e Hogan, os chefes dos “Raven” e dos “Hotrod”  enfrentam-se numa disputa de coragem cujo limite é a morte: correr à velocidade máxima directo a um precipício e travar no último instante. Vence quem trava por último. Mas para Cyrus não haverá nenhuma possibilidade de travar…
4,00€

Mágico Vento 90MÁGICO VENTO 90
Fera Desconhecida
Texto: Gianfranco Manfredi – Desenhos: Perovic

Continua a aventura nas Badlands. Mágico Vento procura conduzir a salvo as famílias Sioux, encontrando-lhes abrigo próximo a uma aldeia de guerreiros enjeitados, expulsos de suas respectivas tribos. O grupo vem sendo atacado pelos Shoshones liderados por Fera Desconhecida, que cai prisioneiro de Ned e de seus aliados. Fera Desconhecida, porém, é um combatente indómito e não tem intenção alguma de permanecer aprisionado: nossos heróis terão muito trabalho para não deixá-lo fugir. No entanto, Lava Incandescente aproxima-se do acampamento dos enjeitados, decidido a libertar o seu irmão. Logo, muito sangue correrá nas Badlands!
3,50€