TEX SEM FRONTEIRAS: Guglielmo Letteri

Por G. G. Carsan*

Meus amigos texianos,
Quando a gente pensa que já viu, ouviu, cheirou, sentiu e degustou tudo do universo de Tex, Tex Willer ou Águia da Noite, eis que surgem factos novos, positivos ou não (felizmente, mais positivos do que negativos), até porque a publicação do decano Ranger do Texas está de vento em popa na Itália e no Brasil, os dois países onde ocorrem mais leitores da personagem da casa Bonelli, e por isso, novas ocorrências saltam da panela para as nossas vidas de fãs e coleccionadores.

Guglielmo LetteriPara mim é muito fácil escrever sobre Tex haja vista a minha vivência com a personagem, o difícil e que me incomoda é conseguir agradar aos leitores que acompanham os meus escritos, mas vamos tentando fazer o melhor, na intenção de levar novas informações e análises sinceras e técnicas sobre essa publicação de sucesso.

Para abrir esta rubrica, que optamos por chamar de “Tex sem Fronteiras”, pois Tex não tem limites, pode ser degustado por qualquer um, de qualquer idade, em qualquer lugar, trazemos algumas considerações sobre o desenhador Guglielmo Lettèri, uns dos mais indesejados pelos fãs e coleccionadores que não lhe economizam críticas.

Antes de fritar ou crucificar o Lettèri, é necessário saber que ele foi uma das bases de sustentação da personagem durante 5 décadas. Juntamente com Galep (criador gráfico de Tex) e Ticci (Vingança de Índia, Texas Bill*), formou o tripé responsável pelo crescimento do Ranger, para que fosse possível ter a revista nas bancas, para que não atrasasse.

Arte de Guglielmo LetteriLettèri, a quem chamo de O Homem-Mistério no livro ‘Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste’, nasceu em 1926 em Roma e dei-lhe este apelido devido às aventuras que lhe caíram nas mãos para desenhar, sempre puxando para o mistério, como Tex 65 (A Flor da Morte), Tex 92 (Diablero), Tex 119 (O Homem das Mil Caras), Tex 215 (A Tragédia do Shangay Lady), Tex 297 (Retorno a Pilares), etc. Somente em Tex normal desenhou 42 aventuras.

E pergunto-me porque G. L. Bonelli (criador de Tex), Sergio Bonelli (Guido Nolitta em Zagor) ou o Decio Canzio (curador de Tex durante décadas) sempre escolheram as aventuras envolvendo mistério para ele desenhar – as aventuras eram escritas sob medida para o seu traço e talento? Havemos de pensar que não era caso de coincidência, pois foram dezenas de histórias assim. Vem mais imaginação: Talvez ele contribuísse com o roteirista na formação da história.

Tex letteriano em acçãoFoi o primeiro a se revezar com o Galep na década de 60. Ganhou o respeito dos leitores à época, tanto que permaneceu firme com Tex até à sua morte, mas não conseguiu ser bem quisto e passou a ser combatido pelos leitores mais recentes. Hoje, nas pesquisas e opiniões na Internet, é difícil uma palavra elogiosa.

Logicamente que a minha defesa se faz porque gosto do seu traço, muito mais do que de outros que passaram por Tex, mas principalmente porque acredito que a sua importância foi grande, marcante e essencial para termos uma personagem firme e forte no mercado há mais de 60 anos e não podemos deixar de lhe dar o devido valor, tributo, reconhecimento.

Uma coisa que não podemos negar é o padrão imposto pelo desenhador, tanto que não percebemos muita diferença entre os seus primeiros e últimos Tex, como aconteceu, por exemplo, com Fusco (Caçada Humana, Morte no Rio das Almas) e Ticci, cujas personagens receberam mudança radical entre épocas. O Tex letteriano é singular, constante, segue um ritmo tranquilo, boa dosagem de branco e preto. Existe um cuidado muito grande na formação e desenvolvimento das acções, nas personagens e nas aventuras que tomou conta.

Tex Willer por Guglielmo LetteriEm todas as actividades existem os melhores, os maiores, mas seria no mínimo injusto de nossa parte, desmerecer, ocultar e diminuir a importância de Lettèri no universo texiano. Por isso, ao me confraternizar com Lettèri, que já está nas Grandes Pradarias de Manitu desde 2006, é para lhe creditar definitivamente os meus, e de tantos outros anónimos, os mais sinceros parabéns e dizer de alto e bom som ‘obrigado Lettèri, descanse em paz, pois tu foste grande e o teu trabalho muito importante tanto para o Tex como para os seus milhares de leitores’.

E assim, esperamos caro amigo texiano, ter realizado um tributo ao mestre dos mistérios e ter chamado a sua atenção para a importância desse ícone na saga do Tex, cuja ficha de serviços prestados é das mais intensas e primordiais, ao tempo que lembramos que eficiente e eficaz não é somente o mais bonito, mas aquele que não falha, não quebra, não se esconde, e cumpre a sua missão dentro da equipa.

Forte abraço a todos e até a próxima.

G. G. Carsan

Texas Bill* – Na realidade, e como fomos alertados através de um comentário, “Texas Bill” foi desenhada por Galep e Muzzi.

G. G. Carsan

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* G.G.Carsan, 45 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 5 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet) e um livro sobre a personagem no Brasil. Escreve para o Portal TexBr e participa de chats e comunidades no orkut. Fez matérias especiais para o HQ Maniacs e Universo HQ nas comemorações de 60 anos. Mantém a biblioteca aberta para visitantes..

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Entrevista com a fã e coleccionadora: Nicole Di Domenico

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Nicole Di DomenicoPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Nicole Di Domenico: Meu nome é Nicole Di Domenico, sou gaúcha de Caxias do Sul, Brasil, estudo e tenho 14 anos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Nicole Di Domenico: O meu interesse pela banda desenhada nasceu desde os tempos em que lia Turma da Mônica e Pato Donald. Sempre tive interesse por quadradinhos,e quando o meu pai ‘reencontrou’ as revistas Tex, comecei a lê-las e desde então nunca mais as larguei.

Quando descobriu Tex?
Nicole Di Domenico: Descobri quando o meu pai estava organizando algumas caixas no sótão e tirou duas caixas forradas de revistas do Tex. Infelizmente algumas estragaram-se com o tempo.

As revistas Tex de Nicole Di DomenicoPorquê esta paixão por Tex?
Nicole Di Domenico: Por que Tex e os seus pards vivem aventuras fascinantes, que me fazem viajar dentro delas.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Nicole Di Domenico: Tex demonstra que a justiça realmente existiu em algum tempo, provando que não é preciso ter super-poderes para se tornar numa das mais adoradas revistas de todos os tempos.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Nicole Di Domenico: São 87 revistas ao todo; não tenho uma que possa considerar mais importante.

A biblioTEX de Nicole Di DomenicoColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Nicole Di Domenico: Colecciono tudo que esteja ao meu alcance.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Nicole Di Domenico : Gostaria de possuir todas as revistas que completem os buracos da minha colecção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Nicole Di Domenico: Não tenho uma história favorita. O desenhador que mais aprecio na verdade são dois: Galep e Lettèri. E argumentista é G. L. Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Nicole Di Domenico: Penso que o que mais me agrada em Tex e o que menos me agrada estão equilibrados fazendo com que eu leia sempre mais.

Nicole Di Domenico bebendo chimarrão e lendo TexEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Nicole Di Domenico: Ser inspirador, ter senso de justiça e ser o que é.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Nicole Di Domenico: Na verdade, nunca tive a oportunidade.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Nicole Di Domenico: Um futuro recheado de óptimas aventuras para o nosso querido Ranger!

Prezada pard Nicole Di Domenico, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Os diversos Tex, por Marcos Junio Ferreira dos Santos

Marcos Junio Ferreira dos SantosO blogue do Tex apresenta hoje várias versões de Tex Willer, da autoria do jovem Marcos Junio Ferreira dos Santos, um já grande fã e coleccionador do Ranger, para além de ser também um promissor desenhador a quem auguramos um futuro bastante auspicioso no que à 9º Arte diz respeito, que reinterpreta com o seu traço, os rostos do Ranger realizados por alguns dos maiores desenhadores que já passaram por Tex:  Alberto Giolitti, Aldo Capitanio, Alfonso Font, Andrea Venturi, Stefano Andreucci, Aurelio Galleppini, Bruno Brindisi,  Carlo Raffaele Marcello e Colin Wilson, como se pode verificar nas imagens que se seguem:

Os diversos Tex, por Marcos Junio Ferreira dos Santos - 1

Os diversos Tex, por Marcos Junio Ferreira dos Santos - 2

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Póster Tex Nuova Ristampa 141

Póster Tex Nuova Ristampa 141

Vemos nesta ilustração de Claudio Villa,  Negrito, um valoroso apache coyotero, exultando de alegria depois de Tex Willer lhe ter oferecido a sua (e a de Kit Carson) Medalha de Valor do Congresso Americano, a mais alta honraria concedida por uma acção de guerra, que lhe tinha sido entregue segundos antes pelo Major Rodewall, pelos serviços prestados no México.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Frontiere di fuoco” de Guido Nolitta e Aurelio Galleppini (Tex italiano #223 a #226).
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Texto de José Carlos Francisco