Por G. G. Carsan*
Meus amigos texianos,
Quando a gente pensa que já viu, ouviu, cheirou, sentiu e degustou tudo do universo de Tex, Tex Willer ou Águia da Noite, eis que surgem factos novos, positivos ou não (felizmente, mais positivos do que negativos), até porque a publicação do decano Ranger do Texas está de vento em popa na Itália e no Brasil, os dois países onde ocorrem mais leitores da personagem da casa Bonelli, e por isso, novas ocorrências saltam da panela para as nossas vidas de fãs e coleccionadores.
Para mim é muito fácil escrever sobre Tex haja vista a minha vivência com a personagem, o difícil e que me incomoda é conseguir agradar aos leitores que acompanham os meus escritos, mas vamos tentando fazer o melhor, na intenção de levar novas informações e análises sinceras e técnicas sobre essa publicação de sucesso.
Para abrir esta rubrica, que optamos por chamar de “Tex sem Fronteiras”, pois Tex não tem limites, pode ser degustado por qualquer um, de qualquer idade, em qualquer lugar, trazemos algumas considerações sobre o desenhador Guglielmo Lettèri, uns dos mais indesejados pelos fãs e coleccionadores que não lhe economizam críticas.
Antes de fritar ou crucificar o Lettèri, é necessário saber que ele foi uma das bases de sustentação da personagem durante 5 décadas. Juntamente com Galep (criador gráfico de Tex) e Ticci (Vingança de Índia, Texas Bill*), formou o tripé responsável pelo crescimento do Ranger, para que fosse possível ter a revista nas bancas, para que não atrasasse.
Lettèri, a quem chamo de O Homem-Mistério no livro ‘Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste’, nasceu em 1926 em Roma e dei-lhe este apelido devido às aventuras que lhe caíram nas mãos para desenhar, sempre puxando para o mistério, como Tex 65 (A Flor da Morte), Tex 92 (Diablero), Tex 119 (O Homem das Mil Caras), Tex 215 (A Tragédia do Shangay Lady), Tex 297 (Retorno a Pilares), etc. Somente em Tex normal desenhou 42 aventuras.
E pergunto-me porque G. L. Bonelli (criador de Tex), Sergio Bonelli (Guido Nolitta em Zagor) ou o Decio Canzio (curador de Tex durante décadas) sempre escolheram as aventuras envolvendo mistério para ele desenhar – as aventuras eram escritas sob medida para o seu traço e talento? Havemos de pensar que não era caso de coincidência, pois foram dezenas de histórias assim. Vem mais imaginação: Talvez ele contribuísse com o roteirista na formação da história.
Foi o primeiro a se revezar com o Galep na década de 60. Ganhou o respeito dos leitores à época, tanto que permaneceu firme com Tex até à sua morte, mas não conseguiu ser bem quisto e passou a ser combatido pelos leitores mais recentes. Hoje, nas pesquisas e opiniões na Internet, é difícil uma palavra elogiosa.
Logicamente que a minha defesa se faz porque gosto do seu traço, muito mais do que de outros que passaram por Tex, mas principalmente porque acredito que a sua importância foi grande, marcante e essencial para termos uma personagem firme e forte no mercado há mais de 60 anos e não podemos deixar de lhe dar o devido valor, tributo, reconhecimento.
Uma coisa que não podemos negar é o padrão imposto pelo desenhador, tanto que não percebemos muita diferença entre os seus primeiros e últimos Tex, como aconteceu, por exemplo, com Fusco (Caçada Humana, Morte no Rio das Almas) e Ticci, cujas personagens receberam mudança radical entre épocas. O Tex letteriano é singular, constante, segue um ritmo tranquilo, boa dosagem de branco e preto. Existe um cuidado muito grande na formação e desenvolvimento das acções, nas personagens e nas aventuras que tomou conta.
Em todas as actividades existem os melhores, os maiores, mas seria no mínimo injusto de nossa parte, desmerecer, ocultar e diminuir a importância de Lettèri no universo texiano. Por isso, ao me confraternizar com Lettèri, que já está nas Grandes Pradarias de Manitu desde 2006, é para lhe creditar definitivamente os meus, e de tantos outros anónimos, os mais sinceros parabéns e dizer de alto e bom som ‘obrigado Lettèri, descanse em paz, pois tu foste grande e o teu trabalho muito importante tanto para o Tex como para os seus milhares de leitores’.
E assim, esperamos caro amigo texiano, ter realizado um tributo ao mestre dos mistérios e ter chamado a sua atenção para a importância desse ícone na saga do Tex, cuja ficha de serviços prestados é das mais intensas e primordiais, ao tempo que lembramos que eficiente e eficaz não é somente o mais bonito, mas aquele que não falha, não quebra, não se esconde, e cumpre a sua missão dentro da equipa.
Forte abraço a todos e até a próxima.
G. G. Carsan
Texas Bill* – Na realidade, e como fomos alertados através de um comentário, “Texas Bill” foi desenhada por Galep e Muzzi.
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* G.G.Carsan, 45 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 5 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet) e um livro sobre a personagem no Brasil. Escreve para o Portal TexBr e participa de chats e comunidades no orkut. Fez matérias especiais para o HQ Maniacs e Universo HQ nas comemorações de 60 anos. Mantém a biblioteca aberta para visitantes..
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