600 vezes Tex

Seiscentas edições de Tex, uma meta extraordinária para uma personagem que nunca deixa de surpreender!


Parece que foi ontem mas já se passaram dois anos desde que Sergio Bonelli sublinhou um importante aniversário alcançado pelo nosso Tex. Com o número 575, intitulado “Sul sentiero dei ricordi” (no Brasil: “Na Trilha das Recordações“) e datado de Setembro de 2008, na verdade, nós comemoramos sessenta anos de presença nos quiosques italianos de Águia da Noite, uma façanha extraordinária de uma personagem que, como todos sabem, representa um inimitável fenómeno editorial.

E hoje aqui estamos nós de novo, pards, com mais um recorde! Depois de 100, 200, 300, 400, 500 edições (sem contar as cada vez mais numerosas edições fora de série, divididas entre Speciali, Maxi e Almanacchi del West),  no momento em que na capa do volume que chega às bancas italianas em 7 de Outubro comparece, com orgulho, um número invejável 600, acompanhado do usual “Tutto a colori!” (como podemos ver na imagem ao lado) das edições centenárias, Sergio Bonelli não pode deixar de agradecer, com um único ideal e um emocionado abraço, o exército de leitores que aguardam cada mês, o encontro com o Ranger mais famoso da banda desenhada. Assim como igualmente grato e com um sincero obrigado agradece o profissionalismo e entusiasmo de todos os autores que contribuiram para dar seguimento ao legado de Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, para manter viva uma imagem que não tem igual no mundo da banda desenhada, seja na própria Itália ou em outros países.

A propósito desta mítica capa, ela é inspirada numa pose de John Wayne conforme se comprova no cartaz do filme “Sentieri Selvaggi” (no original The Searchers; em Portugal, A Desaparecida; no Brasil, Rastros de Ódio):

Mas para falar desta capa, ninguém melhor do que o próprio autor, Claudio Villa:

A ideia da capa é uma simples citação. Tex na pose de John Wayne: duas personagens que encarnam o Oeste nos corações dos fãs. O fundo branco é uma aposta, no caleidoscópio de cores que são os quiosques hoje em dia. Mas a Tex basta Tex para apresentar-se. A não inclusão dos 4 pards na capa, prende-se com o facto de terem comparecido na edição nº 500.  Simplicidade e discurso directo: o número por trás de Tex diz tudo: chegamos ao 600. Como Tex, uma capa de poucas palavras…

Falando da edição em si, trará uma aventura (a cores) de 110 páginas, escrita por Mauro Boselli e desenhada por Giovanni Ticci e cujo título é “I demoni del Nord” (Os Demónios do Norte). É uma história de características misteriosas, ambientada no Canadá, com os 4 pards e com a participação de Jim Brandon. Os adversários serão uma misteriosíssima tribo de índios antropófogos… mas melhor do que as palavras, eis duas páginas da história do Tex nº 600:


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Entrevista com o fã e coleccionador: Francisco Leido dos Santos Jr. (Shikus)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Francisco Leido dos Santos: Moro em Natal, cidade onde nasci, localizada no Rio Grande do Norte, Nordeste brasileiro. Tenho 31 anos,  trabalho como suporte técnico na área de informática e formei-me em Jornalismo pela Universidade Federal do RN – hoje curso Filosofia nesta mesma universidade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Francisco Leido dos Santos: Vem desde criança. A minha educação nos primeiros anos da escola primária era muito fraca e a minha mãe acabou tomando para si a missão de melhorar a minha leitura e escrita. Para me incentivar a ler, ela convenceu o meu pai a comprar quadradinhos, o que acontecia nos dias em que ele recebia o salário do mês. Eu lia as revistas e trocava-as, em sebos (em Portugal: alfarrabistas) e com colegas da escola. Li muita Disney, Turma da Mônica e alguns super-heróis.

Quando descobriu Tex?
Francisco Leido dos Santos: É curioso que antes de mim ninguém na minha família lia Tex. O meu pai comprava muitos livros de bolso com histórias de guerra e de faroeste, e eu gostei muito destes últimos. Isso despertou-me o interesse pelo tema – alguns filmes e brinquedos também ajudaram. Um dia fomos visitar um cliente – meu pai consertava electrónicos nesta época – e o sujeito tinha umas revistas de Tex espalhadas sobre uma mesa. Aí eu, para passar o tempo, comecei a ler algumas e na hora de partir, na maior cara de pau, pedi para ficar com uma – o meu pai quase morreu de vergonha com o pedido inusitado, hehehe. O dono da casa foi super simpático e acabou dando-me uma revista de presente. Eu ainda me lembro qual era a história – A Hora da Violência, escrita por G. L. Bonelli e desenhada por Lettèri (que acabou se tornando o meu artista favorito). Parte dessa aventura foi republicada pela Mythos na Tex Coleção 225 e quando vi esta edição numa banca de jornal pensei “hora de voltar às pradarias!” e acabei comprando. Foi o reinício da minha relação com a personagem Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Francisco Leido dos Santos: Eu amo quadradinhos. E sempre gostei do género western. Agora junte isso a uma personagem carismática, histórias bem construídas e uma arte de qualidade. Não tinha como não me apaixonar.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Francisco Leido dos Santos: Tex é a encarnação da justiça, um paladino moderno. Ele nunca recusa um pedido de ajuda e está sempre pronto para socorrer qualquer um, conhecido ou não. Ele vê todos os homens como iguais. É fiel ao seu povo e aos seus amigos. É incorruptível e muito inteligente. Conhece bem a natureza humana. Enquanto os heróis de outros géneros demolem cidades inteiras para derrotar seus inimigos, Tex sempre põe em primeiro lugar a protecção dos mais fracos. E ele não descansa enquanto não vê a justiça triunfar. Se tivéssemos hoje homens que fossem 50% do que Tex é, o nosso mundo seria um lugar muito mais seguro e justo.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Francisco Leido dos Santos: Tex mensal, 52 revistas. Tex Coleção, 51. Outros títulos diversos, 61. Total de 164 edições, todas devidamente protegidas em sacos plásticos. As minhas edições mais importantes são duas: a Tex Coleção nº 225, que comprei em Outubro de 2005 e foi o reinício da minha colecção; e uma edição colorida com a aventura “O Ídolo de Cristal”, publicada pela editora Globo, e que foi a única revista Tex que “sobreviveu” à minha infância.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Francisco Leido dos Santos: Por enquanto, devido às limitações orçamentárias, detenho-me apenas às edições regulares. As especiais eu compro quando a história publicada me interessa. Estou fazendo um esforço enorme para comprar a edição colorida recentemente lançada aqui no Brasil – espero que a colecção vingue, pois adorei o material.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Francisco Leido dos Santos: A revista que restou, a Tex colorida com a história “O Ídolo de Cristal”. Durante muito tempo eu dei-a como perdida, até que a reencontrei durante a limpeza de um armário condenado pelos cupins.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Francisco Leido dos Santos: Minha história favorita é El Muerto. Eu tive a revista no passado, quando foi publicada pela Rio Gráfica, e a readquiri quando foi lançada no Almanaque Tex nº 7. Nunca esqueci desta aventura – o rosto medonho do antagonista e sua triste história, o dinamismo da narrativa, o bom uso das personagens auxiliares e a presença do desfecho mais perfeito e clássico das histórias de western que eu acompanhava – o famoso duelo ao fim do dia. Inesquecível. Outra história que me marcou foi O Caçador de Fósseis, um verdadeiro romance em forma de BD. O meu desenhador favorito, como citei antes, é o Guglielmo Lettèri, seguido de perto pelo José Ortiz. Dos argumentistas, não tem como vencer G. L. Bonelli, mas destaco também Guido Nolitta, Mauro Boselli e Antonio Segura.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Francisco Leido dos Santos: O que me agrada mais – além de tudo que já citei da personagem em si – é a qualidade das histórias, tanto no quesito roteiro como na arte. Mesmo depois de décadas de publicação o padrão mantém-se altíssimo. O que me agrada menos é o pouco destaque que se dá hoje às personagens coadjuvantes. Tenho a impressão que antigamente elas participavam mais das histórias e eram melhor desenvolvidas. Hoje andam tão sumidas que cabe ao Tex bolar todos os planos, resolver todos os problemas, contar todas as piadas e salvar todo o mundo, tornando a personagem omnipresente demais, quase um Super-Homem.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Francisco Leido dos Santos: Seu grande senso de justiça e o respeito que ele tem por todos os homens honestos, de todas as raças. Numa época extremamente relativista e racista como a actual, é maravilhoso termos uma personagem como essa com tantos fãs e admiradores. É uma mostra de que ainda temos pessoas honradas, de carácter e amantes da justiça espalhadas pelo mundo.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Francisco Leido dos Santos: Ainda não tive o prazer, mas planejo fazê-lo num futuro próximo, quando algum encontro do tipo acontecer aqui por perto.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Francisco Leido dos Santos: O melhor possível. Tex tem uma base sólida de fãs e estes sempre estão a falar bem da personagem, tanto no mundo real como nas infinitas pradarias virtuais. Veja só a quantidade de edições de Tex que temos hoje no mercado e compare com uma década atrás. A Bonelli vem fazendo um óptimo trabalho e espero que continue assim por muitas décadas. A Mythos também não fica atrás. E graças à Internet posso manter contacto com outros fãs, conhecer novas personagens, ver o que rola nos bastidores das editoras, ler resenhas de aventuras e posteriormente adquiri-las com relativa facilidade. Não há época melhor para quem ama e colecciona as aventuras do grande Tex.

Prezada pard Francisco Leido dos Santos Jr., agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Victor de la Fuente por Bira Dantas

O caricaturista brasileiro Bira Dantas a propósito do recente falecimento do consagrado desenhador espanhol Victor de la Fuente resolveu homenagear este Mestre da 9ª Arte, que desenhou inclusive Tex Willer, com uma caricatura feita propositadamente para o efeito (e em exclusivo para o blogue do Tex), conforme se pode constatar na bela imagem que abre este post.

Ubiratan Libanio Dantas de Araújo, nasceu em São Paulo, capital, em 03/03/1963. Vive em Campinas, São Paulo, Brasil, onde casou com uma médica (Cláudia), tem uma enteada (Alice) de 26 anos e uma filha (Thaís) de 8 anos. Fez curso de Editoração em BD (USP) e Design Gráfico. Mas aprendeu BD de forma autodidacta. Foi muito influenciado por Angelo Agostini, J.Carlos, Belmonte, Carlos Estevão, Henfil, Fortuna, Millôr, Ziraldo, Jaguar, Angeli, Laerte, P.Caruso, Sábat, Carlos Nine, Moebius, Burne Hogarth, Manara.

Recentemente Bira Dantas entregou uma adaptação de Literatura em BD, uma parceria com o argumentista Ronaldo Antonelli (O Ateneu, de Raul Pompéia), a ser publicado pela Escala Educacional.
Está também há um mês com tiras diárias de Tatu-man no Jornal Correio Popular (Campinas/São Paulo), um anti-herói que vai contracenar com outras personagens (em forma de homenagem) de BD como Diabo Coxo, Tatoozinho, Jeca Tatu, Amigo da Onça, Juca Pato e TEX!!!!!!!!!

Para conhecer melhor este Mestre da Nona Arte, não deixe de ler a entrevista que Bira Dantas concedeu em exclusivo ao blogue do Tex!

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6º Festival Internacional de BD de Beja em destaque no editorial de Sergio Bonelli, na edição de Tex Tre Stelle #559, de Setembro de 2010

Na edição italiana Tex Tre Stelle nº 559, de Setembro de 2010, o editor italiano de Tex e responsável pela editora com o seu nome, Sergio Bonelli, volta a dedicar um novo editorial de Tex a Portugal.

Desta vez para falar das comemorações do vigésimo quinto aniversário de Fabio Civitelli a desenhar Tex, ocorridas em Portugal, integradas no 6º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja com realce para nova presença do consagrado artista italiano no nosso país e para a realização de uma mostra pessoal onde estiveram expostas uma vez mais em Portugal, páginas originais de Tex e ainda pelo belo troféu em vidro atribuído pelos fãs e coleccionadores portugueses de Tex a Fabio Civitelli como forma de homenageá-lo por todos estes anos que tem dado a Tex Willer.

Este editorial é mais uma prova inequívoca da importância (e do carinho) que Sergio Bonelli,  dá à presença de Tex em solo português, mesmo sendo Portugal um país onde Tex não é editado, como o próprio editor italiano já fez referência diversas vezes em anteriores editoriais dedicados a Portugal..

De seguida, damos então a conhecer (na nossa língua*) a todos os interessados, o editorial de Tex Tre Stelle #559:

“Caros amigos,

os mais atentos (mas também os mais veteranos) leitores desta página devem se recordar dos bons tempos em que, cheio de vontade e dinamismo, eu ganhei a fama de editor sempre presente em todas as manifestações de quadradinhos, da mais modesta e desconhecida àquelas (poucas) universalmente conhecidas. Há algum tempo, infelizmente, as energias psicofísicas não são mais as mesmas e, por isso, eu me vi forçado a dosar as minhas viagens, a pesar também a quilometragem dos deslocamentos. Ainda bem que um dos nossos, o desenhador Fabio Civitelli – a mostrar o mesmo entusiasmo e a mesma paixão com que ainda hoje, depois de tanto tempo, desenha as páginas de Tex – assumiu em nome da Editora a tarefa de nos representar em muitas das ocasiões de encontro com o público às quais somos convidados.

Eu já tive oportunidade de falar de algumas viagens de Civitelli a várias localidades italianas e europeias, mas desta vez desejo destacar o relacionamento particular que o simpático desenhador aretino estabeleceu com os nossos colegas de Portugal, realmente incansáveis em organizar eventos dedicados aos quadradinhos. Neste ano, mais uma vez, Fabio foi convidado – e muito bem acolhido – pelo Festival Internacional de BD de Beja (de 29 de Maio a 13 de Junho de 2010), em Portugal, que lhe dedicou uma mostra pessoal e lhe conferiu um merecido prémio (como se vê na foto desta página) pelos vinte e cinco anos passados “sob a bandeira de Águia da Noite“.

Então, não foi por acaso que, numa recente entrevista concedida aos amigos José Carlos Francisco e Júlio Schneider, Civitelli fez um balanço sintético dessa longa experiência, em que disse: “Com o tempo os momentos de dificuldade, que evidentemente existiram, desaparecem na recordação e reforçam-se os momentos agradáveis: conhecer tantos leitores apaixonados, na Itália como em Portugal, o apreço da Editora que me permitiu realizar a edição comemorativa dos sessenta anos, e também viajar por toda a península italiana e ao exterior para promover Tex, a fazer com que eu me sinta um pouco um embaixador dos quadradinhos italianos“.

De minha parte, com uma pontada de orgulho militar, não posso deixar de constatar como a nossa conquista de Portugal segue rápida. No editorial de Tutto Tex n° 436, de Julho de 2007, eu havia fincado a nossa bandeira na cidade de Moura, que havia dedicado ao nosso Ranger (também naquela ocasião com a presença do incansável Civitelli) uma mostra considerável. A continuar o mesmo jogo, hoje tenho o prazer de valorizar o mesmo mapa (visto abaixo) com uma segunda bandeirinha sobre a cidade de Beja que, por sua vez, também recebeu afectuosamente o nosso mensageiro. Mas também colho a ocasião para enviar um obrigado a José Carlos Francisco, o amigo que, com a sua obra de paciente promoção e difusão, tornou famosa, em sua terra natal, a personagem de Tex.

Um abraço.

Sergio Bonelli”

*Texto traduzido por Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora no Brasil.

Segue-se o texto assinado por Segio Bonelli, na forma original:

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