“Dakotas!“, uma das mais elogiadas capas de Tex da autoria de Aurelio Galleppini, publicada na Itália na edição nº 196 e no Brasil no nº 123 do Ranger, foi alvo de uma homenagem de Fernando Fusco, o extraordinário desenhador italiano, natural de Ventimiglia, localidade onde nasceu em 1 de Agosto de 1929 e que este ano abandonou a sua ligação profissional a Tex.
De facto, Fernando Fusco refez a dita capa “Dakotas!” num modo perfeito recriando-a naturalmente com o seu estilo muito característico, conforme se pode constatar de seguida (Para aproveitar a extensão completa das imagens abaixo, clique nas mesmas):
Pode datar-se de 1948, a estreia de Tex num país estrangeiro, mais precisamente em França, no dia 29 de Novembro, apenas dois meses depois da sua estreia na pátria italiana, com o nome “Texas Boy” e no formato apelidado de striscia (tira, em italiano), semelhante a uma caderneta de cheques. Com o decorrer dos anos, Tex foi publicado em variados formatos e em diversas séries, destacando-se cinco Tex Gigantes no formato habitual italiano, entre 2000 e 2003 e sobretudo o Tex Gigante “O Cavaleiro Solitário“, publicado em 4 luxuosos álbuns coloridos.
Tex também dividiu o espaço com outras personagens dedicadas à aventura, como aconteceu por exemplo nas revistas Mustang ou Rodeo, para retornar em grande estilo em 2008, depois de uma ausência de alguns anos dos quiosques franceses, numa aposta das Editions Clair de Lune, com venda exclusiva em livrarias.
Em 2010 a editora francesa resolveu apostar ainda mais forte em Tex e começou uma luxuosa colecção de prestígio, em grande formato e capa cartonada, com um preço de 19,90 €, inaugurada em Março com “Seminoles“, de Gino d’Antonio e Lucio Filippucci, edição que teve um grande sucesso de vendas a ponto de se encontrar esgotada no presente.
Segue-se a 7 de Outubro, o segundo álbum desta prestigiosa colecção francesa de Tex, trazendo a aclamada história “Patagónia“, a obra-prima publicada na série italiana Tex Albo Speciale (nº 23) popularmente designada no nosso país por Tex Gigante, da autoria de Mauro Boselli no texto e Pasquale Frisenda na arte, ilustres vencedores do prémio Ayaaaak entregues aquando da Cartoomics 2010, na categoria dedicada à melhor história de banda desenhada produzida em 2009 na Itália.
Tex 598 – “La prova del fuoco“, de Agosto de 2010 e Tex 599 – “Un ranger per nemico“, de Setembro de 2010. Argumento de Pasquale Ruju, desenhos de Ernesto Garcia Seijas e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.
Tudo começa como tantas e tantas aventuras do velho oeste. Depois de um sangrento e proveitoso assalto a um banco, o comando dos rangers incumbe Jack Loman de ir em busca do bando de Tom McDormand. Jack, um velho colega de Tex, acaba por cruzar-se no seu caminho, quando este, juntamente com Carson, regressa do Colorado e prepara-se para levantar um carregamento de mantimentos destinado aos Navajos. Devido à importância do caso, Tex e Carson decidem ajudar Jack e os rangers, entre os quais encontra-se o seu filho Michael, que aqui surge na sua primeira missão, a sua prova de fogo. Depois de descobertos no seu refúgio e após um violento tiroteio, McDormand e alguns dos seus homens conseguem escapar, mas na sua fuga deparam-se com Michael. Infelizmente, este sente na pele a pressão da sua primeira missão e acaba abatido, deixando o pai destruído pela dor. A partir daqui, Jack vai empreender a sua vingança, usando, para o efeito, métodos pouco lícitos e dignos de um homem ao serviço da lei.
Se tudo começa como já vimos inúmeras vezes, Ruju tem aqui oportunidade para nos deixar uma história violenta quanto baste. Violenta nos métodos utilizados, violenta na exaltação dramática de sentimentos. O autor já provou por diversas vezes não fazer concessões, preferindo deixar bem vincada a realidade dura e crua que, por vezes, a vida encerra. Noutras séries, sobretudo em Demian e mais recentemente com Cassidy, Ruju prefere sublinhar o dramatismo de muitas situações, a realidades que podem afinal não passar de meras ilusões. Vem isto a propósito do caminho escolhido por uma personagem como Jack Loman que, depois de uma vida dedicada ao combate pela justiça e ao serviço da lei, acaba, por força das contingências de um acontecimento dramático, ultrapassar a ténue linha delimitadora da fronteira entre o que é lícito e o que o não é, entre a lei da bala e a lei dos homens. Jack muda forçado por um destino doloroso, porque a perda de um filho leva-o a assumir comportamentos que ele sempre combateu uma vida inteira.
O sentimento de vingança perpassa por toda a aventura e engole literalmente todas as páginas. Inteligentemente, Ruju aproveita a acção de Jack para afirmar a acção e a conduta texiana, porque apesar do filho Kit não sofrer o mesmo destino de Michael, a verdade é que o ataque de que é alvo deixa Tex impotente perante o mesmo sofrimento, evitando no entanto seguir o caminho do colega. Se Jack opta por um caminho que sabe não ter retorno, Tex nunca perde de vista os seus códigos e a sua conduta. E é nesta oposição que reside muito do interesse da aventura, não se resumindo a mesma a uma mera história de vingança. Porque, como o dissemos, Ruju afirma-se como um autor que não faz concessões, não facilitando, quer nos objectivos de Jack, mas sobretudo na conduta texiana. Há um limite de salvaguarda, há uma linha que importa não ser ultrapassada e Ruju tem isso sempre em mente. História de sentimentos, de sofrimentos e profundamente dramática, a prova de fogo surge assim como um verdadeiro teste à capacidade texiana de interpretar as contingências impostas pelo destino, mas também saber interpretar a fraqueza humana e os seus diversos comportamentos. Por isso e apesar de tudo, para Tex, Jack permanecerá como um ranger, um amigo que se dedicou sempre a lutar pela lei.
Exceptuando uma composição de Tex que não colhe totalmente, todo o trabalho do argentino Ernesto Garcia Seijas é de elevada qualidade. Uma vez mais, Seijas suplanta-se nos cenários e ambientes, nas personagens e no desenvolvimento empregue em cada página, deixando bem patente um grande dinamismo. O seu traço cuidado, elaborado e com um estilo algo arredondado, deixa no leitor uma sensação clássica, de um tempo em que o western primava nas páginas dos jornais e revistas, respira a aura do desenho clássico. A sua composição de Jack Loman é muito boa, conseguindo realçar os tormentos e o dramatismo da sua conduta, toda a espessura psicológica idealizada por Ruju, num homem que vive obcecado por uma vingança que lhe deixa um profundo ódio estampado no rosto.
Se nesta aventura, toda a cena do ataque dos rebeldes apaches ao carregamento de mantimentos, sublinhado na capacidade do herói em enfrentar os índios a solo, ou mesmo, posteriormente, no duelo com Rhett Durham e os seus homens, após o assalto ao banco, permitem vincar o herói bonelliano, já as emoções e dúvidas de Tex e Águia da Noite permitem-nos pensar num herói mais próximo de Nolitta. Sem esquecermos que toda esta panóplia de personagens (muito bem construídas) e acontecimentos que se vão interligando, podem deixar expresso o desejo de tornar o herói numa personagem boselliana, capaz de adaptar-se ao seu tempo. Ao assumir a violência da aventura e o drama dos sentimentos vividos, Ruju pode estar a escolher o seu próprio caminho e a deixar a sua marca e contributo na série, mas no meio de tudo, importa construir o protagonista, importa no fundo saber que Tex podemos esperar em Ruju, no fundo o que é que o autor quer para o herói. E esse é um caminho mais difícil, mas que importa ser trilhado.
O excelente e prestigiado fórum (italiano) de Tex Willer publicou neste mês de Outubro, a suaterceira edição da revista “TEX WILLER MAGAZINE“ – precisamente um ano após a sua estreia – um suplemento (com periodicidade semestral) de informação texiana do fórum http://texwiller.ch/.
Trata-se de uma iniciativa de vários fãs de Tex, membros do fórum italiano, fruto da paixão e amor por esta histórica personagem criada por Gianluigi Bonelli & Aurelio Galleppini, precisamente no mês em que se festeja os 600 números publicados na série regular com uma história a cores realizada por Mauro Boselli (escrita) & Giovanni Ticci (arte).
A fantástica edição, de 81 páginas, traz uma capa de Giovanni Ticci e encontra-se disponível GRATUITAMENTE no formato PDF e para poder ter acesso ao conteúdo total da revista, há que fazer o respectivo download (46 MB – cerca de 10 minutos com ADSL), algo que recomendamos porque trata-se de uma revista de altíssima qualidade a nível de conteúdo Texiano e que tem sido alvo de grandes elogios, inclusive de membros do próprio staff de Tex.
Os destaques deste terceiro número que conta uma vez mais com a participação de José Carlos Francisco (popularmente conhecido como Zeca) na redacção e do qual oblogue português do Tex faz parte integrante conforme se pode constatar no expediente da revista, vão para um extenso dossier dedicado ao conceituado desenhador Giovanni Ticci, para a recensão crítica de “I ribelli di Cuba“ (O Tex Gigante deste ano da autoria de Mauro Boselli & Orestes Suarez), para um exaustivo dossier às mulheres presentes nos 62 anos da saga do Ranger, para uma interessantíssimaentrevista exclusiva com Angelo Todaro que recorda-nos a figura do saudoso Mestre Alberto Giolitti, um texto sobre as edições internacionais de Tex, um amplo dossier sobre o também saudoso Guido Buzzelli, tudo isto e muito mais material de qualidade, de que não falamos para deixarmos o prazer da descoberta nas mais de 80 páginas da revista.
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. E já agora, podemos anunciar que devido ao estrondoso sucesso da revista “TEX WILLER MAGAZINE“, já está em preparação o próximo número, que contará com uma grandíssima e importantíssima entrevista realizada em exclusivo com Mauro Boselli.
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