Estatueta de Mefisto em 3D da Hobby & Work

Por José Carlos Francisco

Recentemente foi posta à venda, nos quiosques italianos, a estatueta de Mefisto – acompanhada do respectivo fascículo – ao preço de € 10,99, integrada na colecção “Fumetti  3D” da empresa milanesa  Hobby & Work, colecção essa que integra muitas outras personagens da banda desenhada italiana, como por exemplo Zagor, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Eva Kant, Mefisto, Miele, Ginko, Chico, Julia, Kit Carson, Magico Vento, Grande Blek, Valentina, Dampyr, Lo Sconosciuto, Zora, Comandante Mark… que irão sendo distribuídas a um ritmo semanal.

Mefisto, a sétima estatueta da colecção e a segunda referente ao mundo de Tex (a primeira foi precisamente Tex Willer),  foi cuidadosamente esculpido  e inspirado num desenho da autoria de Claudio Villa, que acentua o realismo e a plasticidade tendo sido fielmente reproduzido em todos os detalhes de roupas e acessórios e com pintura feita à mão para render ao máximo o vilão de papel.


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O realismo é tal que parece que o maior inimigo de Tex ganhou vida! O tamanho escolhido para Mefisto – e para as restantes miniaturas da colecção –  95 mm, permite a apurada definição dada a cada detalhe da escultura conferindo ao Mefisto, além de uma precisão de detalhes, um elevado valor para coleccionadores devido ao esplendor da terceira dimensão, conforme se pode constatar nas diversas fotos que mostramos.

A acompanhar o lançamento da miniatura de Mefisto, foi distribuído o respectivo fascículo, onde os coleccionadores puderam descobrir entre outras coisas, muitas notícias e curiosidades sobre o maior inimigo de Tex, ler as biografias dos seus criadores, Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, conhecer a história do vilão e ainda saber mais sobre os seus principais amigos e inimigos (Tex acima de todos) ficando ainda a par da bibliografia essencial da carismática personagem.

Recorde-se que a colecção começou com DIABOLIK, o mítico “rei do terror” criado por Angela e Luciana Giussani. Seguiu-se ZAGOR, um autêntico campeão da BD aventureira nascido da fantasia de Guido Nolitta, pseudónimo do editor Sergio Bonelli, prosseguiu com TEX, uma das mais admiradas personagens italianas, continuando com a distribuição de MISTER NO, o piloto amazónico, também criação de Guido Nolitta, seguindo-se depois MARTIN MISTÈRE, o detective do impossível da autoria de Alfredo Castelli e DYLAN DOG, o detective do pesadelo criado por Tiziano Sclavi. MEFISTO foi portanto a sétima estatueta, seguindo-se nas próximas semanas  DAMPYR, CHICO, VALENTINA, GRANDE BLEK e JÚLIA.

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Billy the Kid & Outras Histórias

Por Antonio Carlos Moreira

Há 14 anos, Arthur Filho, professor formado em Letras, instrutor de Artes Marciais, desenhador, roteirista, cartunista, poeta e editor, com várias publicações em revistas, jornais e livros no circuito artístico independente, resolve publicar os seus trabalhos por conta própria, criando para isso a Editora Opção 2, editora alternativa, independente, voltada para pequenas tiragens.

A Editora Opção 2 publicou até hoje mais de cem títulos em literatura para autores fora da mídia e várias revistas, num trabalho semi-profissional. Neste mesmo período Arthur Filho edita um boletim literário chamado Jornal Cultural Mensageiro, registado na Biblioteca Nacional.

No ano de 2005, movido por uma antiga paixão pelos westerns, e vendo que nas bancas de jornais Tex Willer, o herói da Casa Bonelli, era o único título disponível para atender a uma legião de fãs de bang-bang, decide publicar a revista Billy The Kid & Outras Histórias.

A ideia era publicar os seus próprios trabalhos, abrindo espaço para outros artistas e roteiristas, e o primeiro grande nome a compor esse projecto foi o mestre Julio Shimamoto, que se tornou o grande incentivador da revista, e o homem que trouxe outros grandes nomes para esse trabalho.
Shima produziu BDs inéditas e exclusivas para a BTK, tornando-se, nas primeiras edições, um conselheiro e atraindo com seu prestígio muitos leitores.

Outros nomes de talento participaram e ainda participam deste projecto por amor à arte sequencial e às histórias de faroeste, pois BTK teve a participação de grandes nomes como Adauto Silva, Luiz Saidenberg, Wilde Portella, Elmano Silva, Marcio Sennes e outros  talentos como Luga, Airton Marcelino, André Caliman, Sandro Marcelo, Carlos Henry, Laudo, Paulo José, Hélcio Rogério, Edu Manzano, Omar, Enio Lopes, Bruno santos, Drix Gomes, Guilherme Oliveira, Daniel Brandão, AMoreira e Fabio Chibilski.

Nunca uma revista brasileira, produzida por uma editora alternativa reuniu tantos grandes nomes da banda desenhada brasileira e hoje a revista Bill The Kid prepara o lançamento da edição nº 13, consolidando-se na história da produção brasileira por atingir tantos números.

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Plágio brasileiro de Tex em destaque no editorial de Sergio Bonelli publicado em Tex Nuova Ristampa 267

Por José Carlos Francisco

O editor italiano de Tex, Sergio Bonelli, depois de ter dedicado ultimamente vários editoriais relacionados a Tex no Brasil, dá prosseguimento ao tema, dedicando agora o editorial de Tex Nuova Ristampa #267, datado de 15 de Novembro de 2010, ao famoso plágio que a Editora Press Ltda, do Brasil, cometeu quando em 1987 publicou dois volumes chamados Histórias do Oeste em Quadrinhos, com aventuras escritas e desenhadas por Wilson Fernandes, intituladas, respectivamente, Um jovem pistoleiro e O retorno fatal.

Neste importante texto, Sergio Bonelli, como faz questão de informar no próprio editorial, teve a imprescindível colaboração de Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora e um dos elementos principais do staff do nosso blogue, pelo que nos apressamos a dar conhecimento das palavras de Sergio Bonelli, na nossa língua:

Caros amigos,

na edição anterior eu prometi contar um episódio negativo verificado no curso da nossa lenta e árdua conquista do público brasileiro. Um episódio do qual, para ser sincero e para confirmar mais uma vez o mau estado da minha memória, eu havia esquecido completamente; ainda bem que um grande amigo de além-mar, o advogado Júlio Schneider, tradutor entusiasta das nossas séries publicadas pela Mythos Editora, veio em meu socorro, a reconstruir para nós todas as fases daquele que, a roubar o título de um filme famoso, podemos definir como o grande assalto. A capa mostrada no alto, à direita, era do primeiro número da série mensal Histórias do Oeste em Quadrinhos, que a Editora Press Ltda colocou em circulação no Brasil no final dos anos Oitenta, quando a importadora oficial e autorizada de Tex naquele País ainda era a famosa Editora Globo.

Os leitores habituais das aventuras do nosso Ranger não acreditaram no que viram quando, a folhear Um Jovem Pistoleiro – este o título da primeira revista – e sua continuação, O Retorno Fatal, se deram conta de que o protagonista de ambas as histórias era justamente Tex Willer! Evidentemente o nome do herói havia sido modificado (mas nem tanto, visto que se chamava Wes) e a trama continha algumas diferenças; mas não havia um só quadradinho que não fosse inspirado ou, em alguns casos, descaradamente copiado (como se pode ver pelos dois exemplos reproduzidos à direita, acima o original e embaixo a cópia) das páginas em que Fernando Fusco havia visualizado uma história escrita (olha só) justamente por mim, sob o costumeiro pseudónimo de Guido Nolitta, que chegou às bancas da Itália em 1976 (nas edições 183-185 de Tex).

Como eu já disse em outras ocasiões, a defesa dos direitos de autor, com relação a obras de BD, sempre foi problemática e, apesar de nossos protestos, os culpados desse plágio grosseiro saíram ilesos de sua desagradável iniciativa. Na verdade, mais ou menos ilesos, porque onde não chegou a mão da justiça, chegou a condenação do público: no mesmo ano em que publicou o falso Tex, 1987, a Editora Press teve que fechar as portas e sumir do mercado brasileiro, por não vender quase nada.

A mim resta a consolação de entregar à história da BD o nome do culpado, duplamente culpado por ter clonado de modo insípido e aproximativo os belos desenhos de Fusco. Ele se chamava Wilson Fernandes e, pelo que sei, sumiu de circulação e deixou atrás de si pouco ou nada além desta e de outras iniciativas semelhantes. Quem sabe, talvez ele tenha se arrependido e se enclausurado num convento para expiar.

Antes de me despedir – e como eu também não quero ser acusado de plágio – devo registar o documentado artigo que os amigos do sítio Internet uBC dedicaram a esta desventura (também por sugestão do probo Schneider). O título é Fake Tex (ou seja, falsos Tex) e, além de relembrar a – curta, por sorte – existência do Wes/Tex inventado pela Editora Press, traz à memória outros casos de Rangers, digamos assim, apócrifos. Mas esta, como se costuma dizer, é outra história. Pode ser que um dia desses eu a conte.

Um abraço.

Sergio Bonelli

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Entrevista com o fã e coleccionador: Paulo Santos

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Paulo Santos: Nasci em Fevereiro de 1979, sou casado e tenho uma filha linda, Olga, que segue a trilha dos quadradinhos, lendo a Turma da Mônica do mestre brasileiro Maurício de Souza. Moramos na cidade de Campina Grande, agreste do Estado da Paraíba, Brasil, mas nasci no Estado vizinho, Pernambuco, na cidade de Caruaru.
Sempre gostei de aventuras, não só nos quadradinhos, aos 15 anos, durante o ensino médio, fui escolhido entre todos da escola para participar da Expedição Ruta Quetzal Argentaria-Mundo Inca 1995, viajei com mais 400 jovens de diversos países ibero-americanos pela Espanha, Equador e Peru durante 60 dias, passando nesses últimos, três dias nas ruínas da cidade inca de Machu Picchu, isso depois de fazermos o caminho inca e escalarmos o maior vulcão inactivo do mundo, o Cotopaxi.
Hoje sou pós graduado em Medicina Veterinária e técnico em agropecuária e trabalho numa unidade de pesquisas das potencialidades da região semi-árida e do bioma caatinga.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Paulo Santos: Desde quando aprendi a ler. Sabe aquelas excursões religiosas de igreja? Numa dessas, a minha mãe comprou ‘O conto da vaca‘; lia e relia, adorava, surgiu aí o meu interesse pela leitura.
Quando viajávamos, nas rodoviárias, ela sempre me levava nas bancas de revistas e deixava-me escolher as revistas de quadradinhos que eu queria. Lembro como se fosse hoje, comprei a revista ‘Heróis da TV‘ com histórias do Homem de Ferro e Hulk, Batman ‘Ano dois’, que mostrava um Batman cheio de adesivos depois duma surra com o vilão Ceifador e em casa tinha uma edição inesquecível de Tex ‘O Clã dos Cubanos‘ (reeditada recentemente no Brasil em TEX Coleção – Mythos Editora), lembro dessa edição, com a capa inesquecível de Galep, maravilhoso esse tempo. Entretanto, foi só em 1993-1994, com as edições especiais ‘A Morte e O Retorno do Super-Homem‘ da Editora Abril, isso mesmo, quadradinhos americanos, que comecei, sistematicamente, a coleccionar histórias em quadradinhos, ‘gibis‘ como chamamos no Brasil e não parei mais até hoje. Leio quase tudo da Marvel, da DC Comics, TEX, os quadradinhos brasileiros, de um paulistano muito bom, Lourenço Mutarelli e recentemente, vendo os desenhos de Corrado Mastantuono, comecei a ler Mágico Vento.

Quando descobriu Tex?
Paulo Santos: Em 1997, já lia Batman emprestado de um primo e coleccionava as revistas do Super-Man, não tinha passado no meu primeiro vestibular, quando folheei numa banca de Caruaru-PE uma história em que uma das personagens tentava dormir nas ruínas de uma velha missão, isso era TEX 331 da Editora Globo (Na trilha da Vingança); releio sempre essa cena, acho maravilhoso esse clima nocturno do velho oeste. Li TEX regularmente durante quatro anos; acompanhei edições especiais, de histórias fechadas e voltei regularmente de novo recentemente com a publicação excelente e indispensável para quem gosta da nona arte, de TEX em cores da Editora Myhtos.

Porquê esta paixão por Tex?
Paulo Santos: Cada quadradinho das histórias de TEX renderia um ampliado em forma de quadro numa galeria de arte ou um belo quadrante de um grandioso filme; cada conto, cada trama, transporta-nos através da história e molda não só as personagens, mas a nossa mente, a nossa imaginação. Uma viagem por um tempo de costumes de uma época, de uma civilização, de homens e mulheres que existiram realmente, tudo isso com uma personagem inteligente, sagaz, amiga e que sabe usar as suas qualidades em grupo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Paulo Santos: Realismo e história, atrelada a boa arte, numa personagem mista de super- herói (com uma mitologia coerente), bandido (a época exigia atitudes arrojadas), galã (o cara é ‘presença’), justiceiro (um ranger do lado da lei) e com amigos únicos (um índio, o filho, e um parceiro ‘mais usado’, os rangers e o povo navajo).

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Paulo Santos: Tenho pouco mais que 100 edições, entre Gigantes, Coleção, Ouro, Normal, Férias, Histórica e Cores. As mais importantes são fáceis de dizer: a primeira e a última lida: TEX 331 – Na Trilha da Vingança, da Editora Globo (1997) e TEX em cores nº 6 – O Rei do Gatilho, da Editora Mythos (2010). Entretanto tenho uma bedeteca (no Brasil, gibiteca) com outros géneros com mais 2.000 exemplares.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Paulo Santos: Além dos quadradinhos, que é minha paixão, colecciono filmes clássicos de western, verdadeiras jóias do cinema e das artes, como Rastros de Ódio, Rio Bravo, Matar ou Morrer, Consciências Mortas, Eldorado, Marcha de Heróis, Legião Invencível, O Cavaleiro Solitário, Os imperdoáveis, Era Uma Vez no Oeste…; os meus preferidos são os dos mestres directores John Ford,  Howard Hawks e Sérgio Leone.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Paulo Santos: Os especiais (Almanaque Tex e Gigantes) com extras e dossiers de filmes clássicos de western e sempre com desenhadores convidados, como por exemplo as edições gigantes ilustradas pelos grandes Corrado Mastantuono, Joe kubert e Joe Bernet.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Paulo Santos: É difícil escolher. ‘O Ídolo de Cristal‘ de Bonelli e Galep – TEX Coleção nº 252 (Editora Myhtos), ‘Na Trilha da Vingança‘ – TEX nº 331 e 332 (Editora Globo) e ‘O Clã dos Cubanos‘ – TEX Coleção nº 282 (Editora Mythos). Os melhores argumentistas são Gianluigi Bonelli e Claudio Nizzi e os desenhadores F. Fusco e Claudio Villa.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Paulo Santos: O que mais me agrada: a sua inteligência frente aos inúmeros desafios nas diversas sagas vividas, a sua capacidade de trabalhar em equipa (e que equipa!), isso tudo em cenários belíssimos e históricos que nos remontam a clássicos tempos. O que menos me agrada: o ‘cara’ fuma.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Paulo Santos: Se eu fosse uma mulher exaltaria as suas maiores qualidades: ele é bonito, tem bom carácter, ‘tipão’. Mas na minha condição de fã o que o faz um ícone é sem dúvida a sua mitologia criada para durar sempre.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Paulo Santos: Acabo de conhecer um espaço na cidade em que moro, onde os leitores e coleccionadores se encontram: a Praça do Coreto. Sempre que encontro alguém comprando quadradinhos na banca ofereço amizade, pego e-mail, telefone e tento trocar algumas informações.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Paulo Santos: Existem personagens criadas em muitas mídias, mas as criadas nas histórias em quadradinhos são fabulosas, fantásticas, carismáticas e só existem lá, são impensáveis em outras mídias. Creio que é isso o que os tornam tão eternos e feitos para sempre. TEX possui isso.
Aqui no Brasil, num futuro próximo, todas as edições mensais podem ser coloridas, como é feito na Itália. Edições especiais com histórias fechadas continuariam no formato tradicional em preto e branco. Creio que isso acontecerá, temos no comando duas editoras competentes e que fazem um excelente trabalho com a publicação da nona arte, a Mythos e a Panini.
As publicações do ranger ultrapassarão gerações e mais gerações, pela sinceridade com que são feitos e por serem personagens que contam e falam por si só. Tudo isso, claro, graças aos condutores dessa maravilhosa personagem, aqueles que usam as sua pranchetas, os seus teclados, as suas canetas, os seus nanquins e fazem de TEX não só mais uma obra literária, mas uma obra de arte que deve ser apreciada por todos, sempre!

Prezado pard Paulo Santos, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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