Plágio brasileiro de Tex em destaque no editorial de Sergio Bonelli publicado em Tex Nuova Ristampa 267

Por José Carlos Francisco

O editor italiano de Tex, Sergio Bonelli, depois de ter dedicado ultimamente vários editoriais relacionados a Tex no Brasil, dá prosseguimento ao tema, dedicando agora o editorial de Tex Nuova Ristampa #267, datado de 15 de Novembro de 2010, ao famoso plágio que a Editora Press Ltda, do Brasil, cometeu quando em 1987 publicou dois volumes chamados Histórias do Oeste em Quadrinhos, com aventuras escritas e desenhadas por Wilson Fernandes, intituladas, respectivamente, Um jovem pistoleiro e O retorno fatal.

Neste importante texto, Sergio Bonelli, como faz questão de informar no próprio editorial, teve a imprescindível colaboração de Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora e um dos elementos principais do staff do nosso blogue, pelo que nos apressamos a dar conhecimento das palavras de Sergio Bonelli, na nossa língua:

Caros amigos,

na edição anterior eu prometi contar um episódio negativo verificado no curso da nossa lenta e árdua conquista do público brasileiro. Um episódio do qual, para ser sincero e para confirmar mais uma vez o mau estado da minha memória, eu havia esquecido completamente; ainda bem que um grande amigo de além-mar, o advogado Júlio Schneider, tradutor entusiasta das nossas séries publicadas pela Mythos Editora, veio em meu socorro, a reconstruir para nós todas as fases daquele que, a roubar o título de um filme famoso, podemos definir como o grande assalto. A capa mostrada no alto, à direita, era do primeiro número da série mensal Histórias do Oeste em Quadrinhos, que a Editora Press Ltda colocou em circulação no Brasil no final dos anos Oitenta, quando a importadora oficial e autorizada de Tex naquele País ainda era a famosa Editora Globo.

Os leitores habituais das aventuras do nosso Ranger não acreditaram no que viram quando, a folhear Um Jovem Pistoleiro – este o título da primeira revista – e sua continuação, O Retorno Fatal, se deram conta de que o protagonista de ambas as histórias era justamente Tex Willer! Evidentemente o nome do herói havia sido modificado (mas nem tanto, visto que se chamava Wes) e a trama continha algumas diferenças; mas não havia um só quadradinho que não fosse inspirado ou, em alguns casos, descaradamente copiado (como se pode ver pelos dois exemplos reproduzidos à direita, acima o original e embaixo a cópia) das páginas em que Fernando Fusco havia visualizado uma história escrita (olha só) justamente por mim, sob o costumeiro pseudónimo de Guido Nolitta, que chegou às bancas da Itália em 1976 (nas edições 183-185 de Tex).

Como eu já disse em outras ocasiões, a defesa dos direitos de autor, com relação a obras de BD, sempre foi problemática e, apesar de nossos protestos, os culpados desse plágio grosseiro saíram ilesos de sua desagradável iniciativa. Na verdade, mais ou menos ilesos, porque onde não chegou a mão da justiça, chegou a condenação do público: no mesmo ano em que publicou o falso Tex, 1987, a Editora Press teve que fechar as portas e sumir do mercado brasileiro, por não vender quase nada.

A mim resta a consolação de entregar à história da BD o nome do culpado, duplamente culpado por ter clonado de modo insípido e aproximativo os belos desenhos de Fusco. Ele se chamava Wilson Fernandes e, pelo que sei, sumiu de circulação e deixou atrás de si pouco ou nada além desta e de outras iniciativas semelhantes. Quem sabe, talvez ele tenha se arrependido e se enclausurado num convento para expiar.

Antes de me despedir – e como eu também não quero ser acusado de plágio – devo registar o documentado artigo que os amigos do sítio Internet uBC dedicaram a esta desventura (também por sugestão do probo Schneider). O título é Fake Tex (ou seja, falsos Tex) e, além de relembrar a – curta, por sorte – existência do Wes/Tex inventado pela Editora Press, traz à memória outros casos de Rangers, digamos assim, apócrifos. Mas esta, como se costuma dizer, é outra história. Pode ser que um dia desses eu a conte.

Um abraço.

Sergio Bonelli

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Parabéns pela informação ZECA e muito obrigado pela TRADUÇÃO.
    Tentei registrar a um tempo atrás aqui meu comentário, mas por problemas no meu computador não consegui.
    Abraço.

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