Entrevista exclusiva: ALESSANDRO BAGGI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

O nosso entrevistado desta feita é Alessandro Baggi, desenhador nascido em Milão em 10 de Agosto de 1966 e que se destacou na Sergio Bonelli Editore graças ao seu trabalho com Dampyr, personagem criada por Mauro Boselli e Maurizio Colombo.

Quais foram os quadradinhos das suas leituras de infância e adolescência?
Alessandro Baggi: Em 1972 eu tinha 6 anos: um dia, quando a minha tia me levava para cortar o cabelo, eu não queria, chorava, ela teve que me arrastar; eu tinha a certeza que cortar o cabelo doía. Ao passar diante de um quiosque, para que eu ficasse bonzinho a minha tia disse-me para escolher uma BD. Eu escolhi uma revista do Quarteto Fantástico, desenhada por Jack Kirby. Fascinado por aquelas páginas impressionantes, creio que foi naquela manhã que eu decidi também fazer quadradinhos: na verdade, eu queria viver as histórias, eu queria ser o Tocha Humana. Eu nem pensava mais no cabelo. Zagor eu descobri por acaso: ainda me lembro, era o volume O Rei das Águias. Depois vieram O Homem-Aranha e Demolidor, e os quadradinhos de terror publicados nas edições de bolso de Zio Tíbia (Tio Tíbia). A minha mãe deixaria eu comprar essas revistinhas em troca de uma boa conduta na escola, coisa que eu nunca conseguia observar. Ela entendia o meu drama e, no fim, comprava assim mesmo. Mais tarde eu descobri Kriminal, Tex e O Pequeno Ranger e, na adolescência (início dos anos 80), os maravilhosos desenhadores espanhóis Fernandez, Maroto, Bernet e Jesus Blasco, em razão de histórias curtas que fizeram para o mercado norte-americano.

Quais leituras ou sugestões o levaram a se envolver com o desenho? Ou essa sua paixão foi cultivada desde criança?
Alessandro Baggi: A paixão pelo desenho e as sugestões recebidas dos quadradinhos que eu lia quando criança seguiram lado a lado. O meu modo de identificar-me com um homem voador, com um vampiro, com Zagor, começou a coincidir com o facto de eu desenhá-los. Na época eu não entendia mas, como essas fantasias haviam sido suscitadas em mim pelos desenhos, desenhar tornou-se para mim o modo mais directo para participar delas. Isso constituiu, desde então, um estímulo constante para desenhar melhor. Eu pensava que, se em pouco tempo conseguisse atingir um estilo de desenho adulto, eu teria acesso a possibilidades expressivas maravilhosas: demorou uma vida, mas valeu a pena.

Você teve uma formação artística? De que tipo?
Alessandro Baggi: Eu fiz cursos específicos na Escola dos Quadradinhos de Milão, a primeira na Itália a estruturar, já em 1979, um programa trienal de estudo da narrativa por imagens. Ainda hoje eu frequento a escola, agora como instrutor, e o seu director e fundador, Giuseppe Calzolari, para mim sempre foi uma figura de referência, além de um amigo. Mas desde a primeira infância foi meu pai, Armando, aficionado por pintura e dotado de grande sensibilidade artística, quem me encorajou e apoiou. Ele levava-me consigo às mostras e explicava-me o significado de algumas obras de arte moderna, com as quais, por volta dos dez anos, eu comecei a familiarizar-me. Ele falou-me de Poe e de Wilde, de Boldini e de De Chirico, de Fontana e de Burri, e aos 13 anos ele deu-me de presente algumas fitas cassete dos Beatles, enquanto o resto do mundo dançava a disco music: “Ouça estes“, disse-me ele.

Em quais desenhadores italianos e estrangeiros você se inspirou durante a sua carreira? Há algum que, mais que os outros, você considera como seu mestre ideal?
Alessandro Baggi: Os desenhadores que mais me influenciaram foram os que eu admirava quando criança nas BD que saíam nos quiosques da época: Gil Kane, John Romita, Gene Colan e The King Jack Kirby, ou seja, a mítica equipa da Era de Prata da Marvel. Depois eu descobri e apreciei Toppi, Moebius, Manara, Battaglia, Bilal, mas na Milão dos anos 70 os modelos culturais americanos tinham uma difusão e persistência que poucas outras produções podiam igualar. Mas coleccionei com firmeza Zagor, do qual me recordo com afecto algumas histórias que, com o passar dos anos, eu reli mais de uma vez: aquelas em que ele se envolvia com os monstros (o homem-peixe, o homem-tigre, o vampiro, e até Hellingen) estão entre as minhas preferidas. Hoje, como profissional, as páginas de Alex Raymond, de Caniff e de Al Williamson parecem-me como aquelas dos mestres dos meus mestres. Frazetta, Buscema, Romita Sr. já não recordavam esses artistas que, em alguns casos, eram poucos anos mais velhos que eles?

Você começou a sua carreira a ilustrar Os Tarôs da Loucura, das Edições Scarabeo (Escaravelho). Fale um pouco dessa experiência.
Alessandro Baggi: Piero Alligo entrou em contacto comigo em 1986: as cartas de tarô que me encomendou foram o meu primeiro trabalho. Eu já havia vencido concursos com histórias aos quadradinhos, mas essas só seriam impressas posteriormente. Eu era um estreante em absoluto e Alligo confiou em mim; até hoje eu lhe sou grato por isso. Eu tinha 20 anos e trabalhava naquelas cartas de tarô a procurar dar o melhor de mim. Piero encontrava-se comigo na estação central de Milão por volta das 17h, pegava as minhas páginas e voltava a Turim de comboio. Ele passava antes na casa de Toppi, que também estava a trabalhar num projecto semelhante, e eu era o segundo, depois do editor, a ver aqueles maravilhosos originais coloridos, no vaivém da estação ferroviária. Alligo parecia considerar o meu trabalho no mesmo nível, pagava na entrega e comportava-se de modo amigável e correcto, mas a comparação com as páginas de Toppi era arrasadora e eu me impunha um imperativo: “Preciso melhorar“. Ainda estou a tentar.

Em seguida você chegou à editora Acme, onde trabalhou nas séries Mostros e Splatter: o que se recorda desse período e como considera hoje aqueles seus trabalhos?
Alessandro Baggi: O período da minha colaboração com essas duas séries permitiu que as minhas primeiras histórias de terror chegassem às páginas de uma revista. Foi estimulante, eu recebi total liberdade expressiva: eu trabalhava com histórias minhas e, por meio do desenho, eu procurava valorizar o texto e vice-versa. Eu sempre concebi a BD como uma sinergia entre desenho e palavra, o texto está na origem do processo criativo e o desenho o ilustra, o evidencia e, nos casos mais limitadores, o enfeita: embellishment, estava escrito em algumas edições americanas, a propósito da arte-final. Hoje eu considero aquelas minhas histórias curtas carentes no plano gráfico, mas graças à liberdade que recebi para realizá-las, eram mais incisivas e originais que outros trabalhos que fiz mais tarde.
Em seguida, colaborei por cinco anos (às vezes apenas como roteirista) com a revista Intrépido, para a qual fiz histórias mais longas, de 32 ou 56 páginas, de todo o tipo: eu buscava envolver-me com tramas de thriller ou de romance, e até com algo mais fantasy, e o meu estilo experimental ficava meio condicionado. Mas eram condicionamentos que eu mesmo me impunha, como uma forma de compensar com bom senso o director Carlo Pedrocchi pela liberdade que me deixava, grande quanto (e talvez mais) aquela que eu havia recebido na Acme de Francesco Coniglio. Mas “o bom senso“, diz Barthes, “é a pior das virtudes burguesas“: no fim dos anos 90 a Intrépido também deixou de ser publicada. Dela eu recordo-me, sobretudo, da maravilhosa oportunidade de aprimorar as minhas técnicas ilustrativas: por quatro anos eu fui o capista fixo, e atingi uma notoriedade e uma resposta do público que eu não esperava. Possivelmente foram essas experiências que me deram a coragem de apresentar-me à Sergio Bonelli Editore.

Em 1998 você encontrou-se com Mauro Boselli: como foi o envolvimento com o projecto Dampyr?
Alessandro Baggi: Um amigo, Gino Udina, falou-me dessa nova série que estava em preparação há três anos, e sugeriu que eu me apresentasse ao seu responsável, Mauro Boselli. Eu temia uma longa via burocrática, como costuma acontecer com as grandes editoras, mas Udina tranquilizou-me ao afirmar que Boselli era rápido, decidido e objectivo: “Ou você é aceite ou não é“, garantiu, “e ele diz isso no acto“. A equipa de desenhadores estava completa, mas ele gostou dos meus trabalhos e submeteu-os a Sergio Bonelli quase imediatamente: duas semanas depois eu começava a trabalhar na minha primeira história de Dampyr, Casa de Sangue. Eu sei que também tive sorte e que talvez autores melhores do que eu tiveram que esperar mais.

O que mais o fascina nessa série?
Alessandro Baggi: A possibilidade de dar à personagem interpretações que variam muito, de acordo com o desenhador. Alguns de nós (penso em Majo e em Luca Rossi, em mim e em Piccininno) têm estilos muito diferentes. Assim, em Dampyr continua aquela variedade gráfica que já em Dylan Dog havia permitido à personagem desenvolver-se, no plano visual, em direcções incomuns, até chegar às versões humorísticas de 2010. As grandes personagens da BD (eu refiro-me a gigantes como Batman) podem até ter uma versão humorística de si próprias sem que essa se torne uma paródia: o Batman de Bruce Timm é distante do de Neal Adams, mas aproxima-se do de Bob Kane; todas as versões dessa personagem desenvolvem possibilidades expressivas que JÁ estavam contidas na original. Certa vez Boselli brincou comigo sobre um encontro de Dampyr com as Winx, as bruxinhas de um desenho italiano adorado pela filha dele: eu levei a sério mais da metade da conversa e, se penso num Dampyr com aberturas de fábula, não acho que seja tão improvável. A personagem é sólida, e suas caracterizações não a limitam; isso permitiu-me trabalhar de forma isolada também como roteirista.

De um modo geral, você recebeu roteiros oníricos e visionários. Foi uma escolha sua ou Mauro Boselli, por conhecer os seus dotes artísticos, preferiu vê-lo trabalhar com roteiros sonhadores?
Alessandro Baggi: Boselli conhece bem as minhas referências, não só gráficas como as literárias e culturais de um modo geral. Ele sabe que gosto de arte moderna, de poesia, de Kafka, Poe, Lovecraft, Sartre, Celine, Beckett e por aí vai. Os roteiros que eu sugeria e aqueles que me foram confiados por ele continham elementos que sempre estão em todos os meus trabalhos. Além disso, Diego Cajelli, o roteirista com quem mais trabalhei, é meu amigo, e é natural que se troquem ideias e sugestões, pessoalmente ou por e-mail.

No segundo Maxi Dampyr (Itália, Agosto 2010) você foi o protagonista absoluto: desenhou o volume inteiro e se envolveu com o texto. Como nasceu essa operação? E considera-se satisfeito com o seu roteiro?
Alessandro Baggi: Por dez anos o Maxi Dampyr foi um curioso work in progress: em 2000 Boselli começou a dar-me sinal verde para elaborar algumas histórias curtas que tivessem Dampyr por protagonista; ele aprovou duas, que acabei por fazer. Depois ele pediu uma história curta a Maurizio Colombo, com Kurjak por protagonista que, no final, morreria. Depois escreveu uma história sobre a infância de Tesla, e no fim ela também morria! Eu não entendia o que ele tinha em mente: aos poucos, entre uma edição e outra, esse trabalho estranho ia em frente e, em Fevereiro de 2010, eu comecei as 50 páginas finais. As duas histórias escritas por mim compuseram, junto às demais, um mosaico complexo: a história foi enriquecida com elementos de continuidade que se ligam à série mensal, e se eventualmente mostra um estilo gráfico em transformação, isso é devido ao tempo longo de elaboração. Creio que isso também faz de Spectriana um conjunto curioso e original: o volume contém uma maturação profissional da qual sinto orgulho e espero que tenha seguimento.

Você planeja escrever outros roteiros para Dampyr?
Alessandro Baggi: Eu gostaria muito: eu penso em histórias estreitamente ligadas ao modo como as desenharei, e escrevo diálogos que imagino pronunciados em um contexto gráfico bem preciso. Actualmente estou a frequentar, por interesse pessoal, um curso de texto criativo, e vejo que separar desenho e palavras é mais difícil do que juntá-los.

Você poderia falar alguma coisa sobre a história com a qual está a trabalhar?
Alessandro Baggi: É uma história ambientada na França. Um tranquilo vendedor de perfumes recebe a visita de um cliente inquietante, envolvente. Dampyr e Kurjak, em Praga, são informados por Nikolaus de antigos comércios entre artesãos fantasmas. Não sei muita coisa mais, estou nas primeiras páginas.

Quanto tempo leva para desenhar uma página? Segue horários? Como é o seu dia entre trabalho, leituras, manter-se informado, ócio, vida familiar?
Alessandro Baggi: Uma página toma-me quase sempre três dias de trabalho. Às vezes (fico meio envergonhado em dizer) até mais. Meus horários, a trabalhar também como professor, variam bastante, e por vezes durmo pouco. Nos raros casos em que os prazos apertam, chego a desenhar 12 horas sem parar, durmo um pouco e recomeço. Quando entreguei as últimas páginas do Maxi, eu estava acordado há dois dias e estava com dor de dentes… mas feliz! Na sociedade ocidental o homem define-se sobretudo através do trabalho; vida familiar, afectiva e interior são subordinadas a ele, relegadas aos horários em que não se trabalha, ao fim da tarde e à noite. Parece absurdo mas é verdade. Eu leio no comboio ou na casa de banho (banheiro), escuto música enquanto trabalho, toco violão enquanto cozinho (enquanto espero a água ferver), crio história enquanto caminho, brinco e crio canções, que depois canto para a minha namorada. Nas noites eu desenho e amo intensamente. Vou correr. Eu gosto dos bosques, do fogo, dos insectos, dos sapos. Eu adoro a minha cidade. Gosto muito dos meus irmãos e do meu sobrinho, Tommaso. Eu contei a ele do Homem-Peixe e assistimos juntos ao filme.

Como é trabalhar para Sergio Bonelli?
Alessandro Baggi: Sergio foi o editor de Joe Kubert, de Sergio Toppi, de Aldo Capitanio e de Fernando Fernandez: escreveu as histórias de Zagor que eu lia quando criança, e quando o chamei de mestre ele se encabulou, mas eu não estava a brincar. Aos elogios dele eu é que me encabulei.

Digamos que Sergio Bonelli lhe desse a chance de escolher desenhar outra personagem da Editora, além de Dampyr. Qual você gostaria de fazer?
Alessandro Baggi: Bem, a ambientação de terror de Dampyr tem afinidade com a de certas histórias de Dylan Dog, com as quais acho que eu ficaria à vontade. O de trabalhar com Tex é um sonho comum a muitos desenhadores da Editora, mas eu (como estamos a falar de sonhos) arriscaria outro, quem sabe ainda mais ousado: uma longa história de terror de Zagor, escrita e desenhada por mim, que fale de um coleccionador de monstros, ou coisa do tipo, algo meio anos 60.

Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Hoje que você é um desenhador bonelliano afirmado, gostaria de desenhar Tex? Já recebeu alguma proposta?
Alessandro Baggi: Eu sei que o meu editor tem uma (compreensível) predilecção por Águia da Noite. O facto dele ser também o maior entendido (aliado à estatura épica da personagem) cria em mim um receio de ver uma versão minha. Além disso, os desenhadores históricos de Tex que mais aprecio – Nicolò acima de todos, mas também Lettèri e Ticci – são modelos consolidados e condicionadores. Mas eu começaria referindo-me às versões deles, mais clássicas, em vez de inspirar-me em interpretações mais modernas, como as de Mastantuono ou Villa, que são o ponto de chegada de colegas que começaram em condições semelhantes às minhas.

O que significaria para si desenhar histórias de uma lenda dos quadradinhos como Tex?
Alessandro Baggi: Abordar a lenda com respeito e buscar fornecer a minha contribuição. Eu tenho consciência de ter feito as minhas coisas melhores (com Dampyr, por exemplo) quando me senti livre para fazer experiências, para propor soluções gráficas incomuns, quase por folguedo, a brincar. Claro que com Tex não se pode brincar demais; deve-se, como se diz em Milão, “stare all’occhio“, ficar muito atento.

Na sua opinião, quem ou o que é Tex? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Alessandro Baggi: Tex é uma personagem com sessenta e dois anos, cuja história começa no pós-guerra italiano e mergulha nos clarões ofuscantes de um século 19 americano cada vez mais preciso, documentado e nítido. Com o crescer da série, o seu mundo tornou-se real, adquiriu parâmetros próprios, e desenhadores cada vez melhores e mais detalhistas o tornaram majestoso: um universo de traços, às vezes mínimos, às vezes meio barrocos, no qual Tex chega e eternamente parte. Penso que, desde criança, eu percebia Tex assim: ele é o que parte de novo (enquanto Zagor, mais fixo em Darkwood, era na, minha infância, o que fica e defende a própria casa).

Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Sob quais aspectos?
Alessandro Baggi: Ele abandonou a irreverência meio anárquica de seus primeiros anos, quando conduzia os interrogatórios à base de socos e liquidava burocratas e xerifes corruptos com modos bruscos; sacava os seus colts sem pensar duas vezes e acabava as brigas – que ele mesmo começava – com uma rodada de bebida para todos. Hoje ele é equilibrado, solene, implacável, um instrumento da Justiça, mais que da Lei; a sua chegada, nas histórias, sempre é mítica, definitiva: é a chegada do Destino.

Para concluir o tema, como vê o futuro do Ranger?
Alessandro Baggi: A crescente qualidade desta BD e a atenção que lhe reservam autores e editores continuam a ser correspondidas com o afecto do público. Faço votos para que ele mantenha (ou até mesmo aumente) o seu status de parâmetro imprescindível: quem dera eu também pudesse contribuir para isso! Mas como acontece com muitos artistas, eu não conheço as reais condições do mercado e, sobre isso, não me pronuncio.

A BD da SBE sempre foi o seu objectivo ou você gostaria de ter feito a chamada BD de autor, assim como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Alessandro Baggi: A partir dos anos 80 (com Dylan Dog e os diferentes desenhadores que começaram a trabalhar em suas páginas) a BD da SBE começou a expor episódios desenhados por Tacconi, histórias de Nick Raider desenhadas por Toppi, para chegar ao Tex Gigante de Kubert ou ao Napoleone desenhado (mas sobretudo escrito) por Bacilieri. Claro que eu também penso em fazer BD de autor, e na SBE isso é feito. Concordo plenamente com as limitações ligadas ao trabalho em séries da nossa Editora (nada de pornografia, de linguagem obscena, splatter, etc.), que também não se vêem nos trabalhos que fiz para outros editores que não impunham reservas a esses elementos.

À sua actividade de desenhador juntou-se a de instrutor na Escola de Quadradinhos de Milão. Como você se coloca diante de seus alunos, vistas as dificuldades em encontrar trabalho no âmbito da BD italiana?
Alessandro Baggi: Eu ensino a fazer quadradinhos de forma correcta, animado pela convicção de que, quando se atinge um certo nível de profissionalismo, a possibilidade de ser aceite pelo mercado italiano existe. Não existe um mercado farto a ponto de também absorver quem se aplica pouco, quem desenha raramente, quem tem mil outros interesses, etc., mas creio que pessoas assim não arrumariam trabalho em lugar algum. Não como desenhadores de quadradinhos, ao menos.

Você acha que a BD, como meio de comunicação, tem mais chances de abordar os temas mais disparatados do que, digamos, o Cinema italiano?
Alessandro Baggi: O cinema tem a possibilidade de atingir um público maior, por necessitar de um esforço menor da parte do espectador (isso se considerarmos a leitura como um esforço). Os maiores custos de produção limitam um pouco os temas abordados, que devem ir ao encontro de amplas faixas de público. A BD, por custar menos, poderia abordar qualquer assunto – mesmo com o risco de não vender muito – e fazer isso com profundidade e plena consciência de seus meios de expressão: eu penso no David Boring de Daniel Clowes, ou no titânico Brain the Brain de Miguel Angel Martin, no Zeno Porno do perspicaz Bacilieri.

Como você imagina o mercado nos próximos anos? A BD será cada vez mais endereçada a um público restrito ou pode-se pensar num equilíbrio entre propostas populares (no sentido de custo, não de qualidade) e de livraria?
Alessandro Baggi: Creio que em todos os lugares os leitores de BD têm uma idade média cada vez mais alta, são adultos, aficionados e inteligentes. Eu vejo como difícil o retorno a uma difusão vasta e popular da mídia BD. Na minha visão é mais provável uma especialização cada vez maior do produto e de seus consumidores, o que tornará necessário um nível de qualidade sempre mais elevado e políticas de venda cautelosas.

Em uma entrevista, Mirko Perniola (em ZAGOR TV, na página http://www.youtube.com/watch?v=xY_-csxPFbg) torce para que grandes editores como Mondadori ou Rizzoli dêem chances a autores de quadradinhos de publicar material inédito. O que acha disso?
Alessandro Baggi: Eu concordo com Mirko: também torço por isso.

Pode nos dizer alguma coisa sobre os seus projectos para o futuro?
Alessandro Baggi: Eu queria casar-me com a minha namorada na igreja. Mas não sabia que era tão complicado.

Quais quadradinhos você lê actualmente, com quais mais se identifica?
Alessandro Baggi: Tenho 44 anos e a minha tendência é ler os quadradinhos que eu lia quando criança. Eu identifico-me com a criança que era quando os lia, e depois começo a desenhá-los numa forma que poderia agradar àquela criança.

Além de BD, que tipo de livros você lê? E quais são as suas preferência no campo do cinema e da música?
Alessandro Baggi: Tenho pouco tempo para ler, estou sempre a trabalhar. Mas nos últimos anos desfilaram diante dos meus olhos Richard Yates, Aldo Nove, tudo de Houllebecq, Donald Bathelme, Edgar Morin, Garcia Lorca, Marshall Mc Luhan. Cinema eu vejo pouco: os filmes actuais são muito longos, duas horas, às vezes duas e meia. Vejo os seriados da TV, The Wire, Breaking Bad; qualitativamente alguns seriados têm pouco ou nada a invejar das produções cinematográficas, e a duração de 50 minutos por episódio combina mais comigo. Eu preciso trabalhar, vivemos num mundo impaciente! A música que prefiro é o jazz; eu descobri por acaso, a conversar com Sergio Boselli, que ele também entende muito do assunto. Creio que, também por razões de geração, os discos de free jazz do final dos anos 60 que eu ainda ouço, ele os descobriu mais ou menos na época em que foram lançados: John Coltrane, Albert Ayler, Archie Shepp, Pharoah Sanders, Anthony Braxton, etc. É, eu sempre ouço essa música dura e difícil, que não compreendo a fundo, mas gosto.

E chegamos ao fim. Há algo mais que você gostaria de dizer aos leitores sobre Alessandro Baggi?
Alessandro Baggi: Na minha sala de trabalho eu tenho vários quadros meus, feitos com insectos de verdade e pedaços de brinquedos e de madeiras pintadas. Também tenho outras coisas singulares e meio inquietantes (tipo uma piranha embalsamada, uma máscara africana) e um modelo de montar de Godzilla, que nunca vou concluir, uma machadinha numa caixa, e folhagens secas na varanda. Atrás de pilhas de BDs, mais BDs a perder de vista e que chegam às remotas pradarias da infância, uma foto da minha mãe na mesa de desenho, e dois violões com as cordas oxidadas. No céu de Milão, às três da madrugada, às vezes passa uma baleia, só para mim.

Caro Alessandro Baggi, nós do blogue português de Tex agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Alessandro Baggi: Obrigado a vocês, e um abraço aos leitores.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Intervista esclusiva: ALESSANDRO BAGGI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

L’intervistato di turno è Alessandro Baggi, disegnatore nato a Milano il 10 agosto 1966 e che ha avuto il meritato risalto alla Sergio Bonelli Editore grazie al suo lavoro su Dampyr, personaggio nato dalla fantasia di Mauro Boselli e Maurizio Colombo.

Quali sono state le tue letture fumettistiche nell’infanzia e adolescenza?
Alessandro Baggi: Nel 1972 avevo 6 anni: un giorno, accompagnato da mia zia a tagliare i capelli, mi opponevo, piangevo, la costringevo a trascinarmi; ero convinto che tagliare i capelli facesse male. Passando davanti ad un’edicola, mia zia, per farmi stare buono, mi chiese di scegliere un fumetto. Ne scelsi uno dei Fantastici Quattro: era il n.39, disegnato da Jack Kirby. Affascinato da quelle pagine sbalorditive, credo di aver deciso quella mattina di fare i fumetti anch’io: in realtà, forse volevo viverli; volevo essere la “torcia umana”, e dei capelli non mi importava più nulla. Scoprì Zagor per caso: ricordo, era il n. 67, Il re delle aquile. E poi L’uomo Ragno e Devil, e i Fumetti dell’orrore pubblicati nei pocket di Zio Tibia. Mia madre mi concedeva l’acquisto di questi fumetti in cambio di una buona condotta scolastica, che non riuscivo mai ad osservare per molto. Lei capiva il mio dramma, e alla fine me li comprava lo stesso. Più tardi scoprì Kriminal, Tex e Il piccolo Ranger, e nell’adolescenza (primi anni ’80) i meravigliosi disegnatori spagnoli: Fernandez, Maroto, Bernet e Jesus Blasco, per alcune loro brevi storie realizzate per il mercato statunitense.

Quali letture o suggestioni ti hanno poi spinto a cimentarti con il disegno? O questa tua passione l’hai coltivata già da bambino?
Alessandro Baggi: La passione per il disegno e le suggestione ricevute dai fumetti che leggevo da bambino sono andate di pari passo. Il mio modo di identificarmi in un uomo volante, in un vampiro, o in Zagor, cominciò a coincidere col disegnarli. Allora non lo capivo ma, visto che queste fantasie erano state suscitate in me da dei disegni, disegnare a mia volta divenne presto il modo più diretto per partecipare ad esse; ciò costituì sin da allora uno stimolo costante a disegnare meglio. Pensavo che se avessi conseguito presto un disegno adulto, avrei avuto accesso a possibilità espressive meravigliose: ci è voluta una vita, però ne è valsa la pena.

Hai avuto una formazione artistica? Di che tipo?
Alessandro Baggi: Ho frequentato studi specifici alla Scuola del Fumetto di Milano, la prima in Italia a strutturare, già nel 1979, un programma triennale di studio della narrativa per immagini. Tuttora la frequento, in veste di insegnante, e il suo preside e fondatore, Giuseppe Calzolari, è sempre per me una figura di riferimento, oltre che un amico. Ma fin dalla prima infanzia fu mio padre, Armando, appassionato di pittura e dotato di grande sensibilità artistica, ad incoraggiarmi e a sostenermi. Mi portava con sé alle mostre e mi spiegava il significato di alcune opere d’arte moderna, con le quali, intorno ai dieci anni, iniziai ad avere familiarità. Lui mi ha parlato di Poe e di Wilde, di Boldini e di De Chirico, di Fontana e di Burri, e a 13 anni mi regalò alcune cassette dei Beatles, mentre il resto del mondo ballava la disco music: “Prova a sentire questi“, mi disse.

Quali sono i disegnatori italiani e stranieri a cui ti sei ispirato nel corso della tua carriera? Ce n’è qualcuno più di altri che consideri idealmente il tuo maestro?
Alessandro Baggi: I disegnatori che più mi hanno influenzato sono quelli che ammiravo da bambino sui fumetti in edicola allora: Gil Kane, John Romita, Gene Colan e The King Jack Kirby: lo staf mitico della Silver Age Marvel. Ho poi scoperto e apprezzato Toppi, Moebius, Manara, Battaglia, Bilal, ma nella Milano degli anni ’70 i modelli culturali statunitensi godevano di una diffusione e di una persistenza che poche altre produzioni riuscivano a contrastare. Collezionai, però, con tenacia Zagor, di cui ricordo con affetto alcune storie che, nel corso degli anni, ho riletto più volte: quelle che lo vedevano alle prese con i mostri (l’uomo pesce, l’uomo tigre, il vampiro, persino Hellingen) sono tra le mie preferite. Ora, da professionista, le tavole di Alex Raymond, di Caniff e di Al Williamson mi appaiono come quelle dei maestri dei miei maestri. Frazetta, Buscema, Romita Sr., non erano già riconducibili a questi artisti talvolta più vecchi di loro solo di pochi anni?

Hai iniziato la tua attività illustrando I Tarocchi della Follia, per le Edizioni Scarabeo: parlaci di questa esperienza.
Alessandro Baggi: Fui contattato di Piero Alligo nel 1986: il mazzo di Tarocchi che mi commissionò fu il mio primo lavoro. Avevo già vinto dei concorsi con storie a fumetti che però avrebbero visto le stampe solo successivamente. Ero un esordiente assoluto e Alligo mi diede fiducia: gliene sono tuttora riconoscente. Avevo 20 anni e lavoravo ai miei tarocchi cercando di fare del mio meglio. Piero si incontrava con me verso le 17.00 in Stazione Centrale, a Milano, e ritirava le mie tavole prima di tornare a Torino in treno. Arrivava da casa di Toppi, che stava anche lui realizzando un progetto analogo, e io ero il secondo, dopo l’editore, a vedere quei meravigliosi originali a colori, nell’andirivieni della stazione ferroviaria. Alligo sembrava entusiasta dei miei lavori quasi in egual modo; pagava alla consegna, e si comportava in modo amichevole e corretto, ma il confronto con le tavole di Toppi era schiacciante e mi poneva un imperativo: “Devo migliorare“. Ci sto ancora provando.

In seguito sei approdato alla Acme dove hai collaborato alle testate Mostri e Splatter: cosa ricordi di queste collaborazioni e come consideri oggi quei tuoi lavori?
Alessandro Baggi: Il periodo della mia collaborazione con le testate Mostri e Splatter permise alle mie primissime storie horror di approdare sulle pagine di una rivista. Fu stimolante e mi fu concessa una totale libertà espressiva: lavoravo su storie mie; attraverso il disegno cercavo di valorizzare il testo e viceversa. Ho sempre concepito il fumetto come una sinergia di disegno e parola, laddove il racconto sta all’origine del processo creativo e il disegno lo illustra, lo evidenzia, nei casi più limitativi, lo abbellisce: “Embellishment“, c’era scritto su alcuni albi americani, a proposito dell’inchiostratura. Oggi considero quelle mie storie brevi carenti sul piano grafico, ma, grazie alla libertà di cui godetti nel realizzarle, tutto sommato più incisive e originali di altri miei lavori successivi.
Dopo di allora, collaborai per cinque anni (anche solo come sceneggiatore) alla rivista Intrepido, per la quale realizzai fumetti più lunghi, di 32 o 56 pagine, e di vario genere: cercavo di cimentarmi con storie thriller o romance; persino con qualcosa di un po’ fantasy, e la mia attitudine sperimentale ne veniva un po’ condizionata. Ma erano condizionamenti che mi imponevo io, per ripagare, a suon di mero buonsenso, il direttore Carlo Pedrocchi, della libertà che mi lasciava, grande quanto (e forse più) di quella di cui avevo goduto con l’ACME di Francesco Coniglio. Però “il buon senso“, dice Barthes, “è la peggiore delle virtù borghesi“: alla fine degli anni ’90 anche l’Intrepido chiuse. Di esso rimpiango, soprattutto, la meravigliosa opportunità di affinare le mie tecniche illustrative: per quattro anni ne fui il copertinista fisso, raggiungendo così una notorietà e un riscontro di pubblico che non mi sarei aspettato. Forte di queste esperienze, trovai il coraggio di propormi alla Sergio Bonelli Editore.

Nel 1998 hai incontrato Mauro Boselli: come sei stato coinvolto nel progetto Dampyr?
Alessandro Baggi: Un amico, Gino Udina, mi accenno’ a questa nuova serie in preparazione da circa tre anni, e mi esortò a propormi al suo curatore, Mauro Boselli. Temevo un lungo iter burocratico, come spesso accade con le grosse case editrici, ma Udina mi rassicurò su come Boselli fosse spiccio, rapido e concreto: “O ti prende o non ti prende“, promise, “e te lo dice all’istante“. Lo staff di disegnatori era pressoché al completo, ma i miei lavori gli piacquero e li sottopose a Sergio Bonelli quasi subito: due settimane dopo iniziavo a lavorare sul mio primo albo di Dampyr, Casa di sangue. Mi rendo conto che sono stato anche fortunato; forse gente più brava di me ha aspettato di più.

Cosa ti affascina di più in questa serie?
Alessandro Baggi: La possibilità di dare, del personaggio, interpretazioni che variano molto, a seconda del disegnatore; alcuni di noi (penso a Majo e a Luca Rossi, a me e a Piccininno) hanno stili piuttosto differenti. Prosegue dunque, in Dampyr, quella varietà grafica che già in Dylan Dog aveva consentito al personaggio di svilupparsi, sul piano visivo, in direzioni insolite, fino alle versioni umoristiche di quest’anno. I grandi character del fumetto (mi riferisco a giganti come Batman) possono persino produrre una versione umoristica di sé stessi senza che quest’ultima né diventi la parodia: il Batman di Bruce Timm è lontano da quello di Neal Adams, ma si riavvicina a quello di Bob Kane; tutte le versioni di questo personaggio sviluppano possibilità espressive che erano GIA’ contenute in lui all’origine. Una volta Boselli scherzò con me a proposito di un team tra Dampyr e le Winx, fatine di un cartoon italiano adorato da sua figlia: io presi seriamente più di metà del discorso; se penso a un Dampyr con aperture fiabesche, non lo trovo così improbabile. Il personaggio è solido, e le sue caratterizzazioni non lo limitano; questo mi ha permesso di accedevi episodicamente anche come sceneggiatore.

In genere ti sono state affidate delle sceneggiature oniriche e visionarie. La scelta è stata dettata da te o lo stesso Mauro Boselli, conoscendo le tue abilità artistiche, ha preferito farti lavorare con dei soggetti sognanti?
Alessandro Baggi: Boselli ben conosce i miei referenti; non solo grafici ma anche letterari, e culturali in genere. Sa che amo l’arte moderna, la poesia, Kafka, Poe, Lovecraft, come Sartre e Celine e Beckett. I soggetti che io proponevo e quelli che mi sono stati affidati da lui sviluppavano elementi che ricorrono un po’ in tutto il mio lavoro. Inoltre Diego Cajelli, lo sceneggiatore con il quale ho lavorato più spesso, è anche mio amico, e viene naturale scambiarsi idee e suggestioni (talvolta per e-mail).

Nel secondo Maxi Dampyr (agosto 2010) sei stato l’assoluto protagonista: hai disegnato l’intero volume e ti sei cimentato con la scrittura. Com’è nata questa operazione? E ti ritieni soddisfatto della tua sceneggiatura?
Alessandro Baggi: Il Maxi Dampyr è stato per dieci anni un curioso work in progress: Boselli iniziò nel 2000, a darmi via libera per la stesura di qualche storia breve che avesse Dampyr come protagonista; ne approvò un paio, che realizzai. Poi chiese una storia breve a Colombo: protagonista Kurjak, che alla fine, addirittura, moriva. Scrisse poi lui una storia sull’infanzia di Tesla, alla fine della quale moriva anch’essa! Io non capivo cosa avesse in mente: ogni tanto, tra un albo e l’altro, questo strano lavoro proseguiva, e a Febbraio del 2000 iniziai le 50 tavole conclusive. Le due storie sceneggiate da me vanno, insieme alle altre, a comporre un mosaico complesso: la storia si è arricchita con elementi di continuità che ben si richiamano alla serie regolare, e semmai risente di uno stile grafico in divenire dovuto ai lunghi tempi di lavorazione. Forse anche questo fa di Spectriana un unicum curioso e originale: in quell’albo è radiografata una maturazione professionale di cui vado fiero e che spero prosegua.

Hai in progetto di scrivere altri soggetti per Dampyr?
Alessandro Baggi:Mi piacerebbe molto: concepisco storie strettamente legate a come le disegnerò, e scrivo dialoghi che immagino pronunciati in un contesto grafico ben preciso. Ora sto frequentando, per interesse personale, un corso di scrittura creativa, e vedo che separare disegno e parola mi è più difficile che unirli.

Potresti anticiparci qualcosa della storia alla quale stai lavorando?
Alessandro Baggi: E’ una storia ambientata in Francia; un tranquillo profumiere riceve la visita di un cliente inquietante, tentacolare. Dampyr e Kurjak, a Praga, vengono messi all’erta da Nikolaus su antichi commerci tra artigiani fantasma. Non so molto altro, sono alle prime tavole.

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Alessandro Baggi:Una tavola mi richiede quasi sempre circa tre giorni di lavoro; a volte (mi vergogno un po’, a dirlo) anche di più. I miei orari, lavorando anche come insegnante, ruotano spesso, e talvolta dormo poco; nei rari casi di scadenze incombenti disegno anche 12 ore di fila, dormo un po’ e poi ricomincio. Quando ho consegnato le ultime tavole del Maxi ero sveglio da due giorni e avevo il mal di denti… ma ero felice! Nella società occidentale, l’uomo si definisce innanzitutto attraverso il proprio lavoro; vita familiare, affettiva e interiore vengono subordinate ad esso, relegate negli orari non lavorativi, nella sera, nella notte. Sembra assurdo, ma è così. Io leggo in treno, o in bagno; ascolto musica mentre lavoro, suono la chitarra mentre cucino (mentre aspetto che bolla l’acqua), invento storie mentre cammino, gioco e invento canzoncine, e poi le canto alla mia ragazza. Disegno, nelle notti, e amo intensamente. Vado a correre. Mi piacciono i boschi, il fuoco, gli insetti, le rane. Amo la mia città. Voglio bene ai miei fratelli e a mio nipote, Tommaso. Gli ho parlato dell’Uomo Pesce; abbiamo guardato insieme il film.

Com’è lavorare per Sergio Bonelli?
Alessandro Baggi:Sergio è stato l’editore di Joe Kubert, di Sergio Toppi, di Aldo Capitanio e di Fernando Fernandez: ha scritto le storie di Zagor che leggevo da bambino, e quando l’ho chiamato Maestro lui si è schermito, ma io non scherzavo. Ai suoi complimenti mi sono schermito io; ma ne ero travolto.

Mettiamo il caso Sergio Bonelli ti desse la possibilità di scegliere, oltre a Dampyr, di illustrare un altro personaggio della Casa editrice: a quale vorresti collaborare?
Alessandro Baggi: Beh, le atmosfere horror di Dampyr hanno affinità con quelle di certe storie di Dylan Dog, sulle quali penso che mi troverei a mio agio. Quello di cimentarsi con Tex è un sogno comune a molti disegnatori della casa editrice, ma io (visto che parliamo di sogni) ne azzarderei un altro, forse ancor più ardito: una lunga storia horror di Zagor, scritta e disegnata da me, su un collezionista di mostri, o roba del genere; una cosa un po’ anni ’60.

Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei un affermato disegnatore bonelliano, ti piacerebbe disegnare per Tex, ti è mai stato proposto?
Alessandro Baggi: So che il mio editore ha una (comprensibile) predilezione per Aquila della Notte; il fatto che ne sia anche il massimo esperto (unitamente alla statura epica del personaggio) mi intimidisce, al pensiero di trovarne una mia versione. Inoltre, i disegnatori storici di Tex che prediligo (Nicolò su tutti, ma anche Letteri e Ticci) sono modelli consolidati e condizionanti. Ma comincerei riferendomi alle loro versioni, per quanto classiche, piuttosto che ispirarmi a interpretazioni più moderne (come quelle di Mastantuono o di Villa), punto d’approdo della ricerca di colleghi partiti in condizioni analoghe alle mie.

Cosa significherebbe per te disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex?
Alessandro Baggi: Accostarmi alla leggenda, con rispetto, e cercare di apportarvi il mio contributo. Mi rendo conto di aver fatto le mie cose migliori (su Dampyr, ad esempio) quando mi sono sentito libero di sperimentare, proponendo soluzioni grafiche insolite, quasi per gioco, quasi per scherzo. Certo, con Tex non si può scherzare troppo: bisogna, come si dice a Milano, stare all’occhio.

Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Alessandro Baggi: Tex è un personaggio sessantaduenne, la cui storia inizia nel dopoguerra italiano e sprofonda nei bagliori accecanti di un ottocento americano sempre più preciso, documentato e nitido. Col crescere della serie, il suo mondo si è fatto vero, ha acquisito parametri propri, e disegnatori sempre più bravi e scrupolosi lo hanno reso maestoso: un universo di segni, a volte essenziali, a volte barocchi, nel quale Tex arriva ed eternamente riparte. Penso di aver, già da bambino, sempre percepito Tex così: lui è quello che riparte (mentre Zagor, più stanziale a Darkwood, nella mia infanzia era, per contro, quello che sta, e difende la sua casa).

Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti?
Alessandro Baggi: Ha abbandonato l’irriverenza un po’ anarchica dei suoi primi anni, quando conduceva gli interrogatori a suon di sganassoni e liquidava burocrati e sceriffi collusi con modi bruschi; dava di piglio alle sue colt senza pensarci due volte e chiudeva le risse da lui scatenate offrendo da bere a tutti. Ora è ponderato, solenne, ineluttabile; uno strumento della Giustizia, più che della Legge; il suo arrivo, nelle storie, è sempre mitico, definitivo: è l’arrivo del Destino.

Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Alessandro Baggi: La crescente qualità di questo fumetto e le cure che gli riservano autori ed editore viene tuttora ben ripagata dall’affetto del pubblico; auspico per lui il mantenimento (o addirittura una ulteriore crescita) del suo status di parametro imprescindibile: magari potessi contribuirvi anch’io! Come molti artisti, pero’, sono abbastanza incompetente sulle reali condizioni del mercato; su questo non mi pronuncio.

Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Alessandro Baggi: Dagli anni ’80 in poi (con Dylan Dog e i disegnatori diversissimi che cominciarono ad avvicendarsi sulle sue pagine) il fumetto della SBE iniziò a vantare episodi disegnati da Tacconi, storie di Nick Raider disegnate da Toppi, per arrivare al Texone di Kubert o al Napoleone disegnato (ma soprattutto scritto) da Bacilieri. Certo, anch’io aspiro a fare fumetto d’autore, e alla SBE lo si fa; le limitazioni connaturate al lavoro sulle serie della nostra Casa Editrice (niente pornografia, turpiloquio, splatter, ecc.) mi trovano concorde, e sono assenti anche nei lavori che ho realizzato per altri editori che non ponevano riserve a questi elementi.

Tra l’altro, alla tua attività di disegnatore hai aggiunto quella di insegnante presso la Scuola di Fumetto di Milano. Come ti poni con i tuoi allievi, considerando le difficoltà di assorbire posti di lavoro nell’ambito del fumetto italiano?
Alessandro Baggi: Insegno ad eseguire correttamente dei fumetti, animato dalla convinzione che, se si raggiunge un certo livello di professionismo, un possibilità di venir assorbiti dal mercato italiano esiste. Non c’è un mercato così florido da poter assorbire anche chi si è applicato poco, chi disegna raramente, chi ha mille altri interessi, ecc., ma costoro non troverebbero lavoro neppure altrove, credo… non come disegnatori di fumetto, almeno.

Ritieni che il Fumetto, come mezzo di comunicazione, abbia più possibilità di toccare i temi più disparati rispetto, ad esempio, al Cinema italiano?
Alessandro Baggi:Il cinema ha la possibilità di raggiungere un pubblico più vasto, necessitando di uno sforzo minore da parte dello spettatore (sempre che si consideri la lettura uno sforzo). I maggiori costi produttivi ne limitano un po’ i temi trattati, che devono trovare risonanza in fasce di pubblico il piu’ ampie possibile. Il fumetto, costando meno, potrebbe idealmente affrontare qualsiasi argomento (anche a rischio di non vendere molto), e farlo con profondità e piena consapevolezza dei suoi mezzi espressivi (penso al David Boring di Daniel Clowes, o al titanico Brain the Brain di Miguel Angel Martin, come allo Zeno Porno dell’acutissimo Bacilieri).

Quale mercato pensi si prospetti nei prossimi anni? Il fumetto sarà sempre più indirizzato a un pubblico di nicchia o magari è ipotizzabile un equilibrio tra proposte popolari (nel senso di costo: non certo di qualità) e da libreria?
Alessandro Baggi: I lettori di fumetti hanno, credo un po’ ovunque, un’età media sempre più alta; sono adulti, appassionati e competenti. Vedo difficile il ritorno ad una diffusione vasta e popolare del media fumetto; mi sembra più probabile una sempre maggiore specializzazione del prodotto e dei suoi fruitori, che renderà necessario un livello qualitativo sempre più elevato e oculate politiche di vendita.

In un’intervista, Mirko Perniola (cfr. ZAGOR TV al link http://www.youtube.com/watch?v=xY_-csxPFbg) ha auspicato che grandi editori come Mondadori o Rizzoli diano la possibilità ad autori di fumetti di pubblicare del materiale inedito. Cosa ne pensi?
Alessandro Baggi: Sono d’accordo con Mirko: anch’io lo auspico.

Che progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa?
Alessandro Baggi: Vorrei sposare la mia ragazza. In chiesa. Non sapevo che fosse così macchinoso.

Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Alessandro Baggi: Ho 44 anni, e tendo a rileggere i fumetti che leggevo da bambino. Tendo ad identificarmi col bambino che ero quando li leggevo, e poi me ne vado a disegnare cercando di fare delle tavole che avrebbero potuto piacergli.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Alessandro Baggi: Ho poco tempo per leggere: lavoro sempre. Ma davanti ai miei occhietti, negli ultimi anni, sono sfilati Richard Yates, Aldo Nove, tutto Houllebecq, Donald Bathelme, Edgar Morin, Garcia Lorca, Marshall Mc Luhan. Cinema ne vedo poco: i film, ora, sono troppo lunghi: due ore, a volte due e mezza. Vedo i telefilm, The Wire, Breaking Bad; qualitativamente alcune serie tv hanno poco o nulla da invidiare alle produzioni cinematografiche, e la durata di 50 minuti a episodio mi è più congeniale. Devo lavorare: viviamo in un mondo impaziente! La musica che prediligo è il jazz. Ho scoperto per caso, chiacchierando con Boselli, che anche lui è piuttosto ferrato sull’argomento: anche per motivi generazionali credo che i dischi di free dei tardi anni ’60 che io ascolto tuttora, lui li abbia scoperti più o meno all’epoca della loro uscita; John Coltrane, Albert Ayler, Archie Shepp, Pharoah Sanders, Anthony Braxton, ecc. Ecco, ascolto spesso questa musica dura e ostica, che certo non comprendo appieno, ma mi piace.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire ai lettori riguardo Alessandro Baggi?
Alessandro Baggi: Nella stanza dove lavoro ci sono molti dei miei quadri, a volte fatti con insetti veri, e giocattoli, e pezzi di legno dipinti. Ho altre cose singolari e un po’ inquietanti (un piranha imbalsamato, una maschera africana), e ho un modellino di Godzilla che non monterò mai, e una scure nel box, e piante stecchite sul balcone. Dietro a strati di fumetti, altri fumetti, che si perdono giù, giù fino alle remote praterie dell’infanzia, e una foto di mia mamma, sul tavolo da disegno, e 2 chitarre, con le corde piuttosto ossidate. Nel cielo di Milano, alle tre di notte, passa talvolta una balena, solo per me.

Caro Alessandro Baggi, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Alessandro Baggi: Grazie a te, e un saluto ai lettori portoghesi.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Giovanni TICCI em Curitiba, no Brasil

Por José Carlos Francisco

Depois de 2010 ter ficado gravado a letras de ouro na história de Tex no Brasil, devido à presença do consagrado desenhador de Tex, Fabio Civitelli, em Outubro passado para participar do 17º Fest Comix em São Paulo, tudo parece indiciar que 2011 será mais um ano histórico para Tex e para os seus fãs e coleccionadores brasileiros já que há fortíssimas probabilidades de Giovanni Ticci, o terceiro desenhador de Tex na quantidade de páginas desenhadas, após Galep e Lettèri e que supera a marca das 7.000 páginas de Tex, também poder estar presente este ano no Brasil, mais precisamente em Curitiba, entre os dias 15 e 17 de Julho, no decurso da primeira Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba.

Segundo Fabrizio Andriani, um dos responsáveis da organização, o evento ainda está em seus primórdios, mas deverá contar com a participação de grandes nomes da banda desenhada brasileira. Em Julho próximo, acontecerá o lançamento do evento, que será apelidado de número Zero.

Curitiba é uma cidade muito envolvida com a banda desenhada e cuja Gibiteca que irá completar 30 anos em 2012, é a mais antiga da América Latina. Devido a esse, mas também a outros motivos, os responsáveis do evento acharam ser da mais elementar justiça que a cidade de Curitiba venha a ter um evento desta magnitude, para além de Curitiba estar a passar por um momento muito favorável culturalmente e economicamente, já que a cidade pertencente ao Estado do Paraná cresceu muito nos últimos tempos e vem gente do Brasil inteiro para morar nessa linda e especial cidade, que inclusive está preparada para receber turistas do mundo inteiro, fazendo tudo isto com que a cidade tenha um ar mais cosmopolita.

Nesta convenção de número Zero, os responsáveis querem que o Brasil e o mundo fiquem a saber que em Curitiba está a começar um novo evento de banda desenhada e ser mais um espaço de discussão e aprimoramento e claro, encontro entre fãs e seus ídolos da nona arte, inclusive no que a Tex diz respeito.

Tal como já anunciamos, o  evento vai acontecer no mês de Julho deste ano entre os dias 15 e 17 e contará com uma exposição dedicada ao TEX. Exposição essa que terá a bênção de Giovanni Ticci, um dos grandes desenhadores do Ranger e que participará como embaixador da Bonelli em comemoração ao ano da Itália no Brasil.

Em breve e assim que houver mais informações concretas, o blogue do Tex voltará ao assunto, mas segundo as investigações que estamos já a efectuar a vários níveis, poderá haver ainda mais surpresas (e que surpresas) no que a Tex diz respeito, mas para já são apenas intenções e por isso vamos ter que esperar que as coisas se tornem ainda mais palpáveis para poder divulgar, se bem que só a presença de Giovanni Ticci no Brasil se se vier a confirmar como tudo indicia, ser já um marco que ficará também assinalado a letras de ouro na história de Tex no Brasil e muito provavelmente a Mythos Editora também assinalará o momento com alguma edição especial dedicada a Giovanni Ticci, tal como aconteceu com a recente presença de Fabio Civitelli em São Paulo!

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Capa de Tex italiano #597: Il ponte di roccia

Por José Carlos Francisco

Foi publicada na Itália, pela Sergio Bonelli Editore, em Julho de 2010, na edição nº 597 de Tex Willer, intitulada “Il ponte di roccia“,  a capa que tal como todas as anteriores após a número 400, é da autoria de Claudio Villa (que em 1994 foi chamado para substituir Aurelio Galleppini na árdua missão de realizar as capas de Tex) e que se refere a uma cena da história escrita por Claudio Nizzi e ilustrada pelo consagrado desenhador espanhol, José Ortiz, capa essa que é inédita no Brasil.

Capa de Tex nº 597Mas, como muitas vezes acontece e como inclusive já mostramos diversas vezes aqui no blogue do Tex, a capa que acabou sendo publicada não foi a primeira opção do consagrado desenhador italiano, já que até chegar ao resultado final que vemos aqui ao lado, Claudio Villa, que em breve voltará a desenhar o Tex Gigante escrito por Mauro Boselli e que está parado há diversos anos, fez um primeiro esboço, este bem dramático e que mostrava toda a intensidade de uma cena em que Tex corria risco de vida, conforme se pode ver de seguida, inclusive também nesse mesmo esboço mas já mais finalizado e onde se comprova uma vez mais o quão difícil (e demorado) é por vezes desenhar uma “simples” capa de Tex Willer:

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Para concluir, mostra-se também o esboço daquela que seria então a capa definitiva de Tex nº 597:

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Júlio Schneider está de volta, agora em Tex Ouro!

Por Ezequiel Guimarães

Alguém pode perguntar: está de volta? Mas porque, ele tinha saído?

Bem, então vamos começar do início: O renomado Júlio Schneider (colaborador da Mythos Editora, tradutor de Tex e Júlia para o Brasil, e personalidade texiana de fama mundial) fez parte de um projecto editorial inédito em 2006: uma nova série de republicação de TEX com o diferencial de ter textos analíticos e informativos, abordando as histórias apresentadas e apresentando curiosidades de bastidores das respectivas épocas de criação delas e outras curiosidades texianas. Essa série foi a fantástica GRANDES CLÁSSICOS DE TEX; e o autor desses excelentes textos era exactamente o Júlio Schneider, que possui uma inegável competência para esse tipo de trabalho (conforme pode ser visto nas imagens parciais de alguns textos do Júlio, aqui apresentadas).

Isso era algo muito interessante e totalmente novo. Lógico que outras séries já tiveram textos, inclusive do próprio Júlio, mas eram textos ocasionais e não fixos.

Ou então eram séries extras (não eram baseadas nas edições regulares) e contavam com traduções dos textos italianos, como a série ´Edição Especial´ (gigante) da Editora Globo (de Setembro de 1988 a Outubro de 1996 e com 2 republicações em 1998), e a republicação e continuação da mesma série pela Mythos Editora (como ´Edição Gigante´). Mas não eram textos produzidos no Brasil e sim textos que já saíam no original italiano.

E claro que também já haviam outras séries com textos, como por exemplo a ´Almanaque Tex´ (e desde 2000); mas no formato de republicação de histórias regulares e com textos analíticos e informativos sobre a história apresentada, e em TODAS as edições, a nova série foi um marco (além do que a série ´Almanaque´ tem outro perfil de textos, por exemplo).

Com o final da série GRANDES CLÁSSICOS no número 30 em Dezembro de 2010, os texianos ficaram sem esse formato especial de republicação (há a série ´Tex Edição Em Cores´, e também com textos e também do Júlio, mas essa série estava ´suspensa´ retornando agora, mas nela o espaço para o Júlio está bem limitado: apenas 2 páginas).

Mas agora Júlio Schneider está de volta em tempo integral! A série TEX EDIÇÃO DE OURO contará com os seus excelentes textos a partir do número 53, no próximo mês de Março de 2011, em TODAS as edições a partir dessa (conforme confirmado oficialmente pelo editor Dorival, e autorizada a divulgação pelo mesmo)!

Não que Júlio tivesse parado de colaborar com a Editora Mythos, ao contrário sempre esteve activo, mas está de volta agora num formato de actuação semelhante ao que era na série GRANDES CLÁSSICOS (ele já tinha uma ou outra inserção na série OURO, mas era algo bem esporádico).

Lógico que para muitos isso não fará nenhuma diferença, pois gostam apenas de ler a história e ponto final, mas para muitos outros isso é uma notícia excelente, pois gostam de se aprofundar ainda mais, querendo saber sobre os bastidores das histórias, influências dos criadores, análises e comentários sobre os roteiros, curiosidades sobre os desenhos ou argumentos e roteiros, informações sobre a vida editorial na época da criação da história, e muito, muito mais.

Com vários texianos que conversei ao longo dos anos, muitos apreciam esse tipo de material, que na Itália já está muito evoluído, tendo gerado um mercado próprio, que é o mercado dos livros temáticos.

Lá são inúmeros os livros que abordam o universo do Ranger. No Brasil, esse nicho de mercado para Tex é recente, com apenas uma publicação oficial até agora que foi O OESTE SEGUNDO CIVITELLI que comemorou a presença do desenhador de Tex, Fabio Civitelli, no evento Fest Comix realizado em São Paulo em 2010; além de duas outras publicações de 2009, só que extra-oficiais: O MOCINHO DO BRASIL – A HISTÓRIA DE UM FENÔMENO EDITORIAL CHAMADO TEX, do jornalista Gonçalo Júnior, e TEX NO BRASIL – O GRANDE HERÓI DO FAROESTE, do fã G.G. Carsan. Então nos últimos dois anos tivemos 3 publicações, o que comprova uma grande evolução nessa área, já que nos 7 anos anteriores só tivemos uma publicação (e extra-oficial), a primeiríssima desse tipo de produto, e que foi a ´Tex – Edição Comemorativa de Meio Século de Aventuras no Brasil´, também de Gonçalo Júnior (de 2002), mas que era bem mais modesta, editorialmente falando.

Então é para esse grupo de fãs que o Júlio volta em tempo INTEGRAL na série OURO (relembrando que o Júlio já escreveu textos para a série OURO, mas eram esporádicos, agora a partir do número 53 ele estará em todas as edições).

Há um tempo atrás, conversei com vários texianos sobre termos textos do Júlio em todas as edições da série OURO, e todos aprovaram a ideia. Conheço alguns (eu entre eles) que só compravam a série GRANDES CLÁSSICOS pelo diferencial dos textos informativos do Júlio Schneider.

E alguns já me confirmaram que vão começar a comprar a OURO pelo mesmo motivo agora (eu entre eles). Isso está de acordo com as opções que o mercado (muitos tipos de mercado) oferece às empresas: produtos podem ser relançados, e se tiverem algum diferencial encontrarão um segmento diferenciado de consumidor para ele.

Agora é só aguardar a chegada do Tex OURO 53 em diante e começarem as vossas colecções (ou continuarem, com esse especial plus)!

Dorival e Júlio, os texianos agradecem-vos.

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