Portugal – Edições de Março

Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela LOGISTA PUBLICAÇÕES, para o mês de MARÇO de 2011:

TEX 465
Salvamento Heróico

Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Pasquale Del Vecchio

Tex e Carson estão na pista dos responsáveis pelo roubo dos salários dos homens do Forte Gila, mas antes de prosseguirem na pista que os levará aos culpados devem procurar salvar uma patrulha de casacas azuis. Os soldados estão refugiados no interior do grande poço de Sandy Well e os índios Yaqui estão a assediá-los. Enquanto Águia da Noite procura usar as trevas para desferir o contra-ataque, Cabelos de Prata corre em busca de ajuda…
2,90€

TEX  COLEÇÃO 257
Um País em Chamas
Texto: Guido Nolitta  – Desenhos: Fernando Fusco

No encalço de Roger e Pierre Goudret, os dois primos que estão sublevando todo o Canadá de língua francesa contra a dominação britânica, Tex e Jim Brandon tentam infiltrar-se entre os rebeldes, numa acção audaciosa no centro de recrutamento mas são reconhecidos.
Após um áspero confronto, terminam capturados por Donovan, ex-sargento dos montadas que passou para as fileiras da revolta…
2,90€

TEX OURO 42
O Vale Maldito

Texto: Guido Nolitta – Desenhos: G. Letteri

Na missão de San Diego, El Morisco conseguiu finalmente a segunda parte do Código Muller, mas um grupo de homens-onça tenta se apossar do precioso documento. Tex e Montales conseguem frustrar a tentativa e vários homens-onça perdem a vida. Um deles, depois de recuperar as suas feições naturais, é reconhecido como sendo morador de Vale do Rosário. Ao chegarem lá, os três amigos descobrem que ali é o local das macabras reuniões dos adeptos da seita do deus Tezcalipoca e que Kit Willer está prestes a ser sacrificado na pirâmide da morte. Você se surpreenderá ao conhecer o homem por trás da máscara de Tezcalipoca, e ficará a saber também todos os detalhes da diabólica trama que envolve o falso deus asteca.
8,50€

ALMANAQUE TEX 36
Onde Mora o Medo
Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Ferdinando Fusco

Poucos quilómetros além da fronteira do Arizona com o México fica o pequeno povoado de Moctezuma, lugar dominado pelo latifundiário Diego Villalta. O tirano rouba os seus empregados e faz-os passar fome. Quem ousa revoltar-se contra a opressão é morto por seus capangas. Ele está acostumado a ter tudo o que quer e, quando põe os olhos na bela filha do pobre Manuel Aribas, Diego não hesita em mandar raptar a garota. Caberá a Tex devolver a justiça a Moctezuma, libertar a jovem e dar uma dura lição no pequeno tirano.
4,00€

ZAGOR EXTRA 78
O Traidor
Texto: Moreno Burattini – Desenhos: Donatelli

Zagor segue a pista dos sequestradores de Linda Hill, quando, inacreditavelmente, Mark Rydell o ajuda, libertando a jovem e lutando ao seu lado. O Rei de Darkwood consegue eliminar os cúmplices de Mark, mas ao voltar à cidade, uma surpresa chocante o aguarda.
3,50€

ZAGOR 114
O Ataque dos Mohaves
Texto: Boselli – Desenhos: Piccinelli

A pradaria do Kentucky reserva ameaças de vários tipos. E a pior talvez não seja aquela representada pelos belicosos mohaves! Na diligência que os conduz a Saint Louis, Zagor, Chico e David conhecem novas pessoas que podem reservar surpresas. Depois o jovem desmemoriado é levado à presença do doutor Ormond, o homem que tem condições de devolver a sua memória. Deveria ser o fim dos problemas de David, mas os seus misteriosos inimigos têm mais recursos que o diabo!
3,50€

MÁGICO VENTO 100 (COLORIDO)
O Crepúsculo dos Heróis

Texto: Gianfranco Manfredi – Desenhos: Goran Parlov

O general Custer está morto. Em Deadwood, o poeta e batedor Jack Crawford canta a sua glória. Mas na cidade o Destino já marcou encontro com outro herói do Oeste: Wild Bill Hickok. Poe está ao seu lado nos últimos instantes de sua vida e consegue entregar o assassino à justiça. Mas existe justiça em Deadwood? Nesse meio tempo Ned e Cavalo Louco guiam a longa retirada dos índios rebeldes, caçados pelas tropas do general Crook. A pradaria é incendiada para desencorajar os soldados, os víveres escasseiam, os últimos bisontes devem ser sacrificados, enquanto o Inverno se aproxima e se anuncia extremamente duro. Lenta mas inexorável a divisão se insinua entre os sioux, e há alguém pronto a trair, mas quem?
4,00€

AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA 71
Morrerei à Meia Noite
Texto: Giancarlo Berardi e L. Calza – Desenhos: Roberto Zaghi

A nossa elegante criminóloga Júlia Kendall está para atravessar as portas incertas e inquietantes do paranormal. Edgard Derby, um fascinante professor de história e filosofia, encontra uma misteriosa velhota que parece saber muita coisa sobre ele e, sobretudo, parece saber antes que elas aconteçam! Durante a sua última visita à casa de Derby, a idosa vidente chamada Lua previu para ele uma morte bastante próxima.
4,00€

Ivo Milazzo: A Bibliografia

Por José Carlos Francisco

Devido ao interesse que já está a despertar a presença de IVO MILAZZO no próximo Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, Festival esse que decorrerá entre os dias 28 de Maio e 12 de Junho de 2011 e onde o autor italiano terá uma Exposição Individual com pranchas originais de Tex, Ken Parker, Tom’s Bar, Baden-Powell e Uomo Faber e onde comparecerá para gáudio dos seus fãs no fim de semana inaugural do Festival,  dias 28 e 29 de Maio, publicamos hoje no blogue do Tex a sua extensa e completa bibliografia.

Bibliografia de Ivo Milazzo

ARNOLDO MONDADORI
Paperino (Pato Donald) e Topolino (Rato Mickey)
«Almanacco Topolino» nº 197, Topolino e il francobollo rivelatore (arte final de Giorgio Rebuffi).

«Topolino» nº 917, Paperino e il safari fotografico (arte final de Luciano Bottaro).

«Almanacco Topolino» nº 200, Topolino e la “Banda Ombra” (arte final de Giorgio Rebuffi).

«Topolino» nº 932, Paperone e la scomparsa di Paperopoli (arte final de Luciano Bottaro).

EDITORIALE CEPIM
Ken Parker
«Ken Parker» nº 1; 2; 3; 4; 5; 7; 8; 12; 15; 19; 25; 26 com Carlo Ambrosini; 30; 32 com Carlo Ambrosini; 35 com G. Cianti; 36; 40; 46; 50 com Renato Polese, Giorgio Trevisan e Carlo Ambrosini; 54; 58

Un uomo un’avventura
«Un uomo un’avventura» nº 27, L’uomo delle Filippine, 1980.

PARKER EDIZIONI
Ken Parker
«Ken Parker – Serie Oro» nº 60 com Giorgio Trevisan; 61; 62
«Ken Parker Magazine» nº 1 e 2 com Giuseppe Barbati e Pasquale Frisenda; nº 3, 4 e 5 com Giuseppe Barbati, Massimo Bertolotti, Pasquale Frisenda e Goran Parlov; nº 6 com Pasquale Frisenda; nº 7 e 8 com Giorgio Trevisan e Studio Iemme; nº 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 15 com Giuseppe Barbati, Massimo Bertolotti, Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri; nº 16, 17 e 18 com Massimo Bertolotti, Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri.

Giuli Bai
«Ken Parker Magazine» nº 4.

Tiki
«Ken Parker Magazine» nº 8; 10; 12; 16

Storie libere
«Ken Parker Magazine» nº 14; 17; 18.

SERGIO BONELLI EDITORE
Ken Parker
«Ken Parker Magazine» nº 19 e 20 com Massimo Bertolotti, Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri; nº 21, 22 e 23 com Renato Polese; nº 24; 25; 30; 31; 32.
«Ken Parker Speciale», 1996, La leggenda di Kennissuaq.
«Ken Parker Speciale», 1997, Ai tempi del Pony Express.
«Ken Parker Speciale», 1998, Faccia di Rame com Luca Vannini e Pasquale Frisenda.

Tiki
«Ken Parker Magazine» nº 28; 36.

Mágico Vento
«Magico Vento» nº 30; 36; 40; 44; 52; 57; 61; 69; 70; 79; 89.

Nick Raider
«Nick Raider» nº 5; 22.

Tex
«Tex», Albo Speciale nº 13, Sangue sul Colorado, 1999.

LIZARD
Impeesa. La grande avventura di Baden Powell, 2007.
Il boia rosso, 2007.

DE AGOSTINI
Uomo Faber, 2010.

Pesquisa de José Carlos Francisco baseada no livro Lezioni di Fumetto: Ivo Milazzo, de Davide G. G. Caci, publicado por Coniglio Editore; Outubro 2009.

O Salão Moura BD 2011

Depois do grande sucesso de Tex obtido no último Salão de Banda Desenhada de Moura, o Moura BD 2007, onde Fabio Civitelli, que pela primeira vez veio a Portugal (regressou a Portugal em 2008, onde esteve presente no FIBDAmadora, e em 2010, onde foi figura destacada no Festival de Beja), esteve presente com uma exposição individual e onde recebeu o troféu “Balanito de Honra para o Autor Estrangeiro”, para além das exposições “A nova vaga de desenhadores de Tex” e “Coleccionando Tex“, o blogue português do Tex divulga a imagem gráfica do Moura BD 2011, que, obviamente, remete para o tema do salão: “Viajantes de Papel“.

A pergunta que quase todos fazem a seguir é: porquê “Viajantes de Papel”?
O texto seguinte procura responder a isso:

As personagens, os autores e os leitores de banda desenhada têm em comum o facto de “viajarem no papel”.
Uma personagem BD pode percorrer este e outros mundos saltando de quadradinho em quadradinho, sem se preocupar com as leis do tempo e da física. Basta que o argumentista e o desenhador que lhe dão vida assim o determinem.
E quantas vezes não se revê o autor nas suas personagens, levando-as a visitar sítios e mundos com que sempre sonhou?…
O leitor, por sua vez, absorvido pelo prazer da leitura, deixa-se envolver nesta trama e viaja com eles, por desertos abrasadores, por selvas impenetráveis ou por galáxias desconhecidas, numa cumplicidade mal disfarçada.
No ano em que o Moura BD abre portas simultâneamente com a Feira do Livro, faz sentido que o tema do salão seja o das viagens no papel dos livros, sejam elas realizadas num álbum de banda desenhada, num livro ilustrado para crianças ou no romance de um prémio Nobel…

Falando agora do Salão em si:

O REGRESSO DO SALÃO MOURA BD!

O Salão Moura BD está de volta, após um interregno de três anos! A XVII edição do salão ocorrerá em simultâneo – embora em espaços separados – com a XXXI edição da Feira do Livro.

As datas para a realização do duplo evento são as seguintes: 22 de Abril (sexta-feira) a 8 de Maio (domingo). Serão, portanto, dezassete dias onde a edição e apresentação de livros, as sessões de cinema, “workshops”, caricaturas, música, dança, teatro, homenagens e muito, muito mais animarão de novo o coração da cidade.

O salão distribuir-se-á pela Praça Sacadura Cabral (núcleo principal de exposições), espaço multiusos do INOVINTER (núcleo de banda desenhada granadina e de cartune albanês), Posto de Turismo de Moura (núcleo Tintin) e Cine-Teatro Caridade (sessões de cinema de animação, homenagens e entrega de prémios).

Quanto aos autores homenageados nesta edição, teremos:

CARLOS ROQUE:

Uma das exposições já confirmadas é a de Carlos Roque, autor de um traço magnífico e pleno de humor. Emigrou para a Bélgica onde trabalhou nas revistas Tintin e Spirou. Nesta última, para além de ilustrações, capas e bandas desenhadas, foi, durante vários anos, coordenador gráfico da revista. Desaparecido em 2006, deixou uma obra magnífica no campo da banda desenhada humorística. Sem dúvida um dos pontos altos do salão.

Carlos Roque: um nome para os mais velhos recordarem… e para os mais novos descobrirem. O autor será, também, alvo de uma homenagem a título póstumo, com a atribuição do Troféu Balanito Especial. Receberá o troféu Monique Roque, a sua companheira e argumentista de muitas das histórias que Roque desenhou. Previsto está, também, o lançamento de um álbum, sob chancela das Edições Polvo, onde poderemos (re)ler alguns dos melhores trabalhos do artista. Personagens como o Mágico Patrake, por exemplo, tornarão a fazer as delícias de muitos leitores.

VICTOR MESQUITA:

Outro dos homenageados na edição deste ano do Moura BD é Victor Mesquita, nome sonante da BD lusa que, após um longo interregno, regressou em 2010 com a continuação da saga de “Eternus 9” e prepara já o terceiro e definitivo tomo desta mítica série. Mesquita terá em Moura uma exposição a não perder dado que a maior parte do material exposto sairá pela primeira vez do ateliê do artista. Para além da prancha número um de “Eternus 9“, veremos também o esboço que, segundo o autor, deu origem à série, bem como pranchas, maquetes e esboços de outros projectos em que Mesquita se embrenhou, a solo ou em equipa, e que, eventualmente, não terminou.

Durante o salão, o artista colocará à venda alguns originais, facto que poderá atrair muitos coleccionadores à cidade de Moura. O Troféu Balanito de Honra para autor português será entregue a Victor Mesquita, com toda a justiça, na tarde de 7 de Maio próximo, no Cine-Teatro Caridade.

TITO:

Tiburcio de la Llave, mais conhecido por Tito, será o autor estrangeiro em destaque na edição de 2011 do Moura BD. Tito é um dos grandes nomes da banda desenhada europeia do momento. Apesar disso, apenas tem um álbum traduzido para português: “Soledad: a derradeira felicidade“, pela Meribérica.

Tito nasceu a 4 de Maio de 1957, próximo de Toledo, Espanha, mas vive em França desde os seis anos. Os desenhos de Tito são claros, precisos, realistas e minuciosos. A sua obra reparte-se por três séries de culto: Soledad, Tendre Banlieue e Jaunes.

Em Moura veremos originais de todas estas magníficas séries o que, seguramente, fará deste um dos pontos mais altos no historial do salão. Tito estará em Moura, para receber o Troféu Balanito de Honra para autor estrangeiro, no próximo dia 7 de Maio.

Finalizamos, recordando mais pormenorizadamente a passagem de Tex pelo Moura BD 2007 e também o Salão em si:

O salão de 2007 foi, sem dúvida, um dos de maior sucesso dos até agora realizados. Desde logo, o salão teve uma divulgação nunca antes conseguida, aquém e além fronteiras (onde o salão foi falado nas revistas italiana e brasileira de Tex, por várias ocasiões).

A exposição sobre a nova vaga de desenhadores de Tex não pode ser alheia a este facto, já que se tratou de um exclusivo mundial. Nem em Itália se tinham ainda visto as pranchas dos 15 novos desenhadores de Tex!

Outro factor importante do salão foi a presença do desenhador italiano Fabio Civitelli, um conceituado autor dos quadros da Sergio Bonelli Editore, que encantou tudo e todos com a sua simplicidade, a sua simpatia e o seu profissionalismo! Recebeu, merecidamente, das mãos do presidente da Câmara de Moura, o Troféu “Balanito de Honra para Autor Estrangeiro”, o primeiro troféu, segundo o autor, que recebeu numa carreira com duas décadas.

Sessão de encerramento – os três autores homenageados, Fabio Civitelli (“Balanito de Honra” para autor estrangeiro), José Abrantes (“Balanito de Honra” para autor nacional) e Catherine Labey (“Balanito Especial”).

Também José Abrantes e Catherine Labey, foram justamente distinguidos (respectivamente com os Troféus “Balanito de Honra para Autor Português” e “Balanito Especial”) e contribuíram para o êxito do salão. A sessão de autógrafos que se seguiu à entrega dos Troféus Balanito foi mais uma prova de que o leque de homenageados deste ano fora muito bem escolhido.

A “ExpoTex” onde, ao centro, se podiam ver os trabalhos da nova vaga de desenhadores da personagem, um exclusivo mundial que o salão de Moura proporcionou aos seus visitantes! A Colecção de objectos sobre Tex de José Carlos Francisco (exposta em vitrines, nas paredes da sala) completavam esta magnífica exposição.

No que toca às exposições, não poderíamos deixar de referir o êxito da primeira exposição de coleccionismo que tivemos no salão. Tratou-se de uma mostra da colecção de José Carlos Francisco, um dos maiores coleccionadores de Tex do mundo, que disponibilizou dezenas de revistas, quadros, estatuetas, porta-chaves, canetas, calendários, cartazes, folhetos, etc, relacionados com a famosa personagem de BD italiana.

A exposição de Fabio Civitelli foi alvo de rasgados elogios do público (em especial dos apreciadores da personagem Tex).

Também os trabalhos da jovem autora Susa Monteiro foram alvo de uma exposição individual que mereceu rasgados elogios do público.

A nova vaga de desenhadores de Tex. Em segundo plano, a exposição “Coleccionando Tex”.

Na área da caricatura e do cartoon, Osvaldo de Sousa comissariou a exposição “Nas Garras Felinas da Sátira”, que teve direito a catálogo.

A muito movimentada sessão de autógrafos de Fabio Civitelli, José Abrantes e Catherine Labey ocorreu no átrio do Cine-Teatro Caridade, após as homenagens.

A publicação de “Cadernos Moura BD (nº7)”, dedicados a José Abrantes, e de “O Western na BD Portuguesa”, de Jorge Magalhães, numa reedição melhorada e ampliada, completaram o conjunto de edições do salão.

Sessão de encerramento: Na primeira fila do Cine-Teatro Caridade podemos ver o Presidente da Câmara, Dr. Pós-de-Mina, Fabio Civitelli, José Abrantes e Catherine Labey (os três homenageados) e, à direita, José Carlos Francisco, coleccionador e editor do blogue do Tex e representante em Portugal da Mythos Editora.

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Tex: A autobiografia * A história da minha vida

Tex: A autobiografia

Dia 12 de Abril chega às livrarias italianas “Il romanzo della mia vita” (“A história da minha vida”), mais de 200 páginas que contam as aventuras do Ranger sob um único ponto de vista: o de Tex!

Com o único precedente constituído por “Il massacro di Goldena” (“O massacre de Goldena”), escrito por Gianluigi Bonelli, Tex abandona insolitamente a narrativa desenhada para assentar entre as páginas de um verdadeiro romance real, ainda por cima autobiográfico! Estamos a falar de “Il romanzo della mia vita” (“A história da minha vida“), um livro publicado pela Mondadori e assinado por Tex Willer em pessoa (com lançamento marcado para as livrarias italianas no dia 12 de Abril e com um custo de € 17,00)! Como escreve Sergio Bonelli no prefácio do livro, trata-se quase  de um retorno aos tempos ingénuos dos anos 50, quando os leitores escreviam para a redacção abordando directamente o Ranger, pensando que Tex  existisse verdadeiramente.  Com esta iniciativa, na verdade, os responsáveis por Tex quiseram voltar aos tempos “míticos”, no alvorecer do sucesso da personagem bonelliana, imaginando que o nosso herói tivesse realmente existido e tenha decidido contar nas páginas deste livro a sua vida e as suas aventuras.

Naturalmente, um verdadeiro autor, o “intérprete”, das palavras de Tex existe e é, nesta ocasião, Mauro Boselli. Boselli, argumentista de numerosas aventuras do nosso herói, dedicou-se à escritura deste volume, tendo bem presente o estilo da prosa de G. L. Bonelli (“romancista emprestado à banda desenhada”), mas também o modo em que eram contadas as verdadeiras (ou presumíveis) autobiografias dos heróis do Oeste, como Kit Carson, Calamity Jane, John Wesley Harding e outros do mesmo calibre. Lendo “A história da minha vida“, portanto, o leitor não encontrará descrições românticas de belas paisagens e nem sequer introspectivas análises psicológicas. Como nas autobiografias acima mencionadas, os factos serão contados a galope, indo directamente ao cerne da questão com concisão e senso prático. Assim como convém a um verdadeiro homem da fronteira, que narra a sua vida diante da fogueira num improvisado acampamento, disseminando na descrição de aventuras e tiroteios e, talvez, narrando os longos anos da sua vida, em poucas palavras.

De facto, é precisamente a voz de Tex que conta a sua história de vida, ainda que, na ficção literária, e a recolher o seu testemunho e a transcrevê-lo é um repórter do Oeste, amigo do célebre Martin Floyd que os leitores mais atentos recordarão entre os protagonistas de “Sangue Navajo” (números 51, 52 e 53 da série italiana; “Navajos em Pé de Guerra”, número 34 da série brasileira). O empreendedor repórter foi visitar Águia da Noite à reserva e obtém um depoimento que começa numa recordação dos velhos tempos, a partir do momento em que o jovem Willer, vingando a morte do seu pai e irmão, foi forçado a viver às margens da lei, até ao seu ingresso no Corpo dos Rangers e ao encontro com Kit Carson, passando pela Guerra da Secessão e pelo aventuroso casamento com Lilyth, sem esquecer os factos que mais influenciaram a sua vida, como a morte trágica da sua esposa índia, os encontros com Montales e Jim Brandon, o longo despique com o diabólico Mefisto, a defesa do povo Navajo e a vingança contra os assassinos da sua amada.

Estas e outras aventuras, narradas como jamais foram lidas, estão inseridas dentro de um livro de mais de 200 páginas, onde cada capítulo seria suficiente para preencher um romance inteiro. Naturalmente são todas histórias clássicas geradas da desenfreada imaginação de G. L Bonelli, mas aqui as encontraremos narradas pela voz do protagonista e por isso aparecerão sob uma luz diferente. Como exemplo, a aventura contra Mitla e Diablero é contada por Tex como ele a viveu e interpretou, mantendo no obscuro muitos factos narrados nas páginas da história original em banda desenhada. Isso por si só torna ainda mais interessante esta edição, já que dá uma nova visão sobre a saga “texiana”.

Para não tornar os leitores do livro muito órfãos de imagens, cada capítulo será enriquecido por magníficas ilustrações de Fabio Civitelli. O bravíssimo desenhador aretino pôs a sua arte ao serviço da iniciativa, desenhando cada cena como se ela fosse realizada por um ilustrador dos finais do século XIX, oferecendo um conjunto de reproduções muito agradável e encantador, como se pode constatar nos vários exemplos mostrados a ilustrar este texto.

Fabio Civitelli no Festival de Beja 2010 e uma das ilustrações para a autobiografia de Tex

*Texto apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore em 28 de Março de 2011.
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2011, Sergio Bonelli Editore S.p.A.

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As Leituras do Pedro: O Oeste segundo Civitelli

As Leituras do Pedro*

O Oeste segundo Civitelli
Do renomado desenhista de Tex
Vários autores
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
205 x 275 mm, 152 p., pb e cor, brochado com badanas, 17,50 €

Resumo
Dedicado a Tex e a Fabio Civitelli, possivelmente o mais conhecido e aclamado desenhador actual – há já mais de 25 anos! – do ranger, este livro, originalmente publicado em Itália pela livraria especializada Little Nemo, contém diversos textos daqueles que com ele trabalham – Sergio Bonelli, Claudio Nizzi -, uma longa e detalhada entrevista conduzida por Giuseppe Pollicelli, pranchas comentadas pelo autor, a apreciação de todas as histórias de Tex por diversas personalidades ligadas aos quadradinho italianos e pelo próprio Civitelli, um extenso portfolio e ainda a história “O Duelo”, escrita por Nizzi e desenhada e colorida por Civitelli.

Desenvolvimento
Ao longo dos anos que levo ligado à banda desenhada tive oportunidade de conhecer muitos autores. De descobrir alguns, de confirmar outros, de ser surpreendido por uns poucos.
Conheci autores nacionais e estrangeiros, simpáticos e insuportáveis, megalómanos e humildes. A alguns vi o êxito subir à cabeça, a outros admirei a forma como o sucesso não os afectou em nada.
Nalguns casos, tive o privilégio de conhecer nomes (que reconheci depois) grandes dos quadradinhos, que à partida não me motivavam especialmente. Maurício de Sousa, foi um deles. Fabio Civitelli foi outro.

A oportunidade de conhecer pessoalmente um e outro, permitiu-me descobrir criadores apaixonados pela sua linguagem – os quadradinhos –, pela sua arte – a combinação de escrita e desenho -, pelas suas personagens – a Turma da Mônica, no primeiro caso, Tex, no segundo.
Com ambos aprendi a (re)descobrir heróis que faziam parte das minhas leituras, a abordá-los e a vê-los sob prismas que até aí me escapavam.
Tudo isto surgiu-me com a leitura deste livro – deste belo livro – “O Oeste segundo Civitelli” – e na sequência do contacto pessoal com o desenhador italiano no Festival de Beja do ano passado, após troca (por intermédio do incansável José Carlos Francisco) de algumas perguntas e respostas.

Uma breve conversa e uma longa entrevista – ainda por transcrever, mea culpa – juntamente com a leitura mais recente deste livro, foram oportunidade de descobrir, de (re)conhecer um autor apaixonado pela sua obra. Um autor que faz dela arte, mesmo que alguns a (des)qualifiquem (tentando diminui-la) como popular. Um autor que, ao trabalhar em Tex, cumpriu um sonho de sempre e que continua a cumprir diariamente esse sonho.
Isso é por demais evidente nas páginas deste tomo, onde Civitelli narra, explica, detalha, aprofunda vinhetas, tiras, pranchas que ao longo dos anos teve o privilégio e o prazer – esse é por demais evidente nas suas palavras – de criar.

Explica opções gráficas e cénicas, detalha técnicas e materiais, conta pormenores, episódios, pequenas anedotas, transforma numa pequena (grande) aventura a (re)descoberta pelo leitor das pranchas que possivelmente já (re)leu. E deslumbra pelo realismo, o pormenor, a beleza, a qualidade das suas ilustrações.
Uma abordagem simples, apaixonada, emocionada e sentida de um criador à sua criação, abrindo-se, revelando-se – dando-se – ao leitor.
Confesso que depois de o ler, o Tex de Civitelli tem para mim outra dimensão…

A reter
– O belíssimo traço de Civitelli.
– A dimensão humana que perpassa todo o livro.

Menos conseguido
– Dadas as características do livro (tamanho, preço, tiragem curta) que na prática impossibilitam a sua distribuição em bancas, ele não estará à venda em Portugal. O que não tem que significar que os leitores portugueses que o desejarem não o possam adquirir. Fica o pedido à Mythos (ao José Carlos Francisco?) que indique como.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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