Tex “Faccia di Cuoio” (Cara de Couro) : Entrevistas exclusivas com os autores Mauro BOSELLI & Marco TORRICELLI

ALERTA: As entrevistas que se seguem com Mauro BOSELLI & Marco TORRICELLI revelam algumas surpresas da história “Faccia di Cuoio” (Tex italiano nº 603, de Janeiro de 2011), e a sua lida antes da publicação da revista no Brasil e Portugal pode tirar toda a graça, emoção e suspense que se cria com relação à aventura..

Entrevistas conduzidas por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Bira Dantas nas caricaturas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino nas traduções e revisões.

MAURO BOSELLI

Esta trama é particular porque recorda, pelo ritmo e pelas contínuas reviravoltas, certas histórias do período em que eram publicadas em tiras. Seria apenas uma nossa impressão nostálgica de leitor?
Mauro Boselli: Creio que é uma impressão ditada exclusivamente pelo carácter nostálgico dos desenhos de Torricelli. Não há nenhuma abordagem pensada nesse sentido. É uma história normal, até demais.

A intriga apresenta um golpe de cena duplo, com vilões de várias gradações: Randy, por exemplo, parece um desafortunado que se mete em problemas porque não sabe regular com frieza a sua antipatia em relação a Dempsey. A evolução de Randy havia sido pensada ou, enquanto a história era escrita, a sua figura tomou um caminho próprio?
Mauro Boselli: Tudo previsto. Numa história curta não se faz alterações desse nível. Na verdade, mesmo se deixo a mão correr solta, eu JAMAIS altero de forma excessiva a natureza de uma personagem em relação às intenções originais.

Cara de Couro contém vários temas apreciados por G. L. Bonelli: os relatos obscuros em volta da fogueira do acampamento, os ricos que fazem o que bem entendem na cidade, as pausas no hotel de Tex e seus pards, o branco que é considerado um homem sagrado pelos peles-vermelhas, os crimes misteriosos que Tex investiga. Vêm à mente histórias dos anos 50 e 60 como O Homem dos Quatro Dedos, Old Pawnee Bill ou O Vale do Terror. Com esta aventura você quis agradar os leitores de velha data, a homenagear aquele período da história de Tex que está na base do enorme sucesso da personagem?
Mauro Boselli: Voltemos à primeira pergunta: é uma impressão influenciada pelo aspecto retrô dos desenhos de Torricelli. Se eu pretendesse efectivamente homenagear aquele período, escreveria uma história bem diferente! Os elementos citados simplesmente fazem parte da série.

À parte raras excepções, aos olhos dos leitores as histórias de Tex que começam e acabam numa só edição, por serem mais simples e lineares, tornam-se menos emocionantes se comparadas a outras que se desenvolvem em mais de um número. Visto que o seu estilo implica o uso de inúmeras personagens e com uma elaboração de tramas muito articuladas, quando monta um roteiro é um problema para você a quantidade limitada de páginas que tem à disposição nesses casos particulares? Quando desenvolve um argumento, você já sabe com segurança se será uma história longa ou curta?
Mauro Boselli: É evidente que sempre sei qual será o destino final. Mas não concordo que as histórias curtas devam sempre ser mais simples. Esta é na medida exacta.

Com referência apenas às histórias que você assinou nos últimos meses, nota-se que passou com desenvoltura das tramas policiais de Cara de Couro ao faroeste puro do Almanaque, de aventuras em que a História predomina (A Mão do Morto e Os Rebeldes de Cuba) a outras caracterizadas por ideias decididamente aventurosas em que a fantasia galopa a rédeas soltas, como por exemplo o número 600 (n° 500, no Brasil). Transparece cada vez mais a sua vontade de sempre diferenciar os episódios de Tex. É você mesmo quem sente a necessidade de sempre variar a abordagem para não entediar os leitores ou também deve seguir exigências específicas da redacção? Em comparação com a época dos clássicos de G. L. Bonelli, os episódios fantásticos praticamente desapareceram.
Mauro Boselli: Deveria ser NORMAL para um autor buscar variar a receita, não? Eu mesmo não me divertiria em servir sempre a mesma sopa. Sobre os episódios fantásticos… bem, os tempos mudaram, mas eu gosto demais deles. E, cedo ou tarde, os leitores voltarão a ver alguns.

MARCO TORRICELLI

Para muitos leitores de Tex a sua história Cara de Couro é um verdadeiro mergulho no passado. Nenhum entre as dezenas de desenhadores que trabalharam na série havia se inspirado de forma tão clara no criador gráfico da personagem, aquele Aurelio Galleppini que já faz parte da lenda da BD popular italiana. Pode nos explicar as razões da sua escolha? Foi uma homenagem pensada à arte de Galep ou você sentiu a necessidade de fazer os leitores voltarem às origens da série?
Marco Torricelli: Tex pode ser feito de várias maneiras, o importante é que inspire autoridade, carisma, força, inteligência e sabedoria. Ou seja, as qualidades do herói mas com algo mais, típico das personagens bonellianas: a humanidade. O rosto de Tex que mais expressa esses conceitos é, na minha opinião, aquele desenhado por Galleppini. Para a minha escolha talvez tenha contribuído também a lembrança afectiva pelo grande artista que, nas poucas vezes em que nos encontramos em seu estúdio, eu o via, como ele dizia, envolver as figuras com o pincel. Do mesmo modo como fazia o rosto de Tex, cuja mandíbula não era traçada com uma única linha que seguia até o queixo, para continuar do outro lado até a testa, mas que surgia da sombra tracejada com sabedoria sob o queixo, para que o rosto assumisse consistência e volume. “É carne, não madeira“, ele me dizia. Esse é o conceito do seu realismo. Eu busquei ser fiel ao que pude aprender com ele, e que sempre achei correcto. Então, mesmo se eu pudesse criar outros rostos possíveis, para mim Tex é o de Galep.

Quando amadureceu a ideia de fazer essa homenagem ao Tex de Galep? E antes de começar a ilustrar o roteiro de Boselli, você conversou sobre isso com ele ou não?
Marco Torricelli: Se pode-se falar de homenagem, também teria a ver com Giovanni Luigi Bonelli, vista a colaboração de Mauro Boselli com ele, mas não pensávamos nisso. Simplesmente eu pedi uma história curta para habituar-me à personagem, e é possível que Boselli tenha demorado para imaginar um argumento adequado às 110 páginas, mas ele o fez.

Na sua opinião, quais seriam as maiores dificuldades para um desenhador ao encarar a lição de Galleppini: o rosto de Tex ou, quem sabe, o costume de seguir o modelo de Ticci?
Marco Torricelli: Eu creio que os desenhadores bonellianos em geral não tenham grandes dificuldades. Mas Tex é um ícone dos quadradinhos e, ao desenhá-lo, cada ilustrador busca um caminho próprio. Eu sei que no futuro veremos novos e interessantes rostos do ranger, pois os novos talentos da Editora estão a crescer e trarão novas ideias.

Quais foram os comentários da redacção no momento em que receberam as suas primeiras páginas?
Marco Torricelli: Mais que a redacção, quem telefonou-me foi Sergio Bonelli, que as apreciou e encorajou-me.

Você já havia ilustrado alguns roteiros de Boselli publicados nas séries de Zagor e Dampyr, histórias fantasy ou de terror que a crítica geralmente coloca entre os seus melhores trabalhos. Mas Cara de Couro é uma história de faroeste, apesar de alguns toques de trama policial, na qual encontramos pastos, estouro da manda, cobóis, povoados, etc. Você sentiu-se à vontade com esses ambientes? Por que voltou a desenhar Zagor, apesar do bom resultado dessa sua primeira experiência texiana?
Marco Torricelli: Eu fiquei contente com o facto da história ter uma abordagem clássica, com gado longhorn e caubóis. Fotografias de época, Red River (Rio Vermelho) – o filme com John Wayne, Montgomery Clift e Walter Brennan – e os quadros de Frederic Remington, tudo isso acompanhou-me nas ambientações aventurosas sob os céus tempestuosos da pradaria. Eu sentia-me como tivesse voltado aos belos filmes de antigamente, todos aqueles a que assisti com o meu pai, que era um aficionado pelo faroeste. Eu voltei a Zagor para fazer o Zagorone, o Zagor Gigante.

A propósito, é iminente a publicação desse seu Zagor Gigante, a coroação da sua carreira na Sergio Bonelli Editore, que já conta vinte e cinco anos, com uma história intitulada O Castelo no Céu, na qual parece que o roteirista Moreno Burattini fez algo de acordo com o seu gosto pelo fantasy. Um evento que os inúmeros aficionados zagorianos esperam com impaciência. Mas quais serão os seus compromissos para o futuro próximo? Pode-se falar de um retorno seu a Tex ou a estreia em outras séries?
Marco Torricelli: Eu considero Moreno Burattini um génio, capaz de escrever qualquer coisa e com perfeição. Na aventura comemorativa dos cinquenta anos da personagem de Nolitta e Ferri, página após página ele mostra o trabalho dos escritores de aventura, a descrever dificuldades, introspecção, solidão e busca, com um final digno – exactamente – de um grande escritor. Eu já comecei uma nova história de Zagor com ele.

O seu traço tem um estilo mais europeu se comparado àquele da escola pictórica do Renascimento italiano como o de Galep; porém, em Cara de Couro parece que você sempre teve o estilo galleppiniano. Sabemos que você conheceu Galep: pode nos contar algum facto pitoresco?
Marco Torricelli: Para uma história do Velho Oeste eu pensei em usar um estilo quase de ilustrador, com cuidado para não fazer algo iconográfico. Eu não havia decidido imitar Galleppini, e o estilo que segui, mesmo que em parte siga as suas pegadas, não foi projectado. Neste ponto deve-se entrar na história da BD e até naquela de toda a Arte e de todas as artes em geral, de modo a obter uma longa nomenclatura de artistas ligados entre si por temas e técnicas, mas esse é um trabalho para críticos. Direi apenas que o estilo de Galep, muito difícil de imitar, amadurecido, entre outras experiências, daquelas obtidas a desenhar o Mandrake de Phil Davis, e do estilo barroco de Raymond – por sua vez amadurecido sobre Tim Tyler’s Luck de Lyman Young -, nasceu de traços, linhas quebradas, nervosas, e áreas de preto, nos quais cada elemento muda de forma contínua: um cavalo, um cenário, um chapéu, nunca são os mesmos. Isso também deve-se à técnica que ele usava para arte-finalizar traços a lápis bem leves – que às vezes ele apagava um pouco – de modo a lhe permitir um imediatismo absoluto e propositado. Aqui entrava a maestria: saber onde e como aplicar o pincel, sem exagerar nos detalhes. Como eu faço um traço a lápis preciso, uso uma linha quase contínua, subtil e limpa que, no caso de Cara de Couro, segue a lição galleppiniana só em algumas características. Além disso, cada história tem o seu carácter, luzes e sombras próprias. Assim, a única aproximação a Galep, do meu ponto de vista, está em ter buscado reproduzir a fisionomia do seu Tex, que é provavelmente o mais amado pelos leitores. Em Recco, pequena cidadezinha da Ligúria, durante uma mostra de Tex, Galleppini cumprimentava os convidados, sorridente e sereno. Entrou a alta e nobre figura de Antonio Canale (desenhador de Amok), com o impermeável e o boné na mão, um pouco mais jovem que Galep. Os dois mestres cumprimentaram-se felizes, fazia tempo que não se viam e começaram um diálogo muito simpático, com piadas e risadas. Canale, a rir, disse “É, eu gostaria de ter o dinheiro que você tem!“, e Galep, em resposta: “E eu a sua idade!“. Ainda vejo os dois à minha frente.

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Tex “Faccia di Cuoio”: Interviste esclusive con gli autori Mauro BOSELLI e Marco TORRICELLI

Interviste condotte da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande , di Bira Dantas per la caricatura e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

MAURO BOSELLI

Questa vicenda è particolare perché ricorda, per il ritmo e i continui capovolgimenti, certe storie del periodo a striscia. È soltanto un’impressione nostalgica di noi lettori?
Mauro Boselli: Un’impressione, credo, esclusivamente dettata dal carattere nostalgico dei disegni di Torricelli. Non c’è nessuna ricerca intellettualistica. E’ una storia normale, anche troppo.

L’intrigo presenta un doppio colpo di scena, con dei cattivi a diverse gradazioni: Randy, ad esempio, sembra uno sfigato che si mette nei guai perché non sa regolare con freddezza le sue antipatie nei confronti di Dempsey. L’evoluzione di Randy era voluta oppure nel corso della scrittura della storia la sua figura ha preso da sé la sua strada?
Mauro Boselli: Tutto previsto. In una storia breve non si fanno cambiamenti di questa portata. Per la verità, anche se mi lascio mano libera, non arrivo MAI a capovolgere o a cambiare di molto la natura di un personaggio rispetto alle intenzioni originarie.

“Faccia di cuoio” contiene numerosi temi cari a G. L. Bonelli: gli oscuri racconti attorno al bivacco, i signorotti che spadroneggiano in paese, le pause in hotel di Tex e i pards, il bianco che viene considerato “uomo sacro” dai pellerossa, i delitti misteriosi sui quali Tex indaga… Vengono in mente storie degli anni ’50 e ’60 come “La morte aspetta nel buio”, “Old Pawnee Bill” o “La valle della paura”. Con questa storia hai voluto forse ammiccare ai lettori di vecchia data, omaggiando quel periodo della storia di Tex che diede il là al grandissimo successo del personaggio?
Mauro Boselli: Torniamo alla prima domanda: vi siete fatti influenzare dall’aspetto rètro dei disegni di Torricelli. Se volessi davvero omaggiare quel periodo, scriverei ben altra storia! Quegli elementi sono semplicemente parte della serie.

A parte rare eccezioni, agli occhi dei lettori le storie di Tex contenute in un solo albo, essendo per forza di cose più semplici e lineari, risultano meno avvincenti rispetto ad altre che si dipanano per più mesi. Poiché il tuo stile implica l’utilizzo di svariati personaggi e la costruzione di trame assai articolate, in fase di sceneggiatura risenti, anche inconsciamente, del numero limitato di pagine che hai a disposizione in questi casi particolari? Quando sviluppi un soggetto sai già con sicurezza se si tratterà di una storia lunga o breve?
Mauro Boselli: So sempre prima qual è la destinazione, ovvio. Ma non sono d’accordo che le storie brevi debbano essere per forza più semplici. Questa lo è abbastanza.

Limitandoci alle storie che hai firmato negli ultimi mesi, si nota che sei passato con disinvoltura dalla trama gialla di “Faccia di cuoio” al western puro dell’Almanacco, da avventure in cui la Storia la fa da padrona (“La mano del morto” e “I ribelli di Cuba”) ad altre caratterizzate da spunti decisamente avventurosi in cui la fantasia galoppa a briglie sciolte, come ad esempio il numero 600. Traspare sempre più la tua volontà di differenziare volta per volta gli episodi di Tex: sei tu stesso che senti il bisogno di variare sempre il plot per non annoiare i lettori oppure devi seguire anche precise richieste della redazione? Rispetto ai tempi dei classici di G. L. Bonelli, gli episodi a sfondo fantastico sono quasi spariti.
Mauro Boselli: Dovrebbe essere NORMALE per un autore cercare di variare la ricetta, no? Io, per primo, non mi divertirei a riproporre sempre il medesimo brodino. Sugli episodi fantastici… beh, i tempi sono cambiati, ma a me piacciono moltissimo. E prima o poi ne leggerete qualcuno.

MARCO TORRICELLI

Per moltissimi lettori di Tex il tuo albo “Faccia di cuoio” è stato un vero e proprio tuffo nel passato. Nessuno tra le decine di disegnatori avvicendatisi sulle pagine della collana si era ispirato in modo così palese al creatore grafico del personaggio, quell’Aurelio Galleppini ormai entrato nella leggenda del fumetto popolare italiano. Puoi spiegarci i motivi della tua scelta? E’ stato un sentito omaggio all’arte di Galep o hai avvertito il “bisogno” di far tornare i lettori alle origini della serie?
Marco Torricelli: Tex si può realizzare in vari modi, l’importante è che ispiri autorità, carisma, forza, intelligenza e saggezza. Le qualità dell’eroe, insomma, ma con qualcosa in più, tipico dei personaggi bonelliani, l’umanità. Il volto di Tex che maggiormente esprime questi concetti secondo me è quello disegnato da Galleppini. Forse nella mia scelta ha contribuito anche il ricordo affettivo per il grande artista che, nelle poche volte in cui ci siamo incontrati nel suo studio, vedevo, come diceva lui, “fasciare” le figure con il pennello. Così pure il volto di Tex, la cui mandibola non risultava da una linea dritta fino al mento, per continuare sull’altro lato fino alla fronte, ma risultava dall’ombra tratteggiata sapientemente sotto il mento, affinché il volto assumesse consistenza e rotondità. “E’ carne, non legno”, mi diceva. Questo il concetto del suo realismo. Ho cercato di mantenere fede a quanto ho potuto da lui apprendere, e che sempre ho trovato giusto. Quindi, per me, anche se potrei inventare altri volti possibili, Tex è quello di Galep.

Quando è maturata l’idea di realizzare questo omaggio al Tex di Galep? E prima di iniziare a illustrare la sceneggiatura di Boselli, ne hai discusso con lui oppure no?
Marco Torricelli: Se di omaggio si può parlare, riguarderebbe anche Giovanni Luigi Bonelli, data la collaborazione di Mauro Boselli con lui, ma non pensavamo a quello. Semplicemente avevo chiesto una storia breve per abituarmi al personaggio, e forse Boselli ha un po’ faticato a immaginare un soggetto adeguato alle 110 pagine; ma da par suo lo ha trovato.

Quali credi siano le difficoltà per un disegnatore doversi confrontare con la lezione di Galleppini: la faccia di Tex o forse la consuetudine di rifarsi al modello di Ticci?
Marco Torricelli: Penso che i disegnatori bonelliani in genere non abbiano grosse difficoltà. Tex però è un’icona del fumetto e ogni disegnatore nel realizzarlo cerca la propria strada. Sono certo che in futuro vedremo altri e interessanti volti del ranger, poiché i nuovi talenti della casa stanno crescendo e porteranno idee fresche.

Quali sono stati i commenti della redazione nel momento in cui ricevettero le tue prime tavole?
Marco Torricelli: Più che la redazione mi telefonò Sergio Bonelli, apprezzandole e incoraggiandomi.

In passato avevi già illustrato alcune sceneggiature di Boselli pubblicate sulle serie di Zagor e Dampyr, storie fantasy o horror che la critica generalmente annovera tra i tuoi lavori migliori. “Faccia di cuoio” è invece un albo prettamente western, sia pur con sfumature gialle, in cui ritroviamo pascoli, “stampede”, cowboys, cittadine, ecc. Ti sei trovato a tuo agio con queste atmosfere? Come mai sei tornato a disegnare Zagor, nonostante la buona riuscita della tua prima prova texiana?
Marco Torricelli:
Ero contento che la storia avesse un taglio classico, con longhorn e cowboys. Fotografie d’epoca, “Red river”, il film con John Wayne, Montgomery Clift e Walter Brennan, e i quadri di Frederic Remington, mi hanno accompagnato con le avventurose atmosfere sotto i cieli tempestosi della prateria. Mi sembrava di tornare ai bei film “di una volta”; li ho visti tutti con mio padre, che era un appassionato del western. A Zagor sono tornato per lo “Zagorone”.

Appunto, e’ ormai imminente la pubblicazione del tuo “Zagorone”, che rappresenta il coronamento della tua ormai venticinquennale carriera nella Sergio Bonelli Editore, con una storia intitolata “Il castello nel cielo” in cui lo sceneggiatore Moreno Burattini pare abbia assecondato la tua vena fantasy. Un evento che i tanti appassionati zagoriani attendono con impazienza. Ma quali saranno i tuoi impegni per il futuro prossimo? Si può ipotizzare anche un tuo ritorno a Tex o l’approdo ad altre serie?
Marco Torricelli:
Ritengo Moreno Burattini un genio, capace di scrivere qualsiasi cosa e in modo perfetto. Nell’avventura celebrativa dei cinquant’anni del personaggio di Nolitta e Ferri, tavola dopo tavola ha raccontato il lavoro degli scrittori d’avventura, descrivendone difficoltà, introspezione, solitudine e ricerca, con un finale degno appunto di un grande scrittore. Ho già iniziato una nuova storia di Zagor con lui.

Il tuo segno è più improntato a uno stile più europeo rispetto a quello che viene dalla scuola pittorica rinascimentale italiana di Galep; eppure, in Faccia di Cuoio, la tua impronta galleppiniana sembra ti sia sempre appartenuta. Sappiamo che hai conosciuto Galleppini: puoi raccontarci qualche aneddoto?
Marco Torricelli:
Per una storia da “Old West” ho pensato a uno stile quasi da illustratore, facendo attenzione a non diventare iconografico. Non avevo deciso di fare il “verso” a Galleppini, e lo stile che ho condotto, se anche in parte reca la sua impronta, non è stato da me progettato. A questo punto bisognerebbe entrare nella storia del fumetto e persino di tutta l’Arte e di tutte le arti in generale, ottenendo una lunghissima nomenclatura di artisti collegati tra loro per temi e tecniche, ma è un lavoro da critici. Dirò solo che lo stile di Galep, difficilissimo da imitare, mutuato, fra le altre esperienze, da quella fatta disegnando il Mandrake di Phil Davis, e dallo stile barocco di Raymond – a sua volta maturato su Tim Tyler’s luck (Cino e Franco) di Lyman Young -, nasce da tratteggi, linee spezzate, nervose, e macchie di nero, dove ogni elemento cambia di continuo: un cavallo, uno sfondo, un cappello, non sono mai gli stessi. Questo è anche dovuto alla tecnica da lui usata nell’inchiostrazione di matite evanescenti – che talvolta cancellava un poco – tali da permettergli un’assoluta, cercata e trovata immediatezza. In questo stava la maestria: sapere dove e come mettere il pennello, rifiutando il calligrafismo. Facendo io invece una matita precisa, uso una linea quasi continua, sfumata e pulita che, nel caso di “Faccia di cuoio”, sviluppa la lezione galleppiniana solo in alcune caratteristiche. Ogni storia poi ha un suo carattere, luci e ombre proprie. Quindi l’unico accostamento a Galep, a mio parere, è rilevabile nell’aver cercato di riprodurre la fisionomia del suo Tex, che è probabilmente la più amata dai lettori. A Recco, cittadina ligure, durante una mostra di Tex, Galleppini salutava gli ospiti, sorridente e sereno. Giunse l’alta e signorile figura di Antonio Canale (disegnatore di Amok), impermeabile e coppola in mano, un poco più giovane di Galleppini. I due maestri si salutarono felici, da tempo non si vedevano e iniziò fra loro un simpaticissimo dialogo, con battute e risate. Canale ridacchiando disse: “Eh, vorrei avere i tuoi soldi!”, e Galep, di rimando: “E io i tuoi anni!”. Li vedo ancora.

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Mesa redonda em Valência com Antonio Segura e José Ortiz

Por José Carlos Francisco

Integrada na  2ª Mostra de Cómic de Valencia (a decorrer de 7 a 10 de Abril e integrado na 32ª Mostra de Valencia Festival Internacional de Cine de Acción y Aventura que por sua vez se realiza de 7 a 14 de Abril) realizou-se este sábado, dia 9 de Abril, uma Mesa redonda intitulada “Leyendas del cómic europeo”, onde foi apresentada a edição de “Tex: El oro del sur” e que contou com a presença de duas lendas vivas da banda desenhada espanhola: o argumentista Antonio Segura e o desenhador José Ortiz para além da participação do editor Joseba Basalo da Aleta Ediciones (que está a cometer a feliz loucura de publicar alguns dos êxitos da editora Bonelli em espanhol e claro,  graças a isso, hoje as edições de Tex são uma realidade para os inúmeros fãs de Tex de nacionalidade espanhola) e cuja moderação ficou a cargo de Alvaro Pons.

No decurso então do “debate”, o consagrado desenhador José Ortiz, “um dos mais prolíficos de toda a história” segundo as palavras do moderador Alvaro Pons, recordou os gloriosos tempos da banda desenhada. Segundo Ortiz, “Há quarenta anos vendiam-se edições de 150.000 exemplares e só existia a concorrência da rádio e da televisão.“

Durante a Mesa redonda, José Ortiz apresentou, acompanhado pelo argumentista Antonio Segura, o álbum El Oro del Sur, com as aventuras do mítico ranger Tex, um ícone do mundo da banda desenhada de aventura. O editor Joseba Basalto por sua vez comentou que a personagem Tex tem muita força porque a editora Bonelli “cuida muito a qualidade das histórias” mas também porque “Tex pode gostar até a pessoas que habitualmente não leiam banda desenhada“.

Mas voltando à apresentação da edição de Tex, El Oro de Sur foi publicado originalmente na Itália em 1991, quando Antonio Segura já cumpria há um par de anos a difícil tarefa de ser um argumentista oficial da histórica personagem da banda desenhada italiana e que até então nunca tinha sido escrita por um autor não italiano, o que mostra bem a importância do feito conseguido pelo autor espanhol.

Destaque-se ainda o facto de ambos os autores espanhóis terem autografado exemplares do ranger a todos os presentes que o desejassem…

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Vídeo: o Volkswagen Tex

Por José Carlos Francisco

O Salão Automóvel de Genebra 2011, um dos mais importantes eventos mundiais do sector automóvel deu a conhecer as novidades do mundo automóvel, com destaque para os modelos eléctricos.

Mas a maior novidade de Genebra no que aos fãs de Tex disse respeito foi o lançamento por parte da Volkswagen de um “concept car” (um protótipo) dedicado a Tex Willer: o Volkswagen Tex!

O Volkswagen Tex da Italdesign marcou a estreia de Giorgetto Giugiaro no Grupo Volkswagen e o nome do carro é dedicado a Tex Willer, o herói da banda desenhada  italiana publicado por Sergio Bonelli sendo sem dúvida alguma uma linda e prestigiosíssima homenagem ao nosso Ranger.

O  Volkswagen Tex representou a nova visão do estúdio italiano de design, com um coupê que utiliza a tecnologia Blue e-motion da Volkswagen e também o sistema de direcção Twin Drive. Isso quer dizer que este conceito utiliza um sistema híbrido no seu motor de 1.4 litros turbo, que possui 85 Kw de potência com a bateria carregada.

A sua transmissão possui sete velocidades sequenciais. Com este sistema, o Volkswagen Tex poderá acelerar de 0 a 100 km/h em 6 segundos, e atingir a velocidade máxima de 220 km/h. Rodando apenas com o motor eléctrico, a sua velocidade máxima é de 35 km/h.

Mas neste caso, o desportivismo e a ecologia não são mundos distintos: “Para a nossa estreia no grupo fizemos umas pesquisas imaginando os Volkswagens do futuro próximo, automóveis pensados maioritariamente para a cidade, e demos uma interpretação pessoal. Tex é a nossa interpretação do Volkswagen desportivo do amanhã” declarou Giorgetto Giugiaro, o estilista (e autor do conceito).

A linha é, obviamente, caracterizada por um espírito desportivo, em que os destaques são os “sulcos” sobre o capô com um desenho em “V”, que termina no logótipo da Volkswagen posicionado no centro da subtil grelha. O aspecto geral é o de um carro bem preso ao chão, com um baixo centro de gravidade e uma linha de cintura discretamente ascendente em direcção à traseira, o que torna o vidro posterior, onde está inserido um aileron, muito compacto. Pormenores esses que se podem observar nos dois vídeos que mostramos de seguida, no Salão e na Estrada:

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A capa e o esboço da edição nº 183 da Collezione Storica a Colori di Tex

Por José Carlos Francisco

Capa nº 183 da Collezione Storica a Colori di TexComo várias vezes já mostramos aqui no blogue do Tex, por trás de cada capa do Ranger, há sempre um (ou melhor vários, na maioria das vezes), esboço prévio já que até essa capa chegar ao resultado final, há um longo processo que nasce na editora e que começa com Sergio Bonelli procurando uma cena “de capa” ao examinar pessoalmente a história em questão.

Depois de eleita a cena, o editor milanês elabora um esboço veloz que é enviado a Claudio Villa por fax, junto com as cópias das páginas ou vinhetas correspondentes e é a partir então desse rascunho, que Claudio Villa começa por sua vez a trabalhar na capa em questão, realizando entretanto o seu próprio esboço a lápis, como aconteceu também com a capa da edição nº 183 da Collezione Storica a Colori de Tex, publicada em 2010, conforme se pode ver através do esboço que mostramos de seguida:

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