Tex nº 121 – FIAMME DI GUERRA

Tex nº 121 – FIAMME DI GUERRA

Henrique Plácido, 27 anos, publicitário, designer e ilustrador acompanha Tex Willer desde a infância, por intermédio do seu pai, que naquela época comprava, lia e depois lhe dava as revistas. Tinham já então um bom número de edições, mas não o apego e a organização suficiente para guardá-las — então a maioria acabou por se perder. Com o tempo, perdeu também o hábito e afastou-se por alguns anos das histórias do nosso Ranger.
Há cerca de dois anos, no entanto, os seus pais decidiram arrumar o sótão de sua casa e em meio à bagunça, encontrou alguns remanescentes daqueles exemplares antigos de Tex, que levou para casa e releu em poucos dias. Foi o suficiente para reacender a chama do pard que havia dentro dele.
Desde então, tem sido um leitor voraz. Compra as revistas com alguma frequência, inclusive edições usadas, e hoje é ele quem empresta as revistas de Tex ao seu pai!
Em resumo, pelos motivos acima, é um texmaníaco tentando recuperar o tempo perdido mas para além disso, é um texmaníaco com jeito para 9ª arte e que considera José Ortiz como um dos melhores desenhadores do staff do Ranger (a par de Alfonso Font e Giovanni Ticci), gostando sobretudo do “estilo sintético” do Mestre espanhol a ponto de considerar que Tex fica melhor quando é desenhado bronco e mal-encarado. Tanto que recentemente fez um desenho do Tex inspirado nesse estilo, conforme se pode ver de seguida:

Por José Carlos Francisco
Em finais de Maio será posto à venda no Brasil, pela Mythos Editora “Tal pai, tal filho“, o número 9 da série TEX EM CORES, colecção que apresenta as aventuras de Tex na ordem em que foram publicadas originalmente na Itália, desde a edição nº 1, em 1948 e cuja colorização foi feita pela Sergio Bonelli Editore para uma colecção de grande sucesso (Collezione Storica a Colori) que sai na Itália desde 2007, com a particularidade de se poder confrontar o “velho” com o novo Tex, inteiramente em “technicolor”.
A estrutura da colecção brasileira que valoriza os desenhos originais, com o acréscimo das cores e que tem 240 páginas de história além das interessantes matérias da autoria de Sergio Bonelli e Júlio Schneider, numa ampla parte introdutiva na qual o editor italiano na rubrica “Sergio Bonelli conta…” e o tradutor, consultor e articulista brasileiro em “Julio’s Tavern”, uma exclusividade da edição tupiniquim, contam os segredos e bastidores ligados à realização e ao sucesso de TEX na Itália e no Brasil, obriga devido ao menor número de páginas da edição brasileira comparativamente com a edição italiana, a termos no Brasil neste volume número 9 uma nova capa inédita nesta colecção, tal como aconteceu com a capa da autoria de Claudio Villa no número 4, só que desta vez devido ao facto de Claudio Villa não ter disponibilidade para realizar uma capa propositadamente para a edição tupiniquim e de não haver nenhuma ilustração de sua autoria das publicadas na Itália em Tex Nuova Ristampa (e que são produzidas para serem capas brasileiras de Tex Edição Histórica e por vezes até de Grandes Clássicos de Tex, Tex Férias ou Tex Ouro) que se enquadrasse na história deste volume, a Mythos Editora usou (pela primeira vez nesta colecção) uma capa de Aurelio Galleppini, capa essa que é inédita no Brasil e que foi feita propositadamente para a história em questão.
Falamos da capa publicada na Itália em 1 de Janeiro de 1955, no número 7 da segunda série de Tex Albi d’Oro (série que reeditava com periodicidade quinzenal as histórias de Tex no formato 17 x 24 cm e com 36 páginas por número) e onde Galep nos brinda com Tex e Kit Willer em acção como podemos ver de seguida:
Este facto torna esta edição da Mythos muito especial, até por já se saber que é muito desejada por leitores dos outros países que sempre procuram possuir este tipo de exemplares especiais, já que é a primeira vez que é usada uma capa de Aurelio Galleppini nesta colecção que está a ser publicada em diversos países!
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Admirável ilustração de Claudio Villa onde contemplamos Tex Willer na sede da companhia ferroviária Western Pacific, em Albuquerque, no preciso instante em que dispara contra Jed que o ameaçava a mando do inescrupuloso Tyrrel, o proprietário da Western Pacific e concorrente da South & West, que tinha recorrido a todos os meios ilícitos para ganhar a empreitada para a construção da linha ferroviária que iria cruzar os Estados Unidos.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Platinum #33 e inspirado na história “Rotaie insanguinate” de G. L. Bonelli, Erio Nicolò e F. Gamba (Tex italiano #245 a #247).
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Texto de José Carlos Francisco
J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga
#71 – Morrerei à Meia-Noite
Giancarlo Berardi, Lorenzo Calza (argumento)
Roberto Zaghi (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal, 4,00 €
Resumo
Um desconhecido apresenta-se à criminóloga Julia Kendall, dizendo-se perseguido por uma cigana que desde há alguns dias prevê tudo o que lhe vai acontecer.
Desenvolvimento
Como manter mensalmente o interesse de uma série de banda desenhada?
Se a pergunta pode parecer algo estranha aos leitores de BD franco-belga – que podem sempre transpô-la para o conceito de série, tout-court – com certeza fará sentido para quem habitualmente lê comics de super-heróis ou os fumetti dos (não menos heróis) Bonelli. Para além de, certamente, preocupar regularmente os seus criadores.
Curiosamente, a resposta dificilmente escapa a seguir uma de duas vias, aparentemente contraditórias mas, em muitos casos, complementares. Que são: criar um modelo (mais ou menos) rígido, que satisfaça os fãs do herói, ou inovar regularmente para surpreender e (re)conquistar os leitores.
Tex, será o exemplo mais paradigmático do primeiro caso, seguido de perto pela maioria dos super-heróis (e é nesta continuidade que encaixa a necessidade de regularmente ressuscitar os que pelo caminho foram morrendo…).
Julia Kendall, a criminóloga de Garden City, tem no número agora em consideração um belo exemplo do segundo caso.
Desde logo porque não há nenhum assassínio. Também porque co-protagonistas como o tenente Webb ou o sargento Ben Irving estão ausentes – o detective Leo Baxter e Emily são as excepções do elenco regular. Depois, pela multiplicidade de referências cinematográficas e televisivas, perfeitamente inseridas na BD (no texto, no desenho, na planificação…)
Mas, acima de tudo, pelo tom estranho – quase sobrenatural aqui e ali – que o enredo assume. Porque, começando pelas previsões certeiras de uma cigana, a história continua pelo envolvimento amoroso de Julia com o (até aí) desconhecido, num tom (ainda) mais intimista (do que o habitual), avança por caminhos oníricos, lança dúvidas no leitor, coloca-lhe questões atípicas, deixa-o ao mesmo tempo na defensiva mas também ávido por conhecer o final.
Que, como se impõe, não deixa de ser inesperado e surpreendente, embora coerente e razoável, de certa forma “repondo a ordem” no universo de Julia.
A reter
– A inovação na continuidade.
– A multiplicidade de referências cinematográficas e televisivas…
– … e a forma como elas estão inseridas na planificação.
– O belo desenho de Zagui, cuja análise “não encaixou” no texto acima, mas que merece ser apreciado com detalhe, em especial nas cenas em que há maior contraste luz/sombra.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.