Henrique Plácido, 27 anos, publicitário, designer e ilustrador acompanha Tex Willer desde a infância, por intermédio do seu pai, que naquela época comprava, lia e depois lhe dava as revistas. Tinham já então um bom número de edições, mas não o apego e a organização suficiente para guardá-las — então a maioria acabou por se perder. Com o tempo, perdeu também o hábito e afastou-se por alguns anos das histórias do nosso Ranger.
Há cerca de dois anos, no entanto, os seus pais decidiram arrumar o sótão de sua casa e em meio à bagunça, encontrou alguns remanescentes daqueles exemplares antigos de Tex, que levou para casa e releu em poucos dias. Foi o suficiente para reacender a chama do pard que havia dentro dele.
Desde então, tem sido um leitor voraz. Compra as revistas com alguma frequência, inclusive edições usadas, e hoje é ele quem empresta as revistas de Tex ao seu pai!
Em resumo, pelos motivos acima, é um texmaníaco tentando recuperar o tempo perdido mas para além disso, é um texmaníaco com jeito para 9ª arte e que considera José Ortizcomo um dos melhores desenhadores do staff do Ranger (a par de Alfonso Font e Giovanni Ticci), gostando sobretudo do “estilo sintético” do Mestre espanhol a ponto de considerar que Tex fica melhor quando é desenhado bronco e mal-encarado. Tanto que recentemente fez um desenho do Tex inspirado nesse estilo, conforme se pode ver de seguida:
Em finais de Maio será posto à venda no Brasil, pela Mythos Editora “Tal pai, tal filho“, o número 9 da série TEX EM CORES, colecção que apresenta as aventuras de Tex na ordem em que foram publicadas originalmente na Itália, desde a edição nº 1, em 1948 e cuja colorização foi feita pela Sergio Bonelli Editore para uma colecção de grande sucesso (Collezione Storica a Colori) que sai na Itália desde 2007, com a particularidade de se poder confrontar o “velho” com o novo Tex, inteiramente em “technicolor”.
A estrutura da colecção brasileira que valoriza os desenhos originais, com o acréscimo das cores e que tem 240 páginas de história além das interessantes matérias da autoria de Sergio Bonelli e Júlio Schneider, numa ampla parte introdutiva na qual o editor italiano na rubrica “Sergio Bonelli conta…” e o tradutor, consultor e articulista brasileiro em “Julio’s Tavern”, uma exclusividade da edição tupiniquim, contam os segredos e bastidores ligados à realização e ao sucesso de TEX na Itália e no Brasil, obriga devido ao menor número de páginas da edição brasileira comparativamente com a edição italiana, a termos no Brasil neste volume número 9 uma nova capa inédita nesta colecção, tal como aconteceu com a capa da autoria de Claudio Villa no número 4, só que desta vez devido ao facto de Claudio Villa não ter disponibilidade para realizar uma capa propositadamente para a edição tupiniquim e de não haver nenhuma ilustração de sua autoria das publicadas na Itália em Tex Nuova Ristampa (e que são produzidas para serem capas brasileiras de Tex Edição Histórica e por vezes até de Grandes Clássicos de Tex, Tex Férias ou Tex Ouro) que se enquadrasse na história deste volume, a Mythos Editora usou (pela primeira vez nesta colecção) uma capa de Aurelio Galleppini, capa essa que é inédita no Brasil e que foi feita propositadamente para a história em questão.
Falamos da capa publicada na Itália em 1 de Janeiro de 1955, no número 7 da segunda série de Tex Albi d’Oro (série que reeditava com periodicidade quinzenal as histórias de Tex no formato 17 x 24 cm e com 36 páginas por número) e onde Galep nos brinda com Tex e Kit Willer em acção como podemos ver de seguida:
Este facto torna esta edição da Mythos muito especial, até por já se saber que é muito desejada por leitores dos outros países que sempre procuram possuir este tipo de exemplares especiais, já que é a primeira vez que é usada uma capa de Aurelio Galleppini nesta colecção que está a ser publicada em diversos países!
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Admirável ilustração de Claudio Villa onde contemplamosTex Willer na sede da companhia ferroviária Western Pacific, em Albuquerque, no preciso instante em que dispara contra Jed que o ameaçava a mando do inescrupuloso Tyrrel, o proprietário da Western Pacific e concorrente da South & West, que tinha recorrido a todos os meios ilícitos para ganhar a empreitada para a construção da linha ferroviária que iria cruzar os Estados Unidos.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Platinum #33 e inspirado na história “Rotaie insanguinate” de G. L. Bonelli, Erio Nicolò e F. Gamba (Tex italiano #245 a #247).
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J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga
#71 – Morrerei à Meia-Noite Giancarlo Berardi, Lorenzo Calza (argumento)
Roberto Zaghi (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2010)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal, 4,00 €
Resumo
Um desconhecido apresenta-se à criminóloga Julia Kendall, dizendo-se perseguido por uma cigana que desde há alguns dias prevê tudo o que lhe vai acontecer.
Desenvolvimento
Como manter mensalmente o interesse de uma série de banda desenhada?
Se a pergunta pode parecer algo estranha aos leitores de BD franco-belga – que podem sempre transpô-la para o conceito de série, tout-court – com certeza fará sentido para quem habitualmente lê comics de super-heróis ou os fumetti dos (não menos heróis) Bonelli. Para além de, certamente, preocupar regularmente os seus criadores.
Curiosamente, a resposta dificilmente escapa a seguir uma de duas vias, aparentemente contraditórias mas, em muitos casos, complementares. Que são: criar um modelo (mais ou menos) rígido, que satisfaça os fãs do herói, ou inovar regularmente para surpreender e (re)conquistar os leitores.
Tex, será o exemplo mais paradigmático do primeiro caso, seguido de perto pela maioria dos super-heróis (e é nesta continuidade que encaixa a necessidade de regularmente ressuscitar os que pelo caminho foram morrendo…).
Julia Kendall, a criminóloga de Garden City, tem no número agora em consideração um belo exemplo do segundo caso.
Desde logo porque não há nenhum assassínio. Também porque co-protagonistas como o tenente Webb ou o sargento Ben Irving estão ausentes – o detective Leo Baxter e Emily são as excepções do elenco regular. Depois, pela multiplicidade de referências cinematográficas e televisivas, perfeitamente inseridas na BD (no texto, no desenho, na planificação…)
Mas, acima de tudo, pelo tom estranho – quase sobrenatural aqui e ali – que o enredo assume. Porque, começando pelas previsões certeiras de uma cigana, a história continua pelo envolvimento amoroso de Julia com o (até aí) desconhecido, num tom (ainda) mais intimista (do que o habitual), avança por caminhos oníricos, lança dúvidas no leitor, coloca-lhe questões atípicas, deixa-o ao mesmo tempo na defensiva mas também ávido por conhecer o final.
Que, como se impõe, não deixa de ser inesperado e surpreendente, embora coerente e razoável, de certa forma “repondo a ordem” no universo de Julia.
A reter
– A inovação na continuidade.
– A multiplicidade de referências cinematográficas e televisivas…
– … e a forma como elas estão inseridas na planificação.
– O belo desenho de Zagui, cuja análise “não encaixou” no texto acima, mas que merece ser apreciado com detalhe, em especial nas cenas em que há maior contraste luz/sombra.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
ALERTA:As entrevistas que se seguem com Mauro BOSELLI & Marco TORRICELLIrevelam algumas surpresas da história“Faccia di Cuoio” (Tex italiano nº 603, de Janeiro de 2011), e a sua lida antes da publicação da revista no Brasil e Portugal pode tirar toda a graça, emoção e suspense que se cria com relação à aventura..
Entrevistas conduzidas por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Bira Dantas nas caricaturas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino nas traduções e revisões.
MAURO BOSELLI
Esta trama é particular porque recorda, pelo ritmo e pelas contínuas reviravoltas, certas histórias do período em que eram publicadas em tiras. Seria apenas uma nossa impressão nostálgica de leitor? Mauro Boselli: Creio que é uma impressão ditada exclusivamente pelo carácter nostálgico dos desenhos de Torricelli. Não há nenhuma abordagem pensada nesse sentido. É uma história normal, até demais.
A intriga apresenta um golpe de cena duplo, com vilões de várias gradações: Randy, por exemplo, parece um desafortunado que se mete em problemas porque não sabe regular com frieza a sua antipatia em relação a Dempsey. A evolução de Randy havia sido pensada ou, enquanto a história era escrita, a sua figura tomou um caminho próprio? Mauro Boselli: Tudo previsto. Numa história curta não se faz alterações desse nível. Na verdade, mesmo se deixo a mão correr solta, eu JAMAIS altero de forma excessiva a natureza de uma personagem em relação às intenções originais.
Cara de Couro contém vários temas apreciados por G. L. Bonelli: os relatos obscuros em volta da fogueira do acampamento, os ricos que fazem o que bem entendem na cidade, as pausas no hotel de Tex e seus pards, o branco que é considerado um homem sagrado pelos peles-vermelhas, os crimes misteriosos que Tex investiga. Vêm à mente histórias dos anos 50 e 60 como O Homem dos Quatro Dedos, Old Pawnee Bill ou O Vale do Terror. Com esta aventura você quis agradar os leitores de velha data, a homenagear aquele período da história de Tex que está na base do enorme sucesso da personagem? Mauro Boselli: Voltemos à primeira pergunta: é uma impressão influenciada pelo aspecto retrô dos desenhos de Torricelli. Se eu pretendesse efectivamente homenagear aquele período, escreveria uma história bem diferente! Os elementos citados simplesmente fazem parte da série.
À parte raras excepções, aos olhos dos leitores as histórias de Tex que começam e acabam numa só edição, por serem mais simples e lineares, tornam-se menos emocionantes se comparadas a outras que se desenvolvem em mais de um número. Visto que o seu estilo implica o uso de inúmeras personagens e com uma elaboração de tramas muito articuladas, quando monta um roteiro é um problema para você a quantidade limitada de páginas que tem à disposição nesses casos particulares? Quando desenvolve um argumento, você já sabe com segurança se será uma história longa ou curta? Mauro Boselli: É evidente que sempre sei qual será o destino final. Mas não concordo que as histórias curtas devam sempre ser mais simples. Esta é na medida exacta.
Com referência apenas às histórias que você assinou nos últimos meses, nota-se que passou com desenvoltura das tramas policiais de Cara de Couro ao faroeste puro do Almanaque, de aventuras em que a História predomina (A Mão do Morto e Os Rebeldes de Cuba) a outras caracterizadas por ideias decididamente aventurosas em que a fantasia galopa a rédeas soltas, como por exemplo o número 600 (n° 500, no Brasil). Transparece cada vez mais a sua vontade de sempre diferenciar os episódios de Tex. É você mesmo quem sente a necessidade de sempre variar a abordagem para não entediar os leitores ou também deve seguir exigências específicas da redacção? Em comparação com a época dos clássicos de G. L. Bonelli, os episódios fantásticos praticamente desapareceram. Mauro Boselli: Deveria ser NORMAL para um autor buscar variar a receita, não? Eu mesmo não me divertiria em servir sempre a mesma sopa. Sobre os episódios fantásticos… bem, os tempos mudaram, mas eu gosto demais deles. E, cedo ou tarde, os leitores voltarão a ver alguns.
MARCO TORRICELLI
Para muitos leitores de Tex a sua história Cara de Couro é um verdadeiro mergulho no passado. Nenhum entre as dezenas de desenhadores que trabalharam na série havia se inspirado de forma tão clara no criador gráfico da personagem, aquele Aurelio Galleppini que já faz parte da lenda da BD popular italiana. Pode nos explicar as razões da sua escolha? Foi uma homenagem pensada à arte de Galep ou você sentiu a necessidade de fazer os leitores voltarem às origens da série? Marco Torricelli: Tex pode ser feito de várias maneiras, o importante é que inspire autoridade, carisma, força, inteligência e sabedoria. Ou seja, as qualidades do herói mas com algo mais, típico das personagens bonellianas: a humanidade. O rosto de Tex que mais expressa esses conceitos é, na minha opinião, aquele desenhado por Galleppini. Para a minha escolha talvez tenha contribuído também a lembrança afectiva pelo grande artista que, nas poucas vezes em que nos encontramos em seu estúdio, eu o via, como ele dizia, envolver as figuras com o pincel. Do mesmo modo como fazia o rosto de Tex, cuja mandíbula não era traçada com uma única linha que seguia até o queixo, para continuar do outro lado até a testa, mas que surgia da sombra tracejada com sabedoria sob o queixo, para que o rosto assumisse consistência e volume. “É carne, não madeira“, ele me dizia. Esse é o conceito do seu realismo. Eu busquei ser fiel ao que pude aprender com ele, e que sempre achei correcto. Então, mesmo se eu pudesse criar outros rostos possíveis, para mim Tex é o de Galep.
Quando amadureceu a ideia de fazer essa homenagem ao Tex de Galep? E antes de começar a ilustrar o roteiro de Boselli, você conversou sobre isso com ele ou não? Marco Torricelli: Se pode-se falar de homenagem, também teria a ver com Giovanni Luigi Bonelli, vista a colaboração de Mauro Boselli com ele, mas não pensávamos nisso. Simplesmente eu pedi uma história curta para habituar-me à personagem, e é possível que Boselli tenha demorado para imaginar um argumento adequado às 110 páginas, mas ele o fez.
Na sua opinião, quais seriam as maiores dificuldades para um desenhador ao encarar a lição de Galleppini: o rosto de Tex ou, quem sabe, o costume de seguir o modelo de Ticci? Marco Torricelli: Eu creio que os desenhadores bonellianos em geral não tenham grandes dificuldades. Mas Tex é um ícone dos quadradinhos e, ao desenhá-lo, cada ilustrador busca um caminho próprio. Eu sei que no futuro veremos novos e interessantes rostos do ranger, pois os novos talentos da Editora estão a crescer e trarão novas ideias.
Quais foram os comentários da redacção no momento em que receberam as suas primeiras páginas? Marco Torricelli: Mais que a redacção, quem telefonou-me foi Sergio Bonelli, que as apreciou e encorajou-me.
Você já havia ilustrado alguns roteiros de Boselli publicados nas séries de Zagor e Dampyr, histórias fantasy ou de terror que a crítica geralmente coloca entre os seus melhores trabalhos. Mas Cara de Couro é uma história de faroeste, apesar de alguns toques de trama policial, na qual encontramos pastos, estouro da manda, cobóis, povoados, etc. Você sentiu-se à vontade com esses ambientes? Por que voltou a desenhar Zagor, apesar do bom resultado dessa sua primeira experiência texiana? Marco Torricelli: Eu fiquei contente com o facto da história ter uma abordagem clássica, com gado longhorn e caubóis. Fotografias de época, Red River (Rio Vermelho) – o filme com John Wayne, Montgomery Clift e Walter Brennan – e os quadros de Frederic Remington, tudo isso acompanhou-me nas ambientações aventurosas sob os céus tempestuosos da pradaria. Eu sentia-me como tivesse voltado aos belos filmes de antigamente, todos aqueles a que assisti com o meu pai, que era um aficionado pelo faroeste. Eu voltei a Zagor para fazer o Zagorone, o Zagor Gigante.
A propósito, é iminente a publicação desse seu Zagor Gigante, a coroação da sua carreira na Sergio Bonelli Editore, que já conta vinte e cinco anos, com uma história intitulada O Castelo no Céu, na qual parece que o roteirista Moreno Burattini fez algo de acordo com o seu gosto pelo fantasy. Um evento que os inúmeros aficionados zagorianos esperam com impaciência. Mas quais serão os seus compromissos para o futuro próximo? Pode-se falar de um retorno seu a Tex ou a estreia em outras séries? Marco Torricelli: Eu considero Moreno Burattini um génio, capaz de escrever qualquer coisa e com perfeição. Na aventura comemorativa dos cinquenta anos da personagem de Nolitta e Ferri, página após página ele mostra o trabalho dos escritores de aventura, a descrever dificuldades, introspecção, solidão e busca, com um final digno – exactamente – de um grande escritor. Eu já comecei uma nova história de Zagor com ele.
O seu traço tem um estilo mais europeu se comparado àquele da escola pictórica do Renascimento italiano como o de Galep; porém, em Cara de Couro parece que você sempre teve o estilo galleppiniano. Sabemos que você conheceu Galep: pode nos contar algum facto pitoresco? Marco Torricelli: Para uma história do Velho Oeste eu pensei em usar um estilo quase de ilustrador, com cuidado para não fazer algo iconográfico. Eu não havia decidido imitar Galleppini, e o estilo que segui, mesmo que em parte siga as suas pegadas, não foi projectado. Neste ponto deve-se entrar na história da BD e até naquela de toda a Arte e de todas as artes em geral, de modo a obter uma longa nomenclatura de artistas ligados entre si por temas e técnicas, mas esse é um trabalho para críticos. Direi apenas que o estilo de Galep, muito difícil de imitar, amadurecido, entre outras experiências, daquelas obtidas a desenhar o Mandrake de Phil Davis, e do estilo barroco de Raymond – por sua vez amadurecido sobre Tim Tyler’s Luck de Lyman Young -, nasceu de traços, linhas quebradas, nervosas, e áreas de preto, nos quais cada elemento muda de forma contínua: um cavalo, um cenário, um chapéu, nunca são os mesmos. Isso também deve-se à técnica que ele usava para arte-finalizar traços a lápis bem leves – que às vezes ele apagava um pouco – de modo a lhe permitir um imediatismo absoluto e propositado. Aqui entrava a maestria: saber onde e como aplicar o pincel, sem exagerar nos detalhes. Como eu faço um traço a lápis preciso, uso uma linha quase contínua, subtil e limpa que, no caso de Cara de Couro, segue a lição galleppiniana só em algumas características. Além disso, cada história tem o seu carácter, luzes e sombras próprias. Assim, a única aproximação a Galep, do meu ponto de vista, está em ter buscado reproduzir a fisionomia do seu Tex, que é provavelmente o mais amado pelos leitores. Em Recco, pequena cidadezinha da Ligúria, durante uma mostra de Tex, Galleppini cumprimentava os convidados, sorridente e sereno. Entrou a alta e nobre figura de Antonio Canale (desenhador de Amok), com o impermeável e o boné na mão, um pouco mais jovem que Galep. Os dois mestres cumprimentaram-se felizes, fazia tempo que não se viam e começaram um diálogo muito simpático, com piadas e risadas. Canale, a rir, disse “É, eu gostaria de ter o dinheiro que você tem!“, e Galep, em resposta: “E eu a sua idade!“. Ainda vejo os dois à minha frente.
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