Tex nº 127 – THUGS!

Tex nº 127 – THUGS!

Como bem escreveu o jornalista Pedro Cleto no seu recente texto no Jornal de Notícias, “Há exactamente 50 anos, era publicado em Itália o primeiro número de Zagor, uma criação de Guido Nolitta, aliás Sergio Bonelli, que adoptou aquele pseudónimo para se distinguir do seu pai Giovanni Luigi Bonelli, o “inventor” dos quadradinhos populares italianos” e devido a esse facto estão a comemorar-se na Itália, no Brasil e em diversos outros países onde Zagor é publicado, eventos e festejos relacionados com o quinquagésimo aniversário do herói de Darkwood, “o espírito da machadinha”.
Uma das iniciativas mais marcantes foi a realização do primeiro Zagor Gigante (Zagorone), intitulado “Il castello nel cielo“, escrito por Moreno Burattini, desenhado por Marco Torricelli e com capa do eterno Gallieno Ferri, publicado na Itália pela Sergio Bonelli Editore em Maio passado, mais precisamente no dia 27. Iniciativa essa que ocorrerá igualmente no Brasil devido ao lançamento do Zagor Gigante n° 1, com o selo da Mythos Editora, em Agosto deste ano e que chegará a Portugal no início de 2012.
Com esta edição de língua portuguesa, a Mythos Editora, seguindo uma sugestão do fã e coleccionador José Ricardo do Socorro Lima, um dos maiores coleccionadores e conhecedores de Zagor a nível mundial, vai homenagear o maior número possível de zagorianos e para você, caro leitor, português ou brasileiro, ficar imortalizado nas páginas desta verdadeira edição especialíssima só precisa de enviar o seu nome completo, cidade onde habita (no caso de residentes no Brasil é necessário também o Estado) e o ano em que começou a ler Zagor para o e-mail do José Ricardo do Socorro Lima, já que é ele quem está a aglutinar todos estes dados para reenviá-los na hora certa para a Mythos Editora e cujo endereço electrónico é bonellihq@yahoo.com.br ou em alternativa coloque esses mesmos dados aqui no blogue do Tex, na forma de comentário a este mesmo texto, já que o José Ricardo passará por aqui para levantar todas as informações deixadas pelos nossos leitores.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Olá, Andrea, e bem-vindo ao blogue português de Tex.
Quais foram as suas leituras – não só de quadradinhos – na infância e adolescência?
Andrea Venturi: Eu era uma criança nos anos Sessenta, logo não podia faltar Mickey Mouse entre as primeiras leituras. Aliás, antes mesmo de eu ler, a minha mãe lia para mim, com paciência, enquanto eu olhava as figuras. Eu ainda não sabia os nomes mas sentia a personalidade de autores como Scarpa, Carpi, Cavazzano. Meu pai costumava ler Tex e esse facto me permitia conhecer Galleppini e o seu traço inconfundível. Zagor também me agradava muito e impressionava-me o traço a pincel de Gallieno Ferri, suave, pastoso. Depois chegaram a Itália as primeiras revistas dos super-heróis Marvel: eu fiquei maravilhado com um episódio do Quarteto Fantástico, o seguinte era anunciado na quarta capa e eu fantasiei um bocado com aquela imagem, eu imaginava várias histórias possíveis a partir daquela cena. Mas eu não sabia se os meus pais poderiam comprar porque, embora fossem compreensivos e generosos, era necessário ter em mente as despesas da casa. Mas eu consegui acompanhar essa série e, de forma mais esporádica, outras séries como Demolidor, que também apresentava um dos meus quadradinhos preferidos, o Surfista Prateado desenhado por John Buscema! Outro encontro regular era com o Corriere dei Piccoli, que depois tornou-se o Corriere dei Ragazzi. Ainda bem que uma professora do ensino fundamental aconselhou a leitura às famílias, em razão de algumas fichas que vinham nas edições e que eram adequadas a pesquisas escolares de História, Geografia e outras.
Eu não recordo muita coisa daquelas fichas, mas tenho gravados na mente os quadradinhos e as ilustrações da revista. Ali estavam os melhores desenhadores e ilustradores italianos, nomes como Aldo di Gennaro, Sergio Toppi, Ferdinando Tacconi, Dino Battaglia, Hugo Pratt, Grazia Nidasio, Mario Uggeri… os clássicos realistas ou humorísticos da BD franco-belga como Michel Vaillant, Ric Hochet, Bernard Prince, Luc Orient, Franquin… e muitos outros. Graças ao meu tio e à sua colecção, eu os reencontrei na bela série dos Clássicos Audace (Audaz), junto a outra série fundamental para o meu imaginário, Blake & Mortimer! E ainda Flash Gordon de Alex Raymond, Steve Canyon de Milton Caniff, Frank Robbins e o seu Johnny Hazard, Mort Cinder de Breccia e Oesterheld, os valiosos Albi del Falco (Revistas do Falcão), o Alan Ford de Magnus… Durante anos eu cacei todos esses autores em grandes e pequenas lojas de revistas usadas. Bem, desculpem se a conversa tende a se alongar e talvez fique tediosa. O facto é que cada autor que me vem à mente me parece tão indispensável e apaixonante… e o horizonte se alarga cada vez mais. Para não entediar mais, direi apenas que realmente significativo foi conhecer o trabalho de magníficos ilustradores como Norman Rockwell, Frank Frazetta, do infinito Giraud-Moebius… e voltar a ter um relacionamento mais próximo com Tex, ao apaixonar-me pela interpretação de Giovanni Ticci, de Claudio Villa, de Fabio Civitelli. Aí veio Dylan Dog. Devo dizer que cada uma dessas paixões acompanha-me sempre, de forma duradoura, ainda hoje, junto a novas descobertas. Pena que muitas vezes falta tempo para ler e reler.
Qual foi a mola que o levou à paixão pelo desenho?
Andrea Venturi: Com certeza foram as leituras de infância que mencionei antes.
Depois de alguns trabalhos gráficos de publicidade, você passou a fazer parte do estúdio de Bruno Bozzetto: do que se recorda daquela experiência?
Andrea Venturi: Não exactamente fazer parte. Eu apenas colaborei com alguns projectos publicitários deles. Num deles o trabalho era fazer cenários pintados inspirados no estilo de Branca de Neve, da Disney. Bozzetto também fez parte da minha infância, em filmes como Vip, mio fratello superuomo, West and Soda, as curtas-metragens do Signor Rossi, e outros. Eu recordo-me que dei uma olhada na sala onde eram pintadas as folhas de acetato, as transparências para animação feitas segundo a técnica tradicional, havia umas caixas com giz de cor, pincéis… eu me emocionava. Como sabemos, incrivelmente em poucos anos as novas tecnologias revolucionaram tudo, a substituir também antigas coisas feitas de forma manual. É até estranho pensar. Mas no estúdio de Bozzetto eu encontrei muita cortesia e, como eu esperava, muito profissionalismo… e um Bruno Bozzetto vividíssimo. Foi uma bela experiência.
Em 1989 você entrou para o mundo dos quadradinhos, ao colaborar com a revista Monstros das Edições Acme. Considera que aquela foi uma colaboração válida?
Andrea Venturi: Sim, claro. Eu lembro-me do amigável primeiro encontro com Silver, no seu escritório de Milão. Era fim de tarde, podíamos conversar com tranquilidade. Eu havia levado algumas amostras de meus trabalhos anteriores. Silver enviou um fax com algumas imagens à redacção romana da Acme e pediu que eu fizesse uma história curta para aquela revista. Foi uma grande satisfação, ainda mais para um novato como eu.
Aquele trabalho deu-lhe sorte: você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore e, em 1992, estreou em Dylan Dog. Como aconteceu a sua entrada na equipa, você foi contactado pelo director-geral Decio Canzio e por Tiziano Sclavi, criador da personagem e que, na época, também actuava como supervisor da série? Como você se sentiu naquele momento?
Andrea Venturi: Aqui eu gostaria de saber me expressar melhor, porque para mim foi um momento realmente importante. Eu gostaria de transmitir essa sensação. Mas comecemos do início. Ainda não sei como fiz, mas consegui vencer a timidez, a emoção e telefonei a um dos ídolos da minha juventude, Aldo Di Gennaro. Ele é um dos maiores e mais versáteis ilustradores italianos, de quem eu conhecia de cor centenas de ilustrações e obras-primas em quadradinhos como a série O Maestro, com texto de Mino Milani.
O que eu ainda não sabia ao ir para a reunião era que eu encontraria um amigo sincero que, com grande simplicidade e grande disponibilidade, me ouviria e ajudaria. Di Gennaro pegou o telefone e, ao mesmo tempo, marcou para mim dois encontros, um com Silver, como contei antes, e outro, na manhã seguinte, com a Bonelli. No encontro na Bonelli, pela manhã, o meu coração saía pela boca, por razões óbvias, e começou com o sorriso e a acolhida de Maria Baitelli, a eficientíssima redactora-chefe de então, do director Decio Canzio e de Tiziano Sclavi que, na época, creio que ainda ia frequentemente à Editora. Eles olharam os meus trabalhos – eu já disse que estava com o coração na boca? Creio que sim – e aí Sclavi disse que sim, que ainda precisava de alguém na equipa de Dylan Dog e perguntou-me se eu gostaria de tentar. Eu tive que dar uma pausa na incredulidade e pronunciar um “sim, claro!“, sempre com o coração na boca. O ambiente era aquele da Bonelli, informal, amigável, famoso junto aos leitores e incrivelmente real, ali, diante dos meus olhos.
Quais foram as dificuldades do seu primeiro episódio de Dylan (O Homem Que Viveu Duas Vezes, DD italiano n° 67)? E como se sentiu ao trabalhar com um roteirista inovador como Sclavi?
Andrea Venturi: Vamos partir de onde havíamos parado: eu recordo-me que, como se costumava fazer, deram-me três páginas de teste de Dylan, três situações típicas que ele poderia viver. Uma de atmosfera, na noite de Londres cheia de neblina, outro um pouco mais splatter e uma com o costumeiro diálogo entre Dylan e a cliente da vez no estúdio da casa dele. Posteriormente, ao olhar essas páginas com Sclavi, viu-se coisas promissoras e outras que denunciavam a minha inexperiência. Mas depois eu recebi uma proposta do director: “Tiziano vai começar um novo roteiro e, se você quiser, podemos lhe passar as primeiras dez páginas e depois ver como continua“. Era uma proposta fantástica, porque representava um novo período de testes, mais que justo, mas também um estímulo muito forte, ou seja, o de poder trabalhar com um roteiro de verdade. E que era de Sclavi! Assim, eu dei o melhor de mim naquelas dez páginas, sempre a buscar corrigir aquelas coisas que ainda não estavam boas nas três páginas do primeiro teste e que, na minha inexperiência, eu não conseguia ver. Agora eu vejo aquelas deficiências e pergunto-me como é que fui contratado! As dificuldades foram as típicas do início, ligadas à preocupação de que o meu desenho já fosse algo profissional como a ocasião o exigia. Mas no fim as coisas foram bem, creio, e prosseguimos com aquela que foi a minha primeira história, justamente O Homem Que Viveu Duas Vezes. Por ser, em parte, inspirada em O Falecido Mattia Pascal, eu primeiro li o livro. E também reli toda a série, até então cinquenta edições, para buscar entender melhor o espírito, as características gráficas e, sobretudo, as das personagens principais.
Embora a minha interpretação fosse diferente dos vários óptimos desenhadores, a série já possuía uma imagem coerente, reconhecível. Em seguida busquei os modelos do antagonista de Dylan para aquela história. De forma genérica, Sclavi havia sugerido alguns actores como referência. Eu apreciei muito, porque havia actores dos quais eu sempre gostei, com fisionomias muito interessantes. Em geral as referências a actores são feitas em conjunto entre roteirista e desenhador, para ter uma ideia imediata do tipo humano que se busca. Eu escolhi um, peguei fotos e um vídeo, e desenhei de várias formas, para assimilar os seus traços. Eu não queria usar directamente modelos fotográficos ao desenhar a história porque – eu pensava – se depois não achasse uma foto para cada expressão, para cada enquadramento necessário, ficaria destacada a diferença entre o que deriva de uma foto ou o que é desenhado de forma autónoma. E também porque este último é o modo de desenhar que eu prefiro. O estilo inovador de Sclavi é feito de muitas coisas, inclusive de uma genial e afectuosa mistura do imaginário colectivo da nossa geração. Em razão disso eu achava em seus roteiros ecos de outras BDs, de literatura, de cinema que eu conhecia e também apreciava. E assim, eu sempre tinha uma forte sensação de familiaridade, de partilhar as situações que ele apresentava. O tipo de coisa que os leitores sempre sentem, eu creio.
Em 1993 você desenhou a história Johnny Freak (DD italiano n° 81, no Brasil n° 1 da Ed. Conrad). Em um ano você fez duas histórias – entre muitas – cultuadas na série. Uma experiência de virar a cabeça?
Andrea Venturi: Sim, claro. Mas para mim só o facto de trabalhar com a Bonelli, com Dylan Dog, com Sclavi já era coisa de virar a cabeça. Mas eu sabia que não era o caso de ficar vaidoso, simplesmente eu havia tido a sorte de receber dois óptimos roteiros, e disso eu devo agradecer a Sclavi, a Mauro Marcheselli – que escreveu o roteiro de Johnny Freak – e a Sergio Bonelli.
Enquanto desenhava Johnny Freak você tinha a percepção de que logo ela se tornaria uma história cultuada por milhares de fãs do Investigador do Pesadelo?
Andrea Venturi: Ao ler o roteiro não era difícil sentir a participação na forma como havia sido escrita. Eu recordo-me que, no início, Sclavi me falou-me de Freaks, o filme de Browning, e disse-me que muito da alma de Dylan vinha dali. Quanto à minha participação, o meu pensamento diante da página era apenas o de fazer o melhor possível, a preocupação de interpretar bem as imagens. A beleza do roteiro resistiria aos meus desenhos? Essa era a pergunta que, mais que as outras, eu me fazia.
Como leitor, você não crê que essa história pode ter representado um ponto de ruptura na saga? Depois dessa edição, diminuíram de forma drástica as cenas splatter, aos poucos desapareceu uma certa maldade que havia marcado boa parte da série e surgiram com destaque temáticas sociais e um puritanismo de fundo, quase como se Sclavi estivesse preocupado com o enorme sucesso de sua personagem e desejasse dar uma virada na saga, a esquivar-se das críticas aos quadradinhos de terror (então vistas por todo lado) feitas pelas pessoas de bem.
Andrea Venturi: Para mim Dylan sempre pareceu uma criação muito sincera de Tiziano Sclavi. Eu não creio que tenha havido uma mudança planejada para evitar alguma coisa. É claro que isso deveria ser perguntado ao próprio autor. Pessoalmente eu sempre considerei que um artista como Sclavi é levado de forma natural a não fixar-se numa fórmula única que, com o passar do tempo, pode tornar-se repetitiva, e, por isso, explora novos caminhos. Além disso, creio que a essência de Dylan não estava no splatter, embora esse fosse um elemento interessante que, como acontece no cinema, nos permite brincar um pouco com os nossos medos. Eu penso que essa brincadeira havia sido perfeitamente entendida pelos leitores e enquadrada correctamente no contexto irónico, poético e fantástico das histórias de Dylan.
Ainda sobre Sclavi, os poucos roteiros tornados públicos evidenciam um grande cuidado nas descrições e uma vontade precisa de buscar um diálogo com o desenhador, o que estimula esse último a exteriorizar o melhor de si. Você tem alguma recordação particular dessa época?
Andrea Venturi: Sim, eu recordo-me que também havia jogos de palavras, piadas, pequenos (ou grandes) desafios lançados ao desenhador. Eu sentia-me um privilegiado porque era o único, ou quase, que leria aquelas anotações. Não nos esqueçamos do fã que sempre havia dentro de mim e que, quando lia aquelas coisas, exclamava “Incrível! Sclavi escreve isto só para mim!“. Mas quem leu o roteiro de Memórias do Invisível escrito para Casertano e publicado (na Itália) em forma de texto há alguns anos, sabe do que falo.
Antes de entrar no mérito do seu trabalho texiano, falemos das capas de Mágico Vento assinadas por si. Quem lhe propôs o trabalho?
Andrea Venturi: Eu recebi um telefonema do director Decio Canzio, com essa proposta, e era uma decisão tomada em grupo com Sergio Bonelli, Gianfranco Manfredi e com o supervisor da série, Renato Queirolo.
A colorização era sua ou você limitava-se a seguir as indicações?
Andrea Venturi: Para as primeiras dez eu dei as indicações, e para as posteriores a coloração era minha, eu coloria fotocópias com aguarela. Não sei se interessa mas digo como curiosidade: o uso de fotocópias foi ditado pela prudência porque, em caso de erro na coloração, pode-se recomeçar tudo em outra fotocópia sem ter colorido – e comprometido – o desenho com a tinta original. Hoje as técnicas digitais estão a superar essa prática, cuja vantagem é a de uma elasticidade realmente notável. Eu gostaria de aproximar-me dessas coisas, praticar um pouco, mas até hoje não foi possível por questões de tempo.
Como era o desenvolvimento da imagem da capa?
Andrea Venturi: O meu contacto era Renato Queirolo, o supervisor da série, que também coordenava e harmonizava o trabalho de todas as edições. Ele fornecia-me a sugestão, às vezes acompanhada de alguma imagem da história que poderia servir como referência. Eu penso que isso tudo era elaborado em conjunto com o criador de Mágico Vento, Gianfranco Manfredi. Eu buscava desenvolver aquela sugestão em alguns esboços alternativos, geralmente três, e depois eu trocava ideias com Queirolo, quando podíamos ver os ajustes que poderiam ser feitos para melhorar a capa. Às vezes o esboço definitivo nascia da fusão de algumas ideias vistas nos vários esboços, numa combinação em que, num primeiro momento, eu não havia pensado.
A competência de Queirolo muitas vezes me levou a buscar soluções novas que, inicialmente, eu não havia considerado. Em algumas ocasiões ele disse-me que o meu esboço havia sido mostrado a vários pessoas na redacção, em busca de pareceres, de novas análises da imagem, mais recentes que as nossas, que trabalhávamos há dias no desenho. Eu sempre achei isso certo, creio que era para buscar aquela impressão de primeiro impacto, como a que, em seguida, os leitores sentiriam ao ver pela primeira vez a capa nos quiosques. E, para a aprovação, sempre podíamos contar com a análise de Sergio Bonelli, que tem uma certa experiência com quadradinhos.
Passemos ao Ranger que dá nome a este blogue. No início de 1996, de forma não esperada, foi publicada num Almanaque do Oeste a sua primeira história de Tex, O Matador de Índios. Porque essa decisão repentina?
Andrea Venturi: Eu recebi uma proposta nesse sentido, como no caso das capas de MV. Talvez pelo estilo clássico do meu modo de desenhar, que eu imagino tenha sido considerado adequado para Tex. Era um desafio muito estimulante e lisonjeiro para não ser aceito. Mesmo se acompanhado pelo desprazer de abandonar Dylan Dog. É comum acontecer de abraçar uma coisa com prazer e sentir, ao mesmo tempo, desprazer por deixar outra.
Quais foram as suas referências gráficas para representar Tex e seu mundo?
Andrea Venturi: Alguns nomes se impõem de forma imediata, e são os de Ticci, Villa e Civitelli. Mas sinceramente eu devo dizer que, ao se tentar desenhar alguma coisa, especialmente algo que se aborda pela primeira vez, logo se aprende a ter humildade, especialmente quando se vê que muitos desenhadores, mesmo aqueles que não estavam no topo da lista dos seus favoritos, têm algo a lhe ensinar. Pode-se avaliar melhor o seu profissionalismo e usar como lições as suas conquistas.
Você teve dificuldades para imergir no mundo texiano e, de um modo geral, passar de uma série contemporânea para outra ambientada no século 19 americano?
Andrea Venturi: Como eu dizia, a dificuldade era começar um percurso de aprendizado de todo um repertório, quem sabe visto muitas vezes mas jamais praticado, desenhado. O que é diferente. Mas a sensação de dificuldade também é compensada pelo estímulo que esse aprendizado representa e, com o passar do tempo, pela satisfação de ver novos tijolos acrescentados à própria formação de desenhador.
Desde então você ligou o seu nome exclusivamente ao do roteirista Claudio Nizzi. Como é trabalhar com ele? É particularmente detalhista e exigente na construção da página e ao pedir como impostar as personagens, ou ele dá total liberdade nesse sentido?
Andrea Venturi: Claudio Nizzi é um roteirista de grande experiência, ele sabe quando um desenhador precisa de mais indicações, ou quando trata-se de impostar situações complexas do ponto de vista da ambientação, da quantidade de personagens, das acções que elas praticarão, da forma de actuar, situações em que cada um desses componentes torna-se determinante para o desenvolvimento da história. E é claro que esses destaques são um auxílio para o desenhador. Mas com o passar do tempo aprende-se a se conhecer e, como se costuma dizer, a pegar a informação no ar.
Quais são os cenários e as personagens da saga de Tex que você prefere? Privilegia os aspectos mais misteriosos e exóticos da série (como na sua história Nas Garras do Tigre) ou agrada-lhe mais enfrentar uma história clássica com índios, soldados e pradarias?
Andrea Venturi: O mistério e o exotismo fascinam-me, sempre foi assim, mesmo como espectador de cinema, como leitor de romances e quadradinhos, antes ainda que como desenhador. Mas eu creio que uma coisa importante deste ofício é o aprendizado e, no âmbito de um género como o do faroeste, é necessário saber desenhar muitas coisas. E depois, além daquilo que me é familiar, eu posso dizer que todas as vezes que vejo esplêndidas sequências ilustradas – como as de Ticci, por exemplo, para citar um nome dentre os meus preferidos – com índios, soldados e pradarias, eu me entusiasmo e digo a mim mesmo que um bom desenhador de faroeste deve saber desenhar também isso, que deve ser belíssimo levantar-se da mesa depois de ter realizado coisas do tipo.
Depois de mais de doze anos encerrou-se o seu relacionamento com Nizzi, e na Internet vazou a notícia de que você está a trabalhar num roteiro de Mauro Boselli. Pode nos falar dessa história? Que diferenças você tem encontrado no método de trabalho desses dois roteiristas?
Andrea Venturi: Não foi um corte, Nizzi simplesmente passou a dedicar-se a outras coisas. Eu considero que a minha sorte mantém-se de pé porque tenho a oportunidade de trabalhar com Boselli. Sobre a história, eu posso dizer que trata de uma caravana de pioneiros e que os quatro pards actuam juntos; o resto eu deixarei envolvido no mistério para conservar o gosto da leitura. Pessoalmente, quando acontece de eu ler alguma resenha de filme, por exemplo, eu procuro pular a parte que descreve a trama, em geral eu já conheço a ideia de base e prefiro saborear o desenrolar da história com curiosidade desde o início. A propósito de diferenças, uma, superficial, tem a ver com o modo de escrever a página. Enquanto o roteiro de Claudio Nizzi descreve tudo em forma de texto escrito, o de Mauro Boselli é graficamente subdividido na conhecida grade bonelliana de três tiras dentro das quais se vêem dactilografados os diálogos, os sons, esboços de posição das personagens.
Isso trouxe-me à mente as históricas páginas de roteiros de Gianluigi Bonelli ou de Sergio Bonelli. É interessante ver como cada roteirista tem um modo próprio para elaborar a página. A Nizzi e a Boselli eu reconheço uma notável precisão ao imaginar de forma visual os próprios roteiros. Explico melhor: descrever num roteiro uma situação que envolve uma ambientação e várias personagens que se movem dentro dela, é um pouco como definir um set de filmagem e, de consequência, tentar imaginar como posicionar a câmara, que será o ponto de vista do desenhador, para obter o melhor enquadramento, aquele que permita mostrar claramente a acção, que permita entender tudo. É uma coisa meio técnica que eu, como desenhador, tenho a tendência a observar. Fora isso, deve-se reconhecer a ambos a fantasia e o mérito de construir sempre histórias novas, mesmo a permanecer dentro de padrões clássicos e consolidados que constituem parte do sabor texiano a que os leitores, eu inclusive, são afeiçoados.
Há algum tempo alguém, na Internet, associou o seu nome ao de Mefisto, o célebre vilão texiano que voltou às luzes há alguns anos. Você gostaria de desenhar um novo retorno desta fascinante personagem, depois de ter retomado certas temáticas de terror e de sobrenatural com o Tigre Negro?
Andrea Venturi: O problema, ao retomar essas personagens, é que elas foram desenhadas por Mestres do desenho texiano! Por um lado seriam oportunidades lisonjeiras, estimulantes, que deveriam ser aceitas na hora. Por outro lado – e isso eu já senti com o Tigre Negro – a interpretação de Villa e Civitelli já era tão perfeita, tão definitiva, que deve-se adequar-se a ela, considerá-la a única possível, também pela sensação de assim respeitar a autenticidade da personagem. Mas no fim acaba-se, mesmo sem desejar de forma consciente, por colocar o seu próprio estilo.
Como você vê o futuro de Tex e da BD popular italiana?
Andrea Venturi: Sergio Bonelli, que conhece a fundo a matéria, poderia dar a melhor resposta a essa pergunta. Por mim, a BD popular viveria para sempre! Não só porque significa trabalho, mas porque eu sou um aficionado por ela. Mas como sempre acontece, o futuro depende de muitas coisas que mudam sempre, sobretudo da vontade dos leitores de continuar a acompanhar os quadradinhos. Creio que hoje essas mudanças acontecem de formas cada vez mais rápidas e, às vezes, radicais. Mas eu penso – e torço por isso – que a famosa revistinha aos quadradinhos, tão cómoda e amigável de se carregar, tão pouco tecnológica que sempre funciona – basta abrir – ainda possa nos acompanhar por muito tempo. O rádio, por exemplo, não foi substituído por meios de entretenimento mais poderosos como a televisão; talvez tenha pesado nisso a sua capacidade de nos fazer companhia de modo simples, discreto, amigável. O que nós podemos fazer é produzir quadradinhos com todo o nosso empenho e entusiasmo.
E os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Andrea Venturi: Tex! E uma semana de férias na montanha, agora no Verão.
Quais ambições você tinha ou tem dentro da SBE, sobretudo em relação a Tex?
Andrea Venturi: Continuar a fazer de forma honesta este trabalho que, devo dizer, faz realmente parte de mim, faz parte do gosto pela vida. Com forma honesta eu quero dizer fazer o melhor que posso, com o empenho necessário. E com entusiasmo, outro elemento irrenunciável e determinante para o resultado final. Mas esse jamais faltou. Com relação a Tex, o desejo é o de contribuir para a série como fizeram os outros desenhadores, segundo a minha índole mas sempre fiel ao espírito texiano.
Os quadradinhos da SBE sempre foram o seu objectivo ou você preferiria fazer a chamada BD de autor como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Andrea Venturi: Sempre foram o tipo de quadradinhos que mais combinam comigo. Se por BD de autor se entende a BD feita por completo, texto e desenhos por um só autor, então devo dizer que, acima de tudo, seria necessário saber escrever e fazer roteiros muito bem! Logo, no meu caso, por reconhecer os meus limites, fico muito feliz em poder confiar na experiência e no profissionalismo de um roteirista e cuidar exclusivamente de tudo aquilo que pode-se contar com o desenho. Mas digo com sinceridade que não considero fácil conseguir ver a linha imaginária que deveria marcar os limites entre esses dois famosos territórios da BD.
Talvez porque eu tenha conhecido os autores mencionados – sem dúvida excepcionais – como autênticos ases da BD popular muito antes de serem campeões da BD de autor. Todos apareceram numa das minhas leituras favoritas na infância, o Corriere dei Piccoli (depois Corriere dei Ragazzi). Poderíamos ir além dessas etiquetas e definir um autor de acordo com a sua técnica, a sua capacidade de deixar uma marca forte de sua personalidade no nosso imaginário, sem ligar para o facto de que esteja a serviço da chamada BD popular ou de projectos mais pessoais, experimentais. Dou um exemplo entre tantos possíveis: se Giraud tivesse feito somente os desenhos para Blueberry – grandes desenhos que contam tanto quanto o roteiro de Charlier -, se não tivesse depois se tornado Moebius, ainda assim teria sido um grande autor; de consequência, eu sempre vejo o desenho dele como expressão de BD de autor, a BD daquele autor, que me agrada, que me emociona, que me contou alguma coisa da sua visão do mundo.
Você sente-se um artesão da BD ou um artista? Para si, desenhar é um estímulo, uma diversão, ou é um trabalho?
Andrea Venturi: Sim, eu sinto-me um artesão. E devo dizer que tenho uma consideração altíssima pelo artesanato. Também ali eu creio que muito depende da qualidade do que se consegue obter na prática. Mas na verdade eu não me faço essa pergunta, eu simplesmente busco fazer quadradinhos da melhor forma que posso, na linha daqueles que me agradaram e me emocionaram, a esperar que agradem ao público. No fundo é só isso. Mas a pensar, creio que cada um de nós tem uma veia artística mais ou menos pronunciada que busca uma expressão na nossa vida de todo dia e, quem sabe, começamos a assobiar diante do espelho assim que levantamos pela manhã. De todo modo, para mim, desenhar é cada vez mais uma necessidade instintiva, o que compreende o estímulo e a diversão. Do trabalho, deve-se conservar o sentido necessário de disciplina, mesmo porque o nosso trabalho – agora o defino assim – é ligado ao trabalho dos outros, num ciclo produtivo em que cada um deve respeitar os próprios compromissos. Mas como muitos pensam, é muita sorte, é um privilégio, quando o trabalho coincide com a diversão.
Quanto tempo leva para desenhar uma página? Você cumpre horários? Como é o seu dia padrão entre trabalho, leituras, busca de informações, ócio, vida familiar?
Andrea Venturi: Levo cerca de dois dias. Às vezes também depende do conteúdo, se é necessária uma documentação mais complexa, se há muitos elementos detalhados, tudo isso toma tempo. Eu gosto de começar pela manhã com a perspectiva de ter um dia inteiro de luz e de trabalho à minha frente, depois vem a pausa para o almoço, se possível uma soneca de quinze minutos, à tarde à mesa de desenho e o jantar seguido, sempre que possível, por um filme. Isso na base porque, como acontece com todo mundo, há as necessidades familiares a encarar, que tomam o seu tempo aqui e ali – e é justo que seja assim. Eu informo-me por meio do rádio que está quase sempre ligado, ou com os podcasts. Quando eu decido fazer uma pausa de dez minutos, também para aliviar a visão depois de olhar demais para uma página, eu sempre busco uma leitura.
Como é a sua técnica de trabalho?
Andrea Venturi: É aquela que poderia ser definida como clássica. Faço o esboço da página numa folha de cartolina alemã com um lápis bastante duro para não sujar demais a folha. Depois, com vários traços feitos e depois apagados com borracha, eu defino o desenho até chegar aos detalhes. Também procuro esboçar levemente as áreas pretas com lápis, de modo que seja possível ver com mais clareza a sua disposição e o seu peso, a sua capacidade de criar os contrastes necessários. Em seguida passo para a arte-final com pincel fino e pincel grosso. Devo dizer que, quando começo com o pincel mais grosso, a sua fluidez leva-me a fazer quase tudo com este instrumento. A cartolina alemã, por ser mais resistente, permite-me tirar fora o nanquim com uma lâmina, e isso é muito útil, dá uma margem de segurança em caso de se pretender fazer alterações, apagar traços em excesso e por aí vai. Por fim eu passo a borracha em todo o trabalho, mas uma que não seja tão agressiva, que apague o lápis mas respeite o mais possível o nanquim. Só isso.
Você nasceu em 1963, quando no cinema o faroeste clássico, já em seu ocaso, estava para ser revirado pelo fenómeno do faroeste-espaguete de Sergio Leone e de seus seguidores. De algum modo o Oeste (no cinema, na BD, nas séries de TV) fazia parte do seu imaginário desde pequeno, ou você preferia outros géneros e aproximou-se dele apenas pelo trabalho, quando passou a fazer parte da equipa texiana?
Andrea Venturi: Quando eu era pequeno, filmes como os de Sergio Leone ainda enchiam os cinemas e tinham uma vida bastante longa, sempre passavam inclusive nos cinemas paroquiais perto de casa ou nas salas nas praias, durante as férias. Eu estava sempre em meio àquele público, a comer pipocas e a divertir-me com aquele espectáculo às vezes exagerado que nós, crianças, adorávamos, feito de suor, pólvora, frases lapidares, feijão na panela e… dentes branquíssimos! Em casa eu acompanhava as séries do Zorro e assistia a filmes de faroeste mais clássicos, os americanos, quando passavam na televisão, mas a programação da época não era tão variada como a de hoje. Como muitos da minha geração, eu era fascinado por muitos outros géneros, inclusive a ficção científica. Guerra nas Estrelas e Alien foram meio que um divisor de águas para o género, e eu recordo-me que, na escola, no Liceu Artístico, eu aproveitava todas as ocasiões, nas aulas de desenho ou de modelagem, para contrabandear alguma coisa vinda daquele imaginário. Mas Tex reacendeu, e muito, aquela antiga chama. Agora, graças também ao DVD, eu assisto sempre a filmes de faroeste. Às vezes eu uso como desculpa para me documentar, mas na verdade eu gosto muito.
Quais quadradinhos você lê actualmente, com quais mais identifica-se?
Andrea Venturi: À parte os quadradinhos Bonelli, nos quais vejo muitos dos meus autores de referência, e com o risco de parecer nostálgico, eu digo que aqueles com que identifico-me ainda mais são os que citei no início da entrevista, ainda hoje tenho um fraco por eles, que enchem-me de entusiasmo. De vez em quando é publicada uma nova reedição desse material e eu não resisto e compro, mesmo se já tenho duas ou três edições anteriores. Basta que tenha uma edição caprichada para tornar-se imprescindível. Entre os mais recentes, sempre acompanho autores como Mignola, Adam Hughes, Bernet, Boucq… e até posso dizer Will Eisner, que sempre parece moderno.
Além de BD, você lê livros? Quais? E quais são as suas preferências no campo do cinema e da música?
Andrea Venturi: Entre os escritores de que mais gosto está Simenon. Depois, para dizer alguns nomes dentre tantos, Buzzati, Philip K. Dick, Durrenmatt, Roald Dahl, Astrid Lindgren. Na linha do bom humor, vêm-me à mente o Goscinny do Pequeno Nicolau com as ilustrações de Sempè, livros de Achille Campanile como Vida dos Homens Ilustres.
Certamente viriam-me à mente muitos outros e pergunto-me porque jamais os li. No cinema, não canso-me de rever os filmes de Tati, Wilder, Hitchcock, Kubrick, Monicelli, Melville, Becker, Germi, Scorsese… e muitos, muitos outros. É evidente que o nome de cada um desses talentos traz à mente uma galáxia de talentos entre actores, roteiristas, cenógrafos, músicos… Também a propósito de música, eu não saberia por onde começar, então direi alguns nomes em ordem aleatória: Quincy Jones, Al Jarreau, Earth Wind & Fire, Jobim, Thielemans, Bacharach, Lelio Luttazzi, Buscaglione. E, ligada à paixão pelo cinema, há uma discreta colecção de trilhas sonoras com nomes como os de John Barry, Jerry Goldsmith, Lalo Schifrin, Morricone, Trovajoli, Mancini, Herrmann e por aí vai.
Caro Andrea, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Andrea Venturi: Obrigado a vocês, porque receber estas perguntas, esse gentil interesse em relação a mim, foi muito lisonjeiro.
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissimo Andrea Venturi, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! In breve, un cenno su di te per farti conoscere agli utenti del Blog do Tex.
Quali sono state le tue letture – fumettistiche e non – nell’infanzia e nell’adolescenza?
Andrea Venturi: Ero un bambino negli anni Sessanta, quindi non poteva mancare Topolino fra le prime letture. Anzi, prima ancora di leggerlo io, mia madre, con pazienza, me lo leggeva mentre io guardavo le figure. Ancora non ne conoscevo i nomi ma “sentivo” la personalità di autori come Scarpa, Carpi, Cavazzano… Mio papà leggeva spesso Tex e mi faceva conoscere così Galleppini e il suo tratto inconfondibile. Anche Zagor mi piaceva tanto e il tratto al pennello di Gallieno Ferri, morbido, pastoso, d’atmosfera mi rimaneva dentro. Poi, arrivarono in Italia i primi albi dei supereroi Marvel, rimasi folgorato da un episodio dei Fantastici Quattro, il successivo era annunciato in quarta di copertina e io ho fantasticato tantissimo su quella copertina, immaginavo tante storie possibile partendo da quello spunto. Non sapendo però se sarei riuscito a farmelo comprare. Per quanto i miei genitori fossero comprensivi e generosi dovevamo fare necessariamente i conti con il bilancio familiare. Comunque riuscii a seguire questa serie e, più sporadicamente, altre serie come Devil che ospitava uno dei miei fumetti preferiti, il Silver Surfer disegnato da John Buscema! Un altro appuntamento regolare era il Corriere dei Piccoli, poi divenuto Il Corriere dei Ragazzi. Una maestra delle mie scuole elementari fortunatamente lo consigliò alle famiglie per alcune schede contenute all’interno, adatte alle ricerche scolastiche di storia, geografia…
Di quelle schede non ricordo poi molto ma ho ben impresso in mente il contenuto di fumetti e illustrazioni della rivista. Erano presenti i migliori disegnatori e illustratori italiani, nomi come Aldo di Gennaro, Sergio Toppi, Ferdinando Tacconi, Dino Battaglia, Hugo Pratt, Grazia Nidasio, Mario Uggeri… i classici realistici o umoristici del fumetto franco-belga, quindi Michel Vaillant, Ric Hochet, Bernard Prince, Luc Orient, Franquin e tanti altri. Li ritrovai, grazie a mio zio e alla sua collezione, nella bella collana dei Classici Audace insieme a un’altra serie fondamentale per il mio immaginario, Blake & Mortimer! Poi ancora Flash Gordon di Alex Raymond, Steve Canyon di Milton Caniff, Frank Robbins e il suo Johnny Hazard, Mort Cinder di Breccia e Oesterheld, i preziosi Albi del Falco, l’Alan Ford di Magnus… Ho dato la caccia a tutti questi autori per anni in tanti negozi e negozietti che vendevano l’usato. Mi dispiace, il discorso tende ad allargarsi e forse diventa tedioso. Il fatto è che ogni autore che mi viene in mente mi sembra così indispensabile e appassionante… e l’orizzonte nel tempo si fatto sempre più vasto. Per non annoiarvi ulteriormente dirò solo che veramente significativo fu conoscere il lavoro di magnifici illustratori come Norman Rockwell, Frank Frazetta, di quel talento infinito che è Giraud-Moebius… e recuperare un rapporto più stretto con Tex appassionandomi all’interpretazione di Giovanni Ticci, di Claudio Villa, di Fabio Civitelli. Poi arrivò Dylan Dog. Ognuna di queste passioni devo dire mi accompagna sempre, durevole, anche adesso, insieme alle nuove scoperte. Peccato che spesso manchi il tempo per leggere e rileggere.
Qual è stata la molla che ti ha spinto alla passione per il disegno?
Andrea Venturi: Penso proprio le letture dell’infanzia di cui sopra.
Dopo alcuni lavori nella grafica pubblicitaria, sei entrato a far parte dello studio di Bruno Bozzetto: cosa ricordi di quell’esperienza?
Andrea Venturi: Proprio a far parte no, ho collaborato solamente con loro ad alcuni progetti pubblicitari. Per uno degli spot si trattava di realizzare fondali pittorici ispirati allo stile di Biancaneve della Disney. Anche la Bozzetto aveva accompagnato la mia infanzia, film come “Vip mio fratello superuomo”, “West and Soda”, i cortometraggi del Signor Rossi. Ricordo di aver dato un’occhiata alla stanza dove si coloravano i fogli di acetato, i trasparenti per l’animazione secondo la tecnica tradizionale, c’erano ancora barattoli di colore, pennelli… mi emozionava. Come sappiamo, incredibilmente in pochi anni, le nuove tecnologie hanno rivoluzionato tutto, sostituendo anche manualità antiche. Mi fa effetto pensarlo. Comunque alla Bozzetto trovai molta cortesia e, come mi aspettavo, molta professionalità… e un vivacissimo Bruno Bozzetto. E’ stata una bella esperienza.
Nel 1989 entri nel mondo del fumetto, collaborando alla testata Mostri delle Edizioni Acme. Ti ritieni soddisfatto di quella collaborazione?
Andrea Venturi: Sì, certamente, ricordo un primo amichevole incontro con Silver, nel suo ufficio di Milano, era verso sera e si poteva parlare tranquillamente. Avevo portato qualche cosa dei miei lavori passati, qualche esercizio da mostrare. Se ricordo bene, Silver mandò un fax con qualche immagine alla redazione di Roma della Acme e mi offrì di realizzare una storia breve per quella loro rivista. Sì, certo, fu una soddisfazione, specialmente poi per un esordiente quale ero.
Comunque quel lavoro ti ha portato fortuna: sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore e, nel 1992, debutti su Dylan Dog. Come è avvenuto il tuo ingresso nello staff, sei stato contattato dal direttore generale Decio Canzio e da Tiziano Sclavi, creatore del personaggio, che a quel tempo ricopriva anche la carica di curatore della testata? Come ti sei sentito in quel momento?
Andrea Venturi: E qui mi piacerebbe sapermi esprimere meglio perchè è stato per me un momento veramente importante. Mi piacerebbe di rendervi la sensazione. Però cominciamo dall’inizio. Non so ancora come ho fatto ma in qualche modo sono riuscito a vincere la timidezza, l’emozione e sono riuscito a telefonare ad uno degli idoli della mia gioventù, Aldo Di Gennaro. Ora, Aldo Di Gennaro è uno dei più grandi e più versatili illustratori italiani, conoscevo a memoria centinaia di sue illustrazioni e suoi capolavori a fumetti come la serie “Il Maestro” su testi di Mino Milani.
Quello che ancora non sapevo andando all’appuntamento era che avrei incontrato un sincero amico che con grande semplicità, grande disponibilità mi avrebbe ascoltato e aiutato. Di Gennaro alzò il telefono e chiese per me contemporaneamente due appuntamenti, uno con Silver, di cui dicevo prima, e uno, la mattina dopo alla Bonelli, che mi furono gentilmente concessi. La mattina alla Bonelli, iniziata col cuore in gola per ovvie ragioni, è cominciata con il sorriso e l’accoglienza di Maria Baitelli, l’efficientissima capo redattrice di allora, del direttore Decio Canzio e di Tiziano Sclavi che all’epoca penso venisse ancora spesso in casa editrice. Osservarono i miei lavori – ho già detto che avevo il cuore in gola? Mi sembra di sì -, poi Sclavi disse che sì, aveva ancora bisogno di qualcuno nello staff di Dylan Dog, se mi andava di provare. Dovetti sospendere l’incredulità e pronunciare un “sì, certo!” sempre con quel cuore in gola. L’atmosfera era quella della Bonelli, informale, amichevole, famosa presso i lettori e incredibilmente reale lì, davanti ai miei occhi.
Quali sono state le difficoltà del tuo primo episodio di Dylan (L’uomo che visse due volte, DD 67). E come ti sei trovato a lavorare con uno sceneggiatore innovativo come Sclavi?
Andrea Venturi: Riprendendo da dove eravamo rimasti, ricordo che, come si faceva usualmente, mi diedero tre tavole di prova da realizzare per Dylan, tre situazioni tipiche in cui avrebbe potuto trovarsi. Una di atmosfera, nella nebbiosa notte londinese, un’altra un pò più splatter e una con il consueto colloquio fra Dylan e la cliente di turno nello studio della sua casa. Guardando poi queste prove con Sclavi vennero fuori cose che promettevano bene ed altre che ancora tradivano la mia inesperienza. Comunque, consultandosi con il direttore, venne questa proposta: “Tiziano deve iniziare adesso una nuova sceneggiatura, se ti va, possiamo affidarti le prime dieci tavole e poi vedere come va”. Era naturalmente una proposta fantastica, perchè introduceva ad un’ulteriore periodo di prova, più che giusto, ma aggiungeva anche uno stimolo fortissimo come quello di poter lavorare su una sceneggiatura vera e propria. E di Sclavi! Ho cercato di fare del mio meglio quindi per quelle dieci tavole, cercando di correggere quelle cose che ancora non andavano nelle tre tavole della prima prova e che facevo fatica, nella mia inesperienza, a vedere. Adesso le vedo benissimo e mi domando come abbiano fatto a prendermi! Le difficoltà sono state quelle tipiche legate agli esordi, legate alla preoccupazione che il mio disegno fosse compiuto in modo professionale come l’occasione richiedeva. Comunque, alla fine le cose sono andate bene, sembra, e abbiamo proseguito con quella che è stata la mia prima storia e che è, appunto, “L’uomo che visse due volte”. Essendo, in parte, ispirata al “Fu Mattia Pascal”, lessi prima il romanzo. Ho riletto anche tutta la collana, fino ad allora una cinquantina di numeri, per cercare di capirne meglio lo spirito, le caratteristiche grafiche e soprattutto quelle dei personaggi principali.
Anche se era poi interpretata diversamente dai vari, bravissimi , disegnatori la serie aveva già una sua “immagine” coerente, riconoscibile. Poi cercai di ricavarmi i modelli dell’antagonista di Dylan per quella storia. Sclavi mi aveva suggerito genericamente alcuni attori come riferimento. Ero contento perchè erano attori che mi erano sempre piaciuti molto, fisionomie molto interessanti. In genere si fa riferimento agli attori fra sceneggiatore e disegnatore per avere un’idea immediata del tipo umano che si cerca. Ne scelsi uno, raccolsi foto e video, e cercai di disegnarlo molto per assimilarne i tratti. Non volevo usare direttamente modelli fotografici nel disegnare la storia anche perchè poi, pensavo, non trovando mai una foto per ogni espressione, per ogni angolazione necessaria, si vedrebbe troppo la differenza fra ciò che deriva da una foto e quello che è disegnato autonomamente. E poi perchè quest’ultimo è il modo di disegnare che preferisco. Lo stile innovativo di Sclavi è fatto di tante cose, anche di una geniale, affettuosa mescolanza di tanto immaginario collettivo della nostra generazione, quindi ritrovavo nelle sue sceneggiature echi di altri fumetti, di letteratura, di cinema che conoscevo ed amavo anche io. E così provavo spesso un forte senso di familiarità, di condivisione nelle situazioni che proponeva. Il tipo di cosa che provavano anche i lettori, penso.
Nel 1993 ti viene affidato il racconto “Johnny Freak” (DD 81). Nel giro di un anno hai realizzato due episodi – tra i tanti – di culto della serie. Un’esperienza da far girare la testa?
Andrea Venturi: Sì certo. Ma per me il solo fatto di lavorare per Bonelli, per Dylan Dog, per Sclavi era già roba da far girare la testa. Sapevo comunque che non era il caso di montarsela, semplicemente avevo avuto la fortuna di due ottime sceneggiature e devo davvero ringraziare per questo Sclavi, Mauro Marcheselli che scrisse il soggetto per “Johnny Freak”, e Sergio Bonelli.
Mentre disegnavi “Johnny Freak” avevi la percezione che sarebbe da subito diventato un episodio di culto per migliaia di fan dell’Indagatore dell’incubo?
Andrea Venturi: Non era difficile, leggendo la sceneggiatura, sentire la partecipazione con cui era stata scritta. Ricordo che all’inizio Sclavi mi parlò di “Freaks”, il film di Browning, dicendomi che molto dello spirito di Dylan veniva da lì. Ma per quanto riguarda la mia parte, il mio pensiero davanti alla pagina era solamente quello di fare del mio meglio, la preoccupazione di interpretarla bene. La bellezza della sceneggiatura avrebbe resistito ai miei disegni? Questa più che altro era la domanda che mi ponevo.
Da lettore, non credi che questa storia possa aver rappresentato un “punto di rottura” all’interno della saga? Dopo quest’albo infatti calano drasticamente le scene splatter, si perde via via una certa “cattiveria” che aveva contraddistinto buona parte della serie e affiorano invece con prepotenza tematiche sociali ed un buonismo di fondo, quasi che Sclavi fosse preoccupato dall’enorme successo del suo personaggio e volesse imprimere una sterzata alla saga, aggirando in tal modo le critiche ai fumetti horror (allora furoreggianti) da parte dei benpensanti.
Andrea Venturi: A me Dylan è sempre sembrato una creatura molto sincera di Tiziano Sclavi. Quindi non penso che ci sia stato un cambiamento studiato a tavolino per evitare qualcosa. Naturalmente bisognerebbe chiedere all’autore stesso. Personalmente ho sempre pensato che un artista come Sclavi sia naturalmente portato a non cristallizzarsi in una formula che a lungo andare può diventare ripetitiva, a esplorare nuove vie. Poi credo anche che l’essenza di Dylan non stesse nello splatter, anche se questo era un elemento interessante che, come succede al cinema, ci consente di giocare un pò con le nostre paure. Penso che questo gioco fosse perfettamente capito dai lettori e inquadrato correttamente nel contesto ironico, poetico, fantastico delle storie di Dylan.
Ritornando a Sclavi, le sue poche sceneggiature rese pubbliche evidenziano una grande cura nelle descrizioni e la precisa volontà di cercare un dialogo con il disegnatore, stimolando quest’ultimo a tirare fuori il meglio di sé. Hai qualche ricordo particolare di quei tempi?
Andrea Venturi: Sì, mi ricordo che c’erano anche giochi di parole, battute, piccole (o grandi) sfide lanciate al disegnatore. Mi sentivo privilegiato perchè ero il solo, o quasi, che le avrebbe lette. Non dimentichiamoci del fan che era sempre dentro di me e che quando leggeva quelle cose esclamava “Incredibile! Sclavi che scrive questo solo per me!”. Ma chiunque abbia letto la sceneggiatura di “Memorie dall’invisibile” scritta per Casertano e pubblicata in forma di testo qualche anno fa sa di che cosa parlo.
Prima di entrare nel merito del tuo lavoro texiano, soffermiamoci sulle copertine di Magico Vento a tua firma. Chi ti ha proposto il lavoro?
Andrea Venturi: Ricevetti una telefonata dal direttore Decio Canzio, che mi propose la cosa, ma naturalmente era una decisione presa di concerto insieme a Sergio Bonelli, a Gianfranco Manfredi, al curatore della serie Renato Queirolo.
La colorazione è stata tua o ti sei limitato alle indicazioni?
Andrea Venturi: Per le prime dieci ho fornito le indicazioni, poi per le successive è stato fotografato anche il colore che fornivo. Coloravo delle fotocopie all’acquerello, non so se interessa come curiosità ma lo dico: l’uso delle fotocopia è ispirato dalla prudenza perchè così, in caso si faccia qualche errore sulla colorazione, si può ricominciare da capo su un’altra fotocopia senza aver colorato, e compromesso, il disegno a china originale. Adesso altre tecniche, digitali, vanno soppiantando questa pratica. Il loro vantaggio è quello di una elasticità davvero notevole. Vorrei avvicinarmi a queste cose, fare un pò di pratica ma finora ho rimandato per questioni di tempo.
Come venivano sviluppati i soggetti delle copertine?
Andrea Venturi: Il mio tramite era Renato Queirolo, il curatore della serie, il coordinatore e l’armonizzatore del lavoro per l’intera serie. Lui mi forniva uno spunto, magari accompagnato da qualche immagine della storia che poteva servire come riferimento. Penso che questo fosse naturalmente concertato insieme al creatore di Magico Vento, Gianfranco Manfredi. Io cercavo di sviluppare quello spunto in alcuni bozzetti alternativi, in genere tre. Poi ne discutevamo, appunto, insieme a Queirolo. Lì potevamo vedere gli aggiustamenti che si potevano fare per migliorare la resa della copertina, a volte il bozzetto definitivo nasceva dalla fusione di alcune idee che si trovavano prima separate in bozzetti diversi. Una combinazione alla quale magari in un primo momento non avevo pensato.
La competenza di Queirolo mi ha spesso spinto a cercare soluzioni nuove che in un primo momento non avevo considerato. A volte mi disse di aver fatto fare a qualche mio bozzetto un giro della redazione, in cerca di pareri, di sguardi freschi su quell’immagine, più freschi dei nostri che magari ci lavoravamo da giorni. L’ho sempre trovato giusto, si trattava, credo, di cogliere quell’impressione di primo impatto, simile a quella che poi i lettori avrebbero provato vedendo improvvisamente la copertina in edicola. E comunque per un’approvazione definitiva potevamo sempre contare sullo sguardo di Sergio Bonelli che quanto a fumetti ha una certa esperienza.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: nell’inverno 1996, abbastanza inaspettatamente, viene pubblicata su un Almanacco del West la tua prima storia di Tex, “L’uccisore di indiani”. Quali furono i motivi di questo trasferimento?
Andrea Venturi: Mi venne fatta una proposta in tal senso come nel caso delle copertine. Forse per quel tanto di classico che c’era nel mio modo di disegnare, che immagino sia stato considerato consono per Tex. Era una sfida troppo stimolante e lusinghiera per non essere raccolta. Anche se accompagnata dal dispiacere di lasciare Dylan Dog. Capita di andare con piacere verso una cosa sentendo allo stesso tempo il dispiacere di lasciarne un’altra.
Quali sono stati i tuoi riferimenti grafici per rappresentare Tex e il suo mondo?
Andrea Venturi: Alcuni nomi si impongono immediatamente, e sono quelli di Ticci, Villa, Civitelli. Ma sinceramente devo dire che provando a disegnare qualcosa, specialmente qualcosa che la si affronta per la prima volta, si fa presto a imparare l’umiltà, specialmente quando vedi che tanti disegnatori, anche quelli che non erano prima fra i tuoi favoriti, hanno da insegnarti qualcosa. Si valuta meglio la loro professionalità e si fa tesoro delle loro conquiste.
Hai avuto difficoltà a calarti nel mondo texiano e, più in genere, a passare da una serie contemporanea ad una ambientata nell’800 americano?
Andrea Venturi: Come dicevo, la difficoltà consisteva nel cominciare un percorso di apprendimento di tutto un repertorio magari visto molte volte ma mai praticato, disegnato. Il che è diverso. Però il senso di difficoltà viene anche compensato dallo stimolo che questo apprendimento rappresenta e magari, via via nel tempo, dalla soddisfazione di vedere aggiunti alcuni mattoncini alla propria formazione di disegnatore.
Da allora hai legato il tuo nome esclusivamente a quello dello sceneggiatore Claudio Nizzi. Come ti trovi a lavorare con lui? E’ particolarmente pignolo ed esigente nella costruzione della tavola e nel richiederti come far “recitare” i personaggi oppure ti lascia ampie libertà in tal senso?
Andrea Venturi: Claudio Nizzi è uno sceneggiatore di grande esperienza e quindi sa quando un disegnatore ha bisogno di più indicazioni, ovvero quando si tratta di impostare situazioni complesse dal punto di vista dell’ambientazione, del numero dei personaggi, della loro azione e recitazione, situazioni in cui ognuna di queste componenti diventa determinante per lo svolgersi della storia. E queste “sottolineature” naturalmente sono un aiuto per il disegnatore. Comunque, nel tempo si impara a conoscersi e, come si suol dire, a intendersi al volo.
Quali sono le locations ed i personaggi della saga di Tex che preferisci? Privilegi gli aspetti più misteriosi ed esotici della serie (come nella tua storia “L’artiglio della Tigre”) oppure ti piace di più affrontare una classica storia con indiani, soldati e praterie?
Andrea Venturi: Il mistero e l’esotismo senz’altro mi affascinano, è sempre stato così, anche da spettatore di cinema, da lettore di romanzi e fumetti, ancor prima che come disegnatore. Però una cosa importante di questo mestiere penso sia anche l’apprendimento, e nell’ambito di un genere come quello western è necessario saper disegnare tante cose. E poi, al di là di ciò che può essermi più congeniale, posso ben dire che ogni volta che mi capita di vedere splendide sequenze illustrate ad esempio da Ticci, per fare un nome fra i miei prediletti, con indiani, soldati e praterie, mi entusiasmo e mi dico che un bravo disegnatore di western deve sapere disegnare anche questo, che deve essere bellissimo alzarsi dal tavolo dopo aver realizzato cose del genere.
Dopo oltre 12 anni hai rotto il sodalizio con Nizzi, in rete è trapelata la notizia che sei al lavoro su una sceneggiatura di Mauro Boselli. Puoi anticipare qualcosa di questa nuova storia? Che differenze stai riscontrando nel metodo di lavoro di questi due sceneggiatori?
Andrea Venturi: Non si è trattato di “rottura” in quanto semplicemente Nizzi si è dedicato ad altre cose. Naturalmente ritengo che la mia fortuna continui perchè ho l’opportunità di lavorare con Boselli. Sulla storia potrei anticipare che avrà a che fare con una carovana di pionieri e che vi agiscono insieme i quattro pard, il resto lo lascerei, come si usa dire, “avvolto nel mistero” per conservare il gusto della lettura. Anche personalmente quando mi capita di leggere qualche recensione di film, per esempio, cerco di saltare la parte di descrizione della trama, in genere ne conosco già lo spunto e preferisco gustarmi con curiosità lo svolgimento fin dall’inizio. A proposito delle differenze, una, di superficie, riguarda il modo di scrivere la pagina. Mentre la pagina di sceneggiatura di Claudio Nizzi descrive tutto in forma di testo scritto, quella di Mauro Boselli è graficamente suddivisa nella nota “gabbia” bonelliana di tre strisce al cui interno si trovano dattiloscritti i dialoghi, i rumori, abbozzi di posizione dei personaggi.
Questo naturalmente mi ha ricordato le pagine di sceneggiatura storiche di Gianluigi Bonelli o di Sergio Bonelli. E’ interessante quindi vedere come ogni sceneggiatore abbia un proprio modo congeniale per impostare la pagina. Sia a Nizzi che a Boselli devo riconoscere una notevole precisione nell’immaginare “visivamente” le proprie sceneggiature. Mi spiego meglio: approntare in sceneggiatura una situazione che coinvolge un’ambientazione e vari personaggi che si muovono all’interno di essa è un pò come allestire un set cinematografico e, via via, provare a immaginare come disporre la macchina da presa, che sarà il punto di vista del disegnatore, per ottenere l’inquadratura migliore, quella in grado di far vedere più chiaramente l’azione, di comprendere tutto. E’ una cosa un pò “tecnica” forse, che come disegnatore tendo a notare particolarmente. A parte questo va riconosciuta ad entrambi la fantasia e il merito di costruire sempre nuove storie pur rimanendo all’interno di canoni classici e consolidati che costituiscono un pò il “sapore” texiano al quale i lettori, me compreso, sono affezionati.
Tempo fa qualcuno in rete aveva associato il tuo nome a quello di Mefisto, il celebre villain texiano tornato alla ribalta qualche anno fa. Ti piacerebbe disegnare un nuovo ritorno di questo affascinante personaggio, dopo che con la Tigre Nera hai ripreso confidenza con certe tematiche horror e soprannaturali?
Andrea Venturi: Il problema, nel riprendere questi personaggi, è che sono stati disegnati da Maestri del disegno Texiano! Sarebbero quindi, da un lato, opportunità certamente lusinghiere, stimolanti, da cogliere al volo. D’altro canto, e l’ho già sperimentato appunto con la Tigre Nera, l’interpretazione di Villa e Civitelli era già così perfetta, definitiva che viene da adeguarsi ad essa, da considerarla l’unica possibile, anche per la sensazione di rispettare così l’autenticità del personaggio. Poi naturalmente si finisce sempre, anche senza volerlo coscientemente, per metterci del proprio.
Come vedi il futuro di Tex e del fumetto popolare italiano?
Andrea Venturi: Sergio Bonelli, che conosce a fondo la materia, potrebbe fornire la migliore risposta a questa domanda. Se fosse per me il fumetto popolare vivrebbe per sempre! Non certo solo perchè significa lavoro ma perchè ne sono appassionato. Il futuro però dipende, come sempre è stato del resto, da tante cose, in continuo cambiamento, soprattutto dalla volontà dei lettori di continuare a seguire i fumetti. Forse questi cambiamenti ora si fanno sempre più rapidi e, a volte, radicali. Io però penso, e spero, che il famoso “giornalino” a fumetti, così comodo e amichevole da portare con sè, così poco tecnologico che funziona sempre, basta aprirlo, possa accompagnarci ancora per molto tempo. Anche la radio non è stata soppiantata da mezzi di intrattenimento più potenti come la televisione, forse ha contato la sua capacità di farci compagnia appunto in modo semplice, discreto, amichevole. Quello che possiamo fare noi è produrre fumetti con tutto il nostro impegno ed entusiasmo.
E i tuoi progetti per il futuro? Puoi già anticiparci qualcosa?
Andrea Venturi: Tex!… e una settimana di vacanze in montagna in estate.
Quali ambizioni avevi o hai all’interno della SBE, soprattutto in relazione a Tex?
Andrea Venturi: Di continuare onestamente a fare questo lavoro che, devo dire, fa veramente parte per me del gusto della vita. Per onestamente intendo il farlo meglio che posso, con l’impegno dovuto. E con entusiasmo, un altro elemento penso irrinunciabile, determinante per il risultato finale. Ma quello per fortuna non è mai mancato. Relativamente a Tex, il desiderio è naturalmente quello di contribuire alla serie come hanno fatto gli altri disegnatori, secondo la mia indole ma restando fedele allo spirito texiano.
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto “fumetto d’autore” come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Andrea Venturi: E’ sempre stato il tipo di fumetto verso il quale mi sono sentito più portato. Se per fumetto d’autore si intende poi il fumetto completamente realizzato, testi e disegni, da un solo autore, allora c’è anche da dire che anzitutto bisognerebbe saper scrivere e sceneggiare bene! Quindi nel mio caso, riconoscendo i miei limiti, sono ben contento di potermi affidare all’esperienza, alla professionalità di uno sceneggiatore e occuparmi esclusivamente di tutto ciò che si può raccontare con il disegno. Devo però essere sincero e dire che faccio un pò fatica a vedere la linea immaginaria che dovrebbe marcare il confine fra questi due famosi “territori” del fumetto.
Questo forse perchè io gli autori di cui sopra, indubbiamente eccezionali, li ho conosciuti prima ancora che come campioni del fumetto “d’autore” come autentici assi del fumetto popolare. Tutti sono apparsi su una delle letture da me favorite nell’infanzia ovvero il Corriere dei Piccoli/dei Ragazzi. Forse si potrebbe ormai andare oltre queste definizioni e definire un autore secondo la sua bravura, la sua capacità di lasciare un segno forte della propria personalità nel nostro immaginario a prescindere dal fatto che sia al servizio del cosiddetto fumetto popolare o a progetti più personali, sperimentali. Se permettete, faccio un esempio fra i tanti possibili: se Giraud avesse fatto “solamente” i disegni per Blueberry, grandi disegni che raccontano quanto la sceneggiatura di Charlier, se non fosse poi diventato Moebius, sarebbe comunque stato un grande autore e, di conseguenza, il suo disegno lo vedo sempre come espressione di fumetto d’autore, insomma il fumetto di quell’autore che mi piace, che mi dà emozione, che mi ha raccontato qualcosa della sua visione del mondo.
Ti senti un artigiano del fumetto oppure un artista? Disegnare è per te uno stimolo, un divertimento oppure un lavoro?
Andrea Venturi: Sì, mi sento un artigiano. Però devo dire che io ho una altissima considerazione dell’artigianato. Anche lì penso molto dipenda dalla qualità di ciò che si riesce a ottenere in pratica. Ma a dire la verità, non mi pongo mai questa domanda, semplicemente cerco di fare fumetti meglio che posso, sulla falsariga di quelli che mi sono piaciuti, che mi hanno emozionato, sperando che piacciano al pubblico. In fondo è tutto qui. Poi pensandoci adesso, credo che ognuno di noi abbia una vena artistica più o meno pronunciata che cerca un’espressione nella nostra vita quotidiana, e così magari ci mettiamo a fischiettare davanti allo specchio appena alzati alla mattina. Disegnare per me comunque è sempre di più una istintiva necessità, che quindi comprende senz’altro lo stimolo e il divertimento. Del lavoro credo si debba conservare il senso di disciplina necessario. Anche perchè il nostro lavoro, ora lo chiamo così, è legato al lavoro degli altri, in un ciclo produttivo in cui ognuno deve rispettare i propri impegni. Ma, come pensano molti, è una vera fortuna, un privilegio, quando il lavoro coincide con il divertimento.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Andrea Venturi: Circa un paio di giorni. A volte dipende anche dal suo contenuto, se è necessaria una documentazione più complessa, se ci sono molti elementi particolareggiati e questo, materialmente, prende tempo. Mi piace cominciare alla mattina con la prospettiva di avere una intera giornata di luce e di lavoro davanti a me, poi c’è la pausa pranzo, possibilmente pisolino di un quarto d’ora, il pomeriggio al tavolo da disegno e la cena seguita, auspicabilmente, da un film. Questo di base, poi, come capita a tutti, c’è qualche necessità familiare a cui far fronte che prende il suo giusto tempo qua e là. Mi informo attraverso la radio, che è quasi sempre accesa, o i podcast. Se decido di fare una pausa di dieci minuti, anche per rinfrescarmi lo sguardo dopo aver guardato troppo una tavola, cerco sempre di leggere.
Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Andrea Venturi: E’ quella che si potrebbe definire penso “classica”. Abbozzo la tavola su un foglio di cartoncino tedesco con una matita piuttosto dura per non sporcare troppo il foglio. Poi, con tanti segni e cancellature di gomma pane, definisco il disegno fino ad arrivare ai particolari. Cerco di abbozzare anche i neri leggermente a matita in modo da vedere più chiaramente la loro disposizione, il loro “peso”, la loro capacità di creare i contrasti necessari. Poi passo all’inchiostrazione con pennino e pennello. Però devo dire che quando comincio col pennello, la sua duttilità di segno mi spinge a fare quasi tutto con questo strumento. Il cartoncino tedesco di cui sopra, essendo piuttosto resistente, mi consente di grattare via con una lametta la china, e questo è molto utile, un margine di sicurezza in caso di ripensamenti, di segni in eccesso e così via. Alla fine “sgommo” tutto con una gomma non troppo aggressiva che cancelli la matita ma rispetti il più possibile la china. Tutto qui.
Sei nato nel 1963. Al cinema il western classico, già al tramonto, sta per essere travolto dal fenomeno del “Western Spaghetti” di Sergio Leone e dei suoi epigoni. Il West (al cinema, nei fumetti, nei telefilm) entra in qualche modo a far parte del tuo immaginario sin da ragazzino, oppure prediligevi altri generi e te ne sei avvicinato solo per lavoro, una volta entrato nello staff texiano?
Andrea Venturi: Quando ero piccolo i film come quelli di Sergio Leone ancora riempivano le sale e avevano una vita piuttosto lunga e con ripetuti passaggi anche nel cinema parrocchiale vicino a casa o nelle arene estive al mare, durante le vacanze. Ero spesso anch’io fra quel pubblico con i pop-corn a divertirmi con questo spettacolo spesso esagerato, e noi bambini lo gradivamo, fatto di sudore, polvere, battute lapidarie, fagioli in pentola e… denti bianchissimi! A casa seguivo i telefilm di Zorro e vedevo film western più classici, americani, quando passavano in televisione, ma allora la programmazione non abbondava di film come oggi. Nel tempo sono stato anch’io, come molti della mia generazione, affascinato da molti altri generi, non ultimo certo la fantascienza. Guerre Stellari, Alien, hanno segnato un pò uno spartiacque per il genere e mi ricordo che a scuola, al Liceo Artistico, sfruttavo ogni occasione durante le ore di disegno o di modellato, per “contrabbandare” qualcosa che provenisse da quell’immaginario. Tex ha ravvivato comunque, alla grande, l’antica fiamma. Adesso, grazie anche ai DVD, riguardo spesso film western. A volte “uso” la scusa che sia per documentazione, in realtà me li gusto proprio!
Quali fumetti leggi attualmente, con quali ti identifichi maggiormente?
Andrea Venturi: A parte i fumetti Bonelli, nei quali trovo tanti dei miei autori di riferimento, e a costo di apparire nostalgico, dirò che quelli nei quali mi identifico ancora di più sono quelli che ho citato all’inizio dell’intervista, anche oggi ho un debole per loro, mi caricano di entusiasmo. A volte esce una loro ristampa e non resisto, la compro anche se ne ho già due o tre edizioni precedenti, basta che sia appena stampata meglio per diventare irrinunciabile. Comunque fra quelli più recenti seguo sempre autori come Mignola, Adam Hughes, Bernet, Boucq… mi verrebbe da dire anche Will Eisner, tanto sembrava sempre moderno.
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Andrea Venturi: Fra gli scrittori che amo di più c’è Simenon. Poi, per fare qualche nome fra i tanti, Buzzati, Philip K. Dick, Durrenmatt, Roald Dahl, Astrid Lindgren… per il buonumore mi vengono adesso in mente il Goscinny del Piccolo Nicolas con le illustrazioni di Sempè, libri di Achille Campanile come “Vite degli uomini illustri”…
Sicuramente in seguito me ne verranno in mente tanti altri e mi chiederò perchè mai non li ho detti. Cinema… non mi stanco mai di rivedere i film di Tati, Wilder, Hitchcock, Kubrick, Monicelli, Melville, Becker, Germi, Scorsese… e tanti, tanti altri. Ovviamente il nome di ognuno di questi registi richiama una galassia di talenti, fra attori, sceneggiatori, scenografi, musicisti… Anche a proposito della musica, non so da che parte cominciare, quindi dirò qualche nome in ordine sparso… Quincy Jones, Al Jarreau, Earth Wind & Fire, Jobim, Thielemans, Bacharach, Lelio Luttazzi, Buscaglione… legata poi alla passione per il cinema, c’è una discreta collezione di colonne sonore con nomi quindi come quelli di John Barry, Jerry Goldsmith, Lalo Schifrin, Morricone, Trovajoli, Mancini, Herrmann…
Caro Andrea, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Andrea Venturi: Grazie a voi perchè sentirsi rivolgere queste domande, questo vostro gentile segno di interesse nei miei confronti, è stato molto lusinghiero.
(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)
Impressionante ilustração de Claudio Villa que retrata o preciso instante em que Tex Willer, o Major Harold Martin e os seus Marines vislubram no coração da selva cruel, pendurado numa árvore e com o peito cravado de flechas, o corpo inerte de Slater, vitimado por um feroz ataque dos selvagens índios Guaymi, investida essa que fez ainda muitas outras vítimas na expedição científico-militar no isto do Panamá.
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Il solitario del West” de Guido Nolitta e Giovanni Ticci (Tex italiano #250 a #252).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)
Texto de José Carlos Francisco