As Leituras do Pedro: Tex #500 – Os demónios da noite

As Leituras do Pedro*

Tex #500
Os demónios da noite
Boselli
(argumento)
Ticci (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Junho de 2011)
135 x 176 mm, 114 p., cor, brochada, revista mensal
R$ 11,90; 6,00 €

Só quem coleccionou revistas de banda desenhada conhece o sabor, o encanto e a expectativa que provocavam os números especiais. Que podiam ter formato diferente, mais páginas, novos heróis ou páginas a cores (no caso de revistas a preto e branco). Como acontece neste Tex #500.

E que surgiam em datas especiais – aniversário da revista, Natal… – ou em numerações redondas. Como acontece neste Tex #500.

Para quem comprava, lia e coleccionava as revistas, era sempre especial o aproximar da data de publicação do novo número, de que aos poucos se iam conhecendo pormenores quanto ao seu conteúdo, até finalmente o encontrar nas bancas. Mais gordo, maior, como recheio diferente. Geralmente mais caro. Como acontece neste Tex #500. (Aliás, a única excepção a esta regra de que me lembro foi o Falcão #1000, que duplicou as páginas sem alterar o preço, numa verdadeira prenda aos seus leitores…)

Mas deixemos as memórias e passemos adiante, porque o tema desta crónica, afinal, é o Tex #500. Número redondo, sempre assinalável, mais ainda se pensarmos que a revista, ao longo dos anos – foram necessários mais de 41 anos para o atingir! – passou pelo catálogo de várias editoras, que foram dando sempre continuidade à numeração. Resistindo a tempos, épocas, modas, crises, revoluções, eleições e outras mudanças. Mantendo uma legião de fãs – estável mas renovada – que assegurou – sempre – as vendas necessárias para que o título continuasse mensalmente nas bancas. No Brasil, onde é editada a revista, e em Portugal, onde chega mensalmente.

Como é habitual – em Itália, nas centenas mais recentes também no Brasil – este número prima por ter as páginas coloridas. E com uma vantagem (enorme) em relação à colecção Tex Edição em Cores: tendo sido pensada de origem para a cor, não existem manchas de negro com cor “sobreposta”. Embora, há que escrevê-lo, a cor Bonelli fique uns bons furos abaixo daquilo a que estão habituados os leitores de BD franco-belga ou de comics americanos pelo que, para mim, Tex deve ser fruído a preto e branco, no belo preto e branco com que tantos grandes nomes dos fumetti no-lo têm presenteado…

Para além disso, traz como oferta aos leitores (e coleccionadores) um caderno extra que reproduz, em pequeno formato, ao ritmo de 9 capas por página, todas as capas brasileiras da revista, bem como um editorial do editor brasileiro Dorival Vitor Lopes, e dois artigos de Júlio Schneider, um sobre as capas raras do ranger e outro sobre a sua génese.

Quanto à história – que, na efeméride em causa, quase é secundária – originalmente publicada no Tex #600 italiano, narra uma ida de Tex ao Canadá, mais uma vez em auxílio do seu amigo Jim Brandon, para investigar (e enfrentar) um estranho bando – composto por seres-humanos, animais, a mistura de ambos ou seres sobrenaturais? – que tem como imagem de marca atacar na lua cheia e devorar as suas vítimas humanas… Desenvolvida de forma competente por Boselli, que mantém a dúvida no leitor durante boa parte da narrativa, conta com o traço dinâmico de Ticci, um dos autores veteranos de Tex.

A reter
– 500 números de Tex. É obra.

Curiosidade
– Para fazer a capa desta revista (invulgar no seu conceito, no conjunto do historial da publicação…), Claudio Villa inspirou-se na pose de John Wayne no poster do filme “The Searchers” (que em Portugal recebeu o título de “A Desaparecida”).

Nota pessoal
– Comecei a coleccionar o Mundo de Aventuras no nº 47, exactamente uma semana depois da publicação de um número especial, comemorativo do 25º aniversário da revista (embora a sua capa anunciasse o 26º aniversário!). Tendo descoberto o facto alguns anos depois, durante algum tempo – pelas razões que referi no início deste texto – cheguei a procurá-lo, mas em vão…

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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

As Cidades de Tex desenhadas por Fabio Civitelli, expostas no 17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu

Por José Carlos Francisco

De 10 a 21 de Setembro, integrada no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, cujo tema é “Cidades na BD“, a realizar na cidade de Viseu, ocorrerá uma exposição sobre a personagem emblemática da BD italiana de aventuras, Tex Willer, da Editora Bonelli, exposição essa que terá como tema “As Cidades do Tex” e que contará com 18 páginas com a temática relacionada às cidades do Velho Oeste e que contará também, no fim de semana inaugural, com a presença de um dos grandes nomes do seu staff, o ilustre desenhador italiano FABIO CIVITELLI, presente em Portugal pela quarta vez, irá abrilhantar ainda mais o evento! Civitelli inclusive será o homenageado estrangeiro do Salão e será agraciado com o prestigiado troféu Anim’Arte 2010.

Trata-se de um regresso de Tex Willer a Viseu, já que aquando do XV Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, em 2005, o Salão deu um grande destaque ao Ranger, devido à personagem italiana ter sido o herói homenageado em virtude da mostra ”Tex – cowboy e pistoleiro – coleccionar a BD”, dedicada ao herói de papel, onde se pôde apreciar um panorama impressionante, tanto de edições raras como de peças de “merchandising”, que faziam parte duma das maiores colecções do mundo, pertencente ao coleccionador José Carlos Francisco, de Anadia.

Tex no 15º Salão de Viseu, viu ainda uma outra exposição dedicada  a si: a exposição de pranchas de todos os desenhadores que até aquela data, tinham desenhado as edições gigantes de Tex Willer, chamadas na Itália de Texoni, nomes como José Ortiz, Joe Kubert, Guido Buzzelli, Victor de la Fuente, Magnus, Jordi Bernet, Colin Wilson e muitos outros prestigiados nomes da 9ª Arte!

Mas voltando ao evento deste ano, falemos da exposição dedicada ao Tex e do consagrado autor Fabio Civitelli:

As Cidades do Velho Oeste (Tex)

Tex Willer, a mítica personagem de Banda Desenhada criada em 1948, na Itália, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, é hoje em dia uma das personagens de western, com maior longevidade na história dos quadradinhos a nível mundial, sendo inclusive ainda publicado em diversos países e ao contrário da quase totalidade dos heróis da BD, Tex percorreu, e continua a percorrer, um caminho inverso, seja nos confrontos com o público, seja naqueles com a crítica, facto este que é ainda mais interessante. Com efeito, enquanto as personagens comuns se vão desgastando ao longo dos tempos, com Tex acontece precisamente o contrário. Obrigado devido à sua natureza a navegar entre alvos bem definidos, que são obviamente aqueles das convenções do género western, ele continua a renovar-se interiormente, mas também exteriormente.

Por um lado, a Sergio Bonelli Editore está a nível editorial a proceder desde há alguns anos a uma sistemática actualização dos seus quadros criativos, sem descurar a qualidade, seja a nível de argumentistas, seja de desenhadores, como ficou bem patente na exposição dedicada à nova vaga de desenhadores do Tex, ocorrida em 2007 no Salão de Moura. Por outro lado, a editora italiana tem-se multiplicado nos anos mais recentes na sedução aos leitores, diversificando o produto, isto é, à série canónica dos clássicos volumes mensais a preto e branco acrescentou uma infinidade de outras séries, inclusive a cores, tendo também permitido a produção de outros itens associados à personagem e tem inclusive incentivado e patrocinado um cada vez maior número de exposições, como é exemplo “As Cidade do Tex” patente no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu.

Tex vive as suas aventuras principalmente na segunda metade do século XIX tendo por base de acção a reserva Navajo situada entre o Arizona, o Novo México, o Utah e o Colorado, um território em grande parte desértico que inclui o Monument Valley, parte do Deserto Pintado e parte da Floresta Petrificada, onde o inimigo não é representado apenas pelo homem, mas também pela própria natureza dura e hostil, mas como um verdadeiro herói, Tex está sempre pronto a acorrer em socorro dos amigos, seja sobretudo nas cidades do velho Oeste, que deste modo ainda hoje habitam a nossa imaginação, com as suas peculiares cadeias, barbearias, armazéns, saloons, hotéis, ferreiros, xerifes, pistoleiros e cheias de incríveis perseguições a cavalo e de duelos, seja inclusive nas principais cidades dos Estados Unidos da América como São Francisco, Nova Iorque, Boston, Nova Orleães, Washington, ou até mesmo em cidades canadianas e mexicanas ou ainda em terras mais distantes como a Oceania.

Muitas das cidades onde Tex comparece ao longo da saga, são caracterizadas por uma “main street” (rua principal) delineada por duas filas de construções dispostas paralelamente, única barreira entre o homem e os vastos espaços desabitados que as circundavam e que se tornaram célebres como teatros de duelos sanguinários, encontros mortais e desafios infernais, mas também convém dizer que por norma os fãs de Tex podem se considerar afortunados porque os ambientes citadinos das suas histórias revelam sempre um surpreendente recheio de elementos dramáticos, em grado de oferecer um bom campo de acção a quem, como Tex Willer, tenha a vocação de reparador de injustiças e é impossível não recordar também as histórias de Tex acontecidas em inquietantes e melancólicas “ghost towns”, pequenas cidades “fantasmas”, nascidas nas vizinhanças de minas no decurso de poucos meses e depois entretanto rapidamente abandonadas quando a veia aurífera se esgotava ou se tornava uma trágica ilusão, ou nos pitorescos e misteriosos pueblos, aldeias índias construídas com pedras e tijolos de barro, no flanco de uma montanha, ou ainda nas perigosas e inacessíveis robber towns, inteiramente geridas por bandos de ladrões, assassinos e criminosos de todos os tipos, mas também nas fantásticas e improváveis cidades “esquecidas pelo tempo”, habitadas por comunidades de espanhóis, vikings, egípcios, astecas ou russos.

Cenários esses que podem ser admirados na exposição integrada no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, intitulada “As Cidades do Tex” e que contará com a presença de um dos mais renomados e admirados desenhadores citadinos de Tex Willer: Fabio Civitelli.

FABIO CIVITELLI

Fabio Civitelli nasceu a 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo, Itália. Desde tenra idade mostrou uma grande aptidão para o desenho e com apenas 19 anos começou a colaborar com o StudiOriga, desenhando diversas personagens para a Edifumetto, com destaque para Lady Dust por ter sido o seu primeiro trabalho no âmbito da BD.
Em 1977, com o pseudónimo Pablo de Almaviva, inicia a sua colaboração com a Editora Universo, desenhando para as revistas Il Monello e L’Intrepido. Dois anos mais tarde, ainda para a Universo, desenha Doctor Salomon nas páginas da revista Blitz, desenhando também o Homem-Aranha e o Quarteto Fantástico para a revista SuperGulp. Nesse mesmo ano, 1979, começa a desenhar Mister No para a Sergio Bonelli Editore, série onde realiza uma mão-cheia de histórias, até que em 1984 é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje com um estilo caracterizado por um grande cuidado nos mínimos detalhes, por um hábil uso do preto e branco e pelo extremo asseio do seu traço, sendo a sua versão de Tex, uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo, moderna e cativante.

E já agora, segue-se a lista de todas as histórias de Tex realizadas por Fabio Civitelli nos mais de 25 anos de carreira a desenhar o Ranger (a castanho estão assinaladas as histórias que terão páginas expostas no Salão de Viseu):

Itália – 1985 – Tex nº 293 a 295
Título da história: I due killers – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1986 – Tex nº 199, 201 e 202 – Os Dois Killers

Brasil – 2002 – Tex Ouro nº 2 – Os Dois Assassinos
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Itália – 1986 – Tex nº 304 a 307
Título da história: Omicidio a Corpus Christi – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1987 – Tex nº 211 a 213 – A Taberna do Porto
Brasil – 2003 – Tex Ouro nº 6 – Os Conspiradores
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Itália – 1987 – Tex nº 319 a 321
Título da história: Pista di morte – Fabio Civitelli/Gianluigi Bonelli
Brasil – 1988 – Tex nº 227 e 228 – Na Piste de El Lobo
Brasil – 2004 – Tex Ouro nº 12 – A Fronteira do Gado
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Itália – 1987 – Tex nº 323
Título da história: La città corrotta – Fabio Civitelli/Gianluigi Bonelli
Brasil – 1991 – Tex Edição Especial Colorida nº 2 – A Cidade Corrompida
Brasil – 2008 – Almanaque Tex nº 34 – A Cidade Corrompida
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Itália
– 1989 – Tex nº 346 a 349
Título da história: Gli spiriti della notte– Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1991 – Tex nº 256 a 259 – Os Espíritos da Noite
Brasil – 2005 – Tex Ouro nº 20 – A Volta de Zhenda
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Itália – 1991 – Tex nº 367 a 369
Título da história: Agguato nella miniera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1992 – Tex nº 277 a 279 – Emboscada na Mina
Brasil – 2007 -Tex Ouro nº 29 – Revolta em Chihuahua
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Itália – 1993 – Tex nº 393 a 395
Título da história: Intrigo a Santa Fe – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1995 – Tex nº 304 a 306 – Intriga em Santa Fé
Brasil – 2006 -Tex Especial de Férias nº 5 – Intriga em Santa Fé
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Itália – 1995 – Tex nº 414 a 416
Título da história: Missione a Boston– Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1997 – Tex nº 326 a 328 – Missão em Boston
Brasil – 2010 -Tex Ouro nº 48 – Missão em Boston
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Itália – 1997 – Tex nº 443 a 445
Título da história: Il ritorno della Tigre Nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 1999 – Tex nº 356 a 359 – O Retorno do Tigre Negro
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Itália – 1998 – Specchio nº 119
Título da história: Il duello (a cores) – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2005 – Seleção Tex e Aventureiros nº 3 – O Duelo (a cores)
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Itália – 2000 – Tex nº 475 a 477
Título da história: Il pressagio– Fabio Civitelli/Claudio Nizzi

Brasil
– 2002 – Tex nº 390 a 393 – O Presságio
Brasil – 2010 – Tex Especial Civitelli – O Presságio
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Itália – 2001 – Tex nº 493
Título da história: La morte nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2002 – Almanaque Tex nº 15 – A Morte Negra
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Itália – 2003 – Tex nº 511 e 512
Título da história: Ritorno a Culver City – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2005 – Almanaque Tex nº 25 – Retorno a Culver City
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Itália – 2005 – Almanacco del West 2005
Título da história: Il fuggitivo – Rossano Rossi e Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2005 – Almanaque Tex nº 27 – O Fugitivo
Nota: Civitelli auxiliou Rossano Rossi nos desenhos desta história.
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Itália – 2005 – Tex nº 536 e 537
Título da história: Tumak l’inesorabile – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2006 -Tex nº 442 e 443 – Tumak, o Implacável
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Itália – 2006 – Tex nº 554 e 555
Título da história: La banda dei tre – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2007 e 2008 -Tex nº 458 e 459 – O Trio Mortal
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Itália – 2008 – Tex nº 575
Título da história: Sul sentiero dei ricordi (a cores) – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Brasil – 2008 -Tex Especial 60 anos – Na Trilha das Recordações (a cores)
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Itália – 2009 – Tex nº 585 e 586
Título da história: La grande sete – Fabio Civitelli/Gianfranco Manfredi
Brasil – 2010 – Tex nº 487 e 488 – A Grande Sede
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Com todos estes atractivos poderemos dizer sem medo de errar que esta é mais uma grande e especial manifestação dedicada a Tex em Portugal, por isso caro amante da 9ª. Arte, não deixe de comparecer em Viseu durante os dias 10 a 21 de Setembro e veja com os seus próprios olhos um pouco mais do Mundo de Tex Willer!!!!
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“Patagónia” de Boselli & Frisenda é notícia no jornal diário “As Beiras”: 3 de Setembro de 2011

Texto do jornal Diário “As Beiras“, de 3 de Setembro de 2011
João Miguel Lameiras

TEX NA PATAGÓNIA

Mais uma vez, a série “Tex”, verdadeiro fenómeno de popularidade em Itália, volta a ser objecto de referência nesta coluna, por via de um novo “Texone”, edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, que a Mythos Editora fez chegar aos quiosques portugueses na passada semana.

No caso deste “Tex Gigante” nº 23, escrito por Mauro Boselli e ilustrado pelo italiano Pasquale Frisenda, Tex e o seu filho Kit viajam até à Patagónia, nos confins da Argentina, para mediar um conflito entre o exército argentino e as tribos locais, naquela que é, de muito longe, a melhor história de Tex que já li. Larga e justamente premiado em Itália, este “Patagónia” alia o exotismo de um cenário pouco habitual para um Western, como as Pampas argentinas, a um argumento muito bem construído por Mauro Boselli, o criador da série “Dampyr”, também já referida nesta coluna. Uma história movimentada e cheia de acção, que aborda com realismo o genocídio das tribos índias, protagonizada por personagens caracterizadas com profundidade (a esse nível, a excepção acaba por ser o próprio Tex…), com destaque para o Coronel Ricardo Mendoza, um militar dividido entre a honra e o dever, cuja personalidade vai evoluindo ao longo da história.


Outro ponto muito forte deste “Patagónia” é o excelente trabalho de sombras de Frisenda, desenhador habitual da série “Mágico Vento”, que se revela aqui um verdadeiro mestre do preto e branco. Sem ser um virtuoso do desenho, Frisenda é um bom desenhador em geral e mesmo muito bom em termos narrativos e de planificação: veja-se a cena inicial do ataque dos índios Tehuelches a Três Arroyos, ou o sangrento combate final no desfiladeiro.

Para quem nunca leu uma história de Tex, este “Patagónia” pode ser um óptimo ponto de partida, pela grande qualidade da história e eficácia dos desenhos (ao contrário do que é habitual nestes “Texones”, onde o ênfase maior é geralmente para o trabalho superlativo do desenhador convidado, ao serviço de um argumento que muitas vezes é apenas funcional). Além disso, estas edições gigantes têm uma óptima relação qualidade/preço, com uma história de 242 páginas em grande formato, por apenas nove euros, a justificar bem o trabalho de procurar este “Tex: Patagónia” no meio das revistas e das colecções de livros e DVDs que invadem os quiosques nacionais, deixando um espaço cada vez mais reduzido para a Banda Desenhada.

(“Tex Gigante nº 23: Patagónia”, de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, Mythos Editora, 242 pags, 9,00 €)

Copyright: © 2011 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD, autor do blogue Por um punhado de imagens (Versão aumentada do texto publicado no Jornal As Beiras de 3 de Setembro de 2011, para publicação na Internet)

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Programação completa de Tex Willer em 2012 (na Itália)

Por Carlo Monni

À luz das últimas novidades já divulgadas aqui mesmo no blogue do Tex, mostro de seguida a programação editorial dedicada a Tex, pela Sergio Bonelli Editore em 2012, baseada nas informações que eu possuo.

2012

JANEIRO

Tex n° 615: “Mondego“
Boselli & Leomacs

Argumento: Uma clássica aventura western, que tem como tema central a ferrovia e que tem como ambiente, um luxuosissimo vagão muito similar àquele leoniano de “Era uma vez no Oeste” e um crepuscular cemitério mexicano, onde repousa um certo… Xavier Mondego!

Almanacco del West 2012: “Título desconhecido“
Faraci & Suarez

Argumento: Nenhuma informação disponível sobre o argumento e roteiro desta história.
Ou em alternativa:
Almanacco del West 2012: “Medicine Show“
Faraci & Danubio

Argumento: Esta história que verá Tex a solo, gira em torno de um vendedor ambulante de remédios milagrosos.

FEVEREIRO e MARÇO

Tex n° 616/617: “Diluvio di piombo“
Faraci & Raul e Gianluca Cestaro

Argumento: Ambientação tipicamente western e que terá como antagonistas, brutos focinhos, refugiados num dos locais entre os mais clássicos, um velho pueblo abandonado, como tantos vistos até agora em Tex.

ABRIL e MAIO

Tex n° 618/619: “Título desconhecido“
Ruju & Font
Argumento: Nenhuma informação disponível a não ser que a história desenrola-se em meio aos Apaches onde agirão Tex e Carson.

JUNHO

Tex n° 620: “Título desconhecido“
Boselli & Garcia Seijas

Argumento: Uma clássica aventura western cheia de acção. História muito única a nível narrativo, assim como pelo número de personagens envolvidas, incluindo todos os 4 pards.

Texone n° 27: “La cavalcata del Morto”
Boselli & Civitelli

Argumento: Uma maldição… um misterioso fantasma sem cabeça está  a levar a cabo uma horrível vingança contra aqueles que o mataram há vinte anos atrás. Tex e os seus pards, ajudados por El Morisco tentam pará-lo a todo o custo.

JULHO

Tex n° 621: “Título desconhecido”
Boselli & Garcia Seijas

Argumento:
Uma clássica aventura western cheia de acção. História muito nica a nível narrativo, assim como pelo número de personagens envolvidas, incluindo todos os 4 pards.

AGOSTO

Tex n° 622: “Título desconhecido”
Boselli & Garcia Seijas

Argumento:
Uma clássica aventura western cheia de acção. História muito nica a nível narrativo, assim como pelo número de personagens envolvidas, incluindo todos os 4 pards.

Tex Color n° 2: “Título desconhecido“
Ruju & Cossu

Argumento: Nenhuma informação disponível sobre o argumento e roteiro desta história.

SETEMBRO

Tex n° 623: “Título desconhecido“
Faraci & Del Vecchio

Argumento: Nenhuma informação disponível sobre o argumento desta história.

OUTUBRO

Tex n° 624: “Título desconhecido”
Faraci & Del Vecchio
Argumento: Nenhuma informação disponível sobre o argumento desta história.

Maxi Tex n° 16 “La legge di Starkey”
Faraci & Repetto

Argumento: Um xerife de métodos duros, Starkey, domina uma cidade. Tex a solo.

NOVEMBRO e DEZEMBRO

Tex n° 625/626: “Inferno bianco“
Nizzi & Filippucci

Argumento: Uma aventura ambientada nos esplêndidos cenários das Montanhas Rochosas, nas neves dos montes San Juan, no Colorado. Entre os coadjuvantes, os índios Utes.
Ou em alternativa:
Tex n° 625/626: “Título desconhecido“
Boselli & Frisenda
Argumento: Um western mais ou menos clássico, com os 4 pards e um coadjuvante histórico da série, criado por G. L. Bonelli.

Como sempre, alguns comentários pessoais:

1) No elaborar a programação dei prioridade às histórias já terminadas ou que ficarão concluídas ainda em 2011. Obviamente nada invalida que a SBE não queira seguir esta ordem cronológica.

2) Para o Almanacco 2012 dei preferência à história de Suarez em respeito à regra não escrita (e portanto não férrea) que diz que na mesma série não se deve publicar duas histórias seguidas do mesmo desenhador. Nada impede, no entanto, que a prioridade seja dada à história de Danúbio, que por sua vez já a terminou (tendo tido a honra de ver as suas páginas revisadas por um director de excepção: Fabio Civitelli).

3) O Color Tex, agora parece certo, será aquele de Ruju & Cossu, depois da desistência de Freghieri.

4) Se realmente, como dizem as mais recentes fontes (o próprio Pasquale Frisenda via Facebook) Frisenda começou recentemente a desenhar o segundo álbum da sua história, permiti-me inserí-lo somente no fim do ano como alternativa.

5) Se não fiz mal as contas, nas 10 histórias a publicar em 2012, quatro serão de Tito Faraci, três ou quatro de Mauro Boselli, duas de Pasquale Ruju e Claudio Nizzi eventualmente terá uma história publicada. Finalmente Faraci entra, por assim dizer, “em regime estável”.

6) Vista a provável publicação neste Outono do famigerado Tex Gigante desenhado por Ernesto Garcia Seijas, 2012 poderá trazer então a publicação da última história de Claudio Nizzi.

Para concluir, uma novidade verdadeiramente especial:.

Mostramos de seguida um particular de duas vinhetas da primeira página desenhada (esta semana) por Claudio Villa após quatro anos e meio a realizar somente capas:

Claudio Villa retoma a sua história, após 4 anos e meio de paragem

Claudio Villa confidenciou que estava emocionado e que após retomar a história ficou muito contente! “Não recordava como era maravilhoso desenhar seis vinhetas… a página 95 está concluída.” As vinhetas da imagem que mostramos acima foram desenhadas esta semana, mas na página 95 Villa já tinha desenhado em 2007 uma outra vinheta (a última realizada há mais de 4 anos e onde a história “parou”), mas “Não me agradou agora e preferi refazê-la. Contas feitas ficou melhor.” Quanto ao retomar da história, Villa disse “Pensava que seria pior, no sentido da ferrugem ganha entretanto :-)”

À pergunta “Quanto tempo gastou a desenhar a – famosa – página 95 a lápis e depois a finalizá-la com tinta da china e qual a velocidade média que pensa conseguir agora desenhar a cada mês“, Claudio Villa respondeu: “Eu desenhei-a na tarde anterior ao dia inteiro que gastei para finalizá-la, embora tendo feito várias ´pausas´, pausas essas em que fiquei absorvido pelas ilustrações de Tex Nuova Ristampa em que estou a trabalhar contemporaneamente. com relação à velocidade, propus-me no início desta história de ´enxugar´ um pouco o meu estilo para torná-lo mais ágil e veloz… verei “em pista” como vai evoluir este ´desejo´“.

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Fabio CIVITELLI nas vestes de (conceituado) fotógrafo

Por José Carlos Francisco

Fabio Civitelli nas vestes de fotógrafo – Beja 2010

Fabio Civitelli, o consagrado desenhador de Tex Willer que por três vezes compareceu em Portugal devido a eventos relacionados a Tex ocorridos no nosso país e que em Setembro regressa novamente a este pequeno, mas belo país à beira-mar plantado, para ser o autor convidado do 17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, evento onde comparecerá no fim de semana de 10 e 11 de Setembro próximo para inaugurar a sua exposição dedicada às Cidades do Tex, para além do desenho tem uma outra paixão que muitos ficaram estupefactos ao descobrir aqui no nosso blogue,  porque à primeira vista parecia ser incompatível com a sua profissão devido a alguns riscos inerentes a essa paixão.

Estamos a falar de um desporto chamado em Portugal de BTT, que significa Bicicleta Todo o Terreno, e que internacionalmente é denominado de Mountain Bike, inclusive no Brasil onde também eventualmente é chamado de Ciclismo de Montanha ou Mountain Biking e comummente abreviado como MTB, mas Civitex, o nome “artístico” de Fabio Civitelli nessa modalidade que exige muita adrenalina, como todos puderam ver no vídeo que divulgamos em Janeiro deste mesmo ano, tem uma outra grande paixão completamente antagónica a esta: a fotografia.

Cartaz da Mostra fotográfica de Fabio Civitelli – “Luoghi Comuni”

Hoje aqui no blogue do Tex, vamos dar a conhecer Fabio Civitelli nas suas vestes menos famosas, mas igualmente empenhadas e apreciadas de fotógrafo amador, mas já com renome, tendo inclusive Fabio Civitelli sido convidado para expor as suas fotografias em mostras colectivas, mas também já tendo tido a honra de ter uma mostra individual, onde expõe as fotografias inusitadas que vai tirando, algumas das quais em Portugal. Tanto é assim, que Civitelli já expôs em Itália várias fotografias “made in Portugal” e está já marcada uma visita à cidade do Porto, na sexta-feira, dia 9 de Setembro para Civitelli conhecer a bela e invicta cidade nortenha, assim como fotografá-la como só ele sabe.

Composizione in bianco (Composição em branco) – Beja – 2010

Fabio Civitelli faz parte desde 1980 do Grupo Fotográfico “La Pieve” de Arezzo, sua terra natal, com o qual  expõe os seus trabalhos fotográficos na exposição colectiva que se realiza anualmente e intitulada “Itinerari” (“Itinerários”). Os mestres em quem se inspira são essencialmente Elliott Erwitt, Ralph Gibson e, entre os italianos, Luigi Ghirri. Nos anos 80 e 90 Civitelli publicou portfólios seus nas consagradas revistas Reflex, Il Fotografo e Fotopratica. Mais tarde dedicou-se exclusivamente aos projectos de pesquisa Chiaroscuro, I Colori Della Notte e Luoghi Comuni.

Pesce Fuor d’Acqua (Peixe fora d’água) – Sintra – 2008

Desta última série, que o absorve há cerca de 25 anos, ou seja, desde que começou também a desenhar Tex, nasceu a sua mais recente exposição, a primeira pessoal em todos estes anos e que decorreu entre 20 de Novembro e 5 de Dezembro de 2010, durante a Feira de Antiguidades de Arezzo. “LUOGHI COMUNI” (“Lugares Comuns“) que nas fotografias de Fabio Civitelli manifestam as contradições da paisagem urbana, sem porém intenções jornalísticas de denúncia de problemáticas sociais, típicas de uma certa fotografia dos anos setenta.

A atitude do autor é mais pessoal e reflexiva, mas nem por isso menos magnificente. Ele mostra uma sua visão do mundo inédita e inquietante, analisando os temas escolhidos não pelo seu valor estético, mas como o processo fotográfico os cristaliza e os evidencia. Na redução a duas dimensões de uma realidade tridimensional, a escolha da óptica, do momento e da perspectiva podem determinar as contradições ou as semelhanças, capazes de surpreender e de tornar enigmáticas fotografias falsamente simples.

Parvenze di vita (Sinais de vida) – Sintra – 2008

A sua abordagem às imagens seguem portanto a direcção de uma contínua busca de “desorientação” perceptual, que conduz inevitavelmente a uma relação diferente com a realidade, uma relação excêntrica e quase onírica, próxima das características da arte surrealista. A associação entre os elementos presentes no rectângulo fotográfico tendem a criar uma falsa aparência, que é um misto entre a realidade racional e irracional. O resultado produz uma fotografia que revela pouco do ambiente representado mas muito dos  processos mentais do autor, como podemos ver nas diversas fotografias que ilustram este texto, todas elas tiradas em Portugal, mais precisamente em Sintra e em Beja.

Registe-se ainda que embora trabalhando com máquinas fotográficas analógicas e películas fotográficas, Civitelli cuida ele próprio da digitalização dos negativos, imprimindo-os em formato A3 com uma impressora Canon Pro 9000 Mk 2, isto porque segundo o próprio desenhador de Tex, as fases de controle da cor e da impressão são quase tão importantes como o “disparo”.

Stargate – Sintra – 2008

Quattro a Uno (Quatro a um) – Beja – 2010

Colonna del sapere (Coluna do saber) – Beja – 2010

Mas para conhecer melhor esta faceta semi-desconhecida de Fabio Civitelli, damos a conhecer uma vídeo-entrevista realizada com o próprio desenhador aretino, onde Civitelli fala da sua paixão por este tipo de fotografias inusitadas, mas não sem antes abordar a sua profissão de desenhador de Tex:

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias, clique nas mesmas)