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Vídeo: UMA GRANDE EQUIPA… Recordando SERGIO BONELLI
Domenico Di Vitto, conceituado desenhador italiano que com o seu irmão Stefano Di Vitto, realizou várias histórias escritas por Sergio Bonelli em Mister No e que recentemente também foram os responsáveis pelo Maxi Zagor nº 15, recorda o mítico editor Sergio Bonelli con un slide show produzido 7 dias após o seu falecimento.
Trata-se de uma maravilhosa vídeo-montagem intitulada “UNA GRANDE SQUADRA…. Ricordando SERGIO BONELLI” (UMA GRANDE EQUIPA… Recordando SERGIO BONELLI) “ambientada” ao som da já famosa canção “Darkwood” da autoria de Graziano Romani.
Mas ainda a propósito do título de mais esta sentida homenagem, informamos que no funeral de Sergio Bonelli compareceram (pelo menos) os seguintes autores (em rigorosa ordem alfabética):
Argumentistas: Giancarlo Berardi, Mauro Boselli, Moreno Burattini, Alfredo Castelli, Luca Enoch, Tito Faraci, Giovanni Gualdoni, Gianfranco Manfredi, Claudio Nizzi, Mirko Perniola, Jacopo Rauch, Roberto Recchioni, Pasquale Ruju e Antonio Serra.
Desenhadores: Stefano Andreucci, Fabio Bartolini, Alessandro Baggi, Alessandro Bocci, Paolo Bisi, Andrea Cascioli, Fabio Celoni, Gianluca e Raul Cestaro, Alessandro Chiarolla, Fabio Civitelli, Roberto Diso, Domenico Di Vitto, Luca Enoch, Gallieno Ferri, Lucio Filippucci, Pasquale Frisenda, Mauro Laurenti, Marcello Mangiantini, Joevito Nuccio,Alessandro Piccinelli, Giovanni Romanini, Valentina Romeo, Michele Rubini, Gianni Sedioli, Marco Santucci, Marco Soldi, Angelo Stano, Giovanni Ticci, Marco Torricelli, Andrea Venturi, Fabio Valdambrini e Claudio Villa.
Nunca tantos e tão prestigiados autores estivem juntos num só evento… e isto diz bem da grandiosidade e de como Sergio Bonelli era estimado pelos seus colaboradores e amigos…
Evocando Sergio Bonelli, no jornal diário “As Beiras”: 1 de Outubro de 2011
Texto do jornal Diário “As Beiras“, de 1 de Outubro de 2011
João Miguel Lameiras
EVOCANDO SERGIO BONELLI
Faleceu no passado dia 26 de Setembro, em Milão, o nome mais importante da BD italiana da actualidade. Falo não de um autor, como Manara, Toppi, Liberatore, ou Giardino, mas sim de um editor, Sergio Bonelli, que soube construir um verdadeiro império editorial, que não se limita apenas à série “Tex”, criada pelo seu pai Gian Luigi Bonelli e por Galep, o seu título mais popular.
O segredo dos “fumetti” (nome dado em Itália à BD) da Bonelli, consiste em fornecer aos leitores edições baratas, em pequeno formato, com muitas páginas, lançadas a um ritmo mensal. Essa receita, que consegue aliar uma produção quase industrial, com capacidade de lançar mais de mil páginas por mês, a uma qualidade muito razoável, nasceu como reacção ao boom da TV privada nos anos 70, que veio provocar uma crise no mercado da BD. Face a uma televisão que oferecia programas gratuitos para todos os gostos, Bonelli optou por propor aos seus leitores verdadeiras novelas gráficas de quase cem páginas, capazes de prender a atenção do leitor durante uma hora, ou mais, que vivem muito da notável capacidade produtiva de uma série de argumentistas de talento, aliado a um leque mais alargado de desenhadores.
A reacção dos leitores italianos a esta nova forma de BD foi entusiástica, com algumas revistas de Bonelli a atingirem tiragens próximas do meio milhão de exemplares, para além das constantes reedições de títulos antigos, o que leva à impressionante média de 25 milhões de exemplares vendidos por ano, algo que só é possível graças a um público heterogéneo, que não se restringe aos adolescentes habituais e que engloba também quadros médios e universitários, e até intelectuais como Umberto Eco.
Embora seja um fenómeno marcadamente italiano, as séries de Bonelli também têm procurado o sucesso internacional, estando igualmente presentes nos mercados, americano (através da Dark Horse), espanhol, francês e brasileiro. E é precisamente via Brasil que nos chegaram uma série de títulos bem representativos da qualidade e diversidade dos fumetti de Bonelli, actualmente reduzidos aos Westerns “Tex”, “Mágico Vento” e “Zagor”, e ao policial “J. Kendall”, cancelados que foram títulos como “Dylan Dog”, “Martin Mystere” e “Dampyr”.
Mas o contributo de Bonelli para a BD italiana, não se fica só pelas revistas mensais que editou, que mostram que BD de qualidade não tem que ser necessariamente luxuosa e cara. Além do seu trabalho de argumentista em “Mister No”, com o pseudónimo de Guido Nolitta, dos famosos “Texones”, as edições anuais que são uma referência habitual neste espaço, assinados por nomes como Buzzelli, Magnus; Bernet, ou Joe Kubert, Sergio Bonelli promoveu projectos como a série “Un uomo, un’avventtura”, por onde passaram os maiores nomes da BD italiana, como Pratt, Manara, Crepax, Battaglia, Toppi e Buzzelli, além de ter dado a desenhadores como Victor De La Fuente, Esteban Maroto, José Ortiz, Alfonso Font ou Manfred Sommer, a possibilidade de prosseguirem uma carreira na BD de acção e aventura.
Com a morte de Bonelli, desaparece um dos últimos cultores da Banda Desenhada de aventuras de grande público. Agora resta esperar para ver se a editora que criou consegue sobreviver ao desaparecimento do seu fundador.
Copyright: © 2011 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD, autor do blogue Por um punhado de imagens
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