Antevisão Tex Gigante de 2012, escrito por Mauro Boselli e desenhado por Fabio Civitelli

O blogue português do Tex, divulga em nova antestreia na Internet mundial, 2 páginas do próximo Texone (Tex Gigante), o nº 27, a ser lançado em Julho de 2012 e cuja trama contendo 224 páginas tem o título provisório ”La cavalcata del morto“.

Argumento e roteiro de Mauro Boselli com desenhos de Fabio Civitelli e cuja história aborda uma maldição… um misterioso fantasma sem cabeça está  a levar a cabo uma horrível vingança contra aqueles que o mataram há vinte anos atrás. Tex e os seus pards, ajudados por El Morisco tentam pará-lo a todo o custo…

Agradecemos ao BDjornal na pessoa do seu editor Jorge Machado-Dias, por nos ter cedido as páginas publicadas no recente BDjornal #28 (que dá um grande destaque a Tex Willer, com nada mais nada menos do que 14 – sim, CATORZE – páginas dedicadas ao Ranger).

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Pequena homenagem aos desenhadores de Tex – Tex Willer aos 63 anos

Por Jorge Machado-Dias*[1]

José Carlos Francisco colocou ontem AQUI mesmo no blogue do Tex uma ilustração que realizei em Agosto passado, como homenagem pessoal a todos os desenhadores do Tex, para oferecer a Fabio Civitelli quando ele esteve no Salão de Viseu.

Desenho enviado para oferta a Fabio Civitelli e José Carlos Francisco

Já agora, esta coisa precisa de uma pequena explicação.

Tenho editado matéria sobre Tex desde o BDjornal #18 (Abril de 2007), com a prestimosa colaboração do incansável José Carlos Francisco e com ele vários colaboradores do próprio blogue do Tex e da editora Mythos, como Jesus Nabor e Júlio Schneider entre outros. Recordo também que já tinha havido no BDjornal #4 (Agosto 2005) uma entrevista com José Carlos Francisco, Dorival Vitor Lopes e Helcio de Carvalho, sobre a Mythos.

Contudo, nunca fui um fã de Tex Willer. E por uma razão simples: desde a infância e adolescência, nunca dei muita atenção ao western, nem na banda desenhada nem no cinema. Sempre preferi um tipo de aventura mais exótica, digamos assim, o que me fascinava mesmo (até aos 13, 14 anos) era o Tarzan, o Tim Tyler, o Sandokan – este na colecção Salgari, da Livraria Romano Torres –, o Príncipe Valente, etc… e mesmo quando lia o Cisco Kid, era quando não havia mais nada para ler.

Depois, com a revista Tintin, fiquei viciado em Corto Maltese, Astérix e Lucky Luke, este sim, o único western que sempre me interessou bastante. Mas só mais tarde é que a BD “me caiu em cima” com todo o peso da revista (A Suivre), quando dei com ela em 1979/80. Foi portanto com esta revista que se iniciou a minha verdadeira “paixão” pela banda desenhada como modo de expressão e não já como entretenimento passageiro. Passei a conhecer os autores e as suas obras e a dar outra importância à BD, a ponto de largar a pintura e optar por fazer BD e depois, a editá-la, a estudá-la, etc…

Acontece que com A Suivre descobri Jean Giraud/Gir/Moebius e com ele um western que de alguma forma me cativou um pouco, sobretudo pelo tratamento dado ao género e às personagens. Refiro-me, obviamente, ao Blueberry de Charlier e Giraud.

Versão final, depois de algumas pequenas correcções

Pode dizer-se que, com os textos e imagens sobre Tex nas páginas do BDjornal, pela mão de José Carlos Francisco, como disse acima, fui descobrindo o Tex Willer, até também pelas pesquisas que fui tendo que fazer para encontrar imagens e referências, que ilustrassem e de certo modo sustentassem os textos e embora a obra em si não me tenha entusiasmado (continuo a não ser fã do western), o que me chamou a atenção foi a produção da personagem durante sessenta e tal anos e a movimentação de autores – desenhadores e argumentistas – que a casa Bonelli arregimenta para assegurar essa produção. Isto fez com que passasse a encarar o trabalho de produção em Tex, como paradigma da própria banda desenhada. Ou seja, uma produção de cultura popular (como é a BD), que movimenta dezenas de pessoas – só na produção directa de argumentos e desenho – para assegurar um produto com uma procura mundial de milhares, se não mesmo milhões de fãs, que quase consideram Tex Willer como membro das próprias famílias.

Daí ao desejo de realizar um estudo sobre todos os desenhadores de Tex Willer, foi um passo curto, uma vez que a maioria deles nem sequer são fãs do western, mas sim grandes profissionais, para quem, o que conta é o trabalho e não, qual é o trabalho. Especialmente com a experiência que tenho com muitos desenhadores portugueses da actualidade que, seguramente, nunca iriam desenhar Tex porque… não gostam de desenhar “coboyadas”, para mais, escritas por “outros”… e quem diz Tex, diz outros temas.

Com este trabalho, além de, obviamente querer homenagear esses desenhadores, pretendo mostrar o que foi a vida destes homens, verdadeiros operários do desenho – isto sem qualquer conotação marxista, que não sou.

Deixo aqui reproduções das primeiras páginas sobre Os Desenhadores de Tex, publicadas no BDjornal #28:

Já agora, aproveito para informar os interessados que o BDjornal #28 já está à venda no Brasil, na Redwood Comics.

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*Jorge Machado-Dias, Autor – Editor de Banda Desenhada – Director do BDjornal e da BDVoyeur e também autor do blogue Kuentro.
[1] (Texto publicado originalmente no Kuentro Blog, em 4 de Dezembro de 2011)

Entrevista com o fã e coleccionador: Claudinei Pires de Campos

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Claudinei Pires de Campos: Chamo-me Claudinei Pires de Campos e nasci em 24 de Dezembro de 1963 na cidade de Santa Lúcia, residindo hoje em Américo Brasiliense (São Paulo, Brasil) há mais de 30 anos levando uma vida tranquila até certo ponto, apesar dos compromissos, junto dos meus filhos Eduardo com 14 anos e Marcelo com 23 anos e da minha esposa Márcia. Trabalho desde os meus 13 anos de idade, profissionalmente já fiz um pouco de tudo: atendedor de posto de gasolina, operador de máquinas, caldeireiro, mecânico de manutenção de linha férrea, ajustador mecânico, sendo esta a minha profissão mas no momento não estou exercendo por alguns problemas, mas nada muito sério.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Claudinei Pires de Campos: Desde sempre, sou fascinado por desenhos e ilustrações de todos os géneros, mas principalmente o western. Posso dizer que hoje sou mais um coleccionador que leitor pois ultimamente leio muito pouco, o meu maior interesse é em coleccionar as revistas visando o trabalho dos artistas, alguns são geniais ilustradores. Lembro-me que desde os meus 5 anos já rabiscava alguma coisa no caderno, hoje olhando um desenho original consigo copiá-lo com grande perfeição, meu sonho era ter sido um desenhador profissional e estar hoje na Bonelli ilustrando Tex.

Quando descobriu Tex?
Claudinei Pires de Campos: Isso aconteceu no ano de 1976, estava eu e o meu irmão em um local da cidade onde morávamos vendo funcionários de um circo desmontarem o próprio para mudança de endereço. Depois que deixaram o local observamos que no meio de alguns papéis e jornais velhos havia uma revista, peguei e vi na capa o nome Tex, a história era A Ponte Trágica, começou ali o meu interesse pelo herói. Levei a revista para casa, li, mas não entendi o final, pois faltava o começo que era a edição anterior, O Desfiladeiro da Morte, mais tarde, alguns anos depois, consegui a revista e aí sim a coisa clareou e pude entender o que tinha acontecido no final da história, isso foi o início de uma batalha sem fim indo até às bancas todos os meses à procura da personagem, quando não conseguia dinheiro com a minha mãe para comprar ficava muito chateado, mas hoje, depois de tantos anos, posso comprar tudo o que é publicado. Graças a Deus!

Porquê esta paixão por Tex?
Claudinei Pires de Campos: Tex vive em um ambiente que sempre gostei muito, o velho oeste, a paixão começa aí, acho até que em vidas passadas, eu acredito nisso, tive uma passagem por lá, as pradarias, desfiladeiros, canyons, manadas de gado, cavalos selvagens, os grandes ranchos, e as armas da época que eram magníficas. Tudo isso deixa-me encantado e quando leio as histórias de Tex e vejo as belas ilustrações, sinto-me cavalgando junto de nossos heróis, aí a paixão torna-se maior ainda.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Claudinei Pires de Campos: Um grande diferencial é o próprio western, que sempre me encantou como disse anteriormente, mas Tex com o seu carácter, onde predominam a honestidade e a justiça, principalmente com os mais ”fracos’,’ não pensa duas vezes em prestar socorro a qualquer ser humano, sempre visando o carácter das pessoas,  e quando é necessário agir e tomar atitudes duras é sempre rápido e preciso, independente de quem quer que seja. Vejo assim Tex como o herói mais justo que conheço, isso o faz diferente dos outros heróis.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Claudinei Pires de Campos: A minha colecção é bastante grande, só revistas de Tex publicadas no Brasil chega a um total de 1100, isso porque tenho todas as colecções completas: Tex, Tex Coleção, Tex Ouro, Tex Edição Histórica, Almanaque Tex, Tex Gigante, Tex Anual, Grandes Clássicos do Tex, Tex e os Aventureiros, Mini-séries, Tex Coloridos, Especiais e vários números antigos da primeira edição.
Revistas de Tex da Itália, 260 com Tex inédito, Tex Nuova Ristampa, Collezione Storica a Colori, Almanacco, Maxi e álbuns da Mondadori, somando todas 1360 revistas só de Tex. Mas como gosto muito de quadradinhos tenho também muitas revistas das outras personagens Bonelli: Ken Parker, Dylan Dog, Mágico Vento, Dampyr, Zagor, Mister No, Martin Mystère, Napoleone, Júlia e Nick Raider.
Como colecciono de tudo, e tenho vários géneros de quadradinhos, inclusive os antigos livros de bolso de western, só desses possuo 1600, somando tudo chega a um total de 5675 exemplares. Quanto à revista mais importante , apesar de haverem muitas e visando o lado de coleccionador cito duas publicadas pela Mondadori: Tex n’ell inferno verde e Terra promessa, ambas ilustradas pelo Giovanni Ticci.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Claudinei Pires de Campos: Tudo o que estiver ao meu alcance, diante da condição financeira. Tenho póster, chaveiro, marcador de páginas, mini-revistas e vários livros em italiano, apesar de não saber o idioma, e pretendo adquirir mais alguns e também algumas miniaturas das personagens quando for possível.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Claudinei Pires de Campos: Com certeza o álbum de cromos, um dos poucos objectos que não possuo, procurei por vários anos até que encontrei um em perfeito estado de conservação, completo com todas as figuras, quase fechei negócio por um preço bem camarada, mas na hora H, houve a desistência. Tentei outras vezes e nada, com certeza a pessoa ficou sabendo que tinha uma raridade nas mãos, mas não desisto, vou conseguir um.

 

Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Claudinei Pires de Campos:
Tenho várias histórias favoritas, principalmente as com argumento e roteiro de Guido Nolitta e desenhos de Giovani Ticci, mas escolhendo apenas uma fico com Flechas  Pretas Assassinas. Aprecio vários desenhadores: Giolitti, Ticci, Villa, Civitelli, Piccinelli, Frisenda, Venturi, Della Monica e Galleppini, mas este no auge de sua forma,  pois no início de sua carreira os seus desenhos não tinham qualidade; escolhendo apenas um fico com Giovanni Ticci. Argumentista também gosto de todos: G. Bonelli, Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Decio Canzio, mas o meu preferido é Guido Nolitta, vulgo Sergio Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Claudinei Pires de Campos: O que me agrada mais em Tex, como disse antes é o próprio western, a sua valentia e também ver grandes mestres dos quadradinhos ilustrando as suas histórias, sobretudo os que citei anteriormente. O que me agrada menos são as histórias ilustradas por Guglielmo Letteri, ilustrou muitas histórias, e na minha modesta opinião não é desenhador ideal para este género, é um bom desenhador, mas não de western, que me desculpem os seus fãs.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Claudinei Pires de Campos: Puxa vida, nessa pergunta não sei bem o que responder… eu acho que Tex é o ícone que é porque é verdadeiro sempre, exacto em tudo o que faz, “perfeito “, isso fascina os leitores que o conhecem e também porque quando G. L. Bonelli o criou foi iluminado por Deus.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Claudinei Pires de Campos: Infelizmente não, a cidade onde moro é pequena e conheço apenas um amigo que lê Tex, mais dois na cidade vizinha, trocamos algumas ideias de vez em quando sobre novidades, lançamentos ou até fazemos algumas trocas de revistas, mas é só. Pretendo ainda ir em algum encontro de coleccionadores num futuro próximo.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Claudinei Pires de Campos: Apesar da tecnologia estar dominando o planeta e os jovens estarem voltados mais para os jogos de vídeo ou a própria Internet, vejo sempre com muito optimismo, não me permito pensar que um dia o nosso herói possa ser cancelado e deixe de ir às bancas brasileiras, portuguesas, italianas e outras mundo afora. Mas com a chegada das cores, e espero que fiquem, a tendência é que ainda veremos os quatro justiceiros muitos anos em acção, pois vai ser muito bom termos essas histórias coloridas.
Vida “eterna” a Tex e seus pards.

Prezado pard Claudinei Pires de Campos, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Jorge Machado-Dias homenageia todos os desenhadores de Tex fazendo um Tex sessentão

Jorge Machado-Dias, autor, editor de Banda Desenhada, director do BDjornal e da BDVoyeur e também designer gráfico aproveitando a presença de Fabio Civitelli no 17º Salão Internacional de Banda desenhada de Viseu, onde foi galardoado com o Troféu Anim’Arte 2010, resolveu brindar o consagrado desenhador italiano com uma sua fantástica ilustração onde pretendia homenagear todos os desenhadores de Tex Willer ao longo da saga de 63 anos e para isso, nada melhor do que desenhar o Ranger precisamente com a bonita idade de 63 anos como podemos ver de seguida:

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