Jean Giraud, “pai” do tenente Blueberry, conhecido como Moebius, morre aos 73 anos

Por José Carlos Francisco

Jean Giraud (8 de Maio de 1938 – 10 de Março de 2012)

Faleceu hoje, sábado, dia 10 de Março de 2012, com 73 anos de idade, o consagrado desenhador e argumentista francês de banda desenhada que Sergio Bonelli tantas e tantas vezes cortejou (infelizmente sem êxito) para desenhar um Tex Gigante: Jean Giraud (também conhecido pelos pseudónimos de Moebius e Gir) criador do tenente Blueberry em colaboração com Jean-Michel Charlier.

Jean Giraud (um fã confesso de Fabio Civitelli, tendo inclusive desenhado um belo Tex para o desenhador italiano em 2008, naquele que é um dos mais especiais originais que Fabio Civitelli já recebeu e que mostramos um pouco mais abaixo) faleceu vítima de doença prolongada, segundo a sua esposa confidenciou há alguns minutos à rádio francesa Europe 1.

Sentados, da esquerda para a direita – Blueberry, Tex, Jean Giraud e Carson, em pé François Corteggiani, numa Arte de Emanuele Barison

Jean Henri Gaston Giraud foi um dos principais cartoonistas franceses, tendo também alcançado a fama no Japão e nos Estados Unidos. Nascido em Nogent-sur-Marne, a este de Paris, a 8 Maio de 1938, após uma infância a desenhar índios e cowboys e formação na Escola de Artes Aplicadas, começou como ilustrador para publicitários e para a indústria da moda antes de se dedicar à banda desenhada (começou a publicar os seus primeiros desenhos aos 18 anos, para trabalhos de publicidade e moda, antes de começar a colaborar com nomes conhecidos. Ao regressar da guerra da Argélia, publica uma série western na revista Spirou, depois na Pilote, e lança também as aventuras do tenente Blueberry, que lhe irão dar celebridade).

Tenente Blueberry e Tex desenhados por Colin Wilson

Jean Giraud ficou conhecido sobretudo com a criação do Tenente Blueberry, personagem do qual  lançou 28 volumes e adoptou o pseudónimo Moebius para ilustrações em revistas e livros de ficção científica. Para além de ter publicado o seu trabalho em várias revistas francesas, Moebius trabalhou ainda com artistas japoneses de manga e co-produziu uma aventura do super-herói norte-americano O Surfista Prateado com Stan Lee, pai de grande parte das criações da Marvel, além de ter trabalhado com Ridley Scott na criação gráfica do filme “Alien”.

Nomeado Melhor Artista Gráfico da França nos anos 1990, Moebius tinha a insígnia das Artes e das Letras que recebeu do então presidente François Mitterrand em 1985 e teve os seus trabalhos expostos em vários países. Em 2010, a Fundação Cartier realizou uma grande retrospectiva da sua obra.

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Entrevista com o fã e coleccionador: Altair Santos

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Altair Santos: Eu chamo-me Altair Santos, nasci em Serra dos Carajás no Pará, Brasil, em 26 de Agosto de 1988.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Altair Santos: Quando eu ainda tinha 13 anos, peguei uma revista do Tex que  estava no sofá e comecei a ler e até hoje tenho esse costume.

Quando descobriu Tex?
Altair Santos: Quando eu era criança, apenas folheava as revistas do meu pai, só gostava dos desenhos das capas e nada mais.

Porquê esta paixão por Tex?
Altair Santos: Porque os roteiros são muito bons e eu reparei que as histórias têm um pouco de tudo e são baseadas também em alguns factos reais, tais como: uma droga da China chamada ópio, as guerras civis dos Estados Unidos, e eu gostei da criatividade dos escritores e desenhadores.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Altair Santos: Ele difere na capacidade de criar ideias para resolver situações, apesar dele não ter poderes, Tex é muito determinado e imbatível, mas não deixa de apresentar a sua honestidade.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Altair Santos: Um pouco mais de 200 revistas, eu valorizo mais as antigas, que têm as melhores histórias.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Altair Santos: Para além de Tex, eu também gosto muito de livros, tenho vários.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Altair Santos: Somente as revistas da colecção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Altair Santos: É a história “São Francisco” que foi publicada nas edições nº 98 e 99 da série normal e em Tex Coleção nº 206 a 208. Depois de Galep e G. L. Bonelli eu aprecio muito os desenhadores Fabio Civitelli e Claudio Villa e o argumentista Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Altair Santos: Agradam-me mais as partes de acção e violência contra os vilões. Não me agradam nada as apresentações de palavrões e outros nomes inadequados que não deveriam existir em uma revista muito vendida e querida.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Altair Santos: São os mais de 60 anos de aventuras e criatividade.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Altair Santos: Eu gosto de comunicar-me com outros leitores de Tex, mas não é costume, é raridade, infelizmente.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Altair Santos: Com muitas surpresas e histórias mais avançadas.

Prezado pard Altair Santos, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex Willer por Gilberto Queiroz

Por José Carlos Francisco

De Gilberto Queiroz, um apaixonado por banda desenhada que tem actualmente 47 anos e que cresceu lendo Disney, Tarzan, os super-heróis Marvel e DC, e claro, Tex, recebemos uma belíssima ilustração homenageando o nosso Ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, em 1948.

Na verdade, Gilberto Queiroz era um leitor inconstante, mais ligado no desenho que nas histórias. Ao pegar uma revista, folheava tanto, admirando a arte, que, quando ia realmente ler, já havia perdido um pouco do mistério da descoberta do roteiro. Hoje, Gilberto Queiroz já corrigiu esse mau hábito, tentando apreciar cada aventura página a página, e, só depois de tudo, as pausas devidas para apreciação da arte.

Gilberto Queiroz confidenciou-nos ainda que “As revistas da editora Bonelli são as mais interessantes para quem gosta de desenho. O estilo mais clássico seguido por muitos autores, nomeadamente os de Tex, proporcionam muitos momentos de análise e aprendizado. Gosto muito do Ticci, do Civitelli e do Marcello“.

Mas para quem quiser conhecer melhor este fã e admirador de Tex, recomendamos uma visita ao seu blogue de desenho:  http://www.gilbertoqueiroz.blogspot.com/ e claro que visitas e comentários são sempre apreciados por parte de Gilberto Queiroz.