Póster Tex Nuova Ristampa 178

Póster Tex Nuova Ristampa 178

Nesta ilustração cheia de suspense, da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer preparado para um duelo na “main street” (rua principal) de Bannock, uma das muitas inquietantes e melancólicas “ghost towns”, pequenas cidades “fantasma” que abundavam no velho Oeste.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex #364 e  inspirado na história “Il passato di Carson” de Mauro Boselli e Carlo Marcello (Tex italiano #407 a #409).
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Texto de José Carlos Francisco

O jogo do Tex

Por Anthony Steffen[1]

O jogo inspirado na personagem Tex Willer foi posto à venda na Itália em 1975 pela Clementoni. É um produto que hoje tem um valor de mercado elevado tendo em conta os pouquíssimos ainda em circulação na Itália para além da fama e notoriedade da personagem da editora Bonelli.

Eu que estou sempre à procura de raridades texianas, tive a sorte de encontrá-lo e comprá-lo por um preço que defini-lo como sendo um “bom negócio” seria um pouco redutivo. De facto, se for encontrado completo e em boas condições o preço pode rondar os 200 Euros, sendo provável que com o passar dos anos o preço aumente ainda mais.

A caixa do jogo mede 56 cm de largura por 37 cm de comprimento. O desenho é naturalmente obra de Aurelio Galleppini, que recupera uma parte de uma sua capa da série regular, mais precisamente a edição “Sunset Ranch” publicada pela primeira vez em 1973.

Mas se olharmos atentamente e confrontarmos alguns detalhes do desenho do rosto de Tex no jogo com o mesmo Tex da capa da revista, para além de uma colorização diferente, vislumbramos que existem algumas pequenas diferenças:

Na verdade, a face do Tex da esquerda (jogo) é ligeiramente diferente comparativamente com a da direita (revista). Aliás, não só isso, mas também o tamanho do chapéu sofreu alguns pequenos ajustes.

Outra pequena diferença diz respeito ao braço e à mão direita de Tex que empunha a pistola. No desenho do jogo, estão mais distante da barriga em comparação com o desenho da capa da revista. Também a pistola é diferente. O cano foi alongado como se pode ver de seguida:

Evidentemente Galep ou Sergio Bonelli quando decidiram que o Tex da capa “Sunset Ranch” funcionava bem para a capa do jogo decidiram fazer algumas pequenas modificações.

Naturalmente depois o desenhador toscano modificou o fundo adicionando as clássicas montanhas do Monument Valley e os índios montados nos cavalos.

Vamos agora ao jogo propriamente dito.

Este é um jogo de mesa tridimensional composto por um tabuleiro hexagonal para montar as reconstruções do Saloon, cabanas indígenas, montanhas e rios. Tem dois dados, dois maços, um de cartas azuis (Tex e seus pards) e outro de cartas vermelhas (índios) e 8 peças de jogo (Tex, seus pards e quatro índios). O número de jogadores pode chegar a um máximo de oito.

Sou incapaz de dizer se os desenhos dos quatro pards no baralho de cartas foram concebidos por Galep para a ocasião ou se são desenhos “reciclados” de vinhetas internas de algumas histórias.

Não me perguntem as regras do jogo porque eu não as conheço e nem sequer me interessam. Eu comprei o jogo somente por puro espírito de coleccionador. E posso garantir-vos que o jogo de Tex causa uma boa impressão nas prateleiras da minha colecção, juntamente com as outras raridades texianas que possuo.

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[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 2 de Abril de 2012)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco

Tex contra Mefisto: A saga infinita, numa nova colecção

A partir de 8 de Maio, na Itália, terá início una nova colecção, de cinco volumes mensais, que repropõe integralmente a história dos confrontos entre o Ranger e o seu mais acérrimo inimigo!
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Se é verdade que a grandeza de um herói se vê pela grandeza do seu pior inimigo, a longa e interminável luta de Tex Willer contra Mefisto assume necessariamente os contornos de uma luta entre titãs. Uma batalha que foi renovada várias vezes, no decurso dos mais de 60 anos de vida editorial do Ranger bonelliano, e que através de uma série de cinco volumes, a Mondadori reproporá integralmente a partir do próximo dia 8 de Maio, numa colecção que estará à venda nos quiosques e nas livrarias italianas. “Tex contra Mefisto“, este o título da iniciativa, vai estrear com um pequeno presente para os leitores: uma bela e apropriada caixa de papelão para armazenar ordenadamente os cinco tomos.

O primeiro destes volumes será “La gola della morte” (cuja capa, da autoria de Claudio Villa, podemos ver acima) e narra as primeiras escaramuças entre os dois eternos inimigos, originalmente ocorridas nos números 3 e 4 da colecção italiana de Tex e nos sucessivos números 39 e 40. Quando o destino os reúne pela primeira vez, Tex é ainda um fora-da-lei, alistado, pelo seu valor, no serviço secreto dos Rangers; “um rapaz inteligente”, forçado a participar contra a sua vontade, na guerra que inflama a fronteira entre o Texas e o México. Uma dupla de espiões, em suma, prontos a matar se necessário fosse para continuar a fazer o seu jogo duplo.

Após este encontro, com Lily, mas sobretudo com Steve Dickart, Tex e os leitores não terão mais notícias. Até que um dia, na página 56 da edição italiana nº 39, Mefisto faz-se novamente de vivo: tornou-se um verdadeiro mágico, e as artes sobrenaturais de que teve conhecimento servirão para vingar-se do Ranger que o tinha derrotado e humilhado alguns anos antes.

Todas estas histórias, numa das mais emocionantes séries de desafios já vividas por uma personagem e o seu principal inimigo em toda a história da banda desenhada mundial, numa verdadeira luta entre o Bem e o Mal, será então revivida no âmbito de cinco volumes propostos mensalmente pela editora Mondadori na série SuperMito (cujas capas, todas da autoria de Claudio Villa, mostramos a ilustrar este texto), volumes esses a preto e branco e que trazem então todas as oito aventuras que viram o célebre Ranger dar luta ao seu acérrimo inimigo e ao igualmente traiçoeiro filho Yama, num ciclo de histórias popularíssimas e estritamente interligadas entre si, publicadas pela primeira vez de forma contínua e em rigorosa ordem cronológica a um preço de 9,90 Euros por volume.


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As Leituras do Pedro: Tex Edição de Ouro #56/#57 – Caçadores de lobos e Do outro lado da lei

As Leituras do Pedro*

Tex Edição de Ouro #56/#57 – Caçadores de lobos/ Do outro lado da lei
Guido Nolitta (argumento)
Alberto Giolitti e Giovanni Ticci (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro/Novembro de 2011)
135×175 mm, 234 p., pb, brochado
R$ 17,90 / 9,00 €

  1. Datada de 1996, esta longa aventura de Tex (quase 500 pranchas!), de alguma forma fica na fronteira entre duas visões de um herói que ao longo de mais de 60 anos tem mantido uma indiscutível coerência, pese embora alguns ajustes – necessários e que têm ajudado a garantir a sua perenidade – introduzidos recorrentemente ao longo dos tempos para o adequar a cada uma das épocas que vai atravessando.
  2. História escrita por Guido Nolitta (pseudónimo de Sergio Bonelli) narra uma incursão do ranger no território do Canadá, por ordem do governo norte-americano, para tentar (e este verbo é um eufemismo quando se trata de uma missão de Tex) desbaratar uma quadrilha de wolfers (caçadores de peles) que dizimou uma tribo que Tex e Tigre visitavam e viciam os índios com uísque adulterado, transformando-os em assassinos.
  3. Para tal, Tex e Carson vão necessitar da ajuda de Ska-Wom-Dee, um chefe sioux, cuja tribo tem sofrido com as acções dos caçadores.
  4. O reencontro com Jim Brandon, coronel do polícia montada canadiana, a justificação da missão dos dois rangers, a aproximação ao bando de malfeitores, a vivência anónima no meio destes, o cumprimento de algumas missões ao seu serviço, o acordo com os sioux e o confronto que conduz ao desfecho final, são episódios marcantes da trama, invulgarmente desenvolvidos quando comparados com muitas das suas aventuras – o que justifica por si só a extensão desta BD.
  5. Que conta, refira-se desde já, com um desenho extremamente ágil e dinâmico, em boa parte devido utilização de sucessivas mudanças de planos e à utilização, em especial na primeira parte do relato, de vinhetas verticais e de tira dupla, pouco usuais em Tex.
  6. Relato no qual, como espectável, Nolitta apresenta o ranger como um homem determinado, apostado em cumprir os seus propósitos (praticamente) a qualquer custo, sem se importar com os meios (nem com as vítimas colaterais que sejam necessárias, como hoje se diria…) para atingir os seus fins.
  7. É por isso um Tex inflexível, frio, rápido com os revólveres, implacável com os seus adversários que, sem hesitar, semeia de cadáveres os sítios por onde passa.
  8. Só que, a par disso, o argumentista, que logo no início mostrara um Tex impotente face ao ataque dos wolfers à aldeia dos assiniboins que praticamente abre a BD, no seguimento de mais de 400 páginas a louvar e endeusar o (seu) herói, nas 3 pranchas finais volta à carga e, se não destrói a aura do ranger, no mínimo questiona a sua infalibilidade, dotando-o de uma inesperada humanidade que o relato e o seu passado de forma alguma deixavam prever…
  9. … intuindo, introduzindo, marcando – confesso que não sei definir… – uma tendência que os anos mais recentes têm aprofundado.

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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.