(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)
Tex Especial Civitelli 1- O Presságio
| Edição bem trabalhada pela Mythos | | Enredo marcante | | Viúva Alison | | Fabio Civitelli |
Para comemorar a visita do grande Fabio Civitelli ao Brasil, a Mythos Editora decidiu lançar O Presságio, história esta que o próprio Civitelli fez o argumento. O Presságio já havia sido visto na edição brasileira 390/393 (na Itália nos n° 475/477), mas desta vez a Mythos relançou a aventura como um especial.
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Na aventura, Tex é vitima de uma suja conspiração armada pelo Major Wellman e pelo feiticeiro Yanado, que em outra época viveu com os navajos. Após um grupo de navajos rebeldes atacarem e saquearem ranchos e fazendas, Tex é culpado por isso e vai até o Forte Defiance, onde depois de uma discussão com Wellman, é preso. Agora, cabe a Kit e Carson provarem a inocência tanto de Tex como dos navajos.
O “primeiro” presságio
A Mythos sabia o tamanho da responsabilidade que era transformar O Presságio (história que o próprio Civitelli considera como seu melhor trabalho já feito com o ranger) em uma edição especial e não fez feio. A editora da fogueirinha fez uma óptima matéria sobre a aventura e forneceu ao leitor informações interessantes, como o porque de Urso Veloz e Yanado odiarem Águia da Noite, em quais edições o leitor pôde ver o início dessa rivalidade e como foi que Civitelli propôs ao Nizzi sua ideia.
Junto com as informações, a Mythos enriqueceu ainda mais a matéria com belas ilustrações, entre elas alguns desenhos do próprio Fabio Civitelli, sendo um deles uma homenagem para os brasileiros: Tex andando na Avenida Paulista. Uma honra para todos os brasileiros, principalmente aos paulistanos.
Ponto para a Mythos.
Emoção até à última página
O Presságio tem todos os ingredientes necessários para entrar na galeria de melhores do nosso herói. A arte magistral de Civitelli e o impecável roteiro de Nizzi fundem-se e o resultado não é só satisfatório como também inesquecível. Ver Tex sofrer e estar à beira da morte, é algo angustiante, mas ao mesmo tempo excitante. Nesta edição, por mais que o leitor saiba que no final Tex dará a volta por cima, ele ficará apreensivo. .
Mas não é só isso. Desta vez, os holofotes não estão voltados apenas para Tex. Aqui, Kit e Carson têm uma grande importância (até mais do que Tex, talvez) na trama e são eles os responsáveis por “desatar o nó” da conspiração armada contra Águia da Noite. O lado humano de Kit Willer no momento que ele recebe a notícia da suposta morte do pai transcorre de uma forma natural, sem forçar nada, com apenas um gesto (esporeando o cavalo e indo à procura do corpo de seu pai) que valeu mais do que lágrimas ou lamentações.
A única coisa a se lamentar, mas que de forma alguma chega a ser um ponto negativo, é a actuação de Jack Tigre, que na aventura é um mero coadjuvante, beirando a ser uma personagem secundária. Embora as circunstâncias fizessem com que Tigre ficasse a maior parte da história na reserva para evitar que os navajos entrassem em confronto com os soldados, ele poderia ter uma participação mais presente na aventura. Mas isso de forma alguma arranha esta obra prima que é O Presságio.
Vai dar namoro?
Por mais que a história seja recheada de acção, surpresas e emoções, e por mais que Tex e os outros tenham tido uma de suas melhores actuações, com certeza quem roubou a cena foi Alison Sydor, ou simplesmente viúva Alison.
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Não demorou muito e logo nas primeiras páginas Alison já dava “presságios” de que iria ter uma grande importância na trama. E não deu outra. Após assistir à morte de seu sogro e de seu marido, Alison vê-se sem rumo com uma criança de mais ou menos uns oito anos de idade. Mas, por ironia de Nizzi… ops, do destino, Alison cruza o caminho de Tex, e aos poucos um sentimento especial nasce no coração da viúva. E com isso, a torcida para que o ranger mais temido do Oeste volte a amar alguém começa.
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Embora no fim das contas os dois não ficam juntos, especulações e rumores até hoje pipocam no mundo texiano. Uns afirmam que num futuro próximo Alison voltará a aparecer nas páginas de Tex, outros dizem que isso (um segundo casamento de Tex) não acontecerá, e há aqueles que até fizeram uma “novela” entre Alison e Tex.
Se Tex e Alison vão reencontrar-se, nós não sabemos, mas que a carisma da viúva Sydor conquistou os fãs do ranger, quanto a isso não há a menor dúvida.
Civitex
(ATENÇÃO: o texto a seguir é apenas um depoimento, e não uma crítica em relação a história)
. O que falar de Fabio Civitelli? Há algo no trabalho dele que mereça uma crítica? Não. Desta vez, limito-me apenas a fazer um depoimento para este grande autor texiano, que encanta os leitores com seus traços.
Lembro que a primeira história de Tex que li desenhada por Civitelli foi “Tumak, o implacável” (Tex 442). Logo de cara, percebi que os desenhos deste autor tinham algo a mais que dos outros (sem desmerecer nenhum deles, é claro). O realismo dos rostos das personagens impressionou-me de tal maneira que naquele mesmo instante já me considerei fã n° 1 de seu trabalho.
Com o passar do tempo, quanto mais eu me aprofundava no mundo do ranger, fui conhecendo mais o trabalho do autor. E hoje, cheguei à conclusão de que nós, fãs de Tex, temos um representante na equipa do ranger, pois Civitelli demonstra amor, dedicação e carinho pela personagem. Pois o que ele fez e continua fazendo até hoje por esse herói do Oeste, é algo que dispensa qualquer comentário.
Deixo aqui o meu obrigado ao Fabio e aproveito para também revelar algo a vocês: como fã também de Júlia, sonho um dia ver uma história da Dra. Kendall desenhada por este consagrado desenhador.
Conclusão:
Seja você um fã de Tex ou de Civitelli, não pode deixar de ter “O Presságio” na sua prateleira. Uma aventura onde acontece uma verdadeira “reunião” de elementos dignos de uma boa história do ranger, é inaceitável deixar essa maravilhosa edição de fora da sua colecção.
Com uma trama bem construída e personagens marcantes, O Presságio sem dúvida nenhuma é uma das melhores histórias de Tex de todos os tempos. Assim como também é um dos melhores (se não o melhor) trabalhos de Fabio Civitelli para com Tex..
Realizada no final dos anos 70, trouxe para o pequeno ecrã as aventuras dos mais célebres heróis da banda desenhada italiana..
Por Pasquale Frisenda*
No final dos anos 70 chega à televisão italiana ‘SuperGulp! I fumetti in TV‘, (SuperGulp! A banda desenhada na TV), uma criação de Guido De Maria e Giancarlo Governi [que prosseguiram o trabalho feito juntamente com Bonvi em ‘Gulp!’, a primeira, histórica transmissão do género, transmitida pela RAI a partir de 1972], um programa que apresentava, na versão de desenhos animados, as aventuras de famosas personagens da banda desenhada norte-americana, como ‘O Homem-Aranha’ e ‘O Quarteto Fantástico’, mas também heróis italianos como ‘Alan Ford’ e ‘Tex’ [este último com a versão animada da famosa história que vê o ranger empenhado contra ‘El Muerto‘, um dos seus adversários mais bem conseguidos].
Talvez fosse com base no sucesso daquela transmissão que Giorgio Bonelli pensa em realizar uma análoga, totalmente dedicada porém aos heróis publicados naqueles anos pelo seu irmão mais velho, o editor Sergio Bonelli.
Nasce então ‘Tex & company‘, um programa de “quadradinhos na TV” que leva ao pequeno ecrã algumas das mais bem conseguidas aventuras dos heróis bonellianos de então: ‘Tex’, ‘Zagor’, ‘Mister No’, ‘Ken Parker’ e ‘Il comandanteMark’, mas também alguns episódios completos da prestigiada colecção ‘Un uomo un’avventura‘.
As aventuras transmitidas em ‘Tex & company’, como aquelas das personagens italianas apresentadas em ‘SuperGulp!’, não eram verdadeiros e próprios desenhos animados, de facto seria melhor defini-los como semi-animados: as imagens eram realmente as das vinhetas das páginas das histórias, privadas de qualquer balão e montadas em sequência, para depois serem animadas apenas com os movimentos de câmara, em maneira de dar a ideia do movimento e do desenvolvimento da acção utilizando apenas imagens estáticas.
Uma técnica improvisada, claro, decididamente artesanal, mas também genial, conseguindo por vezes resultados brilhantes e um bom resultado na apreciação e compreensão das várias histórias.
Com Giorgio Bonelli, a realizar a transmissão estava também Ferruccio Alessandri, e os dois comparecem no primeiro episódio da série para explicar, brevemente, como foi feito o programa: ‘Nós simplesmente retiramos os balões e procurado enriquecer o mais possível a narração com a trilha sonora‘ disse Giorgio Bonelli e, com efeito, entre as coisas mais bem conseguidas de ‘Tex & company‘ estavam precisamente os efeitos sonoros, as sugestivas músicas e as vozes das personagens.
A trabalhar em alguns episódios da série encontramos também Mauro Boselli, um dos principais nomes no panorama dos quadradinhos italianos e hoje em dia a espinha dorsal da série ‘Tex‘.
A dobragem (dublagem, no Brasil) é confiada a hábeis profissionais da Fono Roma Milano e a realização dos episódios revela-se cara e empenhativa. O retorno obtido na transmissão é em todo o caso bom, tanto que, em pouco tempo, é produzido ‘Tex & company 2‘.
Também esta segunda série obtém um bom sucesso, embora inferior ao esperado; o programa é transmitido em diversos canais privados, mas a tentativa de fazê-lo também na RAI falha devido à miopia de alguns funcionários [também ‘SuperGulp!’ termina, depois da chegada maciça dos desenhos animados importados do Japão, já prontos, imediatamente disponíveis, mais espectaculares e, sobretudo, mais baratos].
Segue-se um elenco dos episódios realizados para ‘Tex & company‘, com alguns vídeos [poucos, infelizmente, e nem todos completos], a começar pelo tema de encerramento do programa:
‘Tex & company‘ [primeira série]:
Tex: ‘La valle della paura’ ‘Le terre dell’abisso’ ‘Tex contro Mefisto’
Un Uomo un’avventura: ‘L’uomo della legione’
‘L’uomo del Messico’
‘L’uomo del Nilo’ ‘L’uomo di Iwo-Jima’ ‘L’uomo del deserto’ ‘L’uomo di Chicago’
Mister No: ‘L’uomo della Guyana’
Zagor:
‘Zagor racconta’
‘Tex & company‘ [segunda série]:
Tex: ‘La valle della luna’ ‘Sangue navajo’ ‘Forte Apache’
Mister No: ‘Il mistero di Selva Preta’ ‘Atlantico’ :
Il comandante Mark: ‘La tigre della Martinica’:
https://youtu.be/mkQKiZ_pbGY
Ken Parker: ‘Un uomo inutile’ ‘La ballata di Pat O’Shane’ [primeira parte]:
Zagor: ‘L’isola della paura’ ‘I cacciatori di uomini’:
A Hobby & Work Publishing S.r.l. acabou de lançar recentemente na Itália una nova colecção relacionada com Tex Willer e o seu mundo, mais precisamente uma particular colecção de capas de Tex em metal. Capas rigorosamente seleccionadas entre as melhores de toda a saga e que foram pintadas à mão totalizando no final 30.
O primeiro lançamento teve um custo de 3.99€ sendo todos os restantes vendidos por 6.99€ e para valorizar esta colecção a Hobby & Work enriquece-a com imensas informações inéditas a propósito de cada capa assim como curiosidades várias sobre o mais famoso herói da banda desenhada italiana.
No lançamento de estreia tivemos a mítica capa “La mano rossa”, a primeira da série principal de Tex que em 1958 inaugurou o célebre formato “bonelliano”. Para aguçar a vontade em adquirir mais estas preciosidades texianas, o blogue do Tex divulga o vídeo da publicidade feita pela Hobby & Work Publishing S.r.l. a esta iniciativa:
(Para aproveitar a extensão completa da foto acima, clique na mesma)
Se antes do falecimento de Sergio Bonelli o nascimento das capas de Tex ocorria na sede da editora italiana, onde o próprio Sergio Bonelli depois de examinar pessoalmente a história em questão, procurava uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas, elaborava um esboço veloz que era enviado por fax, a Claudio Villa, junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três) e somente a partir daí é que Claudio Villa começava a trabalhar, preparando a cena “de capa”, já que ao contrário do que muitos pensavam, o desenhador não tinha liberdade para fazer a capa que bem entendia para a história, até porque na grande maioria das vezes, Claudio Villa não tinha acesso à história completa, hoje em dia é o próprio Claudio Villa que escolhe a cena a partir da qual faz a capa, embora com supervisão de Mauro Boseli, tendo este o poder de aprovar ou vetar a “capa” escolhida por Claudio Villa, devido a ser na actualidade o responsável máximo por Tex.
Esboço da capa de Tex #628
Tal acontecerá também com a capa do Tex #628, com lançamento previsto na Itália para 8 de Fevereiro de 2013, contendo a segunda parte de uma aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada magistralmente por Stefano Andreucci, cujo título é Una donna in ostaggio. Depois do próprio Villa seleccionar a imagem começa então a trabalhar na preparação da cena “de capa”.
Em síntese, ele precisa cuidar do enquadramento, da luz e do movimento das personagens já que segundo o próprio Claudio Villa “A capa deve contar sem revelar, deve ser legível e imediata, deve interessar e ser suficientemente dinâmica. Às vezes, falta uma cena significativa e então ela é “construída” com os elementos extraídos da história. Algumas vezes, para conseguir o melhor, chego a seis, sete esboços. É incrível de quantas maneiras se pode contar, em igualdade de situação, uma cena. E cada vez descobrir uma “temperatura” diferente, só deslocando o ponto de vista, a luz ou a disposição das personagens.“.
Inclusive as cores da capa, são da responsabilidade de Claudio Villa: “Eu dou uma “indicação” de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa. Depois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz…“.
Passando das palavras aos actos, mostramos de seguida a imagem original da capa do Tex #628, a preto e branco, seguindo-se a capa já colorida pelo próprio Villa e por fim a capa tal como ela nos vem ter às mãos. Mas o que queremos realçar é o tratamento das cores comparando a pintura original de Claudio Villa com o produto final, para mostrar que apesar de toda a sintonia, há uma grande diferença entre a colorização manual e a digital como se pode então confirmar já de seguida:
Capa original de Tex #628 a preto e branco
Capa de Tex #628 colorida por Claudio Villa
Capa de Tex #628, Una donna in ostaggio
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)