Entrevista com o fã e coleccionador: José Lúcio Andrade

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Lúcio Andrade: Nasci no querido Estado da Paraíba no nordeste do Brasil, numa pequena cidade chamada Itabaiana no já distante ano de 1969 do século passado. Lá passei uma infância inesquecível e uma adolescência feliz. Actualmente moro no vizinho Estado do Rio Grande do Norte, na capital Natal. Tenho formação académica em História e actuo na área de educação.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
José Lúcio Andrade: Comecei com as personagens Disney quando criança (8-9 anos acho). Conheci Tex lá pelos 10 anos e passei a constituir uma colecção do ranger aos 12 anos. Eram anos de muita dificuldade para se adquirir revistas. Passava semanas juntando moedas até conseguir juntar dinheiro suficiente para adquirir uma edição que era lida e relida diversas vezes.

Quando descobriu Tex?
José Lúcio Andrade: Eu tinha uns amigos (2 irmãos) que coleccionavam Tex que a tia deles trazia de outra cidade maior que a nossa, então essas revistas após serem lidas pelos irmãos passava pelas mãos de todo o grupo de amigos (cerca de uns 8 leitores – inclusive eu) e lembro, que ficávamos horas à noite debatendo sobre as histórias. Era muito bom.

Porquê esta paixão por Tex?
José Lúcio Andrade: Porque Tex é algo que se conecta com todos os momentos e etapas da minha vida, desde a infância, adolescência, juventude até hoje, muita coisa mudou no mundo e na minha vida, mas algo continua imutável , a figura do ranger a me acompanhar. Não lembro de ter passado um mês sequer durante os últimos 25 anos que não tenha lido algo do ranger. É mais que uma personagem de papel, eu considero como um amigo de muitos anos. Tex também foi importante como ponte para outras temáticas literárias que passei a apreciar depois do ranger.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
José Lúcio Andrade: Muitos são os adjectivos para Tex, entre eles eu destaco a consistência de sua cronologia (diferente dos super-heróis que vivem mudando de status-quo com frequência); o estilo de seus roteiros, escritores e desenhadores maravilhosos que sempre deram o máximo para agradar seus leitores ao redor do mundo.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Lúcio Andrade: Já possuí a colecção completa de Tex por duas vezes e já me desfiz através de trocas e vendas. Actualmente eu possuo cerca de 400 Tex´s entre normais, especiais, almanaques, gigante e italianos. Talvez o álbum mais importante de Tex para mim no momento seja o álbum gigante de capa dura da Mondadori com a história “O sinal de Cruzado”, adquirido este ano no Ebay italiano. O álbum é lindo, o tamanho fabuloso, a qualidade da impressão idem e a história é um épico inesquecível do grande e saudoso Sergio Bonelli e do não menos saudoso Galleppini. Mas Tex é só parte da minha colecção, acompanho outras personagens da SBE, além de edições especiais Marvel-DC-Vertigo e também BD europeia. Como vê, procuro acompanhar um pouco de tudo.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
José Lúcio Andrade: Eu gosto mesmo é de material impresso (livros e revistas), mas não nego, gostaria de poder adquirir algumas estatuetas daquela colecção que saiu na Itália com as personagens do mundo de Tex.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
José Lúcio Andrade: Certamente as edições italianas, com o formato e padrão Bonelli em papel de boa qualidade que valorizam a edição e a arte dos desenhadores. É realmente uma pena  a editora que publica Tex no Brasil continue lançando naquele formato pequeno tão prejudicial à arte e à leitura devido ao tamanho diminuto das letrinhas nos balões.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
José Lúcio Andrade: Poderia citar dezenas de aventuras inesquecíveis do ranger mas vou ficar nas 5 histórias e 5 desenhadores:
O bando dos Inocentes; O Passado de Carson; Sequestro nas Colinas do Vento; O Massacre de Red Hill e Missão em Great Falls.
Carlo Marcello; G. Ticci; F. Fusco; F. Civitelli e V. Monti.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Lúcio Andrade: Agrada-me quando as histórias tratam de eventos históricos e personagens que realmente existiram. O que não agrada, principalmente para um leitor das antigas como eu é o reaproveitamento de ideias e esquemas já batidos em diversas histórias, por exemplo: Tex vai cavalgando, escuta um disparo, corre para investigar e aí começa a história. Este expediente é muito usado nas histórias do ranger.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
José Lúcio Andrade: A soma de muitos factores, uma casa editorial (SBE) séria e em sintonia com seus leitores, profissionais (argumentistas e desenhadores) muito capacitados e que amam trabalhar com o ranger, um verdadeiro batalhão ao redor do mundo de leitores fiéis e sobretudo o carisma da personagem.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
José Lúcio Andrade: Não muito, mas tenho alguns amigos que lêem quadradinhos aqui na minha cidade e sempre que é possível a gente troca umas ideias.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Lúcio Andrade: Com quase 70 anos de história penso que a idade pesa nos ombros de qualquer um, inclusive de uma personagem de banda desenhada. Vai ficando cada vez mais difícil escrever algo que nunca foi visto, mas como diz o ditado: “Não há personagem ruim, há escritores ruins”.
E para nossa sorte, Tex conta actualmente com um óptimo staff de escritores, nesse sentido, respondendo à sua pergunta, acredito que o futuro do ranger está assegurado.

Prezado pard José Lúcio Andrade, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tributo aos irmãos Cestaro, por Fernando Costa (Pallino)

Fernando Costa, conhecido por Pallino nos fóruns italianos dedicados a Tex, é um fervoroso fã italiano de banda desenhada com jeito para o desenho, (conforme já podemos confirmar AQUI mesmo no blogue do Tex) e a prová-lo uma vez mais está um tributo aos irmãos (Raul & Gianluca) Cestaro realizado já em 2013, conforme se pode ver de seguida:

Tributo aos irmãos Cestaro, por Fernando Costa (Pallino)

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Falecimento de Decio Canzio, mítico director geral da SBE, editor e argumentista de Tex

Por José Carlos Francisco

Decio Canzio (27 de Outubro de 1930 – 4 de Janeiro de 2013)

DECIO CANZIO (1930-2013)

Decio Canzio, histórico director-geral da Sergio Bonelli Editor, cargo que ocupou, até 2006, por 3 décadas, nascido em Milão a 27 de Outubro de 1930, faleceu com 82 anos na manhã desta sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013.

Decio Canzio e José Carlos Francisco, em 2002

Tive o grande prazer e a grande honra de conhecer pessoalmente Decio Canzio em 2002 (e de revê-lo em 2006 e 2009) aquando da minha primeira visita à editora italiana. Canzio, verdadeiro braço direito de Sergio Bonelli até praticamente ao falecimento do editor milanês, era uma espécie de super-editor já que supervisionava todas as séries bonellianas, Tex inclusive, mas também um argumentista de alto quilate. Escreveu para Tex (quando teve que substituir temporariamente Claudio Nizzi), Zagor e Il Piccolo Ranger, para além de ter realizado também o roteiro para dois volumes da série “Un uomo un’avventura“: “L’uomo del Nilo” e “L’uomo del Messico“, ambos desenhados por Sergio Toppi.

Fernanda Martins, Decio Canzio e José Carlos Francisco, em 2006

No que a Tex diz respeito, Decio Canzio escreveu, em 1994, duas histórias, embora numa delas contando com a colaboração de Claudio Nizzi, num total de 342 páginas: L’oro di Klaatu, Tex italiano 401 a 403 (“O ouro de Klaatu“, Tex brasileiro 311 a 313) desenhada por F. Fusco e Il messaggio cifrato (em colaboração com Nizzi), Tex italiano 405 e 406 (“A mensagem cifrada“, Tex brasileiro 315 a 317), com desenhos de G. Lettèri.

Gianni Petino, José Carlos Francisco, Decio Canzio e Júlio Schneider, 2009

Canzio, uma figura de referência importante para todos na editora, era uma pessoa sempre agradabilíssima e com uma memória notável e prova disso é que quando o revi pela última vez, em Outubro de 2009,  ainda trabalhava diariamente na Sergio Bonelli Editore apesar de se ter aposentado em Dezembro de 2006. Sobre a sua importância no crescimento da Sergio Bonelli Editore a partir da metade dos anos setenta até aos nossos dias,ainda não foi escrito o suficiente, mas ela fica bem vincada nas palavras de Claudio Nizzi: “A contribuição de Canzio à editora de Sergio Bonelli foi muito mais importante do que pode ser percebido pelos leitores. Dada a sua natureza reservada, deixou sempre para Sergio as luzes da ribalta. Mas a sua contribuição diária de sugestões, ideias e propostas foi decisiva para o sucesso da Bonelli nos últimos trinta anos.“.

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Póster Tex Nuova Ristampa 197

Póster Tex Nuova Ristampa 197

Em mais uma bela ilustração da autoria de Claudio Villa podemos observar o preciso  instante em que Tex Willer surpreende, na Sala do Grande Cristal localizada no interior de uma tenebrosa galeria do Monte Rainier, o enigmático Senhor dos Gelos, um encapuçado que lidera um misterioso povo de pele escamada, os Ghundar, e que é ninguém mais do que o desaparecido cientista Steiner.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Un mondo perduto”, de G. L. Bonelli, E. Nicolò e V. Monti (Tex italiano #282 e #283).
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Texto de José Carlos Francisco