Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu)

Por José Carlos Francisco

Alfonso Font: Um desenhador que fez escola (e que estará presente no XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu)

De todos os desenhadores espanhóis aos quais Sergio Bonelli convenceu para que trabalhassem com a personagem criada pelo seu pai, Alfonso Font constituiu o caso mais inesperado; antes de mais porque não se trata de um autor com que qualquer apreciador de banda desenhada o identifique como desenhador de cowboys e pela tendência que sempre demonstrou de não trabalhar com guiões alheios.
Contudo, e de certa maneira, Font já era uma espécie de presença habitual em Tex, ante a manifesta influência que do autor catalão mostravam alguns dos desenhadores espanhóis que o precederam a laborar em Tex.

Alfonso Font Carreras nasce em Barcelona em 1946. Como a maior parte dos desenhadores da sua geração, e das anteriores, iniciou-se no mundo da banda desenhada muito jovem, e com 16 anos já trabalhava para a editora Toray, onde teve um dos seus poucos contactos com o género western anteriores ao seu trabalho em Tex, mediante a sua colaboração em alguns episódios da série Sioux. Durante a década de 70 trabalha para o mercado francês, sendo Los Robinsones de la Tierra, obra escrita por Roger Lecrueux, o seu trabalho mais difundido. Pouco depois, e já para o mercado autóctone, realiza as séries Géminis, escrita por Carlos Echeverría, e Tequila Bang, escrita por Victor Mora, esta última, obra coral realizada juntamente com Carlos Giménez e Adolfo Usero.

A partir de 1980 Font começa a escrever os seus próprios argumentos, numa sucessão de obras com cenários de ficção científica, nas quais alterna o tom dramático e a comédia: séries como Cuentos de un futuro imperfecto, El prisionero de las estrellas e Clarke & Kubrick com as quais se descobre um grande narrador para o grande público – a sua constatada qualidade como desenhador era já sobejamente conhecida por essa altura.
Alfonso abandona então o género da ficção científica para centrar-se em histórias mais contemporâneas, criando assim em 1985 Jann Polynesia, personagem a qual mais tarde rebaptizará como Rohner e é com ele que narra uma série de aventuras nos mares do Sul com um sabor deliberadamente próximo das novelas e contos de Robert Louis Stevenson e Jack London. Tal como nas narrações de ambiente fantástico, em que os roteiros assinados por Font possuíam uma forte componente de crítica social, as andanças de Rohner caracterizam-se também por conter essa mesma mensagem, por baixo do seu envoltório de aventura ou comédia.

Os géneros negro e histórico foram os que ocuparam os últimos trabalhos de Alfonso Font anteriores à sua chegada a Tex: Taxi era uma série sobre uma intrépida jornalista de investigação, enquanto que Privado era o livro de cabeceira que englobava várias histórias curtas cujo nexo de união era que nelas intervinham detectives privados e por sua vez Negras Tormentas era uma narração policial histórica, escrita por Juan Antonio de Blas – junto aos dois tomos de Alicia e os Argonautas, escritos por Patrick Cothias, uma das poucas ocasiões em que trabalhou com textos de outrem nos últimos vinte e cinco anos – e Bri D’Alban uma série desenvolvida na época medieval em território catalão. Todas elas confirmam uma sucessão de obras que nos serve para testemunhar que estamos, não só ante um excepcional narrador, mas também diante de um desenhador que fez escola, cujo nome aparece recorrentemente nas conversas de autores estrangeiros sobre a banda desenhada espanhola.

Alfonso Font começa a sua carreira em Tex com o Texone nº 12, escrito por Mauro Boselli e publicado na Itália em Julho de 1998 sendo hoje um caso peculiar no que ao Ranger diz respeito, ao ser um dos dois únicos desenhadores que trabalhou em todas as séries que Tex possui: Texone, Almanacco del West, Maxi-Tex e Tex inedito.

Gli Assassinni, título da história do seu Texone, apresenta-nos Tex e Carson atrás dos passos de uma organização secreta de assassinos, com a qual, Kit e Jack Tigre já tinham tido a má sorte de encontrá-la acidentalmente, com dolorosas consequências para ambos. A par dos protagonistas que iniciam a sua investigação para ajustar contas com os membros da dita organização, a história apresenta-nos um jovem chamado Mitch que também tem algumas contas a saldar com o mencionado grupo. Tal como sucedeu com os argumentos de Claudio Nizzi para Blasco ou De la Fuente, a história que Boselli escreveu para Font neste Texone correspondeu às características mais essenciais dos seus trabalhos: introduziu uma personagem como Mitch que goza de um protagonismo em alguns momentos equiparável ao do titular da série.

Esses mesmos parâmetros os encontramos também na sua história do Almanacco del West: La legge del deserto desenrola-se em algum lugar da fronteira entre o México e o Arizona, numa zona desértica na qual se encontra fugindo um grupo de bandidos que levavam um rapaz de curta idade como refém. Tex toma parte, junto do pai do jovem, na patrulha que perseguia o bando. Aparte das inclemências climatológicas a situação complica-se por acção de outro bando de bandidos que pretendem pôr em prática o velho ditado de ladrão que rouba ladrão… e assim ficar com o botim que transportam os primeiros. O argumento centra-se na relação entre um dos bandidos e o rapaz que levam como refém; de modo que o primeiro não hesitará em arriscar a sua vida para proteger o adolescente, ainda que não renuncie ao dinheiro por ele.

320 páginas abarca Nei territori del Nordovest, o Maxi-Tex ilustrado por Alfonso Font. A história arranca quando um cadáver aparece no interior de uma canoa, trazendo uma carta para Jim Brandon, coronel da Polícia Montada do Canadá. O coronel, depois de conhecer os factos, desaparecerá na fronteira entre o seu país e o Alasca, sem dar explicações e sem deixar rastos. Tex e Carson deverão deslocar-se em pleno Inverno ao norte para investigar o que se terá passado com o seu amigo, a quem declaram desertor e deverão enfrentar uma infinidade de perigos naturais e não só. O certo é que o volume constitui um dos trabalhos mais impressionantes dos surgidos nas revistas de Tex na última dúzia de anos. O argumento escrito por Boselli representa todo um exercício de ritmo, exercício que Font plasma em imagens de forma magistral, com sequências de acção que mostram um portento de solvência narrativa. Algo muito similar ao que Alfonso já havia levado a cabo, por exemplo, no seu Texone, que possui nas suas páginas finais uma sequência de um tiroteio ocorrido no interior de uma mansão cujo brilhantismo não se pode descrever em palavras.

Após estas três edições especiais, Alfonso Font entrou para o staff oficial de desenhadores de Tex e na série normal já viu serem publicadas várias histórias, sendo as três primeiras I lupi rossi, Colorado Belle e Morte nella nebbia.

O que mais chama a atenção na globalidade do trabalho de Font em Tex, radica que ele elabora um tratamento gráfico distinto para cada uma das suas histórias. O seu Texone realiza-o utilizando profusamente tramas mecânicas com um resultado esteticamente muito atractivo, enquanto que para a sua segunda história – que como já vimos se desenrola num deserto – abandona as tramas e realiza um desenho com muita claridade, com poucas sombras, linhas e grandes manchas de branco, o que facilita a ambientação do cenário da história e finalmente, no seu Maxi-Tex resolve-o perante grandes manchas de tinta para os sombreados, criando uns negros sólidos e contundentes que lhe dão um estilo muito pessoal à obra e que ademais contrastam poderosamente com as manchas de branco das sequências que se desenrolam na neve.

Tudo isto nos leva ao que poderíamos considerar como a contribuição essencial de Font à série de Tex e que é algo muito difícil de definir mas que poderíamos chamar de arte. Porque o que Alfonso Font contribui não é tão só um trabalho de uma qualidade lógica num autor que durante muitos anos foi uma das referências do meio. Não vamos realizar vaticínios porém estamos seguros que a verdadeira repercussão do trabalho de Alfonso Font em Tex está todavia por chegar através da influência deste nos autores que se seguirão na realização da série.

Não deixe de comparecer no SalãoBDViseu para ganhar um autógrafo desenhado por Alfonso Font

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu traz ALFONSO FONT a Portugal

Por José Carlos Francisco

*O XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, a realizar muito provavelmente em meados de Agosto próximo, trará o conceituado Mestre espanhol ALFONSO FONT a Portugal.
.
*O SalãoBDViseu 2013 para além de uma exposição pessoal de Alfonso Font, onde obviamente Tex não faltará, também contará com uma exposição de homenagem a Sergio Bonelli baseada na iniciativa do blogue português do Tex aquando do 1º aniversário do falecimento do carismático editor italiano, em Setembro passado.

XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu traz ALFONSO FONT a Portugal

Depois do inegável sucesso em 2011 no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu com a presença do consagrado desenhador italiano de Tex, Fabio Civitelli e da exposição “As Cidades do Tex“, o blogue português do Tex pode confirmar a presença do Mestre espanhol ALFONSO FONT no 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, a realizar muito provavelmente em meados de Agosto próximo e no mesmo espaço de há dois anos.

Depois dos grandes sucessos ocorridos em Portugal com as várias exposições ligadas ao Tex (Os desenhadores dos Tex Gigantes, em 2005 no Salão de Viseu; A nova vaga de desenhadores de Tex, em 2007 no Salão de Moura; Os 60 anos de Tex, em 2008 no Festival da Amadora, Os 25 anos de Fabio Civitelli a desenhar Tex, em 2010 no Festival de Beja, As Cidades do Tex, em 2011 no Salão de Viseu, a antestreia mundial do Tex Gigante”La cavalcata del morto“ e a exposição de homenagem a Sergio Bonelli, em 2012 no MAB Invicta realizado na cidade do Porto) ocorridas nos últimos anos em Portugal e que contaram com a presença de Fabio Civitelli por 5 vezes (2007 em Moura, 2008 na Amadora, 2010 em Beja, 2011 em Viseu e 2012 no Porto) e Marco Bianchini (Amadora 2008), não esquecendo também a presença de Ivo Milazzo em 2011 no Festival de Beja onde estiveram expostas páginas originais do seu Tex Gigante, uma vez mais um autor ligado a Tex Willer, mas também com um glorioso passado no mundo da BD mundial, marca presença num evento português: ALFONSO FONT.

Tex desenhado por Alfonso Font

Todos estes eventos mostram que Tex está na moda no nosso país  e provam que o Ranger continua também a arrastar muitos fãs, daí os principais eventos ligados à banda desenhada em Portugal continuarem a apostar na presença de autores ligados ao Tex e em exposições relacionadas com o mundo de Tex Willer e foi em Viseu, onde recorde-se uma vez mais, que toda a grande projecção que Tex tem no presente começou, já que a edição de 2005 deu um grande destaque ao TEX WILLER, devido à personagem italiana ter sido o herói homenageado em virtude da mostra ”Tex – cowboy e pistoleiro – coleccionar a BD”, dedicada ao herói de papel, emblemático na BD italiana de aventuras, onde se pôde apreciar um panorama impressionante, tanto de edições raras como de peças de “merchandising”, que faziam parte duma das maiores colecções do mundo, pertencente ao coleccionador José Carlos Francisco, de Anadia (mostra essa repetida dois anos mais tarde em Moura), tendo Tex tido ainda uma outra exposição dedicada  a si: A exposição de pranchas de todos os desenhadores que até aquela data, tinham desenhado as edições gigantes de Tex Willer, chamadas na Itália de Texoni, nomes como José Ortiz, Joe Kubert, Guido Buzzelli, Victor De La Fuente, Magnus, Jordi Bernet, Colin Wilson e muitos outros prestigiados mestres da nona arte que ilustraram os Tex Gigantes!

Salão de Viseu terá exposição de homenagem a Sergio Bonelli baseada na iniciativa do blogue português do Tex

No Salão deste ano, Viseu para além da presença de ALFONSO FONT e de uma sua mostra pessoal onde estarão expostas páginas de alguns dos seus trabalhos mais significativos ao longo de toda a sua carreira (Tex inclusive, obviamente), contará com ainda com uma exposição de homenagem a SERGIO BONELLI (Sergio Bonelli foi o principal artificie da passagem da banda desenhada como simples instrumento de entretenimento popular a produto de dignidade cultural, criando, ao longo da sua carreira de cinquenta anos, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no contexto italiano e mesmo mundial e se o seu pai criou Tex Willer ele continuou a escrever as suas histórias antes de dedicar-se à faceta de editor. Com amor, paixão e respeito pelos criadores e desenhadores. Criou Zagor e Mister No, e com a sua editora publicou Dylan Dog e Nathan Never entre muitas outras personagens de sucesso) baseada na iniciativa do blogue português do Tex aquando do 1º aniversário do falecimento do mítico editor italiano, em Setembro passado. Estarão expostos no Salão de Viseu trabalhos (desenhados e escritos) que diversos autores da editora Bonelli fizeram propositadamente para o nosso blogue, assim como homenagens realizadas também por autores portugueses, colaboradores e leitores do blogue.

SERGIO BONELLI fez sonhar gerações de italianos mas também de leitores de muitos outros países, como por exemplo Portugal, por isso nada mais justo que o Salão de Viseu lhe dedique a exposição de homenagem que Sergio Bonelli merece!

Alfonso Font e os autógrafos, a não perder em Viseu

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Tex Willer por Waldemar Albuquerque Pinto Filho

Por José Carlos Francisco

De Waldemar Albuquerque Pinto Filho (na foto aqui ao lado), com 48 anos, natural de Imperatriz, estado brasileiro do Maranhão e tendo como profissão ser gerente comercial para além de ser um praticante de Jiu Jitsu, recebemos algumas belíssimas ilustrações de Tex de sua autoria e que foram inspiradas em grandes autores de Tex como por exemplo Claudio Villa, Fabio Civitelli, Corrado Mastantuono e Stefano Andreucci mas também do já consagrado desenhador brasileiro, Fred Macêdo.

Waldemar Albuquerque Pinto Filho é um grande fã e coleccionador brasileiro de Tex que sempre gostou bastante de desenhar a ponto de sempre que pode fazer alguns belos rabiscos (e que em breve iremos conhecer melhor, já que está a responder a uma entrevista ao nosso blogue), desenhos esses que nos apressamos a mostrar de seguida a todos os nossos leitores (para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas):


Póster Tex Nuova Ristampa 198

Póster Tex Nuova Ristampa 198

Inusitada ilustração da autoria de Claudio Villa onde vemos retratado o preciso instante em que Appanoosa, saken dos Cheyennes, agride Tex Willer, no interior de uma tenda em Forte Smith, no Montana, o mais isolado posto militar avançado de todo o Oeste, aquando da assinatura de um tratado de paz entre uma delegação americana e o próprio Appanoosa e logo após um tiro disparado na calada da noite endereçado ao chefe indígena e que motivou a desordem e o pensamento de que houvera uma armadilha por parte dos militares.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Il killer senza volto”, de Guido Nolitta e Aurelio Galleppini (Tex italiano #287 a #289).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco