Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 62 a 64 – Xuxá

XUXÁ, UMA FASCINANTE PERSONAGEM

O nº 1 da primeira série de Xuxá

Não era nossa intenção incluir, neste estudo, esta personagem. Mas como na segunda série das suas aventuras, vamos encontrá-lo no Canadá, como Polícia Montada (que é um tema também ligado aos “cow-boys”), achámos que a poderíamos acrescentar aqui, sem alterar em nada o conteúdo deste Fanzine. Além disso, quando este artigo foi publicado no jornal “Correio da Manhã”, levou o título de “Xuxa”, como se fosse uma personagem feminina, além de possuir vários erros.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 62Mais uma vez lembramos, que este estudo de modo algum poderá ser considerado exaustivo, apesar do trabalho que nos tem dado. Mas é completamente impossível conseguir apresentar, nesta centena de páginas, tudo quanto se tem escrito, desenhado e filmado, sobre o tema do “western”. Faltarão vários “heróis” importantes, tais como “Red Ryder”, “Zagor”, “Sunday” (que tem já um estudo elaborado por Manuel Caldas), “Gringo”, “Gun Law”, “Jerry Spring”, “Blueberry”, “Jonathan Cartland”, “King of The Royal Mounted”, “Manos Kelly”, “Sam Billie Bill”, “Zorro”, etc., etc.. Pode ser, que em outra altura, não sabemos quando, possamos fazer um outro Fanzine sobre este tema.

A HISTÓRIA DE “XUXÁ”

Numa aldeia italiana da orla do mar Tirreno, ocupada pelos aliados no seu avanço contra Roma, haviam-se alojado as forças norte-americanas, recebidas com simpatia e curiosidade pelo povo, composto por naturais da aldeia e de refugiados precedentes de toda a Itália. Entre esses últimos estava “Nico”, mais conhecido por “Sciusciá”, nome por que eram baptizados todos os garotos italianos órfãos, que carregavam a sua caixa de engraxador e que tentavam viver do seu expediente, inteligência e também coragem. Sem a ajuda de ninguém e sem apoio moral, procuravam a melhor maneira de conseguir comida para si e às vezes para os seus irmãos mais jovens, que o não podiam fazer pelos seus próprios meios.

O nº 1 da terceira série de XuxáAssim se iniciava uma das aventuras de um “herói” italiano (que o viria a ser também em França, em Espanha e igualmente no Brasil, identificando-se cada leitor com a sua vida e com as suas peripécias, na luta pela sobrevivência). A edição desta obra no Brasil teria como consequência, a sua distribuição no nosso país e o conhecimento, por parte dos leitores portugueses da época, das aventuras de “Xuxá” (onde nós nos incluímos). “Sciuscá” (Xuxá), viria a ser criado pelo editor italiano Tristano Torrelli e pela escritora Gianna Anguissola, em 22 de Janeiro de 1949. Ambos eram os autores dos guiões, enquanto os desenhadores seriam Franco Paludetti, Lina Buffolente e Ferdinando Tacconi. No entanto, seria este último que se ocuparia dos primeiros fascículos desta série, antes de desenhar “Nat del Santa Cruz”.

A INOVAÇÃO DO FORMATO DOS FASCÍCULOS

Antes de falarmos nas aventuras de “Xuxá”, convém salientar que seriam as histórias de “Il Piccolo Scheriffo” que iriam inaugurar um novo formato de revista de Banda Desenhada, criado pelo editor Tristano Torrelli. Os fascículos eram semanais e tinham cerca de 8 cms. de altura por 17 de comprimento e correspondiam a uma tira de 1 a 3 desenhos, como máximo.

O nº 1 da segunda série de Xuxá

Na primeira aventura de “Xuxá”, vamos encontrá-lo como engraxador. Num contacto com o capitão “Wickers”, irá tornar-se “correio” de uma mensagem cifrada, destinada às tropas aliadas, situadas em Nápoles e dali para Roma, ainda ocupada pelos nazis (mas onde se encontravam italianos simpatizantes das forças aliadas). Logo a partir da 8ª tira surgirá uma nova figura (desta vez feminina), que o irá acompanhar quase sempre, em todos os fascículos. Trata-se de “Fiametta”. Intrépido e corajoso, “Xuxá” irá ocupar-se da missão (por dinheiro, claro), de uma forma extraordinária. Logo a partir do segundo fascículo, passará a ter contactos com os alemães, que o irão perseguir mais tarde. Nazis e espiões a trabalhar para as forças alemãs, dificultarão a vida aos dois jovens, semana após semana.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 63Mas estes, pouco a pouco e com a ajuda de personagens altruístas, conseguirão ultrapassar e vencer todos os perigos. Temos de início o “Feiticeiro”, que fará explodir um barril de pólvora, juntamente com tropas nazis, que perecerão juntamente com ele, “Hércules”, “Renzo” e muitas outras pessoas (homens e mulheres sem nome), que os ajudarão a vencer todos os perigos. A partir do 10° capítulo surgirá pela primeira vez “Pantera”, que acompanhará e viverá também, a partir daqui, todas as aventuras de “Xuxá”, que se desenrolam em barcos e comboios, com bombardeamentos e tempestades do mar, à mistura. A emoção nunca faltará de semana para semana, identificando-se muitas vezes os leitores e leitoras, com as três personagens.

Várias vezes prisioneiros, chegando mesmo quase a serem fuzilados, “Sciusciá”, “Pantera” e “Fiammetta”, vão vencendo, pouco a pouco, os seus inimigos. Tortura, fogo, naufrágios, praga de ratos, internamento numa casa de loucos, tudo é pouco para dar emoção às histórias de “Xuxá”. A primeira aventura terminará no fascículo Nº 39, mas logo depois as peripécias continuam. A sua continuidade faz-se à roda de um roubo de jóias. São então capturados pelos alemães e colocados num campo de concentração. Entretanto “Fiammetta” viverá as suas aventuras sozinha e acabará na Argélia. Gibraltar e de novo Nápoles, irão acolher os nossos “heróis”, mais tarde. Um circo, um castelo, um vulcão, uma tourada (estavam em Valência)» assassinatos, “Xuxá” em perigo de vida, uma viagem à Malásia, outra aos Estados Unidos da América (S. Francisco e seu bairro chinês), corridas de cavalos (em quase todas estas últimas aventuras, encontra-se associado o capitão “Wickers”, que dá o nome precisamente ao primeiro fascículo da série e que se tornará responsável pelas missões de “Xuxá”) e uma deslocação ao Canadá (com a respectiva Policia Montada), constituem a primeira fase das suas aventuras, que termina aqui.

2ª SÉRIE DE AVENTURAS

Na segunda fase das aventuras das nossas personagens, os dois rapazes alistam-se na Polícia Montada (já são um bocadinho maiores). “Fiammetta”, nesta nova série, só muito esporadicamente aparece nas aventuras dos dois jovens. Só a partir do volume 17, os leitores irão encontrar de novo a jovem protagonista, mas por pouco tempo.

Uma bela capa de Xuxá

As aventuras repetem-se, mas desta vez sem guerra. Uma delas não terá fim, já que se verificará uma interrupção e deixaremos de ter acesso a elas, a partir da altura em que os dois “heróis” se encontram sozinhos na neve… a revista deixará de circular em Portugal… No entanto, no Brasil ela continuará a circular e as nossas personagens são salvas e acabarão em África onde, depois de mais perigos, o antigo capitão “Wickers”, agora civil, é morto por selvagens.
Depois é só selva, mais aventaras e mais emoção… e voltam a Itália.

3ª SÉRIE DE AVENTURAS

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 64A 3ª série de aventuras de “Xuxá” apresenta-se com um formato maior, duas tiras deitadas, uma em cima da outra, em vez de uma única tira. Também as aventuras triplicam, já que surgirão nestes fascículos as histórias de “Xuxá”, “A Patrulha do Céu” e “Coração Intrépido”.
No que respeita a “Xuxá” ele parte para Londres, juntamente com “Pantera” e “Fiammetta”, como jornalistas. De novo em Itália, depois na América do Sul, Marrocos, Cabo Verde, de novo em Londres e Escócia, desta vez com “Fiammetta” que tinha ficado em Londres, Egipto, Londres, África de novo e ficam interrompidas…

A partir do Nº 16 serão publicadas as aventuras de “Nat” de Tacconi, que irão igualmente ficar interrompidas quando a série termina no Nº 52. Quanto a esta personagem, as suas aventuras continuarão nas 3ª e 4ª séries de “O Pequeno Xerife”. Como não conhecemos a 3ª série desta personagem, pensamos que as aventuras de “Xuxá” tenham ali continuado também.

ALGUNS ASPECTOS DA EDIÇÃO BRASILEIRA

O primeiro número de “Xuxá” na edição brasileira, surgiu em Setembro de 1950, quase dois anos depois do original italiano. Tinha 8 por 16 cms. e custava um cruzeiro (1.50 em Portugal). Era uma revista muito cara para a época, não só pelo número de páginas, como pelo seu tamanho. O “Cavaleiro Andante” custava 1.80 quando apareceu, num formato onde cabiam 5 ou 6 “Xuxá” e já estávamos em 1952. As capas eram excelentes a 4 cores. O último número da 1ª série data de 4/8/53, com o 144. A nova série, também com o Nº 1 data de 17/8/53 e o último, o 182, data de 29/1/57. O Nº 1 da 3ª série possui a data de 5/2/57 e o 52 (28/1/58).

O SUCESSO DA SÉRIE

Sempre emocionantes as capas de cada fascículoO sucesso de “Xuxá” não se deveu essencialmente a esta série. Digamos que o seu editor aproveitaria o êxito da sua anterior série “Il Piccolo Sceriffo”, para lançar o “Xuxá”. O nome da personagem seria recolhido de um filme de Vittorio de Sica, datado de 1947, intitulado “Sciusciá”. Exactamente como no filme, a jovem personagem irá ser engraxador e terá o nome criado por deformação da palavra “shoe-shine”, pela pronúncia italiana.

O sucesso de “Xuxá” seria rápido e a tiragem da revista duplicaria, em pouco tempo. Estavam na moda os pequenos “heróis”. Em 1951, Torelli, juntamente com Tacconi, ainda cria mais uma pequena personagem para as suas edições: “Nat del Santa Cruz”. O êxito da série estende-se a outros países onde será publicada. Em Portugal e devido à edição brasileira, o sucesso irá manter-se, enquanto a revista apareceu no nosso país…

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

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