Entrevista com o fã e coleccionador: Otavio Fernando Antoniolli Lanner

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Me chamo Otavio Fernando Antoniolli Lanner, nasci em Porto Alegre/RS em 3 de Junho de 1979, mas cresci no estado do Paraná, em Santa Helena, nas margens do Rio Paraná, próximo a Foz do Iguaçú. Hoje resido em Campo Mourão. Sou formado em Direito e após ter advogado por três anos e casado, vim para o interior do estado ajudar meu pai a tomar conta de uma fazenda da família. Plantamos soja, milho, trigo, aveia e criamos gado Nelore. Tenho dois filhos.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Quando criança, como muitos brasileiros, lia Turma da Mônica. Na adolescência fiz uma coleção de Batman e X-Men, mas parece que não tinha me encontrado com os heróis ainda. Somente em 2012, quando do lançamento do terceiro filme do Cavaleiro das Trevas decidi começar a ler quadrinhos. Comecei comprando DC e um tempo depois Marvel. Quanto mais eu lia e me informava pela internet mais gostava desse Universo. E desde então tenho colecionado. Ao longo desses 9 anos consegui comprar praticamente tudo que me interessava e formei uma robusta coleção.

Quando descobriu Tex?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Sempre via Tex pelas bancas, mas nunca me chamou atenção por ser P&B e pensava que somente pessoas mais velhas lessem as histórias (risos). Meu pai gosta muito de filmes de faroeste. Depois de um tempo colecionando heróis decidi comprar uma história de Tex (em uma padaria local), para ter um exemplar na coleção de quadrinhos. Foi Tex Edição Histórica 83, Apache Kid. Li e gostei da história, como também dos desenhos. Depois de um tempo comprei a Tex Ouro 75, A Longa Caminhada, que ficou anos sem ser lida. Acho que como existem muitos títulos fiquei com medo de me perder na cronologia. Decidi começar a pesquisar e fui conhecendo os vários títulos e como funciona a dinâmica texiana. Comprei os dois primeiros Tex Platinum, O Caçador de Fósseis e O Ouro dos Confederados. Gostei muito. E logo após ouvi um episódio do Confins do Universo, onde participa Júlio Schneider, tradutor da Mythos Editora. Foi aí que conheci a Sergio Bonelli Editore. Isso foi em meados de 2020. Depois comecei a ler os vários títulos da editora, mas principalmente Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Tex é um personagem muito humano, simples, companheiro que defende e respeita os amigos. Acredito que ele ajuda muitas pessoas não apenas por ser um homem da lei, mas por ser uma boa pessoa. Nas Trilhas do Oeste, Segura mostra o Tex que mesmo no encalço de foras da lei, ajuda muita gente por todo o caminho que faz, sejam comboios de viajantes, caçadores de pele ou qualquer um que precise de auxílio quando ele está por perto.
A leitura é muito agradável e o tempo passa. Diverte e distrai. Acho que cumprindo o propósito do entretenimento.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Sempre digo que em Tex não existe história ruim. São sempre muito boas ou excelentes. Por mais que no fim o personagem sempre acabe se dando bem, Tex passa por muitos problemas ao longo das histórias. Os roteiros sempre são bem desenvolvidos e amarram bem as pontas, não deixando nada para trás. Os desenhos são muito bons, de uma primazia incrível de detalhes. Desde Galep até os desenhistas mais recentes, não se pode reclamar da arte de Tex. É como se você estivesse assistindo um filme de faroeste, mas melhor.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Tenho pouco mais de 60 revistas na minha coleção. Como disse coleciono há pouco mais de 6 meses. Tenho diversas revistas como a Tex Ouro, Edição Histórica, Platinum, Tex mensal, Almanaques, Gigante e As Grandes Aventuras. Tenho mais da Tex Ouro e Edição Histórica.
Uma história que me marcou muito foi A Grande Invasão (Tex Ouro 83).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Tenho apenas livros, quadrinhos de Tex. Por enquanto.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Acho que não existe um objeto, mas gostaria de continuar lendo e conhecendo o personagem, expandindo a coleção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Eleger uma história favorita dentre tantas é uma tarefa muito difícil. Mas das que li, O Passado de Kit Carson (Tex Ouro 45), A Grande Invasão (Tex Ouro 83) ou El Muerto (Tex Edição Histórica 96) estão em um nível fantástico.
A arte de Claudio Villa é fenomenal, como se vê em O Implacável. As histórias de Boselli são muito boas. Os desenhos de Marcello, Font, Mastantuono são ótimos.
Mas acho que se tivesse que eleger uma dupla ficaria com Segura/Ortiz. Tenho quase tudo que fizeram com o Ranger.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Tex é um composto homogêneo, que funciona. Argumento e arte se completam e proporcionam um entretenimento perfeito. Melhor do que assistir a um filme. As histórias são sempre diferentes e algumas misturam fatos históricos como em A Grande Invasão ou O Ouro dos Confederados. Essas histórias me agradam mais.
Agora, o que me agrada menos? Ainda não descobri isso.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Acho que o fato do personagem não mudar com o tempo. A personalidade forte e o censo de justiça prevalecem sempre. Ter um trio de amigos (Carson, Kit, Tigre) quase sempre ao seu lado demonstra a união de uma família, sendo Kit o filho, Carson um pai e Tigre um irmão. As piadas e a descontração entre eles, além de sempre compartilharem alegrias e preocupações demonstram isso.
Tex sempre é consultado das decisões mais importantes e as toma em conjunto, demonstrando humildade. Uma vez ouvi alguém dizer que tinha Tex como um pai; de que ao tomar decisões se pergunta, o que faria Tex Willer?
Por isso creio que tudo isso faz de Tex o ícone que é.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Não. Recentemente através de uma Live acabei tendo contato com Ricardo Elesbão, grande pard da Confraria Bonelli e vez por outra conversamos.
Mas tenho vontade de ir a um encontro. Sei que em Portugal há um encontro grande e quem sabe em um futuro próximo eu possa visitar os irmãos pards de nossa antiga Coroa.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Otavio Fernando Antoniolli Lanner: Vejo o futuro do Ranger continuando a brilhar. A direção que a Sergio Bonelli está dando a Tex me parece acertada. Não mudou. Continuam com ótimos escritores e desenhistas, que mesmo se renovando mantém o excelente padrão Bonelli. Veja, por exemplo, a revista Tex Willer, narrando as aventuras do jovem Tex. Está dando super certo. E as histórias novas, da mensal estão em um nível muito bom, tendo em vista os últimos arcos.
A quantidade de títulos do Ranger no mercado evidencia a popularidade. São muitos formatos, para todos os gostos e bolsos. Aqui Tex é encontrado em bancas, padarias e em muitos lugares com preços, muitas vezes, mais baratos. Além de que no Brasil temos várias promoções da editora, de livrarias, facilitando completar uma coleção ou outra.
No Brasil, pela quantidade de títulos, creio que estamos vivendo uma popularidade nunca vista de Tex e mesmo de outros personagens da Bonelli. A tendência é de expansão. Estamos tendo republicações e novos títulos. Isso, para nós leitores, é ótimo! Só temos a agradecer por podermos ter essa oportunidade de passar algum tempo do dia na companhia de Tex, que além de entreter, tem muito a nos ensinar.

Prezado pard Otavio Fernando Antoniolli Lanner, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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