CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX – Década de 90

Fevereiro de 1991Gianluigi Bonelli despede-se da colecção no número 364 intitulado “Il medaglione spagnolo”. Na realidade, desde meados dos anos oitenta a sua presença na série vinha sendo muito esporádica, monopolizando Nizzi a escrita dos argumentos.

Não deixa de ser significativo a presença de elementos da cultura hispânica neste último argumento do Bonelli pai, ele que sempre havia mostrado um apego pelos vestígios desta cultura nas aventuras de Tex, inclusive numa ocasião Tex enfrentou uns descendentes dos conquistadores espanhóis que tinham ficado separados do resto da civilização, numa cidade construída com ouro, no meio de um deserto, mantendo a mesma forma de vida de seus antepassados.

Maxi-Tex - OklahomaDezembro de 1991 – É editado “Oklahoma”, um número especial do mesmo tamanho que a colecção mensal, porém com 350 páginas, que no início se denominou como mini-Texone. Letteri era o responsável pelo desenho, sendo a figura do argumentista, o que conferia o carácter especial; argumentista que não era outro senão Giancarlo Berardi. Infelizmente pese o excepcional do lançamento, o trabalho de Berardi não conseguiu atrair tanta atenção como o que estava realizando com Ken Parker.

Junho de 1992 – Aparece o quinto Texone, primeiro trabalho na saga, de Víctor de la Fuente e também o primeiro destes álbuns especiais ilustrado por um desenhador não oriundo da Itália.

Outubro de 1992 – Inicia-se no número 384 a história “Orgoglio navajo”; nela Nizzi utiliza o mesmo recurso que costumava usar Gianluigi Bonelli para relatar passagens do passado das personagens: nesta ocasião, Tex narra o seu primeiro encontro com Jack Tigre, a seu filho e a Carson. A narração é uma das mais dinâmicas das escritas por Nizzi e apresenta um trabalho de Giovanni Ticci impecável. Contribui além disso a dar maior profundidade e identidade humana a um dos mais atractivos protagonistas que a série havia gerado, mas que sem dúvida não estava tão desenvolvido como muitos leitores gostariam. Curiosamente esta é uma das histórias que os distintos autores que trabalharam na série, mais mencionam, na hora de falarem do trabalho dos seus companheiros de lides.

Janeiro de 1993 – O número 387 marca o início da longa história “Ritorno a Pilares”, uma saga de Nolitta e Letteri cujas 586 páginas se convertem não só na mais extensa aventura de Tex, mas constitui a mais longa história de toda a Sergio Bonelli Editore.
“Ritorno a Pilares” contém todos os elementos das histórias clássicas de Tex: a magia – mediante a presença de El Morisco–, os elementos fantásticos – exemplificados na figura  de um homem-jaguar – e históricos – a cultura azteca presente, entre outros elementos, em um intento de sacrifício ritual com Kit Willer como protagonista–.
Desde o ponto de vista do argumento, a história é toda um decálogo por parte de Nolitta da sua maneira de entender as aventuras da personagem e não se pode negar que é herdeiro do trabalho do seu pai.

Junho de 1993 – O sexto Texone marca o início da colaboração de José Ortiz com Tex Willer.

Almanacco del WestJaneiro de 1994 – É publicado o primeiro Almanacco del West, publicação de cadência anual de formato similar à série mensal que inclui uma história curta – umas cem páginas – da personagem, acompanhada de diversos textos referentes ao mundo do Selvagem Oeste, tanto desde o ponto de vista histórico, como do das diferentes criações artísticas a ele referidos, até completar as 176 páginas do livro.

Fevereiro de 1994 – É posto à venda o Tex número 400, último episódio com desenho de Galep. Será também a última capa de Galleppini, que havia realizado tanto as 400 da série mensal, como todas as capas da colecção em formato de tiras. A partir do mês seguinte, seria substituído por Claudio Villa, que permanece como actual incumbido e que já havia ilustrado algumas histórias na série anteriormente. Villa, devido ao seu talento e juventude, foi saudado à sua chegada à série como a grande esperança gráfica para a colecção, porém viu-se reduzido a este labor de fazer as capas, sobretudo por ser um desenhador bastante lento em desenvolver o seu trabalho.

Homenagem a GalepGalep faleceria pouco depois, a 10 de Março desse mesmo ano.

Junho de 1994 – É editado “Il Pueblo Perduto”, sétimo Texone, realizado por Nizzi e Ticci; segunda – depois de Galep – e última excepção dentro da filosofia de mostrar novas versões gráficas de Tex nestas colecções especiais. O resultado do trabalho de Giovanni Ticci não pode qualificar-se de outra maneira, senão dizer que constitui uma das mais altas quotas de qualidade que tenham gerado as histórias realizadas com Tex e não é fácil explicar com palavras o porquê. Ticci realiza um exercício de talento onde consegue integrar uma descrição de paisagens únicas, com as figuras das personagens e as acções que deve descrever, mediante a exploração do seu próprio estilo como desenhador.

Setembro de 1994 – O número 407 traz a chegada de Mauro Boselli – Milão, 1953 –  à série. Na realidade, Boselli já havia escrito uma história em colaboração com Gianluigi Bonelli, embora só se considere este momento como o da sua chegada efectiva à série. Diferentemente de Nizzi, que foi contratado a outra editora, Boselli era um homem da casa, que havia se destacado no seu trabalho em Zagor e que previamente havia realizado outros trabalhos em publicações como “Orient Express” ou nas edições gigantes de Tex. Também o diferencia de outros argumentistas que como Decio Canzio, Michele Medda ou o já mencionado Berardi haviam realizado somente alguns episódios que não frutificaram a sua relação criativa na série, Boselli chega para ficar, pese o facto de que em princípio, devia escrever só uma história.

Mauro BoselliIl passato di Carson” é a sua primeira saga e deixa logo ás claras as suas características como argumentista de Tex: dar um maior peso ao resto das personagens que rodeiam o protagonista. Os três números que abarcam esta história não contada do passado de Kit Carson convertem-se numa das sagas mais valorizadas pelos leitores. A partir desse momento Nizzi e Boselli alternam-se na escrita da série e as suas diferentes maneiras de escrever a série gerou um intenso debate entre os aficionados. Nizzi apresenta no seu trabalho um Tex omnipresente, foco absoluto da acção em cada momento, enquanto Boselli deixa mais espaço para desenvolver as personagens secundárias – e logo na sua primeira história, o protagonista real não é Tex, mas sim Carson –, sem esquecer nunca que Tex é o verdadeiro catalisador dos acontecimentos. Por outro lado, Boselli é mais chegado à aventura no sentido amplo – como demonstra o seu trabalho em Zagor –, enquanto que Nizzi é mais propício a introduzir elementos de intriga nas histórias.

Não seremos nós aqui no blogue a dizer qual dos dois modelos é mais fiel ao trabalho de Gianluigi Bonelli, não esquecendo ainda o modelo Nolitta, mas registe-se que se Boselli trouxe uma lufada de ar fresco à série, não podemos tirar mérito ao Nizzi, que teve a difícil missão de substituir como argumentista principal, o criador da série, papel que se saiu muito bem graças ao seu profissionalismo e à sua persistência.

Setembro de 1996 – Começa o número 431, “La strage di Red Hill”, última história escrita na sua totalidade por Sergio Bonelli. A saga foi começada por Alberto Giolitti – que tal como aconteceria mais tarde por exemplo com Víctor de la Fuente  ou José Ortiz, foi contratado para a colecção mensal depois de ter realizado o seu Texone – todavia, Giolitti faleceria em 1993 antes de concluir o trabalho de modo que seria Giovanni Ticci, amigo pessoal de Giolitti, quem concluiria a história, se bem que Sergio tardou a decidir o que fazer com aquelas páginas, o que levou ao atraso em que a saga foi editada.

GiolittiO certo é que o trabalho de Giolitti nas quase 200 páginas que completou é realmente impressionante, pela sua contundência narrativa e capacidade expressiva e deixam um legado à altura de quem foi um dos desenhadores mais importantes que a Itália deu ao mundo. O arranque da história, é além disso um dos momentos mais impactantes que apareceram na colecção: Tex e Jack Tigre encontram-se de visita a um acampamento de uma outra tribo, quando de repente aparece uma milícia de aparentes ”trapers”que, aproveitando o facto da maioria dos guerreiros se encontravam numa caçada – acompanhados de Carson e Kit – cometem um autêntico massacre onde unicamente sobrevivem Tigre e Tex, ao serem deixados como mortos, quando somente estavam feridos. E é aqui, na exploração dos componentes mais dramáticos, donde a arte e o engenho como argumentista de Sergio se mantém à altura da criatividade gráfica de Giolitti e igualmente se mostra ao nível dos melhores momentos do trabalho de seu pai.

Novembro de 1997 – Aparece nas bancas italianas o primeiro Tex de Antonio Segura; primeiro e único argumentista não italiano que escreveu para a série. A história em concreto inaugura uma nova colecção de cadência anual que se chamará Maxi-Tex, cujo formato é idêntico ao da série mensal, porém com um número de páginas a rondar as 350.

Janeiro de 1998 – A eminente celebração dos cinquenta anos de Tex teve como consequência, que disparasse o número de publicações sobre a personagem, e em especial os livros dedicados ao estudo das suas diversas facetas. Um dos mais curiosos foi “In viaggio com Tex”, volume no qual o seu autor, Aurelio Sangiorgio, faz uma minuciosa e amena reconstrução geográfica dos lugares em que se desenrolaram as aventuras de Tex. O resultado principal do estudo foi o de nos revelar o brilhante trabalho de documentação que levava a cabo Gianluigi Bonelli na série.

Come Tex non c'è nessunoMaio de 1998 – A editora bolonhesa Punto Zero publica o livro de Franco Busatta “Come Tex non c’è nessuno”: História de um herói e do seu editor, novo volume sobre a personagem ante o seu próximo cinquentenário.
Neste caso trata-se efectivamente, de uma entrevista de Sergio Bonelli na qual analisa muitos dos motivos porque Tex continua tendo tanta repercussão ao fim de tantos anos, assim como os motivos que permitiram à sua editora converter-se em uma das mais importantes do mundo. Trata-se de um livro muito interessante não só para os fãs de Tex, mas para todos os aficionados da banda desenhada em geral.

Julho de 1998 – Aparece o primeiro trabalho com Tex de Alfonso Font, é ademais o único dos Texoni até ao momento que não foi escrito por Nizzi, mas sim por Boselli.Setembro de 1998 – Tex cumpre 50 anos. Para celebrá-lo , junto ao número mensal de Tex – o 455, de Nizzi e Ticci – em que os protagonistas deverão enfrentar de novo os prejuízos do homem branco contra os peles-vermelhas, é incluído como presente aos leitores um interessante livro intitulado “La frontiere di carta” que contem um pormenorizado estudo das revistas dedicadas ao Faroeste.
Nesse mesmo mês, é posto também à venda outro dos livros mais curiosos que Tex tenha gerado; trata-se de “Il mio amico Tex” de Sergio  Cofferati. A sua principal particularidade reside em saber que Cofferati é na realidade um célebre sindicalista, grande admirador da personagem; consistindo o livro em uma entrevista na qual o sindicalista expõe, entre outras questões, as sua teorias sobre as similitudes entre Tex e Che Guevara ou entre Mefisto e Berlusconi.

Julho de 1999 – É editado o Texone de Ivo Milazzo, um dos mais impressionantes trabalhos do criador de Ken Parker. “Sangue sul Colorado” apresenta-nos Tex, Carson, Jack Tigre e Kit enfrentando o cacique de uma localidade mineira, quando Kit se vê condenado à forca como vítima de uma espécie de pantomima de justiça.

Agosto de 1999 – Começa no número 466 a história “Golden Pass” que trará a última aparição de Sergio Bonelli como argumentista; de facto, nem sequer chegará a completar a história que será terminada por Boselli. Inicialmente a história foi desenhada por Galep, que chegou ainda a desenhar uma vintena de páginas, mas finalmente Bonelli decidiu que Ticci redesenhasse essas páginas e completasse a história.

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