TIMOTHY O’SULLIVAN

Timothy Henry O’SullivanTimothy Henry O’Sullivan, o simpático fotógrafo encontrado por Tex no decurso de uma aventura que tem por fundo a floresta tropical em que será “aberto” o Canal do Panamá, é uma personagem realmente existente. Nascido em 1840, foi um pioneiro da fotografia: sobretudo daquela de carácter histórico, antropológico e geográfico. Imortalizou a Guerra da Secessão, seguiu diversas expedições científicas e carregou realmente o seu equipamento fotográfico na selva de Darién, documentando, entre mil dificuldades, o reconhecimento sobre o local do futuro Canal. Mais tarde, retornou ao Oeste, para fotografar os índios, os canyons e os desertos. O frio extremo das Montanhas Rochosas e o calor tórrido do Vale da Morte tiveram decerto a ver com o seu físico tenaz mas frágil: O’Sullivan morre em 1882, somente com quarenta e dois anos.
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Timothy O’SullivanQUEM É TIMOTHY O’SULLIVAN

Tex conhece Timothy O’Sullivan, um “caçador de imagens”, que não hesita em enfrentar perigos de todo o género, armado somente de uma pioneira máquina fotográfica ainda no Arizona, mas logo se vê envolvido numa expedição à selva do Panamá.
Realmente existente, O’Sullivan dedicou a sua breve existência a uma única missão: descobrir e imortalizar a aventurosa realidade do mundo em que vivia.

Quem diabo você é?”, pergunta Tex ao homem que desce de uma carroça, afortunadamente ileso, depois de ter escapado de um ataque de alguns índios. “Sou Timothy O’Sullivan, fotógrafo de profissão, em viagem de trabalho entre Lees Ferry e Gallup”, apresenta-se o recém aparecido. “Incrível!”, exclama o Ranger. “Quer dizer que anda sozinho pelo Oeste só para tirar fotografias?”. “Isso mesmo, Mister”, é a resposta. Timothy Henry O’Sullivan foi realmente um pioneiro da fotografia que girou pela América de uma extremidade a outra, documentando com os seus disparos, a vida da Fronteira e a beleza da natureza ainda imaculada do Oeste Americano, mas foi também percursor das reportagens fotográficas de guerra. Antes dele, somente um outro fotógrafo tinha fotografado um campo de batalha: Roger Fenton, que tinha estado na Crimeia, limitando-se, porém, a retratar oficiais, soldados, cavalos e artilharia.

O’SullivanO’Sullivan, ao invés, seis anos depois de Fenton interpretou num modo completamente diferente o papel de “testemunha ocular”, imortalizando as batalhas na acção e mostrando as consequências após os combates terminados: mortes, feridos, destruição e dor. E o conta também a Tex, ao qual faz ver uma dramática imagem tirada em Gettysburg: “Eu estava lá”, disse-lhe, “assim como estava em outras batalhas, não menos sangrentas, como as de Bull Run e de Appomattox. Lá as coisas ficaram negras. Por duas vezes a máquina voou das minhas mãos por causa dos deslocamentos de ar provocados pelas bombas.”. Agora, porém, O’Sullivan está para dedicar-se a outra missão. Foi encarregue pelo governo dos Estados Unidos, para se agregar a expedição de especialistas que deverá verificar a possibilidade de se realizar um ambicioso projecto: “cortar” o istmo do Panamá, escavando um canal que meta em comunicação o Oceano Atlântico com o Pacífico.

O’Sullivan e pards

A expedição será composta por especialistas em botânica, geologia e engenharia, e ainda de um contingente militar que deverá escoltar o grupo de técnicos pela selva tropical, defendendo-a dos perigos.” Explica o fotógrafo.

Tex na floresta amozónicaPerigos, de facto, não faltam: trata-se de enfrentar pântanos, charcos, chuvas torrenciais e doenças tropicais, motivadas por serpentes, insectos, aranhas venenosas e feras ferozes. Mas, sobretudo, há que conter a fúria dos índios Guaymi, os selvagens habitantes da floresta da América Central, que têm o hábito de receber os estrangeiros com setas envenenadas.
O’Sullivan está habituado a correr riscos e sempre se desloca com o seu equipamento (a pesada máquina, o cavalete, as garrafas de reagentes químicos para imprimir as fotos) para todo o lado enquanto se aventura no seu desejo de “capturar” a realidade: portanto, é a pessoa certa para reportar para a pátria todas as imagens que possam servir para melhor projectar o canal.

Embora não seja do tipo de se virar para trás defronte de dificuldades e ameaças, não é, porém, um homem de acção, e Tex, que se encontra envolvido na mesma expedição, junto com o filho Kit, salva-lhe a vida, várias vezes, libertando-o de uma serpente ou protegendo-o dos repetitivos ataques dos “índios bravos”.

O’Sullivan em acçãoPecado que a única foto que O’Sullivan tira de Águia da Noite fique irremediavelmente perdida. A imagem – que representava o Ranger enquanto golpeava com um poderoso punho, durante uma rixa em Cartagena, um oficial do exército colombiano – era extraordinária, deixando até o seu autor orgulhosíssimo de ter sabido escolher o momento: “Não obstante Tex e o outro estarem em movimento, a foto ficou muito nítida.”.

É porém inútil procurar aquele disparo entre os tantos deixados para a posteridade pelo “fotógrafo mais intrépido dos Estados Unidos.”, como o mesmo O’Sullivan se define no término da aventura.

A fotografia e o próprio negativo foram destruídas por Phil Turner, coronel do serviço especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros americano, o qual entende não dever deixar algum vestígio do caso, para evitar incidentes diplomáticos.
Uma das primeiras fotos censuradas da história da fotografia!

O'Sullivan fotografa pards
Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 26 de “Il Mondo di Tex”, editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 23 de Setembro de 2006

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