Tex Gigante 9: O Cavaleiro Solitário

O Cavaleiro SolitárioArgumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Joe Kubert.
Com o título original Il Cavaliere Solitario, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 15 em Julho de 2001 e no Brasil pela Mythos Editora em Abril de 2002.

Quando Sergio Bonelli pediu a Joe Kubert que ilustrasse um Tex gigante, pretendia oferecer aos seus leitores mais um trabalho de um grande artista de renome mundial, mas também tentava, com isso, penetrar no específico mercado norte-americano. Por isso, este Cavaleiro Solitário é um Tex diferente no seu argumento, na sua estrutura, no herói em si, tudo adaptável ao mercado alvo que esta aventura pretendia atingir.
A aventura gira em torno de um Tex solitário e divide-se em cinco partes, forma que também vai ao encontro da especificidade americana, uma vez que o seu público não adere muito a longas aventuras que se estendam por 224 páginas.

Tex por Joe KubertEsta como que conversão ao mercado norte-americano está também bem presente na escolha do argumento de Nizzi, quando Tex nos surge como um cavaleiro solitário, sem a companhia dos seus habituais companheiros, em busca de justiça e vingança. Este factor também não é ingénuo, uma vez que o imaginário americano alimenta-se constantemente da luta entre o bem e o mal, da justiça e da injustiça, da defesa dos valores éticos e morais, enfim de todo um espírito maniqueista sempre presente no discurso e na acção dos seus variados agentes.

Num argumento perfeitamente delineado e dividido, mas sem nunca perder o seu ritmo constante, Nizzi contrapõe-nos um Tex individualista, o que, para uma sociedade como a americana, assume primordial importância, porquanto o indivíduo empreendedor adquire nela um lugar de grande relevo. A figura de Tex como um cavaleiro solitário lutando contra os assassinos é não só a eterna luta entre o bem e o mal, mas também o duelo entre o que é justo e o que não é.

Todos estes duelos entre o ranger e os homens que mataram a família de Ethan são servidos em crescendo e acentuação dramática: existe um temporal no duelo final com os irmãos Barrett, um povoado abandonado na luta com Luke, um amontoado de barracos com Russ e, finalmente, uma aldeia índia e um certo ambiente hostil no confronto com Jako. Mas, apesar de ser um cavaleiro solitário, Tex vai ser ajudado ao longo do argumento, ora pelo honesto que sempre se manteve no silêncio (Ned), ora pelo homem pacífico que vai pegar nas armas para lavar a sua própria honra (Martin), características clássicas dos grandes filmes de Hollywood.

Arte de Joe KubertFinalmente, o verdadeiro climax de toda esta acentuada conversão a um mercado específico, surge quando o herói é atirado de um precipício e, surpresa, não só consegue sobreviver à queda, como aparece na mesma noite a lutar em pleno saloon, qual verdadeiro super-herói dos comics. Toda esta lógica de mercado acentua-se nesta fase e a partir daqui tudo é possível e alcançável para o cavaleiro solitário.

Com a entrada de Kubert para o rol de autores de Tex, a história do ranger sem dúvida alguma que se engrandeceu, uma vez que à parte naturais e subjectivas preocupações estéticas dos mais fundamentalistas, o autor norte-americano é senhor de um talento multifacetado, capaz de abarcar os mais variados géneros. Esta lenda viva  da história da 9ª Arte caracteriza-se pelo seu grande vigor expressivo no desenho, a que não é alheia toda a sua marcante passagem pela ilustração de aventuras de super-heróis como Batman ou Superman, mas também com o mítico Tarzan, onde Kubert demonstrou todo o impressionante vigor físico da figura do herói de E.R.Burroughs.

Prancha de Joe KubertO seu desenho enérgico confere um ritmo próprio ao argumento, trata-se de um verdadeiro cineasta do desenho, um mestre na narrativa por imagens, pois cada página adquire um desenvolvimento próprio da 7ª Arte, traduzindo na perfeição todo o texto de Nizzi.
O seu desenho é muito sintético, em perfeita sintonia com a sua tradição, mas que, para os mais puristas, poderá parecer uma desvantagem. O Tex de Kubert não é o herói que estamos habituados, mas um Tex que se adaptou mais ao autor que propriamente este à personagem.

Texto de Mário João Marques

2 Comentários

  1. Sem dúvida alguma uma ótima experiência para Tex o estilo de Kubert, gostei bastante apesar de concordar que Tex mais se adaptou a Kubert do que o contrário, como disse o Mário.

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