Tex em grande destaque no Correio da Manhã: 26-09-1991

Texto do jornal Correio da Manhã de 26/09/1991
Leituras
Carlos Gonçalves

“Tex” um herói da BD editado no Brasil

“Tex” um herói da BD editado no BrasilEmbora não seja um verdadeiro desconhecido em Portugal, primeiro porque na sua maior parte as revistas brasileiras que publicaram este “herói” foram distribuídas no nosso país, mas também porque o êxito seria quase imediato entre nós, ainda que fosse no Brasil onde o seu sucesso se destacaria mais (isto para não falar no seu país de origem).
Tex” foi lançado no Brasil pela Rio Gráfica, na década de 50, na revista “Júnior” n° 28 (sem data). Dos nºs 1 ao 27 “Júnior” publicaria outras personagens, antes de lançar “Tex”, que apareceria do nº 28 ao 265 (Julho de 1957), com o nome de “Texas Kid”. O formato da revista era de 16 cm, de comprimento por 7 de altura (mesmo formato do original italiano).
A partir do n° 179, muda de formato, passando para 17,5 x 13,5cm. O nº 265 é o último que aparece, com as aventuras de “Tex”. A revista continua, mas de novo com outras personagens.

A Editora Vecchi

Em 1971, a Editora Vecchi (já desaparecida), resolveria lançar o “herói” em revista própria, cujo número 1 apareceria com o título de “O Signo da Serpente”. A ordem cronológica das aventuras nunca foi respeitada e a personagem, embora tivesse tido êxito no início, começou a ter dificuldades de venda.
Quando a editora tinha já pensado em deixar de publicar as aventuras de “Tex”, as vendas da revista aceleraram, chegando aos 150000 exemplares, nos finais da década.
Em Abril de 1977, a editora resolveria publicar uma segunda edição da revista. A periodicidade destas edições foi sempre mensal, até que o sucesso aumentaria e obrigaria a editora a publicá-las a um ritmo quinzenal (a partir dos inícios de 80). Em princípios de 1983 a editora faliu e a revista ficaria pelo n° 164 e a reedição pelo nº 94.

A Rio Gráfica

Em Outubro de 1983. a Rio Gráfica volta de novo a ocupar-se da personagem e o nº 165 surgiu nos escaparates.
Também foi publicado o n° 94-A, reedição, em virtude da aventura “Pacto de Sangue” (o casamento de “Tex” com a índia “Lírio Branco”) ter ficado incompleta.
As aventuras de “Tex” (agora com a chancela da Editora Globo, que adquiriu a editora anterior) vão agora no nº 252. Em Novembro de 1986 sairia a “Tex Coleção”, que passaria a apresentar as aventuras do “herói”, desde a sua primeira tira. O seu número actual é o 46. A periodicidade é de novo mensal.

Os “pais” de “Tex”

Tex e CarsonO criador dos argumentos de “Tex” é Giovanni Luigi Bonelli, que nasceu em Milão, em 22 de Dezembro de 1908. Desde muito novo iniciou-se na carreira profissional, escrevendo poesias para o “Corrieri dei Piccoli“. A seguir colabora no “Giornale Illustrato de Viaggi”, com romances de aventuras. Na Editora Saev acaba por ser igualmente editor das revistas “Jumbo”, “Rintintin”, “Prima-rosa” e “L’Audace”. Em paralelo colabora também nas revistas “Robinson” e “Il Vittorioso”. Alguns desenhadores que colaboram consigo são Rino Albertarelli, Franco Chiletto e Walter Molino.

Na altura em que o Grupo Mondadori adquire o título da revista “L’Audace”, Bonelli iria trabalhar para eles. Mas em 1940, o argumentista resolve comprar esse título e publicar a revista, alterando logo de início o seu formato de tablóide para o de revista. No final da guerra, Bonelli volta à sua actividade de argumentista de parceria com a de editor. Lança assim uma nova revista “Cow-Boy”, só com histórias de texto. Ao mesmo tempo traduz revistas de origem francesa.

Desiludido com os resultados, resolve de novo dedicar-se unicamente à criação de histórias aos quadradinhos.
La Perla Nera”, com desenhos de Caprioli; “Ipnos”, com desenhos de Cossio; “Piffario”, com traços de Depassano e Uggeri; “La Pattuglia dei Senza Paura” (1948), com desenhos de Zamperoni e Donatelli; “Plutos” (1949), de parceria com Antonio Canale; “Il Cavaliere Nero”, com o Estúdio Esse-gesse; “Yuma Kid” (1954), com Mario Uggeri; “I Tre Bill”, com desenhos de Giovanni Benvenuti, Gino d’Antonio, Roy d’Ami e Renzo Calegari; “El Kid” (1955), com traços de Dino Battaglia, D’Antonio e Calegari; “Davy Crockett Big Boy” (1956), com Calegari e Porciani; “Houdo” (1958), com Bignotti e “Kociss” (1958); com Emilio Uberti, são alguns dos trabalhos que Bonelli criaria ao longo da sua carreira.

A maioria destas histórias foram publicadas em revistas de pequeno formato, em tira, tal como “Tex”, que irá representar um marco na sua carreira, aquele que o levará ao sucesso. Cria de novo uma editora e a sua mulher, Tea Bonelli, irá cuidar da administração da sua casa no início, até que o seu filho Sergio, se ocupará do seu destino.
Bonelli é o autor de todos os textos de “Tex”, com excepção de uma história: “Caccia all’ Uomo“. O êxito de “Tex” deve-se indiscutivelmente aos textos do escritor, que apesar de nunca ter ido ao Oeste Americano, sempre o retratou de uma forma excepcional. O próprio “herói” é humano e representa a verdadeira justiça no “Far-West”. Hoje, Claudio Nizzi, ajuda o autor na elaboração dos textos, pois a tarefa torna-se já pesada para Bonelli.

Aurelio Galleppini nasceu em 20 de Agosto de 1917, em Casale di Pare. Até aos 19 anos vive na Sardenha, depois dedica-se ao desenho e à pintura, deixando os estudos.
Primeiro na animação para o mercado alemão e depois na ilustração para revistas, marca o início da actividade do desenhador. Até finais de 1947, inícios de 1948 (altura em que de parceria com Bonelli, cria “Tex”), dedica-se a adaptar romances para a Banda Desenhada e outras tarefas de pouco relevo.

No início da sua actividade, na figura de “Tex”, o desenhador cria as 32 tiras semanais do “herói”, sem ajuda. Mais tarde, será ajudado por Virgilio Muzzi e Francesco Gamba, que também esboçam ou completam os seus desenhos a tinta-da-china. Mario Uggeri, Guido Zamperoni e Lino Jeva, serão os seus outros ajudantes que irão colaborar na criação das aventuras de “Tex”.
Durante 19 anos, todos eles criam as 32 tiras semanais.
Quando a revista passa a mensal, com 330 tiras mensais ou mais, serão necessários novos desenhadores para colaborarem na série. Galep dedica-se então a desenhar capas e algumas das melhores aventuras do seu “herói”.
Em paralelo, Galep, desenha “O  Homem  do Texas”, “Pinóquio” e “As Viagens de Gulliver”.

Copyright: © 1991 Correio da Manhã; Carlos Gonçalves

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