Tex em grande destaque no Correio da Manhã: 19-09-1991

Texto do jornal Correio da Manhã de 19/09/1991
Leituras
Carlos Gonçalves

“TEX”: O REI DO OESTE

“TEX” - O REI DO OESTEO que temos para dizer sobre “Tex” é tanto que dificilmente o conseguiremos fazer num espaço tão curto. No entanto, em virtude do grande sucesso desta personagem no Mundo dos Quadradinhos, não vamos deixar de tentar preencher, na melhor das intenções, o espaço que nos for acessível.
É com grande prazer que falamos sobre «Tex», pois é uma das poucas personagens de «cowboys» que nos é gratificante. Desde sempre adquirimos as suas aventuras e hoje as nossas prateleiras possuem, já, mais de 300 títulos com as histórias de «Tex».
Lamentamos que as mesmas não figurem na sua língua materna, mas na realidade o italiano, que adoramos, como língua cantante, não é muito compreensível na sua maior parte. E o nosso tempo para a aprender em pormenor fica muito aquém das necessidades imediatas.
Assim, temos acesso às suas aventuras num futuro português (brasileiro), que irá ser por certo muito brevemente, o português de todos nós, agora que o acordo ortográfico foi assinado.

Em 30 de Setembro de 1948, em Itália, foi publicado pela primeira vez um fascículo com as aventuras de «Tex». Essa história chamava-se “Il Totem Misterioso” e possuía texto de Giovanni Luigi Bonelli, o decano e talvez o mais famoso argumentista italiano de Banda Desenhada e desenhos de Aurelio Galleppini, o primeiro e também o mais famoso, da extensa lista de desenhadores que se ocuparia desta série.
Não só a Banda Desenhada se dedicaria a apresentar as aventuras de «Tex», pois o Cinema também não esqueceria o sucesso desta personagem e assim, uma versão do “herói” acabaria por preencher igualmente as salas de vários cinemas, por esse mundo fora.
O sucesso de «Tex» deve-se essencialmente a um estilo de publicação tão do agrado da maioria dos leitores, dos inícios dos anos cinquenta: o folhetim. Já era assim com os romances e a rádio. Nada mais natural foi que a Banda Desenhada se aproveitasse de fórmula para conquistar novos leitores.
O ano em que «Tex» surgiu foi difícil, pois estavam num período após-guerra, com sérias vicissitudes para o país. No entanto, a decisão de Mussolini de acabar com a importação do material norte-americano de 9ª arte, quase dez anos antes, teve um reflexo bastante importante no Historial da Banda Desenhada italiana. Obrigou os editores, os argumentistas e desenhadores, a criarem ou a adaptarem as suas próprias personagens.
Embora a intenção inicial tivesse sido a de criar uma verdadeira Censura, as suas consequências finais foram afinal frutuosas para a 9ª arte italiana. Foi um período áureo da Banda Desenhada a que assistimos e aquele país começou a afirmar-se nesse campo.

A Fórmula

O Tex de Buzzelli«Tex» surge assim publicado em tira, num pequeno caderno de 32 páginas, cada uma delas com três vinhetas cada. O seu preço acessível e a sua continuidade rapidamente se tornaria num sucesso. É preciso não esquecer que a qualidade dos textos era na verdade excepcional. E se os desenhos iniciais não eram muito perfeitos, rapidamente alcançariam um verdadeiro traço de artista, que ainda hoje se mantém.
Não foi só «Tex» que seria publicado em tira. «Xuxá» e o “O Pequeno Xerife” seriam igualmente personagens de sucesso e todas elas seriam publicadas no Brasil em 1950, nos formatos originais, 16 cm de largura por 7 cm de altura.
O primeiro episódio de «Tex» duraria unicamente 3 semanas, mas todos as seguintes passariam a ter maior duração.
«Tex», em formato de tira, duraria de 1948 a 1967,com dezenas de aventuras publicadas. Mais tarde seriam compiladas em livro, de formato maior e reeditadas. Outras aventuras inéditas se seguiriam.

As personagens

No início, «Tex» trabalhava sozinho e nem sequer possuía o seu cavalo «Dinamite»… Ou pelo menos este não tinha nome. Com o tempo, surgiram novas personagens: «Kit Carson», «Jack Tigre» e o seu filho «Kit» (filho do seu amor com a bela índia «Lírio Branco»). A partir daqui, os quatro passaram a figurar quase sempre em todas as aventuras, com pequenas excepções.
Quase todas as histórias até hoje (nota –  recorda-se que o texto foi escrito em 1991) publicadas foram escritas exclusivamente por Bonelli. Ultimamente este artista que é um dos maiores editores italianos de Banda Desenhada (com o apoio do filho), passou a ser ajudado por outro roteirista: Claudio Nizzi.
Todas as aventuras de «Tex» foram essencialmente escritas e vividas no estilo do velho Oeste, pelo menos no início. Com o tempo, tal situação viria a alterar-se e algumas das suas histórias passam a retratar algum espírito mítico, onde o bruxo «Mouro», «Mefisto» e o seu filho «Yama», passam a ocupar um lugar importante no desenrolar da acção.
E claro que essas aventuras, de modo algum, perdem a qualidade. Antes pelo contrário, na sua maior parte, despertam um renovado interesse dos leitores pela série e esta rejuvenesce.

A editora Bonelli

Hoje a Editora Bonelli é um autêntico Império, com as variadas edições que publica de «Tex» (uma é reedição), de «Mister No», «Zagor», «Ken Parker», «Nick Raider», «Martin Mystère” e outras.
Sergio Bonelli o filho de Luigi, é hoje o principal responsável pelos destinos da editora. Desde muito novo mostrou interesse pelo negócio do pai e tem continuado assim a sua obra.
O pai escreve essencialmente os roteiros de «Tex». A sua avançada idade (82 anos) limita-o em algumas iniciativas que gostaria de concretizar.
Mas tem a certeza que o seu filho tudo fará para transformar a sua Editora numa das mais importantes de Itália.

Copyright: © 1991 Correio da Manhã; Carlos Gonçalves

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