Tex e as cores

Por Júlio Schneider*

Tex Willer é o mais longevo personagem de western que galopa nas bancas, quiosques e livrarias de vários cantos do mundo. Verdadeira instituição cultural na Itália, dono de números impressionantes de tiragens e vendas, o cowboy criado em 1948 por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini tem um pequeno mas fiel público em Portugal, destacando-se, pela paixão, os associados do Clube do Tex, a quem esta revista é dirigida em primeiro lugar.

Maior do que o luso – quantitativamente, não necessariamente no tamanho da paixão – é o público leitor do outro lado do Atlântico, no Brasil, onde Tex aportou nos anos Cinquenta. Em ambos os lados do oceano, durante muitas décadas as revistas da personagem foram publicadas apenas a preto e branco, e a ausência de cores mostrou-se um dos pontos fortes da saga editorial, apreciado pela grande maioria dos texianos: as aventuras do Ranger são sempre bem desenhadas e todos os artistas chamados a ilustrar as histórias dão o melhor de si, sabedores que eventuais imprecisões nas imagens não podem ser mascaradas pela aplicação das cores. No mesmo período, as cores foram reservadas apenas para as edições centenárias (n° 100, 200, 300…), como a marcar um evento temporal extraordinário, mas cujos resultados cromáticos nem sempre podem ser considerados excelentes.

Com a evolução das técnicas de colorização, o panorama começou a mudar nos anos 2000, quando as histórias do protagonista começaram a ser republicadas nas séries italianas que, no Brasil (e exportadas a Portugal), receberam os títulos de Tex em Cores e Tex Gigante em Cores, e viu-se que belos desenhos podem ser valorizados se coloridos com técnicas esmeradas.

Com a ótima acolhida dos leitores à nova roupagem, a Sergio Bonelli Editore decidiu apostar também em séries inéditas do cowboy lançadas diretamente a cores e, com isso, as coleções tradicionais, a preto e branco, continuam a ser publicadas com o sucesso de sempre, tanto na Itália quanto no Brasil (Tex mensal e reedições, almanaques, gigantes), e de recente também editadas em Portugal (livros especiais), mas agora acompanhadas da Edição Especial Colorida, publicada na Terra Brasilis pela Mythos Editora desde 2012, e da série de graphic novels com seus esplêndidos livros de 48 páginas (poucas, para os padrões a que os leitores texianos estão acostumados).

Numa coisa todos estão de acordo: cheias de cores ou ao tradicionalmente a preto e branco, as aventuras de Tex são sempre uma garantia de bom entretenimento. E, como todo sócio do Clube Tex Portugal bem o sabe, catalisadoras de fortes amizades.

* Texto de Júlio Schneider publicado originalmente na Revista nº 5 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2016.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)

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