Tex e a tradição e sobrevivência nos quadrinhos europeus, no jornal O Globo

Texto do segundo caderno do jornal O Globo, secção Cultura, 31 de Março de 2012.
Rodrigo Fonseca

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Tradição e sobrevivência nos quadradinhos europeus

A editora italiana Bonelli é a única do ramo que a crise não afectou.

Com desenhos de Fabio Civitelli e texto de Mauro Boselli, o livro ilustrado “Tex – A história da minha vida”, recém-chegado às bancas brasileiras, é uma das criações mais recentes da única editora europeia do mercado de quadradinhos que está conseguindo passar pela crise económica do Velho Mundo sem tribulações nas vendas, reduções de funcionários e desesperos afins: a Sergio Bonelli Editore, em Milão. Criada em 1940, a empresa mantém uma média de vendas de dez milhões de exemplares ao ano.

Enquanto as suas concorrentes fecham as portas, a Bonelli mantém uma média de 20 títulos publicados por mês, incluindo “Tex”, seu best-seller, que vende 215 mil exemplares mensais, seguido por “Dylan Dog”, revista de horror com 140 mil cópias vendidas a cada 30 dias.

Mesmo com a morte de seu director, o banda desenhista Sergio Bonelli (1932-2011), em Setembro passado, a editora recusa-se a enveredar pela produção de BDs para a internet. Tradição é a palavra de ordem.

— A morte de Sergio causou-nos profunda tristeza, mas não abalou a filosofia de trabalho instaurada por ele. Graças à nossa fidelidade ao padrão de qualidade que os nossos leitores esperam de uma revista, a crise afectou-nos minimamente. Em 2011, as nossas vendas caíram 3%, 4% no máximo, em relação a anos anteriores. Perto do que houve nos demais países da Europa e mesmo nas outras editoras na Itália, é uma queda irrisória — diz, por telefone, Mauro Marcheselli, director editorial da Bonelli, que publica “Tex” desde a sua criação, em 1948. — Para o tipo de leitor que temos, histórias para a internet são uma realidade distante, que respeitamos, mas não exploramos.

Suas revistas, todas em preto e branco — com especiais anuais em cores —, são exportadas para toda a Europa.
— Mobilizamos cerca de 400 profissionais para a produção dos nossos quadradinhos, tentando estrear pelo menos duas personagens novas por ano. As estreias acontecem em mini-séries de poucos números, para não cansar o nosso público, que engloba muitos leitores de mais de 40 anos, apaixonados por faroeste, policiais e ficção científica, com tramas adultas. Super-heróis mascarado aqui não interessa — diz Marcheselli, que lança este semestre um novo quadradinho: “Saguaro”.

Ambientada nos anos 1970, a nova série é um thriller sobre as tensões políticas envolvendo tribos indígenas americanas, investigadas pelo agente federal Saguaro, em aventuras escritas por Bruno Enna e desenhadas por Fabio Valdambrin.
— Dos nossos lançamentos dos anos 2000, “Brad Barron”, que relata uma invasão alienígena, foi a que registou os melhores resultados comerciais, com 55 mil cópias vendidas por mês — diz Marcheselli.

No Brasil, a Bonelli é representada pela Mythos Editora, que não divulga números de comercialização.
— “Tex” começou a ser publicado no Brasil, em Janeiro de 1951 e foi até Julho de 1957, em revistas de 32 páginas, num formato de talão de cheques — conta Dorival Vitor Lopes, editor da Mythos.

Mais tarde, o herói, que chegou ao cinema em 1985, no filme, Tex e o senhor do abismo”, com Giuliano Gemma, voltou a ser publicado no Brasil em Fevereiro de 1971 e jamais sumiu.
— São 41 anos de publicação ininterrupta. Só connosco, na Mythos, está no número 507, — diz Dorival. — Nosso contrato com a Bonelli está renovado até Dezembro de 2012 e, desde Janeiro, a revista “Tex Coleção” (BD paralela à revista mensal de Tex, com histórias clássicas) passou a ser quinzenal, atendendo a reivindicações dos leitores.

Copyright: © 2012 O Globo; Rodrigo Fonseca
Adaptação: José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

5 Comentários

  1. Tex vende 215 mil exemplares na Itália, afora as republicações, um número expressivo, representa a nossa realidade, e no Brasil por volta de 25 mil exemplares, números apreciaveis, que mantem a paixão dos aficionados por quadrinhos de qualidade.
    O editor da Bonelli foi bem explicito: não publica-se nem promove-se super-herois na editora, assim como Sergio Bonelli sempre desejou.
    Parabens Zeca por essas divulgações colocando a Bonelli, como midia principal e o Tex como clássico dos quadrinhos.
    Tomara que todos os grandes colecionadores com 40 e poucos anos, como eu, tenham forças pra manter a Bonelli e o Tex nesse padrão de autenticidade por pelo menos mais 20 anos.
    E se alguma midia publicar matéria com Tex que façam como assunto principal, com o respeito que os autores merecem.

  2. Tenho a certeza de que todos os fãs de Tex continuarão a lê-lo e a apreciá-lo nas próximas décadas, mesmo os que já forem sexagenários ou septagenários!
    Esse apoio nunca faltará aos editores do “western” mais famoso dos quadrinhos, seja a Bonelli, em Itália, a Mythos, no Brasil… ou outros, noutras partes do mundo. E graças à renovação que tem havido na equipa editorial, com a entrada de novos desenhadores e argumentistas de excelente craveira, o futuro da série só não estará garantido se o mundo acabar dentro de 20 ou 30 anos!
    Ou se o universo do “western” e dos “cowboys” for contaminado por um vírus qualquer, deixando, de súbito, de acalentar o nosso imaginário!

  3. Se não houver até o ano 2050 uma 3ª guerra mundial onde certamente devastará o planeta, tranquilamente TEX chegará ao milésimo número!!!

  4. Aos fãs de Tex, comunico que criei um Fã Clube de Leitura Tex Willer. Participe. Para tanto, basta adquirir 10 revistas. Após lê-las, troques-as por outras 10, assim sucessivamente, até que tenha lido todo o acervo. Só para quem mora na grande Belo Horizonte. Tenho muitos títulos, tanto da Ediçao Mensal, quanto da Coleção. Vamos divulgar o maior herói que o Oeste já conheceu. Vida longa a Tex Willer. E-mail para contato: marcelo.eletronico@hotmail.com

  5. Amigos, acredito que um filme de Tex e seus pards vão alavacar as vendas, sei que a primeira experiência não foi boa, não custa tentar, texto e atores temos!

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