PORQUÊ PATAGÓNIA?

Por Sérgio Madeira de Sousa [1]

Agosto de 2005 foi uma data marcante para os fãs portugueses de Tex Willer! Pela primeira vez uma aventura deste personagem é publicada em Portugal! Os leitores portugueses, que acompanhavam o herói através das colecções brasileiras, distribuídas no nosso país desde a década de setenta do século passado, aguardavam esta data ansiosamente, pois havia largos meses que o evento era publicitado. “Tex contra Mefisto1, aventura clássica da personagem que enfrenta pela segunda vez, aquele que se tornaria o seu pior inimigo, foi a aventura seleccionada para o oitavo número da colecção CLÁSSICOS DA BANDA DESENHADA, SÉRIE OURO. Iniciativa conjunta do jornal diário, O CORREIO DA MANHÃ, e a editora, PANINI COMICS! Na época, num texto escrito para o blogue do Tex intitulado de “SINGELO”, especulei sobre as condições em que poderia ser viável a publicação no nosso país, de álbuns especiais deste protagonista. Condições essas bastante agravadas com a recente entrada da Mythos no mercado dos álbuns de luxo, através de TEX EDIÇÃO GIGANTE EM CORES.

Tex contra Mefisto, o HISTÓRICO Tex português

Passados dez anos sobre o acontecimento confesso que já não acreditava mais nessa possibilidade! Foi assim com muito entusiasmo que, em Maio último, tomei conhecimento da iniciativa da Polvo Editora em publicar, em Portugal, um segundo álbum do herói criado em 1948, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini. Fruto do estrondoso sucesso obtido em Itália, desde a sua publicação, alvo de várias edições, de várias editoras, em diversos países, “Patagónia”, a aclamada obra de Mauro Boselli, com a arte de Pasquale Frisenda, foi a opção óbvia. Todavia, considerando a especificidade do mercado português, terá sido a escolha acertada?

Após os massacres do posto de Belgrano e da povoação de Três Arroyos pelos Tehuelches do norte, o chefe de estado-maior da república Argentina, o general Alsina, defensor de uma política de boa vizinhança e de coabitação com os índios, vê-se pressionado pelos seus adversários políticos e, pela opinião pública do seu país, a envolver-se numa guerra contra toda a população indígena. Numa tentativa de evitar a guerra eminente que poderia levar ao extermínio das diversas tribos, o general organiza uma expedição militar com os objectivos de capturar os autores dos massacres, resgatar os reféns, e obter a assinatura de tratados de paz com as tribos pacíficas. Anulando desta forma os argumentos dos detractores da sua política! Tex e o seu filho Kit vão ser envolvidos nesta perigosa missão a pedido do encarregado de chefiar a expedição às Pampas, o major Ricardo Mendoza, amigo de longa data de Tex e Montales. A situação já de si explosiva vai agravar-se com a nomeação do general Roca, para novo chefe do estado-maior, por falecimento do general Alsina. A orientação política do novo comandante não visa o diálogo mas sim, a subjugação de todas as tribos ao poderio militar, incluindo as que se mantiveram neutras. Perante esta alteração drástica, na forma de levar a paz ao território, Tex vê-se perante o dilema de cumprir a palavra dada a Ricardo, mantendo-se a seu lado nos massacres que se avizinham, ou, faltar ao compromisso assumido, lutando ao lado dos índios pacíficos que considera injustiçados.

Patagónia, de Boselli e Frisenda, no idioma lusitano

A história universal está repleta de exterminações em massa de grupos étnicos ou religiosos, em nome das mais diversas causas. Bem presentes na memória dos povos estão as atrocidades cometidas pela Alemanha nazi, no período compreendido entre 1933, após a subida ao poder do partido Nazista e do seu líder, Adolf Hitler, até ao final da segunda guerra mundial. Período em que a “Solução Final”, nome atribuído ao projecto de aniquilação total dos judeus europeus, provocou a morte de cerca de seis milhões de pessoas, só dessa raça.

O primeiro genocídio dos tempos modernos ocorreu, no entanto, muitos séculos antes, aquando da conquista da América. Estudos levados a cabo por historiadores do século XX permitiram concluir que durante cinco décadas, entre 1500 e 1550, o continente americano perdeu, pelo menos, 70 milhões de seres humanos. Cerca de noventa por cento da população estimada para a época! Séculos mais tarde, na Argentina em 1834, foi desencadeada uma operação, intitulada de “Campana del desierto”, que visava o extermínio dos indígenas sobreviventes que ocupavam as Pampas, transformando-as em espaços desabitados, com o propósito de possibilitar o avanço da chamada civilização. A iniciativa coordenada com o governo do Chile a que se juntou também o Uruguai, não teve o sucesso pretendido e, posteriormente, em 1878, o ministro da guerra, Julio Argentino Roca, leva ao Congresso Nacional e aprova a lei de expansão das fronteiras. O que não foi mais do que a continuação da campanha do deserto, com o mesmo objectivo: erradicar a população indígena das Pampas e substitui-la por uma população, dita civilizada. Roca, intitulado de conquistador do deserto e que viria inclusive a tornar-se presidente da Argentina em 1880, é hoje considerado por diversos historiadores, como o fundador da Argentina moderna.

Patagónia, arte de Pasquale Frisenda com texto português

Conjugando uma ideia de Sergio Bonelli, que pretendia colocar Tex no seio das campanhas do deserto na Argentina, com um dos factos que despoletaram segunda tentativa de irradicação da população indígena das Pampas, os massacres dos habitantes da povoação de Três Arroyos,  Boselli constrói o enredo de “Patagónia”, que já é considerada por muitos, como das melhores histórias de sempre deste herói. Esta mistura entre a realidade e ficção, extremamente bem conseguida pelo autor, pode ser enriquecedora e transformar o que é lúdico em didáctico, faltou no entanto, destrinçar quais os factos veridicos2.

Considerar “Patagónia” um western significa que não se leu a obra, ou, no mínimo, equivocou-se! A única semelhança que esta aventura têm com o western é o facto de dois dos protagonistas vestirem indumentárias de cowboys! “Patagónia” pode ser considerada uma aventura épica, um trama politico, um drama humano, ou a mesmo, a combinação destes três géneros. Mas nunca um western! O fulgurante sucesso desta história pode-se justificar pela riqueza dos temas! Temas interessantes, como as disputas raciais pelos territórios, racismo, genocídio, e políticas de expansão e desenvolvimento económico. Temas fracturantes da opinião pública em qualquer país ou época! Mas não são apenas os temas! “Patagónia” é muito mais! A obra encontra-se recheada de personagens carismáticas, como Ricardo Mendonza, porventura a personagem que mais sobressai: homem honesto, leal, patriota, sonhador, honrado, cujos ideais e valores se sobrepõem às suas ambições pessoais. Ricardo personifica claramente aquelas pessoas que estão sempre preocupadas em fazer o mais correcto! Que avaliam todas as consequências de cada decisão! Que percebem, que independentemente da decisão que tomarem, há sempre consequências, e que existirá sempre alguém a sofrer por essa tomada de decisão. Este idealista, não obstante ser o chefe da expedição, vai sendo constantemente arrastado pelos acontecimentos, e apesar de arriscar a sua carreira ao tentar contornar as ordens, de forçar os Ranqueles à rendição incondicional, vai revelar-se impotente para impedir a guerra, que tanto queria evitar. Em oposição ao honrado Ricardo sobressai o major Recabarren que representa algumas das piores facetas do ser humano. Individuo cruel, cínico, sádico, racista, prepotente, inconsciente e vingativo, que se tornará o principal responsável pela inevitabilidade da guerra, ao ordenar o fuzilamento de Mancuche e exterminar a tribo dos Tehuelches do sul. Os aliados do exército Argentino!

Patagónia, arte de Pasquale Frisenda

Seria exaustivo estar a caracterizar todas as personagens que se destacam pois são bastantes, contrariando de certa forma, as aventuras recentes do ranger onde se aponta como uma das principais lacunas, a inexistência de personagens carismáticas. Além de Ricardo, mas com menor dose de protagonismo, salientam-se: Calfucurá o sanguinário chefe dos Tehuelches do norte, Mancuche, o nobre e honrado chefe do Tehuelches do sul, Chonki, Fernando e Julio Morales, os fiéis batedores gaúchos, mas também Solano, que após a derrota na luta com Tex se tornaria um aliado fiel, e um dos principais responsáveis pelo sucesso da operação de resgate dos reféns, realizada à aldeia de Calfucurá.

Além dos temas e das personagens, outros factores poderão ter contribuído para o sucesso desta aventura, como o facto de decorrer nas Pampas argentinas, cenário inesperado para uma aventura de Tex, ou as influências demasiado evidentes de Nolitta, incorporadas principalmente na personagem Ricardo Mendoza, com as dúvidas que o atormentam sempre que tem de tomar decisões, e no final dramático, em que todas as partes ganham um pouco, mas perdem imenso.

Como aspecto menos conseguido no trabalho de Boselli, considero a forma pouco crível como coloca Tex e Kit no centro da acção! Não me parece plausível que um cowboy seja convidado a chefiar uma patrulha de exploradores, numa expedição punitiva do exército argentino, ao interior das Pampas, sendo-lhe atribuída a patente de capitão. Seria mais verosímil se o convite fosse para consultor, sem nenhuma patente militar. Em “Il solitario del West 3, numa aventura com algumas semelhanças, em que as mesmas personagens saem do seu “habitat natural”, dessa vez à Colômbia e Panamá, Guido Nolitta, o argumentista, conseguiu ser mais credível ao justificar com a tristeza de Kit, provocada pela morte de um amigo e com a necessidade de distrair para esquecer a dor. Tex e Kit aceitam o convite do fotógrafo O`Sullivan apenas para acompanharem a expedição, e nunca com a pretensão de resolverem problemas!

A elegante versão portuguesa de Patagónia com o selo da Polvo apresentada por Mauro Boselli

Se o trabalho de Boselli é muito bom, como considerar arte de Frisenda?

Apesar de não considerar Pasquale Frisenda um dos meus desenhadores preferidos, parece-me impossível não gostar deste seu primeiro trabalho em Tex. Não é fácil de caracterizar o seu traço! Vejo-o como uma mistura de Ortiz dos tempos áureos, devido à caracterização das personagens e ao contraste branco/negro que consegue colocar nas suas pranchas, com Ivo Milazzo, mas com maior realismo e detalhe. Não considero o seu traço limpo, na linha de Civitelli ou Villa mas é preciso, firme, pouco denso e muito expressivo. As cenas nocturnas são belíssimas, com Frisenda a conseguir um doseamento perfeito do branco/negro, mas também as cenas de nevoeiro, muito densas, muito realistas, onde é possível identificar, de uma forma dissimulada, quase imperceptível, a utilização da técnica do pontilhismo para conseguir as diferentes tonalidades de cinza. A composição das personagens, a atenção ao detalhe no vestuário, nos acessórios, nos utensílios dos espaços interiores, são outros dos pontos altos do trabalho deste artificie milanês de 1970. Como menos positivo, o uso abusivo do preto em cenas não nocturnas, que em algumas pranchas, dificulta a percepção da altura em que ocorre a acção. Acrescento também a composição da personagem, demasiada corpulento e com uma fisionomia de perfil, com o maxilar inferior demasiado pronunciado, fazendo lembrar Arnold Schwarzenegger. No entanto, à que realçar a coragem do desenhador em “fugir” ao modelo de Villa ou de Ticci, definindo logo na primeira história, “o seu Tex”.

Apesar de discordar da maioria quando afirmam que estão perante uma das melhores histórias de sempre da personagem Tex, concordo plenamente, quando a consideram uma das melhores dos últimos anos. Acrescento mesmo, deste século! Globalmente a aventura é muito boa, devido à riqueza dos temas, à vastíssima galeria de personagens, ao dramático desfecho, e à magistral arte do desenhador. A editora Polvo apresenta-a num álbum de 228 páginas, de formato 24,5 por 18,5 centímetros, dotado de capa de cartolina com abas, com papel de excelente qualidade e excelente impressão, numa imbatível relação qualidade/preço.

Pasquale Frisenda com a edição portuguesa de Patagónia

Então se considero o álbum muito bem concebido, e a aventura a melhor deste século, porque questiono as opções da Polvo?

Não estão em causa, nem qualidade de história, nem do álbum! O que questiono, é se estas opções foram as mais adequadas tendo em conta o mercado português de BD, que como se sabe, é anémico. Quais foram os objectivos da Polvo ao publicar este álbum? Foi um teste ao mercado? Espera fazê-lo periodicamente? Qual é o público-alvo? Os coleccionadores da personagem, os fãs de western, da BD, ou o grupo restrito que procura álbuns de qualidade? É que a melhor história, e uma excelente relação qualidade/preço do produto, não significam necessariamente, as melhores opções, temos de ter em conta, para quem se destinam!

Aparentemente a Polvo não teve em conta outros critérios que não a qualidade, e escolheu a aventura que nos últimos anos maior sucesso obteve junto dos fãs. Se o objectivo era cativar os coleccionadores portugueses do ranger, então foi uma óptima escolha! O problema é que estes não passam de umas dezenas, quando muito uma ou duas centenas! Refiro-me aos que efectivamente compram mensalmente as publicações, e para esses, qualquer história, de qualquer argumentista, e em qualquer formato, seriam a escolha acertada. Se acrescentarmos os fãs portugueses da personagem, poderemos chegar até cerca de quatrocentos/quinhentos potenciais compradores! Mas obviamente, grande percentagem destes não vai adquirir o álbum! Parece-me claro, que com estes números, o sucesso do empreendimento da Polvo está comprometido! Isto é, não chega atingir os fãs de Tex, é necessário cativar outras franjas do mercado! É nessa lógica que considero, que “Patagónia” não é a melhor opção!

Edição portuguesa de Patagónia contém badanas ricas de conteúdos

Relativamente à melhor história para o empreendimento, parece-me que a Polvo cometeu os mesmos erros que a Vecchi, quando seleccionou “O signo da serpente” para o primeiro número da colecção brasileira TEX, e também, da parceria entre o jornal O CORREIO DA MANHÃ e a editora PANINI COMICS, quando seleccionaram “Tex contra Mefisto4, para o oitavo número da colecção “CLÁSSICOS DA BANDA DESENHADA, SÉRIE OURO. Para quem tem o primeiro contacto com a personagem italiana, e desconhece completamente o universo texiano, os ambientes das três aventuras são demasiado inusitados para parecerem credíveis num western. Não quero ser mal interpretado, a BD também é fantasia, e aprecio bastante esta mistura de géneros, particularmente nestas três aventuras, provavelmente como a maioria dos fãs. Mas estas histórias pouco tradicionais poderão desagradar aos leitores mais conservadores, afastando-os definitivamente de futuras edições, afinal, esperavam encontrar um western… neste caso, um western mais clássico, como “Pioneiros” ou “Na trilha de Oregon” da edição italiana “ALBO SPECIALE”, ou “Jovens assassinos” do TEX mensal, poderiam ser histórias mais cativantes para os desconhecedores de Águia da Noite.

Quanto aos autores de “Patagónia”, Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, autores conceituados particularmente em Itália e no universo Bonelliano. Boselli escreveu principalmente histórias de Dampyr, Tex e Zagor, mas também, de Mister No. Frisenda destaca-se essencialmente pelos trabalhos em Ken Parker e Mágico Vento, chegando a Tex justamente com “Patagónia”. Apesar de serem consagrados no país da velha bota, são muito pouco conhecidos em Portugal, especialmente se excluirmos os fãs das publicações Bonelli, pelo que os seus nomes só por si, não aumentam o número de potenciais compradores. Neste caso, a melhor opção seria optar por um desenhador com maior reputação em Portugal, como Colin Wilson por ser desenhador de Blueberry e Judge Dreadd, cativando assim os seus seguidores, ou José Ortiz ou Joe Kubert, pelos trabalhos em Tarzan. Os espanhóis fazem-no muito bem! Publicam as histórias de Tex desenhadas e escritas por artistas espanhóis, potenciando assim as vendas!

Pasquale Frisenda e o editor Rui Brito com a edição nacional de Patagónia

Se pensarmos nos coleccionadores de álbuns, outra faixa de potenciais compradores, a edição da Polvo não deixa de ficar aquém, para quem procura álbuns luxuosos. A capa demasiado mole e o formato, que das edições especiais que conheço, de diversos países, é o mais reduzido, em que a área útil das pranchas é, apenas, ligeiramente maior que no TEX mensal italiano, são visivelmente os pontos fracos da edição. Para ter essa percepção basta compará-lo com o TEX EDIÇÃO GIGANTE EM CORES, da própria Mythos, ou com a edição francesa da Clair de Lune, em que fica claramente a perder.

Outro aspecto que poderia ter contribuído para melhorar o álbum, ou publicitar os que poderão ser lançados num futuro próximo, seria inclusão de matérias sobre o herói: Breve história da personagem, edições existentes em Itália, valores sobre tiragens, países onde é, ou foi publicado, as histórias mais emblemáticas, artistas consagrados que já o escreveram ou desenharam, etc. Informação irrelevante para a grande maioria dos fãs, mas que seria uma excelente publicidade para quem tem o primeiro contacto.

Sim, tinha muitas reservas relativamente às opções da Polvo para esta edição! Se as escolhas de editora eram de facto, as mais corretas! E sim, estava muito céptico relativamente ao sucesso deste empreendimento! As minhas dúvidas subsistiam essencialmente pela necessidade de conquistar compradores fora dos coleccionadores da gama Bonelli, porque temia que estes fossem insuficientes para viabilizar o projeto. Afinal não existiam razões para o meu pessimismo! Segundo Jorge Magalhães, a editora prepara-se para o lançamento de mais um álbum para Abril de 2016, o que indicia claramente o sucesso de “Patagónia”. Deste modo, ou estava equivocado em relação ao numero de texianos, e eles só por si garantiram o êxito das vendas, ou relativamente às opções da Polvo, que afinal agradaram o publico em geral. Todavia, o que realmente importa, é que graças a esta corajosa editora, “Tex contra Mefisto” acabou por não ficar singelo, e que não vai ser necessário mais uma década, para Portugal ter uma nova edição de Tex Willer!

Exemplares portugueses do Tex Gigante Patagónia

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Nesta avaliação à obra procurei “despir o trajo” de fã” e acrescentar uma perspectiva mais analítica! Nesse sentido, não dei especial relevância aos aspectos positivos que existem e são bastantes, mas sim aos pontos menos conseguidos, pois em minha opinião, numa crítica, mais importante que elevar os aspectos positivos, deve-se salientar os pontos onde existe espaço para melhorar.

Para a futura edição, que segundo o blogue se perspectiva para Abril de 2016, gostaria de deixar à consideração, além das sugestões implícitas no texto, a possibilidade de realização de pré-venda junto dos coleccionadores. Conjugando a divulgação antecipada de detalhes nos blogues, fãs-clubes, facebook etc., com uma redução de preço por pagamento antecipado, poder-se-ia reduzir custos de financiamento e, em simultâneo, de publicitar o álbum e produzir uma estimativa de vendas. A própria Mythos editora utiliza esta possibilidade para a venda dos seus álbuns, assim como as pequenas editoras, onde se incluem a Lírio Comics, ou mesmo os autores como G.G Carsan, com o seu “Tex no Brasil 3”.

A capa portuguesa de Patagónia depois de impressa

LEGENDA:

1 História publicada no TEX mensal italiano nos números 39 e 40 em Janeiro e Fevereiro de 1974. No Brasil publicada pela primeira vez em 1975 nos números 48 e 49, do TEX 1ª edição, sendo posteriormente publicada em diversas outras colecções da personagem.

2 Cortado na edição da Polvo, mas presente nas edições italiana e brasileira da Mythos, o texto, “La conquista del desierto”, de Renato Genovese, esclarece quais eventos da narrativa aconteceram realmente. Os generais Alsina e Roca, as politicas por eles defendidas, e o chefe indígena Calfucurá, foram protagonistas de relevo na história da Argentina do século XIX. Na aventura não são referidas datas, no entanto, Alsina viria a falecer no final de 1877 e o general Roca seria nomeado ministro da guerra e marinha, no inicio de 1878, pelo que é facilmente identificável a época dos eventos.

3 Do TEX italiano 250 a 252 publicados em 1981. No Brasil a história foi publicada apenas duas vezes, a primeira em 1983, nas edições mensais de TEX 163 a 165, e a segunda em 2012, em TEX COLEÇÃO, números 303 a 305.

4 A selecção de “Tex contra Mefisto” foi condicionada pela publicação em Itália, de uma colecção semelhante aos “Clássicos da Banda Desenhada, Série Ouro” como justificou José Carlos Francisco, nos comentários a “SINGELO”.

Patagónia

FONTES:

Patagónia – Polvo Editora
La conquista del desierto, por Renato Genovese – TEX GIGANTE Nº 23 da Mythos Editora

http://resistir.info/europa/colonialismo_nazismo.html

http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005151

http://www.encontro2014.rj.anpuh.org/resources/anais/28/1400291781_ARQUIVO_textocompleto.pdf

[1] Sérgio Madeira de Sousa escreve regularmente artigos bonellianos no seu excelente blogue Thebonelliemporiumhttp://thebonelliemporium.blogspot.pt/

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Gostei muito dessa matéria. As razões apontadas pelo articulista são bem fundamentadas. Ele transcende ser um bom conhecedor de Tex e escritor de mão cheia. Mas quando o assunto envolve Tex tudo pode acontecer e em qualquer lugar. O sucesso de Patagonia, principalmente no Brasil (primeiro lugar entre os 30 Tex Gigantes) decorre justamente do inusitado de vermos nosso herói sendo requisitado e cumprindo sua fama tão longe de casa e tão deslocado do seu modus operandi, da proximidade e citações dos pampas gaúchos com o Brasil e da cadeia emotiva protagonizada pelos Willer no desfecho da história. E os desenhos super bem realizados pelo Frisenda.
    Então todos os demais contraditórios citados foram desprezados e diria mesmo que desapercebidos em sua totalidade.
    Parabéns

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.