Directamente da Cartoomics de Milão, as mais recentes novidades texianas

Por Carlo Monni (texto) e Adriana Rovedo (fotos)

Directamente de Milão, local onde decorreu neste último fim de semana, a 20ª edição do Salone del Fumetto, dei Cartoons, del Collezionismo e dei Games e Videogames, popularmente denominada CARTOOMICS, onde Portugal esteve representado através de Hernâni Portovedo, um dos maiores coleccionadores portugueses de Tex e que contou com a presença de vários autores ligados a Tex, Carlo Monni, correspondente do blogue do Tex na Itália deixa-nos aqui as mais recentes novidades no que à vida editorial do Ranger diz respeito (as fotos são da autoria da nossa correspondente Adriana Roveda):

De retorno da Cartoomics, onde entre coisas assisti ao debate com a participação de Mauro Boselli e Maurizio Dotti dedicado a Tex, Dampyr e um pouco a Zagor também, eis um pouco de notícias que me apresso a apresentar, aos leitores do blogue português do Tex, tal como me vêm à mente:

1) Giovanni Ticci terminou o Color Tex escrito por Boselli e que será publicado neste Verão e já começou, embora sem grandes pressas, a nova história de dois álbuns, escrita por Pasquale Ruju e que contará com a participação de todos os quatro pards.

2) Fabio Civitelli chegou à página 100 do seu Color Tex previsto para o próximo ano. O desenhador aretino diminuiu o seu ritmo por ultimamente estar empenhado na pintura de quadros com argumento texiano para o mercado das galerias de arte.

3) Claudio Villa atingiu a página 114 (ou pelo menos foram as que levou consigo para mostrar aos seus fãs na Cartoomics). “Apenas” faltam, portanto, 110 para a conclusão. Quando veremos, assim, o seu Texone? Neste ritmo, temo que somente em 2025. Deixem-me, no entanto, dizer-lhes, que as novas dez páginas que eu vi com relação ao ano passado são simplesmente fantásticas (tal como as 104 precedentes,  para dizer a verdade).

4) Continuando a falar dos Tex Gigante, Massimo Carnevale atingiu a página 20 da história escrita por Boselli, isto no decurso de mais ou menos um ano. Pelo que afirmou o próprio Boselli, Carnevale é um desenhador empenhado, mas ele não tem tempo para desenhar o Ranger como desejaria devido a múltiplos empenhos.

5) Continuando ainda com o Tex Gigante, além dos já confirmados Roi e Rotundo (ambos desenhando histórias escritas por Ruju), também Majo (aliás Mario Rossi, coluna de Dampyr, para quem não saiba) vai começar a desenhar um Texone com textos de Boselli depois do próprio Majo ter elaborado um par de argumentos.

6) Também Laura Zuccheri começará a desenhar um Tex Gigante assim que terminar o seu actual trabalho para o mercado francês, tornando-se deste modo a primeira mulher a desenhar oficialmente o Ranger.

7) Quanto a Stefano Andreucci, além de desenhar também um Tex Gigante escrito por Boselli, estará empenhado num outro projecto que Boselli tem debaixo de olho há muito: o encontro entre Dampyr e Dylan Dog.

8 ) O seu aluno Michele Rubini está prestes a passar de Zagor a Tex, mas primeiro fará uma passagem por Dampyr de modo a ajudar a terminar o ciclo do retorno de Amber Tremayne no qual já estão a trabalhar Alessandro Bocci e Mauro Laurenti.

9) No que diz respeito ao Tex Gigante de Ruju & Rotundo, cujo título provisório é “Galveston“, parece que será uma história impactante na qual haverá um furacão, inspirado naquele, devastante, de 1886 que destruiu a cidade de Indianola na baía di Galveston.

10) Venturi terminou o lápis das últimas páginas do seu Tex Gigante devendo agora fazer a arte-final com tinta. Dado o facto da palavra Oregon ter sido já usada no título do Texone de Manfredi & Gomez (lapso que Boselli atribuiu à falta de uma verdadeira supervisão à época), o Texone em questão não se intitulará “Oregon Trail“, mas provavelmente “I pionieri” (“Os pioneiros“) e foi descrito como uma típica história de caravanas, mas com mais qualquer coisa de especial comparativamente com as histórias de caravanas já vistas em Tex (mas não disse o quê).

11) Voltando a falar do Color Tex, espero que apreciem saber que o Color Tex com histórias curtas (que de acordo com Boselli não deverá ser uma nova colecção, mas antes uma duplicação do Color tradicional, que se tornará, assim, semestral), será colorido no estilo do Dylan Dog Color Fest.

12) Continuando a falar do Color com histórias curtas, foram já contactados alguns desenhadores, entre os quais muito provavelmente Sicomoro, e vários argumentistas, entre os quais, Burattini, Enna, Berardi, Lorenzo Calza (colaborador de Berardi em Júlia) e até mesmo Antonio Serra.

13) O projecto do encontro entre Ken Parker e Tex está longe de ser abandonado, mas Boselli sublinhou que não depende apenas dele e que há necessidade de estimular Berardi. Confesso que se tivesse tido a oportunidade de encontrar o criador de Ken Parker não desperdiçaria a oportunidade de abordá-lo sobre o team up.

14) Boselli disse também que haverá um retorno de Proteus, confiado a Faraci, que deverá fazer um bom trabalho, vista a sua familiaridade com Diabolik, com quem Proteus tem mais de um ponto em comum (não porque G.L. Bonelli se tenha inspirado no Diabolik ao criá-lo, mas porque tanto Proteus como Diabolik são inspirados em Fantomas). Boselli disse que chegou a pensar em confiar este retorno a Burattini, criador de uma personagem análoga, Mortimer, mas depois reconsiderou.

15) Aparentemente o envolvimento de Burattini com Tex é, neste momento, mais do que uma mera possibilidade. Atendendo às alusões de Boselli, estou pessoalmente convicto que Moreno Burattini esteja já a trabalhar numa história de 32 páginas.

16) Falando de Faraci, Boselli confidenciou também que este apresentou dois argumentos muito robustos e complexos, que ele aprovou e que foram destinados a Acciarino e a Cossu (na sua terceira participação em Tex), para uma história de cerca de 100 páginas destinada a um Maxi, o qual terá também uma história mais encorpada, igualmente escrita por Faraci mas desenhada por Ortiz.

17) Parece que Frisenda terminará em tempo útil a sua história de modo a que seja publicada em Setembro “evitando” assim o “perigo” de uma nova história de Ortiz.

18) Continuando a falar desta história, talvez se recordem que há algum tempo atrás Boselli disse que teria uma personagem criada por G.L. Bonelli, pois bem, nesta ocasião, Mauro Boselli deixou escapar que não se trata de uma personagem de G.L. Bonelli, mas antes de uma personagem histórica, de uma verdadeira lenda do Oeste, que apareceu brevemente numa velha história de Tex, que seria também famosa pelos seus amores. Com esta informação veio-me de pronto à mente quem poderá ser tendo em conta os indícios, e a você caro leitor? Advirto já que não é Buffalo Bill, que já nos brindou com a sua presença num par de vezes.

19) Questionado por mim, Manfredi, disse-me que é sua intenção escrever pelo menos uma história de Tex por ano, que já tem inclusive em mente dois argumentos e que espera o justo desenhador. Confidenciou também que no futuro gostaria de trabalhar com Font e novamente com Civitelli. Pena que no presente ambos estejam já comprometidos.

20) Dotti atingiu a metade do terceiro álbum da sua história, que terá um pouco menos de 400 páginas e será publicada entre Novembro de 2013 e Fevereiro de 2014. Será uma história muito articulada, que se desenvolverá em parte em São Francisco com a intervenção dos “rapazes” do ginásio de Lefty Potrero, e em parte no México, numa ilha da Baja California, com um general megalomaníaco como antagonista.

21) Quanto à história que está a ser desenhada por Font e que terá uma extensão de cerca de 260 páginas e na qual veremos agir juntos Kid Rodelo e Durango, Boselli disse que escrevendo o final (que definiu pirotécnico e com características inovadoras e que por isso teme que alguns leitores o vão querer linchá-lo) vieram-lhe à mente não uma mas duas continuações, que serão atribuídas respectivamente ao mesmo Font e a Bruzzo.

22) Quanto à história do retorno de Yama, Boselli confirmou que Mefisto não participará, mas que a história poderá ser definida como um prólogo para o seu retorno.

23) A uma precisa questão do público (não minha) Boselli respondeu que mais cedo ou mais tarde retornará também o Mestre e que no futuro, sob sua gestão, deveremos contar com o regresso de adversários e intervenientes ausentes há algum tempo.

24) Respondendo a uma outra pergunta, excluiu viagens de Tex à Europa ou Austrália (que a meu ver, seria um belo local para ver o Ranger).

25) Respondendo por fim a uma pergunta minha, Boselli disse não ter de momento nenhuma ideia para o retorno de Lena e Donna.

E com isto, creio de ter dito tudo!

Texto de Carlo Monni (traduzido e adaptado por José Carlos Francisco) e fotos de Adriana Roveda

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Póster Tex Nuova Ristampa 204

Póster Tex Nuova Ristampa 204

Em mais uma surpreendente e inspirada ilustração de Claudio Villa, vemos a entrada em cena de uma assustada Ella Watson, filha do coronel Watson, mas determinada a libertar um Tex Willer aprisionado no interior de uma cave localizada nos subterrâneos da imponente mansão do “Cheyenne Club“, um nefasto local de reuniões dos principais criadores de gado do Wyoming, depois de ter sido atingido traiçoeiramente pelo Coronel George Watson.

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Cheyenne Club”, de Guido Nolitta e Fernando Fusco (Tex italiano #289 a #292).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

As avaliações do Mattheus: Tex Coleção n° 145/146 – A Cidade da Cobiça

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Coleção n° 145/146 – A Cidade da Cobiça

| Duelo contra Ruby Scott | Final surpreendente | | Trama vazia | Sensação de que podia ser melhor |

Lançado pela Mythos em Fevereiro de 1999, Tex Coleção 145/146 traz algo que raramente é visto na saga Texiana: Tex ser derrotado num duelo.

Tex dá uma lição no filho baderneiro de poderoso fazendeiro da região, provocando a ira da família Baker. Não podendo tratar do ocorrido através de suas próprias mãos por se tratar Tex de um oficial da lei, o fazendeiro manda chamar um pistoleiro de aluguer tido como um dos mais rápidos no gatilho a fim de duelar com Tex Willer. O duelo se dará ao pôr-do-sol, na rua principal da cidade e apenas um sairá vencedor e com vida….

Enredo fraco

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Logo nas primeiras páginas o leitor verá que a trama de A Cidade da Cobiça não irá oferecer uma história interessante e envolvente, e sim um enredo raso e pouco atractivo. Esta aventura pode ser resumida em uma só linha: Tex e Carson chegam a Silver Bell e descobrem que o dono da cidade faz o que quer nela, e os pards tentam pôr “ordem na casa”. Só, Mais nada.

São 127 páginas vazias, com apenas uma surpresa e outra no final (falo delas mais para a frente) para não passar a aventura em branco. Um mundo (faroeste) que pode ser tão explorado pelos roteiristas, não pode limitar-se apenas aos rangers tentando restaurar a lei numa cidade. É muito pouco para uma personagem que fez e ainda faz sucesso até hoje justamente por ser rico em histórias.

Para ficar marcado na história

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Ruby Scott. Esse é o nome do único homem que já venceu (embora trapaceando) Tex num duelo. A Cidade da Cobiça só se tornou uma edição histórica por conter um duelo histórico. Não há como negar que este foi o melhor duelo já visto numa aventura de Tex.

Embora G. L. Bonelli tenha “executado” o duelo às pressas, sem fazer muita cerimónia, as poucas páginas do confronto já valeram o dinheiro pago na época que a edição estava nas bancas. A esperteza de Tex em fazer com que Ruby Scott não fique com o sol nas costas (para atrapalhar a sua visão) (astúcia que salva o ranger), as provocações do pistoleiro de aluguer para o xerife Ross, e o desejo de revanche de Águia da Noite fazem com que o leitor, ao fim do 2° duelo entre Tex e Ruby, fique com um gostinho de quero mais.

É raro ver um herói ser surpreendido e/ou derrotado, e este factor faz com que o leitor “esqueça” por alguns segundos que a história é vazia e desinteressante.

Poderia ter sido melhor

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Com o maravilhoso duelo entre Tex e Ruby Scott, fica claro que A Cidade da Cobiça daria uma grande uma história se tivesse um enredo melhor trabalhado. As possibilidades, eram imensas, e a aventura não se resumiria apenas nos Bakers tentando eliminar os rangers.

É compreensível que na época, G. L. Bonelli estava sobrecarregado por ter que escrever sozinho os roteiros de Tex, mas desperdiçar a chance de fazer uma história memorável é lamentável. Aqui, o “papai” de Tex tinha a faca e o queijo na mão, mas não soube aproveitar. Embora, porém, com apenas uma única cena o roteirista faz com que a edição tenha um grande peso na saga texiana.

Final chocante

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O final de A Cidade da Cobiça surpreende (e muito) o leitor por conter um final considerado um pouco “forte”. O desfecho da história pega o leitor de surpresa por ele nunca imaginar que Fred Baker morreria pelas mão da esposa de Ruby Scott e que o seu pai enlouqueceria com a noticia da morte do filho. Tudo isso isso, acontece de forma tão rápida que acaba pegando o leitor desprevenido.

Muitos, pensavam que os Bakers seriam presos ou mortos pelas mãos de Tex ou de Ruby, já que o ultimo tinha uma antiga dívida (não revelada) com o velho Baker. O surpreendente final acaba sendo o trunfo da história por justamente chocar, causar impacto, já que o final de muitas histórias de Tex são bem previsíveis.

Conclusão:

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Julgar A Cidade da Cobiça é uma tarefa difícil. Embora o enredo seja vazio, só pelo duelo entre Tex e Ruby, a aventura já se torna histórica. Se você procura uma boa aventura, talvez A Cidade da Cobiça não seja a melhor opção, mas se você procura é daqueles que procura ver Tex suar para vencer, aqui é um prato cheio.

Nota: 6,0

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 23/02/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo