No curto, mas absolutamente intenso, vídeo que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex podemos assistir a alguns maravilhosos segundos de Claudio Villa, o conceituado desenhador italiano de Tex, a desenhar numa sala da Sergio Bonelli Editore em Milão uma ilustração destinada ao spot publicitário da história radiofónica, produzida pela RAI Radio 2, “Tex: Mefisto!“, a última aventura de Tex contra o seu acérrimo rival, intitulada originalmente “Il ritorno di Mefisto” e que foi escrita por Claudio Nizzi e desenhada (magistralmente) por Claudio Villa nas edições nº 501 a 504 da série italiana do Ranger.
Aproveitamos para divulgar também o dito spot publicitário no formato vídeo e onde podemos constatar que no programa radiofónico (que teve 10 episódios e que alcançou o primeiro lugar entre todos os programas radiofónicos das rádios italianas em 2012) da responsabilidade de Emma Caggiano, as vozes de Tex e Carson são de Francesco Pannofino e Rodolfo Bianchi, Roberto Pedicini é Mefisto e Lily, a sua pérfida irmã, é Emanuela Rossi; Dario Penne é Narbas, o necromante hindu que trouxe Mefisto das profundezas do inferno:
Para finalizar, eis os títulos dos 10 episódios radiofónicos que se basearam nas histórias “Il ritorno di Mefisto” e “El Muerto“: “Terrore sulla savana”,– “Mefisto”,– “Il barone Samedi”,– “Voodoo”,– “Un castello nella savana”,– “La fine di Mefisto”;– “El Muerto”,– “Pueblo feliz”, “Boot Hill”,– “Duello mortale”.
Mauro Boselli e Stefano Andreucci, por Bira Dantas
ALERTA:As entrevistas que se seguem com Mauro BOSELLI&Stefano ANDREUCCI revelam algumas surpresas da história “Salt River” (Tex italiano nº 627 e 628 de Janeiro e Fevereiro de 2013), e a sua lida antes da publicação da revista no Brasil e Portugal pode tirar toda a graça, emoção e suspense que se cria com relação à aventura..
Entrevistas conduzidas por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Sandro Palma na formulação das perguntas, de Bira Dantas nas caricaturas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino nas traduções e revisões.
MAURO BOSELLI
A história tinha, em fase de elaboração, o título Tonto Creek. O primeiro dos dois volumes é intitulado Salt River, e combina com as primeiras vinte páginas que foram reescritas para Andreucci. Visto que inicialmente a aventura devia ser ambientada numa cidade fantasma e não nas corredeiras de um rio – e que só se chega ao Riacho Tonto nas páginas finais do segundo volume – como nasceu esse título de trabalho? Mauro Boselli:Eu tinha em mente que a história se desenvolveria na região do Tonto Rim, e já na primeira metade do primeiro volume se chega à Reserva do Tonto Creek.
Ainda sobre o título, porque passou-se de Tonto Creek a um menos evocativo como Salt River? Mauro Boselli: Para os italianos, tonto tem uma conotação negativa: quer dizer tolo, alguém que demora a entender.
Nesta história, também pelas suas mãos, prossegue a evolução de Kit Willer: provavelmente a personagem lhe permite inserir aqueles picantes duetos homem/mulher que, de outra forma, você dificilmente poderia colocar na saga. Ou estamos errados? Mauro Boselli:Correcto! Mas o mesmo poderia ser dito de Kit Carson. Um dia, quem sabe…
Falemos do relacionamento terno e delicado que se cria em torno das figuras de Kit Willer e Sarah Wyatt. No segundo volume, depois do sonho destruído, você criou esta fala para Tex: “Hmm… eu até diria que você não tem muita sorte com as namoradas, meu rapaz!“. Ou seja, Kit Willer age como o cortês paladino medieval que corre para salvar a mulher, mas depois você confirma a tese convencional de que ele sempre é rejeitado quando se aproxima de alguma saia. Há alguma chance de que, no futuro, o resultado seja menos evidente? Mauro Boselli: Quièn sabe?, como diria Tex. Esta é só UMA história. Normalmente eu não gosto de fazer tramas semelhantes entre si.
Jack Curtiss é um fora da lei bastante habilidoso para organizar complicados planos estratégicos. No final, Tex acerta as contas com ele. Você chegou a sentir a tentação de salvá-lo, para em outra ocasião ele voltar a cruzar o caminho dos nossos heróis? Mauro Boselli: E porque? A história não deve ter uma solução final? Porque manter vivo a qualquer custo uma personagem não particularmente original?
Entre as personagens, a figura de Sarah Wyatt é a que impressionou os leitores mais abertos: a solução final foi, de algum modo, sugerida pelo carácter turbulento da jovem, ou você já havia planeado tudo desde o início? Mauro Boselli:Normalmente eu não sei o que há NO MEIO de uma história, mas o final, excepto por alguns casos raros, já está claro na minha mente.
Esta história também será lembrada pela incomum aura de violência que a caracteriza. No segundo volume três personagens acabam pendurados num galho de árvore e a própria doutora Sarah corre o risco de ser enforcada pelo mesmo grupo de vigilantes improvisados. Num certo sentido, é uma leitura dedicada sobretudo a um público adulto. Não é uma crítica, longe disso, mas na SBE vocês não temem hostilidades de alguma associação? Mauro Boselli: Não. E porque? Eu não concordo que esta história seja mais impiedosa do que outras escritas por mim ou por Gianluigi e Sergio Bonelli (penso nos enforcados de Caçada Humana e Cheyenne Club).
STEFANO ANDREUCCI
Voltar a desenhar Tex depois de vários anos comportou dificuldades ou correu tudo bem? Stefano Andreucci:Devo dizer que foi mais difícil. Talvez porque, em relação à vez anterior, eu usei uma técnica diferente, ou talvez porque desta vez eu queria dar mais. Eu busquei ver o Oeste com olhos modernos, sem sair dos padrões habituais de Tex. Eu usei perspectivas um pouco exageradas, planos inclinados e dinâmicos que não são usuais na série, e isso atrasou-me um pouco.
Para a ocasião, depois de tantos anos passados a desenhar as histórias de Dampyr, que mudanças de estilo você adoptou? Stefano Andreucci:Nenhuma mudança em particular. Eu só limpei um pouco os traços, mas o estilo é o mesmo usado para Dampyr nas quatro edições londrinas (n.t.: edições 133 a 136).
Você desenhou todos os quatro pards: exceptuando Tex, qual foi o mais difícil ou o mais divertido de realizar? Stefano Andreucci: Eu desenhei três. Ainda não pude fazer Jack Tigre. Eu diverti-me muito com Kit Willer. Dos três era o que tinha maior margem de interpretação. Mas foi justamente com Tex que eu tive mais dificuldades. Ao menos na fase inicial. Já Carson é o mais simpático e muito caracterizado pelo seu belo bigode. Divertido.
As suas personagens são todas extremamente caracterizadas como, em particular, o grupo de reféns que são libertados no deserto, pela quadrilha de Curtiss. Ou a belíssima doutora Wyatt. Para buscar inspiração, quem ou o que você buscou? Stefano Andreucci:Geralmente eu me inspiro no cinema, nas pessoas que encontro, nos animais, em tudo. Para a doutora eu usei o rosto de uma actriz de alguns anos atrás, que me foi indicada por Mauro (Boselli). Mas eu o usei apenas como inspiração.
O resultado final ficou muito bom. Há algum detalhe que não o deixou totalmente satisfeito? E há algo de que você se sente justamente orgulhoso? Stefano Andreucci:Dá para perceber claramente a busca de um estilo e a experimentação, e disso resultou um trabalho um pouco heterogéneo. Mas creio que atingi um objectivo e, no próximo Tex, eu me concentrarei apenas na história, para obter o melhor resultado possível.
Entre o primeiro e o segundo volumes que compõem a história, percebe-se uma evolução de estilo, observada também pelos entendidos mais exigentes. De que forma você pretende afinar os seus traços na próxima história? Stefano Andreucci: De facto, eu creio ter atingido um equilíbrio satisfatório, e no próximo trabalho haverá um pouco mais de segurança. E isso fará bem à história.
Quanto tempo você levou para desenhar esta aventura? Stefano Andreucci:Tempo demais.
Qual cena lhe deu mais trabalho – do ponto de vista técnico – e qual lhe proporcionou mais diversão na realização? Stefano Andreucci:O trem foi muito difícil de fazer, também a considerar-se o facto de que boa parte do segundo volume acontece no comboio. Especialmente os interiores, porque o ambiente é apertado e a acção resulta um pouco sufocada, meio sem espaço. Eu desenhei como se fosse um storyboard de cinema, como se estivesse a olhar de trás de uma câmara de filmagem. O quadro que mais me agrada é aquele em que um dos bandidos e um passageiro do trem trocam tiros a poucos passos de distância, dentro do vagão. Um confronto muito realístico e moderno, do qual devo agradecer a Boselli. E a cena do trem também foi a que me deu mais satisfação.
Como podia contar com o seu talento, nesta história Boselli o fez passar por desfiladeiros, corredeiras do rio, pelos espaços sem fim da planície, pelos pequenos povoados do Arizona e até elaborar um trem, uma das coisas mais difíceis de desenhar. Pois bem, ao que tudo indica, o seu próximo trabalho será um Tex Gigante, um Texone: sobre isso, você teria algum pedido particular a fazer ao autor? Stefano Andreucci: Agradeço pela oferta de intermediação, mas são coisas que se resolvem, digamos, em casa. Mas satisfaço a curiosidade e digo que eu gostaria de desenhar um faroeste um pouco crepuscular, colocado num ambiente selvagem e hostil!
Um abraço.
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Interviste condotte da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Sandro Palmas per la formulazione delle domande, di Bira Dantas per la caricatura e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.
MAURO BOSELLI
La storia aveva come titolo di lavorazione Tonto Creek. Il primo albo è intitolato Salt River e ben si adatta alle prime venti tavole, che però sono quelle che hai riscritto per Andreucci. Dal momento che la storia, inizialmente, doveva essere ambientata in una ghost town e non sulle rapide di un fiume, e che al Tonto Creek ci si arriva solo nelle pagine finali del secondo albo, come nasce questo titolo di lavorazione? Mauro Boselli:Sapevo già che la storia si sarebbe svolta nella regione del Tonto Rim e alla Riserva del Tonto Creek si arriva nella prima metà del primo albo.
Sempre in tema di titolo, come mai si è passati da Tonto Creek ad un meno evocativo Salt River? Mauro Boselli: Tonto ha per gli italiani una connotazione negativa: vuol dire scemo, tardo di comprendonio.
In questa storia, per opera tua, prosegue l’evoluzione di Kit Willer: probabilmente il personaggio ti permette di inserire quei duetti piccanti uomo/donna che altrimenti difficilmente potresti inserire nella saga. Sbagliamo? Mauro Boselli:Corretto! Ma lo stesso si potrebbe dire di Kit Carson. Chissà, prima o poi…
Veniamo al rapporto tenero e delicato che si crea intorno alle figure di Kit Willer e Sarah Wyatt. Nel secondo albo, dopo il sogno infranto, fai dire a Tex:”Mmm… mi verrebbe da dire che non hai molta fortuna con le innamorate, ragazzo mio!“. Insomma Kit Willer fa la figura medievalesca del paladino cortese che corre a salvare la dama, ma poi confermi la convenzionale tesi che lo vede puntualmente bastonato non appena si approccia a qualche gonnella. C’è la possibilità che, in futuro, l’esito appaia meno scontato? Mauro Boselli: Quièn sabe?, come direbbe Tex. Questa è solo UNA storia. Di solito non amo farle simili tra loro.
Jack Curtiss è un fuorilegge abilissimo a organizzare dei complicati piani strategici; nel finale, Tex gli salda il conto. Ti è venuta la tentazione di farlo salvare in modo da metterlo di nuovo sulla pista dei Nostri? Mauro Boselli: E perché mai? La storia non deve avere una soluzione finale? Perché lasciare in vita a tutti i costi un personaggio non particolarmente originale?
Tra i personaggi la figura di Sarah Wyatt è quella che ha colpito i lettori più aperti: la soluzione finale ti è stata in qualche modo suggerita dalla turbolenza caratteriale della ragazza, oppure l’avevi già pianificato all’inizio? Mauro Boselli: Di solito non so che cosa c’è IN MEZZO a una storia, ma il finale, tranne qualche raro caso, è già chiaro nella mia mente.
Questa storia sarà ricordata anche per l’insolito alone di violenza che la caratterizza. Nel secondo albo tre personaggi finiscono a penzolare dai rami di un albero e la stessa dottoressa Sarah rischia alla fine di essere impiccata dallo stesso gruppo di improvvisati vigilantes. Una lettura insomma in un certo qual modo dedicata soprattutto ad un pubblico adulto. Per chi scrive non vuole certo essere una critica, tutt’altro, ma alla SBE non temete levate di scudi da parte di qualche associazione? Mauro Boselli:No. E perché mai? Contesto che questa storia sia più spietata di altre scritte da me o da Gianluigi e Sergio Bonelli (penso agli impiccati di Caccia all’Uomo e I dominatori della valle).
STEFANO ANDREUCCI
Tornare a disegnare Tex dopo diversi anni ti ha creato delle difficoltà oppure tutto è filato liscio? Stefano Andreucci: Devo dire che è stato più difficile. Forse perché rispetto alla volta precedente ho usato una tecnica diversa, o forse perché stavolta volevo dare di più. Ho cercato di vedere il West con occhi moderni, senza uscire dai canoni abituali di Tex. Ho usato prospettive un po’ esagerate, piani inclinati e dinamici che non sono soliti sulla serie e questo mi ha un po’ rallentato.
Per l’occasione, dopo tanti anni trascorsi a disegnare i racconti di Dampyr, quali accorgimenti hai adottato? Stefano Andreucci: Nessun accorgimento particolare. Ho solo pulito un po’ il segno, ma l’atteggiamento è stato lo stesso usato per il Dampyr della quadrupla londinese.
Ti sei trovato a disegnare tutti e quattro i pard: escluso Tex, quale ti ha dato più difficoltà o ti ha più divertito disegnare? Stefano Andreucci: Ne ho disegnati tre. Ancora mi manca Tiger. Comunque mi sono molto divertito con Kit Willer. Tra i tre era quello che aveva maggior margine interpretativo. Invece è proprio con Tex che mi sono trovato maggiormente in difficoltà. Perlomeno nella fase iniziale. Carson invece è il più simpatico e già molto caratterizzato dai suoi bei baffoni. Divertente.
I tuoi personaggi sono tutti estremamente caratterizzati, penso in particolare al gruppo di ostaggi che sono rilasciati, nel deserto, dalla banda di Curtiss. Oppure alla bellissima dottoressa Wyatt. Per ispirarti a chi o cosa hai guardato? Stefano Andreucci: In genere mi ispiro al cinema, alle persone che incontro, agli animali, a tutto. Per la dottoressa ho usato il volto di un’attrice di qualche anno fa, indicatami da Mauro. Ma l’ho usata solo per l’ispirazione.
A sfogliare gli albi tutto sembra ben curato. C’è qualcosa che non ti ha lasciato pienamente soddisfatto? E qualcosa di cui invece vai giustamente orgoglioso? Stefano Andreucci: Si nota troppo la ricerca di uno stile e la sperimentazione. Risulta un lavoro un po’ disomogeneo. Ma credo di essere giunto a qualcosa e nel prossimo Tex mi concentrerò solo sulla storia, per renderla al meglio.
Tra il primo e il secondo albo notiamo un evoluzione stilistica che è stata pienamente promossa anche dagli intenditori più esigenti. In che modo prevedi di affinare il tuo tratto nella prossima storia? Stefano Andreucci: Appunto! Credo di aver trovato un equilibrio soddisfacente. Nel prossimo albo ci sarà un po’ di sicurezza in più. E questo farà bene alla storia.
Quanto tempo hai impiegato per disegnare questa avventura? Stefano Andreucci:Troppo.
Quale scena ti ha più impegnato – dal punto di vista tecnico – e quale ti ha invece divertito realizzare? Stefano Andreucci: Il treno è stato molto difficile da realizzare, anche in considerazione del fatto che una buona parte del secondo albo si svolge proprio sul convoglio. Specialmente gli interni, perché l’ambiente è stretto e l’azione ne risulta soffocata. Un po’ impedita. L’ho disegnato come se fosse uno storyboard cinematografico, pensando di volta in volta a una reale collocazione della cinepresa. La vignetta che mi piace di più è quella dove uno dei banditi e un passeggero del treno, si sparano a pochi passi di distanza all’interno del vagone passeggeri. Uno scontro molto realistico e moderno, per il quale devo ringraziare Boselli. Quella del treno è stata anche la scena che mi ha dato maggiori soddisfazioni.
Il tuo prossimo lavoro texiano sarà a quanto pare un Texone. In questa tua seconda storia, potendo contare sul tuo talento, Boselli ti ha fatto spaziare dai canyons alle rapide del fiume, agli spazi sterminati della pianura, alle small towns dell’Arizona e per finire, ti sei dovuto confrontare con il treno, in assoluto una delle cose più difficili da disegnare. Ritornando al Texone, hai qualche richiesta in particolare da rivolgere all’autore? Stefano Andreucci:Ti ringrazio per l’offerta mediatrice, ma queste sono cose che si risolvono… come dire… in casa. Però voglio darti un po’ di soddisfazione. Mi piacerebbe disegnare un western un po’ crepuscolare, collocato in un ambiente selvaggio e ostile!
Ciao.
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Paulo Castilho: Chamo-me Paulo Castilho, nasci no ano de 1965 em uma cidade chamada Goiatuba (GO). Ao completar 40 anos de idade eu resolvi aposentar-me por conta própria. Aqui no Brasil falam que “o homem nasce aos 40 anos”, e resolvi levar isso a sério. Como estou com “7 anos de idade” (pelo ditado brasileiro), não posso trabalhar (…risos…). Brincadeirinha. Trabalho com restauração de áudio e vídeo. Levo muito a sério o que Hal Foster dizia: “Trabalho para viver, não vivo para trabalhar”. Em minhas horas vagas pratico desportos de aventuras. Todo ano viajo para o Parque Nacional do Xingu, uma reserva indígena aqui do Brasil, onde sou amigo de várias etnias. Nas horas vagas dedico-me ao meu blogue, que é relacionado com a banda desenhada: www.hqpoint.blogspot.com
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Paulo Castilho: Quando eu tinha sete anos de idade, o meu irmão coleccionava revistas aos quadradinhos. Eu ficava fascinado com todos aqueles desenhos. Eu não sabia ler e ficava o tempo todo admirando as ilustrações. Posso dizer que os quadradinhos foram o meu incentivo para aprender a ler. Aos nove anos, a minha família foi morar em uma cidade do interior e lá não havia livrarias nem lojas que vendiam tais revistas. Certa vez, os meus pais viajaram para uma cidade maior e levaram três exemplares da revista TEX, Fuga Dentro da Noite (nº 5), A Flecha Negra (nº 10) e A Ferro e Fogo (nº 12). Eu já tinha uma pequena colecção de revistas, mas foi a partir de TEX que eu comecei a levar a coisa mais a sério e não parei mais.
Quando descobriu Tex? Paulo Castilho: Senti-me atraído por TEX desde os primeiros três exemplares, mas foi quando li as histórias desenhadas por TICCI que eu fiquei fã mesmo. As histórias que ele desenhava eram sempre cheias de índios, florestas e belíssimos desertos. Aquilo fascinava-me e após cada leitura, eu reunia os meus amigos e ia brincar de bang-bang. Pegávamos as nossas bicicletas e íamos para os arredores da cidade, dividíamos em dois grupos (os mocinhos e os bandidos) e brincávamos em nossas “batalhas imaginárias”. TEX era a nossa fonte de inspiração.
Porquê esta paixão por Tex? Paulo Castilho: Acredito que todas as crianças de nossa época eram fãs de bang-bang e TEX completava essa paixão. Com o tempo, na medida em que eu ia amadurecendo, comecei a prestar atenção a outros detalhes – roteiros e desenhos. Hoje eu vejo TEX como uma verdadeira obra de arte, mas também tem o lado psicológico… ao ler TEX, indirectamente estamos alimentando uma fantasia da infância.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Paulo Castilho: O grande problema dos quadradinhos hoje em dia é que a Marvel e DC os tratam como uma fonte de renda, uma indústria sem escrúpulos com os artistas que produzem as histórias. Com a Bonelli essa sensação não vem à tona. É claro que toda e qualquer editora tem as suas revistas como um “produto” e eles precisam “ganhar dinheiro”, mas a Bonelli passa uma imagem diferente, parece haver mais respeito ao leitor. Não é só TEX que me chama atenção… todas as revistas publicadas pela Bonelli me são agradáveis.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? Paulo Castilho: Já cheguei a ter todos os exemplares de TEX. Hoje restam-me umas 300 edições. Estou digitalizando todas. Pretendo conservar a minha colecção digitalmente. Não existe um exemplar específico que seja mais importante para mim, toda a minha colecção tem o seu valor.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Paulo Castilho: Colecciono todo o tipo de quadradinhos, mas tenho preferência pelos europeus. Da Bonelli, depois de TEX, os que mais me atraem são Dylan Dog, Martin Mystère, Mágico Vento e agora Face Oculta (Volto Nascosto), que está sendo publicada aqui no Brasil pela Panini.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Paulo Castilho: Tenho um amigo na Itália, que sempre que vem ao Brasil traz-me alguns presentes relacionados a TEX. Na última viagem ele trouxe-me uma action figure do TEX e Dylan, que passaram a ser os meus itens mais valiosos da minha colecção.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Paulo Castilho: “Caçada Humana” (nº 68) é sem dúvida a melhor história já publicada de TEX. É claro que têm surgido histórias muito boas, “A Escolta” (nº 516) e “Os Bravos do Forte Kearny” (nº 517), é um bom exemplo disso. Quando Joe Kubert preferiu desenhar uma história de TEX agindo sozinho, ele estava certo. Faraci provou que é mais fácil trabalhar com TEX “solitário”, o que dá mais liberdade à personagem. Na citada história, Tex está bem mais violento… o roteiro ficou solto e interessante, sem muita conversa mole.
Antonio Segura era sem dúvida um dos melhores argumentistas da actualidade. Com a sua morte eu escolho as histórias de Manfredi. Os roteiros que ele escreve sempre são interessantes e informativos (assim como tudo que ele escreve). Os roteiros escritos por Claudio Nizzi estavam se tornando chatos e repetitivos. No começo, assim que começou a escrever, ele até agradava. Com o passar do tempo, fui perdendo interesse em ler as histórias escritas por ele.
Giovanni Ticci foi o desenhador que me atraiu, mas os desenhos dele começam a mostrar falhas por causa de sua idade avançada. Claudio Villa e Mastantuono são sem dúvida os melhores desenhadores da actualidade.
Acredito que Civitelli está se expondo demais e isso pode ser prejudicial ao trabalho dele. Um artista de talento como ele tem que se poupar, aparecer menos. O excesso de publicações com seus trabalhos podem ser uma armadilha e podem tornar os desenhos dele enjoativos. Claudio Villa é um exemplo, seus desenhos são belíssimos e temos que nos contentar com suas capas… de vez em quando somos brindados com uma história de sua autoria. Isso deixa os fãs querendo ver seus trabalhos, deixando um gostinho de ansiedade.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Paulo Castilho: Gosto da variedade de artistas presentes em suas histórias. O que não me agrada é o formato da revista aqui no Brasil. TEX é o título mais vendido nas bancas daqui e acho que já é hora da Mythos adoptar o formato italiano, coisa que a Panini está respeitando ao publicar Face Oculta.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Paulo Castilho: O que tem ajudado TEX a fazer sucesso, pelo menos aqui no Brasil, é que a grande maioria de seus leitores (acima dos 40 anos) são pessoas que liam bolsilivros (pequenos livretos de bang-bang) dos anos 70 e 80. Essas pessoas acabaram passando o hábito de ler Tex aos filhos e isso vem se repetindo geração após geração. Raramente encontramos um leitor novo que foi à banca e se interessou pela revista. Mas isso vai mudar, como comentarei na última pergunta.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Paulo Castilho: Fazemos reuniões sempre que possível. As conversas são sobre quadradinhos em geral e nunca especificamente sobre TEX. Tenho feito uma boa propaganda da personagem italiana e já notei que o interesse está aumentando entre os meus amigos.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Paulo Castilho: Com a inclusão de novos desenhadores e novos argumentistas TEX só tem a ganhar. Apesar de lamentar muito a morte de Sergio Bonelli, fico ansioso para ver o que os novos editores irão fazer com a personagem. Acredito que a revista irá tornar-se cada vez mais interessante e com isso atrairá novos leitores. Cabe a nós, fãs da personagem, divulgar essas mudanças e tentar fazer com que novos leitores sejam atraídos.
Espero que algum dia tenhamos uma edição de TEX desenhada por algum artista brasileiro… seria o ápice.
Prezado pard Paulo Castilho,agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Marino Silverio Felipetto (que tem um pequeno negócio, onde é desenhador gráfico e trabalha com a comunicação visual) é um gaúcho de Esteio no Rio Grande do Sul, no Brasil, que lê as edições brasileiras de Tex desde 1973 e cujo primeiro exemplar do Ranger que leu foi “O Corcel Sagrado” (Editora Vecchi), conforme se pode constatar lendo a entrevista exclusiva que concedeu o ano passado ao nosso blogue e que pode ser lida clicandoAQUI, sempre gostou de rabiscar, sobretudo o género faroeste, e para mostrar uma vez mais o seu dom a todos os nossos leitores, enviou ao blogue português do Tex mais alguns desenhos que fez, ilustrações essas que publicamos então de seguida a ilustrar este pequeno texto.
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