Entrevista com o fã e coleccionador: Juliano Garcia

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Juliano Garcia: Nasci na cidade brasileira do Rio de Janeiro, no começo dos anos 80 e, no fim dos 90 mudei para São Paulo. Sou professor da rede estadual, onde lecciono Ciências.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Juliano Garcia: Sempre gostei de quadradinhos, desde pequeno. Meu primeiro, foi da turma da Mônica e, depois, foram surgindo outros interesses como DC e Marvel.

Quando descobriu Tex?
Juliano Garcia: Em 1996, quando o meu cunhado deu-me a edição Tex gigante “O Vale do Terror”.

Porquê esta paixão por Tex?
Juliano Garcia: A primeira história tão bem escrita e desenhada fez-me criar um desejo de ler mais e conhecer este mundo do far west.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Juliano Garcia: Tex é como Batman e Arqueiro Verde, não possui super-poderes, o que o torna mais parecido com alguém que realmente já existiu, mas é dotado de um cérebro privilegiado, muita sorte e audácia.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?
Juliano Garcia: Tenho Tex do número 300 até o actual, o 520. Tex Gigante, 23 revistas. Tex Anual, as 13 edições. Tex Almanaque, 38 revistas. Algumas precisam ser completadas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Juliano Garcia: Não. Apenas o chaveiro que veio em uma das edições anuais.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Juliano Garcia: Dentre tantos que me vêm à cabeça, acredito ser os seus colts 45.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Juliano Garcia: A minha história preferida é a primeira que li, “O Vale do Terror”. O desenhador é Claudio Villa e o argumentista é o Mauro Boselli que dá mais ousadia para Kit Carson.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Juliano Garcia: O seu senso de justiça agrada-me mais e o que me agrada menos são as histórias desenhadas por Lettèri.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Juliano Garcia: Os roteiros fiéis ao herói, que não mudam nem inventam coisas, mas que na simplicidade conseguem a cada história fazer coisas novas.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Juliano Garcia: Não. Nunca tive oportunidade.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Juliano Garcia: Não acredito que haverá muitos fãs no futuro. Acredito que em algumas décadas Tex será tratado como uma raridade.

Prezado pard Juliano Garcia, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex Willer por José Aguiar

Formado em Artes Plásticas pela Faculdade de Artes do Paraná, no Brasil, José Aguiar é desenhador de banda desenhada. Em Espanha, participou da colectânea Consecuèncias. Em França, da colectânea Flying Doctors – Un Jour de Mai onde ilustrou dois álbuns da série de aventura Ernie Adams, publicados por Editions Paquet. Em 2005 venceu o I Concurso Internacional de Quadrinhos do SENAC-SP. Alguns de seus álbuns de BD são: Quadrinhofilia (HQM), trabalho pelo qual foi indicado, como melhor argumentista e desenhador no troféu HQMIX; A Revolta de Canudos (Escala Educacional) e Ato 5 (Quarto Mundo). Sua tira Folheteen, além de álbum (Devir), também foi publicada nos jornais Gazeta do Povo, Jornal do Estado e O Globo. Premiado pelo Goethe-Institut, criou o projecto Reisetagebuch- Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha. José Aguiar é também coordenador da GIBICON- Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, evento que nas suas duas edições já realizadas deu amplo destaque a Tex Willer.

José Aguiar confessa que nunca foi o maior fã de faroeste que o mundo já viu. Na verdade, só começou a respeitar o género após ler os quadradinhos do Tenente Blueberry e, principalmente, Ken Parker. Este último em especial, um dos melhores quadradinhos que já leu até hoje, na sua óptica. O clássico filme Era Uma Vez no Oeste foi outra obra que o fez olhar o género com novos olhos.

Mas indo directo ao ponto, hoje damos destaque a josé Aguiar porque em 2008 aquando dos 60 anos de Tex ele foi convidado para realizar uma ilustração dedicada aos 60 anos do caubói mais famoso dos quadradinhos: Tex!

O Ranger nunca foi uma de suas leituras favoritas, devido a ser, segundo o próprio José Aguiar, uma personagem clássica, mais apegada a fórmulas consagradas “Tanto que a maior parte dos leitores de Tex não são os leitores habituais de quadradinhos a quem costumamos associar as legiões de fãs que consomem essa arte.” Posto isto divulgamos de seguida a sua versão da mítica personagem italiana criada por G. L. Bonelli:

Tex Willer por José Aguiar

Tex Story: o passado de Tex numa nova colecção

A partir de 11 de Abril, na Itália, teve início una nova colecção, de quatro volumes mensais, que repropõe integralmente a história do passado do Ranger!

“Inoxidável” é o adjectivo que é sempre usado espontaneamente quando se fala de Tex. Quase como se fosse realmente de aço, o nosso Ranger parece realmente insensível ao transcorrer do tempo: o seu carácter – como personagem – e a sua tenacidade – como fenómeno editorial – parecem imutáveis. Portanto, cada vez que se deseja redescobri-lo e revisitá-lo, lá está ele, novo e surpreendente quase como se fosse a sua estreia. É esta constatação que  – desde há muitos anos – impele a Editora Mondadori, na Itália, a propor novamente  “selecções escolhidas” das suas aventuras, procurando, na vastíssima epopeia western de Águia da Noite, mini-sagas e episódios que permaneceram no coração dos leitores.

Seguindo o caminha traçado pela série anterior “Tex contra Mefisto“, o editor Mondadoriano lançou nos quiosques e na livrarias, respectivamente a 11 e a 14 de Abril, o primeiro volume de “Tex Story”, uma obra em quatro partes que – sob a prestigiada marca da colecção Super Miti – veio com um pequeno presente para os leitores: uma bela e apropriada caixa de papelão para armazenar ordenadamente os quatro tomos.

Objecto da colecção são, neste caso, alguns entre os momentos mais “quentes” da biografia texiana, aqueles que contribuíram, por assim dizer, a “desenhar o perfil do indestrutível Willer. O primeiro destes volumes foi intitulado “Quando tuona il cannone” (“Quando explodem os canhões“), cuja capa, da autoria de Claudio Villa, podemos ver acima.

Nos próximos meses seguir-se-ão os restantes três volumes que compõe a obra: “Il patto di sangue” (“o pacto de sangue“), “Il giuramento” (“Juramento de vingança“) e “Il figlio di Tex” (“O filho de Tex“), todas as histórias, tais como na primeira série, produzidas pela lendária dupla composta por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini. Único convidado de honra na colecção Tex Story, a aventura “Sul sentiero dei ricordi” (“Na Trilha das Recordações“), realizada, em 2008, por Claudio Nizzi e Fabio Civitelli.

Todas estas sensacionais histórias do passado de Tex serão então revivida no âmbito de quatro volumes propostos mensalmente pela editora Mondadori na série SuperMiti (cujas capas, todas da autoria de Claudio Villa, mostramos a ilustrar este texto), volumes esses a preto e branco e que trazem então todas estas aventuras que deram a conhecer o passado do célebre Ranger, num ciclo de histórias popularíssimas e estritamente interligadas entre si, publicadas pela primeira vez de forma contínua e em rigorosa ordem cronológica a um preço de 9,90 Euros por volume.
Boa leitura!

Como Faraci e os irmãos Cestaro transformaram uma espingarda numa pistola em “O Xerife Índio”

Por José Carlos Francisco e Júlio Schneider

Ao longo de uma história de banda desenhada, à medida que o número de páginas aumenta e o tempo decorrido acumula, é cada vez mais difícil manter a consistência interna, sem que ocorram erros de continuidade, isto é, as discrepâncias entre o conteúdo de vinhetas sequenciais de uma cena, ou entre uma cena e a cena seguinte. Em Tex, devido ao extenso número de páginas de cada história é muito fácil acontecerem erros de continuidade e vários têm acontecido ao longo das mais de seis décadas de vida do Ranger.

O desenhador, e por vezes, também o argumentista, apesar de tomar o máximo cuidado para não cometer erros de continuidade que mais tarde ficarão óbvios para os leitores em geral, por vezes não consegue evitá-los, seja por distracção, cansaço ou outro motivo qualquer, como por exemplo podemos constatar na história de Tex intitulada “O Xerife Índio” (publicada pela Mythos nas edições nº 483 e 484, em Janeiro e Fevereiro de 2010), escrita por Tito Faraci e desenhada pelos irmãos Gianluca e Raul Cestaro.

Nesta história que marcou a estreia de Faraci a escrever Tex, apesar de não ter sido a primeira a ser publicada e onde Gianluca e Raul impressionam na evolução patente, conseguindo elevar ainda mais uma aventura, já de si, de grande qualidade, ocorreu um desses erros de continuidade que passou pelas várias revisões feitas pelos três autores e pela própria redacção da editora italiana, já que ao descrever a cena dos índios que atacam a cabana onde estavam Tex e Frank (páginas 86 a 97 de Tex nº 483), o argumentista Tito Faraci escreveu que “os cinco índios usam espingardas”, mas por ligeira distracção, ao elaborar a página 93 ele trocou a arma e escreveu “pistola”, o que originou que ao se aproximar da cabana, na página 92, o índio empunha uma espingarda e, depois de levar uma coronhada de Tex, essa mesma arma jaz no chão a seu lado, na página 94. Porém, entre esses dois actos, o índio segura uma pistola, como se pode observar na sequência que apresentamos de seguida:

Como os irmãos Cestaro têm um método de trabalho interessante, em que um faz as páginas pares e outro as ímpares, o fratello que que fez a página intermediária não se deu conta da troca de armas, detalhe esse, que como dissemos anteriormente, passou despercebido na Itália, mas o mesmo não ocorreu no Brasil, onde os olhos de águia dos atentos revisores da Mythos Editora corrigiram-no de modo a que os leitores portugueses e brasileiros não se dessem conta do ocorrido, como podemos também constatar de seguida:

HERNÂNI PORTOVEDO, o TEXIANO português que VENCEU A TAÇA DA LIGA ao F. C. Porto

Por José Carlos Francisco

Hernâni Portovedo, um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex a nível mundial

Hernâni Castanhas Rodrigues Portovedo, director-geral da empresa Bragaparques, é um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex, não somente de Portugal, mas de todo o mundo, pois é o proprietário de uma das maiores e mais valiosas colecções do Ranger, mas o que muitos pards não sabem é que o Hernâni Portovedo é também administrador financeiro do Sporting Clube de Braga, histórico clube português que neste sábado, dia 13 de Abril, cometeu a grande façanha de conquistar pela primeira vez no seu longo historial, a edição de 2012/13, a sexta, da TAÇA DA LIGA. Os arsenalistas derrotaram o F.C. Porto por 1-0, escrevendo mais uma página vitoriosa na sua história, depois das conquistas da Taça de Portugal na temporada 65/66, e da Taça Intertoto em 2008 e como podemos ver na fotografia que se segue, também o nosso prezado pard Hernâni venceu o troféu, tendo inclusive o privilégio de acariciar este belo troféu que já foi ganho por quatro vezes, consecutivamente nos últimos quatro anos, pelo mítico Sport Lisboa e Benfica e pelo Vitória de Setúbal aquando da sua primeira edição:

Hernâni Portovedo, o texiano administrador financeiro do Sporting Clube de Braga acaricia a Taça da Liga conquistada pelo seu clube

Um arsenal de valentes guerreiros conseguiu derrubar o poderoso dragão. Nada de fisgas, ou outros artefactos. O conjunto de Hernâni Portovedo colocou-se em bicos dos pés e enfrentou o oponente de olhos nos olhos. Primeiro deixou que o conjunto azul e branco infligisse um golpe fatal a si mesmo, e depois soube gerir e esperar que o gigante caísse derrotado.

Alan entrega Taça da Liga ao presidente António Salvador com Hernâni Portovedo a aplaudir

A expulsão de Abdoulaye mesmo a terminar o primeiro tempo, dando ainda a oportunidade do Sp. Braga se adiantar no marcador, através da marcação de uma grande penalidade,foi um golpe demasiado profundo na ambição portista.

Penalty convertido por Alan dá Taça da Liga a Hernâni Portovedo

Rezava a lenda que em duelos finais nunca os guerreiros do Minho tinham conseguido abater o voo do dragão. Em quatro confrontos em finais, haviam saído sempre chamuscados e vergados ao poder azul e branco – em 76/77 e em 97/98 na Taça de Portugal; em 98/99 na Supertaça (disputada a duas mãos), e, mais recentemente, na época 2010/2011, na Liga Europa.

Os jogadores que venceram brilhantemente a 6ª edição da Taça da Liga

Mas estes guerreiros não queriam ser derrotados pela história. Essa já é passado. Está escrita, e acabada. E o presente é que é para ser vivido, acrescentando novos capítulos à história. Este é um episódio dourado na biografia dos corajosos guerreiros onde se inclui o “nosso” Hernâni Portovedo. E será sempre recordado não só pelas gentes bracarenses mas também pelos texianos.

O festejo de Alan pelo penalty convertido

É a confirmação efectiva (com um título, leia-se) de que este Sp. Braga é um grande em crescimento. Depois de uma Taça de Portugal ganha na longínqua época de 65/66 os bracarenses voltam aos títulos em Portugal e desta vez na presença de um especial e importante fã e coleccionador de Tex Willer!

A Taça da Liga com sabor texiano

Esta conquista não será suficiente para saciar os esfomeados adeptos minhotos. Mas não deixa de ser uma conquista que os enche de orgulho, como fizeram questão de o mostrar ainda no estádio. Merecido.

Braga saiu à rua para festejar esta conquista

Milhares de adeptos saudaram a equipa

Todos juntos na Câmara Municipal de Braga com a tão desejada Taça da Liga

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