João Miguel Lameiras: Ainda está nas bancas (portuguesas) um dos melhores Tex Gigante de sempre

Por João Miguel Lameiras*

Por regra, os meus textos destinados ao Diário As Beiras, saem primeiro no jornal, antes de serem publicados em versão alargada neste blogue. Mas no caso do texto desta semana, dedicado ao Tex Gigante nº 25, que termina o seu percurso nas bancas no início da próxima semana, decidi abrir uma excepção para evitar que muitos dos meus leitores só se apercebam da saída deste belíssimo livro, quando ele já não estiver à venda.

E a verdade é que é mesmo um crime perder o melhor Tex Gigante que já li e que, por isso mesmo, já tinha feito parte da lista das minhas Melhores Leituras de 2011, apresentada neste blogue em Janeiro de 2012.

Escrito por Gianfranco Manfredi, o argumentista do excelente Western “Mágico Vento”, outra bela série da Bonelli que também chegou a Portugal via edição brasileira da Mythos, o argumento de “Na Trilha do Oregon” surpreende pelo destaque pouco habitual dado às personagens femininas. Personagens essas que, por regra, brilham pela ausência no universo do ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, mas que aqui estão no centro da bem urdida intriga, centrada no percurso de uma caravana de mulheres, que se dirige para o Oregon, onde as esperam os futuros maridos e que se cruzam com Tex e Kit Carson, que seguem o mesmo caminho, em perseguição de um assassino fugitivo.  E, ao contrário do que seria de esperar, estas mulheres não são meras figurantes, mas personagens bem definidas, tal como o assassino que os heróis perseguem e que se revela uma figura trágica, por quem o leitor acaba por sentir alguma piedade.

Mas, apesar do belo argumento de Manfredi, o melhor deste Texone é o desenho do argentino Carlos Gomez. Numa colecção por onde já passaram grandes nomes da BD mundial, como Magnus, Joe Kubert, Jordi Bernett, Victor De La Fuente, Manfred Sommer, Guido Buzelli, ou José Ortiz, o traço elegante e pormenorizado de Gomez destaca-se ainda assim, confirmando o extraordinário talento do desenhador argentino, praticamente desconhecido em Portugal, mas muito popular em Itália graças à série “Dago”, que desenhou entre 1997 e 2008. Série que narra as aventuras de um nobre veneziano do século XVI que se torna mercenário, “Dago” foi o maior sucesso da Eura Editoriale, a grande concorrente da Bonelli nos quiosques italianos, muito por força do desenho de Gomez.

Tendo começado a sua carreira como assistente dos desenhadores argentinos Lito Fernandez e Horacio Lalia, Gomez saltou para a ribalta em 1997, quando substituiu Alberto Salinas, o filho do mítico José Luis Salinas, o desenhador de Cisco Kid, na série “Dago”, escrita pelo prolífico argumentista Robin Wood. Habituado a desenhar cavalos na série “Dago”, Gomez revelou-se uma escolha inspirada para desenhar um Western como Tex. Mas não é só nos cavalos que o desenhador argentino brilha, pois o desenhador argentino revela-se exuberante no tratamento dos cenários, notável na expressividade dos rostos e extraordinariamente eficaz nas cenas de acção. Com um traço de raiz clássica, que alia a visceralidade e o dinamismo à elegância, Gomez revela-se à altura dos grandes desenhadores do seu país, como Solano Lopez, José Muñoz, Alberto Breccia, Enrique Breccia, Eduardo Risso ou Horacio Altuna.

Em resumo, se a colecção Tex Gigante merece sempre atenção, este “Na Trilha do Oregon” é mesmo a não perder, para quem gosta de uma história bem contada, servida por um excelente desenho realista de um artista argentino que se revelou um mestre dos fumetti, a BD italiana.

(“Tex Gigante nº 25: Na Trilha do Oregon”, de Gianfranco Manfredi e Carlos Gomez, Mythos Editora, 242 pags, 10,00 €)
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*Versão integral do texto a publicar no Diário As Beiras de 7 de Setembro de 2013

Copyright: © 2013 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD, autor do blogue Por um punhado de imagens

Tex Gigante nº 25 “Na Trilha do Oregon” no diário As Beiras de 7 de Setembro de 2013

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A capa (e o respectivo esboço) de Tex #635, “Il segreto del giudice Bean”

Por José Carlos Francisco

Neste mês de Setembro, mais precisamente no dia 7, a Sergio Bonelli Editore publicará a edição número 635 de Tex, intitulada “Il segreto del giudice Bean” e que marcará a estreia de Pasquale Frisenda na série principal de Tex depois do estrondoso sucesso obtido em 2009 com o Tex Gigante “Patagónia”, num ano em que recebeu o prestigiado troféu Gran Guinigi, atribuído anualmente ao melhor desenhador italiano.

“Il segreto del giudice Bean” (“O segredo do juiz Bean”) é a primeira parte de uma história escrita por Mauro Boselli e que traz o regresso do juiz Roy Bean, histórica personagem real do Velho Oeste que apareceu anteriormente nas aventuras do Ranger, mais precisamente em Tex Edição Histórica #64 – A Lei de Roy Bean.

A capa, como todas posteriores ao número 400, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa e do esboço inicial tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex.


E a propósito das suas cores Claudio Villa confidencia: “Eu dou uma ‘indicação’ de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa. Depois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz…“:


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Andrea Venturi em Viseu: a arte de fazer felicidade e alegria

Por José Carlos Francisco (texto e fotografias) e Orlando Santos Silva (fotografias)

Andrea Venturi, José Carlos Francisco e Ana Beatriz com os seus tesouros assinados por Andrea Venturi

Andrea Venturi, o ilustre desenhador italiano de Tex que esteve presente no 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, em Portugal, realizou belos desenhos feitos na hora, distribuiu autógrafos e sorrisos para além de posar para fotos ao lado dos seus inúmeros fãs presentes na bela e pacata cidade de Viriato e que foram até lá para vê-lo de perto, fazendo com que todos os Texianos presentes em Viseu  desfrutassem da sua simpatia,  disponibilidade e arte, cultivando em elevado grau a arte de fazer feliz todos que o rodeavam e utilizando a sua deslumbrante arte para fazer felizes as pessoas ao seu lado, conforme se demonstra nesta sucessão de belas fotografias onde os possuidores dos tesouros Texianos autografados por Venturi irradiam felicidade por todos os poros:


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Andrea Venturi e José Carlos Francisco com o desenho original de Tex em Viseu

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Tex em Cores nº 15 tem capa INÉDITA

Por José Carlos Francisco

Contra-capa de Tex em cores nº 15

Neste mês de Setembro será posto à venda no Brasil, pela Mythos Editora “Os anjos da justiça“, o número 15 da série TEX EM CORES, colecção que apresenta as aventuras de Tex na ordem em que foram publicadas originalmente na Itália, desde a edição nº 1, em 1948 e cuja colorização foi feita pela Sergio Bonelli Editore para uma colecção de grande sucesso (Collezione Storica a Colori) que foi publicada na Itália entre 2007 e 2011, com a particularidade de se poder confrontar o “velho” com o novo Tex, inteiramente em “technicolor”.

A estrutura da colecção brasileira tem 240 páginas de quadradinhos, além das interessantes matérias da autoria de Sergio Bonelli e Júlio Schneider, numa parte introdutiva na qual o editor italiano na rubrica “Sergio Bonelli conta…” e o tradutor, consultor e articulista brasileiro em “Julio’s Tavern” – uma exclusividade da edição tupiniquim -, contam segredos e bastidores ligados à realização e ao sucesso de TEX na Itália e no Brasil. O menor número de páginas da edição brasileira (248 contra 304 da italiana) faz com que, a cada seis edições de Tex em Cores, sejam usadas cinco capas originais e uma nova capa inédita, tal como aconteceu com as capas da autoria de Claudio Villa no número 4 e Aurelio Galleppini no número 9.

Capa (inédita) de Tex em cores nº 15

Desta vez a capa é novamente de Claudio Villa e embora tenha sido publicada na Itália num póster Tex Nuova Ristampa é INÉDITA no Brasil e praticamente desconhecida na Itália porque é uma ilustração muito recente. Este facto torna esta edição da Mythos muito especial, até por já se saber que é muito desejada por leitores dos outros países que sempre procuram possuir este tipo de exemplares especiais.

Ilustração original de Claudio Villa

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Visita guiada (por Andrea Venturi) à exposição “Tex Gigante – I pioneri” no 18º Salão Internacional de BD de Viseu

Por José Carlos Francisco (texto), Cristina Amaral (fotos) e Orlando Santos Silva (fotos e vídeo)

Visita guiada (por Andrea Venturi) à exposição dedicada ao Tex Gigante – I pioneri

Após a Cerimónia de Inauguração do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, no dia 10 de Agosto, Andrea Venturi disponibilizou-se de pronto para na companhia dos muitos interessados, fazer uma visita guiada à exposição dedicada ao seu recente Tex Gigante “I pioneri“.


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Andrea Venturi, um autor magnífico que desenha extraordinariamente bem (é de um cuidado extremo na recolha de elementos para as suas histórias conforme explicou durante o evento) é de uma empatia inacreditável para com o público e isso foi bem visível para todos.


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Durante a visita guiada à exposição, Venturi sempre rodeado por muita gente interessada em o acompanhar, não se cansava de explicar a maneira como desenhou determinada vinheta, a técnica utilizada (tudo a pincel, mesmo os traços mais finos), os cenários autênticos onde a acção se desenrola (captados através de fotografias, de filmes ou documentários), a maneira como Tex deve ser desenhado… além disso, através da visão e apreciação ao pormenor das pranchas no seu tamanho original, apercebe-se que entre a prancha desenhada pelo autor e a página que será impressa, por vezes há algumas mudanças, umas mais subtis, outras menos.


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Foi, realmente, (mais) um momento extraordinário (como as várias fotografias e o vídeo – onde fala das dimensões da prancha – que ilustram este texto, provam) deste 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, que certamente todos guardarão na sua memória…

Orlando Santos Silva, Andrea Venturi e a prancha inicial do Tex Gigante “I pioneri”

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