Os kalkitos de Tex Willer

Por José Carlos Francisco

Os Kalkitos (nome comercial em Portugal e muito conhecido nos Estados Unidos como Action Transfers) eram tiras de papelão, em dois modelos: tamanho pequeno e grande, com imagens impressas numa das suas faces. Estas imagens eram ambientadas em cenas de história, de acção, de desportos ou de desenhos animados. Para complementar o passatempo, os Kalkitos traziam uma folha transparente (tipo papel vegetal) com as personagens e objectos para serem decalcados nas imagens impressas, através da fricção da parte de trás da folha transparente, com a ajuda de uma caneta, lápis ou algum objecto pontiagudo.

A imagem da folha transparente é obtida num processo denominado de cromolitografia e a sua fixação, nas tiras de papelão, dispensava outros métodos, pois esta imagem, após friccionada, é autocolante. Com um baixo custo de aquisição, era possível, com vários Kalkitos em mãos, fazer diferentes composições num mesmo cenário, pois muito gostávamos de usar papel e lápis na nossa infância, e adorávamos tudo o que despertasse a nossa imaginação e os Kalkitos preenchiam na perfeição esses dois requisitos. Podíamos recriar uma batalha épica ou apenas um acampamento de escuteiros, tudo era possível nas revistas Kalkitos, ou então colocávamos em cadernos ou no nosso quarto, ficava à nossa escolha.

Os Kalkitos foram um sucesso em Portugal e eram editadas umas revistas (da Gillette Portuguesa Ltd) próprias para colocarmos estes decalques divertidos, ou então podíamos comprar os vários pacotes que se vendiam um pouco por todos os quiosques e papelarias do país, mas eram sobretudo nas revistas onde podíamos decalcar e nos divertir, revistas essas que vinham no tamanho normal ou gigante (normalmente com grandes paisagens) e podiam ir desde uma BD do Astérix, Buffalo Bill, ou Zé Colmeia a uma batalha da Segunda Guerra Mundial ou um cenário em pleno espaço sideral.


Mas Tex Willer, o nosso amado Ranger também na Itália teve os seus kalkitos, mais precisamente em 1978 e com o selo da prestigiada Mondadori. Por lá o nome desta prazerosa brincadeira era “Il Trastoriello” e Tex teve direito a três coleccionáveis: “Fort Apache“, em Abril de 1978, “Il campo indiano“, em Julho do mesmo ano e “Assalto alla diligenza“, em Outubro também de 1978.

Hoje em dia são itens raríssimos e muito cobiçados pelos fãs, mas sobretudo pelos coleccionadores de Tex, daí serem também valiosíssimos a ponto de serem vendidos por valores entre os 225 e os 400 Euros, quando em óptimo estado de conservação e com todos os kalkitos por colar, como os que mostramos nas imagens que ilustram este texto.

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Masterclass em São Paulo, Brasil, com IVO MILAZZO

* Masterclass (lição ou aula ministrada por um artista conceituado em determinada área a um grupo reduzido de alunos previamente inscritos. Os alunos têm a oportunidade de participar e são convidados a executar, em parte ou na integra os trechos em sumário) com IVO MILAZZO e avaliação de portefólio com TOMMASO  d´ALESSANDRO.
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O Instituto dos Quadrinhos de São Paulo, Brasil, traz para todos os apreciadores brasileiros da nona arte,  dois grandes nomes da Banda Desenhada Europeia, Ivo Milazzo e Tommaso d’Alessandro.

Ivo Milazzo foi o responsável por desenhar Tarzan, Diabolik e Il Palafita, entre outros, inclusive Tex Willer na história “Sangue no Colorado” publicada na série Tex Gigante. Em 1974 criou Ken Parker, junto com Giancarlo Berardi, que chegou aos quiosques italianos em 1977. Com 59 episódios, a série durou até 1984. Mais tarde ele e Berardi criam novas aventuras de Ken Parker, publicadas no Brasil pela Mythos Editora.
Actualmente Ivo, prepara a volta triunfal de Ken Parker com a participação de artistas brasileiros do Instituto dos Quadrinhos!

Tommaso d’Alessandro, agente e produtor, é responsável pela produção de dezenas de BD’s em toda a Europa. Parceiro exclusivo no Brasil do Instituto dos Quadrinhos, Tommaso vai ao FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos realizado em Belo Horizonte a cada 2 anos) e a São Paulo, à procura de novos talentos dos quadradinhos brasileiros…

Programação:.

•         18/11
Palestra gratuita com o tema “Como entrar no Mercado de BD, na Europa.” Com Ivo, Tommaso e Klebs de Moura Jr e artista brasileiros que trabalham na Europa.
Horário: 15 horas – 18 horas.
Workshop “Acertando o portefólio para o mercado Europeu, por Tommaso e Klebs.”
Horário: 19 horas – 21 horas.
Avaliação de portefólio. – 21 horas.

•         19/11
Master Class com Ivo. O mestre Milazzo vai demonstrar todo o processo de trabalho, do roteiro até à arte final.
Horário: 19 horas – 21 horas.


Vagas limitadas. Não perca a grande chance de participar neste evento!

Instituto dos Quadrinhos – São Paulo
Av. Pompéia, 2040 – Vila Anglo Brasileira
São Paulo – SP
(11) 5072-6161 – com Rafael ou Karina
contato@institutodosquadrinhos.com.br

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Tex de João Amaral para “El Francisco”

Por José Carlos Francisco

José Carlos Francisco, João Amaral e o desenho de Tex para El Francisco

No decurso do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu fui agraciado com mais um original de Tex para a minha já grandiosa e riquíssima galeria de desenhos originais de Tex Willer. Original esse que me foi presenteado pelo grande Amigo e Mestre João Amaral, artista multifacetado ligado a Viseu desde longa data e que foi distinguido neste evento com o Prémio Anim’arte BD pelo conjunto da sua obra.

João Amaral, o consagrado autor português de banda desenhada, que já conta com cinco álbuns publicados: A Voz dos Deuses, História de Manteigas – No Coração da Estrela, Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve, História de Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens e Cinzas da Revolta, para além de ter colaborado também no álbum Vasco Granja – Uma Vida. Mil Imagens e de ter publicado nas Selecções BD, Rua Sésamo, jornal Cruz Alta e Alentejo Popular e ilustrado o livro A Espada Desaparecida, de Fernando Bento Gomes e de ter efectuado também ilustrações para publicidade, é um grande fã e coleccionador da mítica personagem italiana Tex Willer, facto muito conhecido devido ao João Amaral ser uma presença constante nos eventos realizados em Portugal que têm contado com a presença de autores de Tex!

Tex Willer de João Amaral para “El Francisco”

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Tex Willer protagonista do evento ArtePadova 2013, abrilhantado por Fabio Civitelli

Fabio Civitelli, histórico desenhador do lendário Tex Willer, apresentará em ante-estreia a luxuosa edição do seu Tex Gigante, autêntico volume de arte no formato das páginas originais no próximo domingo, dia 17, pelas 16 horas. O evento contará também com uma exposição a ele dedicada.
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A Arte Moderna e Contemporânea encontra este ano o mundo da banda desenhada: um dos grandes protagonistas da 24ª. edição do evento ArtePadova 2013, que decorre de hoje, 15 de Novembro até à próxima segunda-feira, dia 18, na Feira de Padova, será Fabio Civitelli, histórico desenhador de Tex Willer desde 1985.

Domingo 17 de Novembro pelas 16 horas Civitelli estará na Feira para apresentar a nova edição de luxo de “Tex, La Cavalcata del Morto” (“Tex, A Cavalgada do Morto”), o denominado Texone, um verdadeiro volume de arte no formato das pranchas originais (31cm x 43cm), impresso em papel nobre, com capa cartonada e com um desenho inédito do próprio Civitelli.

Fabio Civitelli e a nova edição de luxo de “Tex, La Cavalcata del Morto”

Uma oportunidade verdadeiramente de ouro para os coleccionadores: a tiragem limitada a somente 250 exemplares numerados, dos quais os primeiros 99 contêm uma ilustração original feita por Civitelli, enquanto outros 30 exemplares são numerados em algarismos romanos e contêm uma página original do Texone. O desenhador aretino estará presente durante a tarde para autografar as suas obras.

José Carlos Francisco, um dos 250 felizardos possuidores da edição de luxo de “Tex, La Cavalcata del Morto”

O luxuoso Texone será apresentado durante o fórum “Fabio Civitelli: Il Fumetto è Arte” (“Fabio Civitelli: A Banda Desenhada é Arte”), no qual participarão ao lado do desenhador que já esteve por cinco vezes em Portugal, Giancarlo Soldi, director cinematográfico, autor do documentário “Come Tex nessuno mai” (“Como Tex ninguém jamais”), Italo Marucci, crítico de arte, Sergio Pignatone, editor da Little Nemo Art Gallery e Manuela Composti, da galeria de arte contemporânea Cà di Frà de Milão.

Fabio Civitelli e as suas telas texianas

Mas isso não é tudo: por ocasião do evento ArtePadova 2013 a galeria Cà di Frà de Milão, em colaboração com a Little Nemo Art Gallery de Turim e com a Sergio Bonelli Editore, exibirá a exposição “Fabio Civitelli tra Fumetto e Pittura” (“Fabio Civitelli entre a Banda Desenhada e a Pintura”): serão expostas as primeiras telas de Fabio Civitelli, bem como algumas páginas originais do Tex Gigante, a história escrita por Mauro Boselli e editada em 2012, que valeu a Fabio Civitelli o prémio Gran Guinigi como melhor desenhador italiano no Festival Lucca Comics 2012. Serão expostos também os trabalhos realizados no decurso de vários anos para o livro “Il mio Tex” (“O meu Tex”) de Giovanni Battista Verger e para outras edições dedicadas a Tex Willer, como por exemplo o livro “A história da minha vida” editado pela Mondadori. Dentro de uma pessoal classificação da banda desenhada de autor Civitelli dá também prova da sua arte e da sua mestria propondo um percurso novo para ele próprio, mas nem por isso menos entusiasmante: a pintura. O seu amor pelas artes visuais (banda desenhada, pintura e fotografia) nunca lhe permitiu que permanecesse limitado somente ao desenho. Nesta ocasião, de facto, encontrar-se-ão naturalmente expostas entre as pranchas originais algumas telas, a sublinhar a impossibilidade de conter o espírito criativo em esquemas fixos e rígidos.

Civitelli e uma das suas mais belas telas dedicadas a Tex Willer

Fabio Civitelli está ligado à série de Tex há 28 anos e contribuiu mais do que algum outro para a modernização da personagem, tornando-se, através de um contínuo trabalho de investigação, um dos mais inovadores intérpretes do universo texiano. Sergio Pignatone escreve sobre ele no prefácio do livro “Il West secondo Civitelli” (Little Nemo, Turim, 2005): «As páginas de Civitelli são páginas cultas, ricas de referências, nunca improvisadas. Ambientes, trajes, meios de transporte e armas são sempre fruto de uma acurada pesquisa histórica. A linha clara que caracterizou o seu estilo no início tem vindo a ser enriquecida com sábios contrastes com o uso do negro: A natureza desempenha um papel de protagonista nas suas páginas: graças à incansável obra do seu pincel desertos ardentes ou envoltos em trevas, águas agitadas pela passagem de barcos ou picos selvagens em montanhas perdidas, ganham vida». E ainda Italo Marucci em Fabio Civitelli alquimista do desenho no prefácio da edição Tex La Cavalcata del Morto (Little Nemo, Turim, 2013):«Também para Fabio Civitelli se pode dizer que nas páginas em branco e preto está presente a cor: nos seus desenhos o leitor é surpreendido pela recorrência e persistência de modalidades que revelam uma preocupação predominante. Os reflexos, os brilhos de contra-luz, as transparências,  as palpitações ligeiras de luzes implementam uma visão do Oeste de Tex Willer que se afirma com uma força e uma credibilidade iguais, se não superiores, aquelas concedidas pela imaginação».

Tela de Tex pintada por Fabio Civitelli

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