Color Tex a dobrar

Foi neste dia 20 de Novembro, poucos meses depois da publicação ocorrida no Verão, que chegou aos quiosques italianos o quarto Color Tex, que propõe uma nova fórmula: quatro pequenas histórias, todas feitas por autores diferentes!
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Com a palavra Mauro Boselli, editor e argumentista de Tex, na apresentação da nova fórmula Outonal desta colecção colorida dedicada ao Ranger, que inclui as páginas que mostramos a ilustrar as palavras de Boselli:

Caros pards texianos, precisamente na quarta edição das aventuras coloridas do nosso imparável Ranger, decidimos de oferecer-vos qualquer coisa de diferente… algo nunca tentado antes, embora na verdade, alguns precedentes existem, em certos episódios que, no decurso dos anos, foram destinados a publicações especiais. Referimo-nos às histórias curtas como a divertida “Un caldo pomeriggio” (publicada em Portugal, no BDJornal #24, com o título “Uma tarde quente…), com textos de Guido Nolitta (o nosso inesquecível Sergio Bonelli) para os desenhos de Giovanni Ticci – publicada em 1992 na revista “Comic Art” n.96 –,  ou à emocionante “Il duello”, roteirizada por Claudio Nizzi a partir de um argumento de Fabio Civitelli, autor também dos desenhos e das cores aguareladas – publicada em “Lo Specchio”, suplemento do quotidiano “La Stampa” de 2 de Maio de 1998 – e mais algumas outras. Todas histórias curtas, mas igualmente memoráveis, recentemente publicadas no último volume da “Collezione storica a colori” de “la Repubblica”, intitulado, precisamente, “Storie brevi”, lançado no Outono de 2012.

Aquelas histórias funcionaram. Certo, Tex Willer está habituado, além dos amplos espaços abertos do Oeste, também aos tempos dilatados da narração. A ele e aos seus pards convém o fluir amplo e abrangente da epicidade. As histórias longas são as mais apreciadas pelos leitores. Pensar numa colecção  de histórias curtas era então uma aposta. Mas, no fundo, os heróis do western como Tex são excelentes jogadores, seja no póquer ou com os Colts, e as acções repentinas e as acções fulminantes fazem parte da sua natureza. Então, porque não tentar?

O novo Color Tex, que se juntará em cada novo ano àquele constituído por uma única história de 160 páginas (teremos duas publicações anuais, para sermos precisos, uma no Verão e uma no Outono) será então constituído por histórias breves. A “short story” tem no género western uma grande tradição literária, desde Mark Twain e Stephen Crane (cuja famosa história “The Blue Hotel” é citada nestas páginas pelo nosso literário Gianfranco Manfredi) até Max Brand, Alan LeMay, Elmore Leonard…  tal como os tele-filmes western, de “Lo sceriffo di Dodge City” a “Bonanza”, têm uma rica tradição que nada fica a dever às longas-metragens. Naturalmente o género “história curta” tem regras diferentes com relação às longas e extensas narrativasha: requer concisão, intensidade e capacidade de surpreender. Pois bem, neste primeiro volume, com a ajuda nos textos de Tito Faraci, Pasquale Ruju, Gianfranco Manfredi e de mim mesmo, e nos desenhos de Giampiero Casertano, Sandro Scascitelli, Stefano Biglia e Nicola Genzianella, começamos a tomar as medidas para lidar com esta nova maneira de abordar Tex.

Algum entre os mais fieis leitores terá notado nomes novos para os desenhos (e até mesmo a capa é assinada por uma autora não texiana, a grande Laura Zuccheri): trata-se de uma outra novidade; novos modos de ver Tex e também de escrevê-lo, porque no próximo álbum encontraremos também argumentistas que pela primeira vez se confrontarão com Tex Willer.

Porém não temam. Tex, curto ou longo que seja, é sempre Tex!

*Texto apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore em 13 de Novembro de 2013.
Copyright: © 2013, Sergio Bonelli Editore S.p.A.

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Entrevista com o fã e coleccionador: Luiz Cesar Alves Gomes Junior

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Bom, gosto de ler, jogar um futebol com amigos, aprecio demais filmes e séries e sou coleccionador dos mesmos,  nasci em Bagé, Estado do Rio Grande do Sul (Brasil) e fui criado no interior de Pinheiro Machado e no momento moro e trabalho em Bagé, na fronteira com o Uruguai. Trabalho numa papelaria e estou cursando técnico em contabilidade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Não lembro ao certo, mas desde muito novo quando um amigo me deu uma revista do Homem-Aranha e outra do Quarteto Fantástico, da editora Abril. Como eu morava no interior era complicado ter algo para ler, principalmente revistas de banda desenhada.

Quando descobriu Tex?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Acredito que pelos 10 ou 11 anos de idade, isto é em 1991, quando um amigo me emprestou a fantástica aventura “Tambores de Guerra“, se bem que na verdade essa edição era pela metade da história pois não tinha começo nem fim.

Porquê esta paixão por Tex?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: A partir desse momento em ver aquele magnífico desenho e pela busca de terminar a história fui conseguindo emprestadas outras edições e ai cada vez mais fui criando um vício não só pela leitura mas sim por coleccionar. Essa é umas das grandes paixões que tenho, também muito pela característica marcante da personagem que se parece muito real e pelo estudo que os seus criadores têm no passado do velho Oeste que é umas das coisas que me chama muita atenção, principalmente a cultura indígena americana com tribos fantásticas. Comecei muito tarde a minha colecção, para ter uma ideia precisa foi no número 400, colorido, daí em diante não parei mais de comprar até hoje.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Como já falei anteriormente, a humanidade mas também o grande talento com as armas pois mesmo sendo ficção tem muitas das habilidades dos pistoleiros daquela época tornando o herói Tex com certeza melhor do que todos que eu já tinha conhecido. Mesmo em histórias com Mefisto em que entra magia negra fica excelente por que é Tex, isto sem falar que aprecio muito Jack Tigre por gostar muito dos indígenas.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: No momento o total é de 630 exemplares de Tex, a colecção divide-se em Tex Edição Histórica, Tex Coleção e a normal seguindo a sequência da Itália. Tenho ainda Tex Gigante, Tex Anual, Almanaque Tex e os coloridos. As mais importantes para mim são Grito de guerra e Tambores de guerra.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Apenas livros, mas ainda no campo dos fumetti também tenho alguns exemplares de Mágico Vento e da História do Oeste.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Como infelizmente nada tenho de objectos o que gostava mesmo era de fazer cavalgadas como fazia quando era mais jovem.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Resposta muito difícil, mas acabo por eleger El Muerto como história favorita.  Desenhadores escolho Ticci, Galleppini e Claudio Villa cujas capas são fantásticas como por exemplo a da história Além do Rio, nº 498. Tenho o dever de colocar esses 3 génios como os predilectos, já o argumentista elejo G. L. Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Agradam-me muito as histórias na aldeia, com os índios onde o Tex sempre busca defender as tribos injustiçadas e pelo facto da personagem mostrar uma realidade que aconteceu no velho Oeste, também aprecio as histórias de tiroteio em povoados e caçadas de bisontes como na história As grandes pradarias, nº 407. Quanto ao que não gosto não é directamente à personagem Tex mas há desenhadores que não estão à altura do Ranger, mas cada um tem o seu estilo e respeito todos, com certeza o importante é manter esse fenómeno nas bancas por muito tempo.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Longevidade nas bancas, o estudo dos criadores como já falei, respeito com os leitores apesar de ter sido bem complicado na época da editora Vecchi e da editora Globo por não terem as histórias na sequência original da Itália e pelas saladas de fruta nas capas, pois para mim que sou coleccionador é terrível, mas Tex venceu tudo isso aqui no Brasil por ser uma personagem fora de série.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Na época em que tinha um sebo (alfarrabista) muito bom aqui na minha cidade, encontrava-me com outros coleccionadores, agora não tento contacto, apenas com um colega no trabalho, mas tenho muitos amigos que gostam de Tex mas não coleccionam.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Luiz Cesar Alves Gomes Junior: Um futuro preocupante pelo facto da rapaziada não se interessar por revistas e leitura mas a divulgação de Tex na Internet é cada vez mais importante para manter essa personagem que só tem benefícios para os leitores novos ao mostrar uma cultura que está cada vez mais distante e deve ser preservada que é nosso velho Oeste, mas tenho certeza que Tex vai seguir em frente por muitos anos, e estou gostando muito da Mythos Editora que faz um trabalho bem sério e competente. O meu sonho era  ter uma 2ª edição de Tex Coleção exactamente como saiu na Itália com as mesmas capas, mas sei que é complicado. Estou muito feliz com o Tex Coleção quinzenal que é a minha colecção favorita, pois deste modo vou concluir a minha colecção em menos tempo.
Um abraço a todos os coleccionadores e a todos que adoram Tex e peço a todos que divulguem e que passem adiante para os seus filhos, amigos e conhecidos essa grande personagem chamada Tex Willer para que fique ainda muitos e muitos anos em banca.

Prezado pard Luiz Cesar Alves Gomes Junior, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Entrevista exclusiva: STEFANO BIGLIA

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Olá, Stefano. Bem-vindo ao blogue português de Tex. Como você se apresentaria em duas linhas?
Stefano Biglia: Olá a todos. Eu me apresento como faria o grande director John Ford: muito prazer, o meu nome é Stefano Biglia e desenho quadradinhos de faroeste.

Quais BDs você lia quando pequeno?
Stefano Biglia: Tex e Mister No, principalmente, eram as BDs que o meu pai lia. E também Mickey Mouse e o Giornalino das Edições Paolinas, em que eu conheci histórias de Micheluzzi, Cavazzano, Sergio Toppi e Renzo Calegari.

Quando pequeno você imaginava que, ao crescer, seria desenhador profissional?
Stefano Biglia: Quando penso em mim como criança, eu vejo-me com pincéis e tinta guache a desenhar quadradinhos. Aos 13 ou 14 anos, quando pela primeira vez eu vi um desenho meu fotocopiado, até cheguei a pensar no assunto. As várias cópias daquele desenho eram algo próximo dos quadradinhos que eu lia. Mas eu não sabia qual caminho trilharia, por isso não pensei mais e segui em outras direcções. Depois apareceram as Escolas de Banda Desenhada.

Na sua actividade de desenhador há quem você considera seus mestres? E há quem admira de modo particular? Se sim, quais e porque?
Stefano Biglia: O meu primeiro mestre foi Renzo Calegari. Com ele eu comecei a trabalhar. Depois algumas pessoas contribuíram para me fazer crescer profissionalmente, como Renato Queirolo, supervisor das séries de Nick Raider e Mágico Vento. Trabalhar com ele foi formativo. Eu admiro diversos desenhadores e por motivos variados. Alguns pela constância e paixão com que levam adiante a profissão, a produzir centenas de páginas de alta qualidade. Penso em muitos desenhadores da Sergio Bonelli Editore (desenhar edições de 90 e mais páginas não é pouca coisa). Outros pela força e personalidade do estilo, mas ao mesmo tempo pela capacidade de chegar a um público muito grande. Frank Miller é um desses. Ultimamente eu tenho acompanhado com prazer Carlos Gomez, e seus desenhos de Dago são incríveis, ricos de cenários e trajes, as personagens têm postura. Se é necessário desenhar um cavalo frísio, pode saber que ele desenhará um frísio, é um desenhador sem truques, de uma dedicação invejável.

No final da década de 1980 você frequentou a Escola Chiavarese de BD, onde conheceu Renzo Calegari, certo?
Stefano Biglia: Sim, eu conheci Renzo Calegari na escola de BD da cidade de Chiavari, onde ele ensinava junto ao director actual, Enrico Bertozzi.

Em nível profissional, o que lhe deu trabalhar com Calegari? E em nível humano?
Stefano Biglia: Renzo Calegari é um dos grandes nomes da BD italiana. Imagine o que podia significar para mim o facto de estar todos os dias no estúdio com um dos meus desenhadores preferidos. Aqui na Itália se diz “andare a bottega“, trabalhar com alguém para aprender, para adquirir experiência. Nós trabalhávamos duro e ouvíamos histórias sobre a História da BD e de seus protagonistas por meio dos relatos de Renzo, em que se falava de cinema, literatura, música. Decididamente um período rico sob muitos aspectos.

Essa colaboração concretizou-se em 1990, com algumas histórias publicadas na revista Ken Parker Magazine (Parker Editore): o que você se recorda daquela experiência?
Stefano Biglia: Foram as primeiras histórias com Renzo, duas tramas noir pensadas inicialmente para a revista Splatter mas que depois foram usadas na Ken Parker Magazine. A primeira recordação é ligada a como elas nasceram: simplesmente Renzo me contou durante um passeio, e depois foi feito o primeiro esboço numa folha de papel. Não havia um roteiro, não havia diálogos, a coisa ia no improviso. Fiquei fascinado pelo facto de tudo estar na mente de Renzo, e ele me fez ver como era simples e ao mesmo tempo difícil escrever histórias aos quadradinhos. No fim, tudo tinha ritmo. Eu aprendi que deve-se acostumar a pensar por imagens.

No mesmo ano você começou a trabalhar para o Giornalino: com quais roteiristas você actuou?
Stefano Biglia: Eu me recordo de várias histórias escritas por Gino D’Antonio. Também houve a versão em quadradinhos, escrita por Renzo Calegari, de um romance de aventura chamado As Quatro Penas Brancas, do qual existem até algumas transposições para o cinema.

A sua experiência com o Giornalino também compreendeu algumas histórias de faroeste e de aventura de um modo geral: foi por acaso ou os responsáveis pela publicação levaram em conta a sua actuação profissional com Calegari?
Stefano Biglia: Não foi por acaso, foi uma decisão editorial precisa em razão de Renzo ser um autor reconhecido daqueles géneros.

A sua capacidade de representar o Oeste concretizou-se com o esplêndido quadro da Fronteira americana que foi a aventura A Balada de Zeke Colter (n.t.: na Itália, Almanacco del West 1994, no Brasil, Tex Coleção nº 131), trabalho de estreia na Sergio Bonelli Editore. Naquela ocasião, junto com Luigi Copello, você voltou a trabalhar com Renzo Calegari: como foi feito esse trabalho a seis mãos?
Stefano Biglia: Luigi Copello e eu fizemos os desenhos a lápis e Renzo fez a arte-final.

Essa foi a primeira – e até há pouco a única – vez que você desenhou a personagem de Tex Willer. Durante a realização do trabalho você imaginava a atenção que a história viria a receber?
Stefano Biglia: Eu era jovem, era o primeiro serviço na Editora Bonelli ao lado de Calegari e logo com Tex. Como se diz, aproveitei o momento! Nós nos empenhamos para que resultasse um bom trabalho.

O que disse Claudio Nizzi – o autor da história – depois de ver o trabalho concluído?
Stefano Biglia: Não sei, imagino que tenha gostado. Era uma história feita sob medida para Renzo, com Tex, trappers (caçadores de peles) e índios.

Imaginamos que o saudoso Sergio Bonelli tenha dado seus conselhos e incentivo?
Stefano Biglia: Eu tenho uma recordação muito vívida de Sergio, que nos incentivou bastante e mostrou muita confiança em Copello e em mim. Acho que ele gostava da ideia de alunos em experiência.

Depois você não desenhou mais histórias de Tex. Porque a sua colaboração com o Ranger foi tão curta?
Stefano Biglia:Recebi a proposta de desenhar Nick Raider e aceitei. Nick parecia uma personagem mais fácil. E também eu queria me tornar independente.

Na época você gostaria de continuar a desenhar as aventuras do Ranger mais famoso da BD, ou, como aconteceu a alguns dos seus colegas que recentemente chegaram a Tex e depois o abandonaram, esse trabalho – como diria o próprio Tex – faz tremer os pulsos?
Stefano Biglia: Eu gostaria mas na época eu ainda tinha pouca experiência para encarar alguém como Tex 🙂

Ao desenhar a personagem vocês tomaram por base um modelo preciso?
Stefano Biglia: Sim, nós nos inspiramos vagamente no rosto de Gregory Peck.

Na sua opinião, o que fez Tex ser o ícone que ele é?
Stefano Biglia: Tex é forte e justo, sempre sabe o que deve fazer. Dá para confiar nele que, ao mesmo tempo, é uma pessoa que compreende e que não nega um sorriso. Quem não gostaria de tê-lo como amigo?

Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Se sim, sob quais aspectos?
Stefano Biglia: Eu não acho que tenha mudado de forma significativa no passar dos anos, ao menos não nos traços fundamentais, mesmo tendo sido escritas várias histórias em que se destaca o seu carácter mais multifacetado. Penso, por exemplo, em Patagónia, onde se aprofunda o relacionamento entre Tex e o filho Kit.

Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Stefano Biglia: Vejo Tex a fazer o que ele sempre fez, ou seja, combater as injustiças venham de onde vierem. É um trabalho sem fim, por isso ele sempre será necessário.

Então o seu percurso bonelliano prosseguiu com Nick Raider: a troca de cenários, do faroeste para o metropolitano actual, criou algumas dificuldades?
Stefano Biglia: Não, eu fiquei à vontade no ambiente urbano porque gosto de policial. Claro que foi necessário estudar um pouco mais de perspectiva!

Em síntese, o que você se recorda dos seus episódios de Nick?
Stefano Biglia: Eu recordo-me das perseguições em alta velocidade pelas ruas de Nova York. Os berros do capitão e a simpatia de Marvin, o parceiro de Nick Raider.

Depois dessa experiência, você voltou ao faroeste, mas um faroeste mais documentado e sobrenatural, o de Mágico Vento. Esse trabalho levou-o a experimentar novas soluções gráficas ou você simplesmente continuou na linha de suas obras anteriores?
Stefano Biglia: Para mim, o trabalho com Mágico Vento foi um novo passo, uma personagem nova com grandes expectativas. Uma equipa com muitos dos melhores desenhadores em circulação. Foi necessário um trabalho ligado ao estilo e, principalmente, à narrativa. Havia elementos como o faroeste que eu conhecia bem, mas também o terror, com o que eu nunca havia trabalhado. E ambos ligados por uma importante exigência de realismo.

Nas suas biografias que se vêem na Internet não se fala do que você fez depois desses trabalhos. Neste momento está ocupado em quais projectos?
Stefano Biglia: Eu trabalhei em dois volumes da francesa Soleil Edition, Atlantide Experiment e Lost Atlantide. Foi publicado também um volume de 48 páginas chamado A Verdadeira História do Polvo Mário, um misto de fantasia e realidade ambientado em Sestri Levante (Itália) na década de 1950. Ainda, várias ilustrações coloridas feitas por encomenda. E está para sair uma edição colorida de Tex com quatro histórias, e uma delas foi desenhada por mim, com roteiro de Gianfranco Manfredi. E, neste momento, estou a desenhar uma história em três partes, escrita por Mauro Boselli para a série mensal do Ranger.


Como foi o convite para a história colorida de Tex?
Stefano Biglia: Como eu disse, na época de Nick Raider eu não me sentiria à vontade para encarar Tex, mas agora o meu bigode já cresceu. Já há algum tempo eu pensava em propor o meu nome, e, após a conclusão de Shanghai Devil, eu telefonei a Mauro Boselli e apresentei a minha candidatura para a série mensal de Tex. Mauro não prometeu nada, claro, e disse-me que tocaria no assunto numa reunião e que em alguns dias responderia. A resposta chegou poucos minutos depois: “Olá, Stefano. Eu falei com Mauro Marcheselli. Sinto muito, mas ao ouvir o seu nome, ele respondeu que não será possível“. Depois de alguns segundos, o meu silêncio congelado foi interrompido por uma risada um pouco preocupada do outro lado da linha (Mauro temia que eu tivesse desmaiado, com o choque). A candidatura havia sido aceita! Dali a poucas semanas eu receberia uma história escrita por Gianfranco Manfredi para um projecto novo de Tex, com desenhadores que não trabalhavam para a série mensal. Dá para imaginar o meu entusiasmo, parecia algo feito de propósito. Jamais vou esquecer aquela brincadeira telefónica.

Como foi trabalhar com Gianfranco Manfredi?
Stefano Biglia: Eu sempre tive sintonia com as histórias de Gianfranco, sobretudo com o roteiro. Ele é muito preciso e conciso na descrição dos quadros, por isso torna-se muito simples para um desenhador visualizar a cena. Ao menos é o que acontece comigo, visto que não gosto de descrições muito longas e detalhadas. E ele sempre me deu liberdade para acrescentar algo meu, na forma de movimentar as personagens, quando fosse interessante para poder melhorar uma sequência também em relação ao meu desenho. Por exemplo, nas cenas de acção: eu não gosto de fazer enquadramentos muito de longe e, mesmo quando é solicitado, eu costumo aproximar-me o mais possível. Esse também é um aspecto do trabalho e do carácter de Gianfranco que eu sempre admirei.

O que pode nos dizer sobre a história de Tex com a qual está a trabalhar, escrita por Mauro Boselli?
Stefano Biglia: Só o que posso dizer é que será uma história da série mensal em três partes. É focada na figura histórica de um general da cavalaria dos Estados Unidos. Muitas cenas cheias de figurantes, de batalhas e de guerras indígenas. Uma história bastante desejada por Sergio Bonelli, o que, para mim, torna-a ainda mais importante.

Há alguma série bonelliana com a qual você ainda não trabalhou e que gostaria de desenhar? Se sim, qual seria e porque?
Stefano Biglia: Eu gostaria muito de ter desenhado Mister No. É uma personagem que me divertia bastante. Um sujeito meio maluco, mulherengo, heróico contra a vontade. Eu tive um automóvel que só funcionava a chutos, como ele fazia com o avião.

E, quem sabe, uma personagem não-bonelliana?
Stefano Biglia: Eu gostaria de fazer experiências com muitas personagens. Blueberry, Dago, Hellblazer, Batman.

Quais as BDs que você lê actualmente, com quais mais se identifica?
Stefano Biglia: Eu busco aqui e acolá, se há um desenhador ou roteirista que me agrada, a escolher entre autores americanos, japoneses e alguns franceses. Estou a acompanhar a maior parte dos quadradinhos da Sergio Bonelli Editore, entre os quais os novos Le Storie (As Histórias) e Orfani (Órfãos).

Além da BD, que tipo de livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Stefano Biglia: Leio pouca literatura, e prefiro ensaios a romances. Na música, geralmente ouço rock, blues. Dos compositores italianos eu gosto muito de Paolo Conte. No cinema, eu gosto de filmes clássicos. Mas acompanho várias séries da TV, como Boardwalk Empire, Hell on Wheels, Dexter, The Shield-O Protector. Eu gosto das tramas que envolvem os protagonistas e de seus diálogos, além das minuciosas reconstruções dos cenários e ambientes.

Caro Stefano, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Stefano Biglia: Agradeço com afecto ao blogue português de Tex pelo interesse e desejo a todos uma boa leitura. Até a próxima.

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Intervista esclusiva: STEFANO BIGLIA

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Ciao Stefano, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Dovendoti presentare in due parole, cosa diresti ai nostri utenti?
Stefano Biglia: Salve a tutti, potrei fare come usava John Ford il grande regista? Molto piacere, mi chiamo Stefano Biglia e disegno fumetti western.

Quali fumetti leggevi da bambino?
Stefano Biglia: Tex e Mister No per lo più, erano i fumetti che leggeva mio padre. Poi Topolino e il Giornalino delle Edizioni Paoline dove trovavo storie di Micheluzzi, Cavazzano, Sergio Toppi e Renzo Calegari.

Da ragazzino immaginavi che da grande avresti fatto il disegnatore professionista?
Stefano Biglia: Quando penso a me da bambino mi vedo con pennelli e colori in mano, a disegnare fumetti. E all’età di 13 o 14 anni, quando vidi per la prima volta un mio disegno fotocopiato iniziai a farci qualche pensiero. Quel disegno, in diverse copie era qualcosa di molto vicino ai fumetti che leggevo. Non sapevo però che strada dovessi intraprendere perciò non ci pensai più e presi strade differenti. Poi sono arrivate le Scuole di Fumetto.

Nella tua attività di disegnatore, quali consideri, se vi sono, come tuoi maestri? Hai disegnatori che stimi particolarmente? In caso positivo, quali e perché?
Stefano Biglia: Il mio primo maestro è stato Renzo Calegari. Con lui ho iniziato a lavorare. Poi alcune persone hanno contribuito a farmi crescere professionalmente, penso ad esempio a Renato Queirolo, curatore delle testate di Nick Raider e Magico Vento. Lavorare con lui è stato formativo. Ammiro diversi disegnatori e per motivi diversi. Alcuni per la costanza e passione con la quale portano avanti il mestiere producendo centinaia di pagine di alta qualità. Penso a molto disegnatori della Sergio Bonelli Editore (disegnare albi da 90 pagine in su, non è poca cosa). Altri invece per la forza e personalità dello stile ma al tempo stesso la capacità di arrivare ad un pubblico molto vasto. Frank Miller è un di questi. Ultimamente seguo molto volentieri Carlos Gomez, i disegni di Dago sono incredibili, ricchissimi di ambienti e costumi, recitati. Se deve fare un cavallo frisone, sei certo che disegna un frisone, è un disegnatore senza trucchi, una dedizione invidiabile.

Sul finire degli anni Ottanta (del secolo scorso) frequenti la Scuola Chiavarese del Fumetto, e lì hai conosciuto Renzo Calegari, vero?
Stefano Biglia: Ho conosciuto Renzo Calegari proprio alla scuola del fumetto di Chiavari, dove insegnava insieme al suo attuale direttore, Enrico Bertozzi.

Cosa ti ha dato, a livello professionale, collaborare con Calegari? E a livello umano?
Stefano Biglia: Renzo Calegari è uno dei protagonisti del fumetto Italiano. Immaginate cosa potesse significare per me trovarsi tutti i giorni in studio con uno dei miei disegnatori preferiti da sempre. Qui in Italia si dice “andare a bottega”. Si lavorava sodo e si ascoltavano aneddoti sulla storia del fumetto e i suoi protagonisti attraverso i racconti di Renzo. Si parlava di cinema, letteratura, musica. Decisamente un periodo ricco sotto molti aspetti.

Questa collaborazione si è concretizzata, nel 1990, con alcune storie pubblicate sul Ken Parker Magazine (Parker Editore): cosa ricordi di quell’esperienza?
Stefano Biglia: In assoluto le prime storie con Renzo. Il primo ricordo è legato a come sono nate. Si trattava di 2 storie noir autoconclusive pensate inizialmente per la rivista Splatter ma poi usate su Ken Parker Magazine. Semplicemente Renzo me le raccontò passeggiando, poi la prima bozza su foglietti di carta di recupero. Non esisteva una sceneggiatura, non esistevano dialoghi, si andava “a braccio”. Mi affascinò il fatto che era tutto nella testa di Renzo e mi fece capire quanto fosse semplice e difficile al tempo stesso scrivere storie a fumetti. Tutto alla fine aveva ritmo. Imparai che bisognava abituarsi a pensare per immagini.

Nello stesso anno inizi a lavorare per il Giornalino: quali sono stati gli sceneggiatori con cui hai collaborato?
Stefano Biglia: Mi ricordo di diverse storie scritte da Gino D’Antonio. Poi la riduzione a fumetti scritta da Renzo Calegari di un romanzo d’avventura “Le Quattro Piume”, di cui esistono anche alcuni rifacimenti cinematografici.

L’esperienza con il Giornalino ti ha visto protagonista di storie western o avventurose più in generale: è stata una casualità oppure i responsabili della testata hanno tenuto conto della tua frequentazione professionale con Calegari?
Stefano Biglia: Non fu una casualità, ma una precisa scelta editoriale essendo quelli i generi su cui Renzo era protagonista riconosciuto.

La tua capacità di rappresentare il West si è concretizzata con quello splendido affresco della Frontiera americana rappresentata dall’avventura La ballata di Zeke Colter (Almanacco del West 1994), lavoro d’esordio nella Sergio Bonelli Editore. In quell’occasione, al fianco di Luigi Copello, torni a collaborare con Renzo Calegari: come si è svolto questo lavoro a sei mani?
Stefano Biglia: Luigi Copello ed io facemmo i disegni a matita e Renzo il ripasso a china.

Per molti anni quella è stata l’unica occasione con cui ti sei confrontato con il personaggio di Tex Willer; ti sei reso conto, nel corso della realizzazione del lavoro, dell’attenzione che il racconto avrebbe poi ricevuto?
Stefano Biglia: Ero giovane, il primo lavoro in casa editrice Bonelli a fianco di Calegari e con la sua ammiraglia Tex. Come si dice, cogli l’attimo! Ci siamo impegnati perché uscisse un buon lavoro.

Claudio Nizzi – l’autore della vicenda – cosa ha detto dopo aver visto il lavoro ultimato?
Stefano Biglia: Non so, immagino che gli sia piaciuto. Era una storia fatta su misura per Renzo, Tex, trappers e indiani…

Il compianto Sergio Bonelli, immaginiamo, non ha fatto mancare i suoi consigli ed i suoi incoraggiamenti?
Stefano Biglia: Ho un ricordo molto vivido di Sergio, che si dimostrò molto incoraggiante e fiducioso verso Copello e me. Credo che gli piacesse l’idea degli allievi a bottega.

Dopo non hai più disegnato per Tex; come mai la tua collaborazione per Tex è stata così breve?
Stefano Biglia: Ci venne proposto di collaborare a Nick Raider e accettammo. Inoltre scalpitavamo per diventare “indipendenti”. Nick Raider ci sembrava un personaggio più facile.

Ti sarebbe piaciuto continuare a disegnare le avventure del Ranger più famoso del Fumetto, oppure, com’è accaduto ad alcuni dei tuoi colleghi, che di recente vi si sono cimentati per poi abbandonarla, l’impresa ti fa, come direbbe Tex stesso, tremare i polsi?
Stefano Biglia: Mi sarebbe piaciuto ma ero ancora acerbo all’epoca per poter affrontare uno come Tex 🙂

Nel tuo accostarti al personaggio ti sei rifatto ad un modello preciso?
Stefano Biglia: Sì, ci rifacemmo vagamente al viso di Gregory Peck.

Secondo te cos’è che rende Tex l’icona che è?
Stefano Biglia: Tex è potente e giusto, sa sempre quello che deve fare. Ci puoi fare affidamento ma al tempo stesso è anche persona che comprende e non lesina un sorriso. Chi non lo vorrebbe come amico?

Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Se sì, sotto quali aspetti?
Stefano Biglia: Non mi sembra che sia particolarmente cambiato nel corso degli anni, almeno non nei tratti fondamentali, anche se si è scritta qualche storia in più nella quale esce maggiormente un suo carattere più sfaccettato. Penso ad esempio a “Patagonia” dove si approfondisce il rapporto tra Tex e il figlio Kit.

Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Stefano Biglia: Vedo Tex a fare quello che ha sempre fatto, ovvero combattere le ingiustizie da qualsiasi parte vengano. E’ un lavoro senza fine perciò ce ne sarà sempre bisogno.

Il tuo percorso bonelliano è poi proseguito con Nick Raider: il cambio di ambientazione tra il western e il metropolitano contemporaneo ti ha creato delle difficoltà?
Stefano Biglia: No, mi sono trovato a mio agio nell’ambiente urbano perché mi piace il poliziesco. Certo c’è stato bisogno di studiare qualche prospettiva in più!

Cosa ricordi, in sintesi, dei tuoi episodi con Nick?
Stefano Biglia: Ricordo degli inseguimenti mozzafiato in auto tra le strade di New York. Le strillate del capitano e la simpatia di Marvin, la spalla di Nick Raider.

Dopo quest’esperienza torni al western, ma stavolta si tratta di quello documentato e soprannaturale di Magico Vento; questo tuo lavoro ti ha spinto a un’ulteriore ricerca grafica, oppure hai semplicemente continuato sulla falsariga delle tue precedenti opere?
Stefano Biglia: Il lavoro su Magico Vento fu per me un ulteriore step, un personaggio nuovo con grandi aspettative. Uno staff di disegnatori tra i migliori in circolazione. Fu necessario un lavoro ulteriore legato allo stile, ma soprattutto, alla narrazione. Vi erano elementi come il western che conoscevo bene ma anche l’horror su cui non avevo quasi mai lavorato. Legati da una richiesta di realismo importante.

Dopo questi lavori, nelle tue biografie rintracciate su internet non c’è traccia di altri tuoi lavori successivi. In questo momento su quali progetti sei impegnato?
Stefano Biglia: Ho lavorato a 2 volumi editi dalla francese Soleil Edition, Atlantide Experiment e Lost Atlantide. Ho pubblicato un volume di 48 pagine “La Vera Storia Del Polpo Mario”, racconto tra fantasia e realtà ambientato a Sestri Levante negli anni ’50. Diverse illustrazioni a colori su commissioni. E’ in uscita un volume a colori di Tex con 4 storie di cui una disegnata da me su testi di Gianfranco Manfredi. In questo momento sto disegnando per la serie regolare di Tex una storia di Mauro Boselli in 3 parti.


Come hai ricevuto l’invito per la storia a colori di Tex?
Stefano Biglia: Come dicevo, ai tempi di Nick Raider non mi sarei sentito di affrontare Tex, ma ora avevo i “baffi” abbastanza lunghi. Era mio desiderio da tempo propormi perciò, conclusasi la collaborazione con Shanghai Devil, telefonai a Mauro Boselli, avanzando la mia candidatura per la serie regolare di Tex. Mauro ovviamente non si sbilanciò e chiese di poterne parlare in riunione: nel giro di qualche giorno mi avrebbe fatto sapere. La risposta arrivò pochissimi minuti dopo: “Ciao Stefano, dunque ho parlato con Mauro Marcheselli ma mi dispiace, quando ha sentito il tuo nome ha risposto che non se ne sarebbe fatto niente” – qualche secondo di silenzio glaciale da parte mia, poi interrotto da una risata anche un po’ preoccupata dall’altra parte del telefono (Mauro temeva che avessi perso i sensi per lo shock). Candidatura accettata! Ci sarebbe stata da li a poche settimane una storia breve di Gianfranco Manfredi per un progetto nuovo su Tex, con disegnatori non appartenenti alla serie regolare. Beh, immaginate il mio entusiasmo, sembrava fatta apposta. Non dimenticherò mai quello “scherzo” telefonico.

Com’è stato lavorare con Gianfranco Manfredi?
Stefano Biglia: Mi sono sempre trovato in sintonia con le storie di Gianfranco soprattutto sulla sceneggiatura. E’ molto preciso/conciso nella descrizione delle vignette, perciò diventa molto semplice per un disegnatore visualizzare la scena. Almeno così succede a me che non amo le descrizioni troppo lunghe ed articolate. Inoltre mi ha sempre lasciato libero di aggiungere qualcosa di mio, intendo nella regia, qualora fosse stato interessante per poter migliorare una sequenza in relazione anche al mio disegno. Ad esempio nelle scene d’azione dove non amo “allontanarmi” troppo con l’inquadratura e anche se talvolta viene richiesto tendo ad avvicinarmi il più possibile. Anche questo è un aspetto del lavoro e del carattere di Gianfranco che ho sempre apprezzato.

Cosa ci puoi dire di questa storia di Tex, scritta da Mauro Boselli, alla quale stai lavorando?
Stefano Biglia: Posso solo dire che sarà una storia della serie regolare in 3 parti. Improntata sulla figura storica di un generale della cavalleria degli Stati Uniti. Molte scene corali quindi, di battaglie e Guerre Indiane. Una storia fortemente voluta da Sergio Bonelli perciò, per me, ulteriormente importante.

C’è un’altra testata bonelliana per la quale non hai mai lavorato e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché?
Stefano Biglia: Mi sarebbe piaciuto disegnare Mister No. E’ un personaggio che mi divertiva parecchio. Scanzonato, donnaiolo, eroico suo malgrado. Ho avuto un’auto che partiva a calci come il suo piper.

E magari un personaggio non bonelliano?
Stefano Biglia: Mi piacerebbe fare “incursioni” con molti personaggi. Blueberry, Dago, Hellblazer, Batman.

Quali fumetti leggi attualmente ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Stefano Biglia: Cerco di qua e di là a seconda che ci sia un disegnatore che mi piace o uno sceneggiatore, scegliendo tra autori americani, giapponesi e qualche francese. Sto seguendo la maggior parte dei fumetti Sergio Bonelli Editore tra cui le nuove uscite come “Le Storie” e “Orfani“.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Stefano Biglia: Leggo poca letteratura preferendo i saggi ai romanzi. Ascolto generalmente musica rock, rock’roll, blues. Tra gli autori italiani adoro Paolo Conte. Nel cinema mi piace pescare spesso nei film classici. Seguo però diversi serial televisivi, come Boardwalk Empire, Hell on Wheels, Dexter, The Shield. Mi piacciono gli intrecci dei protagonisti e i loro dialoghi, oltre alle minuziose ricostruzioni d’ambiente.

Caro Stefano, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Stefano Biglia: Saluto e ringrazio con affetto il Blog Portoghese di Tex, per l’interesse prestato e vi auguro buone letture! Adeus!

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