Entrevista com o fã e coleccionador: Genildo Firmino Santana

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Genildo Firmino Santana: O meu nome é Genildo Firmino Santana e nasci no dia 1 de Setembro de 1972 no Sitio Cachoeira Grande, município de Tabira, no Estado de Pernambuco, em Brasil. Sou professor de História e Filosofia na Rede Particular de Ensino de Tabira. Ministro palestras sobre cultura popular. Sou poeta, cordelista com sete títulos de cordel, escritor com cinco livros publicados, radialista, além de declamador de poesia popular.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Genildo Firmino Santana: Lá pelos meus oito anos de idade. A minha irmã trabalhava em uma Biblioteca Municipal e me trazia livros infantis junto com revistas de Akim, Fantasma, Zagor e Tex. Com todos, afirmo que aprendi a ler lendo Tex.

Quando descobriu Tex?
Genildo Firmino Santana: Foi em dois momentos: como disse anteriormente, a minha irmã trazia da biblioteca. O primeiro exemplar que li foi “A Fabulosa Cidade do Ouro”, Tex #36 da editora Vecchi. Veio da leitura um encantamento com aquele universo. Ainda hoje tenho esse exemplar que considero fundamental na minha biblioteca. Isso foi na infância e adolescência. Depois de anos estudando na Paraíba, redescobri Tex, com a mesma emoção de quando criança e senti que não podia mais largá-lo. Foi quando comecei a coleccionar.

Porquê esta paixão por Tex?
Genildo Firmino Santana: Eu sempre gostei do género Western. Quando li Tex foi amor à primeira vista. Começou como entretenimento, depois como fonte de conhecimento e, principalmente, como aquisição dos valores morais que a personagem transmite. Tex tem uma carga axiológica enorme. Há em Tex valores morais e éticos que podem ser assimilados pelos leitores. O senso de justiça, a amizade, tudo é motivo para se admirar Tex Willer e seu Universo. Quando leio Tex, eu viajo, relaxo, aprendo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Genildo Firmino Santana: Tex tem bons argumentos, belos desenhos, uma sequência espectacular. Tex não tem poderes, só habilidades. Habilidades e inteligência acima da média do seu tempo. E há um compromisso dos seus escritores com a Geografia e com a História. Dá para usar a revista de Tex como suporte pedagógico. Eu mesmo já fiz isso no tocante à Guerra da Secessão Americana e nos aspectos culturais de dominação dos povos indígenas.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Genildo Firmino Santana: Antes devo dizer o seguinte: por muitos anos eu lia, mas não coleccionava. As dificuldades financeiras e o preconceito com revistas de banda desenhada eram enormes. Só passei a realmente coleccionar quando conheci o G. G. Carsan na 2ª Expo-Tex de João Pessoa, em 2006. Tanto que em 2007 fiz a 1ª Expo-Tex de Tabira. Hoje tenho uma média de quase 680 revistas. Na minha cidade não chega Tex, então só adquiro a revista quando viajo. A mais importante foi a primeira que li: A Fabulosa Cidade do Ouro.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Genildo Firmino Santana: Além das revistas, tenho livros sobre Tex, pósters, 20 quadros na parede, “o Precioso”,(banner com as 400 capas no Brasil), duas canecas, duas camisas de Exposições, um prato com foto, o filme “Tex e o Senhor dos Abismos”, duas revistas Italianas doadas por G. G. Carsan e outra trazida da Itália por um amigo.

De todos estes, qual o objecto Tex que mais gosta de possuir?
Genildo Firmino Santana: “O Precioso”.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Genildo Firmino Santana: “O Passado de Kit Carson” e “El Muerto”. Gosto dos desenhos de Civitelli e de Ticci. Como argumentista, Gian Luigi Bonelli e Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Genildo Firmino Santana: Agrada-me mais a sua disponibilidade em ajudar aos amigos que precisam. Também o facto de Tex não ter preconceitos de géneros e etnias. Embora seja um universo que tenha uma simbologia violenta (revólveres, brigas, tiros, mortes), Tex transmite uma mensagem de paz, de solidariedade, de união. Por aqui, dizemos sempre que quem lê Tex não é um mau sujeito, porque não é este o ensinamento de Tex. Às vezes penso que, entre os quatro amigos, Tex é quem tem a solução para tudo, é quem tem todos os planos. Raras vezes, são os outros a terem iniciativas. E isso é ruim para o grupo. Outro facto que não agrada é que põem Tex quase como sobre-humano, que não se engana, infalível nos julgamentos humanos, inclusive desprovido de certa humanidade ( Tex não chora, não apresenta desejos sexuais).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Genildo Firmino Santana: Os argumentos e os desenhos, o cuidado dos criadores e dos coleccionadores. Além disso, existe em Tex uma espécie de mística que contagia e por ser algo místico é difícil de ser explicado. Tex remete-nos a um outro mundo. E isso na nossa psicologia é imprescindível. Penso que todo o texiano sonha com as galopadas nas pradarias, com um acampamento no deserto, com cavalgadas ao ar livre. Nesta óptica, Tex “vive” o que nós queremos viver e não podemos. Então, nós projectamos nele o Ser que não somos. Aí vem a identificação e o amor pela personagem.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Genildo Firmino Santana: Sim. Sempre que vou a João Pessoa, visito o G. G. Carsan, vejo o Gilson Galvão. Quando em Afogados da Ingazeira, em Pernambuco, vejo o Lucílio Valério, o Jesus e outros. Inclusive, ajudei o Lucílio na sua 1ª Expo-Tex de Afogados da Ingazeira em 2008. Aqui em Tabira, sempre encontro amigos que gostam de Tex, mas não coleccionam. Tento convencê-los (ou sensibilizá-los) para que façam suas colecções. Quando os encontro, busco saber das novidades, das notícias sobre as revistas, sobre a Mythos, etc.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Genildo Firmino Santana: Vejo um futuro promissor. O advento tecnológico não suprimiu o prazer pela leitura. E a leitura de banda desenhada assumiu contornos impressionantes. Antes, havia o mito de que as crianças não podiam ler revistas aos quadradinhos porque “ler banda desenhada fazia mal”. Hoje, as escolas estão criando as gibitecas (bedetecas em Portugal), como forma de incentivo à leitura. No caso do Brasil, acredito que, com o trabalho que a Mythos Editora vem fazendo, Tex vai longe. As Expo-Tex que são realizadas não permitem que Tex caia no esquecimento e atraem os leitores da velha guarda e os novos. Por isso não temo pelo fim da personagem. Tex ultrapassa fronteiras e gerações.

Prezado pard Genildo Firmino Santana, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex, inspirado em G. G. Carsan, por Marino Silverio Felipetto

Por José Carlos Francisco

Marino Silverio Felipetto (que tem um pequeno negócio, onde é desenhador gráfico e trabalha com a comunicação visual) é um gaúcho de Esteio no Rio Grande do Sul, no Brasil, que lê as edições brasileiras de Tex desde 1973 e cujo primeiro exemplar do Ranger que leu foi “O Corcel Sagrado” (Editora Vecchi), conforme se pode constatar lendo a entrevista exclusiva que concedeu em Agosto de 2012 ao nosso blogue e que pode ser lida clicando AQUI, sempre gostou de rabiscar, sobretudo o género faroeste, e para mostrar uma vez mais o seu dom a todos os nossos leitores, enviou ao blogue português do Tex um desenho de Tex que tem a particularidade de ter sido inspirado no Tex brasileiro de carne e osso, o famoso G. G. Carsan, como pode ser constatado de seguida:


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Tex, por Fabio Civitelli, torna-se ARTE

Por José Carlos Francisco

A Arte Moderna e Contemporânea encontrou no ano passado o mundo da banda desenhada, tendo em conta que um dos grandes protagonistas da 24ª. edição do evento ArtePadova 2013, que decorreu de 15 a 18 de Novembro, na Feira de Padova, foi Fabio Civitelli, histórico desenhador de Tex Willer desde 1985.

Domingo 17 de Novembro pelas 16 horas Civitelli esteve inclusive na conceituada Feira para apresentar a nova edição de luxo de “Tex, La Cavalcata del Morto” (“Tex, A Cavalgada do Morto”), o denominado Texone, um verdadeiro volume de arte no formato das pranchas originais (31cm x 43cm), impresso em papel nobre, com capa cartonada e com um desenho inédito do próprio Civitelli.

Fabio Civitelli e as suas telas texianas

Por ocasião do evento ArtePadova 2013 a galeria Cà di Frà de Milão, em colaboração com a Little Nemo Art Gallery de Turim e com a Sergio Bonelli Editore, exibiu a exposição “Fabio Civitelli tra Fumetto e Pittura” (“Fabio Civitelli entre a Banda Desenhada e a Pintura”) onde foram expostas as primeiras telas de Fabio Civitelli, bem como algumas páginas originais do Tex Gigante, a história escrita por Mauro Boselli e editada em 2012, que valeu a Fabio Civitelli o prémio Gran Guinigi como melhor desenhador italiano no Festival Lucca Comics 2012. Foram expostos também os trabalhos realizados no decurso de vários anos para o livro “Il mio Tex” (“O meu Tex”) de Giovanni Battista Verger e para outras edições dedicadas a Tex Willer, como por exemplo o livro “A história da minha vida” editado pela Mondadori. Dentro de uma pessoal classificação da banda desenhada de autor Civitelli dá também prova da sua arte e da sua mestria propondo um percurso novo para ele próprio, mas nem por isso menos entusiasmante: a pintura. O seu amor pelas artes visuais (banda desenhada, pintura e fotografia) nunca lhe permitiu que permanecesse limitado somente ao desenho. Nesta ocasião, de facto, encontraram-se naturalmente expostas entre as pranchas originais algumas telas, a sublinhar a impossibilidade de conter o espírito criativo em esquemas fixos e rígidos.

Exposição de Fabio Civitelli e Tex no evento ArtePadova 2013

Exposição de Fabio Civitelli e Tex no evento ArtePadova 2013

Exposição de Fabio Civitelli e Tex no evento ArtePadova 2013

Fabio Civitelli está ligado à série de Tex há 28 anos e contribuiu mais do que algum outro para a modernização da personagem, tornando-se, através de um contínuo trabalho de investigação, um dos mais inovadores intérpretes do universo texiano. Sergio Pignatone escreveu sobre ele no prefácio do livro “Il West secondo Civitelli” (Little Nemo, Turim, 2005): «As páginas de Civitelli são páginas cultas, ricas de referências, nunca improvisadas. Ambientes, trajes, meios de transporte e armas são sempre fruto de uma acurada pesquisa histórica. A linha clara que caracterizou o seu estilo no início tem vindo a ser enriquecida com sábios contrastes com o uso do negro: A natureza desempenha um papel de protagonista nas suas páginas: graças à incansável obra do seu pincel desertos ardentes ou envoltos em trevas, águas agitadas pela passagem de barcos ou picos selvagens em montanhas perdidas, ganham vida». E ainda Italo Marucci em Fabio Civitelli alquimista do desenho no prefácio da edição Tex La Cavalcata del Morto (Little Nemo, Turim, 2013):«Também para Fabio Civitelli se pode dizer que nas páginas em branco e preto está presente a cor: nos seus desenhos o leitor é surpreendido pela recorrência e persistência de modalidades que revelam uma preocupação predominante. Os reflexos, os brilhos de contra-luz, as transparências,  as palpitações ligeiras de luzes implementam uma visão do Oeste de Tex Willer que se afirma com uma força e uma credibilidade iguais, se não superiores, aquelas concedidas pela imaginação».

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As máscaras de Carnaval de Tex, Carson e Kit Willer

Máscara de Carnaval de Tex Willer

Por José Carlos Francisco

Das mais sóbrias às mais exuberantes, as máscaras de Carnaval são um elemento de diversão para os foliões de todas as idades, capaz de complementar qualquer fantasia de Carnaval.

O termo máscara, no entanto, é de origem italiana, e que por sua vez, deriva do árabe e do latim medieval, onde designava uma criação fantástica, associada com um universo cómico e onírico. Antes de virar símbolo do Carnaval, as máscaras foram usadas de diferentes formas por várias culturas, estando presente desde como elemento decorativo até um símbolo religioso, dentre outras aplicações.

Máscara de Carnaval de Kit Carson

Durante muito tempo, ela foi associada com o universo do teatro e  passou a ser um elemento indissociável da representação teatral. No entanto, foi aqui na Europa que as máscaras adquiriram a conotação que damos hoje a elas, como um elemento festivo, que se usa principalmente no Carnaval.

Como o passar do tempo, o seu uso foi se popularizando cada vez mais, chegando a ser omnipresente em vários Carnavais ao redor do mundo. Esse costume teve o seu auge com os bailes de máscaras, que representam todo o glamour da festa de Carnaval. Com a aplicação da tecnologia, assim como da influência da moda, hoje as máscaras de Carnaval são mais luxuosas do que nunca, sendo feitas de vários materiais e decoradas com cores, brilhos e texturas para não deixar ninguém imune à magia do Carnaval.

 

Máscara de Carnaval de Kit Willer

Sem dúvida que as máscaras de Carnaval continuam a ser o artigo preferido do povo. Os tempos passam e as máscaras evoluem consoante as tendências, sendo muito popular hoje em dia as máscaras inspiradas em personagens do cinema, televisão e política, mas para os fãs e coleccionadores de Tex, a mais desejada é sem dúvida alguma a máscara oficial (porque devidamente autorizada pela editora italiana) de Tex Willer, o granítico Ranger de G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, ou em alternativa a máscara do seu parceiro de aventuras mil, Kit Carson, ou até mesmo a do seu filho Kit Willer, qualquer uma delas valiosa e rara, já que foram produzidas em 1978 e hoje somente são negociadas por valores entre os 50 e os 100 Euros por cada uma delas!

As máscaras de Carnaval de Tex, Carson e Kit

Máscaras devidamente autorizadas pela Dime Press, a editora de Tex à época

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