As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #104 – Sem Remorso

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #104 – Sem remorso
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Mario Janni
(desenho)
Mythos Editora
(Brasil, Julho de 2013)
135 x 180 mm, 132 p., pb, capa mole, mensal
R$ 9,90 / 4,50 €

Independentemente da qualidade e originalidade da história contada – que em Sem Remorso não estão de forma alguma em causa – é inegável que cada edição de J. Kendall é sempre uma lição de Berardi de como contar uma história aos quadradinhos.
Este número – actualmente distribuído em algumas bancas portuguesas – é mais um exemplo:
Explano porquê já a seguir.


Sem Remorso abre com uma conversa entre um homem e um jovem, cujo tema central não se consegue perceber, durante uma viagem de carro, com utilização de múltiplos planos que tornam dinâmica uma cena em que as personagens estão imóveis. Chegados perto de um rio, o homem mata o jovem a tiro e lança o seu corpo à água.
Mudança de cena (introduzida por uma passagem do cenário, do natural para a TV): Julia, relaxada, em casa, recebe um telefonema de Leo Baxter para a ajudar a resolver um problema familiar relacionada com um banco. A continuação promete uma grande novidade no universo da série, a juntar à curiosidade que a cena inicial já despertou.
Cena 3: reencontro com o ‘assassino’ inicial, no seu local de trabalho onde, perante o assédio da sua bela (e oferecida) secretária revela uma (surpreendente) resistência moral e um (assinalável) sentido familiar (que a continuação da história confirmará acima de toda a dúvida…)
Cena 4: uma jovem apresenta-se na esquadra da polícia, para dar conta do desaparecimento de um jovem que o leitor facilmente identifica como a vítima da cena de abertura.


Não vou continuar com esta descrição – que abrangeu já mais de um quarto da edição… – que destruiria o prazer da leitura. Serviu apenas para exemplificar como Berardi, progressivamente vai desenvolvendo a sua trama, alicerçando o universo que criou e enredando o leitor habilmente através do despertar da sua curiosidade para os vários desfechos potenciais das situações descritas.
Vai também, aos poucos, soltando mais alguns elementos que permitem ao leitor ir construindo a história, ao mesmo tempo que ela ganha em coerência e consistência, conforme vão sendo ajustadas mesmo as cenas que parecem não combinar.
E, apesar de tudo isto, consegue manter o suspense sobre as várias histórias que se desenvolvem em paralelo, de tal forma que só nas últimas quatro páginas o leitor encontra (finalmente) todas as respostas.


*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Entrevista com o fã e coleccionador: Pedro Alexandre Matsu Martins da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Pedro Matsu: O meu nome é Pedro e nasci em Campinas, no interior do Estado de São Paulo, no Brasil. Actualmente, tenho 26 anos e sou Analista Judiciário de um dos Tribunais Regionais do Trabalho de meu país.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Pedro Matsu: É difícil precisar. Os meus pais sempre compraram livros e revistas de banda desenhada para mim, desde muito novo. É provável que o meu ingresso no mundo da banda desenhada tenha ocorrido como costuma acontecer com a maioria das crianças no Brasil nos idos dos anos 90: por meio da Turma da Mônica, uma publicação nacional de público maioritariamente infantil [pelo menos assim o era até há pouco tempo atrás].
Outrossim, lembro-me bem que, quando pequeno, eu havia visto uma edição do Sandman em uma banca de jornais e fiquei bastante interessado. Hoje tenho a colecção toda, mas não sei dizer se foi Sandman ou Turma da Mônica que me fez descobrir a nona arte. Ambos são títulos bastante populares no Brasil.

Quando descobriu Tex?
Pedro Matsu
:
A esta pergunta eu sei responder com precisão. Foi exactamente com a primeira publicação de Tex feita pela Mythos Editora. Lembro-me que eu frequentava a banca de jornais em frente ao fórum de minha cidade e chamou-me a atenção a revista nova, com uma capa que parecia reluzir e que exibia Tex trajado como Águia da Noite, montado num cavalo castanho, olhando para trás. Tratava-se da edição de Tex Coleção de número 144, “Mais forte que a lei“. Comecei a ler Tex a partir de então e, aos poucos fui ficando cada vez mais curioso acerca da história do Ranger, de modo que passei a procurar em alfarrabistas e bancas edições mais antigas.
Com efeito, posso dizer que comecei a ler Tex graças à Mythos Editora e acompanho as suas publicações há 15 anos. Nesse meio tempo consegui completar as minhas colecções e expandi-las, graças à ajuda de amigos igualmente apreciadores do selo texiano.

Porquê esta paixão por Tex?
Pedro Matsu: De imediato, a arte em Tex sempre me chamou muito a atenção. Tanto assim que me matriculei numa escola de desenho artístico com o objectivo único de me igualar aos grandes artistas que desenhavam Tex. Obviamente, não deu certo por absoluta falta de talento! (risos)
De todo modo, seria mentira dizer que Tex me agrada somente pela arte – quase cinematográfica, é preciso salientar. A bem da verdade, existe um conjunto de circunstâncias que indubitavelmente influenciaram a minha paixão por Tex.
A primeira delas é a arte, como sobredito.
A segunda é mais simples: sempre apreciei filmes do género western, sobretudo os de Sergio Leone. Por óbvio, os argumentos de Tex só podiam mesmo me agradar, do início ao fim. Além disso, logo nas primeiras histórias de Tex Coleção, a Mythos publicou a saga de “O Senhor do Abismo“, que me prendeu do início ao fim… era realmente irresistível.
A terceira foi a minha percepção de longevidade. Eu notei que Tex tinha uma legião de fãs. No “Correio do Oeste“, secção de cartas da revista, eu lia sobre fãs que acompanhavam Tex há décadas. Encantava-me essa paixão. Eu concebia esse fenómeno como um movimento verdadeiramente forte, iniciado lá em 1948 e que persistia. Eu tinha em mãos não uma revista qualquer, mas um símbolo, o símbolo. O símbolo de um clássico. Aliás, o conceito de “clássico” foi apreendido por mim logo que compreendi a ideia de que Tex era um fenómeno quase que atemporal, na medida em que persistia – e persiste – desde meados do século passado, tocando os leitores inexoravelmente em todo e qualquer espaço.
A quarta circunstância eu abordarei na resposta à pergunta seguinte, na medida em que diz respeito a um diferencial da própria personagem principal.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Pedro Matsu: Eu sempre procurei ler de tudo, sobretudo quando a minha área de interesse abarcava principalmente a banda desenhada. Com efeito, eu acabei conhecendo um bocado de heróis, super-heróis, personagens de toda sorte que, a seu modo, exerciam em mim e nos seus leitores um certo fascínio.
Houve uma época em que era possível notar uma característica interessante nas personagens, que é a ideia usualmente denominada de maniqueísta e que é descrita como uma concepção de bem contra o mal. Mocinho contra bandido, por assim dizer. Com o tempo, talvez em razão dos movimentos culturais – sobretudo no âmbito social e filosófico – o que passou realmente a ser divulgado de modo mais amplo foram as personagens duais. Heróis que não eram exactamente bonzinhos e vilões que tinham suas atitudes razoavelmente justificadas. O bem e o mal se diluiu na própria ideia de que as personagens tinham um quê de humanidade e que, por isso, não poderiam jamais ser tido como 100% bons ou 100% ruins.
Eu vivenciei essa fase. Além disso, do ponto de vista jusfilosófico – área que estudo e com a qual lido quase que diariamente – eu tive que lidar com esse mesmo fenómeno. A ideia de uma relativização do bem e do mal, dos valores e da própria concepção de justiça foi mitigada. Abandonou-se o estudo daquela concepção de justiça natural – sabe-se lá porquê – e a ideia de uma justiça relativista, mutável, sujeita ao ordenamento jurídico positivado e apreensível somente no caso concreto, passou a imperar.
Ora, toda essa concepção é bastante diferente do universo texiano. Tex é uma personagem que busca uma justiça. Ainda que toda a Filosofia do Direito não tenha uma definição precisa do conceito de Justiça – e há mesmo correntes jusfilosóficas que aduzem nem mesmo ser possível falar em um conceito – Tex é um sujeito que simplesmente persegue a Justiça. A sua Justiça. Ele sobrepuja o ordenamento jurídico [leia-se: a lei positivada pelo Estado], evidencia os aspectos frágeis desta ou daquela norma legal e simplesmente concretiza a sua Justiça. O mais curioso é que o leitor inevitavelmente percebe que sim: Tex fez Justiça. Mas como pensar tal coisa se a Justiça é relativa? Como é que em praticamente todos os casos você acaba concordando com o Ranger?
Tex, portanto, é uma personagem que, desde 1948, tem a capacidade de fazer um filósofo e um jurista repensar sua ideia de justiça. Mais do que isso: a repensar sua ideia de organização normativa, legal, judiciária. E, mais importante, obriga à reflexão não somente esses filósofos e juristas, mas todos os seus leitores, na medida em que a linguagem artística – especialmente a utilizada em Tex – tem um alcance indubitável. Tanto o douto quanto o simplório matuto compreende as mensagens transmitidas nos fumetti texianos.
Eu poderia gastar páginas e mais páginas, invocar a mais exagerada das verborragias concebíveis, relacionar Tex com a Ética a Nicômaco de Aristóteles, o Direito Natural da escolástica refinado por Aquino, atacar os pressupostos “pós-modernos” da ideia de Justiça… mas isso tudo seria perda de tempo. O que Tex tem de diferente dos outros heróis é perceptível de imediato, quase que de modo acidental: é herói indubitavelmente humano e, simultaneamente, super-herói de características sobre-humanas. É, minimamente, inspirador. Para quem actua no âmbito jurídico, pode ser tomado certamente como uma referência.
Enfim, eu disse tudo o que os fãs de Tex já sabem. E também tudo o que os que não são fãs certamente percebem, já que Tex está aí há quase 70 anos, sempre com uma legião de seguidores.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Pedro Matsu: Eu tenho todas as edições em português de Tex Mensal [actualmente estamos no 531] e todas em português de Tex Coleção [actualmente no 350]. Também tenho todas as edições gigantes [29] , em português, todas as Tex em Cores da Mythos [18], além do encadernado gigante “O Meu Tex“, quatro edições em cores especiais, em português, um livro [biografia do Tex] e o álbum de figurinhas [cromos] completo. Tenho também a [ainda] desorganizada colecção “Storica a Colori” [239], 4 Texoni e aquela pequena colecção de cinco volumes especiais do Tex e Mefisto [5]. Acredito que isso totalize 1183 volumes, sem contar os itens outros [estátuas, chaveiros, pósters, etc.].
É isso. Eu não sei qual é o item mais importante de minha colecção. Toda ela o é. Se uma única revista dali perecesse, fosse qual fosse, eu ficaria arrasado. Perder o álbum – que é um item realmente raríssimo – teria o mesmo significado para mim do que perder qualquer um dos outros volumes de qualquer uma das colecções do meu acervo texiano, embora, é óbvio, recuperar os itens recentes seja incomparavelmente mais fácil do que os mais raros. Se eu adoptar esse critério, então poderei dizer que os itens mais antigos são sempre mais caros para mim do que os mais recentes. Mas, considerando a qualidade das publicações, acredito que a “Storica a Colori” seja a mais importante para mim.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Pedro Matsu: Não colecciono tudo. Mas algumas coisas eu fiz questão. Por exemplo, todas as três estátuas italianas Infinite eu fiz questão de adquirir, o que me foi bastante custoso. Botons e chaveiros, quando ao meu alcance, eu também adquiro. Pósteres eu tenho quatro. Também tenho o DVD de “Os Senhores do Abismo“, com o Giuliano Gemma.
Aliás, é um absurdo que não se encontre nenhuma edição em Blu-ray desse filme [pelo menos aqui no Brasil eu não achei]. Reeditaram em blu-ray toda a “Trilogia dos Dólares” [ou “Trilogia do Homem sem Nome“], “Era Uma Vez no Oeste“, “Sete Homens e um Destino“… tudo bem que “Os Senhores do Abismo” não fez o mesmo sucesso no género western, mas acho que um filme do nosso Ranger merecia também uma reedição em blu-ray. Como é que fica quando acabar o DVD de vez? Na Internet não se acha uma edição desse filme com uma qualidade de blu-ray…
Bem, mas isso foi só um desabafo repentino. Acho que ficou bastante claro que, mal grado eu também coleccione itens que digam respeito ao universo texiano, a minha prioridade é, por razões óbvias, a banda desenhada propriamente dita.

Qual o objecto Tex que mais gosta de possuir?
Pedro Matsu: Puxa, acho que essa pergunta retoma uma anterior [o item que mais me agrada da minha colecção]. Bem, mas talvez ela seja mais abrangente, porque leva em consideração todos os objectos afeitos ao universo texiano e não só a colecção de livros e revistas.
Nesse contexto, acredito que o objecto que mais gosto de possuir é aquele que me deu mais trabalho para conseguir. E, no caso, sem dúvida nenhuma, o que me deu mais trabalho para conseguir foi [foram] a[s] estátua[s] de Tex, feitas na Itália pela Infinite. É que, uma vez que não tenho a menor paciência nem habilidade para transacções por computador, eu tratei de ligar directamente para a fábrica para fazer a minha encomenda. Considerando os telefones, a língua italiana, os problemas alfandegários, o preço do euro, os pedidos de desconto e as longas negociações, toda vez que eu olho para essas estátuas eu me lembro, inexoravelmente, do trabalho que me deram [risos]. Por isso, valorizo-as bastante!

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Pedro Matsu: Nossa, escolher uma história favorita entre todas as histórias feitas em décadas de publicações é uma tarefa indubitavelmente hercúlea! Eu realmente não faço ideia. Para ser justo comigo mesmo, acho que posso dizer que a minha história favorita talvez seja “A cidade da cobiça“, na qual aparece Ruby Scott. Essa foi uma das primeiras histórias que eu li [por meio da publicação de Tex Coleção n° 145, a segunda dessa colecção a ser lançada pela Mythos]. Além disso, é uma história na qual Tex “perde” um duelo [as aspas são para não revelar spoilers para aqueles que ainda não leram essa história] e, ao ser ferido, faz lembrar que, a despeito de suas habilidades, o Ranger ainda é um homem. Por isso, é uma história marcante para mim que, por ora, considero a minha favorita.
Quanto aos desenhos, eu gosto muito do Civitelli. Gosto das paisagens que ele desenha e também me lembro que eu me inspirava nele para desenhar. Perdi as contas do número de vezes que tentava copiar os traços dele em “O Retorno do Tigre Negro“. Achava os detalhes excepcionais. Não há como não citar Galleppini, é claro, que imortalizou Tex, mas eu tendo a simpatizar um bocado com Civitelli – o que só ficou mais forte com a publicação de “O Meu Tex – A Balada do Oeste“.
O meu argumentista favorito é Nizzi e talvez esse meu apreciar decorra do facto de ele ter sido o argumentista na maioria das primeiras histórias que eu li [embora “A cidade da cobiça” tenha sido obra de G.L. Bonelli, salvo melhor juízo].

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Pedro Matsu: O que me agrada mais em Tex é a sua busca por Justiça. Identifico-me com isso não só por dizer respeito ao meu campo de actuação e estudos, mas por uma característica pessoal minha mesmo. Além disso, agrada-me a concepção de uma tendência constante para o bem, o que se coaduna, em certa medida, com o preceituado pela escolástica. A história do selo texiano, como representante máximo dos fumetti, por si só, também é algo digno de nota.
O que me agrada menos em Tex não é propriamente algo nas histórias. Eu ia dizer que poderia haver mais cenas com mulheres em Tex, mas elas estão lá, em certa medida, e ir além disso talvez pudesse comprometer a própria natureza dos enredos. E, mais a mais, algumas cenas são puladas [v.g. algum tempo depois e tal…], então é de se presumir que o contacto mais íntimo das personagens com as demais que vão surgindo nas histórias ocorre nesses momentos. É o que gosto de pensar, pelo menos.
Em verdade, o que me desagrada um pouco é a questão da publicação. Mas aqui eu terei que ser muito claro com o que eu quero dizer: desagrada-me a dificuldade em conversar directamente com a actual editora a publicar o selo Tex no Brasil, isto é, a editora Mythos. É notável que os editores são fãs de Tex e eu não tenho dúvidas de que o trabalho da Mythos é o melhor que já existiu em língua portuguesa no que diz respeito à qualidade da publicação. É certo que, vez ou outra, a qualidade deixa a desejar no que diz respeito ao papel, à impressão, etc. E isso até que não me afecta tanto, até porque sei que a culpa não é exclusiva da editora [há a questão da gráfica, os velhos problemas de distribuição sobre os quais se lê nos fóruns, etc]. Todavia, o que eu gostaria mesmo é que houvesse um canal aberto mais efectivo entre a editora e o fã clube ou os demais leitores para melhor viabilizar críticas e elogios. Se esse canal existe, de forma efectiva, eu desconheço.
E eu confesso que esse meu desagrado está estreitamente ligado à minha preocupação no que diz respeito a Tex Edição em Cores [TEC]. Na minha opinião – e na de 90% dos fãs de Tex [dados estes verdadeiros, extraídos do Fórum TexBr] – a TEC é simplesmente a melhor edição publicada actualmente pela Mythos. É um chamariz para novos leitores e algo extremamente valioso para quem já é fã. Ouvi dizer que a Mythos talvez não mantenha essa publicação, o que seria absolutamente lastimável. Aí o jeito para os fãs vai ser ir atrás da colecção italiana mesmo, “Storica a Colori“. Com efeito, esse clamor dos fãs [pela permanência de TEC] poderia fazer-se ouvir não só pelo efectivo rendimento da Mythos com a venda dessa colecção, mas também por um canal directo em que fãs e editora poderiam se articular para procurar manter esta e outras publicações. Eu realmente torço para que a Mythos não desista da edição em cores até porque, por meio dela, consegui converter mais três pessoas em fãs do Ranger. [risos]
Enfim, é isso. Note que não é realmente uma crítica ao trabalho da editora – que, na minha opinião, fez e faz o melhor trabalho que já vi no Brasil no que diz respeito ao Tex – mas só uma sugestão de algo a mais, de um canal mais efectivo de comunicação. No mais, ela está de parabéns.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Pedro Matsu: Não bastasse tudo o que eu disse supra – e eu disse um bocado [risos] – acredito que o que faz de Tex um ícone são seus leitores. São gerações de leitores que acompanham o Ranger há décadas. De pais para filhos, de avós para netos, de amigos para amigos. O tempo passa e os leitores se renovam. Eu encontrei certa vez, por puro acaso, um menino de 11 anos procurando uma revista mensal de Tex. Eu procurava a publicação do mês também e ele me disse algo como: “Tex é demais, né, cara? Meu pai que me mostrou…!“. Achei aquilo fantástico. Não só pelo entusiasmo do menino, mas por saber que a paixão vai renovando-se.
De outro lado, acredito que os fãs também acabam, querendo ou não, atraindo para si essa responsabilidade de divulgação, que, por sua vez, vem a ocorrer inevitavelmente. Prova disso é o Fórum TexBr, este blogue [em] português, os Clubes de Portugal e do Brasil, etc.; e é muito bom fazer parte de tudo isso, directa ou indirectamente.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Pedro Matsu: Nunca tive essa felicidade. Acontece, de modo esporádico, em bancas. No meu caso, a verdade é que fiquei muito tempo afastado, tanto quanto possível, dos meios de comunicação: fui me dedicar aos estudos, realizar alguns projectos pessoais, de modo que transitava entre o Direito e as publicações de Tex. E nada mais. Enfim, por razões pessoais, só consegui inserir-me na “rede” de fãs, via Internet, recentemente. Tenho contacto com outros coleccionadores, mas somente de modo virtual. Por enquanto.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Pedro Matsu: Essa é uma pergunta difícil, mas se o passado for prenúncio do futuro, Tex sem dúvida vai longe. Salvo engano, Portugal e Brasil encabeçam a lista de países com maior base de fãs de Tex, para além da Itália. Se fizermos bem nosso papel e mantivermos a chama acesa, passando para as gerações posteriores a paixão pelo Ranger, certamente Tex terá um futuro glorioso.
Contudo, de nada adianta esse esforço se as editoras andarem de modo descompassado com a vontade dos fãs. Com efeito, entendo, por exemplo, que a publicação de TEC é fundamental para a manutenção e reoxigenação de leitores. A qualidade de publicação da Mythos [não me refiro a TEC, somente] certamente atraiu leitores mais novos [eu sou um exemplo vivo disso] e a manutenção dessa qualidade é primordial para que a Mythos continue sendo reconhecida como a melhor editora de Tex no Brasil. Nos últimos 15 anos pudemos contar com a Mythos para a permanência de Tex. Acredito que podemos contar com ela também para o futuro. E, sendo assim, gosto de pensar que bons ventos certamente conduzirão o futuro do Ranger, sobretudo nas citadas terras lusófonas.
No âmbito exclusivo dos leitores e apreciadores – isto é, naquela seara não ligada estritamente aos profissionais envolvidos com Tex – nota-se também que bons ventos impulsionam o futuro do Ranger. No Brasil, pelo menos, a exemplo do que aconteceu em Portugal, houve uma admirável aglutinação de leitores e fãs para a formação e consolidação de um fã Clube brasileiro [Clube Tex Brasil]. Acredito que iniciativas como essa – para não citar outros nomes de texianos famosos e suas respectivas actuações na divulgação do nosso admirado Ranger – são fundamentais para ter por certo que o futuro de Tex há de ser verdadeiramente brilhante. É o que se espera. E é justamente por tudo isso que agradeço e parabenizo a este blogue – e, por extensão, ao Clube Tex Portugal – na pessoa do meu entrevistador e amigo [Zeca!], pelo árduo trabalho desenvolvido em prol do nosso Ranger!

Prezado pard Pedro Matsu, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Vídeo: Palestra sobre Tex, em Timbaúba, com G. G. Carsan

Por José Carlos Francisco

Realizou-se, nos dias 29 e 30 de Março, em Timbaúba, cidade brasileira a 100 km do Recife, a capital do Estado de Pernambuco, a 2ª. Convenção de Quadrinhos de Timbaúba. Nesta segunda edição, tivemos a presença de Tex Willer (na pessoa de G. G. Carsan, coleccionador e divulgador de Tex, escritor de dois livros sobre a mítica personagem italiana).

G. G. Carsan realizou uma palestra no domingo com o tema: Tex no Brasil fazendo justiça a qualquer preço, onde falou da personagem criada em 1948 por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini, das colecções, dos coleccionadores e das novidades relativas ao Ranger.

Palestra essa que damos a conhecer hoje aos leitores do blogue português do Tex através de um vídeo, com quase 40 minutos, gravado no evento, onde podemos então observador a abordagem à história de Tex e o seu amor por esta grande personagem da banda desenhada italiana:

(Para aproveitar a extensão completa da imagem acima, clique na mesma)

Entrevista exclusiva: MASSIMO ROTUNDO

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Olá, Massimo. Bem-vindo ao blogue português de Tex. Comecemos com uma rápida apresentação aos nossos leitores.
Massimo Rotundo: Sou ilustrador e desenhador desde os distantes anos 80, e também escrevi muitos roteiros, o que talvez qualifique-me como autor. A minha característica que mais se destaca, segundo o pessoal do meio, é a de ser ecléctico. Quanto à cronologia da minha carreira, o mais recomendável é dar uma olhada na Wikipedia ou visitar o sítio www.massimorotundo.com.

A sua carreira teve início no distante 1978, com trabalhos para revistas prestigiosas. O que restou daquela experiência?
Massimo Rotundo: As revistas deram-me a possibilidade de ser publicado no exterior. Poder trabalhar com revistas de meio mundo foi muito útil na minha formação, principalmente pela possibilidade de fazer experiências. O limite das revistas era representado pelos altos custos, e esperar um mês inteiro para ler o capítulo seguinte pode ser fatal, com o passar do tempo.

Como e quando você conheceu Rinaldo Traini?
Massimo Rotundo: Eu conheci Rinaldo há muitos anos, numa das primeiras edições de Lucca Comics. Tenho boas recordações dele, da Editora Comic Art e do pessoal que trabalhava lá. Eu sou do tipo que não esquece, e tenho um grande sentimento de gratidão e afecto em relação a ele.

Quanto o seu trabalho com a Eura Editoriale teve de carácter formador no seu percurso profissional?
Massimo Rotundo: Foi fundamental, foi ali que adquiri experiência a aprender o ofício de banda desenhista, coisa necessária para quem deseja tornar-se um artista ou ser um alternativo.

Você fez trabalhos para revistas eróticas de qualidade, como Diva e Glamour. O que se recorda daquele período artístico?
Massimo Rotundo: Aquelas revistas com capas brilhantes, nascidas do entusiasmo de alguns aficionados, foram uma vitrina para o meu período com Liberty e com Ex Libris Eroticis.

Depois de vários trabalhos, inclusive como professor na Escola Romana de BD, você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore: como foi a sua aproximação com a Editora milanesa?
Massimo Rotundo: Na verdade, eu já havia trabalhado com a Sergio Bonelli Editore nas revistas da série Oriente Express, e depois, ao encontrar Sergio Bonelli com frequência nas várias mostras ou jantares do pessoal do ramo, falávamos de um possível trabalho para novas séries como Dylan Dog e Nathan Never. Mas na época eu tinha um contrato com a Glenat e com Albin Michel, e não conseguia fazer mais nada. Alguns anos depois, quando acabei de desenhar o livro sobre Pasolini (que também foi publicado em Portugal), eu pude aceitar as propostas para desenhar Brendon. O profissionalismo da Sergio Bonelli Editore é inatacável, comigo foram todos gentis sob muitos pontos de vista, e eu pude dar vazão a uma das minhas paixões: a aventura desenhada.

Que lembranças você tem de Sergio Bonelli?
Massimo Rotundo: Eu tenho muitas belas recordações de Sergio, que a mim fazem parecer que os tempos idos eram melhores que os actuais (estou a envelhecer). O seu carisma faz falta a todos, e eu gostaria muito de receber opiniões e conselhos dele, agora que estou a desenhar Tex.

As histórias de Brendon têm um destacado fundo melancólico, de coisas perdidas. Você se sentia apto a tratar desse tipo de atmosfera?
Massimo Rotundo: A minha alma melancólica entrou em sintonia imediata com as histórias de Cláudio Chiaverotti, e eu creio que, com meus desenhos, contribuí para criar o mundo neomedieval da série.

Como se desenvolveu a ideia de fazer as capas de Brendon (a partir do nº 45, N.d.R.)?
Massimo Rotundo: Eu sucedi a Corrado Roi (um desenhador que estimo), que havia ilustrado as primeiras. Nas capas eu sou inquieto, sinto uma tensão emotiva que me leva a querer cada vez mais, a buscar novos estímulos com novas técnicas. É uma bela actividade de experimentação, a do desenhador.

Em seguida você entrou em contacto com Gianfranco Manfredi para fazer Volto Nascosto (Face Oculta). Como foi a sua abordagem a essa série historicamente realística, completamente diferente de Brendon?
Massimo Rotundo: Eu senti firmeza de imediato. Era escrita com sentimento e, como eu já havia desenhado tramas históricas para o mercado francês, senti-me à vontade, e ainda fui ajudado pela abundante documentação de Manfredi. Com relação à parte gráfica, eu pensei em adaptar o meu desenho, sem mudar o estilo pessoal, e fazer alguma coisa com pincel grosso e uma arte-final mais suave.

Nessa nova série você também aplicou a sua experiência de capista de Brendon. Como foi a sua abordagem para as capas de Face Oculta?
Massimo Rotundo: Nas capas de Face Oculta nós buscamos uma inspiração nos cartazes de cinema, com uma operação meio vintage. Todas pintadas à mão com tinta acrílica, não sei se o público as apreciou, mas a venda dos originais foi boa.

Depois dessa experiência, Manfredi o convidou para actuar na mini-série Shangai Devil. Como foi trabalhar com o roteirista?
Massimo Rotundo: Eu sempre tive uma boa sintonia profissional com todos os roteiristas com quem trabalhei, porque tenho um respeito profundo pelo trabalho dos outros e sempre dou o máximo das minhas possibilidades do momento.

Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Como você entrou para a equipe dos desenhadores de Tex?
Massimo Rotundo: Eu fui convidado por Mauro Marcheselli, a quem agradeço pela confiança.

Como você se sente a ilustrar o Ranger?
Massimo Rotundo: Como um leitor que tem o privilégio de lhe dar a própria interpretação.

Ao desenhar Tex, houve alguma dificuldade?
Massimo Rotundo: Ainda não focalizei com precisão as dificuldades de encarar uma nova personagem e um género com o qual não me envolvi muito, mas parece-me um pouco mais difícil que as histórias que eu desenhei até então. Para a tipologia da série eu limitei o mais possível a síntese gráfica, a buscar um desenho mais realista.

Você teve que modificar o seu estilo costumeiro?
Massimo Rotundo: É difícil alterar o próprio estilo, que no máximo pode ser modelado às exigências da história e da personagem. Eu busco adaptar o meu estilo à história que estou a fazer. Por exemplo, para a arte-final de Shangai Devil eu inspirei-me nos traços orientais, com pinceladas suaves, especialmente no primeiro capítulo, quando eu tinha mais tempo. Para Tex, por eu ser um leitor de suas aventuras, decidi desenhá-lo por instinto, como eu o sentia, eu deixei-me levar pelas sensações. Tentei não ser muito racional, sabe-se lá se fiz bem… a intenção era a de não fazer um desenho muito frio.

Como você definiria graficamente o seu Tex?
Massimo Rotundo: É um Tex clássico e vitoriano, simples e cinematográfico… eu não consigo dar um juízo, porque o resultado final só será visto depois de impresso.

Você usou modelos de referência particulares?
Massimo Rotundo: A arte-final dinâmica de Ticci, e também Blueberry, além de E Tudo o Vento Levou (n.t.: no Brasil, E o Vento Levou) e os filmes de Sergio Leone.

O que pode nos dizer sobre a história de Tex em que está a trabalhar?
Massimo Rotundo: Posso dizer que é uma história muito coerente e bem desenvolvida, com mudanças de cenários, especialmente povoados, e uma ideia de base muito divertida. Para mim, Pasquale Ruju fez um óptimo trabalho.

 

Vinheta INÉDITA do Tex Gigante que está a ser desenhado por Massimo Rotundo

Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram uma breve aparição nas séries de Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. Para você, o compromisso com Tex será algo duradouro, ao menos na sua intenção?

Massimo Rotundo: Não depende de mim, mas sim do impacto do trabalho, das exigências da Editora. Veremos.

Página INÉDITA do Tex Gigante que está a ser desenhado por Massimo Rotundo

Quem ou o que é Tex, na sua opinião? O que lhe agrada mais e lhe agrada menos no Ranger?
Massimo Rotundo: Eu gosto da falta de moralismos inúteis das personagens, especialmente de Tex. São personagens positivas mas vão directo ao ponto, não perdem tempo a conversar com certos marginais. Os diálogos de Tex são espectaculares, têm ritmo e são inconfundíveis. Tex é uma personagem que agrada pessoas de várias correntes, amado pela direita e pela esquerda; certos valores não têm posição política. E ele sempre esteve nas mãos de grandes profissionais, tanto nos roteiros quanto nos desenhos. A minha preferência é pelas histórias mais cinematográficas e menos televisivas.

Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Massimo Rotundo: O surpreendente é a possibilidade de poder revitalizar a personagem a cada história, ainda que o género faroeste tenha passado um pouco de moda. Isso mostra a força da personagem.

Como é trabalhar na Sergio Bonelli Editore?
Massimo Rotundo: Trabalhar numa Editora que garante a continuidade e novas propostas é fundamental.

O que é para você a BD, como linguagem e como experiência profissional?
Massimo Rotundo: É a síntese de dois mundos de que eu gosto muito: o cinema e o desenho.

Sem contar Tex, com quem está a trabalhar, qual personagem gostaria de ilustrar?
Massimo Rotundo: Eu sempre pensei que poderia desenhar Corto Maltese. A maior frustração é que não pude desenhar uma história do Sconosciuto. Eu já tinha a documentação, a ideia de base e a ambientação pensada por Magnus, mas infelizmente não foi possível. Eu gostaria de propor à Bonelli uma personagem no estilo 007… se arrumasse um tempo.

Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Segue horários? Como é o seu dia típico, entre trabalho, leituras, informações do dia a dia, ócio, vida familiar?
Massimo Rotundo: Por ter uma família grande, estou sempre a trabalhar, a levar os filhos à escola, a cuidar dos cachorros, dos quadradinhos, e por aí vai. Só consigo arrumar tempo para umas partidas de futebol de salão, para alguns filmes e um pouco de pintura.

Qual é a sua técnica de trabalho?
Massimo Rotundo: Já na primeira leitura do roteiro eu busco informações e faço anotações. Depois eu desenho um layout da página muito detalhado, faço dois ao mesmo tempo, com base na numeração das páginas, para deixar a composição das pares e ímpares (que ficam uma ao lado da outra) mais equilibrada. Em seguida, eu apago os traços excedentes e faço a passagem de tinta com pincel fino e pincel grosso. Eu preciso arrumar um tempo para aprender a trabalhar com computador, é o futuro.

Sobre os seus projectos imediatos, pode nos antecipar alguma coisa?
Massimo Rotundo: O meu projecto é concluir o Tex Gigante. Neste momento não consigo pensar em outra coisa. Também estou a pintar, com muita calma, quadros de madeira em relevo.

Que tipo de BD você lê actualmente, com quais mais identifica-se?
Massimo Rotundo: Actualmente estou a ler o último livro aos quadradinhos de Gipi, e da Bonelli Orfani (Órfãos), Le Storie (As Histórias) e todos os Tex que saem. Estou a acompanhar pouco os mercados francês e americano, mas espero recuperar tudo em pouco tempo. Neste momento agrada-me o trabalho de Roberto Recchioni (n.t.: Dylan Dog e Órfãos), eu admiro a sua vivacidade. Como autores, intrigam-me Alan Moore e Paco Roca. Do passado eu tenho uma lista de nomes que compreende dezenas de autores, de Moebius a Hugo Pratt, de Pazienza a Manara, de De Luca a Breccia, e muitos outros que acrescentaram um galho à árvore da Nona Arte.

Além de BD, que tipo de livros você lê? E quais são suas preferências no cinema e na música?
Massimo Rotundo: Eu li muitos clássicos da literatura, e com os audiolivros consegui ler até aqueles mais difíceis, tipo Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso. É típico que as coisas que o entediam na juventude, com a maturidade você passa a apreciar. Recentemente eu li os livros de Jotanhan Franzen, Liberdade e As Correcções. Falar de cinema é meio complexo, eu acho que vi de tudo, inclusive os filmes B. O que me agradou recentemente foram os filmes de Terrence Malick. Com relação à música, eu sou um daqueles a quem os Beatles mudaram a vida, mas não é um modo de dizer, é a pura verdade. E dali eu cheguei ao jazz. A música sempre acompanhou a minha vida: embora eu seja desafinado, todas as mais fortes emoções que eu vivi tiveram uma trilha sonora. Meu pai é aficionado por música lírica, eu nasci com o som das obras maravilhosas de Puccini.

Para encerrar, você gostaria de dizer mais alguma coisa? Algo que não foi perguntado e que você gostaria que os leitores soubessem?
Massimo Rotundo: Eu viajei bastante, mas não sei porque nunca consegui ir a Portugal. Acho que a minha próxima meta será Lisboa. Até à vista.

Caro Massimo, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)