Grande enchente no Brasil destrói colecção de Tex de Fabiano Zwierzykowski

Por José Carlos Francisco

Depois de recentemente termos dado a conhecer, aqui mesmo no blogue do Tex, a tragédia ocorrida com as maiores cheias em cem anos nos Balcãs que acabaram por fazer estragos também em colecções de Tex, hoje damos a conhecer uma nova tragédia similar, uma grande enchente ocorrida no Brasil com o coleccionador  Fabiano Zwierzykowski, residente na cidade de Cruz Machado no Estado do Paraná e  cuja casa foi coberta pela água, em resultado de muita chuva.

Exemplar de Tex Edição Histórica completamente desfeito

Fabiano Zwierzykowski devido à tragédia que as fotos comprovam perdeu mais de 700 revistas de Tex da sua colecção, revistas essas que ficaram totalmente atoladas na água e lama que inundaram a sua habitação.

Dezenas de revistas de Tex completamente enlameadas

E se num primeiro momento após o trágico acontecimento Fabiano Zwierzykowski informava com enorme tristeza que não teria condições de restaurar a sua colecção e, talvez, nem de continuar a coleccionar o nosso Ranger, a verdade é que um pronto e nobre acto de solidariedade promovido pela comunidade texiana e que o blogue português do Tex dá a conhecer, muitas revistas já foram oferecidas e muitas mais serão, havendo ainda quem prefira contribuir monetariamente de modo a ajudar este pard brasileiro a refazer uma nova colecção.

O estado em que ficou a colecção de Tex de Fabiano Zwierzykowski

Fabiano Zwierzykowski

Quem quiser doar revistas ao Fabiano Zwierzykowski pode fazê-lo enviando-as para o seguinte endereço:
Fabiano Zwierzykowski
Cruz Machado-PR
Cep: 84620-000
Brasil

Quem preferir contribuir monetariamente pode fazê-lo para:
Banco do Brasil
Conta Corrente: 18.588-4
AG: 2490-2

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Entrevista com o fã e coleccionador: Odair Barizão

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Odair Barizão: Meu nome é Odair Barizão, nasci em São Carlos do Ivai, Estado do Paraná, Brasil, no dia 23 de Abril de 1970, onde moro até hoje. Sou casado com a Edna e tenho dois filhos: Fernando e Fabricio.Tenho uma
empresa de Materiais para Construção onde trabalho há 16 anos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Odair Barizão: Desde criança com cinco anos, minha mãe lia as revistas da Disney e Tex para mim enquanto eu olhava as figuras. Ela conta-me estes factos até hoje, e vem a nostalgia de outras épocas.

Quando descobriu Tex?
Odair Barizão: Foi na mesma época, minha mãe trabalhava para uma família da qual tem um leitor de Tex, e ele me deixava levar as revistas para casa, depois de alguns anos comecei a comprar as minhas revistas e coleccionar. Meu primeiro Tex foi o número 50 “Flechas Pretas Assassinas”, e depois para completar a colecção procurava nas bancas e sebos (alfarrabistas) revistas usadas.

Porquê esta paixão por Tex?
Odair Barizão: Como posso responder esta pergunta ? Bom, posso dizer que gosto demais dos desenhos, das histórias, enfim é o meu principal passatempo. Posso contar que para que o vendedor da banca não me deixasse sem a revista de Tex sempre pagava adiantado a do mês seguinte. Posso dizer que mandei um email para a Mythos dizendo que pagaria o dobro de preço se for o caso para eles não pararem de editar Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Odair Barizão: Gosto de ler Zagor e Ken Parker e tenho a colecção de ambos também, porém eu sou fascinado por Tex, e a diferença com as outras personagens é que na maioria das histórias de Tex, eles são heróis humanos sem poderes sobrenaturais, por isso eu consigo entrar dentro da história, passando-me por uma das personagens durante a leitura. É simplesmente fascinante.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Odair Barizão: Tenho todas as edições de Tex Mensal: 531 exemplares, e mais 486 revistas de Tex de outras edições, no total de 1017 só de Tex. A revista que mais gosto e a número 1 da minha colecção “Flechas Pretas Assassinas“, número 50. E a história de Tex que mais gosto é “A Noite dos Assassinos“, número 58.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Odair Barizão: Somente revistas de Tex para além de Zagor e Ken Parker.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Odair Barizão: Todas as revistas do Ranger.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Odair Barizão: A história de Tex que mais gosto, como disse anteriormente é “A Noite dos Assassinos“, número 58. O desenhador é Aurelio Galleppini e o argumentista o Antonio Segura.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Odair Barizão: O que me agrada em Tex e seus companheiros é que ele é um herói humano. E não me agrada o eterno continua na próxima edição, por isso só leio quando tenho a história completa.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Odair Barizão: É simplesmente uma obra de arte digna de museus.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Odair Barizão: Não, mas quero que divulgue o meu email para futuros contactos dos texmaniacos brasileiros e portugueses: odairbarizao@bol.com.br

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Odair Barizão: Acho um futuro incerto e duvidoso, mas se depender de mim vai muito longe.
Um abraço, muito obrigado pela oportunidade.

Prezado pard Odair Barizão, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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As Leituras do Pedro: Tex Especial Colorido #2: Os Bandidos da Neblina

As Leituras do Pedro*

Tex Especial Colorido #2: Os Bandidos da Neblina
Pasquale Ruju
(argumento)
Ugolino Cossu (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Abril de 2013
160 x 210 mm, 162 p., cor, brochado
R$ 19,90 / 10,00 €

Edição colorida que, diga-se desde já, tem uma enorme vantagem sobre (quase) todas as outras histórias do ranger que já vimos a cores: foi pensada para a cor, por isso esta não vai abafar os pretos ou desvirtuar espaços e cenas em que o branco imperava.

Tal como Sergio Bonelli expressa na introdução, penso que Tex é para ser lido a preto e branco – de preferência bem contrastado – pois são esses os tons que melhor combinam com a violência inata e o tom duro e selvagem deste western dos quadradinhos.

E, desculpem a comparação, volto a concordar com o grande editor italiano, quando diz que – por vezes – é preciso compactuar com o gosto – e os hábitos – dos leitores novos e/ou mais jovens, daí a opção por esta (nova) colecção colorida de Tex.

Agora que este segundo tomo está em distribuição em Portugal, deixo algumas impressões.


A escolha de Ugolino Cossu para o desenho revela-se um trunfo, já que o seu traço fino, pormenorizado mas limpo e com muitos espaços livres para o desenho respirar, revelou-se ideal para sustentar o trabalho de cor, que surge ao leitor mais distante das habituais cores mecanizadas Bonelli e mais próximo de um verdadeiro trabalho de colorista.


Tendo esta edição que está em análise, a brasileira, a vantagem (em relação a tantas outras revistas de Tex) de respeitar o formato original italiano, falta referir o argumento de Pasquale Ruju – a que voltarei em breve devido à maxi-série Cassidy & Demian, igualmente lançada pela Mythos – um nome a ter em atenção dentro do(s) universo(s) Bonelli.


Sem quebrar os laços com o historial e o tom tradicional do ranger – a presença de Kit Carson e, principalmente de Gros Jean tornam-nos mais efectivos – consegue contar uma história original, com algumas ramificações interessantes, vários momentos de suspense e tensão, equilibrada nos vários momentos da sua construção, desenvolvimento e conclusão, e que ganha espessura e consistência através da introdução da personagem Chance, que se revela bem humana e se destaca numa narrativa onde – é reconhecido – abundam os estereótipos.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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6ª Usina de Quadrinhos em Canoas, de 9 a 14 de Junho, com exposição de Pranchas A3 da Sergio Bonelli Editore, vindas de Itália, com previews exclusivos dos próximos lançamentos

Expo Heróis Bonelli na 6ª Usina de Quadrinhos em Canoas

O sapucaiense Gervásio Santana de Freitas* recebeu este ano a responsabilidade de organizar a 6ª Usina de Quadrinhos, evento brasileiro que ocorre dentro da 30ª Feira do Livro de Canoas e que engloba oficinas, palestras, painéis, mostras, exposições e conversas sobre histórias aos quadradinhos. A Feira do Livro de Canoas é considerada pela Câmara do Livro como a segunda maior feira do Rio Grande do Sul e ocorre de 31 de Maio a 14 de Junho, nos espaços conhecidos como Calçadão e Praça da Bandeira (nos dois lados da Estação Trensurb Canoas), onde um total de 36 bancas de livreiros, mais de 180 actividades envolvendo 110 escritores esperam os visitantes. As actividades relacionadas às histórias aos quadradinhos ocorrerão no período de 9 a 14 de Junho, nos três turnos, nos stands Usina de Quadrinhos e Café Literário. Grandes nomes relacionados à nona arte estão confirmados, como Manoel de Souza, editor da revista Mundo dos Super-Heróis e Mundo Nerd; Bira Dantas, cartunista campinense; Sandro Zambi, desenhador de Florianópolis; o porto-alegrense Daniel HDR, que desenha para as gigantes norte-americanas DC Comics e Marvel, entre muitos outros expoentes.

6ª Usina de Quadrinhos em Canoas terá Exposição Bonelli

Quem visitar a Usina de Quadrinhos também terá a oportunidade de ver uma Exposição de Páginas A3 enviadas directamente da Itália, da milanesa Sergio Bonelli Editore, e da Mythos Editora, com artes inéditas e exclusivas de Tex (que inclui pranchas, entre outras, de Fabio Civitelli, Massimo Rotundo, Stefano Bigliae Sandro Scascitelli) Zagor, Julia, Cassidy, Demian e muitos outros heróis de papel.

Exposição Bonelli na 6ª Usina de Quadrinhos

A Exposição Bonelli é prevista para ocorrer no sábado, 14 de Junho (mas Gervásio Santana de Freitas tentará estar com ela desde esta segunda-feira, 9 de Junho, para alcançar mais gente). Todos os nossos leitores de Canoas, grande Porto Alegre, do Rio Grande do Sul em geral e mesmo do Brasil estão convidados para este grande evento literário e quadrinhístico.

Pranchas inéditas de Tex vão estar expostas na 6ª Usina de Quadrinhos

* – Gervásio Santana de Freitas, 43 anos, formado em Filosofia pela Unisinos é o coordenador desde o ano 2000 do Portal TexBR (www.texbr.com), o maior site de quadradinhos em língua portuguesa focado nas personagens da italiana Sergio Bonelli Editore. De Sapucaia do Sul, é membro fundador do Grupo Quadrante Sul e além de desenhar, também escreve roteiros para Histórias aos Quadradinhos. Além de orador em palestras, mantém intensa actividade na produção de Histórias de Banda Desenhada e revistas independentes.

6ª Usina de Quadrinhos

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Juiz Dredd em Portugal!

Por Pedro Bouça

O Juiz Dredd é a mais conhecida e popular personagem de banda desenhada do Reino Unido. Apesar disso, e do considerável historial da BD britânica em Portugal, até hoje o herói não foi publicado de forma sistemática no país, uma deficiência que a Mythos Editora espera corrigir através da distribuição no país da revista Juiz Dredd Megazine, que tem, desde o ano passado, publicado no Brasil as aventuras desta e de outras personagens da célebre revista 2000 AD. Mas quem é o Juiz Dredd?

Dredd é um membro de uma força policial futurista que patrulha as ruas de Mega-City Um, gigantesco aglomerado urbano que estende-se pela antiga costa leste dos Estados Unidos. Com 400 milhões de habitantes, esta megacidade é superpovoada e vive em permanente tensão, agravada pelo desemprego elevadíssimo de quase 90% (quase todos os trabalhos em Mega-City são feitos por robôs). Para manter a ordem e combater a criminalidade fora de controlo, a justiça tradicional foi abolida e substituída pela justiça imediata, exercida por juízes com o poder de juiz, júri e executor. O mais rigoroso deles é Dredd, ele é a lei!

Criado em 1977 pela dupla John Wagner (argumentista) e Carlos Ezquerra (desenhador), Dredd aparece nas páginas do semanário britânico 2000 AD desde a sua segunda edição. Dredd rapidamente tornou-se a personagem mais popular da revista, impulsionado pela qualidade dos guiões de Wagner, que soube explorar a ambiguidade e ironia do herói da série ser de facto um grande fascista que pode punir os “bons” com tanto rigor quanto os “maus” se eles quebrarem qualquer das leis complexas e arbitrárias de Mega-City, e a arte de uma constelação de artistas de talento como Ezquerra, Mike McMahon, Ron Smith e Brian Bolland.

A personagem ajudou a 2000 AD a sobreviver e até prosperar enquanto as outras revistas de BD do Reino Unido eram canceladas umas atrás das outras (neste momento, as únicas sobreviventes da BD tradicional britânica são as revistas Beano e Commando, ambas da editora escocesa DC Thomson), embora parte do crédito deva ser atribuído a outras séries de sucesso da revista como Rogue Trooper, Sláine e Nikolai Dante, que também estão presentes nas páginas da Juiz Dredd Megazine brasileira.

Em Portugal.

Apesar de uma certa tradição na publicação de BDs de origem britânica no país – quem não se lembra do Major Alvega, aliás Battler Briton, herói aviador inglês que foi adoptado, “aportuguesado” e é hoje bastante mais conhecido em terras lusas do que na sua própria nação de origem? – o juiz Dredd e os seus colegas da 2000 AD têm estado estranhamente ausentes do país.

A única publicação de BD em Portugal da personagem até hoje foi o álbum Batman e Judge Dredd – Julgamento em Gotham, editado pela extinta editora Meribérica/Liber em 1994. Originalmente publicada em 1991 e certamente a mais traduzida (e vendida) BD da personagem até hoje, ela mostra o primeiro encontro do juiz com o célebre super-herói americano. O motivo da sua edição em Portugal é fácil de perceber, uma vez que o Batman tinha enorme popularidade naquela altura, devido à série de filmes que se iniciara alguns anos antes, e o próprio Dredd tinha um filme em produção naquele momento, estrelado pelo astro Sylvester Stallone. O filme em questão, A Lei de Dredd (1995), foi um fiasco e parece ter demovido as editoras portuguesas da ideia de publicar mais BDs da personagem, uma vez que nem sequer os outros três encontros dele com o Batman seriam publicados no país (ao contrário do Brasil).


Fora isso, a única BD da 2000 AD editada em Portugal foi Rain Dogs – A Selva (Vitamina BD, 2001), criada por Gordon Rennie e Colin Wilson, uma BD menor da revista que, apesar do talento inegável da sua equipa criativa, não teve sucesso nem mesmo no seu país de origem.

Mas, tal como acontece com Tex, a Mythos tem confiança de que os leitores portugueses serão receptivos à personagem. O estilo das BDs publicadas na Juiz Dredd Megazine, que misturam as qualidades das BDs franco-belgas e dos comics americanos, parece sob medida para agradar o público português, que por tempo demais (desde o fim das Selecções BD) tem estado órfão de uma revista como essa. E também deve estar fresca na memória do público a mais recente adaptação cinematográfica da personagem, Dredd (2012), que embora seja muito mais modesta do que a superprodução de 1995, foi bem melhor conseguida e fiel ao espírito da personagem.

Os ingleses estão a chegar, não percam!


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