Juiz Dredd em Portugal!

Por Pedro Bouça

O Juiz Dredd é a mais conhecida e popular personagem de banda desenhada do Reino Unido. Apesar disso, e do considerável historial da BD britânica em Portugal, até hoje o herói não foi publicado de forma sistemática no país, uma deficiência que a Mythos Editora espera corrigir através da distribuição no país da revista Juiz Dredd Megazine, que tem, desde o ano passado, publicado no Brasil as aventuras desta e de outras personagens da célebre revista 2000 AD. Mas quem é o Juiz Dredd?

Dredd é um membro de uma força policial futurista que patrulha as ruas de Mega-City Um, gigantesco aglomerado urbano que estende-se pela antiga costa leste dos Estados Unidos. Com 400 milhões de habitantes, esta megacidade é superpovoada e vive em permanente tensão, agravada pelo desemprego elevadíssimo de quase 90% (quase todos os trabalhos em Mega-City são feitos por robôs). Para manter a ordem e combater a criminalidade fora de controlo, a justiça tradicional foi abolida e substituída pela justiça imediata, exercida por juízes com o poder de juiz, júri e executor. O mais rigoroso deles é Dredd, ele é a lei!

Criado em 1977 pela dupla John Wagner (argumentista) e Carlos Ezquerra (desenhador), Dredd aparece nas páginas do semanário britânico 2000 AD desde a sua segunda edição. Dredd rapidamente tornou-se a personagem mais popular da revista, impulsionado pela qualidade dos guiões de Wagner, que soube explorar a ambiguidade e ironia do herói da série ser de facto um grande fascista que pode punir os “bons” com tanto rigor quanto os “maus” se eles quebrarem qualquer das leis complexas e arbitrárias de Mega-City, e a arte de uma constelação de artistas de talento como Ezquerra, Mike McMahon, Ron Smith e Brian Bolland.

A personagem ajudou a 2000 AD a sobreviver e até prosperar enquanto as outras revistas de BD do Reino Unido eram canceladas umas atrás das outras (neste momento, as únicas sobreviventes da BD tradicional britânica são as revistas Beano e Commando, ambas da editora escocesa DC Thomson), embora parte do crédito deva ser atribuído a outras séries de sucesso da revista como Rogue Trooper, Sláine e Nikolai Dante, que também estão presentes nas páginas da Juiz Dredd Megazine brasileira.

Em Portugal.

Apesar de uma certa tradição na publicação de BDs de origem britânica no país – quem não se lembra do Major Alvega, aliás Battler Briton, herói aviador inglês que foi adoptado, “aportuguesado” e é hoje bastante mais conhecido em terras lusas do que na sua própria nação de origem? – o juiz Dredd e os seus colegas da 2000 AD têm estado estranhamente ausentes do país.

A única publicação de BD em Portugal da personagem até hoje foi o álbum Batman e Judge Dredd – Julgamento em Gotham, editado pela extinta editora Meribérica/Liber em 1994. Originalmente publicada em 1991 e certamente a mais traduzida (e vendida) BD da personagem até hoje, ela mostra o primeiro encontro do juiz com o célebre super-herói americano. O motivo da sua edição em Portugal é fácil de perceber, uma vez que o Batman tinha enorme popularidade naquela altura, devido à série de filmes que se iniciara alguns anos antes, e o próprio Dredd tinha um filme em produção naquele momento, estrelado pelo astro Sylvester Stallone. O filme em questão, A Lei de Dredd (1995), foi um fiasco e parece ter demovido as editoras portuguesas da ideia de publicar mais BDs da personagem, uma vez que nem sequer os outros três encontros dele com o Batman seriam publicados no país (ao contrário do Brasil).


Fora isso, a única BD da 2000 AD editada em Portugal foi Rain Dogs – A Selva (Vitamina BD, 2001), criada por Gordon Rennie e Colin Wilson, uma BD menor da revista que, apesar do talento inegável da sua equipa criativa, não teve sucesso nem mesmo no seu país de origem.

Mas, tal como acontece com Tex, a Mythos tem confiança de que os leitores portugueses serão receptivos à personagem. O estilo das BDs publicadas na Juiz Dredd Megazine, que misturam as qualidades das BDs franco-belgas e dos comics americanos, parece sob medida para agradar o público português, que por tempo demais (desde o fim das Selecções BD) tem estado órfão de uma revista como essa. E também deve estar fresca na memória do público a mais recente adaptação cinematográfica da personagem, Dredd (2012), que embora seja muito mais modesta do que a superprodução de 1995, foi bem melhor conseguida e fiel ao espírito da personagem.

Os ingleses estão a chegar, não percam!


(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

  1. A primeira vez que li a banda desenhada do Juiz Dredd foi no início dos anos 90 nas últimas páginas de uma revista de heavy metal chamada “Rock Power“.

  2. Bem, por esta não esperava!..

    São sempre boas notícias quando há mais uma publicação a chegar às bancas portuguesas.

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