Texones no mundo

Por Pedro Bouça

Mais edições especiais de Texones (Tex Gigante) estão a aparecer pelo mundo, dando aos coleccionadores a oportunidade de adquirir versões diferenciadas de álbuns dessa que é sem dúvida a mais sofisticada série do nosso Ranger.

Como havíamos anunciado antes, a editora italiana Bao Publishing acabou de lançar uma edição de luxo do melhor Texone dos últimos tempos: Patagónia, de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, que pode ser adquirida nas livrarias online italianas.


A edição conta com uma capa inédita de Frisenda e dezenas de extras. Para ver um preview da editora, clique AQUI!

O volume é em formato grande (22 x 30 cm), tem capa cartonada e 268 páginas. Existe uma versão em tiragem limitada com capa alternativa de Giuseppe Palumbo. Ambas custam 22 euros.


Já nos Estados Unidos a editora Dark Horse anunciou uma edição de luxo do único Texone realizado por um desenhador do país, Joe Kubert. Tex: The Lonesome Rider será uma edição em cores e com capa cartonada da história na sua integralidade. A editora ofereceu informações sobre a edição no seu site, como pode constatar clicando AQUI!


Não é a primeira vez que a Dark Horse promete publicar essa história. No passado ela chegou a anunciar uma edição em quatro volumes no formato franco-belga similar à que foi publicada em França e outros países europeus, que, por qualquer razão, nunca chegou a ser editada. Mais tarde a SAF Comics, editora de Ervin Rustemagić, amigo pessoal de ambos Kubert (que contou as atribulações de Rustemagić durante a guerra na Bósnia na premiada BD Fax from Sarajevo) e Sergio Bonelli, publicou uma versão em inglês, bastante mais simples do que a anunciada pela Dark Horse, que nunca chegou a ter ampla distribuição nos Estados Unidos. Embora impossível de se encontrar nas lojas, Kubert obteve um grande número de álbuns e eles estão à venda no seu site (mantido pela família após a sua morte) até hoje, como pode conferir AQUI!

Esperamos que desta vez a história tenha uma distribuição ampla no país e abra espaço para outras futuras publicações de Tex na nação que inspirou as suas aventuras.

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Pasquale Del Vecchio no Brasil Comic Con 2014: a arte de fazer felicidade e alegria

Por José Carlos Francisco

Pasquale Del Vecchio, o desenhador italiano, de Tex, que esteve presente em Novembro no Brassil Comic Con 2014 em São Paulo, Brasil, numa iniciativa patrocinada pela Mythos Editora, distribuiu autógrafos e sorrisos, para além de posar para fotos ao lado dos seus inúmeros fãs presentes naquele que já é considerada um dos maiores eventos culturais da América Latina, e que foram até lá para vê-lo de perto, fazendo com que todos os Texianos presentes em São Paulo desfrutassem da sua simpatia,  disponibilidade e arte (também realizou alguns belos desenhos feitos na hora), cultivando em elevado grau a arte de fazer feliz todos que o rodeavam, utilizando essa sua arte (e a sua simpatia) para fazer felizes as pessoas ao seu lado, conforme se demonstra nesta sucessão de belas fotografias onde os possuidores dos tesouros Texianos autografados por Del Vecchio irradiam felicidade por todos os poros:


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Uma visitinha à Sergio Bonelli Editore

Por Rivaldo Ribeiro & E. Rodrigues (texto) e E. Rodrigues/Planeta Gibi (fotos)[1]

Mike Deodato Jr. desenhando fumetti de Tex? O sonho de ter um artista brasileiro assinando aventuras do Ranger parece estar para acontecer. E essa foi apenas uma das satisfações que tivemos ao visitar, descompromissadamente, a sede da Sergio Bonelli Editore, em Milão, na semana passada.

Dos corredores forrados de arte, assinadas não só por artistas bonellianos (até um Chico Bento figura ali), transborda a simpatia do pessoal, envolvido na produção das revistas aos quadradinhos mais encontradas nas bancas da Itália (presença só comparável, por lá, às também criações italianas Diabolik e Rat-Man e, claro, Disney).

Chama a atenção, também, um enorme cartaz do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, clássico maior do Cinema Novo. Sergio Bonelli adorava cangaceiros, explica Roberto Paravano, nosso anfitrião.

E não bastasse a imensa simpatia dispendida, ainda saímos carregados de presentes, entre revistas, livros, DVDs, buttons e pósteres. Um dia histórico, enfim, para um admirador da editora e a realização de um sonho de dez em cada dez coleccionadores bonellianos.

Em tempo: recomendamos a leitura da entrevista de Deodato a Daniel Ianegitz Vieira publicada recentemente no Tex Willer Blog, de Marinho e Zeca (o maior coleccionador de Tex do mundo).

[1] Texto de Rivaldo Ribeiro & E. Rodrigues apresentado no Planeta Gibi Blog em 23 de Novembro de 2014.

Copyright: © 2014, Rivaldo Ribeiro & E. Rodrigues

As críticas do Marinho: “Il prigioniero di Yuma” – (Tex italiano 640 a 642)

Por Mário João Marques


Boselli parece determinado em recuperar regularmente personagens de outras aventuras, mas esta aventura representa um passo diferente do habitual, ao juntar duas personagens, Durango e Kid Rodelo, cujas origens remontam a diferentes aventuras, ligando-as por um laço familiar que todos estaríamos longe de imaginar. Esta estratégia, parte integrante de uma evolução que Boselli assume para a série, acaba por criar laços de identificação para com o leitor, conferindo uma certa continuidade e coerência. Se G.L. Bonelli foi capaz de criar um imaginário, rapidamente aceite e assumido pelos leitores, em personagens como Tom Devlin, Pat McRyan, Montales ou Jim Brandon, sem esquecer arqui-inimigos como Mefisto, Yama ou Proteus, Boselli parece acreditar na mesma fórmula como um ponto da estratégia evolutiva pretendida.

Julgado morto no final da aventura Terre Maledette (também de Boselli e Font), William Rainey, mais conhecido por Durango, reaparece algures na fronteira entre o sul da Califórnia e o Arizona. O seu objectivo imediato passa por libertar o irmão Philip, mais conhecido por Kid Rodelo, da penitenciária de Yuma, onde se encontra a cumprir pena, depois de capturado por Tex no confronto que opôs o ranger ao bando de Jack Thunder em I Sette Assassini, aventura também escrita por Boselli e desenhada por Marcello. Em breve, Durango e Kid vão juntar-se à sua irmã Molly, mais conhecida por Dallas, com o intuito de vingarem os seus pais, assaltando sucessivamente todos os bancos de um grupo financeiro liderado pelo banqueiro Gradson que, anos antes, tinha imposto prepotentemente dificuldades económicas que levaram ao suicídio do seu pai Rainey. Ciente do perigo, Gradson vai contratar uma milícia privada e um caçador de prémios para capturar o bando, mas Tex e os seus pards vão intervir no sentido de levarem os três irmãos a julgamento e impedir que os perseguidores façam justiça por conta e a pedido do banqueiro.

Autor de uma notável capacidade na construção e gestão das personagens, Boselli evidencia mais uma vez estas qualidades, sobretudo no relacionamento entre os três irmãos. Movidos certamente pelos mesmos objectivos, prisoneiros de certa forma de um passado duro e que uns, sobretudo Kid Rodelo e Dallas, viveram mais intensamente, já que Durango cedo abandonou a casa, a verdade é que por todos perpassa o desejo de vingança familiar. Apesar das circunstâncias os terem conduzido ao mesmo caminho, a psicologia de cada um leva-os a diferentes atitudes, uma vez que, se Durango vai libertar Kid da penitenciária e reunir a família, não parece muito crível que, depois da vingança, existam outros laços que o levem a permanecer junto dos irmãos. Durango vive obcecado com a vingança, sendo apresentado como um jovem assassino que não hesita em matar a sangue frio e de que é perfeito exemplo a vontade em abater Mike (que vive apaixonado por Dallas), o que não acontece apenas porque a irmã intercede em favor deste. Já entre Kid e Dallas existe um relacionamento mais profundo, não só porque são gémeos, mas também porque cresceram juntos e solidariamente viveram o passado doloroso. De certa forma, Kid e Dallas têm outra abordagem, assumindo a sua vontade em vingar os pais certamente, mas hesitando na forma e no modo que o irmão impõe. Esta permanente luta contra a lei, os sucessivos assaltos a bancos e a morte de inocentes, quando a tal obrigados pela força das circunstâncias, parece distancia-los gradualmente de Durango, levando a uma crescente tensão familiar que só o final inesperado de Boselli acabará por colocar um ponto final.

Por outro lado, Il Prigioniero di Yuma sublinha de modo evidente a dualidade entre a justiça da lei e a lei da justiça como um dos grandes vectores da série. Se numa primeira fase Tex desconhece os motivos que levam os três irmãos a assaltar uma série de bancos e, por vezes, matarem a sangue frio, ao conhecer os factos que marcaram a sua infância e adolescência, depara-se com o dilema da melhor e mais justa decisão a tomar. Será que os atribulados acontecimentos de anos de sofrimento justificam a conduta presente e os anseios de vingança? Será a justiça da lei, aquela que levará Durango, Kid e Dallas até à barra dos tribunais, o desenlace mais justo? Neste sentido, esta é uma daquelas aventuras que o leitor é levado, por força dos acontecimentos, pela personalidade dos intervenientes ou pelos motivos que movem a sua conduta, a torcer por quem não está necessariamente do lado certo da lei. Já na mítica aventura Caçada Humana de Guido Nolitta, Tex, ao conduzir um jovem acusado até um juiz, vai gradualmente mudando a sua opinião em função da força dos acontecimentos e do julgamento que, ao longo da aventura, vai fazendo do jovem. A aventura, ainda hoje considerada por muitos como a melhor de sempre, marcou uma geração de leitores e apresentou um Tex diferente, puramente nolittiano, um Tex que duvida e cuja acção não se reduzia a impor a lei. Na aventura de Boselli, Tex também manifesta as mesmas dúvidas, assume o mesmo comportamento, analisa a situação e interroga-se legitimamente sobre o real valor da lei dos homens quando esta não serve a justiça, afinal e desde sempre, o principal valor para Tex.

Há, no entanto, uma diferença fundamental, porque este Tex que Boselli nos apresenta, acabando por não decidir sozinho, parece adquirir uma nova característica. Este Tex ouve a opinião dos outros pards (a que se junta a de Mike) e aceita a vontade da maioria, mesmo que contrária à sua. Este Tex certamente que também duvida, mantém as suas convicções, continua a seguir os seus instintos, mas adquire outros contornos quando deixa de alguma forma de concentrar em si mesmo a decisão final, fazendo-a depender de prévia discussão e de uma “vontade colegial”.

Não deixando de admitir que uns possam considerar ser esta uma postura “historicamente” inaceitável, que se afasta dos cânones bonellianos, acredito que nesta abordagem de Boselli residirá muito do interesse que a personagem continua a irradiar. Será que as séries e os heróis são imutáveis? Será que o próprio Sergio Bonelli/Guido Nolitta estava errado quando abordou a personagem de modo diferente da do seu pai? Essa visão porventura impediu-o de escrever algumas das melhores aventuras da Tex? Creio no fundo que muito da habilidade de Boselli está bem patente nesta evolução que vem impondo, já que, ao manter as principais características da personagem, o autor não hesita em introduzir alterações capazes de a adaptar às novas realidades e aos novos tempos.

Alfonso Font parece predestinado a desenhar excelentes aventuras texianas, muito por força dos argumentos de Boselli, quase sempre de elevada qualidade. Não é verdadeiramente um desenhador de traço elaborado, por vezes é mesmo acusado de um traço algo caricatural e que tende a ser sintético, mas a verdade é que o autor espanhol consegue ser sempre eficaz na construção de ambientes e compor trabalhos com uma atmosfera de western puro.


O seu Tex fica um tanto longe dos cânones clássicos, mas desde os seus primeiros trabalhos que é notória a evolução de Font na composição do ranger, evidente até nos inúmeros primeiros planos com que o autor não receia em apresentar o herói. Tal como Ortiz, o estilo de Font divide, mas enquanto o desenho deste vinha em decadência, os trabalhos de Font têm vindo a manter o mesmo nível gráfico, aprecie-se ou não o estilo.

Sublinhe-se ainda, e não de somenos, a elevadíssima qualidade das duas capas que Claudio Villa compôs para esta aventura. Se a primeira retrata Tex e Carson perante a campa do casal Rainey, em busca de respostas que escasseavam, a segunda capa revela uma inovação na série normal, já que, pela primeira vez, retrata duas situações diferentes no tempo e no local, contemporaneamente presentes.


Resta-nos agora aguardar pelo prometido regresso de Kid Rodelo (e porque não de Dallas) em duas aventuras que Boselli escreve para Alfonso Font e Giovanni Bruzzo. Aventuras que vão permitir ao leitor retirar algumas conclusões, nomeadamente se a conduta de Tex, baseada num inato sentido de justiça, foi a mais correta, ao permitir uma segunda oportunidade a dois jovens marcados por um passado doloroso, sobretudo a Kid, cuja condição física poderá levá-lo a assumir no futuro outro comportamento, eventualmente com um tom até mais dramático. “Questa volta ho seguito il vostro parere, hombres! Speriamo di non dovercene mai pentire”.

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Inaugurado, em Itália, um parque dedicado a Tex Willer

Por José Carlos Francisco


No passado dia 15 de Novembro, foi inaugurado na zona sul de Roma, mais precisamente no bairro romano de  Torrino Mezzocammino, a primeira parte do PARQUE DE TEX!


Um parque público de 5.000 metros quadrados dedicado ao Ranger criado por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini onde uma estátua do Tex com o seu fiel cavalo Dinamite foi colocada no centro da praça Guido Crepax e cuja principal porta de entrada é chamada de Tex Willer e é ornamentada por uma estátua do Ranger em arame, havendo uma segunda porta de entrada, chamada de Kit Carson e igualmente ornamentada por uma estátua do velho Carson.


A inaugurar o parque esteve o presidente do IX município romano, Andrea Santoro, na presença de Giorgio e Davide Bonelli, respectivamente irmão e filho do editor Sergio Bonelli, Mauro Marcheselli, autor e director da Sergio Bonelli editore, e de Maurizio Nicastro, presidente do Consorcio Unitário Torrino Mezzocammino.


Em Janeiro serão abertos ao público outros 6 hectares do parque com dois campos desportivos, áreas para pic-nics e ciclovia, sendo também inauguradas as outras duas entradas do parque, as portas Kit Willer e Jack Tigre, também elas embelezadas pelas respectivas estátuas de arame.


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