Em Montagnana, Itália desenrolou-se de 5 a 20 de Setembro deste ano uma Mostra dedicada a Tex Willer, com a exposição de artes da autoria de Fabio Civitelli. Foram expostas 44 obras, entre páginas originais do Texone ‘La cavalcata del morto’ (que valeu a Civitelli o prémio como melhor desenhador italiano em 2012), ilustrações realizadas para o livro ‘Tex, il romanzo della mia vita’ publicado pela Mondadori, pranchas originais realizadas com aguarelas para a história ‘Il duello’, publicada em 1998 e ainda ilustrações publicadas no livro ‘Il mio Tex’.
O blogue do Tex dá hoje a conhecer o vídeo de apresentação da iniciativa, realizada no Palácio Ferro-Fini, sede do Conselho regional e que contou com a participação das mais influentes autoridades da região e onde a faceta de verdadeiro embaixador mundial de Tex reconhecida a Fabio Civitelli foi recordada, não sendo esquecidas as suas constantes passagens por Portugal e Brasil:
Feliz aniversário para José Carlos Francisco, por Catherine Labey e Jorge Magalhães
Mais um aniversário e mais uma vez Tex esteve presente, pois o meu irmão Sérgio Francisco (um irmão que Tex me ajudou a encontrar depois de mais de 40 anos, mas isso é uma história para outra altura), resolveu oferecer-me um presente bem Texiano e que fizesse jus à minha paixão pelo Ranger criado em 1948 por G. L. Bonelli e realizado graficamente por Aurelio Galleppini… é que este ano para comemorar os meus 47 anos (feitos hoje, sábado, dia 13 de Dezembro) de existência em vez do habitual bolo TEXiano que a minha esposa e filhas costumam oferecer-me, foi o meu irmão que resolveu surpreender-me com um presente TEXiano para comprovar uma vez mais que apesar de Tex fazer parte integrante da minha vida, toda a minha família não tem ciúmes desta paixão pelo Ranger e até incentiva para o facto de Tex estar sempre presente nos momentos mais especiais e deste modo o meu irmão também aproveitou este dia tão especial (para mim), para homenagear o Ranger que tem como lema a lei, justiça, humanidade e amizade e que assume, simultaneamente, o papel de justiceiro, investigador e até de chefe índio, sob o nome de Águia da Noite e que convive comigo há mais de 30 anos e que também me ajudou a ser a pessoa que sou, moldando-me, isto porque Tex é para mim um irmão mais velho e um verdadeiro Amigo de todas as horas, estando sempre presente em todos os momentos.
Presente de Giancarlo Malagutti para o seu pard português
Uma paixão resultante de um amor à primeira vista, uma vez que fiquei cativado pela personagem assim que li a sua primeira história, quando, em 1980, os meus avós foram morar para Vila Nogueira de Azeitão e durante as limpezas no sótão da habitação descobri uma velha caixa com dezenas de livros de banda desenhada no seu interior, entre elas o Tex 94, “Pacto de Sangue”, uma aventura completa e que apresentava o casamento de Tex.
Cartão da prima Isabel Serejo com o Tex presente
Essa paixão continua até hoje, como facilmente podem constatar, tanto que Tex não me proporciona apenas horas de leitura apaixonada mas porque através dele, são inúmeros os Amigos que tenho feito ao longo dos anos em vários países do mundo e isto leva-me à feliz conclusão de que, afinal, vale a pena dedicar-nos a algo que gostamos e que nos dá prazer, para mais quando isso nos permite concretizar muitas e boas amizades e passar momentos de inesquecível envolvimento, como provam os grandes Amigos Jorge Magalhães e sua esposa Catherine Labey e o grande Mestre italiano Giancarlo Malagutti que me presentearam com dois magníficos e especiais cartões texianos de aniversário, como também se pode constatar a ilustrar este meu texto, onde também a minha querida prima Isabel Serejo me homenageou colocando um livro de Tex na bela montagem realizada por ela para o meu aniversário.
Sérgio Francisco e as suas criações texianas em chocopan
Mas voltando ao presente de aniversário, que acabou ficando uma verdadeira obra de arte e ainda por cima, comestível, o meu irmão Sérgio Francisco, proprietário da Pastelaria “Volta de Mar”, na Nazaré (ao longo do século XX, a Nazaré evoluiu progressivamente de uma vila piscatória para uma vila dedicada ao turismo, tendo sido um dos primeiros pontos de interesse turístico internacional em Portugal. A indústria do turismo é hoje um dos principais empregadoras da vila e é hoje impossível falar da Nazaré sem referir o recorde mundial da maior onda já surfada, de 30 metros, estabelecido por Garrett McNamara, na Praia do Norte, em Janeiro de 2013), resolveu brindar-me com um Tex confeccionado em… chocopan, uma pasta feita à base de chocolate para cobertura e decoração de bolos!!!!
Jack Tigre e Tex em… chocopan
Um Tex comestível, muito doce e único, como se pode ver nas fotografias que ilustram este meu texto, mas para além de Tex, o meu mano também fez um Jack Tigre em chocopan. A forte amizade entre Tex e Jack Tigre começou quando o Ranger foi adoptado pela tribo navajo ao contrair matrimónio com a bela Lilyth e neste caso o Tex e o Jack Tigre, feitos em chocopan pelo meu mano pasteleiro representam a amizade eterna entre nós os dois porque o que Tex uniu ninguém jamais voltará a desunir!
Sérgio Francisco, José Carlos Francisco e os presentes TEXianos do pasteleiro Sérgio
Para finalizar, por muito que gostasse de ter estas preciosidades na minha biblioTEX, elas são perecíveis pelo que dilectos pards, são servidos? Bom apetite!
Um delicioso Tex em chocopan
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Robério Aguiar:Nasci numa pequena cidade do interior baiano. Ibicoara, em 1970, na Chapada Diamantina. Meu pai foi tropeiro e depois comerciante. Minha mãe é filha de Vaqueiro e foi Professora. Já veio daí o gosto por cavalos e pela leitura. Sou Professor, formado em Pedagogia, História e Geografia e Pós-graduado em Gestão Ambiental. E crio alguns cavalos. É claro, tenho o meu Dinamite. Rsrs
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? E quando descobriu Tex? Robério Aguiar:Eu tinha entre 10 e 12 anos. Meus irmãos mais velhos estudavam na “Cidade Grande”. Quando estavam de férias, voltavam para Ibicoara e traziam várias revistas de quadrinhos, entre elas, as revistas do Tex. Quando eu via as revistas ficava com muita vontade de ler, atraído pelas capas coloridas com cavalos, cowboys e índios, mas meus irmãos escondiam as revistas, achando que eu iria estragá-las. Quando eles saíam para a rua eu procurava incansavelmente até achá-las. Então eu lia sem parar até que me tomassem novamente… rsrs. Até que desistiram e me deixaram ler sossegado.
Porquê esta paixão por Tex? Robério Aguiar: Inicialmente, fui atraído pela trama cavalos, cowboys e índios. Eu já via na TV filmes de faroeste e ficava fascinado. Posteriormente, à medida que fui crescendo, conhecendo a personagem e entendendo melhor as histórias, o encantamento com o Tex só aumentava.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Robério Aguiar:O comportamento. Duro como o diamante com os facínoras e ao mesmo tempo um homem de bom coração. Sempre pronto a defender o mais fraco em quaisquer circunstâncias, seja ele homem, mulher, pobre, rico, sem distinção de raça, cor ou crença. Honesto, amigo e junto com Kit Carson, Jack Tigre e o filho Kit Willer, formam um quarteto invencível, temido por todos os bandidos e corruptos do Velho Oeste.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?E qual a mais importante para si? Robério Aguiar:Tenho mais de 600 Revistas do Tex. Era para ter muito mais, mas empresto muitas e a maioria não são devolvidas. Não tenho a colecção normal ou mensal, porque aqui na cidade não existe uma única banca de revistas, então fica muito complicado para adquirir estas edições. Tenho a colecção Colorida, as colecções Tex Ouro, Tex Anual, Tex Edição Histórica ainda incompleta, Tex Gigante também incompleta, mas logo as completarei. Incompleta também Almanaque Tex. Gosto muito de todas, mas algumas são guardadas com muito carinho e estas eu não empresto. Rsrs. Como El Muerto, Navajos em Pé de Guerra, Flechas Pretas Assassinas, O Passado de Kit Carson, a colecção Colorida, o Tex Gigante em Cores, enfim, por ter mais ciúmes destas, acredito que sejam mais importantes para mim.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Robério Aguiar: Apenas as revistas. Até porque aqui não encontro nada relacionado ao Tex. Agora recentemente, depois do Fã Clube Tex Brasil, que foi ideia do coleccionador José Leonardus e do Jessé Bicodepena, é que tive contacto com objectos do Tex e tenho algumas coisas, como chaveiro, caneta, boton, camisas, cartaz, etc.
Qual o objecto Tex da sua colecção que mais gosta de possuir? Robério Aguiar:As Camisas dos Encontros do Clube Tex Brasil, que tenho orgulho em usar nas cavalgadas e eventos country que participo. Tenho também os livros do G. G. Carsan, Tex no Brasil e o Tex Willer, A História da Minha Vida de Mauro Boselli e ilustrado por Civitelli.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Robério Aguiar:São várias histórias favoritas, difícil apontar uma. Gosto demais da trama de El Muerto, O Passado de Kit Carson, O Grande Roubo, O Traidor, que envolvem planos muito bem articulados que deixam os nossos heróis numa enrascada praticamente sem saída, enfim, as tramas mais inteligentes atraem-me muito. Gosto demais dos desenhos do Galep e a argumentação do G.L. Bonelli.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Robério Aguiar: Difícil apontar uma qualidade do Tex. O “cara” é fantástico. Talvez a sua coragem e disposição de estar sempre disposto a ajudar um amigo, ou qualquer pessoa indefesa diante dos poderosos e que se acham acima da Lei e da Justiça é bem marcante. Não é que me agrade menos, mas eu gostaria que as histórias tivessem mais um destaque feminino, alguns romances. Acho que atrairia mais fãs femininas.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Robério Aguiar: O seu comportamento duro, seu senso de justiça, sua coragem, sua honestidade e a sua disposição de estar sempre pronto a ajudar quem quer que seja, que se encontre em situação de necessidade. Junto com seus parceiros, formam um quarteto amado pelos bons e temido pelos bandidos.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Robério Aguiar: Sim. Como mencionei anteriormente, o Fã Clube Tex Brasil me proporcionou conhecer e fazer amizade com vários coleccionadores do Tex, a exemplo do José Leonardus, Jessé Bicodepena, Wilson Sacramento, Emerson, Iranildo, José Marcos, Inaldo e tantos outros, que conheci no Primeiro Encontro do Clube em Alagoinhas, Bahia. Já realizamos um segundo encontro, na Capela do Saicã, Rio Grande do Sul e está vindo o terceiro encontro a se realizar em São Paulo. Sem falar na amizade virtual que tenho com vários outros e que pretendo conhecê-los ao vivo, como o G. G. Carsan, o Jim Halley (caricaturista oficial do Clube Tex Brasil ao lado do Emerson) e o Neimar Nunes.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Robério Aguiar: Vejo um futuro promissor para o Tex. As redes sociais, os blogues e Clubes facilitam o acesso, a troca de informações e a aquisição das revistas. O Clube Tex Brasil, por exemplo, que muito me orgulho de ser um sócio fundador, faz um trabalho de divulgação, informação e “descoberta” de leitores do Ranger por todo o Brasil que é muito interessante e agora reconhecido oficialmente pela Bonelli e pela Mythos, cuja existência de apenas 12 meses já resultou na extinção do TEX Gigante a cores nas bancas, devido à volta e incrível aumento da procura pelos leitores, chegando até mesmo a inflacionar o mercado, facto que acho positivo, uma vez que contribui para a divulgação de nosso herói e seus pards. Parabéns à Mythos Editora por esse lançamento inédito no Brasil. Edição de capa dura, colorida e espero que dê continuidade.
Eu particularmente, adquiri mais de 90% das minhas revistas por meio da Internet. Então, acredito que o Ranger e seus parceiros terão uma vida muito longa e muitas aventuras virão por aí. Aproveito para parabenizá-lo pelo belo trabalho no blogue português do Tex e pelo empenho em tornar o Tex o mais lido e mais querido personagem de faroeste em todo o planeta. Obrigado pela oportunidade e vida longa a Tex e a todos os Texianos.
Prezado pard Robério Aguiar,agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Para quem gosta de curiosidades, aqui vai mais uma: as peripécias do Ranger mais temido do Oeste, agora incluem uma ajuda ao governo brasileiro.
Não, Tex não está de malas prontas para vir combater o crime que campeia em terras tupiniquins! Embora muitos brasileiros gostassem de receber uma notícia desse tipo. Talvez até: ´Tex em São Paulo e no Rio de Janeiro caçando bandidos´. Ou ´Tex investigando o escândalo da Petrobrás´.
Mas não é nada disso. Mr. Willer está ajudando nas escolas que fazem parte do projecto governamental Pronatec.
Não, não está ensinando os alunos a atirarem, ou a como se comportarem como autênticos navajos, mas sim, como exemplo num desenho de esboço, como podemos ver na arte abaixo.
No volume 1 do curso Técnico em Computação Gráfica, na página 128, temos essa bela imagem.
Outra curiosidade é que não foi creditado o autor do desenho bonelliano, nem que a personagem é Tex. Talvez por desconhecimento dos autores do livro do Pronatec (Pronatec é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, e foi criado pelo Governo Federal, em 2011, com o objectivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. Abrange algumas áreas do ensino técnico).
Pensamos que é Lucio Filipputti. Ou você, caro leitor tem outro palpite?
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Eu nunca apostaria, 25 anos atrás, quando comecei a escrever, profissionalmente, banda desenhada, porém aconteceu. Foi publicada a minha primeira história de Tex. Uma pequena aventura de apenas trinta e duas páginas, mas que tem como protagonista Águia da Noite e deste modo pude realizar um outro dos meus sonhos. Porque ser capaz de publicar uma história do Ranger é um marco importante e estou feliz por tê-lo conseguido, independentemente do facto de tal se poder voltar a repetir no futuro. A história com a minha assinatura intitula-se “Incontro a Tularosa” (“Encontro em Tularosa“) e é a segunda em ordem de aparição, no interior de uma antologia de quatro episódios contidos no sexto “Color Tex”, uma colecção a semestral, a cores e que alterna, nos seus números, aventuras longas com colectâneas breves (como neste caso).
O meu nome acabou assim por constar junto de outros três colegas extraordinariamente talentosos: Michele Medda, Mauro Boselli e Roberto Recchioni. Então, eu tive o problema do confronto quanto à qualidade do meu trabalho, em comparação com eles. Por sorte, eu tive como pard gráfico um desenhador de grande talento: Giuseppe Camuncoli, um dos ilustradores italianos mais famosos no estrangeiro pela sua actividade no âmbito Marvel, em particular nas páginas do Homem-Aranha.
Moreno Burattini e Giuseppe Camuncoli
Os outros desenhadores deste sexto Color Tex são Michele Benevento, Luca Rossi e Andrea Accardi: também neste caso tratam-se de verdadeiros fora-de-série. Ao poker de ases deve juntar-se o joker Giulio De Vita, autor da capa. De todos estes autores se falou numa conferência dedicada a Tex ocorrida recentemente no evento Lucca Comics, que eu próprio moderei entrevistando Mauro Boselli e muitos outros autores, e que pode ser vista no site da Sergio Bonelli Editore ou clicando clicando directamente aqui. Considero óptimo o trabalho de Camuncoli em Tex porque soube meter-se ao serviço do herói e da história, sem renegar-se a si próprio, mas também sem alterar o carácter da personagem. Um verdadeiro profissional, Giuseppe, capaz de passar dos super-heróis para o western com igual eficácia. De seguida podem ver por exemplo, coloridas por Beniamino Del Vecchio.
Não foi fácil escrever as trinta e duas páginas de “Incontro a Tularosa“. Primeiro, porque Tex é uma personagem com tanta história às costas, com tanta ortodoxia a respeitar, com tanta tradição, com tanto público (e público atento) para agradar que cada vinheta levanta dúvidas sobre o melhor modo de realizá-la. Então eu tive que reflectir sobre todas as atitudes de Águia da Noite, incluindo o particular de se podia apoiar ou não o chapéu na mesa do saloon. Em segundo lugar, fui convidado para uma história curta: algo muito mais difícil de realizar comparativamente com uma longa. Era preciso um argumento com uma ideia fulminante e um roteiro calibrado ao milímetro. Eu fiz o que pude, e julguem vocês. A trama, um western de cenário mexicano, muito cru, foi escolhida a partir de uma lista de quatro propostas a Boselli, uma com Tex sozinho e outras em dupla com cada um dos três pards.
Moreno Burattini com o Color Tex 6
A pergunta que todos me colocam agora, é se haverá outras histórias de Tex escritas por mim. De momento, escrevi uma outra, também ela de trinta e duas páginas, que deverá ser publicada no Color outonal de 2016 (salvo diverso parecer do editor). Os desenhos foram confiados a Michele Rubini e, esta vez, tratar-se-á de uma história de terror e fantasia. Se depois vier a ser convidado para escrever uma história longa, ficarei feliz de meter-me à disposição, desde que não seja posto em risco o meu trabalho em Zagor, que continua a ser o meu interesse principal.