Entrevista com a fã e coleccionadora: Fernanda Bender

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Fernanda Bender: Sou gaúcha, nasci em Novo Hamburgo, no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul, em Julho de 1984. Trabalho em uma gráfica e, apesar de já estar com 30 anos, ainda não sei bem o que quero da vida, hehehe! Sou viciada em histórias aos quadradinhos, romances e no bom e velho rock n’ roll.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Fernanda Bender: Os quadradinhos foram a minha primeira leitura. Cresci lendo Disney, Turma da Mônica, Luluzinha & Bolinha, Recruta Zero, O Menino Maluquinho… tanto que ainda guardo boa parte das minhas revistas da infância com muito carinho e saudosismo de uma época tão boa. Há uns anos atrás, reabri as caixas onde as revistas estavam guardadas e o amor pelos quadradinhos reacendeu com força total. Hoje procuro conhecer outros tipos de histórias aos quadradinhos, como produções independentes ou adaptações de obras clássicas.

Quando descobriu Tex?
Fernanda Bender: Já tinha lido em alguns blogues de amigos recomendações sobre TEX, mas até então não sabia por onde começar. Depois de umas dicas com um blogueiro amigo, comprei uma Edição Ouro por conter uma história fechada e apaixonei-me imediatamente. E isso faz pouquíssimo tempo.

Porquê esta paixão por Tex?
Fernanda Bender: Eu já lia livros de bolso de faroeste, então foi fácil me agradar das histórias. Também gostei demais dos desenhos, achei tudo uma combinação perfeita no fim das contas. As histórias são dinâmicas, tem bons diálogos, acção e até umas pitadas de humor que me fizeram apreciar o conjunto instantaneamente.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Fernanda Bender: Ele não possui superpoderes ou usa roupas chamativas. É um homem comum, mas dotado de grandes valores e de palavra. Seu senso de justiça aliado a uma personalidade forte acabam inspirando quem lê, justamente por ele ser apenas um ser humano como todos nós. Aliás, isso é que torna a sua coragem ainda mais notável.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Fernanda Bender: Comecei a colecionar TEX faz pouco tempo, então tenho pouquíssimas revistas. Creio que no momento umas dez. Gosto de todas, mas a Edição Histórica nº 60 marcou-me bastante pela história de peso e reflexão que traz.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Fernanda Bender: Por enquanto apenas as revistas.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Fernanda Bender: Seria maravilhoso ter alguma miniatura dele ou uma camiseta estampada.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Fernanda Bender: Das poucas que li, gostei muito de “A Volta do Mestre”, pois nela há a presença de duas personagens históricas e muitas surpresas ao longo da narrativa.  Quanto a artistas que desenham ou roteirizam, realmente não sei dizer no momento.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Fernanda Bender: Tudo me agrada nas histórias de TEX. Gosto muito de ver Tex e Carson interagindo, sempre com diálogos espirituosos e por vezes engraçados. Não há nada que eu não tenha gostado até o momento.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Fernanda Bender: Justamente o facto de ele ser apenas um homem de carne e osso que honra a sua palavra e vive a vida em defesa da justiça, fazendo o que é necessário para obtê-la. Ele é íntegro e impõe não só medo, mas respeito em seus adversários. Também acho óptima a maneira directa com que ele lida com os bandidos, na base do soco ou do tiro mesmo, e além de tudo ele possui raciocínio rápido e inteligente. Tex coloca-se no meio do fogo cruzado, arrisca a pele… é um homem de atitude e bravura admiráveis.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Fernanda Bender: Converso online com alguns leitores de Tex. Do meu convívio mesmo, ninguém lê. Depois que passei a registar as minhas leituras em um blogue pessoal, fui encontrando outros que também são fãs do ranger, podendo assim trocar ideias e opiniões.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Fernanda Bender: Espero que mais pessoas possam conhecer estas revistas e apreciar tanto a leitura quanto eu. Tex vem encantando gerações e creio que continuará assim por muito tempo.

Prezada pard Fernanda Bender, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Estudos de Tex e seus pards realizados por Mike Deodato Jr.

Por José Carlos Francisco

Tex por Mike Deodato

Tex por Mike Deodato

O consagrado desenhador brasileiro Mike Deodato Jr., um dos mais famosos no mercado americano nos últimos anos, sendo inclusive um dos artistas de ponta da gigante Marvel Comics, editora para quem trabalha em regime de exclusividade, tem desde há vários anos a ambição de vir a desenhar Tex, um sonho que o próprio autor brasileiro confessou recentemente ao blogue português do Tex em entrevista exclusiva que pode ser lida clicando AQUI!

Kit Carson por Mike Deodato

Kit Carson por Mike Deodato

Kit Carson por Mike Deodato

E segundo apuramos, esse sonho pode mesmo vir a tornar-se realidade, porque se no passado Mike Deodato Jr. teve que recusar um convite do próprio Sergio Bonelli, devido precisamente ao contrato de exclusividade com a Marvel Comics, soubemos que esse contrato termina este ano e a partir de 2015 Mike Deodato Jr. estará livre para desenhar Tex.

Jack Tigre por Mike Deodato

Jack Tigre por Mike Deodato

Jack Tigre por Mike Deodato

Há inclusive rumores que o apreciado artista brasileiro tem conversado com os responsáveis por Tex na Sergio Bonelli Editore, tendo inclusivamente sido convidado a fazer alguns estudos de Tex e seus pards, estudos esses que damos hoje a conhecer aos nossos leitores e que esperamos que sejam somente o início de uma colaboração profissional com a Sergio Bonelli Editore!

Kit Willer por Mike Deodato

Kit Willer por Mike Deodato

Kit Willer por Mike Deodato

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José Carlos Francisco, Pasquale Del Vecchio e Dorival Vitor Lopes na arte caricatural de «Jim Halley»

«Jim Halley» o artista brasileiro que esteve nos dias 15 e 16 de Novembro de 2014, em São Paulo, participando do Comic Con Brasil onde Pasquale Del Vecchio foi a estrela texiana presente, fez a pedido do Fã Clube Tex Brasil, com sede em Alagoinhas, Bahia, uma caricatura mostrando o consagrado desenhador italiano Pasquale Del Vecchio em São Paulo na companhia do português José Carlos Francisco, representante da Mythos Editora em Portugal, e do editor de Tex no Brasil, Dorival Vitor Lopes, caricatura essa que damos a conhecer de seguida:

José Carlos Francisco, Pasquale Del Vecchio e Dorival Vitor Lopes na arte caricatural de «Jim Halley»

Jim fez a caricatura e posteriormente foi convidado para participar do evento em São Paulo, representando Laranjeiras do Sul. Conforme Halley confidenciou ao jornal Correio do Povo do Paraná, entre as centenas de pessoas que pediam autógrafos a Pasquale houve um momento muito especial, que foi a entrega da caricatura ao artista, que em retribuição fez para ele um desenho exclusivo mostrando Tex ‘A grande estrela da Bonelli Comics‘. “Foi uma experiência gratificante”, afirmou Jim. Quem também recebeu a magnífica caricatura foi o português José Carlos Francisco, momento esse que registamos para a posteridade e que contou também com a presença de Jessé Machado dos Reis, presidente do Fã Clube Tex Brasil:

«Jim Halley», José Carlos Francisco e Jessé Machado dos Reis aquando da entrega da caricatura em nome do Fã Clube Tex Brasil

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Alessandro Bocci, do blogue do Tex para o staff do Ranger

Por José Carlos Francisco

Alessandro Bocci com os seus estudos de Tex e Carson

Alessandro Bocci é um consagrado desenhador de Dampyr que desenhou inclusive a primeira aventura de Harlan Draka, seu verdadeiro nome, ambientada em Portugal (Dampyr nº 75, “O Esposo da Vampira“) e onde revela um grande rigor, dos cenários até o cão de Vitorino Rocha, um cão dos montes e cuja trama trata das obsessões pessoais de um director de cinema que, por trás de seu trabalho de direcção, esconde a existência secreta de uma vampira, uma sua antiga antepassada e que durante a realização do filme no castelo de Trás-os-Montes o director consegue arrastar toda a trupe a um clima de terror até revelar sua verdadeira intenção: devolver à vida a estirpe vampiresca da sua família e tornar-se ele mesmo um vampiro graças à intervenção da antepassada (que, nesse meio tempo, recuperou suas forças graças ao sangue dos membros da equipa) num plano genial mas que acaba por ser arruinado porque Harlan e Kurjak faziam parte da equipa!

O Tex de Alessandro Bocci

Um dos grandes sonhos de Alessandro Bocci era desenhar Tex, conforme o próprio nos confidenciou em entrevista exclusiva ao nosso blogue: “Desenhar Tex… eu gostaria muito, mas jamais me foi proposto, infelizmente! Eu entendo que desenhar Tex não é simples como parece, é preciso entrar em certos mecanismos gráficos que exigem muita aplicação e atenção, além de boa familiaridade com o género faroeste.” E nessa entrevista Bocci foi mais longe e fez um autêntico apelo à Sergio Bonelli Editore: “Aproveito para lançar um pedido à Bonelli: deixem-me fazer um teste para uma história de Tex!“.

O Carson de Alessandro Bocci

Mauro Boselli, responsável máximo de Tex na actualidade, ao tomar conhecimento deste pedido, aliado ao facto de conhecer bem as qualidades artísticas de Bocci, resolveu dar a oportunidade a Alessandro Bocci convidando-o para fazer um teste, teste esse onde Bocci saiu-se muito bem a ponto de recentemente ter sido convidado para, finalmente, desenhar uma história de Tex, história essa que será escrita por Jacopo Rauch para depois ser publicada num dos futuros Color Tex.

O Tex de Alessandro Bocci

Entretanto Bocci já começou a fazer uns estudos de Tex e Carson para essa aventura que irá começar a ser desenhada muito em breve, estudos esses que damos hoje a conhecer aos nossos leitores e que muito orgulham todo o staff do blogue português do Tex, porque com uma pontinha de orgulho constatamos que o blogue do Tex também é uma rampa de lançamento para os profissionais da editora Bonelli chegarem a Tex!

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As críticas do Marinho: Furia Comanche – (Tex italiano 645 e 646)

Por Mário João Marques


Wasape é um terrível guerreiro comanche que semeia o caos e o terror junto de colonos e rancheiros. Capturado por Tex, Wasape é julgado e condenado à morte por enforcamento, mas contra toda a lógica consegue sobreviver e fugir. Wasape torna-se assim num guerreiro imortal aos olhos de muitos, sobretudo junto dos seus, acreditando que ele possa conduzir os comanches na senda da glória. No entanto, Tex acha que Wasape só conseguiu sobreviver ao enforcamento e fugir graças à ajuda de alguém e por isso rapidamente se dirige a Fort Worth para, juntamente com Carson, investigar o sucedido.

Para o bem ou para o mal muitos julgarão que os fins justificam os meios. Ruju parece acreditar nesta ideia e assina aqui uma aventura que é uma prova eloquente do maquiavelismo que muitas vezes domina a política e os jogos de poder. Furia Comanche baseia-se num complot político maquiavélico e tem um enredo bem elaborado: possibilitar que um guerreiro comanche, sedento de ódio pelos brancos, sobreviva a um enforcamento e possa fugir, de modo a espalhar o caos e a violência e, desta forma, justificar um casus belli e um novo tratado político, o qual visará permitir aos brancos apoderarem-se das terras dos índios, confinando-os a meras reservas.

Wasape é na realidade um guerreiro fanático, um criminoso sanguinário, nunca hesitando em dizimar os brancos do modo e da forma mais cruel. No fundo, é a personagem ideal para poder ser utilizada por políticos corruptos e negociantes sem escrúpulos a seu bel-prazer e em proveito dos seus próprios intentos. Neste sentido, a aventura assume um cariz marcadamente bonelliano, porque foca no essencial um ponto fulcral que o autor trouxe para a série: a luta contra o poder corrupto, a luta contra tudo o que de alguma forma possa ser aproveitado de forma ilícita para prejudicar os mais fracos, reduzindo-os a um papel secundário.

Por si só, Wasape representará os comanches? Terá esse poder e essa capacidade? A verdade é que quando Tex afirma que os índios não são todos iguais, está a deixar uma mensagem de tolerância, considerando ser um erro acreditar que as acções fanáticas e de ódio de uns (poucos) possam ser interpretadas como sendo de todos os índios. Trata-se, no entanto, de uma postura difícil de compreender e mesmo de aceitar por todos os que perderam entes queridos, amigos e familiares na mão e por obra de fanáticos.

Apesar da luta entre Tex e Wasape dominar toda a aventura, numa espiral de crescente violência e confronto psicológico, a verdade é que essa luta nasce e é fomentada pelo conflito que os brancos urdiram com o intuito único de favorecer os seus interesses. Terá Ruju pretendido colocar Tex apenas, e uma vez mais, em confronto com o poder instituído corrupto, ou terá querido ampliar o âmbito e o alcance do enredo, assumindo aqui a sua própria crítica a todos os poderes políticos, sobretudo aos actuais, quando confrontados com um conflito presente de religiões e civilizações?


Ruju tem vindo a provar ser um valor seguro na série, não só por estas ideias fortes que consegue transmitir nos seus argumentos, mas também pelo equilíbrio com que articula e organiza as aventuras ou pela capacidade de alternância da acção entre diferentes ambientes e personagens. Creio, no entanto, que um dos melhores atributos do autor residirá no modo e na forma como consegue construir personagens fortemente caracterizadas para enfrentar Tex, sendo a personagem de Wasape mais uma prova desta habilidade do autor, uma vez que, ao tornar-se num guerreiro imortal, pelo menos aos olhos de alguns, a personagem de Wasape assume contornos fantásticos e uma força que vai para além do racional.

Por seu lado, Garcia Seijas parece ter cimentado o seu lugar na série, sendo esta a sua sexta aventura, mantendo um ritmo de publicação que apraz registar. O autor parece ter abandonado em definitivo a caracterização de um Tex muito sorridente. Quando do seu primeiro trabalho sublinhámos esse ponto que nos parecia de menor qualidade, já que a composição do ranger não se coadunava com a imagem mais dura, incisiva e cínica do ranger bonelliano. Aquele Tex assemelhava-se muito aos cowboys dos velhos seriados clássicos americanos, onde os heróis adoptavam sempre uma postura mais romântica. Seijas vai definindo e aperfeiçoando o seu Tex, compreendendo da melhor forma os genes do herói, desenhando-o mais de acordo com as características que lhe deram fama.

No resto, Seijas está à vontade e o seu desenho, isento de falhas, assume mesmo contornos épicos em cenas onde o fanatismo de Wasape se torna mais presente e intenso: os ataques aos rancheiros, mas principalmente toda a cena do ataque nocturno a Sootsville, dominada pelas presenças de Tex e Wasape no meio de toda a violência, de tanta pólvora e de tanto tiroteio, cada um preparando a melhor forma de atacar o adversário.

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